Nesta edição do podcast Café com Mercado, José Ricardo Rosalen, Renato Chanes e Ricardo França discutem o momento excepcional da Bolsa brasileira, que opera na região dos 190 mil pontos e flerta com novas máximas históricas. O forte fluxo estrangeiro, que já supera R$ 40 bilhões em 2026, tem sustentado o movimento, impulsionado pelo ambiente de dólar mais fraco, valorização do real e destaque das grandes companhias, como Vale e Petrobras. Apesar desse cenário otimista, a economia brasileira dá sinais de desaceleração e o IPCA-15, acima do esperado, reforça a necessidade de seletividade, especialmente em um contexto em que o ciclo de cortes da Selic deve começar.
Nos Estados Unidos, o mercado segue volátil, com avanço das tensões entre Estados Unidos e Irã elevando o prêmio de risco global e influenciando diretamente o preço do petróleo. A política econômica de Trump continua gerando incerteza, enquanto dados recentes indicam uma economia em desaceleração, como o PIB do 4T25 mais fraco e a inflação acima das projeções. Esse cenário mantém o dólar fragilizado e segue estimulando o movimento de realocação de recursos para mercados emergentes, incluindo o Brasil, onde o fluxo estrangeiro permanece consistente.
A próxima semana traz como destaque a divulgação do PIB brasileiro, que pode confirmar o ritmo mais moderado da atividade. Com o investidor doméstico ainda distante da Bolsa, o corte inicial da Selic, esperado para a reunião do Copom em março, pode ser o gatilho para uma maior participação institucional no mercado. A temporada de balanços continua e deve seguir mostrando contrastes importantes, com o setor financeiro em destaque e setores dependentes de crédito ainda operando em ritmo mais fraco. Esse conjunto de informações ajudará a calibrar expectativas sobre os próximos movimentos da Bolsa e se há espaço para o Ibovespa buscar a marca de 200 mil pontos.