O Samba é um criadouro de gênios da Música Popular Brasileira. Do morro, surgiram nomes imortais como Cartola, Wilson Batista, Nelson Sargento, Candeia, Donga, Paulinho da Viola, Ismael Silva, entre muitos outros. Contudo, vários se perderam ao longo desta estrada entre o morro e o asfalto. O samba é imortal, mas constantemente o sambista acaba esquecido. Compositores do morro na maioria das vezes não tinham como fonte de renda principal a música. Muitos eram desempregados ou trabalhavam de maneira precarizada, por salários baixos e serviços temporários.
Em vistas disso, intérpretes, produtores e executivos da indústria fonográfica os exploravam. A compra de sambas era algo comum. Por vezes, o compositor continuava citado no disco, mas vendia os direitos autorais. De outras, além de abrir mão desta renda, ainda tinha que colocar o nome do “comprador” do Samba como parceiro. No pior dos casos, o nome do verdadeiro compositor era até excluído dos créditos do disco, ficando só os dos “donos” do Samba. Comparado ao montante que seria gerado pelos direitos do Samba, a quantia paga nessas negociações eram baixas, mas para o sambista, que lutava para sobreviver, era uma fortuna. Dessa forma, vários sambas foram eternizados, mas seus autores esquecidos e descartados pela indústria fonográfica.
Cartola era um caso desses. Nunca recebeu propriamente pelos seus grandes sucessos. “Que infeliz Sorte” vendeu para Mário Reis; sua música mais bonita, segundo ele mesmo, “Divina Dama”, vendeu para Francisco Alves. Suas parcerias com Noel Rosa “Qual foi o mal que eu te fiz”; “Estamos Esperando” e “Tenho um novo amor”, todas foram vendidas. Como resultado, Cartola teve que se virar para sustentar sua família. Foi flagrado lavando carros nos anos 1950 pelo jornalista Stanislaw Ponte Preta. Não fosse esse encontro fortuito, e o empenho do jornalista em ressuscitar a carreira do compositor, Cartola seria mais um de muitos nomes perdidos no tempo, e jamais conheceríamos “Cordas de Aço”; “As Rosas não falam”; “O mundo é um moinho”, entre muitos outros clássicos imortais da música brasileira.
Neste episódio, Diogo Gigola, Daniel Kirjner e um convidado especial destrincham aquele que talvez seja o disco de samba mais importante de todos os tempos: Cartola (1976).
📌 Minutagem:
[16:41] Faixa 1 – O Mundo é um Moinho
[21:54] Faixa 2 – Minha
[26:37] Faixa 3 – Sala de Recepção
[31:34] Faixa 4 – Não Posso Viver Sem Ela
[34:17] Faixa 5 – Preciso Me Encontrar
[42:48] Faixa 6 – Peito Vazio
[46:13] Faixa 7 – Aconteceu
[49:16] Faixa 8 – As Rosas Não Falam
[51:20] Faixa 9 – Sem Chorar
[55:08] Faixa 10 – Ensaboa
[58:37] Faixa 11 – Meu Drama (Senhora Tentação)
[61:46] Faixa 12 – Cordas de Aço
[64:46] Fim do faixa a faixa (Indicações)
📌 Links do episódio:
• Versão de "Preciso Me Encontrar" na voz do sambista Candeia: https://www.youtube.com/watch?v=fmcxvsqg25g&t=127s
• Apresentação da música "As Rosas Não Falam" no show "Encontro de Gerações", com Daniel Kirjner e Nestor Kirjner: https://www.youtube.com/watch?v=isrw99mm3bs
• Samba-enredo "Heróis da Liberdade", do G.R.E.S Império Serrano, de 1969: https://www.youtube.com/watch?v=26UyeewtxIc