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By Luiz Sérgio F. CastroHistory
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  • CONVESANDO COM OS IRMÃOS!


    Queridos Irmãos!!!

    Todos os meses tenho a honra de escrever neste espaço, buscando contribuir com o nosso crescimento pessoal.

    Agora, nos colocamos em um projeto grandioso e, com a autorização do Editor deste veículo, iremos apresentar aos Irmãos nossa proposta de trabalho. Estou me referindo ao projeto do Grão-Mestrado da Muito Respeitável Grande Loja Maçônica do Estado do Espírito Santo (GLMEES).

    Em março passado, por ocasião da Grande Assembleia Deliberativa, colocamos o nosso nome como pré-candidato a Grão-Mestre da GLMEES.

    Desde então, começamos um projeto, de forma virtual (em razão da pandemia), denominado “Conversando com os Irmãos”, por meio do qual procuramos ouvir os Irmãos de todas as regiões do Estado.

    Nosso foco será o Homem Maçom e sua família. Fortalecer o homem Maçom é construir Colunas Fortes.

    Nosso projeto tem como objetivos o bem coletivo e o crescimento sustentável, e será construído de forma democrática, com a participação de todos os envolvidos no processo.

    Desde a escolha do nosso candidato à Eminente Grão-Mestre, meu querido Irmão Carlomar de Almeida, até à elaboração do nosso programa de trabalho, ouvimos as contribuições das Lojas e dos Irmãos.

    O plano de trabalho do Grão-Mestrado 2022/2025 tem nos seus pilares de sustentação o cuidado com o homem Maçom e a ampliação do fortalecimento das nossas Lojas Maçônicas. Também atuaremos derrubando muros e construindo pontes com a sociedade, ampliando os lanços de filantropia e solidariedade que nos regem.

    Intensificaremos o uso de tecnologias que agreguem informações e tornem a Grande Loja Maçônica do Estado do Espírito Santo ainda mais interconectada às suas Lojas.

    A Grande Loja experimentou crescimento expressivo nos últimos anos, consolidando-se como uma Potência reconhecida no Brasil e internacionalmente. São 206 reconhecimentos com Grandes Lojas de todos os continentes, incluindo as três mais antigas do mundo – Grande Loja Unida da Inglaterra, Grande Loja da Escócia e Grande Loja da Irlanda.

    Diante de tantos avanços, é preciso trilhar um caminho sólido e seguro para que não ocorram retrocessos. Superar limites será nosso desafio e missão. Dentro desse contexto, realizaremos uma gestão participativa, na qual o espírito de cooperação e o diálogo continuarão a nortear as nossas relações.

    Saudações Fraternais!!!

    Valdir Massucatti

    Past Grão-Mestre Adjunto daMuito Respeitável Grande Loja Maçônica do Estado do Espírito Santo.

    4 min
  • PATRIMÔNIO CULTURAL MAÇÔNICO


    Por Irmão Leonardo Augusto Reis

    Nossa Instituição, GOB, está prestes a comemorar seus 200 anos de fundação, presente em todos os Estados da Federação e Distrito Federal. Considerando que o Brasil tem proporções continentais e o GOB espalhado por este território gigantesco em mais de 3500 lojas maçônicas, devemos considerar e respeitar a riqueza cultural existente nas lojas entre bens materiais e imateriais que formam o Patrimônio Cultural Maçônico Brasileiro.

    Assim, lembramos que PATRIMÔNIO CULTURAL MAÇÔNICO é tudo que possui relevância histórica e cultural para o povo maçônico como arquitetura de templos, praças maçônicas, documentos históricos para as lojas, paramentos, hinos de lojas, eventos e festas tradicionais promovidos por lojas, telas artísticas que adornam lojas e instituições maçônicas, medalhas, diplomas, carteirinhas e demais bens culturais MATERIAIS E IMATERIAIS.

    É importante ressaltar que o patrimônio cultural maçônico é dividido em dois grupos distintos sendo: PATRIMÔNIO IMATERIAL ou aquele saber cultural, modo de fazer, celebração ou ação considerada intangível ou não palpável que abrange as expressões simbólicas e culturais do povo maçônico, sua história, seus eventos tradicionais, seus hinos, seus ritos e o PATRIMÔNIO MATERIAL que diz respeito aos bens materiais, ou seja, tangíveis, palpáveis, vistos e que formam as lojas e são importantes para o dia-a-dia da maçonaria como os templos, as praças maçônicas, busto de maçons ilustres, paramentos, utensílios, documentos, comendas, bibliotecas de lojas, altares, abobadas, balaustrada, espadas e etc.

    Respeitando esta riqueza cultural pertencente às lojas federadas e com o objetivo de socializar informações exaltando a cultura maçônica, a Secretaria Geral de Educação e Cultura do Grande Oriente do Brasil inicia um programa de valorização e preservação do Patrimônio Cultural Maçônico no Brasil, onde os irmãos e lojas devem cadastrar seu patrimônio cultural para a formação de um museu maçônico virtual.

    Consideramos importantes fotografias e dados históricos dos bens culturais das lojas de todo Brasil que possam ser compartilhadas como um anexo virtual do Museu Maçônico Ariovaldo Vulcano.

    Estes objetos e bens imateriais, em uso ou no acervo das lojas, passam a fazer parte do museu de forma virtual demonstrando a beleza e riqueza cultural maçônica em nosso país e talvez formando o maior museu maçônico virtual do mundo.

    7 min
  • O ANO DE 2022 E A CELEBRAÇÃO DO LEGADO DO GOB NA HISTÓRIA

    Estimados Irmãos e Família Maçônica do Grande Oriente do Brasil.

    Estamos planejando e organizando grandes comemorações em relação aos 200 anos de fundação da maior potência da América Latina - o Grande Oriente do Brasil! Em todo esse tempo de atividades, Irmãos Maçons de todo Brasil fizeram a diferença na sociedade por seu exemplo, liderança e ações, beneficiando a população brasileira, sejam nos atos democráticos anticorrupção, na independência do Brasil, na Proclamação da República, na Abolição da Escravatura e tantas outras grandes ações de filantropia no Brasil. Podemos dizer, sem sombra de dúvidas, que a Maçonaria é a maior Instituição filantrópica do Brasil da atualidade.

    Todo esse trabalho do passado e do presente, nos direciona e identifica como a maior Instituição privada em capilaridade no Brasil, assim como a mais antiga em atividade. Esses dados formam a força e a importância da Maçonaria no Brasil e tamanha proeminência é intrínseca ao Grande Oriente do Brasil, pois não há Maçonaria Brasileira ou história desta, sem antes falarmos ou pensarmos no nosso GOB.

    Tais comemorações se darão agora em 2022 e teremos atividades culturais, institucionais e filantrópicas por todo Brasil. A grande festa da Maçonaria Brasileira nestes 200 anos é ponto essencial para a retomada dos tempos de outrora, em que a Maçonaria mantinha grande influência nas decisões em favor da sociedade. Iniciamos nesta gestão, comigo e com o nosso companheiro de trabalho, Ademir Cândido da Silva, um grande projeto de aproximação da Ordem e do GOB com os poderes constituídos da República Federativa do Brasil.

    Temos visto em nossas andanças pelo Brasil Gobiano e em nossas redes e mídias sociais, os principais anseios dos Maçons e suas famílias. Independente quem seja o Grão-Mestre ou o Aprendiz Maçom mais jovem, todas as opiniões são importantes e todas sem exceção são avaliadas, discutidas e, sendo viáveis, introduzidas em nossa gestão. Também enxergamos hoje o orgulho e a vivacidade do Maçom em pertencer aos quadros do Grande Oriente do Brasil.

    Tamanho sentimento de pertencimento, é fruto de uma gestão servidora e inclusiva, que prioriza as bases e notadamente, por meio do apoio destas mesmas bases, nos permite posicionar de forma macro o GOB em relação às demais potências do Brasil e do mundo, bem como às instituições públicas e privadas da República, sempre de forma fraterna, amiga e respeitável. Somente com dedicação, vivacidade e fraternidade, continuaremos firmes na conquista dos espaços que a Maçonaria tem por direito e legitimidade, dada sua representatividade social, a capilaridade dos seus membros, grandes líderes da sociedade e em reconhecimento dos seus feitos do passado e presente. Continuamos firmes nesta missão e 2022 será um ano muito especial para todos nós, pois será o ano das grandes mudanças! Esse é o GOB Junto de Você!

    Fraternalmente,

    Múcio Bonifácio Guimarães

    Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil

    5 min
  • O SILÊNCIO INICIÁTICO

    Por Solange Sudarskis

    Quem diz segredo diz silêncio, proibição de uma revelação a quem não o compartilha.

    As coisas sagradas dos antigos mistérios que eram conhecidos apenas pelos iniciados e que não haviam sido reveladas ao leigo eram chamadas aporrheta.

    Na época de Abraão, vivia no Egito Hermes ou Idris II; ele foi apelidado Trimegisto por ser profeta, rei e filósofo.  Ele ensinou a arte dos metais, alquimia, astrologia, magia, a ciência dos espíritos … Pitágoras, Empédocles, o Arquelau o Sacerdote, Sócrates, Platão e Aristóteles extraíram sua ciência dos escritos de Hermes.  Eusébio declara expressamente que Hermes foi o instituidor dos hieróglifos; que ele os revelou aos sacerdotes e que Maneton, Sumo Sacerdote dos ídolos, os explicou na língua grega a Ptolomeo Filadelfo.  Esses hieróglifos eram considerados sagrados e frequentemente chamados de “As Palavras de Deus”.  Eles eram mantidos escondidos nos locais mais secretos dos templos.  O grande segredo que os sacerdotes observavam sobre seus conhecimentos operativos, as altas ciências que professavam, fez com que considerassem e respeitassem em todo o Egito. A destruição de várias cidades, a ruína de quase todo o Egito por Cambises, rei da Pérsia, dispersou-os nos países vizinhos e na Grécia. Trouxeram suas ciências para lá, mas sem dúvida continuaram a ensiná-las da maneira por eles empregada, ou seja, misteriosamente.  Não querendo esbanjá-los com todos, eles ainda os envolveram na escuridão das fábulas e dos hieróglifos, de modo que o homem comum, vendo, não vê nada, ouvindo, não entende nada. A expansão do Cristianismo elimina os últimos padres que dominam o segredo dos hieróglifos no final do século IV.

    Os gregos tinham um deus do silêncio, Harpócrates.  Ovídio disse dele:  “Quique premit vocem digitoque silentia suadet ; aquele que controla a voz e persuade o silêncio com seu dedo. ” “É verdade que em todos os monumentos onde está representado, sua atitude é colocar o dedo na boca, para marcar, diz Plutarco, que os homens que conhecem os deuses, em cujos templos Harpócrates foi colocado, não devem falar sobre de forma imprudente ”.[1] “A estátua de Harpócrates estava entre os antigos sábios o emblema do segredo, que se fortalece com o silêncio, enfraquece & desaparece por parábolas ”.[1]

    Ele era, no entanto, uma divindade na mitologia egípcia.  Seu nome verdadeiro era, de acordo com Bunsen e Lepsius, Har-pi-krati, isto é, Hórus, a criança; acredita-se que ele era filho de Osíris e Ísis.  Ele é representado por uma figura nua, às vezes sentado sobre uma flor de lótus, ou de cabeça descoberta com a esteira da infância ao lado, ou coberto por uma coroa de Hemhem, mas sempre com o dedo pressionado contra os lábios.  “Harpócrates não é um deus imperfeito em estado de infância, nem qualquer um dos vegetais que estão começando a florescer.  Em vez disso, ele deve ser visto como aquele que dirige e corrige as opiniões fracas, imperfeitas e imprecisas que os homens têm dos deuses.  Assim, também ele mantém o dedo sobre a boca: uma atitude que é o símbolo do silêncio e da discrição. No último mês do ano egípcio, em julho, foram oferecidos a esse deus dos legumes, dizendo: “língua, sorte; linguagem, gênio”. De todas as plantas que crescem no Egito, a persea é a que é oferecida de preferência a este deus, porque seu fruto tem a forma de um coração e sua folha, a de uma língua ”[2].

    12 min
  • OS PORQUÊS DA EXISTÊNCIA DE DOIS TIPOS DE PAINÉIS: O SIMBÓLICO E O ALEGÓRICO


    Irmão José Ronaldo Viega Alves

    “Introduzidos na Maçonaria no final do Século XVIII como instrumentos de aprendizagem, os Painéis tinham — e ainda tem — o propósito de auxiliar o candidato a dominar o complicado simbolismo que figura nos Rituais de Iniciação de cada um dos três Graus. Suas origens remontam aos dias em que incumbia ao Venerável traçar a giz, no chão da Loja, esquemas ilustrativos dos tópicos que ele estava explanando em suas instruções aos Irmãos. A isso se seguiu o revestimento do chão e, finalmente, quando as Lojas começaram a adquirir recintos permanentes, os painéis propriamente ditos.“ (Harwood, pág. 170, 2014)

    INTRODUÇÃO

    Cada Grau possui o seu painel correspondente, cada um dos painéis funciona como uma espécie de diagrama, ou seja, um resumo composto por aqueles símbolos que são considerados essenciais. Os símbolos aparecendo estampados facilitam as interpretações do Maçom, o que é uma vantagem em relação à palavra escrita, tanto que, não custa lembrar da frase atribuída ao filósofo chinês Confúcio quando teria dito que “uma imagem vale mais que mil palavras”, a qual, bem pode ser adaptada ao nosso presente contexto.

    Mas, há dois tipos de painéis? Bem, enquanto alguns autores se limitam a citar que há dois tipos de painéis, o simbólico e o alegórico e, logo após, partirem para a descrição dos símbolos que compõem o conjunto de cada um deles, há também aqueles (em número mais reduzido, claro) que buscam fazer um relato acerca das origens, história e evolução dos painéis sem deixarem de adentrar nesta que, podemos dizer, é uma característica muito particular da Maçonaria Brasileira, ou seja, a existência de dois tipos de painéis, o simbólico e o alegórico.

    Evidentemente, uma soma de fatores acabou contribuindo para que a Maçonaria brasileira permitisse a inclusão desse outro painel em alguns dos Ritos praticados, gerando assim uma duplicidade de painéis.

    Para quem esteja disposto a destrinchar essa história, certamente não será uma tarefa das mais fáceis, pois, há que se considerar uma grande quantidade de informações em torno dos episódios que redundaram na adoção e no uso desses dois Painéis, o Simbólico e o Alegórico. Há diferenças pelo fato de que existem duas vertentes, uma inglesa e outra francesa, o que se reflete nos símbolos ali contidos num painel e no outro, há o aspecto predominantemente racional, o qual é proveniente da Maçonaria francesa e há o aspecto mais religioso, este oriundo da Maçonaria inglesa, além desse outro complicador que é diversidade de Ritos, enfim, para quem quiser ir a fundo mesmo e considerar todos os fatores envolvidos, correrá sempre o risco de se confundir.

    Por isso, a necessidade de buscar uma síntese aqui. Sem ser prolixo, procurar informar aos Irmãos que nutrem uma curiosidade sobre o assunto escolhido.

    Quando no âmbito das instruções ministradas em Loja, dificilmente alguém faz referência à existência desses dois tipos de painéis. Mas, se empreendermos algumas leituras, algumas pesquisas, logo, logo, nos depararemos com algum autor fazendo referência a esses painéis.

    24 min
  • E FAÇA-SE A LUZ!! E A LUZ FOI FEITA!!

    Por Irmão Dário Angelo Bagieri

    Bom dia a todos futuros Irmãos. Se aproxima de um momento ímpar na vida de vocês. Cada um terá, à sua maneira, uma interpretação, sobre o que irá ocorrer. E guardará em seu coração e mente, a chama da verdadeira iluminação interior que vem de Deus, o criador incrido. Vocês irão observar que “os objetos que nos cercam só são visíveis porque refletem a luz”. Esta luz se propaga por ondas. A sua irradiação é eletromagnética e energética. Foi estabelecido pela ciência, que a luz deve sua geração à matéria; a combustão a produz e a emite. A luz é um “elemento constitutivo do Universo”. Segundo Pierre Rousseau, “ELA visível é apenas uma fração ínfima do domínio das radiações eletromagnéticas, que são vibrações transversais de forma senoidal, de um duplo campo elétrico e magnético. Está hoje provado que a luz segue a curvatura do espaço. O preto, o branco e as cores freqüentam o nosso destino. A vida, a Natureza e o Cosmos só se expandem pela Luz. A Luz ilumina o mundo. A Luz é Deus. As peregrinações existiram em abundância nos momentos dos solstícios e dos equinócios. A criação da Luz determina o início do tempo. A Luz original não é a do Sol. Os astros são apenas luzeiros; a Luz de Deus é universal, é a desejada pelo Criador. Os salmistas, os profetas, os Reis, todos cantaram a Luz divina, que determina o Conhecimento. No Salmo 119, Davi assim se expressa: “Tua palavra é uma lâmpada para iluminar os meus pés, uma Luz para brilhar sobre o meu caminho”. Em Provérbios, VI:23, lemos: “O mandamento divino é uma Lâmpada, a Thorah é Luz”.

    O salmista diz ainda que “Iahweh se veste de Luz como de um manto (Sl.,104:3)”. Os comentaristas rabínicos do pensamento judaico explicam a existência de uma “Luz escondida”. Existe uma Luz do espírito, criada e separada do Criador. Agora surge a grande questão: " Quantos de vós conseguirão manter viva essa luz dentro do coração e aspergi-la sobre seus irmãos, sobre sua família, sobre o seu trabalho, sobre as pessoas que o cercam, enfim sobre a humanidade?

    Vemos hoje que muitos são chamados, mas poucos são os escolhidos. Entender esta declaração concisa de encerramento é entender a parábola como um todo. O que Cristo quis dizer com “Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos”? Para responder, necessitamos entender o que Jesus quer dizer aqui por “chamados” e “escolhidos”. A palavra “chamado” permeia a parábola. O texto em grego diz que os servos “chamam aqueles que foram chamados para as bodas” (Mt 22.3). Mas somente os eleitos (escolhidos) irão, no tempo de Deus, receber o chamado interno.

    7 min
  • REVOLUÇÃO FRANCESA

    por Tiago Cordeiro

    Ela fez da visão de mundo maçônica — liberdade, igualdade e fraternidade — o alicerce para construção de uma nova nação.

    Eram maçons dois dos mais importantes líderes da Revolução Francesa: Jean-Paul Marat, ideólogo de uma ala radical do movimento, e o marquês de La Fayette, militar aristocrata que aderiu à revolta popular. Isso quer dizer que a maçonaria foi a força motriz da rebelião? Depende de como se interpreta a história. Certos pesquisadores, como o americano W. Kirk MacNulty (maçom há mais de 40 anos), acreditam que sim. “Entre os inimigos da monarquia francesa, mesmo quem não participava da ordem tinha sido influenciado por suas ideias”, diz MacNulty. Outros, como o britânico Andrew Prescott (diretor do Centro de Estudos da Universidade de Sheffield, na Inglaterra), destacam que os dois principais comandantes da revolução — Georges-Jacques Danton e Maximilien de Robespierre — jamais foram maçons. “São exageradas as afirmações de que a maçonaria liderou o movimento”, declara Prescott.

    Independentemente da interpretação que se faça, é fato que a Revolução Francesa fez da visão de mundo maçônico - liberdade para adorar qualquer deus, igualdade entre nobres e plebeus e fraternidade entre os membros do mesmo grupo - o alicerce para o novo país que os revolucionários pretendiam construir. A influência da maçonaria foi tamanha que uma música composta e cantada na loja maçônica de Marselha acabou sendo transformada no hino da nova França.

    14 min
  • A VELHICE NA MAÇONARIA

    Por Juracy Vilela de Sousa (*)

    Outrora, a velhice era uma dignidade; hoje, ela é um peso. ("Francois Chateaubriand")

    Quando fui iniciado, a vida para mim ganhou um novo sentido, pelas novas amizades e pelo ensinamento que recebia nas instruções de meus preceptores.

    A sessão maçônica era uma coisa extraordinariamente nova e reveladora.

    Sonhava em crescer na ordem e ser como aqueles irmãos mais antigos, pois via neles tanto conhecimento e amizade, meus sábios inspiradores.

    Aqueles “velhinhos” eram a porta para meu ingresso no conhecimento e na filosofia da Arte Real.

    Para mim, eles viviam num mundo de felicidade e que aquilo era uma herança, que levariam até os dias da velhice.

    Esse sentimento inundava o meu espírito de paz e esperança.

    Jamais poderia pensar que o caminhar dos anos trouxesse consigo mudanças tão importantes.

    Parece que a juventude não conhece o segredo para a transmutação e quando a idade avança, somos pegos por uma realidade surpreendente, às vezes desalentadora.

    A ordem que servimos por décadas a fio, dispensando os maiores esforços, nos abandonara na idade senil.

    Justamente quando estamos mais carentes e fragilizados.

    Na América do Norte, os maçons idosos vão para o albergue da ordem onde vivem em paz e dignamente.

    Toco nesse assunto, levando em conta casos de irmãos que vivem no mais completo abandono maçônico.

    Vitimados por uma enfermidade não saem para lugar algum, aprisionados em suas casas.

    Essa realidade é bem diferente dos templos aconchegantes e das amplas festas e Copos D'Água que um dia frequentaram.

    Aquela alegria barulhenta e os abraços fraternos deram lugar ao abandono, ao ostracismo involuntário e ao silêncio cósmico que arrasa seu moral.

    Se tivessem a mão amiga de um irmão, poderia ir à Loja, aos almoços e de novo serem felizes.

    A maçonaria, pródiga em ajudar os velhinhos dos asilos profanos, vira a cara para seus próprios membros que nem sempre precisam de apoio pecuniário, apenas de uma visita.

    A tentativa de levar irmãos à casa de um enfermo sempre resulta em fracasso, pois ninguém se interessa.

    Os Veneráveis Mestres, esses, nunca vão.

    O tempo corre célere e a vida escapa pelos dedos como o mercúrio.

    Irmãos, ainda há tempo, embora curto, para amar o próximo, pois o Céu não pode esperar.

    (*) Juracy Vilela de Sousa – Grão-Mestre de Honra do GORS

    4 min
  • CORAÇÃO O CENTRO DO SER HUMANO

    Por Marco Antonio Peres – Rio Claro - SP

    A ética da serenidade: O caminho da barca e a medida da balança

    Ética parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, está ligada à ação das pessoas e é aquilo que define quais ações podem ser consideradas corretas ou incorretas, definindo o que é o certo e o errado. Desde o tempo mais remoto os “filósofos” a estudam.

    Serenidade Éuma qualidade ou estado do que é ou está sereno.

    O ser humano e a sua busca constante deste equilíbrio.

    Desde Ur que foi uma importante cidade-estado na antiga Suméria, hoje no Iraque. Embora na Antiguidade fosse uma cidade litorânea, situada na foz do Rio Eufrates, no Golfo Pérsico, atualmente situa-se no interior do país, ao sul da margem direita do Eufrates. Os arqueólogos descobriram evidências de uma ocupação antiga de Ur durante o quarto milênio a.C..

    Atualmente sabe-se que a planície do sul da Mesopotâmia estava exposta a enchentes regulares tanto dos Rios Eufrates e o Tigre, e com forte presença de erosões causadas pelo vento e pela água.

    A ocupação sistemática de Ur apenas se torna clara durante sua emergência no terceiro milênio a.C..

    Código de Hamurábirepresenta o conjunto de Leis nascidas em Ur. Acredita-se que foi escrito pelo rei Hamurábi, aproximadamente em 1 772 a.C.. Se o Homem busca a serenidade e evolui, hoje a Lei “olho por olho nos choca”.

    De acordo com o livro da Bíblia de Genesis, Ur foi à origem de Abraão, patriarca dos Hebreus. Em sua peregrinação, Abraão sai de Ur e vai para Harã e de lá para Canaã.

    Muitas informações sobre a história dos hebreus baseiam-se na interpretação de textos do Antigo Testamento, a primeira parte da Bíblia. O Antigo testamento foi escrito com base na tradição oral dos hebreus. Registra-se que esse povo começou a definir as muitas das normas éticas e morais de sua sociedade.

    Na Bíblia – no Antigo e Novo Testamento – encontra-se em várias passagens o vocábulo “coração”. Considera o coração como o interior do ser pensante. O coração retém as recordações e as ideias, os planos e as decisões.

    Na antropologia bíblica o coração é a própria fonte de sua personalidade consciente, inteligente e livre. É o lugar privilegiado onde há o encontro com Deus.

    O Ser Supremo examina o coração de cada um e detesta a falsidade. Lê-se em Isaías: O Senhor diz: “Esse povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim”. (Is 29,13)

    Um dos trechos mais preciosos elucidativos do Antigo Testamento se encontra em Ezequiel. Assim fala o Senhor: “Eu vos purificarei, e dar-vos-ei um coração novo, porei em vós um espírito novo; tirarei da vossa carne o coração de pedra e vos darei um coração de carne (Ez 36,26)

    17 min
  • A DÚVIDA COMO FERRAMENTA DO PROCESSO INICIÁTICO

    Por Barbara Empler

    Quando um profano se volta para a Maçonaria para ser iniciado, a primeira pergunta que nos fazemos a respeito dele é se ele é perfectível; basicamente verificamos se existe esse elemento de fragilidade nele, aquele sentimento de "falta" que o faz ir em busca de algo que está além de si mesmo.

    Muitas vezes nem mesmo o profano sabe o que está procurando, mas ele busca, se questiona, sem saber realmente se obterá as respostas. E então ele bate em uma porta, ela se abre para ele, ele não sabe o que vai encontrar do outro lado ... É mais pesquisa que o atrai. O esforço que deve ser desdobrado às vezes é o verdadeiro objeto de pesquisa, como o mistério, aquele véu que cobre tudo isso. É essa incerteza que o fascina, a deliciosa sensação de espera.

    Mas, às vezes, o profano parece relaxado, às vezes satisfeito e com ar de saber tudo e não ter nada a aprender: a Maçonaria não se interessa pelo homem imbuído de certezas, preocupa-se apenas que se duvide de sua capacidade de passar nas várias provas.

    A dúvida não atinge apenas o profano, mas também o maçom que deve apresentá-lo à sua instituição. Na verdade, devemos tentar entender, se admitido, ele tem a capacidade de se questionar constantemente a cada momento de sua jornada. O que quer dizer que a dúvida é o motor de todo processo de iniciação.

    Mas de que dúvida estamos falando?

    O cético, em um sentido filosófico, duvida que o homem possa alcançar o verdadeiro Conhecimento; sabemos que a mente humana é necessariamente limitada. Uma das sete verdades atribuídas aos antigos gnósticos afirma que "o visível é apenas a manifestação do invisível"

    Essa é outra maneira de dizer que o mundo como ele nos parece é apenas uma ilusão. Um ensaio tibetano ilustra nossa ignorância com a metáfora da lua refletida na água. Em relação às coisas e eventos deste mundo, aos seres que encontramos, a maioria dos homens imagina que esse reflexo da lua na água constitui a realidade, embora seja apenas uma projeção dela. O Sábio sabe que a realidade última está em outro nível, tão inacessível quanto a lua. Um provérbio chinês diz: "Quando o Sábio aponta para a lua, o tolo olha para o dedo". Todos conhecemos o famoso mito da caverna de Platão, no Livro V da República.

    Os homens estão acorrentados em uma caverna escura, eles nunca viram a luz do dia, eles têm apenas uma percepção tardia das sombras que se projetam na parede à sua frente. Se saírem para a luz do dia, ficarão deslumbrados porque seus olhos, acostumados às trevas, não suportam essa luz intensa. A partir daquele momento, é tentador voltar para a caverna e ficar lá. A ignorância, mesmo adornada com as penas de falsas certezas, é sem dúvida mais confortável do que a luta para se acostumar com a luz.

    12 min

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