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A realidade existe independentemente de nós, mas ninguém consegue vivê-la de forma completamente neutra. Memórias, crenças, biologia, cultura, emoções e experiências funcionam como lentes através das quais interpretamos tudo o que nos acontece.
Neste episódio, parto dos meus primeiros empregos, de Caixa num shopping a atendente numa locadora e, depois, ao consultório de uma médica, para refletir sobre como diferentes ambientes alteraram a minha percepção de trabalho, dinheiro, segurança, liberdade e futuro.
Entre salários baixos, ambientes e jornadas difíceis, um bloquinho preto cheio de sonhos, um tênis rasgado e a lenta construção do meu primeiro quarto, falo sobre a maneira como criamos significados para aquilo que vivemos.
Nós não inventamos o mundo com a mente. Mas também não enxergamos os acontecimentos como gravações perfeitas dos fatos. Se cada pessoa experimenta a vida através de uma realidade parcialmente construída, talvez reconhecer isso seja o primeiro passo para termos mais empatia pelos outros, e mais gentileza conosco.
Bastam os primeiros compassos da Canon in D para que eu volte instantaneamente ao banco de trás de um carro, subindo a serra rumo a Visconde de Mauá.
Mas essa música também me leva às fitas cassete gravadas da rádio, aos discos de vinil da minha mãe, ao meu velho aparelho de som e às paisagens emocionais da infância.
Um episódio sobre nostalgia, memória e as trilhas sonoras que moldam quem somos.
Será que é injusto da minha parte dizer que as pessoas só querem ver a ponta do iceberg? Poucos imaginam os dezoito anos de erros, acertos, mudanças, recomeços e decisões que sustentam aquilo que aparece na superfície.
Neste episódio, compartilho a minha trajetória entre marketing, editorial, tecnologia, liderança e imigração para refletir sobre uma pergunta que tem me acompanhado: afinal, qual é o verdadeiro valor do passado? E por que parece tão difícil reconhecer a experiência sem confundi-la com arrogância?
Apesar de parecer uma retrospectiva de carreira, o verdadeiro tema do episódio é outro: o valor do passado como alicerce, e não como troféu.
Fofucho chegou em casa ainda filhote, assustado de tudo, e escolheu um sofá para chamar de lar. Anos depois, morreu nos meus braços exatamente naquele mesmo lugar. Depois vieram Lyra e Nala, três gatos completamente diferentes que acabaram marcando fases muito diferentes da minha vida. Mas esta não é apenas uma história sobre gatos.
É sobre como eles vivem o luto, sobre como nós vivemos o luto e sobre a descoberta mais dolorosa que tive depois da morte da minha mãe: talvez, no fundo, eu e a Lyra estejamos fazendo exatamente a mesma coisa — esperando alguém que nunca mais vai entrar pela porta.
Fui até uma cidade perdida na Inglaterra para assistir ao novo espetáculo de Derren Brown. Voltei pensando muito menos em ilusionismo do que em uma pergunta que o show deixou ecoando na minha cabeça: quanto daquilo que chamamos de escolha realmente nos pertence?
Entre mentalismo, privilégio, Camus, Sartre e um Skeletor inesperadamente niilista, este episódio é uma tentativa de entender se somos livres ou apenas muito bons em acreditar que somos.
A gente passa a vida buscando respostas, né?
Neste episódio, parto do conceito do absurdo de Albert Camus para refletir sobre dois filmes recentes: Disclosure Day e Backrooms, e sobre o desconforto que sentimos diante de tudo aquilo que parece não ter explicação.
Pelo caminho, encontramos Sísifo, Borges, Kafka, Doctor Who, espaços liminares, corredores vazios e labirintos sem saída. Afinal, por que o absurdo nos fascina tanto?
Quais valores nós escolhemos porque realmente acreditamos neles e quais escolhemos porque exigem menos confronto, menos risco ou menos transformação?
Entre uma memória de infância vendo Ben-Hur com a minha mãe, reflexões sobre Jesus, filmes épicos, preguiça moral, identidade, pertencimento e algumas confissões sobre a minha própria falta de disciplina, tento entender de onde vêm os nossos valores e o que eles realmente custam.
Porque é muito fácil dizer que acreditamos em alguma coisa. Difícil é descobrir o que estamos dispostos a sacrificar por ela.
O quanto daquilo que você acredita, deseja ou valoriza foi escolhido por você e o quanto foi herdado da época em que vive?
Partindo de uma conversa com uma amiga de infância, mergulho numa reflexão sobre os millennials, a busca por propósito, o peso do trabalho na identidade, as amizades escolhidas, a economia das experiências e a sensação de viver entre o mundo analógico e o digital.
Um episódio sobre gerações, mas principalmente sobre a forma como habitamos o nosso tempo.
Outro dia ouvi num podcast uma conversa sobre perguntas que procuram reação em vez de reflexão e isso, é claro, me fez refletir. Talvez porque eu esteja numa fase da vida em que tenho feito cada vez mais perguntas difíceis. Talvez porque o luto tenha mudado a minha relação com o tempo, com a verdade e com a paciência que tenho para fingimentos e certezas confortáveis.
Neste episódio, reflito sobre a diferença entre perguntas que procuram compreender e perguntas que procuram defender posições, sobre o desconforto que surge quando questionamos sistemas, ideias e comportamentos, e sobre a coragem necessária para admitir que podemos estar errados.
Entre filosofia, experiências pessoais e algumas ideias inspiradas por Sócrates e Simone Weil, falo sobre curiosidade, mudança, limites e sobre algo que tenho aprendido nos últimos tempos: uma pergunta reflexiva pode não nos dar uma resposta imediata, mas tem o poder de transformar quem somos.
E talvez a pergunta mais importante de todas não seja dirigida aos outros.
Talvez seja “o que — ou quem — eu estou tentando proteger?”
Prometi um stand-up e acabei falando sobre legislação laboral. Acontece. Depois de ler sobre a greve geral e o pacote laboral em Portugal, comecei a refletir sobre produtividade, contratos a prazo, criatividade e as diferenças entre Portugal e Brasil. O Governo fala em flexibilidade. Os sindicatos falam em precariedade. E eu, no meio disso tudo, comecei a pensar no mercado editorial, na minha vida também como escritora e na estranha ideia de que trabalhar mais significa necessariamente produzir melhor.
Uma reflexão pessoal de uma brasileira a viver em Portugal, tentando compreender um país, um mercado de trabalho e algumas contradições bastante familiares.
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