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É, provavelmente, das mulheres mais inspiradoras do mundo. Disponível, vulnerável, forte, confiante – é o exemplo real da sororidade. Bia Ferreira é uma mulher sem medo.
Cantora, compositora, multi-instrumentista, produtora e ativista, Bia Ferreira começou a alimentar o seu amor pela música com apenas 3 anos. Ao crescer e tomar consciência dos movimentos e coletivos de luta negra e anti-racista, Bia Ferreira escolheu fazer música com propósito e deu um nome à sua arte: chamou-lhe MMP: Música de Mulher Preta. Criou a sua igreja: um lugar simbólico do amor e da verdade, e assim, passou a comunicar, consciencializar e informar.
Falámos há uns tempos, via zoom, na escala de um voo para São Paulo, no Brasil. No aeroporto, entre os minutos contados, falámos disto de ser mulher hoje em dia.
Naquela que é a primeira conversa FEMINA que liga Portugal ao Brasil, Bia Ferreira fala da sua essência, do que a move todos os dias, do que podemos fazer para alimentar um mundo melhor para todos e do que lhe dá fé: a força para viver num país onde a realidade das mulheres é, acima de tudo, violenta e chocante.
O que nos une? O que nos oprime a todas? Como olhamos para a nossa união feminina, num mundo que procura o oposto? Bia Ferreira dá o exemplo, numa das mais bonitas conversas sobre amor, união, igualdade e liberdade. Nas sugestões culturais, deixa o disco “Afrofuturista” de Ellen Oléria.
É uma das novas vozes femininas do momento, uma mulher de ideais e da escrita de canções.
Natural de Sesimbra, Constança Quinteiro decidiu, há uns anos, mudar de vida. Despediu-se de uma carreira em Marketing, encontrou o amor, focou-se na música, mudou-se para Londres e assim, trabalhando pelo seu instinto, acabou por se descobrir enquanto artista.
Uma jornada bonita que deu origem ao seu EP de estreia “Aventurina”: um conjunto de canções pop marcado por uma forte influência de sonoridades lusófonas, editado no final de 2021.
Ao mesmo tempo, foi mãe pela primeira vez.
Constança Quinteiro é um caso de sucesso que nos confirma que arriscarmos em nós mesmas compensa, nem que seja pela felicidade radiante que se apodera de nós e da nossa criação. Empoderada e pronta para tudo – assim é Constança Quinteiro.
No FEMINA, Constança sugere os livros “Just Kids” de Patti Smith e “Mo’ Beta Blues” de QuestLove. Ainda o disco “Sereia Louca” de Capicua; o filme “Tick Tick… Boom” (Netflix) e a série “Euphoria” (HBO).
Nasceu no Porto, em 1988. Quis ser jornalista, mas foi o teatro que ganhou um espaço maior no seu coração, fazendo-a compreender as dimensões incríveis da liberdade do palco e das possibilidades da alma.
Teresa Coutinho – atriz, encenadora, dramaturga – fez e apresentou o seu primeiro espectáculo autobiográfico: algo que se traduz num lugar (real e simbólico) onde explora as dimensões e conceitos do feminino, da cultura do silêncio, das mulheres que vivem em nós e das heranças que trazemos connosco.
Foi na sua cidade berço que conversámos, antes de Teresa subir ao palco do Teatro Campo Alegre com este seu espectáculo, a que chamou “Solo”.
Como inspiração, para o espectáculo e para a nossa conversa – Teresa Coutinho cita Virgina Woolf e ainda Friedrich Nietzsche, numa das suas mais bonitas considerações sobre o amor.
Nas referências culturais, Teresa Coutinho sugere o filme “A Metamorfose dos Pássaros” de Catarina Vasconcelos; os livros “Vista Chinesa” de Tatiana Salem Levy e “In The Eye of the Wild” de Nastassja Martin. Também o disco novo de Anna B Savage: “A Common Turn” e a música “Espalhem a Notícia” de Sérgio Godinho.
Ana Deus é uma mulher da música e das palavras.
Nasceu em Santarém, em 1963. Recorda-se de uma infância feliz e bem frequentada: havia fábricas de gelados, bolos-reis e amêndoas da Páscoa na vizinhança; também castanhas e farturas por perto, e ainda um armazém de marmelada no rés-do-chão do prédio.
No meio de tudo isto, Ana Deus brincava ao Festival da Canção, cantando para a vizinhança, nos terraços. Talvez por isso – diz ela, lhe oferecessem tanto.
Uma vizinhança de amor para acolher uma voz que ainda hoje se assume incrível, cristalina, potente. Das memórias, Ana também recorda o amor do pai pela guitarra e as sessões familiares em que cantava, acompanhando com a sua voz, as canções que o pai tocava.
Ser criança é fácil. Crescer trouxe-lhe, no entanto, o confronto com a misoginia e a consciência de um ambiente tóxico reflexo de um país preso no machismo dos anos 60.
Ana saiu de Santarém, depois da morte da mãe. Nunca mais voltou.
Foi para a cidade mais longe que encontrou no mapa: o Porto – cidade que a acolheu e lhe trouxe a família que escolheu. Podemos encarar o ato como uma inspiração divina: um eco musical atraiu-a através da música dos GNR e de Rui Veloso que vinha do Porto nessa altura.
Ana Deus, a mulher que triunfa na música portuguesa – primeiro nos Ban, depois nos Três Tristes Tigres e mais recentemente, também no projeto Osso Vaidoso – diz-se perita em tropeçar no erro e com consciência da sua auto-censura. Sugere o livro “De Nada” de Alberto Pimenta; o disco “The Way Out” (The Books) e o espectáculo “Shakespeare Sonette” de Robert Wilson, Rufus Wainwright & The Berliner Ensemble. Este episodio foi gravado ao vivo, no Maus Hábitos, no Porto, a 24 de Janeiro de 2022.
Conhecemo-la há muito, já lá vão mais de duas décadas, sempre a animar-nos diariamente na rádio.
Neste momento, podemos encontrá-la na Rádio Comercial como metade da dupla de sucesso do programa “Já se Faz Tarde” e também no podcast “Cada Um Sabe de Si”.
Diz-se idealista, sonhadora, impulsiva. Mas quer ser, acima de tudo, uma melhor mulher do que ontem. Afortunada e orgulhosa das suas conquistas, Joana Azevedo diz-se em aprendizagem e a procurar ver as suas vulnerabilidades como forças. Traz na sua herança dois pilares marcantes: a submissão e a independência; mas a melhor coisa que sabe sobre si, hoje, é a de que precisa do outro: do companheirismo, do amor, do afecto. É uma “individualista em desconstrução”.
No FEMINA, Joana Azevedo lê as palavras de Ijeoma Umebinyuo no livro “Questions for Ada”, sugere a música de Manel Cruz “O Navio Dela”, o filme “Kramer vs. Kramer”, a série “I May Destroy You” (HBO) e o livro “O Poder” de Naomi Alderman.
Elisa tem 22 anos, mas a música já lhe deu mais mundo do que possam imaginar.
De coração terno, voz doce e palavras sinceras, Elisa foi vencedora do Festival da Canção em 2020 e apesar do stress colateral, da pressão iminente e da ascensão imediata, a sua sensibilidade não se alterou e o sua vontade de crescer só aconteceu sendo intrinsecamente fiel a si mesma.
Editou em Novembro o seu primeiro disco a solo. Chama-se “No Meu Canto” e é um retrato da sua experiência de bondade, origens, família, aceitação e simplicidade.
No FEMINA, com Vanessa Augusto, Elisa cita o amor dos Beatles: “And in the end, the love you take is equal to the love you make”. Sugere a série “The Crown” (Netflix); a literatura de Amor Towles (“Um Gentleman em Moscovo” e “As Regras da Cortesia”) e o disco “Abbey Road” dos Beatles.
Define-se como aventureira, uma mulher de correr riscos, de se experimentar.
Pauliana Valente Pimentel é artista, fotojornalista, fotógrafa há mais de vinte anos. É uma mulher que cresceu em liberdade, que se fez sem medo do medo.
É uma mulher que arrisca e que nos instiga a arriscar, que nos aconselha no risco de criar, de ser e de fazer acontecer. Talvez por isso, ou por causa disso – a curiosidade seja a palavra que a define.
Pauliana Valente Pimentel diz que ainda está a conquistar o seu lugar na arte. Está cada vez mais perto de encontrar a sua voz e de construir o seu legado.
No FEMINA, com Vanessa Augusto, Pauliana Valente Pimentel lê o poema “Sul” de Ana Freitas Reis, retirado do livro “Cordão”. Sugere ainda o livro “Girl, Woman, Other” de Bernardine Evaristo; o disco “Carnage” de Nick Cave & Warren Ellis e o filme “A Metamorfose dos Pássaros” de Catarina Vasconcelos.
Mariza Seita é uma artista que usa a pele dos outros como a sua tela. É tatuadora, é ilustradora e, recentemente, decidiu levar a sua arte mais longe, editando a Agenda Intemporal Linda e Maravilhosa – um suporte em papel da sua missão positiva no mundo e na luta pelo amor-próprio.
Quer ser uma voz amiga para as outras mulheres – e ser, para os outros, a pessoa que gostava de ter tido enquanto crescia. A sua maior conquista: ser independente profissionalmente; ter o seu próprio estúdio de tatuagem e fazer valer a sua arte – num meio onde ser homem é mais valorizado e respeitado que ser mulher.
Desde há uns anos, Mariza tem uma missão: ajudar a devolver a auto-estima a mulheres que passaram por cancro da mama, tatuando-lhe os mamilos, sem qualquer contrapartida. (Para mais informações, contactar a Mariza em @marizaseitatattoo no Instagram).
No FEMINA, Mariza Seita cita Álvaro de Campos em “Poemas”. Sugere o cinema de Quentin Tarantino, Wes Anderson ou Tim Burton e ainda os clássicos “La vita è bella” de Roberto Benigni ou “The Godfather” de Francis Ford Coppola. É apaixonada pela música de Nancy Sinatra ou Brigitte Bardot e pela “Moonlight Sonata” de Beethoven. No teatro, destaca o musical “The Phantom of the Opera”, um clássico de 1986 (de Andrew Lloyd Webber, baseado no romance de Gaston Leroux).
Francisca Camelo é escritora, poeta, amante das palavras. Nasceu no Porto, já viveu em Berlim e passou, entretanto, por tantos outros lugares.
É uma das vozes contemporâneas a reter, tendo assinado recentemente a obra “A Importância do Pequeno-Almoço”, um livro assumidamente feminista, político, sobre a condição de ser mulher.
A sua melhor aprendizagem? Não se esquecer de se ir reinventando. E fazer ouvir a sua voz. O seu maior orgulho: a resiliência.
No FEMINA, Francisca Camelo lê excertos do ensaio “Poetry Is Not a Luxury”, de Audre Lorde. Sugere o livro “Mrs Dalloway” de Virgina Woolf; o disco “Não Se Deitam Comigo Corações Obedientes” d’A Naifa; o filme “The Hours” de Stephen Daldry e ainda a série “I May Destroy You” (HBO).
Nasceu no Porto nos anos 80, descobriu a cultura Hip Hop nos anos 90 (primeiro pelo Grafitti e depois pela música), passando de ouvinte a aprendiz de Rapper nos anos 00.
Diz-se rapper militante e é conhecida pela sua escrita exímia, emotiva, inteligente.
Capicua é uma artista que tem vindo, ao longo dos anos, a conquistar a sua comunidade – fazendo nascer novos públicos, chegando a mais corações e chegando também a mais mulheres. É uma referência para as novas gerações e uma mulher que nunca quis a única, nunca quis ser a primeira, nunca quis ser sozinha. Diz-se brava, “mais Mafalda que Susaninha”, orgulhosa de si mesma – do seu caminho e da sua discografia.
Capicua lê um excerto da obra “A Invenção Ocasional” de Elena Ferrante; sugere o livro “Tudo o que já nadei” de Letrux; o disco “Meu Coco” de Caetano Veloso e canção “Autoacalanto”; o espectáculo “O Pranto de Maria Parda” (com encenação de Miguel Fragata e interpretação de Cirila Bosuet) e o filme “La vita davanti a se” (Netflix) de Eduardo Ponti, com Sophia Loren.
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