A inquietude musical de Erasmo Carlo sugere de maneira inequívoca uma insurgência contra a herança monocultural do pseudo urbano industrialismo branco europeu, que foi construído com a solércia da política getulista. Esse posicionamento foi feito em detrimento da realidade ruralista multicultural miscigênica. Razão pela qual Erasmo canta impregnado de uma polissemia do amor, que é somente possível fora das relações de mercado da lógica acumulativa eurocaucasiana. O tremendão revela uma tamboralidade, demonstrando que sua crítica tem base na ancestralidade do samba africano, sendo estranho à velocidade dos automóveis que representam patriarcalismo do homem branco europeu. De tal sorte que, a musicalidade do Erasmo, inicia com uma contemplação utópica para criticar denunciando o caminho a distopia teleológica do caminho da euroheteronormatividade.
A cantora Ava Rocha traz um arranjo, articulado na tamboralidade africana. Com inequívoca criatividade apresenta uma melodia que é calçada em dois refrões, buscando a construção de uma atmosfera de afirmação positiva da axiologia negra, lembrando o ritmo o candomblé. Com irreverência miscigênica ela constrói, concomitantemente, à levada do galope dos folguedos nordestinos. Fazendo uma trama lúdica com a sonoridade futurista, dialogando com elementos da orixalidade, que é mostrada como protagonista da criatividade negra de Ava. Sua música crítica e reflexiva é mais uma luz no conceito da necropolítica, do filosofo camaronês Achille Mbembe, que chama atenção para a violência da institucionalidade eurocaucasiana, que tenta verticalmente impor o poder do julgamento determinante de quem deve morrer. A música da Ava Rocha constitui uma denúncia à violência do negrocídio, que tem tentado abater as crianças das favelas cariocas.