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O encontro entre o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca provocou uma onda de análises críticas na imprensa israelense nesta quarta-feira (29). Os principais jornais do país apontam um distanciamento crescente entre os dois líderes e avaliam que Washington busca reafirmar sua liderança na definição da política para o Oriente Médio, reduzindo a influência de Netanyahu nas decisões estratégicas da região.
Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel
A repercussão ganhou destaque nas manchetes dos principais veículos israelenses. O diário Yediot Aharonot afirma que Trump procura deixar claro que a estratégia americana será definida em Washington, e não em Jerusalém, enquanto analistas apontam o isolamento político de Netanyahu diante de uma administração disposta a impor seu próprio ritmo em temas diplomáticos e de segurança. Em editorial, o jornal de oposição Haaretz resumiu o momento ao afirmar que “ainda é cedo para decretar o fim da influência de Netanyahu, mas Israel ocupa agora o banco de trás”.
O encontro, realizado na terça-feira (28), teve o Irã como principal tema das conversas e ocorreu em meio à crescente movimentação política em Israel para as primeiras eleições gerais desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023.
Clima protocolarHavia grande expectativa em relação à conversa na Casa Branca. Mas o oitavo encontro entre Benjamin Netanyahu e Donald Trump terminou com declarações protocolares sobre a aliança entre Israel e os Estados Unidos.
Ao contrário de ocasiões anteriores, que contaram com a presença da imprensa e até sessões de perguntas de jornalistas, desta vez o compromisso foi mais discreto. Também durou menos do que o esperado: cerca de 80 minutos, com a participação de diversos integrantes de alto escalão dos dois governos.
Não houve, portanto, uma conversa reservada entre Netanyahu e Trump, mas uma ampla reunião de trabalho que, segundo informações divulgadas após a visita, teve como foco o Irã e a reafirmação do compromisso conjunto de impedir que o regime iraniano obtenha armas nucleares.
Netanyahu e Trump discutiram também a situação atual do Oriente Médio e a possibilidade de expandir os Acordos de Abraão de forma a que mais países árabes venham a estabelecer relações diplomáticas com Israel.
O encontro anterior entre Netanyahu e Trump aconteceu em 11 de fevereiro, portanto 17 dias antes de Israel e EUA lançarem os ataques contra o Irã que iniciaram a guerra mais recente.
Netanyahu em busca de reforço eleitoralNetanyahu não recebeu nenhum endosso de Trump. Ao contrário, ao ser questionado, o presidente norte-americano chegou a dizer que não sabe se Netanyahu será o primeiro-ministro de Israel após as eleições.
Sobre isso, todas as pesquisas eleitorais em Israel mostram que a atual coalizão de governo não será capaz de obter a maioria mínima de 61 dos 120 assentos do Knesset, o parlamento do país.
Segundo a imprensa israelense, o governo norte-americano já está em contato com nomes da oposição incluindo com alguns dos principais candidatos a substituir Netanyahu, como o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett e o ex-chefe do Estado-Maior do Exército de Israel Gadi Eisenkot, cujo partido aparece na liderança em várias das pesquisas eleitorais.
Relação mais fria com TrumpNetanyahu disse recentemente que, se continuar no cargo, ele é capaz de garantir que o Irã jamais vai produzir armamento nuclear.
Esta declaração também é inserida no contexto de que o líder israelense encontra-se em posição vulnerável diante do público interno justamente na área mais relevante para a população: a segurança.
Netanyahu construiu a sua carreira política tendo como base a consolidação de seu nome para parte da sociedade israelense como o único capaz de garantir solidez e prosperidade por meio da reafirmação do poder militar e da segurança, dois pontos fundamentais numa região hostil – esses fundamentos foram perdidos pelos fatos no terreno a partir dos ataques terroristas do Hamas de 7 de Outubro de 2023.
Um outro aspecto caro a Netanyahu é a imagem de líder internacional com amplo acesso, em especial ao presidente norte-americano.
Em campanha, ele corre para recuperar o que foi perdido: a popularidade interna como líder forte e a aliança com Donald Trump, que tem criticado o primeiro-ministro israelense publicamente sobre ações no Líbano, vazamento de informações sobre o programa nuclear do Irã e até a oposição de Israel à venda pelos EUA de caças F-35 à Turquia.
Uma nova rodada de negociações entre Líbano e IsraelSegundo o acordo alcançado pelos governos de Israel e Líbano sob mediação dos Estados Unidos, Israel se retirou parcialmente da primeira zona-piloto no sul do território libanês.
São três aldeias ocupadas nas quais o Exército de Israel foi substituído pelo Exército regular do Líbano que, por sua vez, tem como missão desarmar o Hezbollah e impedir o retorno da milícia xiita.
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, realizou uma visita oficial a Zawtar al-Gharbiya, uma das aldeias, logo após a retirada parcial de Israel, e hasteou a bandeira nacional libanesa para simbolizar a retomada da soberania sobre a região sul.
No entanto, fontes militares citadas de forma anônima pela imprensa israelense apontam que o Exército do Líbano tem evitado o confronto direto com o Hezbollah.
Já o exército libanês emitiu comunicados formais afirmando que as tropas de Israel continuam realizando bombardeios ocasionais e demolições de casas no território. Segundo Beirute, essas ações impedem fisicamente que os soldados libaneses assumam o controle total da segurança da região.
Na prática, militares israelenses recuaram apenas até as margens exteriores dos vilarejos e mantêm uma faixa de segurança de dez quilômetros no interior do Líbano, condicionando qualquer retirada adicional ao desmantelamento efetivo do Hezbollah.
Em meio a troca de acusações de ambos os lados, autoridades de Israel e do Líbano agendaram uma nova rodada de negociações mediada pelos EUA entre os dias 4 e 6 de agosto, em Roma, com o objetivo de discutir a expansão das zonas de retirada e resolver disputas sobre pontos específicos da fronteira entre os dois países.
By RFI Brasil4
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O encontro entre o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca provocou uma onda de análises críticas na imprensa israelense nesta quarta-feira (29). Os principais jornais do país apontam um distanciamento crescente entre os dois líderes e avaliam que Washington busca reafirmar sua liderança na definição da política para o Oriente Médio, reduzindo a influência de Netanyahu nas decisões estratégicas da região.
Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel
A repercussão ganhou destaque nas manchetes dos principais veículos israelenses. O diário Yediot Aharonot afirma que Trump procura deixar claro que a estratégia americana será definida em Washington, e não em Jerusalém, enquanto analistas apontam o isolamento político de Netanyahu diante de uma administração disposta a impor seu próprio ritmo em temas diplomáticos e de segurança. Em editorial, o jornal de oposição Haaretz resumiu o momento ao afirmar que “ainda é cedo para decretar o fim da influência de Netanyahu, mas Israel ocupa agora o banco de trás”.
O encontro, realizado na terça-feira (28), teve o Irã como principal tema das conversas e ocorreu em meio à crescente movimentação política em Israel para as primeiras eleições gerais desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023.
Clima protocolarHavia grande expectativa em relação à conversa na Casa Branca. Mas o oitavo encontro entre Benjamin Netanyahu e Donald Trump terminou com declarações protocolares sobre a aliança entre Israel e os Estados Unidos.
Ao contrário de ocasiões anteriores, que contaram com a presença da imprensa e até sessões de perguntas de jornalistas, desta vez o compromisso foi mais discreto. Também durou menos do que o esperado: cerca de 80 minutos, com a participação de diversos integrantes de alto escalão dos dois governos.
Não houve, portanto, uma conversa reservada entre Netanyahu e Trump, mas uma ampla reunião de trabalho que, segundo informações divulgadas após a visita, teve como foco o Irã e a reafirmação do compromisso conjunto de impedir que o regime iraniano obtenha armas nucleares.
Netanyahu e Trump discutiram também a situação atual do Oriente Médio e a possibilidade de expandir os Acordos de Abraão de forma a que mais países árabes venham a estabelecer relações diplomáticas com Israel.
O encontro anterior entre Netanyahu e Trump aconteceu em 11 de fevereiro, portanto 17 dias antes de Israel e EUA lançarem os ataques contra o Irã que iniciaram a guerra mais recente.
Netanyahu em busca de reforço eleitoralNetanyahu não recebeu nenhum endosso de Trump. Ao contrário, ao ser questionado, o presidente norte-americano chegou a dizer que não sabe se Netanyahu será o primeiro-ministro de Israel após as eleições.
Sobre isso, todas as pesquisas eleitorais em Israel mostram que a atual coalizão de governo não será capaz de obter a maioria mínima de 61 dos 120 assentos do Knesset, o parlamento do país.
Segundo a imprensa israelense, o governo norte-americano já está em contato com nomes da oposição incluindo com alguns dos principais candidatos a substituir Netanyahu, como o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett e o ex-chefe do Estado-Maior do Exército de Israel Gadi Eisenkot, cujo partido aparece na liderança em várias das pesquisas eleitorais.
Relação mais fria com TrumpNetanyahu disse recentemente que, se continuar no cargo, ele é capaz de garantir que o Irã jamais vai produzir armamento nuclear.
Esta declaração também é inserida no contexto de que o líder israelense encontra-se em posição vulnerável diante do público interno justamente na área mais relevante para a população: a segurança.
Netanyahu construiu a sua carreira política tendo como base a consolidação de seu nome para parte da sociedade israelense como o único capaz de garantir solidez e prosperidade por meio da reafirmação do poder militar e da segurança, dois pontos fundamentais numa região hostil – esses fundamentos foram perdidos pelos fatos no terreno a partir dos ataques terroristas do Hamas de 7 de Outubro de 2023.
Um outro aspecto caro a Netanyahu é a imagem de líder internacional com amplo acesso, em especial ao presidente norte-americano.
Em campanha, ele corre para recuperar o que foi perdido: a popularidade interna como líder forte e a aliança com Donald Trump, que tem criticado o primeiro-ministro israelense publicamente sobre ações no Líbano, vazamento de informações sobre o programa nuclear do Irã e até a oposição de Israel à venda pelos EUA de caças F-35 à Turquia.
Uma nova rodada de negociações entre Líbano e IsraelSegundo o acordo alcançado pelos governos de Israel e Líbano sob mediação dos Estados Unidos, Israel se retirou parcialmente da primeira zona-piloto no sul do território libanês.
São três aldeias ocupadas nas quais o Exército de Israel foi substituído pelo Exército regular do Líbano que, por sua vez, tem como missão desarmar o Hezbollah e impedir o retorno da milícia xiita.
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, realizou uma visita oficial a Zawtar al-Gharbiya, uma das aldeias, logo após a retirada parcial de Israel, e hasteou a bandeira nacional libanesa para simbolizar a retomada da soberania sobre a região sul.
No entanto, fontes militares citadas de forma anônima pela imprensa israelense apontam que o Exército do Líbano tem evitado o confronto direto com o Hezbollah.
Já o exército libanês emitiu comunicados formais afirmando que as tropas de Israel continuam realizando bombardeios ocasionais e demolições de casas no território. Segundo Beirute, essas ações impedem fisicamente que os soldados libaneses assumam o controle total da segurança da região.
Na prática, militares israelenses recuaram apenas até as margens exteriores dos vilarejos e mantêm uma faixa de segurança de dez quilômetros no interior do Líbano, condicionando qualquer retirada adicional ao desmantelamento efetivo do Hezbollah.
Em meio a troca de acusações de ambos os lados, autoridades de Israel e do Líbano agendaram uma nova rodada de negociações mediada pelos EUA entre os dias 4 e 6 de agosto, em Roma, com o objetivo de discutir a expansão das zonas de retirada e resolver disputas sobre pontos específicos da fronteira entre os dois países.

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