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No programa de hoje, o caos social conservador da política britânica em meados dos anos 1980 e uma até então improvável união musical entre elementos do punk-hardcore com o metal extremo underground geraram o surgimento de um estilo musical único e muito característico.
O grindcore, que pode ser considerada uma música de vanguarda extrema, junta baixa afinação com batidas rítmicas ultravelozes e vocais furiosos, tornando-se o caminho de expressão em músicas de pouquíssima duração.
E celebrando a pedra fundamental de um estilo tão particular, o tema de hoje é "From Enslavement to Obliteration" segundo álbum de estúdio da banda inglesa, Napalm Death. Clássico incontestável da música extrema.
E quase fechando essa terceira temporada do podcast, com um tema tão interessante, o convidado para essa conversa não poderia ser melhor, meu amigo, jurista, apresentador dos programas xRUYDOx e Ilha do Tesouro na Virus Radio Comunitária, e eterna voz do No Violence - Ruy Fernando.
Artigo citado no programa: Napalm Death: 30 anos depois, o barulho ainda importa.
Boa audição.
05/novembro/2021
#disco #disc #vinil #napalmdeath #fromenslavementtoobliteration #grindcore #deathmetal #obrafechada #hardcorepunk #podcast #vinyl #britcore #birmingham
Um território diferente de seu país, dividindo-se e equilibrando-se entre dois sistemas. Uma dicotomia econômica e cultural, que abriga diferenças e contradições, torna-se o pano de fundo utilizado para contar a história de um 'não-casal'. Uma história que antecipa a fluidez dos afetos discutidos por Bauman e problematiza Hong Kong de outro tempo.
Hoje falaremos de sentimento. De amor, e sobretudo da solidão. Como esses sentimentos podem ser tão ligados e aparentemente tão próximos? Como seguir uma trilha condenada, onde se pode transformar no que mais se teme? Como se dá a solidão acompanhada, face ao esfacelamento das relações? E sobretudo, como uma obra cinematográfica ambientada nos anos 1950, lançada nos anos 2000, pode discutir com tanta pertinência as idas e vindas das relações humanas.
O tema de hoje é Faa yeung nin wa ou "Amor à flor da pele" sétimo longa metragem do diretor chinês Wong Kar-Wai, lançado nos anos 2000. Um filme que brinca com o tempo e o espaço, e dentro de sua atmosfera de sonho e cores exuberantes, mostra a crueza da vida cotidiana.
E para conversar comigo sobre um dos meus filmes prediletos eu trouxe a minha amiga, historiadora, programadora do Sesc Santo André, mestre pela ECA-USP, mestre pela Universidad Carlos III de Madrid - Priscila Xavier.
Boa audição.
29/outubro/2021
#filme #movie #film #hongkong #wongkarwai #inthemoodforlove #amoraflordapele #obrafechada #chinesemovie #podcast #romance #faayeungninwaa
No programa de hoje nos voltamos a um importante marco da literatura e da ficção científica. Uma distopia que a décadas importuna, incomoda e encanta aqueles que pensam a sociedade a partir de uma organização política e ainda mantém frescos os seus questionamentos: O controle estatal sobre o indivíduo, a manipulação da história e da informação, manipulação física e psicológica, a deformação da linguagem e corromper das revoluções.
O tema de hoje é 1984, romance de George Orwell publicado em 1949.
Alvo de tentativas de "cooptação" pela direita, e acusado de propaganda anti soviética pelos stalinistas, 1984 sucita um debate contínuo, que ajuda a amadurecer reflexões e nos alerta dos perigos escondidos, no corromper das revoluções.
Esse episódio foi uma sugestão do amigo Alexandre Kool, que inquietou-se com as diferentes formas, como George Orwell aparece nas redes sociais. Fica nossa dedicatória a ele.
Hoje nos visita no programa, o meu amigo, professor, geógrafo, sociólogo e especialista em conflitos e globalização - André Stuchi.
Boa audição.
22/outubro/2021
#livro #distopia #ficçãocientífica #literatura #georgeorwell #1984 #obrafechada #dystopia #scienciefiction #podcast #book #literacture
No começo dos anos 2000, nosso país viu a diminuição dos abismos entre classes, através de uma série de programas e políticas públicas. E por conta disso, é de se compreender por que as artes discutiram tanto sobre esse período. Era o momento de olhar um futuro possível, tanto na economia, quanto no acesso de espaços historicamente dominados.
Nesse episódio falaremos um pouco das diferentes tensões sociais, presentes no Brasil do século XXI, através de uma sutil e importante obra cinematográfica. O tema de hoje é "Que horas ela volta?" longa metragem de 2015, da diretora e roteirista Anna Muylaert.
O filme trouxe muito a pensar, sobre as classes sociais brasileiras, o papel da universidade, as relações de trabalho herdadas da escravidão e a teoria social brasileira.
Me acompanha na conversa, minha ex colega de estágio, minha amiga, professora, socióloga e doutoranda em Educação: Marcela Rufato.
Boa audição.
15/outubro/2021
#filme #drama #movie #film #quehoraselavolta? #secondmother #obrafechada #annamuylaert #cinemabrasileiro #podcast #cinema
No ano de 1986, o universo cultural e principalmente musical brasileiro foi tomado de assalto. O rock brasileiro ocupava cada vez mais as paradas de sucesso e convertia-se em música de uma parte da juventude. Ao mesmo tempo, era um período de ressaca. Apesar da reabertura política, muitas esperanças de mudança social desmoronavam.
A morte de Tancredo Neves (1985), e a construção do governo Sarney, com foco de restabelecimento econômico, deram um sopro de esperança que logo se mostrou numa desastrosa decepção. Além disso, no campo cultural a censura ainda existia e podia proibir a execução de músicas e filmes.
E nesse episódio voltamos a falar de música. Se em alguns episódios atrás nós falamos de Antes do Fim, importante clássico underground de Dorsal Atlântica, hoje nos voltamos a música mainstream, onde o tema é "Cabeça Dinossauro", terceiro álbum de estúdio dos Titãs.
Me acompanha na conversa, meu amigo, historiador, escritor e autor Davi da Rosa (History and Rock), voltando ao programa.
Boa audição.
08/outubro/2021
#disco #vinil #vinyl #titãs #cabeçadinossauro #1986 #obrafechada #brock #rockbrasileiro #podcast
A filosofia, a história, a sociologia e tantas áreas do conhecimento têm se debruçado a muito tempo, sobre os efeitos da indústria cultural, os mecanismos de comunicação, o consumo e a possibilidade de dominação total do indivíduo.
Além destas, a literatura em especial, têm se colocado como terreno fértil para o exercício de reflexão crítica. Em especial, as distopias, como “Admirável mundo novo” de Aldous Huxley, “Nós” de Evgeni Zamyatin, “1984” George Orwell, "O conto da aia"de Margareth Atwood, dentre tantos outras, buscam imaginar mundos, que refletem o nosso, e onde o controle social do indivíduo se dá de diferentes maneiras.
Lançado em 1953, “Fahrenreit 451” de Ray Bradbury, se encaixa nessa categoria e acrescenta o papel da memória e do peso das construções culturais no desenvolvimento das sociedades. Transformado em filme por François Truffault em 1966, continua incrivelmente atual, para um momento social onde se disseminam fake news e inverdades.
E para conversar um pouco mais a fundo sobre essa grande obra, eu recebo pela primeira vez no programa uma dupla: João Petriete e Igor Mendes do podcast "O Último Filme".
01/outubro/2021
#filme #movie #film #fahrenreit451 #raybradbury #françoistruffaut #distopia #literature #obrafechada #literatura #ficçãocientífica #sciencefiction #podcast #dystopia
Coração das Trevas é um clássico que tem seu lugar no cânone ocidental. A obra já inspirou o grandioso "Apocalypse Now" filme de Francis Ford Coppola, mas seu grande mérito, que a conduz na transcendência do tempo, é a discussão do impacto do colonialismo.
O 'progresso civilizatório' de uma Europa cheia de estados imperialistas, dilacerou o continente africano e irrigou os tanques do Capitalismo com sangue de povos escravizados, enquanto se acelerava o processo de modernização.
Com roteiro de Mairowitz e arte de Anyango, essa interpretação gráfica da obra aprofunda o trauma exploratório com imagens que pendem do sonho ao pesadelo. Com espertas inserções dos diários reais de Conrad, e que serviu de base a escrita do romance original, essa graphic novel, acrescenta novas camadas problematizantes e interpretativas.
É possível progresso sem morte? A máquina de moer gente deve ser azeitada pelo lucro selvagem e desenfreado? Essas são algumas perguntas que surgem na conversa com Luciano Feijão, ilustrador, professor e meu amigo de longa data.
Adentre ao nosso canteiro de obras e boa audição.
24/setembro/2021
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Os anos de chumbo no Brasil serviram para alargar o abismo entre gerações e aumentar o descontentamento de uma parcela da juventude. Vivendo o atraso comunicacional e comportamental dos anos 1980, uma parcela considerável dos jovens ansiava por gritar e poder dar vazão à revolta e à indignação.
No episódio de hoje falaremos de mais um importante disco brasileiro. Um disco pioneiro na fusão de estilos e importantíssimo para a história da música pesada feita no Brasil. Que junta a brutalidade primitiva do thrash metal, com a energia do hardcore punk. Uma obra que nasce no retorno da democracia, mas gestado ainda durante a ditadura militar. Onde as letras são tão clássicas quanto ainda (tristemente) atuais.
Hoje falaremos de "Antes do fim" primeiro álbum do importantíssimo Dorsal Atlântica.
Me acompanha nesse episódio, meu amigo, podcaster, youtuber e arqueólogo da música extrema - Igor Giroto do canal Baile do Capiroto.
Boa audição.
17/setembro/2021
#disco #disc #dorsal #antesdofim #dorsalatlântica #mpb #obrafechada #musicapesadabrasileira #thrashmetal #crossover #metalpunk #podcast
A literatura de horror tem uma longa trajetória e é bem estabelecida, gerando as bases para muitos autores contemporâneos. Na Inglaterra, o nome de Algernon Blackwood sempre figura entre os mestres e mais influentes. E por conta disso, hoje falaremos 'The Willows' ou como traduzido no Brasil, 'Os salgueiros', clássico da Weird Fiction.
Nascido da experiência de seu excêntrico autor, os salgueiros da história, apresentam uma história ao ar livre, em ambiente natural, que navega do plano psicológico das personagens, para a 'pouca' ação que reflete sobre a possível presença de forças devastadoras.
Tudo isso, é feito, apresentando a dualidade entre conhecido e desconhecido, do embate entre formas primordiais e primitivas, em contraposição ao humano invasor. 'The Willows' definiu formatos de narrativa que se perpetuam no tempo e vez ou outra, ressurgem na literatura e no cinema.
Me acompanha nesse episódio, meu amigo, rockeiro da pesada, nerd do horror e apresentador do canal Frango Radioativo - Daniel Pacheco.
Boa audição.
10/setembro/2021
#livro #book #thewillows #ossalgueiros #algernonblackwood #weirdfiction #obrafechada #podcast #literature #literatura #cosmichorror #horrorcósmico
O amadurecimento artístico se dá em geral em um processo de experimentação, melhoria e elaboração da técnica. Cabe também nisso, o amadurecimento individual. No qual a passagem do fluxo do tempo muda, infere, transforma as percepções e maneiras de se colocar no mundo. Nunca seremos os mesmos. A transitoriedade humana, contradiz todas ciências, e surpreende qualquer observador que se disponha a querer entender.
A transformação do Neurosis, de uma banda hardcore-punk no colosso musical que conhecemos, se deu a ferro e fogo. Um processo com direito a muito sangue e dor. Talvez o pico da consolidação, do ser e do querer, para o grupo de Oakland, seja seu quinto álbum de estúdio. 'Through Silver in Blood' uma obra que é aspereza e raiva. Angústia e pedido de socorro. É afronta aos céus e aceitação da desintegração da matéria.
Produzido por Billy Anderson, o disco nos atinge em audição, como uma criatura que se reveste de várias peles, que incha de dentro para fora, e se move pesada em força constritora, esmagando por onde passa, provocando um transe sísmico.
São camadas de sentido e de sensação. Que nos envolve, e nos engole feito um leviatã que ignora qualquer preocupação. Que devolve o desespero, como uma navalha cega. Cortando, ceifando tudo o que se dispõe adiante. Fazendo que soframos suas dores, em um pacto não falado e nem acordado de cumplicidade.
Contando a história do disco, e decifrando algumas metáforas, retorna ao Obra Fechada, meu amigo Luiz Mazetto (Nós Somos a Tempestade | Basalt), fã declarado da obra, jornalista e autor. Espero que gostem.
Boa audição.
03/setembro/2021
#disco #disc #neurosis #throughsilverinblood #relapserecords #neurotrecordings #obrafechada #sludge #doom #postmetal #vinyl
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