Neste episódio do SALA TUSP, recebemos com orgulho em nossa sala virtual Márcio Meirelles, encenador, dramaturgo e gestor cultural baiano, criador do Bando de Teatro Olodum e diretor do Teatro Vila Velha.
Arquiteto de formação, ligado às artes visuais, Marcio Meirelles começa sua atuação junto ao teatro em 1972. Funda em 1976 o Grupo de Teatro Avelãz & Avestruz, importante e inovador coletivo da cena baiana, que trazia em seu elenco figuras que seriam fundamentais ao nosso teatro, como Maria Eugênia Millet, Fernando Fulco e Hebe Alves.
Em 1982, funda “A Fábrica”, espaço cultural e de formação. Na mesma época desenvolve projeto para a Fundação Gregório de Matos e monta "Gregório de Matos de Guerras", sua primeira incursão mais aprofundada na pesquisa de uma identidade baiana ligada à tradição afro-brasileira.
Em 1987, assume a direção do Teatro Castro Alves, e em seguida, cria o Bando de Teatro Olodum apoiado pelo bloco afro de mesmo nome, levando o resto do país a reconhecer a identidade negra e própria do teatro baiano. Em 1992, Meirelles trabalha ao lado do cineasta alemão Werner Herzog na montagem de um espetáculo grandioso: "Floresta Amazônica em Sonho de Uma Noite de Verão", adaptação de Shakespeare por ocasião da ECO 92 no Rio. Em 1995, escreve com o Bando e Aninha Franco, além de criar cenário e figurinos, o texto "Zumbi", encenado pelo Black Theater Co-op em Londres.
Em 1994, passa a coordenar o Teatro Vila Velha. Ao assumir a coordenação do Projeto Novo Vila, Márcio prevê a revitalização do teatro histórico no Passeio Público de Salvador. Marcio foi Secretário de Cultura do Estado da Bahia de 2007 a 2011. Em 2019, encenou o espetáculo “Embarque Imediato” em comemoração aos 80 anos de Antonio Pitanga. No mesmo ano, recebe o título de Doutor Honoris Causa pela universidade Federal do Recôncavo da Bahia.
https://www.teatrovilavelha.com.br/
Programação das próximas semanas do Teatro Vila Velha:
TEATRO DECOMPOSTO | De 16 a 18/10, a Companhia Teatro dos Novos apresenta a terceira temporada de "Fragmentos de um Teatro Decomposto". O livro de peças curtas do dramaturgo Matéi Visniec foi traduzido por Alexandre David e encenado por Marcio Meirelles totalmente à distância. A montagem reúne monólogos que tratam de cidades invadidas por pragas, isolamento, solidão. A banalidade do dia a dia, destruída por eventos inexplicáveis. Ingressos à venda no Sympla (sympla.com.br/teatrovilavelha) e custam R$10, R$20 e R$ 50 (a critério do comprador).
AS PALAVRAS DE JÓ | De 23 a 25/10, sempre às 20h, Marcio Meirelles, apresenta ao vivo a leitura de "As Palavras de Jó", de Matéi Visniec. Marcio já protagonizou este monólogo em 2015, retomou o texto no formato leitura em janeiro de 2020 no palco do Vila e agora o apresenta no formato web teatro. Jó é um personagem bíblico que atravessa terríveis provações sem perder a fé em Deus. Ao contrário dele, o Jó de Visniec confessa constantemente ao público sua fé no ser humano e narra as violências que sofreu por conta dessa crença. Ingressos à venda no Sympla (sympla.com.br/teatrovilavelha) e custam R$10, R$20 e R$ 50 (a critério do comprador).
O episódio foi ao ar em 9 de outubro de 2020.