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Líderes da UE debatem dívida comum e problema de competitividade do bloco em encontro na Bélgica


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Os líderes dos 27 países-membros da União Europeia se reúnem nesta quinta‑feira (12), na Bélgica, para acelerar as reformas destinadas a recuperar a competitividade da economia do bloco. Em meio a discordâncias internas, os chefes de Estado e de governo buscam caminhos para impulsionar o crescimento, reduzir os custos de energia e gerar novos investimentos.

Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas

O encontro acontecerá no charmoso castelo de Alden Biesen, na Bélgica, uma antiga fortaleza militar medieval. Convocado por António Costa, presidente do Conselho Europeu, o chamado “retiro informal” dos chefes de Estado e de governo da União Europeia não segue o formato tradicional das cúpulas realizadas na sede da instituição, na capital belga.

A reunião não prevê a adoção de medidas formais, mas uma discussão sobre os próximos passos do bloco em meio às pressões crescentes da indústria e às divergências entre as principais potências do continente. Ela ganhou o apelido de “Cúpula de Draghi”, já que conta com a presença do ex-presidente do Banco Central Europeu e ex-primeiro-ministro italiano, Mario Draghi.

O objetivo é discutir propostas com base no relatório de competitividade elaborado por Draghi, que alerta para o fraco crescimento econômico da Europa, além do impacto persistente dos altos preços da energia sobre empresas e consumidores e da perda de terreno em relação aos Estados Unidos e à China.

Dívida conjunta

Apesar do consenso sobre a necessidade de fortalecer a economia europeia, há divergências profundas sobre como financiar essa nova fase de investimentos.

A França defende uma estratégia mais ambiciosa, com a possibilidade de criação de uma nova dívida conjunta europeia, nos moldes do fundo de recuperação adotado durante a pandemia de Covid‑19. Paris argumenta que, sem recursos robustos e compartilhados, a União Europeia não conseguirá competir com os subsídios massivos oferecidos por outras potências globais. A proposta é endossada por Mario Draghi, mas enfrenta resistência nas reuniões do Conselho.

Já a Alemanha, com apoio da Itália, rejeita a ideia de uma nova dívida comum e adota uma postura mais cautelosa, centrada na disciplina fiscal. O chanceler alemão Friedrich Merz e a primeira‑ministra italiana, Giorgia Meloni, apresentaram no mês passado um plano de ação para impulsionar a economia europeia, com foco na indústria e na simplificação regulatória dentro do bloco.

Com 27 Estados‑membros, liderados por governos de diferentes orientações políticas e prioridades nacionais, a União Europeia enfrenta negociações complexas em praticamente todos os temas estratégicos. Quando o consenso demora, as decisões também atrasam. Essa morosidade é vista por empresários e analistas como um dos principais obstáculos à competitividade europeia, especialmente em um cenário de forte concorrência global, em que a agilidade é fator determinante.

Um exemplo emblemático é o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. As negociações se arrastaram por décadas, atravessaram disputas internas e ainda enfrentam incertezas jurídicas e políticas, incluindo questionamentos no Parlamento Europeu. O caso ilustra como a dificuldade de consenso pode retardar decisões estratégicas.

O mesmo impasse aparece em outros dossiês sensíveis, como o uso de ativos russos congelados para financiar a Ucrânia, a definição de metas climáticas mais ambiciosas e os investimentos em defesa.

Europa “a duas velocidades”

Diante das dificuldades para avançar com unanimidade, cresce o debate sobre modelos alternativos de integração. Mario Draghi defendeu recentemente uma abordagem mais federalista e “pragmática” para o bloco, com maior foco no interesse coletivo. Na mesma linha, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, voltou a defender a ideia de uma “Europa a duas velocidades”.

A proposta permitiria que um grupo menor de países avance mais rapidamente em determinadas áreas, por meio de acordos próprios, enquanto os demais seguiriam no seu ritmo. Na prática, o modelo poderia acelerar projetos estratégicos e permitir respostas mais rápidas às crises econômicas e geopolíticas.

Por outro lado, críticos alertam que a estratégia pode aprofundar divisões internas e levar a uma União Europeia mais fragmentada, com países integrados em níveis diferentes. O desafio dos líderes reunidos na Bélgica é justamente encontrar um equilíbrio entre eficiência e unidade. A questão central é saber se o bloco conseguirá ganhar agilidade sem comprometer sua coesão — um dilema que deve marcar os próximos passos da integração europeia

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