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Enquanto negocia com os EUA uma saída contra o tarifaço do Republicano Donald Trump, o governo brasileiro quer, mais do que nunca, parceiros alternativos aos mercados tradicionais. Em duas semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugura sua estratégia de abrir novas frentes econômicas em um contexto de restrições e aumento do protecionismo. Os destinos são Japão e Vietnã, onde desembarca com assessores e empresários para duas visitas de Estado.
Vivian Oswald, correspondente da RFI em Brasília
A ideia é mostrar que o país está em busca de novos parceiros econômicos e comerciais em um período de mais protecionismo e incertezas provocadas justamente pelos anúncios quase que diários de novas tarifas e restrições promovidos pelos EUA. Mas não é só isso. O governo brasileiro quer mostrar que a Ásia é uma rota importante e que ela é maior do que a China. Isso é um recado para os chineses, inclusive, como admitem diplomatas.
As duas viagens têm grande potencial comercial. No Japão, por exemplo, está em jogo a abertura do mercado para carnes bovinas brasileiras, uma prioridade do presidente Lula. As negociações estão em curso e existe a expectativa de que se anunciem os primeiros carregamentos nesta viagem.
Lula será recebido no Palácio Imperial pelo imperador Naruhito, deferência que concede apenas uma vez por ano a chefes de Estado. O brasileiro será o primeiro desde a Covid-19. Representantes de empresas brasileiras, entre elas a JBS, uma das maiores produtoras de carnes do país, participam de fórum na capital japonesa.
O comércio do Brasil com o Japão, país de 120 milhões de habitantes e com enorme comunidade brasileira, está em torno ele US$ 11 bilhões a US$ 12 bilhões por ano. Já foi de US$ 20 bilhões no passado. Lula estará em Tóquio nos dias 25 e 26/03.
O Vietnã é outro país asiático importante. Além de emergente, é também integrante da ASEAN, a associação dos países do sudeste asiático, de quem o Brasil também pretende se aproximar. Existe a perspectiva de que Lula seja convidado a participar da cúpula da ASEAN este ano.
O comércio bilateral com o Vietnã anual é de cerca de US$ 8 bilhões. Parece pouco, mas é maior do que o fluxo que tem com alguns países europeus. Lula já havia sido o primeiro presidente brasileiro a ir ao país em 2007.
A ideia é consolidar as relações. O Vietnã importa do Brasil commodities como soja, milho e algodão, enquanto exporta produtos eletroeletrônicos, pneus, roupas e calçados. Ele estará em Hanói, no Vietnã entre os dias 27 e 28/03.
Esta é a estratégia de diversificar seus mercados, algo que outros países têm feito diante dos avanços de Trump. Mas neste momento, o Brasil ainda negocia com os EUA uma saída para as tarifas de 25% que os passaram a cobrar das importações de aço e alumínio, medida que passou a valer na última quarta-feira e tem como alvo todos os países que vendem esses produtos ao mercado americano.
O Brasil é o seu segundo maior fornecedor e exporta cerca de US$ 3 bilhões por ano. Na semana passada, ficou acertada em reunião entre o vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, e o secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, que seria criado um grupo de trabalho ao nível técnico para discutir a relação.
A primeira reunião virtual deve acontecer nesta sexta-feira. As informações estão na mesa. E a ideia é tentar negociar a suspensão dessas tarifas ou a criação de um regime de cotas, como havia até a semana passada. Ou seja, até um certo número de embarques não incidiria tarifa.
Indústrias complementaresO Brasil quer convencer os americanos, com certa razão, de que as indústrias dos dois lados são muito complementares. O aço brasileiro é essencial para a indústria siderúrgica americana. Mas tudo isso vai ser negociado. O Brasil quer esgotar o canal técnico antes de pensar em retaliar os EUA.
Até porque não se trata apenas de tarifas sobre aço e alumínio. Em breve, Trump deve anunciar o que chamou de plano de reciprocidade tarifária. Vai punir os países que cobram altas taxas dos EUA. No caso brasileiro, ele deu o exemplo do etanol. A taxa americana para o etanol brasileiro é de 2,5%. No lado oposto, é de 18%.
Se o resultado das negociações não for satisfatório, não está descartado o anúncio de retaliações. Mas antes disso, o governo brasileiro quer se certificar de que tentou o caminho técnico. E não é só isso: vai se sentar com setor produtivo para ouvi-lo. Não quer anunciar medidas de reciprocidade que sejam tiros que saiam pela culatra e prejudique as empresas brasileiras. A União Europeia (UE) tentou negociar e acabou anunciado essa semana retaliações que devem punir a indústria americana em 26 bilhões e euros.
By RFI Brasil4
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Enquanto negocia com os EUA uma saída contra o tarifaço do Republicano Donald Trump, o governo brasileiro quer, mais do que nunca, parceiros alternativos aos mercados tradicionais. Em duas semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugura sua estratégia de abrir novas frentes econômicas em um contexto de restrições e aumento do protecionismo. Os destinos são Japão e Vietnã, onde desembarca com assessores e empresários para duas visitas de Estado.
Vivian Oswald, correspondente da RFI em Brasília
A ideia é mostrar que o país está em busca de novos parceiros econômicos e comerciais em um período de mais protecionismo e incertezas provocadas justamente pelos anúncios quase que diários de novas tarifas e restrições promovidos pelos EUA. Mas não é só isso. O governo brasileiro quer mostrar que a Ásia é uma rota importante e que ela é maior do que a China. Isso é um recado para os chineses, inclusive, como admitem diplomatas.
As duas viagens têm grande potencial comercial. No Japão, por exemplo, está em jogo a abertura do mercado para carnes bovinas brasileiras, uma prioridade do presidente Lula. As negociações estão em curso e existe a expectativa de que se anunciem os primeiros carregamentos nesta viagem.
Lula será recebido no Palácio Imperial pelo imperador Naruhito, deferência que concede apenas uma vez por ano a chefes de Estado. O brasileiro será o primeiro desde a Covid-19. Representantes de empresas brasileiras, entre elas a JBS, uma das maiores produtoras de carnes do país, participam de fórum na capital japonesa.
O comércio do Brasil com o Japão, país de 120 milhões de habitantes e com enorme comunidade brasileira, está em torno ele US$ 11 bilhões a US$ 12 bilhões por ano. Já foi de US$ 20 bilhões no passado. Lula estará em Tóquio nos dias 25 e 26/03.
O Vietnã é outro país asiático importante. Além de emergente, é também integrante da ASEAN, a associação dos países do sudeste asiático, de quem o Brasil também pretende se aproximar. Existe a perspectiva de que Lula seja convidado a participar da cúpula da ASEAN este ano.
O comércio bilateral com o Vietnã anual é de cerca de US$ 8 bilhões. Parece pouco, mas é maior do que o fluxo que tem com alguns países europeus. Lula já havia sido o primeiro presidente brasileiro a ir ao país em 2007.
A ideia é consolidar as relações. O Vietnã importa do Brasil commodities como soja, milho e algodão, enquanto exporta produtos eletroeletrônicos, pneus, roupas e calçados. Ele estará em Hanói, no Vietnã entre os dias 27 e 28/03.
Esta é a estratégia de diversificar seus mercados, algo que outros países têm feito diante dos avanços de Trump. Mas neste momento, o Brasil ainda negocia com os EUA uma saída para as tarifas de 25% que os passaram a cobrar das importações de aço e alumínio, medida que passou a valer na última quarta-feira e tem como alvo todos os países que vendem esses produtos ao mercado americano.
O Brasil é o seu segundo maior fornecedor e exporta cerca de US$ 3 bilhões por ano. Na semana passada, ficou acertada em reunião entre o vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, e o secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, que seria criado um grupo de trabalho ao nível técnico para discutir a relação.
A primeira reunião virtual deve acontecer nesta sexta-feira. As informações estão na mesa. E a ideia é tentar negociar a suspensão dessas tarifas ou a criação de um regime de cotas, como havia até a semana passada. Ou seja, até um certo número de embarques não incidiria tarifa.
Indústrias complementaresO Brasil quer convencer os americanos, com certa razão, de que as indústrias dos dois lados são muito complementares. O aço brasileiro é essencial para a indústria siderúrgica americana. Mas tudo isso vai ser negociado. O Brasil quer esgotar o canal técnico antes de pensar em retaliar os EUA.
Até porque não se trata apenas de tarifas sobre aço e alumínio. Em breve, Trump deve anunciar o que chamou de plano de reciprocidade tarifária. Vai punir os países que cobram altas taxas dos EUA. No caso brasileiro, ele deu o exemplo do etanol. A taxa americana para o etanol brasileiro é de 2,5%. No lado oposto, é de 18%.
Se o resultado das negociações não for satisfatório, não está descartado o anúncio de retaliações. Mas antes disso, o governo brasileiro quer se certificar de que tentou o caminho técnico. E não é só isso: vai se sentar com setor produtivo para ouvi-lo. Não quer anunciar medidas de reciprocidade que sejam tiros que saiam pela culatra e prejudique as empresas brasileiras. A União Europeia (UE) tentou negociar e acabou anunciado essa semana retaliações que devem punir a indústria americana em 26 bilhões e euros.

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