Quilombo Academia - USP

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Quilombo Academia - USP episodes

  • Quilombo Academia: Roberto e Erasmo Carlos, sugere rompimento com a distopia eurocaucasiana
    Roberto Carlos, como seu perfil de brasileiro inequivocamente miscigênico, revela a sua africanidade a partir do samba. Essa originalidade intensificou ainda mais a sua irreverente roqueira, dialogando com samba. Isso se deu em um período de total influência da articulação do staccato no samba bossa novista do baiano João Gilberto, que impactou o Roberto. Ele demonstra nuance dessa articulação na sua interpretação. Com essa competência charmosa Roberto canta o carnaval cujo protagonismo é a cultura negra.
    A maturidade musical de Erasmo Carlos é ‘ao meu quase cego ver’ impregnada de uma bossa nova nostálgica, que se mostra inquietante no pensamento estético desse artista. É provável que uma espécie de retro relação dialógica com a tamboralidade da bossa nova de João Gilberto leva os deuses da jovem guarda a retomar um protagonismo de um grupo de vanguarda musical.
    A dupla, Erasmo e Roberto, faz uma crônica do gélido imaginário de negação fatalista eurocêntrica ao calor na existencialidade lúdica da vida do sambista.
    30 min
  • Quilombo Academia: A passionalidade vocal da interpretação de Jair Rodrigues celebrizou muitas canções
    Jair Rodrigues parece antecipar rap brasileiro, em que a melodia tem a forte influência rítmica, baseada na prosódia das palavras que são acentuadas nas silabas tônicas. Como no ritmo do coco, uma espécie de canção de trabalho nordestino, das regiões praieiras, onde se quebra o coco cantando. A espontaneidade do canto negro de Jair Rodrigues africaniza ainda mais as canções que interpreta.
    30 min
  • Quilombo Academia: Nara Leão ícone da emergente estética marxista carioca, demonstra que o samba do negro empobrecido se tornou referência, para a vanguarda elitizada, da zona sul
    Na voz militante de Nara Leão ganha dimensão de um manifesto contra solidão no circo da opressão eurocaucasiana, na compreensão nietzschiana a arte é para a suportar a dureza da vida. Fenômeno próprio da representação artificial/exógena da pequena burguesia, com a aparência apolínea do bom mocismo. Essa crítica é feita com elementos da africanidade distribuídos pela instrumentação musical baseada no ritmo sincopado do samba, que acomoda a voz negra do canto de Nara Leão.
    27 min
  • Quilombo Academia: Guinga e Moacir Santos fazem um irretocável inventário léxico-musical crítico ao comportamento do patriarcalismo eurocaucasiano
    As canções interpretadas por Guinga são movidas por uma ética com base nos respeitos à diversidade e à biodiversidade, originadas na cosmovisão egípcio-bantu, que segundo Enrique Dussel é mais antiga civilização da humanidade. Caracterizada por inequívoca nuance de afirmação de minoria vulnerável as canções contribuem para formar um questionamento a lógica acumulativa do euro-hetero-macho-autoritário, que é estranha ao respeito à biodiversidade própria antiga da ética africanidade.
    As composições de Moacir Santos são um mantra que se unem, nas melodias, instrumental e vocal, permeado por um comportamento jazzístico. Os arranjos de suas canções têm roupagem do xote, com uma seção rítmica pop que é caracterizada na bateria eletrônica. Moacir demonstra a espiritualidade como essência na corporalidade da música negra. Apontando-a no paroxismo do seu arranjo, com erudição de subjacência popular, afrodiaspórica, estado-unidense.
    28 min
  • Quilombo Academia: Rosa Marya faz uma interpretação telúrica na sua virtuosidade sofisticada em proveito da brasilidade miscigênica
    A melodia da voz, da Rosa Marya Colin, desenvolve um discurso musical apoiado no ritmo do blues, caracterizado na guitarra, no baixo, na gaita e na bateria, com subjetividade feminista em proveito das minorias vulneráveis. Rosa Marya faz do seu canto uma tribuna erudita, fazendo um inventário da dimensão existencial do matriarcado, na teluricidade mítica afro-ameríndia sugerindo nuance de romantismo dialético, onde a união do amor na praça faz brotar a rosa, que canta a voz de todas marias.
    Rita Lee explora diferentes gêneros musicais que se interseccionam com a afrodiasporicidade. Rita Lee é uma cantora eclética que abraça diversos gêneros da musicalidade africanidade diaspórica e passeia por diferentes estilos musicais brasileiros os quais retratam a sua africanidade.
    28 min
  • Quilombo Academia: Elis Regina e Maria Rita mãe e filha interpretam a africanidade miscigênica
    Elis Regina e Maria Rita são mãe e filha, Elis consolidou-se como interprete da Música Popular Brasileira – MPB embora tenha sido uma interprete eclética, já Maria Rita tem consolidado sua carreira como interprete de samba, mas como sua mãe, também interpreta canções da Música Popular Brasileira. A Pimentinha é reconhecida por sua capacidade inegável de interpretação musical. Maria Rita é filha de Elis com César Camargo Mariano e já interpretou vários clássicos de Elis.
    29 min
  • Quilombo Academia: a intersecção de gênero na crítica social no canto da Bethânia e Chico
    A música de Chico Buarque traz inequívoca intersecção de gênero e raça, mostrando que a pobreza tem cor. Sua arte revela uma construção criativa original, sugerindo seu compromisso com afrodescendência empobrecida. Percebe-se nele uma influência marxista, caracterizada do neorrealismo que foi presente na sintaxe do cinema novo glauberiano, em que o negro foi eleito referencial estético, representando proletariado e o desdobramento de pobreza. Razão pela qual a crítica reflexiva do samba no Chico é uma concorrência para reconstituição da ambiência lúmpen proletário, vista nas ruas, nos becos, nos botequins e nas gafieiras cariocas.
    A Maria Bethânia tem uma interpretação, calçada na teluricidade crítica e reflexiva, cuja subjacência é os violões de rua do Centro Popular de Cultura, o histórico CPC da UNE. É, neste contexto, que o samba, o bolero e o baião estão presentes no seu repertório, tem o propósito de construir a beleza existencial do empobrecido miscigênico. Fazendo com isso uma afirmação positiva das axiologias multiculturais, configurada na amalgama ibero-ásio-afro-ameríndio. Como forma de luta contra a imposição autoritária da euroheteronormatividade, que determina o euro-hetero-macho-autoritário.
    29 min
  • Quilombo Academia: sofisticada africanidade no canto de Livia Nestrovski e no violão do Guinga
    A erudição popular na interpretação de Livia Nestrovski traz, ‘ao meu quase cego ver’, uma insurgência subjetiva, sugerindo aspectos objetivos da realidade. A seu canto buca no mar possibilidade de diálogo com o continente negro. Sua obra tem sugestiva tamboralidade miscigênica a Livia Nestrovski sugere uma dimensão idílica de negritude. Sua musicalidade indica uma africanidade melancolia, que é percebida no dedilhado do violão. É perceptível nela que as notas metaforizam o lamento negro. Fenômeno que estabelece uma relação dialógica com Villa Lobos, que foi influenciado pela afrodiasporicidade.
    A obra sofisticação musical de Guinga está caracterizada no seu perfeccionismo. As vozes são conjugadas com orquestra de câmara promovem uma circularidade espiral, de possível musicalidade ancestral dos engenhos e das veredas. O dimensionamento erudito popular, visto no Guinga concorreu para criativa construção de um irretocável inventário léxico-musical, sugerindo nuances críticas e reflexivas do comportamento da sedução amorosa no patriarcalismo eurocaucasiano do período colonial, contribuindo para um repensar da persistência eurocolonial, que se percebe no bom mocismo apolíneo, do homem branco com símbolo da perfeição e harmonia, em detrimento dos outros segmentos raciais.
    29 min
  • Quilombo Academia: Arlindo Cruz é uma figura proeminente do carnaval carioca e iniciou sua carreira participando do grupo Fundo de Quintal
    Arlindo Cruz inicia a carreira solo na década de 1990, com o lançamento do seu primeiro álbum denominado Arlindinho. Suas composições têm a negritude presente na tamboralidade do samba e uma percepção que o diálogo é a ponte para a união das pessoas. A genialidade do artista traz a percepção do samba como um território de paz considerando a corporeidade negra, onde a alma é como um tempo de conjugação multidimensional. Cruz traz uma crítica à falsa aparência para imposição do poder pequeno burguês, para seu canto a liberdade da revelação interior está na vida simples dos empobrecidos negros e não brancos.
    Com o sentimento, crítico e reflexivo, da irreverência do canto negro Leci Brandão chama atenção para engajamento nas lutas para superar os problemas, decorrentes das desigualdades que resultam nas injustiças sociais tratando-se de um posicionamento que tem sido, infelizmente, raro, diante do costume diatópico convencional, que é dado pela alienação de importantes escolas de samba.
    29 min

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Programa que aborda temas afrodescendentes, indígenas e latinoamericanos por meio da música e dos artistas brasileiros.