Ilustríssima Conversa

Ilustríssima Conversa

By Folha de S.PauloSociety & CultureNewsArts
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Ilustríssima Conversa episodes

  • Juliano Spyer: O que explica o crescimento evangélico no Brasil

    Muito se falou sobre os evangélicos nos últimos anos —talvez, com ainda mais força, desde o governo Bolsonaro, quando bispos e pastores viraram personagens onipresentes da cobertura política.

    No entanto, para Juliano Spyer, antropólogo e colunista da Folha, persiste um desconhecimento sobre o mundo dos crentes ou um preconceito deliberado, que associa à fé evangélica à manipulação de pessoas desesperadas e minimiza a importância do segmento na definição dos rumos do Brasil.

    Neste episódio, Spyer apresenta uma espécie de guia para entender o fenômeno evangélico no Brasil, o mesmo espírito do livro "Crentes: Pequeno Manual sobre um Grande Fenômeno", publicado em coautoria com Guilherme Damasceno e Raphael Khalil.

    Na entrevista, o pesquisador diz que o segmento é muito heterogêneo —e precisa ser visto a partir da sua multiplicidade— e aponta as raízes do forte crescimento das igrejas evangélicas no Brasil nas últimas décadas.

    Spyer também discute a LGBTfobia e o machismo nas igrejas e fala sobre a dificuldade da esquerda em dialogar com o público evangélico.

    • Produção e apresentação: Eduardo Sombini
    • Edição de som: Raphael Concli

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    45 min
  • Arlene Clemesha: Judaísmo vive crise de consciência com genocídio em Gaza

    Arlene Clemesha, professora de história árabe da USP, é uma das mais conhecidas vozes críticas à ofensiva militar de Israel em Gaza e, de forma mais geral, ao sionismo, a ideologia política de defesa do Estado judeu no Oriente Médio.

    Em "Marxismo e Judaísmo: História de uma Relação Difícil", o foco da sua análise, no entanto, é outro: a historiadora se volta a como movimentos marxistas e socialistas lidaram com a questão judaica até as vésperas da Primeira Guerra Mundial, período em que o antissemitismo tinha feições diferentes e o sionismo, menos força.

    Na entrevista, Clemesha fala sobre as transformações do antissemitismo nos séculos 19 e 20 e defende que a necessária condenação desse tipo de preconceito não deve ser usada para silenciar críticos de Israel.

    A pesquisadora diz considerar que o país está cometendo um genocídio de palestinos na Faixa de Gaza e explica por que pensa que a solução de um só Estado, que una israelenses e palestinos, pode até ser o caminho mais simples para a paz na região —lembrando que, hoje, qualquer proposta parece completamente irrealizável.

    Israel nega as acusações de genocídio contra palestinos. Em defesa na Corte Internacional de Justiça, o país declarou que uma guerra trágica está em curso na Faixa de Gaza, não um genocídio, e que acusar Israel desse crime é uma leitura distorcida do direito internacional.

    • Definição de antissemitismo da IHRA (Aliança Internacional para a Memória do Holocausto)
    • Declaração de Jerusalém sobre o Antissemitismo

     

    • Produção e apresentação: Eduardo Sombini
    • Edição de som: Raphael Concli

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    54 min
  • Sérgio Costa: Esquerda precisa oferecer imagem de mundo melhor

    Muito já foi escrito sobre os rumos da política brasileira nas últimas décadas. Encontrar um ângulo original de análise é talvez um dos maiores desafios para quem se dedica a esse campo de pesquisa.

    Sérgio Costa, professor de sociologia da Universidade Livre de Berlim e codiretor do Mecila, centro de pesquisas sobre convivialidade e desigualdade na América Latina, buscou um caminho tentando analisar, ao mesmo tempo, as mudanças —ou os medos que cercam possíveis mudanças— nas hierarquias sociais e as escolhas eleitorais de pessoas e grupos.

    No recém-lançado "Desiguais e Divididos: uma Interpretação do Brasil Polarizado", Costa entrelaça as dimensões de gênero, raça, renda e sexualidade para pensar as desigualdades brasileiras e constrói uma narrativa ampla da tumultuada história política recente do país, desde o governo Lula 1.

    • Produção e apresentação: Eduardo Sombini
    • Edição de som: Raphael Concli

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    48 min
  • Lenin Bicudo: Por que a homeopatia ainda é popular no Brasil

    No Brasil, se consultar com um homeopata ou tomar "bolinhas" de homeopatia para lidar com alguma condição médica não é incomum.

    Também é comum se deparar com questionamentos sobre a eficácia da homeopatia. Mas o que explica a sobrevivência da prática ao longo de séculos de forte avanço da chamada medicina tradicional —e por que tantos médicos e pacientes se engajam com a homeopatia, apesar de não haver comprovação de que os glóbulos funcionem?

    Essas questões estão no cerne de "Cultura Homeopática: uma Investigação sobre a Comunicação do Desconhecimento", livro recém-lançado do sociólogo Lenin Bicudo Bárbara.

    Doutor pela USP, Bicudo discute neste episódio as bases da homeopatia e apresenta os principais marcos da sua história no Brasil, como a aproximação com o espiritismo kardecista, o papel de generais no reconhecimento da homeopatia como especialidade médica e as estratégias usadas para preservar a legitimidade da prática e o mercado de seus profissionais.

    • Produção e apresentação: Eduardo Sombini
    • Edição de som: Lucas Monteiro

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    42 min
  • Juliana Belo Diniz: Transtornos psiquiátricos não são doenças do cérebro

    O Ilustríssima Conversa deste sábado (22) recebe a pesquisadora Juliana Belo Diniz, que atua como psiquiatra clínica e psicoterapeuta no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

    Diniz é autora de "O que os psiquiatras não te contam", com lançamento em março pela editora Fósforo. No livro, a especialista em pesquisa clínica por Harvard e doutora em psiquiatria pela USP questiona o senso comum sobre os transtornos mentais. Entre eles, o de que seriam resultado de mau funcionamento do cérebro ou de que a especialidade médica se resume a prescrever antidepressivos, calmantes, estimulantes e antipsicóticos.

    "O conceito de doença não nasce do problema biológico. Não precisa ter algo errado com seu cérebro para a gente dizer que isso é uma doença. Eu defendo que depressão e ansiedade são doenças, porque existem pessoas que sofrem com elas, e que procuram ajuda médica para esse sofrimento, mas não quer dizer que o cérebro delas esteja funcionando errado", a autora afirma no podcast.

    Produção e apresentação: João Rabelo
    Edição de som: Raphael Concli

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    45 min
  • Juliana Dal Piva: Militares mataram Rubens Paiva de diferentes maneiras

    O episódio deste sábado (8) do Ilustríssima Conversa recebe a jornalista e pesquisadora Juliana Dal Piva, autora de "Crime Sem Castigo: Como os Militares Mataram Rubens Paiva" (editora Matrix).

    O livro traça um panorama das informações disponíveis sobre o assassinato do ex-deputado e revela o esforço jornalístico para encadear descobertas da investigação que levou à identidade dos culpados.

    Na entrevista, Dal Piva explica como os rastros deixados em documentos históricos ajudaram a expor mentiras em depoimentos e a desmontar a versão criada pelos militares para justificar o “desaparecimento”.

    A história de Eunice Paiva, esposa de Rubens, e sua luta por posicionamentos do Estado brasileiro sobre o crime contra o marido são o tema de "Ainda Estou Aqui", filme com três indicações ao Oscar e que já rendeu a Fernanda Torres o Globo de Ouro de melhor atriz.

    Produção e apresentação: João Rabelo
    Edição de som: Raphael Concli

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    51 min
  • Leonardo Weller: Direita brasileira deixou de conter extremistas

    O Ilustríssima Conversa recebe nesta semana o historiador Leonardo Weller, professor da FGV São Paulo.

    Weller é coautor, com Fernando Limongi, de “Democracia Negociada: Política Partidária no Brasil da Nova República”. O livro analisa os pilares do sistema político brasileiro e oferece uma interpretação de momentos-chave da história do país das últimas décadas, como a aprovação da Constituição de 1988 e o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

    Na entrevista, Weller explica por que o livro defende que a construção de consensos caracteriza melhor o funcionamento da política brasileira que o embate aberto entre forças antagônicas.

    O pesquisador também fala sobre os fatores por trás do que chama do período glorioso da Nova República, os quase 20 anos de governos federais do PSDB e do PT.

    • Produção e apresentação: Eduardo Sombini
    • Edição de som: Raphael Concli

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    49 min
  • Lattes pagou o preço de ser cientista brasileiro, dizem biógrafos

    No fim da década de 1940, Cesar Lattes tinha pouco mais de 20 anos, mas já vivia anos de glória. Pouco tempo depois de chegar a Bristol, na Inglaterra, ele se firmou como um figura-chave na pesquisa sobre o méson pi, uma nova partícula atômica, descoberta que rendeu o Prêmio Nobel de Física a Cecil Powell, chefe do laboratório em que trabalhou.

    O próprio Lattes recebeu sua primeira indicação ao Nobel em 49, e a reputação internacional transformou o físico nascido em Curitiba e formado pela USP em um inesperado cientista-celebridade no Brasil.

    Comprometido a voltar ao país e usar suas credenciais para impulsionar a física brasileira, Lattes recusou convites de universidades de ponta no exterior e logo se viu mergulhado em um cipoal de burocracia, falta de recursos e instabilidade política, que culminou com um caso de corrupção, denunciado por ele, no CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas), instituição que tinha se empenhado em criar.

    Aos 30 anos, o físico enfrentou um episódio de depressão que o obrigou a abandonar o trabalho e ir se tratar nos Estados Unidos. Tanto o diagnóstico quanto o tratamento eram muito mais frágeis que hoje, mas Lattes se deparava com os sintomas do transtorno bipolar.

    No centenário do seu nascimento, comemorado em 2024, o livro "Cesar Lattes, uma Vida: Visões do Infinito" revisita a trajetória extraordinária de um dos mais importantes cientistas brasileiros da história. A obra é assinada por Marta Góes e Tato Coutinho e tem organização de Maria Cristina Lattes Vezzani, a segunda filha do físico, e Jorge Luis Colombo.

    Góes e Coutinho, convidados deste episódio, lançam luz sobre a importância de Lattes em momentos cruciais da física do século passado, mencionam seus embates com o transtorno bipolar ao longo da vida e o situam nas tramas políticas e da ciência brasileira das décadas em que viveu.

    • Produção e apresentação: Eduardo Sombini
    • Edição de som: Raphael Concli

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    45 min
  • O que explica o boom da psicanálise na ditadura militar, segundo autor

    Além de sobreviver ao regime militar, a psicanálise brasileira floresceu durante a ditadura. Esse aparente paradoxo foi um dos pontos de partida da pesquisa de doutorado de Rafael Alves Lima, professor colaborador da USP.

    O trabalho, publicado sob o título "Psicanálise na Ditadura (1964-1985)", compõe uma história do campo psicanalítico do país nessas três décadas, além de investigar sua configuração às vésperas do golpe de 1964.

    O pesquisador discute, por exemplo, as estratégias que um grupo de psicanalistas de São Paulo empregou para projetar uma imagem de prestígio e questiona o conformismo que dominou boa parte dos consultórios durante a ditadura, apesar de os militares não enxergarem os psicanalistas como uma ameaça.

    Neste episódio, o autor aborda a imagem pop de Freud e da psicanálise no Brasil em pleno regime militar e debate a hipótese de que o boom do campo nos anos 1970 está relacionado a mudanças mais amplas nas formas de nomear o sofrimento psíquico: em uma sociedade que se transformava muito intensamente, a psicanálise e outras terapias ofereciam uma nova gramática tanto para conceber o mundo quanto para se entender nele.

    • Produção e apresentação: Eduardo Sombini
    • Edição de som: Raphael Concli

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    52 min
  • Ernesto Rodrigues: Globo foi mais espelho do Brasil que Grande Irmão

    Ernesto Rodrigues, que acaba de lançar o primeiro volume de uma trilogia sobre a história da Rede Globo, diz não acreditar em isenção no jornalismo. Para ele, um esforço sincero para apresentar as várias interpretações de um acontecimento é o melhor caminho.

    O autor afirma ter se guiado por esse princípio ao escrever sobre os quase 60 anos da Globo, a partir, principalmente, dos depoimentos do acervo institucional da emissora.

    O retrato que surge do primeiro livro, "Hegemonia: 1965-1984", é mais comedido que outros trabalhos sobre a Globo. Rodrigues narra, o imbróglio relacionado ao acordo com o grupo americano Time-Life, o alinhamento de Roberto Marinho com a ditadura militar e a parcialidade em coberturas históricas, como as greves do ABC e o comício na praça da Sé em janeiro de 1984.

    O jornalista, por outro lado, recusa a ideia de orquestração deliberada para manipular a opinião pública do país. Em sua opinião, a Globo foi, ao longo da sua história, mais espelho do Brasil, tanto na dramaturgia quanto no noticiário, que um Grande Irmão que tentou dominar a mente dos brasileiros.

    • Produção e apresentação: Eduardo Sombini
    • Edição de som: Lucas Monteiro

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    48 min

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A equipe de jornalistas da Ilustríssima, da Folha, entrevista autores de livros de não ficção ou de pesquisas acadêmicas.

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