Num tempo em que todos têm uma opinião, mas poucos têm dúvidas, o jornalismo continua a ser a ponte entre o poder e o cidadão. A pergunta que se coloca é: O jornalismo ainda importa? Margarida Davim.
Este episódio do Pergunta Simples é uma conversa sobre esse papel — o de quem traduz o complexo, interroga o evidente e devolve sentido à realidade.
A convidada é Margarida Davim, jornalista e comentadora política da CNN Portugal, com um percurso que passou por algumas das redações mais importantes do país — Visão, Sábado, Diário de Notícias e Observador.
Mais do que uma voz da atualidade, Margarida é uma defensora convicta do jornalismo como função social e serviço público.
“O único poder que um jornalista tem é perguntar”, diz. “E isso pode ser extraordinariamente incómodo.”
“O único poder que um jornalista tem é perguntar”, diz. “E isso pode ser extraordinariamente incómodo.”
“O único poder que um jornalista tem é perguntar”, diz. “E isso pode ser extraordinariamente incómodo.”
O jornalismo ainda importa? Margarida Davim
Na era da informação instantânea e da opinião viral, o jornalismo parece ter perdido poder. Mas é precisamente nesse aparente enfraquecimento que reside a sua força: a credibilidade.
Margarida Davim recorda que o jornalista continua a ser quem recolhe, confirma e explica — quem dá forma ao que, de outro modo, seria ruído.
Fazer jornalismo é editar o mundo: escolher o que é relevante, enquadrar o contexto, traduzir a linguagem do poder numa língua que todos possam compreender.
Esse gesto — aparentemente simples — é o que mantém viva a democracia informada.
O comentário político e a linguagem do poder
Margarida é também uma das comentadoras políticas mais respeitadas do país. Fala da televisão como nova ágora democrática, um espaço onde a política é explicada, interpretada e — por vezes — teatralizada.
Mas insiste: o comentário sério deve ser tradução e não espetáculo.
“Um bom comentário político tem de ser compreensível para qualquer pessoa.
“Um bom comentário político tem de ser compreensível para qualquer pessoa.
“Um bom comentário político tem de ser compreensível para qualquer pessoa.
Da linguagem dos políticos às palavras que suavizam decisões, Margarida mostra como a comunicação do poder se tornou cada vez mais técnica e defensiva — e como isso empobrece o debate público.
Falar claro, diz, é um ato político.
E compreender é um direito.
As novas linguagens do mundo moderno
O episódio estende-se à ideia de literacia — não apenas a dos media, mas também a política, administrativa e social.
Vivemos cercados por linguagens difíceis: comunicados, decretos, regulamentos, discursos e interfaces digitais que excluem quem não domina o código.
Defender o jornalismo é, por isso, defender o direito de todos a compreender.
A clareza é uma forma de inclusão.
E quando as palavras se tornam impenetráveis, o poder torna-se opaco.
Coragem e liberdade
Margarida fala também do lado sombrio da exposição mediática — especialmente para as mulheres.
As ameaças, o insulto gratuito, a tentativa de silenciar pela violência simbólica.
Mas recusa o medo: denuncia, reage, e continua a falar.
“Podem insultar, ameaçar, tentar intimidar.
Mas eu não abdico do meu espaço de liberdade.”
“Podem insultar, ameaçar, tentar intimidar.
Mas eu não abdico do meu espaço de liberdade.”
“Podem insultar, ameaçar, tentar intimidar.
Mas eu não abdico do meu espaço de liberdade.”
A liberdade de expressão não é apenas o direito de falar — é também o direito de continuar a fazê-lo, mesmo quando isso incomoda.
O futuro do jornalismo
A conversa passa ainda pelo colapso dos modelos de negócio e pela experiência da redação da Visão, que decidiu continuar a editar a revista mesmo depois de o grupo falir.
Foi um gesto de resistência cívica: provar que é possível fazer jornalismo sem estruturas megalómanas, com equipas pequenas e independentes.
O futuro, acredita Margarida, será um jornalismo mais seletivo, mais especializado e mais honesto — feito de proximidade, e não de volume.
A coragem de dizer que a capa é verde
O episódio encerra com uma metáfora que resume o espírito da conversa:
“O papel do jornalismo é dizer que a capa é verde, mesmo quando todos dizem que é vermelha.”
“O papel do jornalismo é dizer que a capa é verde, mesmo quando todos dizem que é vermelha.”
“O papel do jornalismo é dizer que a capa é verde, mesmo quando todos dizem que é vermelha.”
Num tempo em que a mentira se disfarça de opinião e a verdade se relativiza, o jornalismo continua a ser o último tradutor entre o real e o compreensível.
Sem essa tradução, não há comunidade — há apenas ruído.
O que se leva desta conversa
O episódio com Margarida Davim é uma defesa serena e apaixonada do jornalismo como ato de cidadania.
Uma reflexão sobre o poder das perguntas, a importância da clareza e a necessidade de continuarmos a compreender as linguagens que nos governam.
O jornalismo ainda importa — talvez mais do que nunca.
LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
Esta transcrição foi gerada automaticamente. Por isso, ela pode não estar totalmente precisa.
0:12
A Função Social do Jornalismo e o Poder da Pergunta
Ora, vivam bem vindos ao pergunta simples, o vosso podcast sobre comunicação.
Hoje falamos do poder da pergunta e da magia da descodificação dos discursos públicos.
Mais ou menos encriptados da maneira como o alinhamento dos factos, opiniões, perguntas e respostas nos sincronizam.
0:29
Enquanto cidadãos da polis, um programa com a jornalista Margarida David,
0:45
vivemos rodeados de palavras de palavras que muitas vezes não entendemos no seu verdadeiro sentido.
As palavras de política, as da economia, as da administração pública, da academia, das redes sociais e de todas as tecnocracias em geral, cada uma com o seu código, com o seu jargão, com a sua forma de afastar mais do que aproximar.
1:03
E no meio deste labirinto de linguagens, há uma profissão que tenta manter a ponte entre os poderes e o cidadão, o jornalismo.
Este episódio de pergunta sempre.
É sobre isso, sobre a função social do jornalismo, sobre o papel de quem pergunta, traduz e devolve sentido ao mundo cada vez mais difícil de decifrar.
1:21
É também sobre a coragem de continuar a fazê lo num tempo em que a desinformação é mais rápida, mais ruidosa e mais rentável do que a verdade.
A convidada é Margarida da vinho, jornalista e comentadora política.
Uma das vozes mais respeitadas do jornalismo português, reconhecida pela clareza, pela credibilidade e pela forma como explica a política sem a reduzir a um simples jogo que não é, porque a política e as suas decisões são muito importantes para todos nós.
1:48
Trabalhou em títulos como o diário de notícias, a sábado, a visão, o observador e é comentadora da CNN Portugal.
O único poder que o jornalista tem é o de perguntar, diz Margarida David.
Perguntar é o gesto mais simples da democracia.
Será?
2:03
Porque obriga a quem tem poder a responder e a quem ouve a pensar.
O jornalismo é, nesse sentido, um serviço público invisível.
Traduz o complexo, incompreensível o técnico em humano, o distante é irrelevante.
Nesta conversa, falamos do jornalismo como mediador entre mundos, entre a linguagem política e técnica e a linguagem comum, entre a lógica mediática e o quotidiano das pessoas, entre a informação e a compreensão.
2:28
O Colapso dos Modelos de Negócio e a Esperança da Visão
Falamos também.
Claro, do comentário televisivo que ela faz todas as semanas, essa nova praça pública onde a política e a sociedade se traduz, se interpreta e tantas vezes se teatraliza e discutimos o que significa ser comentador sem se transformar em personagem.
2:44
Em ator, Margarida fala da reinvenção, da visão do colapso dos grandes grupos do media, do jornalismo de nicho e da dificuldade de financiar projetos independentes, mas também da Esperança que renasce quando uma redação decide continuar.
Mesmo sem patrões, mesmo sem certezas.
3:02
É uma história sobre o valor da credibilidade, sobre o sentido cívico de quem acredita que a informação é um bem comum.
Há ainda espaço para refletir sobre o papel das mulheres no espaço mediático e político, sobre o ódio digital e sobre a resistência Serena de quem não desiste do debate público.
3:19
Margarida fala se sem raiva e sem medo, com o rigor de quem investiga e a lucidez de quem pensa todos os dias e em voz alta não procura a unanimidade, procura a compreensão.
Este é o ponto de partida do jornalismo, mas o que está em causa é bastante maior.
É o direito de todos compreendermos as línguas mais importantes do mundo moderno, a língua mediática, a língua política, a língua administrativa e a língua social.
3:43
São estas linguagens que determinam as nossas decisões, os nossos direitos, as nossas vidas e compreender estas línguas.
É um ato de cidadania num tempo de ruído, de tribalismo, de manipulação.
O jornalismo é um último espaço de tradução entre o real e o compreensível, e sem tradução num ato democracia.
4:01
Este episódio é um tributo à função social do jornalismo, à coragem tranquila de quem ainda acredita que compreender é um direito e perguntar uma obrigação, em particular dos jornalistas.
4:17
Pessoa 2
O único poder que um jornalista tem é perguntar.
Só que isso pode ser extraordinariamente incómodo se houver coisas que não se querem responder, se houver coisas que se querem esconder e se OAA.
Pergunta do jornalista e o trabalho do jornalista tiver força e credibilidade.
4:32
Ora, como é que se desarmadilha isso?
É tentando dar a ideia de que os jornalistas são todos uns vendidos, que estão todos comprados, que estão completamente enviesados.
E então cria se esta ideia dos comentadeiros EE do jornalismo.
4:49
Se pela única razão que essas pessoas fazem mossa, se essas pessoas ficam a fazer completamente irrelevantes.
4:55
Pessoa 1
Não contavam para o campeonato.
4:57
Pessoa 2
Não contavam pouca e não e não havia esta esta esta campanha que existe.
Não é porque é óbvio que hoje em dia, com as redes sociais, o poder do jornalismo diminuiu.
Ou seja, não é um poder único, mas continua a ser muito um poder muito forte.
5:10
Pessoa 1
Porque tem o poder da credibilidade.
5:11
Pessoa 2
Porque tem o poder da credibilidade, porque as pessoas ainda acreditam AA maioria delas nisso e porque.
O jornalista continua a ser 11 pessoa que consegue recolher informação e descodificá la e passá la, ou seja, não é.
5:30
Pessoa 1
Explicar o que é que está a?
5:31
Pessoa 2
Acontecer não é informação em bruto.
Não é o jornalismo não é informação em bruto.
O jornalismo não é ligar o microfone e a Câmara entrar em direto.
5:38
Pessoa 1
Mas quando os jornalistas cada vez mais estão a fazer coisas imediatas em direto, nomeadamente na cobertura do discurso político?
Não se estão a demitir um.
5:47
Pessoa 2
Bocadinho se estão a entrar em araquidi profissional, ou seja, estão a fazer um suicídio em direto, não estão a.
5:54
Pessoa 1
Escolher não é?
No fundo, não estão a dizer, OK, estão AO primeiro.
5:57
Pessoa 2
Indicar da sua principal função que é de editar a realidade.
E isto parece horrível porque as pessoas.
Ah, editar a realidade significa adulteral.
Não, não, não, não significa adulteral significa que Oo papel do jornalista é exatamente esse, é, é o, é, é.
Ele é OOA lente é o ângulo, não é ele não é.
6:15
OAA coisa sem filtro sim, nós somos um determinado tipo de filtro.
6:19
Pessoa 1
Jornalismo escolhe, claro que escolhe.
Portanto, ele falou durante 1 hora e nós vamos ali, claro, para o discurso, e dizemos assim, estes 30 segundos são importantes, aqueles 30 segundos, mas também podemos lá está do outro lado.
Podem dizer, mas você escolheu exatamente aquilo que não interessava, nada.
6:35
Pessoa 2
Podem, mas o ideal, numa sociedade democrática, era que existissem vários órgãos de comunicação social.
E que cada um deles tivesse a Liberdade e a oportunidade de escolher os 30 segundos diferentes. eSIM, seria uma coisa mais completa.
Porque Oo drama hoje também é que, além do do jornalismo em direto e não filtrado, tens uma necessidade e uma pressão muito grande dos editores de quererem igual ao que os outros estão a dar e não quererem que os seus jornalistas aos quais estão a pagar façam uma coisa completamente diferente.
7:06
Pessoa 1
Mas isso deveria ser ótimo, não é?
7:08
Pessoa 2
Devia, mas criou se uma lógica de mimetismo.
OOO problema, a raiz disto tudo tem um nome, dinheiro com falta dele.
7:17
Pessoa 1
Modelo de negócio para pagar o jornalismo?
7:19
Pessoa 2
É é que OOAA maneira como se montou este negócio, quanto a mim, está profundamente errada.
EEE é.
É quase impossível ser sustentável.
Não quer dizer que o jornalismo seja um negócio impossível.
Significa que da maneira como foi montado e sobretudo num país com as características de Portugal.
7:39
Ele vai ser, a prazo, insustentável nestes.
7:41
Pessoa 1
Baseava se no princípio de venda, compra e venda do jornal que hoje em dia.
7:45
Pessoa 2
Não isso já há muito tempo que não é assim.
Os os jornais deixaram.
Creio que foi o diário de notícias para aí No No iniceéculo 20 que deixou de de passou de ter um modelo que era de da venda direta do jornal para ter AA receita da publicidade apenas, não, apenas não, mas sobretudo.
8:04
Ou seja.
8:05
Pessoa 1
Veio o Google e comeu.
8:06
Pessoa 2
Já passado muito bom de tempo, mas sim, veio o Google, e não só o Google e as redes sociais.
E as redes sociais, porque para um anunciante hoje mais interessante fazer uma publicidade muito direcionada através das redes sociais, em que ele se eu estou a vender uma papa para bebés, eu só vou mostrar essa papa para bebés AA pessoas que saibam que eu sei que têm crianças com aquela faixa etária.
8:27
Pessoa 1
Portanto, é há um há 11 alvo e, portanto, tu gastas menos dinheiro para atingir o mesmo.
8:31
Pessoa 2
Alvo, menos dinheiro para atingir o mesmo alvo.
Coisas muito mais direcionadas.
EE, é impossível o jornalismo.
Competir com isso, o que é que aconteceu?
O modelo de negócio passou de ser.
Eu IA à à banca EEA, grande parte do do financiamento era pela venda em banca.
Estamos a falar de jornais, não estamos a falar de televisões, nem nem rádios, não é?
8:48
E quando, a partir do momento em que eu eu desloco esse modelo para o modelo da publicidade, isso começa por ter esse problema.
Depois tem ainda outro problema associado, que é as pessoas deixaram de ter vontade de comprar informação porque a recebem de forma gratuita.
9:03
Pessoa 1
Descobriram que está tudo na net.
9:05
Pessoa 2
Só que não está.
E eu acho que o futuro do jornalismo é precisamente o jornalismo de nicho, o jornalismo feito com equipas muito mais pequenas, mas mas muito mais selecionadas, especializadas e séniores.
9:23
Pessoa 1
Portanto, uma equipa que cubra apenas os assuntos económicos, ou os assuntos da política ou os assuntos dos tribunais, que seja muito pequena, muito ágil, muito competente.
9:31
Pessoa 2
E muito sénior, sim, pode ser nicho também, não no sentido de temático, mas no sentido de um.
Uma determinada comunidade, eu, eu, eu estou neste momento Na Na luta da visão, não é?
E é isso em que nós acreditamos.
Aquilo que estamos a fazer na visão é, é o é isso sim, que nós acreditamos e estamos a ter um feedback positivo.
9:48
Portanto, a visão estava dentro de um grande grupo económico que foi montado nesses modelos de negócio um pouco megalómanos que existiram no país e existem.
E acabou uma história de um grupo com uma série de de revistas.
Acabou com 32000000 de euros de dívida.
10:04
Pessoa 1
Faliu, portanto.
10:05
Pessoa 2
Faliu e o que é que nós fizemos?
Num grupo de jornalistas da visão, resolveu pedir aos credores a autorização para continuar a fazer a revista.
Por isso é que ela ainda está nas bancas.
Por isso é que não, não foi não, fechou.
No final de julho, estamos a fazê LA 100 por cento em teletrabalho.
10:22
Já há mais de 12 ou 3 edições.
10:25
Pessoa 1
E como é que está a correr?
10:26
Pessoa 2
Está a correr muito bem.
Era isso, era aí que eu IA chegar.
É que, de facto, a partir do claro que é difícil em condições, as condições em que nós estamos a fazê la não são absolutamente ideais.
O produto não é absolutamente ideal, isto é uma fase transitória.
Mas o que é que nós aprendemos com esta experiência?
10:42
Aprendemos que nós conseguimos com as receitas que a que a revista gera, tanto de venda de publicidade como de assinaturas e vendas em banca.
Cobrir uns custos, que são verdadeiramente os custos da produção e não 1 MB estrutura como as megas instalações e com diretores disto e daquilo, e carros e cartões de crédito EE todas essas coisas.
11:07
E descobrimos também que temos uma comunidade, temos todas as semanas.
Temos estado a vender muito mais em banca do que vendíamos há 1 ano e começámos a vender mais.
Eu creio que por 2 motivos.
11:22
Um foi quando as pessoas perceberam que efetivamente comprar a visão era uma forma de a salvar e o dinheiro que estavam a gastar na compra era exatamente para o grupo de jornalistas que o faz.
11:34
Pessoa 1
Há um ato cívico.
11:35
Pessoa 2
Há um ato cívico e outro é que no meio desta dificuldade toda e tem sido muito duro fazer a revista nestas condições, estamos com 1° de Liberdade enorme e então isso teve efeitos secundários positivos.
Foi.
11:51
Fizemos coisas que não se costumam fazer.
Pusemos o Dino Santiago na capa não é comum ter um negro na capa de uma revista em Portugal.
12:00
Pessoa 1
Arriscaram.
12:00
Pessoa 2
Arriscámos esta semana temos nas bancas uma edição, um grande dossier sobre o Bangladesh, sobre a comunidade Bangladesh em Portugal, sobre o país Bangladesh e sobre todas as coisas que estão à volta do do Bangladesh.
São coisas, são declarações, são são posicionamentos.
12:21
Pessoa 1
É um é um jornalismo de assinatura também no fundo.
12:23
Pessoa 2
É o é um jornalismo de assinatura, é um.
É um jornalismo comprometido.
As pessoas não é.
Não é necessariamente um jornalismo ativista, não é.
Não é de todo um jornalista, um jornalismo, nem partidário nem ideológico, mas é.
12:37
Pessoa 1
Comprometido é livre e comprometido.
12:39
Pessoa 2
É livre e comprometido, porque se pode ser as 2 coisas.
E qual é o feedback que estamos a ter?
São as pessoas que dizem que, bem, é preciso dizer que a visão tem 33 anos de história, não é?
12:49
Pessoa 1
Sim, tem um Lastro e tem uma comunidade de, de, de, de leitores.
12:53
Pessoa 2
Poucas pessoas neste país algum podem dizer que nunca na vida tiveram uma visão em casa, mas não seja em casa da avó e.
13:00
Pessoa 1
Essa e essas vão comprá la amanhã, porquinho porque importa e porque vale a pena ler AA visão.
13:04
Pessoa 2
E as pessoas?
O que nos estão a dizer é, e nós voltamos a ter textos muito mais longos do que tínhamos por um lado, por necessidade, por.
Que efetivamente somos menos.
Por outro lado, por convicção, porque percebemos o que é que lá está isto não está na internet.
Um dossiê grande, pensado, estruturado, com informação recolhida no terreno, com as pessoas a falarem com com a recolherem os dados.
13:30
As coisas trabalhadas e leituras longas e lentas.
13:35
Pessoa 1
Precisam do papel também, não é por até porque não é fácil ler muito No No ecrã não.
Pelo menos tem essa experiência mesmo no tablet.
13:41
Pessoa 2
Não é não?
13:42
Pessoa 1
Que tem uma dimensão considerável é não, não é não.
13:44
Pessoa 2
É agradável, não é agradável de ler.
E tem.
Tem esse lado.
E depois tem outra coisa, que é quando uma pessoa pega na revista, AA pessoa surpreende se não é, ou seja, não, não é um algoritmo que que me leva.
É um, é uma.
Há uma curadoria editorial.
Que me faz fazer um percurso que eu posso subverter.
14:02
Posso começar pelo fim da revista, posso começar pelo meio, mas que efetivamente é, é, é.
É uma experiência diferente.
EE, aquilo a que nós estamos a assistir com esta onda que se está a criar, à volta da visão, é pessoas a dizerem, nós queremos isto, vão ser 100000?
14:17
Não, nunca vão nem 50000 isto.
Ou seja, o que nós estamos a fazer?
Se correr bem, vamos ver se conseguimos comprar o título que é esse.
Agora, o nosso objetivo é o grande objetivo.
Quando quando ele estiver à venda, é o grande objetivo.
É comprarmos o título, ficarmos com ele, nós grupo de jornalistas, mas as pessoas estão a dizer, nós estamos aqui e nós queremos ajudar.
14:39
E todos os dias eu tenho mensagens nas redes sociais, pessoas que querem dar dinheiro.
Que querem ajudar AAA, dar textos.
Que querem trabalhar para nós de alguma forma.
Que pessoas que compram 23 revistas e andam a distribuí las pela família e pelos amigos.
14:54
Portanto, se nós não aproveitarmos isto.
Então não andamos aqui a fazer nada, não é?
14:59
Margarida Davim: Ameaças e a Coragem de Comentar
Há uma Esperança, seguramente há uma Esperança para o para o jornalismo.
Eu quero voltar sempre a falar do jornalismo.
Mas mas o primeiro impulso, quando quando te telefonei para para para lhe convidar para esta conversa, é que eu sou do tempo em que os comentadores políticos deram cinquentões com rugas, homens, claro, de gravata e com 11 ar muito material e professoral dizendo nos que a realidade é esta e, portanto, vejam o meu mundo cinzento.
15:28
E subitamente, apareces tu, aparecem outras comentadoras que têm várias características em comum, primeiro lugar, sabem do que falam, depois têm uma boa imagem e são de outra geração.
O que é que aconteceu?
15:42
Pessoa 2
Ah, aconteceu que as televisões entenderam que isso resultava, não é?
Quer dizer, Oo óbvio, é um bocado esse.
Eu acho que as televisões perceberam.
Que era importante e era interessante ter pessoas diferentes, com abordagens diferentes, e que isso resulta que as pessoas querem ver isso.
16:01
Eu acho que basicamente não há muito mistério.
16:04
Pessoa 1
Olha, e tu, como comentadora política, és uma observadora, uma intérprete.
Uma participante do jogo da política.
16:11
Pessoa 2
Sou tudo, mas também como cidadã e como jornalista, sou isso tudo.
Portanto, nós nós somos 11 bolo de camadas, não é não?
16:18
Pessoa 1
Há uma assepsia, não há aquela coisa, não, não eu no momento aqui, nesta conversa.
16:22
Pessoa 2
Eu estou sempre a dizer isto, mas neutro, só champô de bebé.
Não, não há nada que seja neutro.
16:27
Pessoa 1
Que não arde nos olhos?
16:28
Pessoa 2
Que não arde nos olhos.
E nós todos de alguma maneira ardemo nos nos olhos, e ainda bem que ardemos nos olhos faz parte dos outros e nos nossos também, às vezes também arde nos.
16:35
Pessoa 1
Nossos.
Olha lá, quando tu fazes um comentário, que que que toca mais no, no, na, no coração ou no interesse de alguém, ouves os resmungos.
16:43
Pessoa 2
Claro, é assim, há de tudo.
Há desde de de posso me enganar?
EE já me enganei com.
16:51
Pessoa 1
Isso.
16:52
Pessoa 2
Bem, só não se engana quem não trabalha EEE em televisão, é?
Muito mais fácil de enganarmos num texto também é fácil.
Não quer dizer é menos fácil.
Mas em direto, sem estar a ler um texto pronto, há 11 margem de erro pronto.
Há desde a pessoa que simplesmente corrige alguma coisa e que eu agradeço sempre.
17:10
OK, há.
17:11
Pessoa 1
Um ponto de.
17:11
Pessoa 2
Vista, há pessoas que discordam, mas com as quais eu consigo entrar em em diálogo.
E podemos até acabar o diálogo num cada um no seu ponto.
Mas eu sinto que há um há um caminho.
Há uma coisa que eu posso justificar, me posso dar um EE, posso ouvir?
17:26
Pessoa 1
A chamada.
17:27
Pessoa 2
Democracia?
Exato, uma coisa que passou completamente moda.
E depois há o insulto e a ameaça e há ameaças graves.
17:34
Pessoa 1
Aparece onda nas nas suas redes.
17:36
Pessoa 2
Sociais e nos e mails.
E que vão todas direitas para a polícia judiciária.
Portanto, se nos estão a ouvir isso que tu fazes, é é isso que eu faço.
Porque aquilo, a certa altura, chegou a um ponto muito mau, não é?
Quer dizer, ser ameaçada de violação não é uma coisa agradável.
17:51
EE, isso acontece e às vezes acontece coisas tão extraordinárias, como alguém que nem sequer se dá ao trabalho fazer um perfil falso para fazer uma ameaça desse extremo?
18:00
Pessoa 1
Pega no seu próprio perfil, no seu próprio.
18:01
Pessoa 2
Perfil até com amigos em comum e tudo é extraordinário e.
18:04
Pessoa 1
E tens uma ideia que isso é um fenómeno, enfim, criminou seguramente e boçal, mas que isso é um fenómeno reativo individual daquela pessoa que obviamente, se não, não, não, se calhar não sabe bem o que é que o que é que acaba de fazer.
Ou se isso é um fenómeno de matilha e de contágio.
18:21
Pessoa 2
É, é, é um pouco de tudo, mas é.
É muito de matilha, é de contágio.
E mesmo que as pessoas pensem que estão a fazer aquilo de modo próprio, porque provavelmente pensam.
Estão elas próprias a ser manipuladas para fazer isso.
E há vários estudos feitos sobre como é que se tenta impedir as mulheres terem uma participação pública ativa, especificamente as mulheres, especificamente as mulheres quer.
18:46
Pessoa 1
Dizer que há uma diferença entre entre um comentador homem, isto é.
18:48
Pessoa 2
Há 11 figura pública televisiva.
Eu vou te já dizer o que é que me acontece a mim.
E eu já já fiz esta conversa com vários colegas comentadores homens EE.
Portanto, tenho uma base mais ou menos empírica para dizer isto.
O que é que acontece às mulheres que não acontece aos homens?
19:04
Eu sou abordada na rua de forma desagradável.
Um homem não na rua.
Na rua, eu.
19:09
Pessoa 1
Enquanto figura pública ou enquanto?
19:10
Pessoa 2
Insultam me não enquanto figura pública.
Insultam, me ameaçam, me sim, sim, sim, sim, sim, enquanto.
Outra grande diferença, um homem recebe insultos, não é mas uma.
Mas eu não conheço nenhum caso de um homem que tenha sido ameaçado de violação.
19:26
E a violação é uma coisa que é um ato de de morte simbólica e de opressão sobre o outro.
19:33
Pessoa 1
De humilhação de.
19:34
Pessoa 2
Humilhação, portanto, aquilo que se está a tentar fazer com isto é tentar amedrontar, tentar que a pessoa se sinta humilhada, rebaixada EE.
Portanto, que se que se cale, que saia do espaço público e, portanto, isso não acontece com os homens dessa forma.
19:50
EE, portanto, assim como insultos de cariz sexual, coisas de sobre o aspeto físico, insinuações sobre outro tipo de atividades económicas que possamos ter, isso acontece especificamente com a mulher.
20:03
Pessoa 1
E como é que tu lidas com isso?
20:05
Pessoa 2
Olha, lido falando.
20:07
Pessoa 1
À noite, à noite, quando chegas a casa.
20:09
Pessoa 2
AI à noite, desligo completamente.
Não quero saber.
Ligo falando com a polícia judiciária, que que é importante.
20:16
Pessoa 1
Isto tem alguma consequência?
20:18
Pessoa 2
Tem, tem que eles ficam atentos.
Eles ficam atentos e dão me essa garantia de que estão atentos.
Lido enfrentando frente, denunciando.
Já fiz screenshots de insultos maravilhosos e publiquei os nas minhas redes para que as pessoas saibam o que é que se está a mas.
20:36
Pessoa 1
Isto não estás a dar a visibilidade?
20:38
Pessoa 2
Estou a mostrar, estou a mostrar uma coisa que, se calhar, as pessoas não sabem o que acontecem isto.
Estou a mostrar lhes que eles não me fazem aquilo no escuro, sozinhos, e que eu fico cheio de medo.
EEE, sobretudo.
Lido dizendo, eu não tenho medo, eu não tenho medo, não, não, não, não, não interessa, não importa, podem continuar, podem ameaçar, me podem tentar.
20:59
Eu vou dizer aquilo que eu achar que é importante eu dizer.
Eu hei de dizer coisas que para muitas pessoas será um disparate, para outras não são.
Direi coisas certas, direi coisas erradas.
Não abdico do meu espaço de intervenção e de Liberdade.
21:16
Não me amedronto.
Estou disponível para falar com quem falo comigo e que tenha uma posição diferente.
Posso mudar de ideias em relação a algumas coisas.
Não sou dona da verdade.
Gosto muito de falar com pessoas que mediem informação sobre coisas que eu não conheço e estou muito aberta a isso, porque eu sou jornalista e tenho mesmo de estar aberta a isso, porém, ameaçarem me não resulta.
21:40
Pessoa 1
Tens tens a noção de.
Algum desses casos poder ter estado no limiar entre aquilo que são palavras ou aquilo que podia transformar, se num ato real, as.
21:51
Pessoa 2
Pessoas são muito cobardes eu é que há tempos houve um senhor que eu fui atrás dele e ele fugiu de mim.
Pronto, e foi lhe ele refugiou se No No num prédio e ele disse que lhe IA chamar a polícia.
Ele perguntou me se eu estava a ameaçar e eu disse, estou, estou a ameaçar porque o senhor que está em casa tem um comando de televisão, não gosta de mim, muda de canal e eu na rua não posso fazer isso, portanto, não me pode fazer isto no meio da rua, mas acho que não quer dizer.
22:18
E se algum disso acontecer, será também denunciado às autoridades.
22:22
Como Preparar um Bom Comentário e Decifrar a Política
É que.
22:23
Pessoa 1
Como é que tu te preparas antes de cada programa?
Mergulhas em documentos, lês os papéis todos ou fazes como Mário Soares, e usas a tua intuição e o teu é é a característica que eu mais gosto dos dos políticos de quem eu gosto.
22:38
Pessoa 2
É a intuição.
22:39
Pessoa 1
É é essa capacidade de perceber o mundo 2 anos antes de dele acontecer.
22:44
Pessoa 2
Não é, é, mas é um bocadinho, um mito.
A ideia que o Mário Soares não lia e não se preparava é um bocadinho, um mito.
Há uma combinação das 2 coisas.
Eu tenho 11 vantagem, que é como eu sou jornalista e estou em estou no ativo.
Não é?
Há há há comentadores que não estão no ativo como eu estou.
23:01
Eu eu escrevo todas as semanas e às vezes não é todos os dias, mas quase para online.
É com com muita regularidade.
Eu estou muito imersa nos temas.
23:09
Pessoa 1
Portanto, vais sempre lendo e tomando banhos de informação.
23:11
Pessoa 2
Eu não.
Aliás, eu não consigo desligar eu mesmo quando estou de férias.
Quer dizer, não vejo com a mesma intensidade, mas vejo e depois tenho também por isso.
Felizmente, por causa do tempo todo que eu já levo como jornalista, muitas Fontes de informação em muitas áreas e em todos os partidos políticos.
23:27
Pessoa 1
E uma memória.
23:28
Pessoa 2
E memória.
E as pessoas mandam me coisas, as pessoas lembram me de coisas.
Ou eu pego no telefone e pergunto, ou mando mensagem a alguém.
23:37
Pessoa 1
Lembras te que alguém também viveu aquilo e.
23:39
Pessoa 2
Portanto, vais telefonar.
EEE leio muita coisa, sobretudo quanto são coisas temáticas.
Pretendo preparar me muito e pronto, porque eu tenho um programa ao domingo, que efetivamente é com um tema que é escolhido por mim, e aí com uns textos, são uns quadros que aparecem no aí.
23:55
Pessoa 1
Que tu escolhes?
23:55
Pessoa 2
Aí eu escolho.
Claro que faço sempre a conversa Oo pivot, que é coordenador do jornal, também discute isso comigo, mas mas escolho o tema.
24:04
Pessoa 1
Na CNN já agora?
24:05
Pessoa 2
Na CNNE, portanto, ao domingo, ao final da tarde, no jornal das 19, temos ali uma coisa que é muito imersiva, é muito sobre um tema.
24:12
Pessoa 1
Tu és o novo Marcelo Rebelo de Sousa, no fundo, não é casar ao domingo à noite, que dá a mão um pé de grego.
Nesses, nesses.
24:17
Pessoa 2
Horários de todo, de todo.
24:18
Pessoa 1
Olha o que é que o que é que fazes um bom comentário político?
O que é que é um bom comentário político?
O que é que o que em que é que um bom comentário político me pode ajudar em mim, cidadão, a entender melhor o.
24:30
Pessoa 2
Mundo há muitas respostas possíveis para essa pergunta, mas na minha perspetiva, tem de ser 2 coisas, a primeira é, tem de ser uma coisa que qualquer pessoa consiga perceber, que passe informação e que saia da Rama do politiquês.
E embora eu saiba que há excelentes comentadores, que são muito versados e muito bons em falar sobre táticas e políticas, eu não tenho muita paciência sobre.
24:54
Pessoa 1
Para isso, portanto, estão a falar para a bolha, no fundo, estão a falar que é.
24:57
Pessoa 2
Uma bolha importante.
Não há nada de errado nisso, não há nada de de errado nisso.
E todos nós, de alguma forma, estamos dentro das nossas próprias bolhas.
Portanto, não há umas bolhas melhores do que as outras.
Eu é que acho que o meu papel deve ser muito de análise.
E deve ser uma coisa explicativa, EE pá, que mexa com a vida concreta, que as pessoas percebam.
25:18
Eu estou a falar de uma coisa que não é esotérica, que não é de facadas nas costas, num partido que não é da estratégia de comunicação, que não é.
Que é de coisas da vida, de que estão a acontecer.
Coisas que que me vão impactar.
Quando eu for ao centro de saúde, quando eu for procurar uma casa, quando eu precisar de uma, de uma escola para o meu filho.
25:37
Eu gosto de falar de coisas que tenham que ver com a realidade e com a vida.
25:40
Pessoa 1
Então deixa me entender te Na Na linguagem das da na linguagem da política e no e no poder das palavras, porque é que a fala da política?
É tão difícil.
Eu, eu, eu acho assim.
Eu estou a pensar.
25:53
Pessoa 2
Interrogo me sobre o mesmo, não é quer?
25:55
Pessoa 1
Dizer, eu estou, estou a pensar aqui, vou, vou, vou à procura de um momento simbólico ou 2 para, para que para que ninguém fique zangado comigo.
José Sócrates, quando anunciou que a troika vinha aí, e passos coelho quando anunciou que IA haver 11 aumento daquilo que íamos pagar para as rendas a que ele chamou para a para a para a taxa social única, que no fundo significava que a gente IA pagar mais, mais segurança social e assim.
26:21
Empresas menos e quer um discurso de uma de uma coisa importante, quer outra?
1111, discussão importante.
Foram discursos tão maquilhados.
26:31
Pessoa 2
São velados, são velados.
Isso é feito de propósito, não é?
Parece que dói menos.
Se eu não disser, sei lá, cortes e disser vamos implementar uma política de redução com vista a uma melhor gestão dos recursos escassos disponíveis.
26:49
Estão a escutar, mas.
26:49
Pessoa 1
As pessoas não são estúpidas.
26:51
Pessoa 2
Não.
26:52
Pessoa 1
Podem ser estúpidas durante.
26:53
Pessoa 2
Anão, não são estúpidas não, não são estúpidas.
E eu acho que os políticos não acham que as pessoas, que as pessoas são estúpidas.
Eu acho é que há gerou se uma ideia de que a política é uma coisa reservada a técnicos e que alguém é tão mais é tão melhor político quanto mais técnico parecer.
27:12
Pessoa 1
Falar caro?
27:13
Pessoa 2
Falar caro?
Sinto que às vezes isso depois em português dá coisas terríveis, mas pronto, mas, mas usam se assim aquelas palavras de destes testões, não é?
Há sempre testões já.
27:22
Pessoa 1
Estou a desvalorizá Los.
27:23
Pessoa 2
Já estás a 10 testões, 10 testões de palavras, e isso parece que lhes dá uma autoridade, não é?
E dá não.
Eu acho que não, eu acho que não, eu acho.
27:34
Pessoa 1
Mas fala tão bem.
27:35
Pessoa 2
Pois está bem.
Mas é, é, pois haverá.
Há gostos para tudo.
E eu?
Eu gosto de entender o que me dizem e gosto que entendam quando eu falo.
Há uma coisa que eu acho que é absolutamente terrível, que é quando nós recebemos uma comunicação de um, vamos imaginar, da segurança social ou das finanças, ou um ou um ou um despacho de um tribunal, uma sentença, e não conseguimos ler o que lá está.
27:59
Ora, eu não sou propriamente ilutrada, não é?
E eu, e muitas vezes eu tenho muitas dificuldades em interpretar o que lá está.
28:06
Pessoa 1
Portanto, aquilo não está escrito para nós entendermos o que verdadeiramente lá está escrito.
28:10
Pessoa 2
Exato, e isso é um défice democrático.
28:13
Pessoa 1
Não é um défice de literacia, não é um défice de entendimento.
O.
28:16
Pessoa 2
Problema não é nosso.
O problema é de quem escreve aquilo como se a informação fosse.
Porque a informação é poder.
Não é?
Por isso é que quando apareceu a escrita, há milhões de anos, quem sabia escrever é que tinha o poder e havia os escribas e havia.
28:34
Há toda uma lógica.
Só que se nós estamos numa democracia e se o poder é partilhado.
A informação tem de chegar a todos.
28:41
Pessoa 1
Devia haver uma democratização no fundo do conhecimento e da da de perceção do que é que do que é que está a acontecer em.
28:45
Pessoa 2
Qualquer e às vezes trazer para baixo.
28:48
Pessoa 1
Sim, até porque qualquer um de nós, quando preenche OIOIRS, por exemplo, aquilo é uma espécie dato de fé.
28:56
Pessoa 2
É, é um bocadinho.
28:57
Pessoa 1
A gente põe lá uns valores, em princípio, nós sabemos quanto é que ganhamos, quanto é que descontamos.
Mas aquilo tem lá muitos códigos e muitas alíneas, e muitas quando nós pomos a enviar, eu, eu, pelo menos tenho essa sensação que é, espero que valha nos deuses.
29:13
Pessoa 2
Sim, e isso dá poder a quem está do outro lado, não é?
Quando nós estamos nessa incerteza, quando nós não temos a certeza absoluta se estamos a comunicar bem ou se percebermos aquilo que comunicaram connosco, nós estamos em perda de poder.
Nós estamos num terreno complicado, estamos em fragilidade e, portanto, eu sou a favor de que se fale de forma mais direta possível.
29:31
E até há uma coisa que eu acho começou se a dizer os partidos populistas e disse e diz, se populista como se populista fosse necessariamente uma coisa má.
Ora, a demagogia é uma coisa má.
O populismo não é uma ideologia, é um método.
29:49
E há populismos de esquerda e há populismos de direita.
E o que é que significa na sua base, o populismo?
O populismo significa o povo contra as elites.
Isto depois pode dar uma panóplia de coisas, até dá coisas muitíssimo perigosas e complicadas, que é a ideia de que a de que há políticos são intérpretes da vontade do povo e de que a vontade do povo se se sobrepõe a tudo.
30:12
Pessoa 1
Alguma coisa divina?
30:13
Pessoa 2
Quase sim.
E como se a democracia fosse a ditadura da maioria, quando AA democracia não é a ditadura da maioria.
AA democracia é um conjunto de regras e é um sistema que serve também para proteger as minorias.
Quaisquer que elas sejam, portanto, porque se fosse a auditura da maioria.
30:28
Pessoa 1
Tem que ser um processo inclusivo, tem.
30:30
Pessoa 2
Que ser um processo inclusivo tem que ser 11 processo de regras, um processo de garantias, só.
30:34
Pessoa 1
Por curiosidade, tu gostas de maiorias absolutas.
30:39
Pessoa 2
É pá.
É assim, eu fico sempre naquela que nós, quando votamos, não dá lá um quadradinho extra a dizer se é a maioria absoluta ou se é maioria simples.
Nesta é uma coisa que os que os meus colegas comentadores, os portugueses deram maior.
Quer dizer, todos juntos juntámo, nos votámos de uma determinada maneira e depois deu aquele resultado.
30:55
Pessoa 1
Mas há uma inteligência coletiva Na Na, na altura do voto.
30:57
Pessoa 2
Não sei de.
Acho que há muitas maneiras de influenciar isso para que depois produza esse efeito.
Uma delas são as sondagens.
Outras, claro, é a comunicação política.
31:06
Pessoa 1
Acreditamos nas sondagens, ou nem por isso, ou mais ou menos.
31:09
Pessoa 2
Eh, pá.
Eu não posso dizer que não acredito, mas o que eu estou sempre a dizer são, mas eu acho que os.
31:13
Pessoa 1
Resultados dos últimos anos em vários sítios.
Não estou só a falar em Portugal.
31:16
Pessoa 2
Embora haja um bocado de tudo, é assim.
Elas são científicas.
Isso é ganha um método científico.
Tem 2 problemas.
Um é como elas são muito caras, as amostras são cada vez mais reduzidas e, portanto, é natural que haja algumas alguns.
31:30
Pessoa 1
Fazemos umas mais baratuchas para conseguir fazer mais.
31:32
Pessoa 2
Pronto, isso é um problema.
Outro problema que eu acho que é mais complicado e não tem nada que ver com a fiabilidade delas.
Ou não é?
Elas produzem um efeito em si mesmo, não é?
Portanto, se eu estou numa campanha eleitoral.
E eu vejo uma determinada tendência nas, nas, na, no, nas sondagens e eu tendo a condicionar o meu voto por isso.
31:52
Pessoa 1
Eu posso, se não tiver a certeza, poder votar naquele que vai ganhar para me sentir parte da Vitória.
31:58
Pessoa 2
Ou votar ao contrário.
Ou pensar que o meu está muito para trás e, portanto, que eu vou votar no que no que está muito para trás.
Ou.
Não votar simplesmente porque, Ah, isto está no papo e eu não vou lá.
32:10
Pessoa 1
E isso, isso.
32:11
Pessoa 2
E as surpresas aparecem.
Ou pensar assim, mas porque é que eu vou votar naquele partido mais pequeno, no qual eu me revejo tanto, se depois aquilo não vai contar para o totobola, voto aquilo e, portanto, voto no grande.
32:21
Pessoa 1
De de resto, porque quando nós olhamos para os nossos círculos eleitorais?
32:24
Pessoa 2
Isso é um problema grave.
32:25
Pessoa 1
Há um conjunto de eleitores que elegem os deputados, mas há uma franja muito importante dos eleitores cujo voto não contou para nada.
32:35
Pessoa 2
Sim.
Isso tem que ver com nossos círculos eleitorais e com a quantidade de deputados que cada círculo elege, e isso é um problema gravíssimo da da democracia e que.
32:45
Pessoa 1
Se fala, mas depois ninguém consegue recuperar.
32:47
Pessoa 2
Ninguém consegue porque porque os 2 maiores partidos não estão interessados nisso?
Porquê os?
32:52
Pessoa 1
2, que agora são 3.
32:53
Pessoa 2
Sim, os 2, que agora são 3, talvez.
32:55
Pessoa 1
O que torna o que torna mais difícil, não é?
32:57
Pessoa 2
Neste caso, não sei, vamos ver agora.
A questão é que o métodonto faz com que depois se distribuam os votos perdidos pelos 22 ou 3 grandes, não é?
Portanto, quem chega à primeira liga não deixa de se preocupar com a liga dos pequeninos.
Basicamente, é isso.
E.
33:10
Pessoa 1
Sendo que eles são obviamente importante.
33:12
A Cor da Capa e o Valor da Verdade no Jornalismo
Olha, as palavras denunciam.
Nós já falamos das palavras veladas.
Adoro a expressão velada, que palavras acabam por denunciar as intensoras dos políticos?
Porque o teu radar funciona para isso?
Não?
33:25
Pessoa 2
É tu, tu estás.
33:26
Pessoa 1
Ali.
AAAA sempre a tirar a temperatura do tom do modo.
33:31
Pessoa 2
Sim, os o sei lá, os políticos denunciam.
Se não é quando, quando usam determinada.
Normalmente, quando estão no poder, usam determinadas palavras para suavizar as medidas mais impopulares, por exemplo, EEE.
33:47
Depois há há há palavras engraçadas, por exemplo.
A seguir à à revolução.
E não, não tenho consciência desse tempo.
Mas nem sequer era viva.
Mas falava, se do povo não é, o povo desapareceu.
Não há povo, quer dizer, mas chega por acaso.
34:03
Agora fala um bocadinho outra vez do povo.
Mas em geral, são as passaram a ser as pessoas durante um tempo.
Foram os portugueses, aliás, as portuguesas e os portugueses.
34:10
Pessoa 1
Eu fico irritado com isso.
34:11
Pessoa 2
Pronto e agora passaram a ser as pessoas e agora é um festival de pessoas.
34:15
Pessoa 1
E então, e toda?
34:16
Pessoa 2
A gente quer as pessoas e.
34:17
Pessoa 1
Gasta sua palavra?
34:18
Pessoa 2
As pessoas EEE, cada um se sente próximo das pessoas e intérprete das pessoas e.
34:24
Pessoa 1
Dono das pessoas?
34:25
Pessoa 2
Eu já não aguento as pessoas, porque eu não sei quem são as pessoas.
Não faz ideia quem são as pessoas?
Não aguento.
E depois as e depois as pessoas.
Dá esta ideia de amálgama, porque ainda assim, quando se falava de povo, embora se estivesse, possa se falar de povo de uma maneira Patriótica de que é toda a gente da nação, não é?
34:40
É a nação?
Pode ser, mas também povo.
Tem uma coisa de classe, não é, portanto, à partida.
Se eu falo em povo, eu, se calhar, estou a falar para uma classe trabalhadora.
34:48
Pessoa 1
Eu sou a elite EE, voz o povo.
34:51
Pessoa 2
Voz, o povo.
Quando nós dizemos as pessoas, parece que têm o mesmo problema, OOOO pensionista que ganha menos de 300 EUR, OOA pessoa que está precária, que recebe o salário mínimo nacional, EOCIFO da empresa, que ganham os milhares.
35:08
EE pá.
E vamos convir, já não, não são todos, são todos pessoas, mas não são todos.
As pessoas não estão no mesmo pacote.
35:14
Pessoa 1
E mesmo as pessoas são umas pessoas, umas super pessoas já há.
35:17
Pessoa 2
Pessoas e pessoas há mais.
35:18
Pessoa 1
Coisadas e não olha como é que se lê o não dito.
Das entrelinhas de um discurso, porque se há algo que é factual, é verificável, mas as nuances, as entrelinhas, os inuendos.
35:30
Pessoa 2
Quer dizer, depois isto é, olha, é, é, é.
Como é que se ides explicar?
E é onde entra a intuição, não é?
Aí é onde não há um bocado uma receita.
É, há coisas que há um aquele debate célebre do Kennedy e do Nixon, não é?
35:47
Em que quem ouviu na rádio achou que o Nixon tinha ganhado.
E quem viu na televisão achou que o Kennedy tinha ganhado.
Porquê?
Porque o Kennedy era um tipo jovem com bom aspeto e estava com um ar de sereno.
E o Nixon, que além de não ser propriamente muito bonito, estava a suar as estupinhas com um ar aflito.
36:05
Pessoa 1
O que me faz levar te a perguntar se a política é uma forma de comunicação ou é um teatro de aparências?
36:11
Pessoa 2
Até é as 2 coisas.
36:13
Pessoa 1
Porque, por um lado, é um ato muito científico, muito controlado, muito maquinado.
Não, não, não.
Achas que é amadora?
36:21
Pessoa 2
Não é, eu acho que o contrário do científico aqui não é amador.
36:24
Pessoa 1
Desenrascamos a coisa, não.
36:25
Pessoa 2
É, não é.
Acho que isso é uma coisa universal.
É, é claro que é assim.
Eu acho que se também se tornar numa coisa para já se dissermos.
Que OAA política é uma coisa que só pode ser feita por gente ultraqualificada.
Nós estamos a entrar no domínio da tecnocracia.
36:38
Pessoa 1
Voltamos à tal lista.
36:39
Pessoa 2
Estamos a desvalorizar uma série de pessoas, estamos a dizer uma série de pessoas, olha, a política não é para ti, isto não é nada.
Isto é uma coisa que mexe com toda a tua vida, mas tu não podes fazer parte do clube EE, nós vamos só decidir por ti, pronto, isso é errado, obviamente acho eu parece me errado se dissermos que é uma coisa também muito científica do ponto de vista da comunicação, que obedece a determinados moldes.
37:01
O que é que nós estamos a fazer?
Estamos a artificializá la não é?
E também estamos a dizer, pá.
Isto no fundo, no fundo, é aqui uma encenação, nós isto, aqui nós pintámos, estes de laranja e aqueles de azul e aqueles de amarelo e aqueles de roxo.
37:12
Pessoa 1
E há um teatrinho da política.
37:13
Pessoa 2
E há um teatrinho da política, o que eu também me parece errado, porque, embora todas estas coisas sejam em parte verdade, elas não podem ser exclusivamente verdade.
37:21
Pessoa 1
Olha, mas os políticos são ambiciosos.
Tu sentes isso.
Estou.
Estou a pensar daqueles que naqueles que são.
Que tem essa ambição?
Os os os que querem ser, não é os que os que já são.
Depois a seguir, eles chegam a políticos.
EE.
Nós pagamos ao primeiro-ministro 5 ou 10000 EUR, que é um.
37:38
Pessoa 2
Que é que é pouquíssimo?
37:39
Pessoa 1
Que é ridículo, lembras se ninguém mexe.
37:41
Pessoa 2
Nisso é pouquíssimo, mas atenção que o nosso salário médio nacional está nos 1290 EUR, isto subiu.
37:46
Pessoa 1
Lá está em questão de calma.
A coisa não é a coisa, não é a coisa.
37:49
Pessoa 2
Não é, é pouquíssimo, mas.
37:51
Pessoa 1
Têm que ser ambiciosos, têm que.
37:53
Pessoa 2
Têm, mas não é pelo dinheiro.
Quer dizer, também há.
Obviamente.
Assim, a política é.
Como a nossa reunião do condomínio para a associação de pais.
38:02
Pessoa 1
Isso dão uma boa?
38:03
Pessoa 2
Notícia é a notícia de que somos todos humanos.
Há uma.
Há uma coisa humana que se revela e que tem o melhor e o pior em tudo.
38:12
Pessoa 1
Num momento gregário, no momento em que estamos com os outros.
38:14
Pessoa 2
Pessoa que já teve uma associação de estudantes, uma associação de pais numa reunião de condomínio, sabe que quando se junta uma data de gente com interesses diferentes, aquilo.
Vai dar para o torter muitas coisas, mas depois também vai haver alguém que é que é que é muito bem intencionado, alguém que fica a fazer ata desgraçado e que não.
38:30
E na política é exatamente a mesma coisa.
Há há EEE, portanto.
E aí eu distingo isso dos projetos político partidários e ideológicos.
E eu, ao longo destes anos, todos que tenho estado na política, eu tenho visto em todos os partidos e em todas as franjas ideológicas, pessoas com muito trabalhadoras e completamente preguiçosas.
38:51
Pessoas muito bem intencionadas e pessoas que estão ali para angariar negócios e para conseguir empregos.
Pessoas muito inteligentes e pessoas sem cultura, absolutamente.
39:00
Pessoa 1
Pessoas boas e pessoas mais ou menos e.
39:02
Pessoa 2
Más.
39:03
Pessoa 1
Então, e agora?
39:05
Pessoa 2
E em todos os partidos?
39:07
Pessoa 1
Mas deixa me perguntar te mas porque é que nós não temos a capacidade, como sociedade, de separar o trigo do joio?
EEE valorizar esses.
39:16
Pessoa 2
Ah, mas nós temos isso em geral na vida, não temos?
39:18
Pessoa 1
Não é?
O Chico esperto passa sempre à frente no trânsito.
39:21
Pessoa 2
É só isso?
É.
Quer dizer, nós tomamos más decisões, não é?
Já todos estivemos namoros que acabaram.
Isso quer dizer, quando uma pessoa encontrou uma pessoa, apaixona, se acha aquilo tudo fantástico, espero ver e depois não corre bem.
E com a política é igual.
39:35
Pessoa 1
Olha isso, mas isto dá me aqui, abre me aqui um tópico que me interessa, que é.
O síndrome do político quando é amado e cresce e se sente EE, há uma altura lá em lá está em que nós estamos fartos do político e dizemos, olhe adeus.
39:50
E ele sente se desamado.
39:52
Pessoa 2
E ele sofre imenso, sofre estavas a falar há bocado a falar de de ambição.
E é é 11 político para ser, para estar nisto, tem de ser ambicioso e vaidoso, e não necessariamente porque quer muito poder ou porque quer muito dinheiro.
Mas tem de ter.
Tem de querer muito isto, tem de querer muito porque é extraordinariamente duro.
40:12
É assim, é tudo muito lindo, muito lindo, mas depois é assim.
São horas que não acabam mais, são viagens que não acabam mais.
Toda a gente quer alguma coisa o tempo todo e há sempre alguém que não vai ficar contente e não é muito bem pago.
40:30
EE é um massacre e é 111 escrutínio pesadíssimo.
E vão remexer em tudo da tua vida e vão saber tudo o que tu fizeste e não fizeste.
E se tu estás bem ou mal, bonito, feio, se estás com uma coisa nos dentes, se disseste um disparate naquele dia.
40:47
Portanto, uma pessoa para se meter uma coisa destas que é duríssima, seja para ser líder da oposição, seja para ser líder do governo, seja para o que for, para a junta de freguesia.
Tem de estar na disposição de fazer isto.
E normalmente, quem é que?
Qual é o perfil psicológico de uma pessoa que se mete numa coisa destas?
41:04
Tem que ter um lado de vaidade e de ambição.
Eu creio que isso é mais e não que haja de alguma coisa de errado nisso, não é?
41:09
Pessoa 1
Precisa de ser amado profundamente.
41:11
Pessoa 2
Precisa.
Só que depois há aquela ressaca brutal, quando se perde o poder.
E é muito engraçado que os políticos, portanto, uma coisa estás em altas e tens o telefone o tempo todo a ligar e toda a gente pede coisas e toda a gente puxa para coisas e toda a gente quer e depois, quando de repente tu desapareces?
41:27
EE há uma ressaca e há muita gente que que há muitos políticos a quem que passaram por isso e que e que sentem aquela coisa bem, eu agora olho para o telefone e não, ninguém me liga, ninguém me liga, pronto.
41:37
Pessoa 1
Então, mas a Margarida não me ligou agora para saber aqui qual é a última notícia.
41:40
Pessoa 2
EAE, mas é verdade porque isto tem um lado aditivo, não é qual seja, quando estarmos.
Fazemos uma corrida, estamos num grande esforço, mas depois também acerta.
Então já nos habituámos a estar sempre a correr.
E quando nos diz agora 100 e não fazes nada?
É uma ressaca.
Portanto, isso isso na política também existe.
41:55
Pessoa 1
Olha, nós estamos a terminar, mas há uma crónica que tu escreves, que tem um título absolutamente maravilhoso, que corre, que concorre com o melhor título da da imprensa portuguesa, que é do Pacheco Pereira, que é da lagartista, nunca chegará a jacaré.
E tu tens uma crónica e que é a capa é verde, mesmo que digam que é vermelha, de onde é que vem isto?
42:17
Pessoa 2
Olha isto, vem de 11 série televisiva catalã.
É uma cena da de uma série em que há uma professora de filosofia que está numa aula com da universidade, no anfiteatro e combina com os alunos que estão já sentados na aula.
42:36
Vocês têm todos aí capas na mesa que são verdes, mas quando chegar 11 aluno atrasado, eu vou vos perguntar a cor e vocês vão todos dizer que é vermelho e vamos fazer uma experiência e faz isso.
E então todos dizem que a capa é vermelha.
42:52
Pessoa 1
Conforme vai chegando um aluno.
42:53
Pessoa 2
Vai chegando?
Não.
E há um único novo que chegou atrasado.
E o que chegou atrasado?
Houve aquilo tudo com ar muito incrédulo.
E quando chega a vez dele, o que é que ele responde que a capa é vermelha?
E a professora de filosofia diz, lhe não te preocupes.
Isso é um normal.
43:08
A maior parte das pessoas cede a isso.
Há uma, há 111 pressão dos pares.
E isso, por exemplo, ajuda a explicar o que aconteceu no nazismo.
Há uma pressão em que, de repente, se toda a gente está a dizer que a capa é vermelha, eu olho para ela, vejo que é verde, mas eu estou condicionada e seja por medo, seja por pressão, ou seja por começar a duvidar de mim própria.
43:34
Eu vou dizer uma coisa contrária àquela que eu estou a ver.
E eu acho que o papel do jornalismo e essa crónica é sobre o papel do jornalismo, é dizer que a cap é vermelha mesmo que ela seja verde, que que mesmo é dizer que ela é é verde mesmo que digam que é vermelha ou.
43:49
Pessoa 1
Seja é mesmo verde?
43:50
Pessoa 2
É se se eu, se eu recolhi informação e se essa é a convicção que eu tenho depois da da informação recolhida de acordo com os métodos jornalísticos, então a minha obrigação profissional é.
É dizer que que ela é assim e é ter a coragem de dizer que ela é assim.
44:05
Pessoa 1
Portanto, não estamos provavelmente a pensar muito pela nossa própria cabeça.
44:09
Pessoa 2
Não estamos cada vez mais manipulados.
Nós estamos a viver 11 por causa das redes sociais e das questões do digital.
Estamos a viver num clima de paranoia porque à medida em que é mais possível manipular AAA realidade.
44:27
Mas eu desconfio da realidade e isso vai me deixar cada vez mais isolada e incapaz de criar a única coisa que tem força para melhorar as nossas vidas, que é a comunidade, a comunidade, seja ela na escala família, bairro, país.
44:44
O que seja é a única coisa que, ao longo da história provou, desde o início da humanidade, que produz alguma coisa melhor.
44:51
Pessoa 1
E não o dividir para reinar.
44:53
Pessoa 2
Pois claro que não.
EE essa essa porque foi da incomunidade que nós conseguimos especializar nos cada um, ter as suas próprias valências, ajudar nos proteger os fracos, não ser só a lei da selva.
Tudo isso aconteceu na civilização.
45:08
Quando nos juntamos, se agora estamos a ficar cada um?
Na sua verdade, que é que esta coisa extraordinária eu tenho a minha verdade e a tua verdade e a tua verdade e a minha verdade eu vou me pôr num num sítio que é tão isolado que eu vou estar absolutamente frágil e exposta a tudo.
45:27
Eu vou perder AA comunidade e, portanto, isso é um problema trágico que nós temos.
45:32
Pessoa 1
Vale sempre verificar a cor da cartolina e acreditar que um facto vale sempre mais do que uma opinião obspetiva.
E para isso, há que fazer perguntas.
Muitas perguntas.
São essas perguntas que nos permitem chegar mais perto da verdade, que, como sabemos, é Una.
Para ser verdadeira tem que ser Una e universal.
45:49
A verdade não admite várias verdades, mas admite, claro, muitas opiniões livres, distintas e contraditórias.
A democracia faz se disso e a comunicação ajuda.