
Sign up to save your podcasts
Or


Resumo da Parte 2 e algumas considerações
Anteriormente (Parte 2), foi apresentado um resumo biográfico do filósofo pré-socrático Pitágoras, assim como, aspectos do Pitagorismo, um conjunto de doutrinas atribuídas ao filósofo, que para quem ainda não sabe, tem sua presença indelével na doutrina maçônica.
Dentro do Período Clássico da filosofia grega, conhecemos também as biografias dos seus três maiores filósofos. Esses últimos influiriam decisivamente para a história do Pensamento Ocidental, sendo citados continuamente em nossos estudos maçônicos, seja por ocasião das instruções em Loja ou em palestras, bem como em dezenas de artigos e livros espalhados pelo mundo afora, fruto da relevância das suas ideias filosóficas e da importância das escolas de pensamento por eles criadas. Esses filósofos foram Sócrates, Platão e Aristóteles.
Ainda com relação às escolas de filosofia, ficamos sabendo quem eram os sofistas, assim como, quais foram os filósofos que mais se destacaram. Vimos que várias dessas correntes filosóficas surgiram no rastro de Aristóteles, porém, já dentro do mundo romano, sendo que ainda podemos citar entre elas: o epicurismo, o estoicismo, o ceticismo e o neoplatonismo.
No decorrer desta que será sua Parte 3 e última referente a este trabalho, veremos um pouco mais das influências oriundas do pensamento mítico-filosófico grego antigo e que chegaram à Maçonaria.
Tanto na Parte 1 como também na Parte 2 desta peça de arquitetura, enfatizamos a respeito da importância do Maçom em se dedicar aos estudos visando a sua formação intelectual. Os 15 minutos de Instrução nas sessões ordinárias, mesmo quando cumpridos na íntegra, é certo que não são totalmente suficientes para proporcionar aquilo que poderíamos classificar como ideal em termos de cultura maçônica. As leituras complementares é que nos darão o lastro cultural necessário e ajudarão a entendermos melhor os diversos temas abordados.
E se torna essencial uma disposição geral para colaborar nesse sentido: o incentivo, a motivação, tanto de parte dos Irmãos 1º e 2º Vigilantes, mais diretamente ligados e envolvidos com a ministração das instruções em Loja, como do próprio Venerável Mestre e dos demais Irmãos Mestres. A missão é de todos quando o objetivo é oferecer e praticar a melhor instrução e ao mesmo tempo estimular os Irmãos Aprendizes e Companheiros ao estudo.
Com o propósito de ajudar a entender e a solidificar melhor essa que deveria ser uma prática contínua, transcrevo alguns dos sábios comentários do Irmão Ubyrajara de Souza Filho, também relacionados à cultura maçônica e aos ensinamentos maçônicos:
“Há os que tratam a Cultura Maçônica como um sistema de conhecimento da realidade, como o código mental dos Maçons, não como um fenômeno material, mas cognitivo; e há os que entendem a cultura maçônica como um sistema simbólico que só poderá ser apreendido por meio da interpretação e não por mera descrição. Na verdade o conceito de Cultura Maçônica deve congregar a interpretação de seus Símbolos, a prática de tradições maçônicas e suas lendas míticas; não somente aquelas que foram incorporadas dentro dos Rituais e são exemplificadas em suas Cerimônias, mas também aquelas que foram transmitidas oralmente como partes de sua história e enunciam em seu canône de Instrução verdades fundamentais e pensamentos sobre a natureza humana, através do frequente uso de arquétipos, sem se referir à veracidade dos fatos.” (Souza Filho, pág. 20, 2014)
A descrição da Maçonaria desenvolvida ao longo de três fases – operativa, transição e especulativa – encontra maior concordância e aceitação que resistência.
PERFECT ASHLAR
Por Irmão Sérgio Quirino
A expressão encontrada nos rituais de língua inglesa encontra similaridade em nossa “Pedra Cúbica. Alguns traduzem o significado simbólico de “perfect” como “polida”.
Ashlar vai além do sentido de pedra abrangendo o conceito alegórico do trabalho realizado NA pedra e COM a pedra. A qualidade/beleza do trabalho/força (corte, esquadrejamento, alisamento) e a ciência/sabedoria de como e onde ela será assentada moldam a essência do “perfect ashlar”.
Há uma perspectiva simbólica diferente e que deve ser tratada. Observamos nos Templos a “Pedra Bruta” nas mais diversas formas. Muitas vezes, nas mais possíveis deformidades. Mas, normalmente, após a mudança de Coluna, ela se apresenta cuboide, na forma de um grande dado feito de pedra, talvez influenciado pela analogia simplista: Pedra Cúbica = Pedra em Cubo.
O cubo é uma das figuras da geometria, também conhecido por hexaedro. Ele é caracterizado como um poliedro regular formado por seis faces, doze arestas e oito vértices. Suas faces formam polígonos regulares e congruentes.
Há alguma inconveniência em usarmos esta figura? Não, nenhuma! Todavia, devemos compreender outras formas que surgem após o perfeito trabalho realizado na pedra original.
O importante aqui não é o tamanho (Grau) ou forma (Cargo) que a pedra representa, ou seja, como nós mesmos nos apresentamos após a lapidação. A perspectiva simbólica é o que será feito com a pedra que nós transformamos.
PARA ALÉM DA PEDRA ESTÁ A ALVENARIA.
PARA ALÉM DO MAÇOM ESTÁ A MAÇONARIA.
Naturalmente somos inclinados a conquistar graus, títulos e cargos. Às vezes, por questões pessoais, algumas nobres (enlevo), outras, nem tanto (medalhas e honrarias). Mas, o Criador não é apenas Arquiteto. Ele é também Artífice na construção de uma sociedade mais justa e perfeita. E para isto ele utiliza as pedras que encontra.
Neste trabalho o que importa não é o tamanho ou a forma da pedra. E sim as arestas bem delineadas e as faces prontas para receber a argamassa da ética, que impede o surgimento de trincas da corrupção na obra do edifício moral da sociedade.
Devemos nos esforçar para manter o fio do cinzel bem afiado e não ter medo de colocar força no malho. Do nosso próprio esforço resultará nosso destino. Nem todos os poliedros são cúbicos e nem todos os Irmãos tem a mesma forma. O que realmente importa é a capacidade de nos unirmos em junções muito finas e de nos sustentarmos uns aos outros.
Uma obra assim não carece de reboco e não precisa de acabamentos que possam esconder as imperfeições do material utilizado na edificação.
A PERFEIÇÃO DA OBRA SÓ DEPENDE DE NÓS.
PERFECT ASHLAR OU RUBBLE MASONRY?
CANTARIA FINA OU ALVENARIA DE ENTULHO?
Atingimos quinze anos de compartilhamento de instruções maçônicas. Nosso propósito fundamental é incentivar os Irmãos ao estudo, à reflexão e tornar-se um elemento de atuação, um legítimo Construtor Social.
Sinto muito, me perdoe, sou grato, te amo. Vamos em Frente!
Fraternalmente
Sérgio Quirino
Grão-Mestre da Grande Loja maçônica de Minas Gerais
Autor: Baltazar Ropero
A história fala da glória e da influência da Sereníssima República de Veneza e, do ponto de vista histórico, é extremamente agradável saber como uma sociedade constituída por indivíduos de origens, culturas e interesses diversos, conseguiu alinhar-se com objetivos que levaram à sobrevivência e ao sucesso.
Então, vamos conhecer a história de Veneza.
A Mais Serena República de Veneza era uma cidade-estado no norte da Itália, próxima ao Mar Adriático, com base na cidade de Veneza. Existiu como tal desde o século IX até 1797. Também é chamada de Serenissima Repubblica di San Marco, já que San Marcos é seu padroeiro.
La Serenissima foi se estabelecendo como um Estado durante a Idade Média e se tornou uma das principais potências econômicas, ocupando um lugar preponderante nas trocas comerciais entre o Mediterrâneo ocidental e oriental. Além disso, com suas instituições oligárquicas notavelmente estáveis por quase um milênio, desempenhou um papel político essencial.
A partir do século XVI, conheceu uma fase de declínio político e territorial, obscurecida por um extraordinário desenvolvimento artístico, até desaparecer em 1797, derrotada por Napoleão Bonaparte, e posteriormente dominada pelo Império Austríaco.
A cidade de Veneza obteve sua independência total no século IX. Deve-se notar que desde meados do século VIII a cidade não obedeceu ao imperador bizantino na prática, nem fez parte do Sacro Império, mas estabeleceu relações comerciais com eles como um estado soberano; em 803, ambos os impérios reconheceram a independência de facto de Veneza, chegando este a recusar em 811 uma tentativa de invasão lombarda, e em 841 enviando uma frota de apoio ao imperador bizantino em sua luta contra o califado abássida. A localização de Veneza no meio de uma lagoa natural tornava arriscada a tentativa de conquistá-la, já que a arte naval européia do final da Idade Média era muito pouco desenvolvida; precisamente, foram os venezianos que colaboraram com o desenvolvimento da construção náutica por razões primárias de necessidade: com um território continental muito pequeno, sua fonte de subsistência era o comércio no Adriático, para o qual o estímulo à navegação marítima havia se transformado em uma necessidade e , ao mesmo tempo, uma fonte de energia.
Na Alta Idade Média, Veneza prosperou como nunca graças ao controle do comércio com o Oriente e aos benefícios que isso acarretou, expandindo-se pelo Mar Adriático, aproximadamente a partir de 991 com o reinado de Piero II Orseolo, sob cujo regime a expansão veneziana começou nas costas da Dalmácia. O fato de muito poucos estados da época possuírem o conhecimento naval dos venezianos favoreceu-os no desenvolvimento de uma frota comercial e militar muito extensa para a época, que serviu para instalar entrepostos comerciais em todos os cantos do Mediterrâneo oriental. Na realidade, como a expansão político-militar do Império Bizantino se concentrava nas rotas do continente, a corte de Constantinopla deixou as ilhas mediterrâneas à ambição comercial dos venezianos, que se aproveitaram delas como postos comerciais avançados.
Sergio Leone- um maçom no velho oeste?
Por João Anatalino
Sinopse: Um assassino a soldo do proprietário de uma estrada de ferro extermina brutalmente uma família dona de uma fazenda em meio ao deserto, por onde deveria passar os trilhos. A fazenda é herdada por uma prostituta de New Orleans, com quem o chefe da família assassinada se casara. Quando ela aparece para tomar conta da herança sangrenta, o assassino passa a assediá-la para ficar com as terras. Ela acaba se envolvendo com dois misteriosos e soturnos pistoleiros que se tornam seus protetores contra a sanha do assassino e a ganância do empresário dono da estrada de ferro.
Será que o grande diretor de cinema italiano Sérgio Leone, idolatrado por Clint Eastwood, e popularizador do western spagueti, como ficou conhecido a série de filmes de faroeste produzidos na Italia nos anos sessenta, era maçom?
Provavelmente não era, pois não encontramos nenhuma referência a esse respeito nas biografias desse extraordinário cineasta, que nos legou uma mais vigorosas e interessantes filmografias de todos os tempos, criando uma forma inteiramente nova de fazer cinema e contar histórias, combinando fantásticas tomadas de imagem com uma sonoridade de tirar o fôlego, magicamente criada pelo maestro Ennio Morriconi.
Dizem que ele era comunista, e comunista, via de regra, odeia sociedades do tipo maçonaria, que eles consideram como um fruto do capitalismo selvagem e reduto da burguesia exploradora, já que a maçonaria sempre possuiu, e isso não podemos negar, um ranço de elitismo. Se for realmente assim, teria sido muito difícil colocar um avental de maçom no irascível e talentoso diretor italiano que deixou os velhos diretores de Hollywood com as calças nas mãos, ao transformar em verdadeiras obras de arte um gênero que eles já consideravam morto e enterrado.
A questão que nos leva a ligar Sérgio Leone á maçonaria aparece nos temas que ele desenvolveu em seus filmes, especialmente os faroestes, e mais destacadamente, o seu clássico “Era Uma Vez No Oeste”, seguramente um dos mais expressivos e emblemáticos filmes desse gênero que alguém já produziu.
Quem chamou a minha atenção para esse tema foi um Irmão que coleciona filmes clássicos. Por acaso ele também era o Mestre de Harmonia de uma Loja de minha cidade. Ao visitar sua Loja me encantei com as músicas que ele havia selecionado para a seção. Uma delas era o tema principal de “Era Uma Vez no Oeste.” Ao comentar com ele sobre a música, ele me disse que a estória desenvolvida nesse filme era bem maçônica. Em princípio tive certa dificuldade de ver o que o misterioso pistoleiro Charles Bronson, com sua gaita, e sua sede de vingança contra o bandidão Henry Fonda, que havia matado sua família (coisa que a gente só descobre no fim), tinha a ver com a maçonaria. E muito menos os demais personagens da história, a belíssima Cláudia Cardinale, prostituta dos bordéis de New Orleans, que vai para o Oeste para se juntar á sua nova família, sem saber que ela havia sido exterminada pelo bandidão Frank (o grande Henry Fonda). Nem o que tinha a haver com o inefável fora- da – lei Cheyenne, interpretado pelo excelente Jason Robards, que de bandido só tem a cara, pois no fundo ele se revela um bom caráter.
Texto Érika Alfaro
As expedições cristãs que queriam expulsar os infiéis da região de Jerusalém
Perdão aos pecados, reconhecimento espiritual, um lugar garantido no céu: tudo o que um cristão pode desejar. Foi por causa dessas e outras promessas que diversas pessoas lutaram nas Cruzadas, expedições de caráter religioso e militar que aconteceram entre os séculos XI e XIV. Naquela época, eram chamadas de Guerra Santa ou Peregrinação, pois as tropas ocidentais foram enviadas à Terra Santa para submetê-la ao domínio cristão, uma vez que eram os muçulmanos quem ocupavam aquele território no período.
A ameaça
No século VII, o profeta Maomé fundou, no Oriente Médio, o Islamismo, religião também monoteísta que repercutiu muito entre os cristãos durante a expansão islâmica. No século XI, os exércitos muçulmanos haviam conquistado diversas regiões. “A reorganização e a unificação destes povos se deram a partir de Maomé e seus seguidores. O grande elemento catalisador desta nova cultura foi o ‘Islã’ com seu Corão. Dessa forma, a religião islâmica passou a ordenar a vida civil e religiosa desta sociedade não mais dividida e não mais separada. Tornando-se cada vez mais combatentes e conquistadores, varrem o Oriente Médio, o Norte da África até o estreito de Gibraltar”, afirma Wilson Santana Silva, teólogo e especialista em Ciências da Religião pela PUC-SP.
Assim como o Judaísmo e o Cristianismo, o Islamismo também tinha como sagrada a região de Jerusalém, na Palestina. Desta maneira, a principal instituição da Idade Média, a Igreja Católica, não deixaria suas terras sagradas, o Santo Sepulcro, nas mãos dos infiéis, como eram chamados os muçulmanos. Ou seja, as Cruzadas foram uma espécie de contra ofensiva do Catolicismo à expansão islâmica. “O surgimento das Cruzadas se deu para atender profundas inquietações e preocupações de príncipes e reis europeus diante do grande crescimento e da expansão do Islamismo”, salienta Wilson.
LEIA MAIS: https://omalhetepodcast.blogspot.com/2021/09/cruzadas-em-busca-da-terra-santa.html
por Gisela Blanco
Uma guerra entre irmãos de fraternidade resultou na independência dos Estados Unidos — e na criação do país mais maçônico do mundo
Imagine a seguinte cena: nos Estados Unidos do século 18, colonos travam uma luta feroz contra soldados da Coroa britânica. Os primeiros querem fundar um país e estão dispostos a morrer pela independência. As tropas imperiais, por outro lado, estão ali para esmagar sem piedade toda e qualquer rebelião.
Depois de um longo dia de combates, um general das forças rebeldes deixa o front direto para uma loja maçônica. E ao seu lado, como se não houvesse guerra nenhuma em curso, senta-se o inimigo — um oficial inglês que também é maçom. Ali dentro, os dois ignoram convicções políticas, princípios religiosos e classes sociais. Como velhos amigos — ou melhor, irmãos de fraternidade —, tomam parte de cerimônias repletas de simbologia, compartilham juramentos secretos e elegem democraticamente um líder. No dia seguinte, eles voltam a pegar em armas, um contra o outro.
Parece improvável, mas a situação que acaba de ser descrita era comum na América colonial. Tanto os pais da independência americana — Benjamin Franklin e George Washington, só para citar os mais famosos — quanto os mais graduados oficiais ingleses eram maçons. Isso porque, nos Estados Unidos daquela época, pertencer à maçonaria dava o maior prestígio. E não obrigava ninguém a viver na clandestinidade. Isso explica, pelo menos em parte, por que os americanos acabaram construindo o maior país maçônico do mundo Lá, fazer parte da fraternidade nunca teve nada de suspeito ou obscuro.
“Fora um período de perseguição entre 1826 e 1840, a maçonaria sempre foi muito aberta nos Estados Unidos”, diz o pesquisador americano Chris Hodapp, autor de sete livros sobre a ordem. Frequentar uma loja maçônica, segundo ele, significava estreitar os laços de amizade com gente importante — entre os frequentadores assíduos havia juízes, fiscais da receita, oficiais do Exército e da Marinha... Até governadores. Antes mesmo de ser inaugurado o primeiro templo em solo americano, no ano de 1730, os maçons já eram numerosos nos Estados Unidos — todos iniciados em lojas do Reino Unido.
REAÇÃO INEVITÁVEL
As lojas maçônicas eram lugares onde já se praticava democracia muito antes de ela ganhar as ruas. Para começar, a maçonaria aceitava — e continua aceitando — gente de todos os credos e classes sociais. “Nas reuniões, homens de qualquer idade, fé e nível socioeconômico podiam votar democraticamente em seus líderes”, diz Hodapp. Natural, portanto, que algumas dessas ideias tão progressistas acabassem virando combustível para
por Eduardo Szklarz
Só tem “gente boa” no time que persegue os maçons desde a idade média: Papas Inquisidores, Adolf Hitler, Benito Mussolini, Francisco Franco e até Getúlio Vargas
Muita gente pensa na maçonaria como uma das sociedades secretas mais poderosas da história. Poucos sabem, contudo, que ela também tem sido uma das mais perseguidas. Não é para menos: na Idade Média, quando o mundo era controlado a ferro e fogo por reis absolutistas e papas inquisidores, os maçons apoiavam a liberdade, a ciência, o laicismo e a tolerância religiosa. Questionavam qualquer dogma. Pregavam que cada indivíduo tinha livre-arbítrio em suas escolhas. E ainda mantinham suas reuniões em absoluto segredo. Natural, portanto, que esses homens de avental representassem uma ameaça para ditadores, fanáticos e defensores do pensamento único.
“Os mais férreos perseguidores da maçonaria estavam — e ainda estão — na Igreja Católica”, diz o pesquisador argentino Guillaume Freinet, autor do livro Masones y Rosacruces (“Maçons e Rosa-Cruzes”, sem tradução no Brasil). Segundo Freinet, a relação com a Santa Sé até que começou bem: reunidos em sindicatos de pedreiros, os maçons eram contratados pelo alto clero para construir catedrais Europa afora. Mas, à medida que a fraternidade deixou os tijolos de lado e se assumiu como uma sociedade secreta filosófica — ou melhor, especulativa —, no século 17, os donos do poder se sentiram ameaçados.
Com a publicação da Constituição de Anderson (pilar da maçonaria moderna), em 1723, a Igreja rompeu definitivamente com os ex-protegidos. Em 1738, por exemplo, o papa Clemente XII emitiu uma bula proibindo os fiéis de integrar a ordem. E os tribunais da Inquisição ganharam carta branca para torturar “hereges”, acusados de satanismo.
Foi assim com o suíço John Coustos, preso em Lisboa por ordem do governo português e levado à câmara de tortura do Santo Ofício. Forçado a jurar sobre os Evangelhos, teve de se despir e foi atado no potro, uma espécie de cama que estirava pernas e braços da vítima até arrebentá-los. “Eu o informei de que, se morresse durante a operação, quebrasse algum membro ou perdesse os sentidos, a culpa seria dele, e não dos senhores ministros”, relata o inquisidor Felipe de Abranches nos autos do processo. O maçom foi libertado graças à intervenção do embaixador da Inglaterra. Exilado em Londres, rompeu o silêncio imposto pelos bispos e contou tudo no livro Os Sofrimentos de John Coustos (1745).
Por Irmão Sérgio Quirino
No balanço dos eventos da Semana da Pátria podemos concluir que o verdadeiro poder da Maçonaria se assenta na diversidade de opiniões.
Na proporção inversa, nossa maior fraqueza reside na não compreensão desta diversidade real. Fraqueza que se agrava quando se confunde diversidade com diferença. Esta evolui negativamente para a divergência, em seguida para discordância culminando na intolerância.
O Pavimento de Mosaico ilustra alegoricamente este recorte de reflexão. Há uma diversidade das cores, mas o piso é único e pronto?
Foquemos na diferença das cores preto e branco. Dizer “preto é preto e branco é branco” é focar na divergência a partir da polarização. Nesta linha haverá sempre a discordância, pois alguém pode lembrar que o branco é a mistura de todas cores, até chegar algum douto físico e esclarecer que o branco e o preto não são cores e sim o resultado da presença ou ausência de luz.
No jogo da discórdia instala-se, então, a intolerância quando o conceito acima é explicado: “A cor branca é a luz pura, quando há uma reflexão total das sete cores. Já a cor preta nada mais é do que a ausência total de luz, porque, neste caso, as cores não se refletem, elas são absorvidas”.
Desta forma intolerante e com armas em punho pisaremos agora somente no quadrado que julgar “o melhor” ou então vamos radicalizar: retiremos do templo este fomentador de discórdia ou, por outro lado, os diplomatas pacificadores proporão: troquemos as cores por azul e vermelho.
Azul??? Vermelho???
E assim perpetuamos o ciclo: diferença>divergência>discordância>intolerância e deixamos para trás a consciência de que o importante não é o piso, mas a pisadela.
Esta alegoria serve para nos alertar sobre como pode ser enriquecedor se melhor cuidarmos da consciência de que diversidades podem nos unir ou nos separar. O cerne desta alegoria está em subjugar paixões e intransigências. O caminho é substituir a discussão de opiniões por intercâmbio de ideias.
Compreender o fluxo exato das ações maçônicas é de suma importância para nossos labores e para nosso destino.
MAÇONARIA NÃO ABRE ESTRADAS.
ELA DÁ FORÇA PARA O MAÇOM CAMINHAR.
MAÇONARIA NÃO COLOCA PLACAS DE SINALIZAÇÃO DE DIREÇÃO.
ELA DÁ SABEDORIA PARA O MAÇOM ESCOLHER SEU CAMINHO.
MAÇONARIA NÃO É ORIENTADORA DE “PARE/SIGA”.
ELA MOSTRA AO MAÇOM A BELEZA DE COMPREENDER “VÍCIOS E VIRTUDES”
Existem muitas manifestações insuflando a Maçonaria a “fazer e acontecer”. Maçonaria se sustenta como um conjunto de valores. Ela não faz nada. A Maçonaria apenas recebe os louros do que “faz e acontece” o Maçom. Se o Maçom nada faz, ela nada fez. O verdadeiro Maçom pratica a liderança, não a chefia, seu brado não é Vai!!!, e sim Vamos!!!.
A MAÇONARIA SE MEDE PELA OBRA DO MAÇOM.
Atingimos quinze anos de compartilhamento de instruções maçônicas. Nosso propósito fundamental é incentivar os Irmãos ao estudo, à reflexão e tornar-se um elemento de atuação, um legítimo Construtor Social.
Sinto muito, me perdoe, sou grato, te amo. Vamos em Frente!
Fraternalmente
Sérgio Quirino
Grão-Mestre - GLMMG 2021/2024
A seita que influenciou o Cristianisno
Uma antiga e obscura comunidade religiosa judaica ganhou evidência nas últimas décadas por conta de uma possível relação com Jesus e seus ensinamentos. Pouco se sabe sobre os essênios ou a vida em sua sociedade secreta. Os escassos relatos sobre essa seita vêm de citações de três escritores da Antiguidade: o judeu Favio Josefo (37 – 100), o filósofo Filon de Alexandria e o romano Plínio, o Velho. Com a publicação de dois evangelhos apócrifos, descobertos no final do século 19 e na década de 1920, os essênios passaram a ser relacionados com Jesus. Tais evangelhos afirmavam, pela primeira vez, que Jesus havia sido iniciado nessa seita.
Possivelmente no século 2º, certos judeus que não aceitavam as práticas dos rabinos se desligaram deles e fundaram uma sociedade própria. Acreditando na dualidade entre o corpo e a alma e à espera de um messias, os essênios se dedicavam a cultivar as purezas física e espiritual e o ascetismo (filosofia que recomenda refrear os prazeres mundanos e estimular a austeridade).
Durante quase dois milênios, os essênios foram praticamente esquecidos. Mas, em 1880, o missionário irlandês nascido em Lisboa, Gideon Jasper Richard Ouseley (1835 – 1906), apre- sentou ao mundo sua tradução de uma antiga coleção de fragmentos cristãos que ele encontrou em um mosteiro budista no Tibete. Segundo Ouseley, o Evangelho dos Doze Santos tinha sido produzido por uma comunidade de essênios e escondido no Oriente para preservar aquelas informações. O texto estava em aramaico, a língua falada por Jesus.
Quarenta anos depois, em 1920, o húngaro Edmond Szekely, pesquisando os arquivos da Biblioteca do Vaticano, descobriu em meio a tantos evangelhos e manuscritos inéditos um texto chamado Evangelho Essênio da Paz. O livro teria sido escrito pelo apóstolo João e narrava passagens desconhecidas da vida de Jesus Cristo, apresentado ali como o principal líder dessa obscura seita judaica, os essênios. Szekely traduziu o texto e o publicou em quatro volumes, enfatizando a relação entre a sociedade essênia e Jesus.
Os textos divulgados por Ouseley e Szekely dividiram a opinião pública. A veracidade dos fatos contidos em ambas as traduções é questionada até hoje e, na época em que foram publicadas, valeram um ataque à casa de Ouseley – que acabou sendo incendiada – e a excomunhão de Szekely. No entanto, algumas décadas depois, a realidade dos essênios veio à luz, através de uma das maiores descobertas arqueológicas do século.
Em 1947, camponeses descobriram casualmente, escondidos em cavernas próximas a Qumran, no Mar Morto, Israel, 813 manuscritos redigidos pelos essênios entre 225 a.C. e o ano 68 da nossa era. Os pergaminhos revelaram ser as mais antigas cópias do Antigo Testamento, calendários e textos da Bíblia. Tratam-se dos famosos Manuscritos do Mar Morto, como os textos ficaram conhecidos. Perto das cavernas de Qumram, havia ruínas de um mosteiro essênio. Através dessas evidências, pôde-se conhecer mais a respeito desse grupo sectário.
LEIA MAIS https://omalhetepodcast.blogspot.com/2021/09/essenios.html
From the publisher's feed