Malhete Podcast

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By Luiz Sérgio F. CastroHistory
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  • MAÇONARIA ESPECULATIVA EM SEUS PRIMÓRDIOS: INFLUÊNCIAS JUDAICAS (I)

    “Nossas lendas e nossas tradições bíblicas sobre o

    Templo já existiam muito tempo antes do ingresso dos especulativos na Ordem.
    Embora a iniciativa de se fazerem exposições de modelos do Templo de Salomão na
    Inglaterra não fosse de origem maçônica, a verdade é que estes fatos  aconteceram exatamente no período que
    antecedeu e que sucedeu à formação da Grande Loja de Londres e despertou,
    sobremaneira, o interesse dos maçons que puderam ver em maquetes todos os
    detalhes arquitetônicos e a distribuição de utensílios sagrados que compunham aquele
    edifício religioso e que certamente serviu também para elaborar os rituais da novel
    instituição.” (Name, 1988, pág. 197)

    22 min
  • A HISTÓRIA DO DILÚVIO
    Nos primórdios da Maçonaria moderna, havia uma corrente intelectual que visava o retorno às fontes, seguindo as redescobertas dos antigos pensamentos do Renascimento.
    Foi nessa época que um bispo inglês calculou, a partir do relato do Gênesis, a data da criação do mundo em 4.004 anos a.C. Os maçons assumiram esta datação para calcular o ano da verdadeira luz.
    Não se tratava, então, de questionar a veracidade do relato do dilúvio, bem como de outros eventos descritos na Bíblia desde a criação do mundo. Estávamos então em uma leitura literal. Essa mesma leitura ainda vigora entre os fundamentalistas protestantes, os famosos criacionistas. Foi assim que pseudocientistas norte-americanos procuraram pistas geológicas para uma inundação por volta de 2300 a.C. e escavaram o Monte Ararat na fronteira turco-armênia para ver se havia restos da Arca de Noé!
    Há algumas coisas incríveis em Gênesis. Por exemplo, a idade de nossos ancestrais: no nascimento de Lamek, o pai de Noé, em 914 da verdadeira luz, Adão e todos os seus descendentes ainda estão vivos; e em 1989 ano da verdadeira luz, 300 anos após o dilúvio, no nascimento de Abraão, Noé ainda está vivo com todos os seus descendentes ao longo de 10 gerações.
    Obviamente, no final do século XIX, com o desenvolvimento do pensamento cientificista, tudo isso parecerá muito rebuscado, como toda a história contada no Gênesis, que então se tratou de rejeitar, como todas as crenças religiosas.
    Mas, ao mesmo tempo, também começaram a ocorrer leituras da história do Gênesis, além das literais ou religiosas, inclusive leituras simbólicas. Os estudiosos da Bíblia também começaram a descobrir que o Gênesis havia sido recomposto em Jerusalém no retorno do exílio justamente na Babilônia. É por isso que não foi nenhuma surpresa quando se descobriu nas tábuas de argila sumérias que a história do dilúvio da Bíblia tem uma notável semelhança com uma história babilônica muito mais antiga.
    Vou ler alguns elementos traduzidos do texto sumério, que os lembrarão fortemente dos elementos que todos vocês conhecem do relato bíblico.
    “Enlil, o rei soberano dos deuses superiores, criou os homens moldando 7 machos e 7 fêmeas de barro umedecido com o sangue de um deus inferior. Os homens se multiplicaram tanto que no final se tornaram barulhentos e fizeram Enlil perder o sono, que furioso decidiu exterminá-los.
    “Ea, deus superior próximo a Enlil, conselheiro muito sábio, sabia que não era necessário fazer desaparecer os homens que alimentavam os deuses. Ele então avisa o Supersábio, um homem com grande autoridade sobre seus companheiros. Ele o ensina a superar epidemias e depois a seca. A estratégia consiste em os homens reduzirem os deuses à fome, consagrando as oferendas apenas ao deus responsável pela peste; Enlil acaba cedendo tempo para que a humanidade volte a ser numerosa demais e prejudique o sono dos deuses. As pragas são, portanto, meios de regularizar a população e os incômodos que a superpopulação pode gerar...
    Para o dilúvio que é o flagelo final para eliminar completamente os homens, Ea teve que usar um estratagema para impedir o Supersábio, e somente ele e seu povo poderiam ser salvos. Daí a ideia do barco desenhado pelo próprio Ea, que permitia ao Supersábio embarcar nele suas reservas, móveis, riquezas, esposa, parentes e aliados, seus artesãos (para preservar os segredos das técnicas adquiridas) bem como domésticos e animais selvagens.
    “Seis dias e sete noites a tempestade rugiu. Quando o cataclismo esmagou a terra, no sétimo dia, o Vento cessou: o Dilúvio acabou! » .
    Assim diz o herói, Abri a escotilha e o ar fresco saltou em meu rosto, no horizonte da extensão de água: a alguns cabos de distância, surgiu uma língua de terra. A nave pousou ali: foi no Monte Nisir que ela fez uma pausa! ".
    O Supersábio então tira os passageiros do barco e os dispersa aos quatro ventos. Então ele prepara um banquete para os deuses famintos, que se aglomeram ao seu redor. Enlil, no entanto, está furioso por ter perdido o extermínio; Ea acaba por convencê-lo de que basta controlar a expansão humana, tornando as mulheres estéreis ou tirando bebês de seus seios ou mesmo tornando-as freiras.
    A história do Supersábio trata da condição humana. Por que somos compelidos a trabalhar incessante e dolorosamente? Por que uma multidão é condenada a servir a uma aristocracia? Por que, conscientes da imortalidade, somos condenados à morte? Por que pragas e desastres?
    Os deuses eram considerados homens e com todas as necessidades dos homens. Os homens foram criados pelos deuses para servi-los, de acordo com seus caprichos. As pragas só seriam usadas pelos deuses para contê-las e impedir que os homens prosperassem a ponto de perturbar a paz dos deuses.
    O conhecimento dos Deuses, através de Ea, é confiado aos supersábios. É a cidade do conhecimento mantida pelos supersábios que é o melhor baluarte contra as calamidades e caprichos dos deuses, a cidade que detém o conhecimento tecnológico, religioso e certamente também político e econômico.
    O crescimento desordenado da cidade leva à sua queda. É uma espécie de lição ecológica. Pode-se dizer hoje que a natureza se vinga.
    Os judeus que voltaram do exílio na Babilônia, que escreveram a Bíblia em sua forma atual, integraram o relato sumério do dilúvio. A multiplicidade de divindades é substituída por Elohim, um Deus único (que às vezes é traduzido como Ele-os deuses) e, uma invenção judaica original, os caprichos dos deuses são substituídos por exigências morais: se deus envia calamidades aos homens, é por causa de sua corrupção. A aliança feita com o povo eleito, chamado a respeitar os mandamentos divinos comunicados a Abraão e a Moisés, já estava selada com Noé. E é realmente uma questão de agradar a Deus no final, como na história suméria.
    Também existem histórias de inundações em outras civilizações, entre os gregos, maias, astecas, chineses etc. com notáveis pontos de correspondência, sem que se possa evocar qualquer filiação entre uma história e outra.
    Na tradição védica, por exemplo, Vishnu encarnou em um peixe e ordenou a um sábio que construísse um barco e acomodasse espécimes de cada espécie vegetal e animal e alguns sábios; deu-lhe uma coleção de textos sagrados, os Vedas, para que a humanidade futura, com base nisso, supere a anterior em sabedoria, de acordo com a lei dos ciclos universais. O padrão é surpreendentemente próximo da transmissão de conhecimento descrita no relato sumério.
    O fato de tais correspondências nos relatos talvez indique que o relato do dilúvio pertence estruturalmente ao pensamento humano, que seria a expressão de um arquétipo da psicologia humana.
    No relato bíblico do dilúvio, a transmissão do conhecimento transmitido por Deus aos homens não é muito explícita. É por isso que os maçons do início do século XVIII, ansiosos por rastrear a transmissão do conhecimento dos construtores até a origem do mundo, retomaram uma história lendária dos construtores já presente no manuscrito de Cook (escrito por volta de 1400) e desenvolveram uma narrativa onde a arte dos construtores e as sete artes liberais estão gravadas em duas colunas antes do dilúvio, e depois são encontradas, permitindo assim preservar o conhecimento dos construtores.
    As histórias lendárias que a Maçonaria moderna produzirá visam complementar a narrativa bíblica com histórias sobre os construtores sem nunca contradizer a narrativa bíblica, lida literalmente ou não.
    Isso não impede que os maçons com uma leitura menos literal, mas mais simbolista, procurem significados na história do dilúvio bíblico, encontrem inspiração nos judeus da Cabala ou em novas ciências como a psicanálise, depois a antropologia e agora a ciência cognitiva. Os simbolistas puderam assim definir a arca de Noé como Tradição, o lugar da memória e da consciência.
    As águas simbolizam o Oceano de Consciência que cobre o mundo aparente na mente do buscador espiritual. Todas as espécies foram para o asilo mútuo da Consciência para “alcançar o milagre do Um”, como diz a Tábua Esmeralda, a consciência da Unidade em suas miríades de formas.
    O Dilúvio seria a descrição do significado original do batismo por imersão total em água viva, onde desaparecem as aparências. Diríamos aqui a liberação de metais.
    É o próprio Divino quem põe fim à imersão no Oceano da Consciência para que o Homem se realize na existência: “E Deus disse a Noé:“Saia de Thebah, você! E contigo, a tua vontade de agir no mundo e toda a vida animal em todas as suas formas corpóreas (…) que ali pululam, dão frutos, ali se multiplicam em abundância. A ordem divina corresponde ao dever de transmissão do iniciado. Devemos acrescentar, agir no mundo respeitando os mandamentos divinos, ou em todo caso a Lei Natural, precisamente a lei da religião natural, a famosa religião Noachic que herdamos de antes do dilúvio, isto é, o ensinamento transmitido a Adão pelo próprio criador e transmitida pelos sobreviventes do dilúvio. E é precisamente neste asilo mútuo da Consciência que o buscador pode esperar encontrar esta Palavra que o deve guiar.
    Também encontrei uma análise esotérica das histórias do dilúvio que equipara a arca salvadora com o útero materno que abriga o recém-nascido passando por todos os estágios da vida vegetal e depois animal e tendo nele um sábio que possui conhecimento. O nascimento torna o filho de um homem salvo das águas, águas perdidas durante o parto. É interessante encontrar aqui o conceito de salvo das águas que encontramos com Moisés.
    Também podemos ver na arca de Noé, um lugar de acolhimento num mundo em perdição, quando o seu próprio mundo está em perdição. Podemos dizer um lugar definitivo de meditação quando tudo dá errado. Trata-se então de reunir na arca de Noé todos os elementos do seu ser, todos os seres nomeados (animais) aos pares (para multiplicar, regenerar), para se salvar e renascer num mundo novo e lavado. Mais uma vez, o tema da água que lava, repara, regenera, salva… Para concluir, vimos várias leituras possíveis da história do dilúvio. Isso provavelmente tem muito pouco interesse como narrativa histórica, mas abre múltiplas perspectivas de reflexão, além das palavras, um significado ontológico encontrado em muitas civilizações.
    12 min
  • O TAPETE DE MESTRE
    Por Adriano Medeiros
    1 INTRODUÇÃO
    Nos dias atuais a maçonaria apresenta algumas questões relevantes, em alguns ritos (não é o caso do York) as lojas apresentam painéis que ficam dispostos quando a loja é aberta para os trabalhos, usando um para cada grau, indicando em qual situação será a reunião, mas nem sempre foi assim, em algum momento do passado maçônico os oficiais de loja tinham que desenhar as informações no chão da loja.
    Devemos entender que o painel ou ainda, tapete ou o quadro de um referido grau fica no centro da loja e deve apresentar expressões gráficas que são simbolismos para o estudo dos maçons, ali estão contidas as informações que devem ser analisadas e interpretadas como alegorias simbólicas e filosóficas para o aperfeiçoamento.
    É da formação das lojas na Inglaterra que advém o uso de tapetes, o rito York em sua origem trabalhava com um tapete, disposto para o grau de Mestre deveria ser colocado em um cavalete, moldura ou ainda aberto no chão da sala de loja para que ali os maçons pudessem fazer o estudo e apresentar as instruções para os iniciados.
    Não existe uma comprovação que durante o período operativo da maçonaria existia um sistema de instrução para que os aprendizes recebessem o estudo desta forma, afinal as oficinas primavam pela metodologia empírica, por este motivo podemos evidenciar que tal proposta é uma prerrogativa da maçonaria especulativa.
    Se para o aprendiz não tinha uma formação parecida para o estudo, algumas teorias evidenciam que durante os trabalhos no canteiro de obras os maçons mais antigos (Mestres) aplicavam uma conversa entre eles para estabelecer a conduta de construção nos trabalhos, usando a prancha de delinear nas reuniões e ainda riscando no chão as informações que depois deveriam ser apagadas.
    A ideia aqui é entender um pouco desta origem e também destacar como uma característica marcante do rito York (o tapete de mestre) não é mais aplicada, também veremos os motivos de não se instituir neste rito o uso de painéis em sala de loja para a instrução do aprendiz, apresentando uma explicação racional sobre a questão.
    2. O TAPETE
    Segundo um PUSCH (2017) o painel da loja é um quadro ao centro do tempo, contendo uma alegoria com os diversos símbolos do aprendiz e que diz o grau em que se desenrola a sessão, mas podemos entender também que nem sempre foi assim, afinal originalmente os maçons se reuniam em locais como sótãos, casas de irmãos ou ainda em salas arranjadas no fundo de tavernas, tudo para manter o sigilo exigido pelos trabalhos.
    Como não tinham como organizar e deixar dispostos os elementos maçônicos, ferramentas, mobiliário, era comum o uso de desenhos que deveriam aplicar no chão da loja, feito com carvão ou giz para depois ser apagados e então ao encerrar os trabalhos não ficariam vestígios dos estudos ali praticados.
    Depois de um pouco mais de tempo, desenhar com giz ou carvão e apagar já começou a dar trabalho demais eu sou natural das coisas, por que não desenharmos os símbolos em um tapete? Desenrolamos para a sessão e, findada esta, enrolamos e vamos embora. Perfeito! E assim foi feito. Logo depois alguns ritos migraram para uma versão menor dos tapetes, com as alegorias pintadas em madeira: os famosos painéis. (CÂNDIDO, 2016. Pág. 60)]
    A maçonaria desenvolvida pelos maçons aceitos aplicou uma certa praticidade para o estudo, na medida que iam organizando locais próprios para as suas reuniões, isto permitia que alguns elementos fossem desenvolvidos e colocados de forma fixa em salas onde os irmãos iriam se reunir com uma certa regularidade.
    Mas podemos também evidenciar que em alguns países como na Escócia não se tem indicação que a maçonaria especulativa mais antiga (1696-1715) usasse desde sua formação painéis, sendo assim este é mais um ponto de debate que persiste sobre o uso de tal elemento.
    Mas sim podemos encontrar narrativas sobre uso de painéis apenas no final da década de 1730 e no início da década de 1740, na França assim como na Inglaterra, onde a maçonaria especulativa já ganhava força e tinha como princípio norteador o estudo de símbolos e elementos filosóficos para o andamento dos trabalhos com os irmãos que eram aceitos.
    Na Inglaterra a questão de rivalidade entre os chamados “antigos e modernos” também aparece no uso de painéis em lojas, para os antigos o estudo não deveria ser aplicado com uso de imagens, palavras ou qualquer subterfugio que pudesse romper com o juramento de silêncio ou que ainda tivesse a característica de revelação sobre a ritualística.
    Os ditos modernos entendiam que deveriam ser aplicados tais estudos e que o painel em loja era essencial para que o iniciado pudesse compreender o que estava sendo desenvolvido como instrução, da União das lojas em 1813 acabam mantendo o painel dos Modernos, mas não no centro da loja, deveria ser colocado de pé contra o triângulo do Segundo Vigilante.
    Quando a Maçonaria passou a ser formada por homens aceitos, não mais pedreiros de ofício, a alegoria em torno das ferramentas de trabalho foi criada e aperfeiçoada, e estes instrumentos passaram a ser sinônimo de conduta e moralidade. Logo, para que os maçons aceitos pudessem projetar e planejar o curso dos seus trabalhos interiores, era essencial que essas ferramentas estivesse ali para ilustrar os princípios gerais da ordem. (CÂNDIDO, 2016. Pág. 59)
    Iniciando assim com uma razoável orientação de trabalhos filosóficos os maçons passam a usar elementos que poderiam ser colocados nas salas de lojas, não somente na Inglaterra mas na França também, desde o século XVIII, existem indicações que as sessões ocorriam em torno de uma alegoria colocada sobre um cavalete e ali então ocorria o período de instruções para todos os irmãos que se encontravam na loja.
    A chamada “arte do traço” foi sendo deixada de lado, desenhar símbolos ou elementos era importante, mas com a construção de tapetes ou desenhos que poderiam ser resguardados dos olhares profanos permitia uma certa praticidade que era importante para os irmãos, por este motivo se desenvolve a questão de painéis.
    Em 1744 o “Catéchisme des franc-maçons “de Leonard Gabanon (pseudónimo de Louis Travenol) para além de incluir reproduções de um “Plano da Loja para a recepção de um Aprendiz-Companheiro” e, de um “Plano de Loja para a recepção de um Mestre” apresenta uma série de gravuras, que ilustram a realização das cerimônias de iniciação e, de exaltação, confirmando a descrição de Herault. (SANTOS, 2020)
    Fácil entender que tais quadros primavam pelo estudo operativo, mesmo sendo já uma maçonaria especulativa, o objetivo era justamente lançar um saber que seria indexado ao sistema mais antigo onde ferramentas, construções, atividades ou alegorias diversas deveriam ser instituídas para um maçom saber fazer a ligação dos tempos operativos com a maçonaria especulativa que se formava.
    Cada painel era um arquétipo, uma construção única, pois cada loja desenvolvia sua instrução de forma que os trabalhadores daquela oficina tivessem uma instrução positiva e com muita robustez, por este motivo ainda hoje encontramos desenhos em textos mais antigos com toda gama de informação gráfica, não sendo estes painéis uma cópia fidedigna um de outro.
    Alguns elementos, de fato, se repetiam, como martelo de corte, régua, prumo, nível, paredes, degraus e outros elementos, mas devemos considerar que advindos da formação operativa, na maçonaria especulativa quando se associava tais elementos, poderiam criar todo tipo de explicação filosófica ou alegórica possível, já que além dos mais básicos elementos poderiam aplicar insígnias de outras formações como o ocultismo e cabala, sendo muito comum, principalmente na França.
    3. INSTRUÇÕES NO YORK
    Ao se estabelecer tais situações de instruções para os diferentes ritos, podemos notar que no York ou ainda rito americano, existe uma pequena diferença de formação, afinal na atualidade não empregamos cavaletes ou painéis na sala de loja, mas se pode encontrar algumas narrativas marcantes sobre a questão do uso de instruções para os mestres, e geralmente associadas ao trabalho neste rito em especial.
    Em casos mais específicos já narrados a loja se situava adjacente à câmara do traçado (tracing house) no chão da qual se traçavam as plantas e os gabaritos, no local era permitido somente a entrada de mestres que trabalhavam nos canteiros de obras, depois de debatidos os planos, tudo era apagado e os líderes de ofício seguiam para o trabalho e assim direcionavam os pedreiros nas suas atividades.
    Os painéis ou tracing boards são emblemas a história nos leva indiretamente as pranchetas dos maçons medievais. Dos tempos antigos, os maçons costumavam marcar no chão a forma da loja, desenhando os símbolos e no final de trabalhos tais marcas eram desfeitas ou apagadas. Em documentos datados de 1730 escritos por Prichard, encontramos referências a esse tipo de marcação no chão. (BUCCIERI, 2021. Pág. 207)
    Esta pode ser sim uma das justificativas para a aplicação no rito York do chamado tapete de mestre, o aprendiz não recebia suas instruções de forma figurada, ele deveria se basear na construção empírica do estudo onde o mestre aplicava um gabarito, uma peça de modelo e depois o iniciado iria desenvolvendo o trabalho com o objetivo de aperfeiçoamento.
    Albert Pike destacava que era de suma importância para o maçom poder fazer a interpretação de elementos, mas devemos lembrar que somente quem tinha passado por todos os processos de estudo mais iniciais poderia então se deter nas regras mais complexas de conhecimento da construção, sendo assim um maçom experiente poderia participar da reunião de instrução em um grau mais teórico e não o iniciado, por evidentes razões.
    Não havia Tapetes diferenciados para as Lojas de Aprendiz e de Companheiro. Um único Tapete era utilizado para ambas, porque os dois graus eram geralmente conferidos em uma mesma noite. O Tapete de Mestre era diferente por razões óbvias. (LORENTE, 2018)
    Dentro das chamadas Blue Lodge já no século XIX foram criados quadros onde se colocavam na sala de loja, originalmente era no chão, depois passam a colocar na parede para que os irmãos pudessem obter as informações necessárias, alguns elementos eram expostos, podemos citar o Sol, a Lua e as estrelas, a escada de Jacó, o templo do rei Salomão, os pilares, o olho que tudo vê, o quadrado e o compasso, a arca e o arco-íris, a colmeia, 47º Problema de Euclides, Ampulheta Alada, Espada Apontando para um Coração Nu e muitas outras Ferramentas de Trabalho que deveriam ser interpretadas e conhecidas por todos.
    4. CONCLUSÃO
    Quando o iniciado está em sala de loja ele deve se deter nos elementos aplicados para seu conhecimento, geralmente é o VM que apresenta tais instruções, podendo ser logo no dia da sua iniciação ou em outras reuniões onde os ensinamentos são apresentados, mas devemos ressaltar que este sistema é moderno e que funciona muito bem, sendo que o iniciado deve, hoje em dia, buscar reforçar seu conhecimento com o estudo individual.
    Mas nem sempre foi desta forma, a maçonaria operativa tinha sua própria sistemática de ensino e depois foi mudando até organizar uma nova condição já na maçonaria especulativa, no rito York podemos perceber que o uso de painel era uma condição ligada ao mestre maçom, sendo que este teria, teoricamente, os conhecimentos mais aprofundados para tais estudos teóricos, diferente daquele iniciado que se baseava no saber empírico.
    Alguns textos de origem inglesa chegam a indicar que o painel de mestre era uma das joias da loja, por este motivo junto da tábua de delinear, somente o VM ou seus oficiais poderiam aplicar estudos mais aprofundados, mesmo que muitos maçons hoje não concordem com tal explicação podemos perceber que se trata de uma teoria interessante do ponto de vista histórico para o entendimento maçônico.
    O rito Schröder apresenta até hoje o uso de um painel que é colocado no chão da loja para a abertura dos trabalhos, a explicação para tal atuação é que desde o período mais remoto se usavam tapetes para instruções, especialmente na Inglaterra, No Livro de Atas da Loja "Old King's Arms 28", relata, proposta do VM para que os Irmãos adquirissem a Introdução aos princípios da arquitetura e um tabuleiro de desenhos e Tapete, para uso da Loja.
    Podemos então seguir a mesma linha de pensamento e assim entender que o tapete de Mestre no rito York era de emprego comum nas lojas, Albert Mackey descreve em sua enciclopédia que era fácil encontrar painéis de loja com simbologia e também palavras originarias de símbolos hebraicos, possivelmente do estudo da cabala que se faziam em algumas lojas.
    Hoje o rito York não aplica mais o uso de painéis em sala de loja, alguns escritores descrevem que neste rito a sala é simples de mobília e de elementos, se comparado aos ritos de origem latina, mas na verdade a praticidade de estudo e também historicamente os locais que faziam reuniões acabavam direcionando para o uso de uma sala sem grande formação de materiais, tendo sempre as ferramentas e o básico para cada reunião.
    O tapete de mestre é um costume, possivelmente do trabalho operativo, mas vale uma última lembrança, originalmente e ainda hoje nos EUA, local de onde tiramos as maiores referências para tal rito, não e comum desenvolver reuniões no grau de aprendiz e companheiro, quase sempre no grau de mestre, sendo uma particularidade histórica, sendo desta questão o uso e a relação histórica do chamado tapete de mestre no rito York, afinal sendo as reuniões sempre neste grau seria normal ter um tapete para este e não outros graus nas lojas simbólicas.
    5. BIBLIOGRAFIA
    SITE: ACESSO EM: 25 de outubro de 2021.
    SITE: ACESSO EM: 26 de outubro de 2021.
    SITE: ACESSO EM: 27 de outubro de 2021.
    SITE: ACESSO EM: 28 de outubro de 2021.
    SITE: ACESSO EM: 29 de outubro de 2021.
    15 min
  • O MITO DE PROMETEU – QUEM É ESSE HERÓI DA MITOLOGIA GREGA?
    O mito de Prometeu conta que ele era filho de um Titã e rival de Zeus, e protagonizou diversas aventuras como o famoso roubo do fogo.
    A mitologia grega nos brindou com uma herança inestimável de contos sobre deuses poderosos, heróis corajosos, aventuras épicas de uma realidade fantasiosa, como o mito de Prometeu. Ao longo dos anos, milhares de livros foram escritos acerca da mitologia grega.
    Contudo, pesquisadores apontam que nem mesmo essa quantidade de volumes é capaz de registrar a totalidade dessas histórias. Por conseguinte, um desses contos mitológicos trata da figura de Prometeu, um rebelde que roubou o fogo e irritou o deus Zeus.
    Como resultado, ele foi castigado com tortura sem fim e acorrentado ao topo de uma montanha.
    Quem é Prometeu?
    A mitologia grega fala de duas raças de seres que vieram antes dos humanos: os deuses e os titãs. Prometeu era descendente do Titã Jápeto e da ninfa Ásia e irmão de Atlas. O nome Prometeu significa ‘premeditação’.
    Além disso, Prometeu é uma figura muito famosa na mitologia grega por ter realizado uma grande proeza: roubar o fogo dos deuses para dar à humanidade. Ele é retratado como um indivíduo esperto e benevolente, e até mesmo mais sábio que os deuses e os titãs.
    O que diz o mito de Prometeu sobre a criação da humanidade?
    Na mitologia grega, os humanos foram criados em cinco etapas diferentes. Os Titãs criaram a primeira raça de humanos e Zeus e os outros deuses criaram as quatro gerações seguintes.
    Esta é a versão mais comum da mitologia grega, sobre a criação da humanidade. Entretanto, há outro relato que inclui Prometeu como uma figura central. Ou seja, na história, Prometeu e seu irmão Epimeteu, cujo nome significa ‘pós-pensador’, foram incumbidos pelos deuses a criar à humanidade.
    Como Epimeteu era muito impulsivo, ele criou os animais primeiro, dando-lhes dons como força e astúcia. Porém, foi Prometeu quem ficou responsável por criar os humanos, utilizando os mesmos dons usados por seu irmão, na criação dos animais.
    Dessa forma, Prometeu criou o primeiro homem, chamado Phaenon, de argila e água. Ele teria criado Phaenon à imagem e semelhança dos deuses.
    Por que Zeus e Prometeu brigaram?
    O mito de Prometeu diz que Zeus e o herói tinham opiniões diferentes quando se tratava da raça humana. Para esclarecer, o pai de Zeus, o titã Kronos, tratava a raça humana como igual, atitude que seu filho não concordava.
    Após a derrota dos Titãs, Prometeu seguiu o exemplo de Kronos, sempre apoiando os humanos. Inclusive, em uma ocasião, Prometeu foi convidado a participar de um ritual que os humanos realizavam em adoração aos deuses, isto é, um ritual onde sacrificavam um animal.
    Ele escolheu um boi para o sacrifício e o dividiu em duas partes. Assim, Zeus escolheria qual seria a parte dos deuses e qual seria a parte da humanidade. Prometeu disfarçou as oferendas, ocultando as melhores partes da carne sob os órgãos do animal.
    Zeus escolheu o sacrifício que incluía apenas ossos e gordura. O engano foi obra de Prometeu para beneficiar os humanos com as melhores partes do boi. Então, Zeus ficou bastante zangado com o engano, mas teve que aceitar a sua má escolha.
    Como aconteceu o roubo do fogo no mito de Prometeu?
    Não foi só a ‘brincadeira’ com o sacrifício do boi que irritou Zeus. Na mesma linha, o conflito entre Zeus e Prometeu começou quando o filho de Jápeto, ficou ao lado dos humanos, indo contra o pensamento de Zeus.
    Em retaliação ao tratamento dado à raça humana por Prometeu, Zeus negou à humanidade o conhecimento sobre a existência do fogo. Então, Prometeu, num ato heroico, roubou o fogo dos deuses para dar à humanidade.
    Prometeu entrou no território de Hefesto, o deus do fogo, e roubou o fogo de sua forja, escondendo a chama em um caule de erva-doce. Em seguida, Prometeu desceu do reino dos deuses e entregou o presente do fogo à humanidade.
    Zeus ficou furioso, não apenas por Prometeu ter roubado o fogo dos deuses, mas por ter destruído, para sempre, a subserviência dos humanos. Por fim, a vingança de Zeus foi cruel.
    Ele capturou Prometeu e fez com que Hefesto o acorrentasse a um penhasco com correntes de ferro inquebráveis. Zeus então chamou um abutre para bicar, arranhar e comer o fígado de Prometeu, diariamente, por toda a eternidade.
    Todas as noites, o corpo imortal de Prometeu se curava e ficava pronto para receber novamente os ataques do abutre, na manhã seguinte. Durante toda a sua tortura, o herói nunca se arrependeu de se rebelar contra Zeus.
    Representação de Prometeu
    Por que nas imagens em que ele aparece, geralmente ele está a erguer uma tocha para o céu? O nome de Prometeu significa “premeditação”, e ele é comumente associado a inteligência, auto sacrifício e empatia inesgotável.
    Como você leu acima, Prometeu foi contra a vontade de Zeus, rei dos deuses gregos, ao fornecer fogo à humanidade, um ato que permitiu que a humanidade se desenvolvesse rapidamente.
    Sua punição por esse feito é retratada em diversas estátuas: Prometeu foi amarrado a uma montanha onde um abutre comeria seu fígado em regeneração pelo resto da eternidade. Uma punição extenuante, de fato.
    Desse modo, a tocha que Prometeu empunha representa sua resistência inquebrantável diante da opressão e sua determinação em levar conhecimento à humanidade. A história de Prometeu ilustra perfeitamente como a empatia de um pode influenciar a vida de muitos, inspirando-os a ver além.
    Qual a lição do mito de Prometeu?
    Por fim, Prometeu permaneceu acorrentado e torturado por milhares de anos. Os outros deuses intercediam a Zeus por misericórdia, mas ele sempre recusava. Finalmente, um certo dia, Zeus ofereceu liberdade ao herói se ele revelasse um segredo que só ele conhecia.
    Prometeu, então disse a Zeus que a ninfa do mar, Tétis, teria um filho que se tornaria maior do que o próprio Deus do Mar, Poseidon. De posse da informação, eles arranjaram para que ela se casasse com um mortal, e dessa forma, para que o seu filho não representasse nenhuma ameaça ao poder deles.
    Como recompensa, Zeus enviou Hércules para matar o abutre que atormentava Prometeu e quebrar as correntes que o prendiam. Depois de anos de sofrimento, Prometeu estava livre. Em agradecimento a Hércules, Prometeu o aconselhou a obter as Maçãs de ouro das Hespérides, um dos 12 trabalhos que o famoso herói teve que realizar.
    O Mito do herói dos titãs Prometeu deixa como lição o amor, a coragem, bem como, a compaixão pela humanidade. Além, da aceitação das consequências pelos seus atos e o desejo de sempre buscar e compartilhar o conhecimento.
    Fontes: Infoescola, Toda Matéria, Brasil Escola
    8 min
  • POR QUE TUTANCÂMON ERA INVOCADO EM SESSÕES DE ESPIRITISMO NO COMEÇO DO SÉCULO 20
    Eleanor Dobson - The Conversation.
    Há 100 anos, foi descoberta a tumba do faraó egípcio Tutancâmon, que reinou ainda menino no século 14 a.C.
    A tumba de Tutancâmon foi descoberta em novembro de 1922 por uma equipe de escavadores (a maioria deles egípcios) liderada pelo arqueólogo britânico Howard Carter.
    O relato de Carter dominou a narrativa do que se sabe hoje sobre essa descoberta histórica. Sua publicação, em três volumes, The Tomb of Tut-Ankh-Amen ("A tumba de Tutancâmon", em tradução livre) é responsável por imortalizar a resposta que ele teria dado à pergunta do seu patrono, George Herbert, o lorde Carnarvon: "Você consegue ver alguma coisa?" Ao que ele respondeu, "sim, coisas maravilhosas".
    E também tornou famosa a visão de "brilho de ouro em toda parte" que teve, quando olhou pela primeira vez para dentro da tumba.
    Houve na época muito interesse pela descoberta, o que levou a uma enorme cobertura na imprensa. Uma reportagem que constantemente ressurgia e ainda é popular refere-se à história de uma suposta "maldição da múmia" que teria atingido os envolvidos na escavação. A ideia de que as pessoas que presenciaram a abertura da tumba tiveram mortes inesperadas, entretanto, foi amplamente desmentida.
    Existem outras histórias e lendas sobre a descoberta, sobre as escavações que se seguiram e sobre seus legados. Elas contribuem para um entendimento mais completo do amplo e enorme impacto do evento.
    Uma dessas consequências culturais menos conhecidas foi que o faraó começou a aparecer regularmente nos círculos espiritualistas depois da descoberta de sua tumba.
    As aparições de Tutancâmon
    O espiritualismo - movimento religioso que acredita na sobrevivência do espírito após a morte e que os espíritos dos mortos podem se comunicar com os vivos - teve seu apogeu internacional no século 19.
    Sua popularidade caiu depois que diversos médiuns conhecidos foram expostos como fraudes pouco antes de 1900. Mas o espiritualismo ressurgiu durante e após a Primeira Guerra Mundial, quando as pessoas tentavam se comunicar com seus entes queridos mortos no conflito.
    Nos anos 1920, um novo espírito começou a ganhar celebridade "aparecendo" nas sessões, nas quais um grupo de pessoas, muitas vezes formando um círculo em volta de uma mesa, tentava fazer contato com os mortos. Tutancâmon começou a transmitir mensagens "do além", segundo as pessoas que nele acreditavam, aparecendo em sessões espíritas em todo o mundo.
    As pessoas especulavam que ele não havia se anunciado em círculos mediúnicos antes da descoberta da sua tumba porque "o espírito [foi] trazido de volta para os pensamentos terrestres pela atenção concentrada nele".
    Em uma ocasião, foi dito que Tutancâmon havia sido canalizado por uma médium chamada Blanche Cooper, que trabalhava no British College of Psychic Science (o Colégio Britânico de Ciências Mediúnicas, em tradução livre).
    Um relato afirma que, da boca de Cooper, veio uma "voz grave masculina" que "falava em língua estrangeira, suave e musical". A comunicação de Tutancâmon supostamente listava o que podia ser encontrado no interior da sua tumba.
    A proliferação de supostas mensagens do faraó menino após a descoberta da tumba foi tanta que as pessoas que compareciam às sessões espíritas reclamavam de que estavam "ficando um pouco cansadas de Tutancâmon".
    Mas o faraó nem sempre era uma presença positiva. A publicação britânica International Psychic Gazette relatou um encontro mais hostil, verificado em 1929:
    "Ocorreram violentos acontecimentos sobrenaturais [...] no estúdio do Sr. Folt, conhecido escultor, dono de uma esplêndida mansão em Vinohrady, [...] Praga [atual República Checa]. Muitas pessoas renomadas nos círculos artísticos e intelectuais compareceram a uma sessão espiritualista naquele local. Tudo corria calmamente até a conclusão, quando um participante pediu que o espírito de Tutancâmon [...] fosse convocado.
    O médium presente entrou em transe e anunciou que o espírito estava se aproximando. Ele então emitiu um grito de dor, acompanhado por clamores sobrenaturais de ira profunda. Imediatamente, desencadeou-se no estúdio um tumulto assustador, com um vendaval tão poderoso que partiu a maioria das vidraças.
    As testemunhas dessa súbita tempestade ficaram horrorizadas. Elas se levantaram imediatamente da mesa e acenderam as luzes. O estúdio estava totalmente devastado diante dos seus olhos.
    Todas as estátuas de personagens egípcios esculpidas por Folt estavam quebradas. Uma delas, de bronze, havia sido atirada pela janela em direção ao jardim. Outra estava caída no chão, com traços de sangue sobre os lábios e a testa.
    [...] Essas perturbações extraordinárias tiveram lugar com extrema rapidez e não duraram mais do que 30 a 35 segundos."
    O que esses relatos sugerem é que o espírito de Tutancâmon aparecia para essas pessoas de formas diversas, como uma força benevolente mas também como um destruidor vingativo; como um indivíduo que não se abalou com a invasão da sua tumba até como uma entidade disposta a atirar destroços sobre as cabeças das pessoas que violaram seu espaço sagrado.
    Com o nome de Tutancâmon novamente presente na consciência pública, no centenária da descoberta de sua tumba, somos lembrados de que ele é um faraó destinado a "retornar" periodicamente - seja na forma de aparição espiritual ou em estudos científicos.
    Suas manifestações nos círculos espiritualistas da década de 1920 são apenas uma das formas em que a fascinação popular pelo faraó se manifestou ao longo dos anos.
    *Eleanor Dobson é professora de literatura do século 19 da Universidade de Birmingham, no Reino Unido.
    7 min
  • ORIGENS DA HOSPITALARÍA.
    Por Sérgio Ferreira Barbosa
    Jerusalém é um local sagrado para as principais religiões do mundo, judeus, cristãos e mulçumanos travaram batalhas sangrentas pelo controle dessa terra, daí surgiram as famosas cruzadas.
    Aproximadamente em 1099, mercadores de "Amalfi" uma província de Salerno, na região da Campânia, na Itália’’ fundaram em Jerusalém, sob a regra de São Bento, uma casa religiosa para o acolhimento de peregrinos. Anos mais tarde construíram junto dela um hospital que recebeu, de ‘’ Godofredo de Bulhão um nobre e militar e considerado por muitos, um dos líderes das primeiras cruzadas,’’ fazendo este doações que lhe asseguraram a existência, sendo posteriormente reconhecida pelo Papa.
    Após alguns anos, o serviço de proteção e atenção aos doentes, passaria a contar também com serviços militares, constituindo, assim, a fundação da Ordem dos Cavaleiros Hospitalários.
    “Hospitalários” vem da palavra “Hospício”, que naquele tempo tinha a conotação de local para tratamento e/ou hospedagem de pessoas doentes ou pobres sem gratificação, monetária.
    Tronco de solidariedade na antiguidade:
    Existe uma interessante teoria, sobre a origem do tronco de solidariedade, na época da construção do Templo de Salomão, onde ferramentas, projetos, documentos e pagamentos de obreiros, eram colocados dentro das colunas do templo, e ao final do dia os obreiros retiravam o que precisavam destas colunas para o seu sustento. Estas doações também eram destinadas às viúvas e órfãos.
    Maçons operativos, por volta do século XV, instituíram: nos Estatutos Reguladores da Conferência dos Talhadores de Pedra, um sistema de ajuda mútua. Tal sistema recebeu o nome de Tronco das Viúvas. A finalidade do recolhimento de óbolos para a formação do tronco, era auxiliar a família do Obreiro falecido, tendo, depois, adquirido um segundo destino: ajudar o maçom acidentado no serviço. Essa reunião ocorreu em 25 de abril de 1450, em Ratisbona.
    Nos tempos passados, um maçom acidentado no serviço, estava impossibilitado de exercer suas funções de trabalho, parafraseando para agora, um irmão que se encontra desempregado, épocas diferentes, situações iguais.
    A Hospitalaría de cada um.
    Hospitaleiro é um cargo concedido, mas a Hospitalaría deve ser exercida por cada um de nós, nossa contribuição em cada sessão, deve ser feita sempre pensando, que aquele valor depositado na bolsa, irá socorrer um irmão necessitado.
    O Grande Arquiteto do Universo, sempre abençoou, homens que praticaram a caridade, e contribuíram para a solução dos problemas do seu próximo. Como exemplo, podemos citar grandes filantropos famosos, do quilate de John D. Rockfeller o barão do petróleo, Andrew Carnegie o magnata da indústria do aço, mas, acreditamos que os verdadeiros filantropos, os heróis a humanidade, são aqueles que NÃO APARECEM, não chamam para si o mérito do que fazem. Como disse o Mestre Jesus, “que a mão esquerda não saiba o que a direita fez”.
    Um parêntese: O maior reconhecimento pelos nossos atos deve ser de Deus, de ninguém mais. Nós mesmos podemos e devemos ficar feliz com o que praticamos de caridade, porém em silêncio, apenas consciencial. E isto, visando sempre não constranger aquele a quem prestamos o auxílio. Fecha parêntese.
    Se voltarmos no tempo, nas raízes das origens mais profundas da hospitalaria, notaremos que o óbolo era para ajudar primeiramente aos fraternos e a família destes, e só depois alguma outra obra de caridade, os templários ajudavam aos leprosos e doentes, mais primeiramente aos irmãos de ordem.
    Entendo que quando os irmãos estiverem supridos, poderemos ajudar as obras do mundo profano, assim trabalhavam os templários, os maçons operativos e os obreiros no templo de Salomão.
    A hospitalaria deve ajudar ao irmão que passa por um momento difícil, e tão logo esse se restabeleça, o irmão ajudado, tem o dever moral de repor o óbolo para a bolsa de beneficência, para que o tronco de solidariedade não seja quebrado, e possa novamente ajudar a outro irmão em dificuldades. Não podendo também a hospitalaria oferecer assistencialismo eterno, devendo o irmão ajudado usar essa ajuda como impulso, para se projetar rumo ao sucesso de sua empreitada.
    Consultando a sabedoria do livro da lei, chegamos em Gálatas: capítulo 6, versículo 10, do qual temos o seguinte entendimento referente a hospitalaria:
    ‘’Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé.’’
    Fonte: A BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus, 1995. DEMURGER, Alain. Os cavaleiros de Cristo: templários, teutônicos, hospitalários e outras ordens militares na Idade Média (séculos XI – XVI). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, Editor, 2002. FOREY, A. J. Novitiate and instruction in the military orders during the twelfth and thirteenth centuries. In: SPECULUM, Vol. 61, nº 1, 1986, p. 1-17. FOREY, A. J. Military orders from the twelfth to the early fourteenth century. London: Macmillan, 1991.
    6 min
  • MAÇONARIA REVOLUTIVA
    Por Irmão Hever da Silva Nogueira
    Sabe-se que bem antes do Século XVII, no mundo inteiro, já existiam Instituições Maçônicas, embora, muito pouco se conheça sobre essas Organizações, pois são raros os registros a respeito. Todavia, nos escassos documentos encontrados, pode-se constatar que já existia uma certa preocupação com a Finalidade a ser atingida e as condutas de seus integrantes, uma vez que, criteriosamente, estabeleciam, não só, os deveres, mas, sobretudo, os modos e os procedimentos a serem desempenhados, fora e dentro das Instituições. E, além disso, minutavam um ultimato determinando o resguardo de um segredo absoluto sobre todos os ensinamentos transmitidos, junto com as sanções e punições que seriam aplicadas devido à inobservância dos preceitos. E, não esqueceram de registrar os procedimentos a serem observados nas admissões de novos membros.
    Com certeza, tais exigências eram feitas, em razão das Organizações Maçónicas, da época, buscarem preservar os seus objetivos, cuidando para que os métodos empregados nas construções dos Castelos, Igrejas, Fortaleza e outras Edificações, permanecessem incólumes. Era a época da Maçonaria Operativa.
    Se for observado atentamente, o porquê da existência das Instituições, pode-se inferir que a Maçonaria Operativa, já tinha como finalidade: o desenvolvimento da humanidade, considerando que, por meio de construções e edificações, promoviam o surgimento de novos lugares e o crescimento de cidades existentes, propiciando, então, um progresso à humanidade.
    Imagino ser difícil aquilatar se os Obreiros, daquela época, tenham sido excelentes membros – exímios pedreiros, cumpridores de seus deveres, desempenhando, com eficácia e eficiência as tarefas e deveres que lhes eram atribuídos. Contudo, se for levado em conta que muitas edificações - executadas por eles no mundo todo - ainda continuam existindo, permanecendo firmes e de pé, até mesmo, desafiando às intemperes e outras reações do tempo, por séculos, há de se considerar que essas magníficas construções, salientam deliberadamente que os Maçons cumpriram seus deveres, com muita eficiência.
    Então pode-se dizer que os Pedreiros contribuíram maravilhosamente para que a Maçonaria Operativa atingisse, plenamente, a sua finalidade.
    E assim, perdurou por determinado tempo, até que a queda do Feudalismo (no último período da Idade Média), reforçado pelas Reformas Religiosas e pelo Movimento Cultural (Iluminismo) que buscava promover mudanças na política, na economia e na sociedade europeia, interferissem na maneira de operar da Maçonaria Operativa, salientando que a Instituição constatasse que a sua Finalidade teria que ser continuada, contudo, de forma bem diferente, pois a sua destinação de construir Castelos, Fortalezas e Igrejas chegara ao seu final. Então, dessa forma, a construção física deveria dar lugar a outro tipo de construção: A construção de um novo homem... visando se adaptar às mudanças, para dar prosseguimento ao desenvolvimento da humanidade.
    Por isso, a Maçonaria passou a permitir que Homens, com outros conhecimentos e habilidades sociais, integrassem os seus quadros, de maneira a gerar uma renovação estrutural e intelectual que propiciasse atingir a nova maneira de atingir a sua finalidade e, consequentemente, passou à condição de Maçonaria Especulativa.
    Por tal condição, evidentemente, instituiu que seus Membros estudassem, pesquisassem, observassem, analisassem e avaliassem em busca de adquirirem conhecimentos imprescindíveis para alcançarem o aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social.
    Como se pode constatar, a Maçonaria Especulativa - em sua nova fase – buscou então, propiciar ao Homem/Maçom se desenvolver como Cidadão, levando-o a se preocupar em construir o seu templo interior.
    E assim, muitos avanços foram efetivados nas Ciências e nas Artes, devido as ações adequadas dos Maçons, promovendo melhores condições de vida aos seus semelhantes.
    Outrossim, verificou-se incríveis mudanças sociais no mundo. Não foram poucas as lutas dos Maçons para acabar com a escravidão e promover a liberdade individual; foram incansáveis as buscas para exterminar os cativeiros; majestosas foram as investidas para extinguir as explorações do homem pelo homem. E, assim, de forma maçônica, propiciaram o direito de ir e vir a cada cidadão, possibilitando que cada qual vivesse com dignidade.
    Mas as ações não se deram exclusivas em proveito das pessoas individualmente, foram bem além, os Obreiros buscaram promover a Independência das nações exploradas pelo jugo estrangeiro. Instalaram-se em Libertar os países do domínio ultrajante dos dominadores... e, com suas coragens e arrojos, conseguiram promover o desenvolvimento da Humanidade.
    E, isso, traduz que muitos Maçons, realmente, se houveram como Legítimos Obreiros da Arte Real, possibilitando que a Maçonaria atingisse, em certo período, a sua Finalidade.
    Entrementes, com o passar do tempo, algo vem ocorrendo e causando uma certa transformação no interesse do Homem/Maçom e influindo, sobremaneira, em suas ações como Obreiro, o que não só impede que a Maçonaria alcance a sua Finalidade, mas, até mesmo, interfira no âmago de sua existência.
    Já há um certo tempo, os procedimentos incoerentes aos preceitos transmitidos pela Ordem, vem provocando a desunião. Então, dissidências, brigas internas e outras desarmonias aconteceram, propiciando uma divisão na Instituição.
    E tais acontecimentos acabaram influindo completamente na própria transmissão dos conhecimentos, gerando uma espécie de particularização ritualística. Cada parte dissidente tem a sua forma particular de envolver os Integrantes.
    E muitas outras mutações, dentro da Ordem, passaram a acontecer desviando o atingimento da sua Finalidade e dos objetivos dos Obreiros.
    Estudar com atenção; pesquisar detalhadamente; investigar a verdade, deixou de ser o verdadeiro propósito do Homem/Maçom. E o Homem/Maçom se viu levar pela fatuidade e o seu Templo Interior passou a ser amalgamado pela vaidade, ostentação e ganância.
    As disputas acirradas por Cargos, manifestando a cobiça, além de abalar na União dos Obreiros, nas Lojas, contribui intensamente para que o Maçom abandone aos trabalhos e dessa forma, o crescimento preciso do Homem/Maçom é totalmente conturbado.
    Atualmente, a evasão está bem acentuada, devido a vários fatores, sendo que muitos alegam que “não exista objetividade em pertencer a Ordem”.
    Verifica-se que uma parte significativa de Maçons, não mais se interessa pelo Aperfeiçoamento Moral, Espiritual, Intelectual e Social; até mesmo, chega a desprezar, veementemente, o compromisso solene realizado diante do GADU e da própria Consciência... E o cumprimento dos deveres previstos, em muito, não são levados a sério.
    Os Aventais já não são mais usados como protetores aos fragmentos resultantes dos desbastes da Pedra Bruta. Agora, são lindos adornos emoldurando os Títulos Nobiliários que os Maçons buscam obter.
    E, com isso, pouco a pouco, os próprios Maçons estão colaborando para a extinção da Maçonaria, fazendo dela uma espécie de Associação Recreativa e Social, em que o “ Vai Quem Quer” seja mais importante que os Trabalhos Ritualísticos. E a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade passam a serem vistas, simplesmente, como uma “legenda tradicional e antiga” e nada mais.
    Dá a impressão da Maçonaria Especulativa ter chegado ao seu final.
    É bem verdade, que ainda existam os verdadeiros Irmãos... abdicados de suas vontades pessoais em detrimentos aos interesses maçônicos...verdadeiros altruístas que lutam para que a Ordem permaneça alvissareira e cumprindo os seus Desígnios. Mas, muitas vezes, se veem envolvidos pelas ações dos demais, sendo obrigados a promoverem um esforço redobrado para que a Maçonaria não se extinga e não destorça a sua Finalidade.
    Quiçá, as mutações sofridas pelo mundo, com as novas descobertas tenham, implicitamente, colaborado com tais mudanças no Homem/Maçom.
    Não há como negar que as inimagináveis descobertas científicas; o progresso da cibernética; a geração da inteligência virtual; e, outros maravilhosos avanços tecnológicos, acabaram exigindo não só certas mutações nos hábitos humanos, mas, especialmente, adaptações e adequações muito expressivas.
    Lamentavelmente, verifica-se que a mesma forma vertiginosa da contribuição para o desenvolvimento material das novas transmutações, não promoveu uma proposta semelhante quanto ao desenvolvimento humanístico da humanidade.
    Então, da mesma forma que a Maçonaria se houve, em razão das mudanças ocorridas com o fim da idade média, sentindo a necessidade de passar de Maçonaria Operativa para Maçonaria Especulativa, há de constatar que as novas alterações acontecidas no mundo, obrigando-a a reforçar mais ainda a finalidade de promover o desenvolvimento da humanidade, entenda que deva se transformar em Maçonaria Revolutiva.
    E, assim, buscando revolucionar a sua essência, o seu manancial evolutivo, a sua originalidade, e, primordialmente, os seus conceitos, sem perder as Tradições, projete e estabeleça novas métodos, novos modos, novas formas de procedimentos para serem seguidos pelos seus Integrantes, de forma que os leve realmente a constatar que a única condição de atingir à sua Finalidade, será pelo aperfeiçoamento individual... moral, intelectual, tecnológico, espiritual, social e, sobretudo, humanístico.
    Ir.: Hever da Silva Nogueira
    CIM 97619
    10 min
  • A RECONSTRUÇÃO DO NOSSO EU E O GRAU DE MESTRE MAÇOM

    Gurdjieff explicou que o homem

    nasce como uma essência, isto é, com a sua parte mais verdadeira - aquela
    determinada pelas influências planetárias do momento e do lugar e do seu
    nascimento - que o tornam algo absolutamente único e irrepetível; porém,
    posteriormente, os acontecimentos traumáticos da vida inibem a possibilidade de
    evoluir da melhor forma. Essa capacidade, que ainda está em nós, pode ser
    recuperada através do trabalho sobre nós mesmos.

    Existem escolas esotéricas

    muito antigas que transmitem secretamente os ensinamentos para poder fazê-lo; A
    Maçonaria é talvez o exemplo mais importante disso.

    Ainda assim, seria fácil:

    bastaria reaprender a focar nos gestos, passos e palavras do nosso ritual, e
    redescobrir os tesouros que eles encerram.

    A reconstituição do nosso Eu

    Real é simbolizada na Maçonaria pela obtenção do grau de Mestre, em que os
    fragmentos da nossa personalidade - espalhados pelo mundo pelos golpes que
    sofremos na vida profana - são recompostos (para ser preciso, na mito original
    de Osíris, havia quatorze peças). O ritual de maestria é, portanto, principalmente
    um ritual de cura e é potencialmente uma cura definitiva; mas, se quisermos
    colher os frutos dela, devemos evitar cair nos erros anteriores - por exemplo,
    evitar desperdiçar energia em excesso de atividade, se não for necessário, e se
    for, evitar ficar muito identificado com o que fazemos.

    A luta contra a identificação,

    ensinamento hermético antiquíssimo, consiste em perceber que se um homem se
    entrega inteiramente às suas atividades profanas, cria-se um prejuízo: para que
    tudo funcione da melhor maneira, é necessário que sempre fique uma parte de nós
    desapegado do que estamos fazendo, e você observa de fora.

    Se conseguirmos colocar em

    prática este ensinamento (há exercícios para aprendê-lo), descobriremos que o
    agir e o ocupar-se, por mais frenéticos que sejam, já não nos tiram a energia
    como acontecia antes, mas nos dão mais.

    A partir disso podemos

    perceber que o aprendizado correto do esoterismo maçônico não é algo abstrato e
    desvinculado da realidade, como muitos acreditam: a Maçonaria nasceu como uma
    escola operativa, o que significa que sua ritualidade é um método comportamental,
    concebido para nos auxiliar e nos aprimorar em vida cotidiana.

    Na perspectiva de Gurdjieff, o

    trabalho sobre si e a construção do Real I servem sobretudo para harmonizar os
    três centros presentes no Homem, físico, mental e espiritual. Esta é uma das
    possíveis interpretações do triângulo que carregamos representado em nosso
    avental; e outra é que os dois pontos inferiores representam os hemisférios
    esquerdo e direito do cérebro (emoção e raciocínio), e o ponto superior é Real
    I, que como supervisor (ou como Mestre Superintendente da Maçonaria de Marca)
    coordena sua ação.

    A parábola do filho pródigo

    vem à mente. Aquele menino tinha tudo: pessoas que o amavam, boa comida e
    riquezas - ele podia fazer o que quisesse da vida. Mas faltava-lhe consciência
    dos dons recebidos: não os via, sentia-se vazio. Ele teve que sair de casa para
    perceber o quanto havia perdido; e quando voltou, aprendeu a olhar a realidade
    com novos olhos. Algo aconteceu que fez sua essência, sua parte mais
    verdadeira, despertar; aprendera a trabalhar pelo bem e pelo progresso da
    humanidade.

    (Extraído de: Reflexões sobre

    o esoterismo, de Giovanni Domma).

    Fonte: ALEF Esoterica

    4 min
  • A LENDA DE HIRAM À LUZ DO SÉCULO XXI
    Por Gilberto Garibal
    O que descobrimos em uma pintura de museu representando Adão? O primeiro homem não tem umbigo: Ele não se projetou! Ele é a solução, mas não o problema! Conscientemente ou não, seu sucessor é assombrado por sua falta de origem, por seu começo. Ele, portanto, preenche essa lacuna com as construções de sua imaginação. Assim nasceram o mito, a lenda, a alegoria, a parábola, o conto, a fábula, o romance. Porque, tanto quanto as exigências da sua natureza, a fome, a sede, a sexualidade, impõem ao homo sapiens que somos, uma necessidade imperiosa e transmissível: A história! Gostamos de contar histórias uns aos outros!
    De lenda a mito
    Para que essas histórias não morram, elas devem ser contadas constantemente. Ou seja, reinventá-las, ampliá-las, até aumentá-las. Até você acreditar! Todos os grupos humanos foram assim construídos a partir de histórias míticas fundadoras. Sob esse ângulo, o mito desempenha um papel de integrador social, ou seja, de manter a coesão dos conjuntos em questão. Os antropólogos afirmam que o mito é uma realidade que determina a vida presente, as atividades e os destinos da humanidade .
    Olhando mais de perto, podemos dizer que a história, em todas as suas formas, salvou a esperança humana, dando sentido à vida. Falhando em se inventar, o homem inventou céus e deuses, depois um deus e um demônio, um paraíso e um inferno. E assim entraram em cena o logos (a razão personificada pela linguagem) e o mythos(fabulosa história transmitida pela tradição) toda uma série de histórias, religiosas e profanas. Então, após a invenção da escrita e depois da imprensa, impôs-se o livro dos livros, a Bíblia, uma rica mistura de construções imaginárias e realidades ampliadas. Escrito há mais de 3.500 anos, continua sendo o maior sucesso literário ocidental. Oferecendo-nos precisamente a "história humana" com o Verbo como princípio! Todas as ressalvas feitas, pois não esqueçamos que a Bíblia foi escrita na época em um território de 40 quilômetros quadrados: a terra de Canaã. Não é o único livro sagrado do planeta!
    Desta forma, o Homem é capaz de formar uma estrutura irracional em torno de uma personagem (real ou não), um acontecimento (autêntico ou inventado) até concretizar um fenómeno fundador, por vezes de alcance universal e que se torna significativo. Podemos citar na história que nos é familiar, entre outros, os mitos de Moisés, Salomão, Jesus, Napoleão, Kennedy, Che Guevara, De Gaulle. E mais recentemente, no show business, os cantores Elvis Presley e Johny Halliday. Mito não significa verdade, mas representações de fatos ou elaborações do espírito a partir de tradições e histórias amplificadas pelo imaginário coletivo.
    Como as sociedades primitivas que veneravam deuses ou glorificavam objetos naturais, também a Maçonaria sentiu a necessidade de “inventar uma história”, partindo de uma criação lendária e depois mítica, assim que se tornou uma sociedade iniciática. Cabe aqui diferenciar a lenda do mito. A lenda é uma história que tem um começo, um coração e um fim. Um mito é uma história que tem um final em aberto. No Rito Escocês Antigo e Aceito, essa diferenciação permite que a lenda de Hiram que aparece no 3º grau, torne-se assim o mito de Hiram, do grau 4 ao 33, com uma série de fábulas, contos e alegorias, espalhando-se no tempo.
    Os fundadores da maçonaria especulativa moderna, pastores Anderson e Desaguliers, mencionam Hiram Abi, o arquiteto do Templo de Salomão na primeira edição das Constituições Maçônicas (1717). Considerando que ele é apenas um bronzeador artesão na Bíblia. Observe que a palavra "arquiteto" contém a palavra "arca", ou seja, uma "ponte que conecta". Este arquiteto Hiram ainda é citado na segunda edição das Constituições (1738) que evoca o profundo luto causado por sua morte repentina. Mas ainda não se trata de assassinato!
    Este último só interveio na década de 1740, no seio de várias lojas inglesas, numa “composição trágica” estruturada, diz-se, por um criador rosa-cruzeiro. Ele imagina uma cena de crime, como se o início de uma série de aventuras humanas exigisse primeiro, para o bom funcionamento social do grupo, não apenas uma morte, mas neste caso, um parricídio fundador.
    Freud apontará para esse tema da “horda primitiva” em sua teoria do “assassinato do pai” por seus filhos, primeiro impacientes para sucedê-lo, depois arrependidos. E depois dele, o antropólogo René Girard verá no fenômeno da violência, o fato histórico repetitivo da vítima inocente - o bode expiatório a ser removido.
    Hiram em má companhia
    É precisamente sobre este mesmo tema que o primeiro ritual do 3º grau simbólico foi criado no século XVIII . No REAA, ele nos leva direto da Europa das Catedrais para a Judéia. No templo de Jerusalém em construção, são colocados em situação premeditada, três Companheiros Trapaceiros, Jubelas, Jubelos e Jubelum, ávidos pelo grau de Mestre. Transformando suas ferramentas em armas, eles assassinam Hiram, simbolizando assim respectivamente, diz a lenda, ignorância, fanatismo e ambição excessiva. Observo de passagem que, na década de 1980, o terceiro Companheiro simbolizava na REAA superstição e não ambição. Prova de que o rito vive com os tempos, neste caso o da materialidade que hoje prevalece sobre a espiritualidade religiosa. Vale a pena deter-nos por um momento nas três faltas dos referidos maus Companheiros, com um olhar contemporâneo.
    D'abord l'IGNORANCE (do latim ignorância, falta de conhecimento). A primeira “ausência de conhecimento” que a define é, sem dúvida, a ignorância de nós mesmos, movidos como somos por nossos impulsos inconscientes. Daí o interesse de estarmos atentos às exigências do nosso EU, constituído pelo nosso “corpo-mente”. E não querer matar o nosso “ego”, como às vezes ouvimos de pessoas precisamente ignorantes! Somos imersos nas palavras que nos construíram desde o nosso nascimento. É bom saber como transmissores: um indivíduo está isolado, frequentemente hostil e exposto ao risco de delinqüência quando tem menos de cem palavras de vocabulário. Duzentas palavras já permitem que ele se comunique melhor. Quatrocentas palavras lhe dão a capacidade de entender o mundo e se encaixar socialmente. Passa então da ignorância à educação, chave das boas relações humanas.
    Ensuite le FANATISME (do latim fanum, relativo ao templo, e de fanaticushomem inspirado, delirante). Na antiguidade mediterrânea, onde reinava o politeísmo e as multidões de crenças, “fanáticos” eram os sacerdotes que adoravam deuses específicos. Com a particularidade de entrarem em transes brutais, durante os quais infligiam feridas a si próprios, até verem a cor do seu sangue nas feridas abertas. Esse comportamento ocorre ainda hoje na realização de certas cerimônias religiosas monoteístas. E, infelizmente, a série de atentados que atingem a Europa nos mostram a fúria cega, a barbárie dessas mentes manipuladas que são os fanáticos contemporâneos. Tudo considerado é claro, pode-se perguntar se, mesmo na alvenaria, o fato de alguns fetichizarem o rito, a ponto de se tornarem " ritolatras"», não vem do início do fanatismo. Daí a necessidade imperiosa de preservar o livre arbítrio em todas as circunstâncias!
    Por fim, AMBIÇÃO DESMEDIDA (do latim ambitionio,cobiçar, cobiçar). A ambição tem dois significados distintos. No primeiro sentido, é uma pulsão axial, uma força psíquica inconsciente, presente e preciosa em cada um de nós, que nos impulsiona a crescer, a perseverar em nosso ser e a nos aperfeiçoar. É o nosso capital energético que vai além do simples instinto de autopreservação. No segundo sentido, trata-se, no excesso ditado pelo desejo megalomaníaco de dominar, de tomar o poder, portanto de se impor, à custa da eliminação do outro. Esta manobra é evidentemente não só nociva como contraditória já que, visando receber a admiração dos outros, desencadeia, pelo contrário, a sua rejeição. Convenhamos, essa forma de ambição também existe em nossas fileiras. Aí é prejudicial quando, por exemplo, se volta para a concorrência.
    Advogado do diabo
    Na tentativa de ser objetivo, é interessante examinar a aventura hiramica com uma lupa filosófica. Segundo o método atribuído a Georg Hegel, tese, antítese, síntese. Ou seja, com espírito crítico, portanto com dúvida. Assim, é possível ver em Hiram – como advogado de defesa dos três maus companheiros – um personagem tirânico, cego por sua subserviência a Salomão (rei frívolo e caro, não esqueçamos) que reduz à escravidão de milhares de trabalhadores (segundo a Bíblia) para construir um insolente Templo de riquezas. E, continua a defesa, pode-se entender que três companheiros coléricos buscam ganhar mais se revoltando pela força! Uma tese que hoje seria defendida pelos sindicatos!
    Resta evidentemente o homicídio imperdoável, ou seja, o direito de matar que os três indivíduos assumiram. O advogado de defesa, esse "advogado do diabo", responderá aqui que a precariedade (que gera ciúmes) pode desencadear uma loucura assassina, ela mesma a ser levada em conta quando a faculdade de discernimento do humilhado é abolida. O povo não se saiu melhor em 1789, decapitando o rei Luís XVI e sua esposa, que tentaram fugir pela "porta leste" da França (outra versão do assassinato de Hiram, em suma!). Não foi este rei culpado de ter construído o Palácio de Versalhes, o seu Trianon e os seus suntuosos jardins, enquanto o povo passava fome! Victor Hugo falou muito bem sobre isso!
    Em suma, tudo está em tudo e seu oposto! Mitos e lendas só são verdadeiramente produtivos quando são estudados pelo menos sob os dois aspectos que sempre encerram, o bem e o mal. Como os dois lados de uma carta de baralho ou de uma moeda. O anverso e o reverso, o lado da coroa e o lado da face, constituem a mesma carta e a mesma moeda! A verdade não é deste mundo, mesmo na Maçonaria. Depois da tese e da antítese, a síntese.
    Essas falhas humanas, demasiado humanas, simbolizadas pelos três companheiros de maus atores da lenda de Hiram, e que pontuam nossa experiência relacional, têm uma coisa em comum, a incivilidade. A mesma que vivemos atualmente em todo o território, durante as frequentes manifestações sociais nas ruas. São "desnaturados" por bandidos mascarados, vestidos de preto, que desafiam e agridem a polícia, quebram vidros e incendeiam carros! Triste espetáculo da “guerrilha urbana” no século XXI! Ativado pela pulsão de morte, fere gravemente corpos, corações e almas!
    Longe desta terrível violência atual, o REAA de hoje se apoia em outra dramaturgia - assumidamente livresca, mas baseada na própria violência, característica do ser humano!- aquela imaginada no século XVIII, para tentar dar-lhe sentido . Não apenas resiste ao teste do tempo, mas é completamente, oh, parte da modernidade!
    Qual é o significante valorizado pela lenda de Hiram, senão a coragem, demonstrada pelo arquiteto de Salomão?! Qual é o significado expresso, senão a verdade , na forma de uma senha, que os três trapaceiros queriam saber antes do tempo?! Esta coragem, da qual devemos nos armar todas as manhãs. Esta verdade, o próprio objeto de nossa pesquisa, mas sem pressa. Você tem que ter tempo para as coisas e fazer tudo no seu tempo!
    Da palavra perdida, a palavra substituída
    O interesse primordial do símbolo é a liberdade de interpretação que ele permite! Assim, o aprofundamento da lenda de Hiram nos leva, repetidamente, a refletir sobre essas palavras, essa "palavra perdida" deixada com ele em seu túmulo. Como sempre, uma lenda vem de outra. Iluminemos por um momento a nossa imaginação com a poesia bíblica que nos diz que as palavras em questão são aquelas desenhadas na areia por Jesus para Maria Madalena e apagadas pelo vento, durante sua caminhada às margens do lago Tiberíades!
    Sabemos que a natureza – cósmica ou humana – abomina o vácuo, palavras substitutas vieram para preenchê-lo nas seguintes lendas! Somos assim referidos, por metáforas interpostas, a uma das nossas faculdades mentais que é a substituição . Graças aos artifícios da linguagem, o homem é capaz de transformar o sentido da fala e disfarçá-la. Claramente, podemos ouvir que com a "palavra substituída" sucedendo a "palavra perdida" ele inventou a mentira!
    Esta mentira instalada hoje na cidade, onde se tornou um reconhecido exercício de estilo, para não dizer um verdadeiro “esporte nacional”! Tanto nas ruas quanto na mídia, tanto nos negócios quanto na política. Fofoca, manipulação, notícias falsas, falsas promessas: tal é o significado profano de “discurso substituído” hoje! Seduzir, vender, obter, enganar, aparecer, fingir ser e ter, muitas pessoas estão em nossa esfera de imediatismo! Nesse sentido, o jornalismo muitas vezes eleva o acontecimento e a expressão instantânea substituiassim o real para o real. A filosofia notará aqui que essa segmentação do tempo – o império do instante – serve para impedir sua fuga desesperada e equivale a aliviar a angústia individual da morte, portanto, a mentir para si mesmo .
    É a uma nova visão do mundo, à manutenção de uma palavra sã que o iniciado é convidado. É também, quando necessário, a atos de resistência, quer dizer, pacíficos, que o Maçom, o Maçom, se engaja. A tolerância é limitada pelo intolerável: aquele momento em que é preciso saber dizer não! Com essa vontade constante, podemos enfrentar a má educação e os preconceitos, lutar contra as certezas instituídas, denunciar os ditos mexericos, carregados de palavras que matam. Dar novamente uma chance à verdade, em todos os lugares da “comédia humana”, tanto dentro quanto fora do nosso movimento.
    Nunca haverá autoridades humanistas suficientes para defender a trilogia republicana, incompatível com a hegemonia! Enquanto as lojas se multiplicarem, estaremos em uma democracia. Sejamos conscientes, orgulhosos e felizes!
    Com o coração feliz apesar de tudo e a alma em busca de tranquilidade, gosto de ver a Maçonaria como um vasto jardim rico na diversidade de suas flores, sempre novas, sempre brilhantes e coloridas. E perto do túmulo imaginário de Hiram – perdoe-me! – Atrevo-me a este pensamento com um sorriso maroto: Não é porque sou uma velha acácia… que dou velha mimosa!
    17 min
  • TIRADENTES
    Em resumo, não obstante as versões da história que predominem, o que realmente importa em termos de civismo e patriotismo é que os ideais da Maçonaria eram, e são, muito semelhantes aos ideais dos Inconfidentes, como Tiradentes.
    Celebra-se no Brasil, em 21 de abril, o Dia de Tiradentes. Batizado Joaquim José da Silva Xavier, é considerado um dos heróis nacionais do Brasil. Embora possa parecer que atualmente o civismo e o patriotismo sejam práticas e sentimentos colocados em segundo plano, valendo mais como pretexto para “feriadões” do que como ideais, o mito de Tiradentes permanece como símbolo da luta pela igualdade de direitos e pela justiça social.
    O significado de "mito” aqui utilizado é a narrativa acerca de tempos heróicos, com um fundo de verdade. A verdade em torno de Tiradentes é cada vez mais contestada. Há hoje quase um consenso de que o que tem sido ensinado nas escolas para gerações de brasileiros, sobre os acontecimentos da Inconfidência Mineira, é uma história com fundo de verdade, mas em muito inventada no advento da República, ante a necessidade de criar para o povo um herói que, por ter dado a vida pela liberdade, suplantasse os heróis da Monarquia (como Pedro I, Pedro II e Isabel Redentora).
    A Inconfidência Mineira foi um movimento que, no final do século XVIII, reuniu diversos grupos da elite colonial de Minas Gerais, de diferentes origens e ideologias políticas, contando com intelectuais, empresários e líderes locais, insatisfeitos com a exploração econômica e política do Brasil pelo governo português. Acreditavam que o Brasil (embora para eles se resumisse a Minas Gerais e Rio de Janeiro) deveria se tornar independente de Portugal, com o poder político e econômico local passando a ser exercido pelos próprios brasileiros, ou seja, por eles mesmos.
    O movimento começou a ganhar força em meados de 1780, quando a economia da região estava em crise e a população estava insatisfeita com os altos impostos e o monopólio comercial exercido pela metrópole portuguesa, o que levou os “inconfidentes” (“traidores”) a planejar uma revolta armada para derrubar o governo português e estabelecer uma república independente no Brasil, quiçá inspirada pelo que ocorria concomitantemente na França.
    Assim como os demais, Tiradentes supostamente era um homem de ideais liberais, que ou bem liderou ou pelo menos participou ativamente da Inconfidência Mineira. Militar de patente subalterna, juntou-se a homens influentes e cultos que compartilhavam ideais iluministas e republicanos, com valores como a igualdade, a liberdade, a fraternidade e a justiça social. Posteriormente, possivelmente da mesma forma que se criou uma história verossímil sobre Tiradentes, este ideário também veio a ser associado aos princípios fundamentais da Maçonaria.
    Muito naturalmente, especula-se que Tiradentes, e muitos outros Inconfidentes, tenham sido Maçons. Esta afirmativa ainda é objeto de polêmica, mesmo nos meios maçônicos. Fato é que Tiradentes foi executado em 1792, e as primeiras Lojas Maçônicas do Brasil foram fundadas somente anos depois, em 1796 e 1797, em Pernambuco e na Bahia, e somente em 1801 no Rio de Janeiro.
    Fato é, também, que data de 1717 o início da história documentada da Grande Loja Unida da Inglaterra, a mais antiga organização maçônica do mundo, sendo portanto bem possível que comerciantes, viajantes e membros das elites brasileiras possam ter sido iniciados como Maçons no exterior, tendo acesso a informações e recursos para ajudar a disseminar a organização no Brasil. Não há porém evidência de que o Alferes Joaquim José estivesse entre esses iniciados.
    É verdade que, 30 anos depois da morte de Tiradentes, a Maçonaria teve um papel importante na disseminação de ideias revolucionárias. Muitos de seus membros, inclusive o próprio D. Pedro I, participaram ativamente da luta pela independência do Brasil.
    Em resumo, não obstante as versões da história que predominem, o que realmente importa em termos de civismo e patriotismo é que os ideais da Maçonaria eram, e são, muito semelhantes aos ideais dos Inconfidentes, como Tiradentes, que acreditavam na razão, na ciência e na liberdade individual como as melhores ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
    Com base em wikipedia.org e obras de C. Ginzburg, J. M. Carvalho, J.A.G. Lima e C.G.Mota, R.J. Ribeiro
    Responsável: Loja Maçônica Perseverança - Paranaguá – PR
    6 min

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