Nesta edição do Macro Insights, Ricardo França e Maria Clara Negrão comentam o forte desempenho do Ibovespa no período, impulsionado pela entrada relevante de capital estrangeiro, mesmo diante de um cenário fiscal ainda desafiador. A decisão do Banco Central de manter a Selic em 15% veio acompanhada de uma mudança importante no tom do comunicado, reforçando a sinalização de que o início do ciclo de cortes de juros está próximo. Em um ambiente de desaceleração gradual da economia, o debate se concentra na trajetória da Selic para o ano de 2026 e nos impactos desse movimento para os ativos locais.
No cenário global, a elevada incerteza seguiu como pano de fundo, com Donald Trump novamente no centro das atenções. As tensões entre Estados Unidos e Venezuela, incluindo a prisão de Nicolás Maduro e seus desdobramentos sobre a oferta de petróleo, somaram-se ao aumento do risco geopolítico, enquanto o conflito entre Estados Unidos e Irã elevou a aversão ao risco nos mercados globais. Esse ambiente contribuiu para a perda de força do dólar, afetando ativos americanos e abrindo espaço para a valorização de moedas estrangeiras, além da forte alta do ouro e da prata. Investidores passaram a diversificar para outros mercados, beneficiando bolsas latino-americanas, ao mesmo tempo em que o Federal Reserve manteve os juros e adotou um discurso mais firme, refletindo a preocupação com a inflação.
Para o próximo mês, as atenções se voltam para a magnitude do primeiro corte de juros e para as projeções da Selic até o fim de 2026. Apesar da alta recente, as ações brasileiras seguem negociadas a níveis atrativos em comparação a seus pares globais, mantendo o debate sobre oportunidades e alocação nos próximos meses. Já nos EUA, o foco permanece nas decisões do Federal Reserve, no tom da comunicação e nos possíveis impactos sobre o dólar e os fluxos globais.