Malhete Podcast

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By Luiz Sérgio F. CastroHistory
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  • Por que São João é o santo padroeiro da maçonaria?
    Por que São João é o santo padroeiro da maçonaria?
    Por John L. Cooper
    São João Batista e João Evangelista são conhecidos como os santos padroeiros da Maçonaria. Mas Por Que?
    A Maçonaria tem muitos mistérios inexplicados em seu ritual, um dos quais é a referência aos “Santos São João”. Vem na aula monitoria do grau de Aprendiz. Os candidatos são informados de que as lojas maçônicas são dedicadas a São João Batista e São João Evangelista. Juntos, eles representam os santos padroeiros da Maçonaria.
    Até hoje, os maçons de todo o mundo continuam a reconhecer essas duas figuras como os santos padroeiros da Maçonaria. Na verdade, o mais próximo que temos de um feriado maçônico são os dias de festa dos dois santos. A festa de São João Batista é comemorada em 24 de junho, e a de São João Evangelista é no dia 27 de dezembro. Maçons e lojas maçônicas marcam esses dias com seus próprios jantares comemorativos ou outros eventos. São duas das datas mais importantes do calendário fraterno.
    6 min
  • A Integração da Bíblia Sagrada na Maçonaria: Uma Perspectiva Histórica
    Por:William Regal.
    A prática da Maçonaria, uma organização fraterna envolta em história e tradição, é anterior até mesmo à Bíblia Sagrada. É uma surpresa para muitos, então, que a Bíblia desempenhe um papel significativo nos rituais e cerimônias maçons.
    Isso levanta uma questão intrigante: por que uma instituição como a Maçonaria, que possivelmente existia antes do advento da Bíblia, a incorporaria a seus ritos?
    Raízes Históricas da Maçonaria
    O primeiro passo para entender isso envolve mergulhar nas raízes históricas da Maçonaria. A mais antiga menção registrada da Maçonaria está no manuscrito Halliwell, também conhecido como Poema Regius. O manuscrito, que se acredita ter sido escrito entre 1390 e 1425, menciona explicitamente a Maçonaria, muito depois da época de Cristo e da escrita da Bíblia.
    Outros documentos históricos, como o Manuscrito de Matthew Cooke, sugerem a existência da Maçonaria antes mesmo de a Bíblia ser escrita, ligando a organização a personagens bíblicos. Uma referência notável no Manuscrito Cooke traça as origens da Maçonaria até a sétima geração depois de Adão, um personagem da narrativa da criação do Gênesis. De acordo com este manuscrito, o filho mais velho de Lamech, Jabal, descrito como o primeiro a descobrir a geometria e a alvenaria, é considerado o primeiro maçom.
    A jornada histórica da Maçonaria continua com Euclides, o famoso matemático grego que viveu por volta de 350 a 250 antes do nascimento de Cristo e da redação do Novo Testamento. A Maçonaria então chegou à Inglaterra sob o reinado do rei Athelstan de 924 a 939 d.C.
    Mas a pergunta permanece: por que a Bíblia foi integrada à Maçonaria?
    A Maçonaria é menos sobre religião e mais sobre ensinamentos morais e éticos. A Bíblia, com suas ricas narrativas e lições de moral, fornece uma fonte universalmente reconhecida de tais ensinos. Durante os tempos do rei Athelstan e da escrita do Poema Regius, a religião era parte integrante da vida cotidiana. Todos os aspectos da vida eram influenciados por ensinamentos e cerimônias religiosas, tornando as lições de moral da Bíblia bem conhecidas e amplamente compreendidas.
    Essas lições morais da Bíblia foram ensinadas por séculos e alcançaram um status universal. Eles estão enraizados na história humana e são algo com o qual podemos nos conectar, independentemente de nossas crenças individuais. Portanto, o uso da Bíblia Sagrada na Maçonaria não visa promover o cristianismo ou salvar almas, mas transmitir lições de moralidade para promover melhores interações entre si e com toda a humanidade.
    Embora a Maçonaria esteja aberta a pessoas de todas as religiões, ela ainda pode usar a Bíblia Sagrada como guia ou modelo para ensinar essas lições morais. Esses ensinamentos, profundamente enraizados em nossa consciência coletiva, fazem parte de nossa história humana compartilhada.
    A universalidade dos ensinamentos morais da Bíblia permite que uma organização como a Maçonaria, que pode incorporar muitas religiões diferentes, possa usá-la com eficácia. A ênfase não está nos aspectos religiosos da Bíblia Sagrada, mas em seus ensinamentos morais que são verdadeiramente universais e estão enraizados na história humana há séculos, senão milênios.
    Em conclusão, a integração da Bíblia Sagrada na Maçonaria aponta para um foco em valores morais universais ao invés de doutrina religiosa. Essa perspectiva histórica não apenas fornece uma compreensão de por que a Bíblia Sagrada está presente na Maçonaria, mas também ressalta o apelo universal das lições de moral que transcendem as fronteiras religiosas. Apesar das lacunas na narrativa histórica, essa perspectiva oferece uma resposta convincente ao motivo pelo qual uma organização anterior à Bíblia viria a integrá-la tão profundamente em suas cerimônias e rituais.
    OBSERVAÇÃO
    Observe que este relato, embora baseado em documentos históricos e interpretações pessoais, não é de forma alguma exaustivo ou definitivo. A rica história da Maçonaria é complexa e multifacetada, e uma exploração mais aprofundada de sua relação com textos religiosos como a Bíblia pode produzir várias perspectivas e interpretações.
    Na verdade, a confluência da história, religião e moralidade dentro da Maçonaria convida a uma multiplicidade de pontos de vista. Os documentos e manuscritos históricos mencionados anteriormente, como os manuscritos de Halliwell e Cooke, embora inestimáveis, não oferecem um quadro completo das origens da Maçonaria ou de sua intricada relação com a Bíblia. Esses relatos, no entanto, fornecem informações valiosas e nos ajudam a tecer uma narrativa que dá sentido ao intrincado vínculo entre a Maçonaria e a Bíblia.
    Também é crucial entender que a presença da Bíblia na Maçonaria não a torna uma instituição religiosa, nem se esforça para propagar quaisquer crenças ou ideologias religiosas específicas. Em vez disso, usa os ensinamentos morais da Bíblia como uma ferramenta para imbuir seus membros com um senso de moralidade e responsabilidade ética. Esses ensinamentos, atemporais e universais, ressoam com indivíduos de diferentes religiões e origens culturais, tornando-os ideais para uma organização inclusiva como a Maçonaria.
    Além disso, a inclusão da Bíblia Sagrada na Maçonaria serve para destacar a aceitação de múltiplas fés pela organização. A Maçonaria, ao usar a Bíblia, permite a seus membros a liberdade de interpretar seus ensinamentos à luz de suas próprias inclinações religiosas ou filosóficas. Este aspecto da Maçonaria reflete seu compromisso com a tolerância religiosa e seu reconhecimento dos princípios morais compartilhados que sustentam várias fés.
    Incorporar a Bíblia Sagrada na Maçonaria não é afirmar um ponto de vista religioso singular, mas sim aproveitar os temas universais da moralidade presentes na Bíblia. Essa abordagem aumenta a universalidade da Maçonaria, permitindo que ela supere as divisões religiosas e culturais enquanto enfatiza os valores morais e éticos comuns.
    De certa forma, a integração da Bíblia Sagrada pode ser vista como o reconhecimento da Maçonaria da experiência humana compartilhada e a busca universal pela compreensão moral. Simboliza o compromisso da organização em promover um ambiente de respeito mútuo, tolerância e responsabilidade moral compartilhada.
    A história da relação da Maçonaria com a Bíblia, embora complexa e não totalmente compreendida, lança luz sobre o foco da organização nos princípios morais universais sobre o dogma religioso. É uma prova do apelo duradouro dos ensinamentos morais da Bíblia, seu amplo reconhecimento em diferentes culturas e religiões e sua capacidade de promover a compreensão e o respeito mútuos entre indivíduos de diversas origens.
    Pensamentos finais
    A presença da Bíblia Sagrada na Maçonaria ressalta o foco da organização na moralidade, sua aceitação da tolerância religiosa e seu compromisso de promover um senso de responsabilidade moral compartilhada entre seus membros. A história dessa relação, embora intrincada e multifacetada, oferece uma visão convincente do apelo universal da Maçonaria e sua relevância duradoura em um mundo diverso e plural.
    9 min
  • O QUE VOCÊ GOSTARIA DE SABER SOBRE A UCRÂNIA E NÃO TEM A QUEM PERGUNTAR
    Por Michael Winetzki
    Meu pai nasceu em uma pequena aldeia na Ucrânia em 1917. Havia então no país uma grande comunidade judaica. Estudou na Escola Militar de Odessa, foi aluno brilhante e matemática e física e tornou-se capitão de artilharia, responsável pelos cálculos que permitiam estabelecer as trajetórias balísticas dos obuses.
    Em memória a meu pai vou falar um pouco de seu país natal.
    Com a divisão do Império Romano e o estabelecimento de Constantinopla, como a capital do Império Romano do Oriente, esta tornou-se uma das cidades mais ricas, belas e afluentes do mundo.
    Situada geograficamente em um ponto estratégico, no estuário chamado pelos gregos de Chifre de Ouro, como se fosse o imenso chifre de um touro mitológico encravado no Mar de Bósforo que dividia o lado europeu com o lado asiático do Mar de Mármara.
    A cidade foi reconstruída pelo Imperador Constantino sobre uma pequena cidade já existente, Bizâncio, e é privilegiada com um profundo porto natural que facilitava o comércio para todas as civilizações que lá estiveram, desde os gregos e romanos, até os otomanos.
    A cidade tinha poderosas fortificações e uma das mais notáveis era a pesadíssima corrente de mais de um quilometro de extensão com elos de ferro de mais de um metro de largura que formavam uma barreira flutuante intransponível para que navios inimigos não tivessem acesso à cidade.
    Em 1204 as galeras venezianas utilizadas pela Quarta Cruzada lograram romper a corrente e saquearam a cidade destruindo tudo o que puderam. Em nome de Cristo cometeram atrocidades inenarráveis.
    Os vikings, que os bizantinos chamavam de varegues e nós chamamos de eslavos, muito fortes, altos e loiros, como são exibidos pela mitologia, hábeis navegantes e intrépidos cavaleiros, vindos das regiões nórdicas onde estão a Escandinávia e a Noruega, em seus leves navios com uma tecnologia de casco simétrico que permitia manobras bruscas e rápidas também estiveram em Constantinopla que eles denominavam Michelgard.
    Conta a lenda que o viking Harald Hadraade, ou ainda Harald o Severo, Rei da Noruega, conseguiu se apropriar de muitos dos tesouros de Constantinopla, inclusive daqueles que foram roubados do Templo de Jerusalém. Ele morreu em batalha, porém os vikings liderados por Ascoldo e Dir prosseguiram em seus navios para a Europa Oriental através dos inúmeros rios daqueles territórios, ora negociando, ora saqueando, até o Rio Dnieper, onde tomaram a Fortaleza de Kiev e no século IX fundaram o reino viking de Rus, chamado de Rus de Kiev, a origem das atuais nações Ucrânia e Rússia, num vastíssimo território que atualmente engloba Ucrânia, Rússia e Belarus até o Mar Báltico.
    Desta forma desde sua origem existem fortes laços em comum na história, cultura, religião e comportamento. Kiev permanece como capital da Ucrânia e a cidade de Moscou só seria fundada no século XII. Vladimir 1º de Kiev (São Vladimir “o Grande” para a Igreja Cristã Ortodoxa) consolida o Reino Rus e impõe a religião cristã ortodoxa por volta do ano mil.
    Entretanto nos séculos seguintes uma sucessão de conflitos e conquistas irá estabelecer novos costumes e identidades culturais para os povos que habitam a porção oeste. Em meados do século 13 o domínio pelos mongóis. No final do século 14, o território é dividido entre o Grão-Principado de Moscou e o Grão-Ducado da Lituânia (que mais tarde se juntou à Polônia). Depois foi governada pela dinastia dos Habsburgo dos impérios Austríaco e Austro-Húngaro. Assim, essa porção ocidental do país teve uma história diferente daquela vivida no leste ucraniano e isso aumentou as influências europeias ocidentais.
    Do lado leste, a margem oriental do Rio Dnieper, vasto território onde fica a Criméia o desenvolvimento político e cultural foi diferente. Houve forte influência dos tártaros, gregos e otomanos, até que ocorreu o domínio pelo Império Russo que expandiu suas conquistas até o centro do país até então controlado pela Polônia. Do lado oeste as terras passaram da Polônia para o Império Austríaco.
    Em função destas e de muitas outras mudanças de governo e da imposição de múltiplas culturas o professor de estudos ucranianos da Universidade College London, Andrew Wilson, (apud bbb. news) ensina que “deve se ver a Ucrânia, tanto pelo seu território quanto pela sua identidade, mais como um quebra-cabeças dinâmico do que como uma unidade estanque”.
    Enfim, ao longo dos séculos ocorreram inúmeras mudanças que não nos cabe descrever numa pequena apresentação. A partir de 1917, pós-revolução Russa, ocorre a criação da União Soviética, que unifica sob um governo central de Moscou diversos países, incluindo a Ucrânia.
    Deve se destacar a marca de uma grande tragédia, o “Holodomor”, a Grande Fome de 1932 a 1934, quando o ditador Stalin se apropria de toda a produção de alimentos do país para punir sua “insolência nacionalista”. Apesar deste evento não constar na história oficial da União Soviética tem se como certo que pelo menos sete milhões é o número de pessoas mortas pela fome na Ucrânia.
    No dia de Natal de 1991 a União Soviética foi dissolvida e todas as nações que compunham a União Soviética se tornaram independentes, embora pró-Rússia, com exceção da Ucrânia que declarou “status” de neutralidade e buscou aproximação maior com a Europa e com a OTAN. Porém em 2013 o presidente Victor Yanukovich suspendeu os acordos de parceria com a União Europeia e buscou maior aproximação com a Rússia gerando protestos e manifestações populares que duraram vários meses e ficaram conhecidas como Euromaidan ou Revolução da Dignidade.
    O governo foi derrubado e assumiu um novo Presidente.
    7 min
  • NAPOLEÃO BONAPARTE E SUA FORTE INFLUÊNCIA NOS DESTINOS DA MAÇONARIA DE SEU TEMPO
    Por Hélio Pereira Leite
    Quem foi Napoleão Bonaparte? acredito que todos sabem quem ele foi, o que ele fez, onde ele chegou e qual foi o fim dele numa ilha, mas com certeza poucos sabem a forte influência que ele exerceu na maçonaria francesa, em sua consolidação e em sua expansão, inclusive para o Brasil.
    Segundo César Vidal em seu livro Los Masones, traduzido por Maria Alzira Brum Lemos, para Os Maçons – a sociedade secreta mais influente da história, publicado pela editora Relume Dumará, em 2005, poucos souberam extrair melhor as lições pertinentes da Revolução Francesa que um general de origem corsa chamado Napoleão Bonaparte.
    "Existem especulações sobre uma possível iniciação de Napoleão na maçonaria, que teria ocorrido em 1798, na ilha de Malta e no seio de uma loja maçônica formada majoritariamente por militares. As provas não são de todo conclusivas, mas não há dúvida de que Bonaparte utilizou conscientemente a maçonaria como um instrumento político.". Senão vejamos!
    Quatro dos irmãos de Napoleão – bem como seu pai – foram maçons. José, que seria rei da Espanha; de Luís, rei da Holanda; de Luciano, príncipe de Cannino; e de Jerônimo, rei de Westfália. E ainda, General Joaquin Murat, seu cunhado e seu enteado Eugenio de Beauharnais também foram maçons. Também vinte e dois entre os marechais mais importantes de Napoleão eram maçons.
    Quando Napoleão tomou o poder, a maçonaria francesa encontrava-se dividida entre o Grande Oriente e o Rito Escocês. Como ele tinha o firme propósito de controlar as lojas maçônicas, conseguiu que José Bonaparte fosse eleito Grão-mestre do Grande Oriente, enquanto Luís assumiu o mesmo cargo no Rito Escocês, as quais se fundiram em 1804 tendo José como Grão-Mestre. E não satisfeito, Napoleão obrigou a aceitação de mulheres nas lojas maçônicas para conceder a Josefina o cargo de Grã-Mestra.
    O sonho de Napoleão era dominar a Europa, utilizando a maçonaria. Esta lhe permitia contar com um exército que lutava "contra o papa", manter com vigor, as forças armadas sob seu controle e a política em suas mãos, além de proporcionar-lhe um instrumento de captação e propaganda favorável ao domínio francês da Europa.
    Napoleão expandiu o ideário da Revolução Francesa, tendo como instrumento de apoio todas as lojas maçônicas, tendo como única exceção uma loja no Cantão de Genebra, que tinha sido invadida em 1798 por tropas francesas.
    As forças invasoras de Napoleão foram criando em seu caminho lojas maçônicas, para as quais recrutavam as elites nacionais, que, desta forma lhes ficavam submetidas. Foi assim, pelas mãos dos invasores franceses que a maçonaria chegou à Espanha.
    Até 1787 não existiam lojas maçônicas em Espanha devido a proibição papal, imposta pela Inquisição desde 1738. Havia notícia de maçons ali estabelecidos, em geral estrangeiros, como o pintor veneziano Felipe Fabris, processado pela Inquisição.
    Os primeiros maçons espanhóis foram iniciados na França e faziam parte da frota espanhola que, aliada da francesa, atracou em Brest em 8 de setembro de 1799. Pertenciam a lojas maçônicas francesas, mas, em agosto de 1801, fundaram uma loja espanhola que recebeu o nome de A Reunião Espanhola, com vinte e seis membros, entre eles padres capelães. Loja que deixou de existir em 23 de abril de 1802 com a volta á Espanha.
    A primeira Loja maçônica fundada na Península pelos invasores franceses foi a de San Sebastian, em 18 de julho de 1809. A esta se seguiram outras em Vitória, Zaragosa, Barcelona, Gerona, Figueras, Talavera de la Reina, Santõna, Santander, Salamanca, Sevilha e Madri, onde se instalou a Grande Loja Maçônica Nacional de Espanha.
    Em 1813 Napoleão foi derrotado e foi exilado na ilha de Elba. Em 1º de março de 1815, Napoleão desembarcou na França depois de fugir da ilha de Elba.
    Todos sabem que Napoleão foi vencido em Waterloo e seu sonho imperial ruiu definitivamente. Menos conhecido é que, por um desses paradoxos, a vitória sobre Napoleão foi conseguida por um britânico, Arthur Wellington, que tinha sido iniciado na maçonaria em 7 de dezembro de 1790 numa loja maçônica situada em Trim, condado de Meath.
    A Maçonaria no Brasil
    As primeiras sociedade secretas do Brasil também foram impulsionadas pelos franceses. Uma destas sociedades foi a dos Cavaleiros da Luz, criada na Bahia pelo maçom francês Dupetit-Thouars em 1791. Sua finalidade explicita era estender os postulados da Revolução Francesa no Brasil. Dupetit retornou ao seu país de origem e em 1797 foi sucedido por outro maçom francês Larcher, que tinha como missão provocar uma rebelião contra a Coroa Portuguesa.
    As denominadas academias, das quais as mais relevantes estavam estabelecidas em Pernambuco tiveram papel similar, destacando-se a Academia Suassuna fundada por Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque, um padre católico – Frei Caneca, e pelo chefe da Justiça da Província de Pernambuco, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, irmão de José Bonifácio de Andrada e Silva. Surgiu também a Academia do Paraiso, cujo nome é uma homenagem à Nossa Senhora do Paraiso, tendo com fundador o padre João Ribeiro Pessoa.
    Contudo, a mais importante de todas elas foi a sociedade secreta o Areópago de Intambé, fundada pelo botânico Manoel de Arruda Câmara, que tinha por objetivo livrar o Brasil do domínio português e estabelecer uma república sob a direção de Napoleão. Porém, descobertos seus objetivos foi desarticulada, frustrando com isto os planos napoleônicos de controlar o Brasil.
    No Livro Maçônico do Centenário, editado em 1922 pelo Grande Oriente do Brasil, na página 112 e seguintes, encontra-se o seguinte comentário:
    "Ninguém acreditaria, por exemplo, que o gênio de Napoleão a tivesse tolerado e, mais do que isso, dado todo o apoio a sua ação, si não estivesse certo de que essa grande colaboradora do seu governo fosse um obstáculo a sua expansão. Ela foi, pois, durante o período napoleônico, uma ação moderadora das tendências absorventes do império, mas, ao mesmo tempo, um dínamo de evolução que corrigia sem excesso.
    Napoleão que teve a seus pés os reis de seu tempo, que dilatou as fronteiras do seu império com um simples gesto de sua vontade e a quem as casas reinantes da Europa lhe pediam os parentes para realizarem alianças matrimoniais, não teria votado tal prestígio a maçonaria francesa de seu tempo, sem aqueles motivos de senso prático e de aproveitamento das forças úteis que foram o grande segredo de seu sucesso".
    Napoleão deixou-nos um grande legado. Foi um dos criadores do Estado moderno. Não somente porque garantiu a permanência na França e a divulgação por toda a Europa da época de algumas conquistas da Revolução como, por exemplo a abolição do regime feudal e a proclamação da igualdade de todos perante a lei, mas também e sobretudo por algumas iniciativas legislativas. Entre essas, a promulgação do Código Civil (1804), de Procedimento Civil (1806), do Comércio (1807), do Procedimento Penal (1807), e Penal (1811). Impostos em todos os territórios anexados ou vassalos da França, criou um sistema valioso de garantia da propriedade, das liberdades individuais, da igualdade jurídica e tornou -se portanto, muito além das fronteiras francesas, um possante instrumento da unificação nacional.
    Eis aí quem foi Napoleão, que terminou sua vida sem poder, isolado e abandonado numa pequena Ilha, que nos leva acreditar que o poder dos homens é efêmero, passageiro, com tempo de garantia, sem o devido reconhecimento daqueles que foram beneficiados, pelas ações daqueles que em um momento qualquer da vida foram líderes, tiveram fama e poder e terminaram seus dias pagando um alto preço e no ostracismo político e social.
    10 min
  • DESPOTISMO
    DESPOTÍSMO
    Há mais de 300 anos, o perspicaz Charles-Louis de Secondat (1689 – 1755) já observava que "os interesses particulares fazem esquecer facilmente os interesses públicos." Florescia o Iluminismo, em contraponto às circunstâncias históricas e culturais que haviam conduzido as nações a terem governos absolutistas e despóticos, levando os filósofos da época a buscar um sistema político mais equilibrado e justo. Secondat, o Barão de Montesquieu, constatava então que "para que não se possa abusar do poder é preciso que, pela disposição das coisas, o poder freie o poder", expressão que reflete a essência da tripartição dos poderes do Estado, apresentada em 1745 em seu livro "O Espírito das Leis".
    A tripartição de poderes, qual seja, o poder estatal exercido por três poderes, executivo, legislativos e judiciário, é conceito político e jurídico fundamental no sistema do moderno Estado democrático de direito. Essa separação visa evitar a concentração excessiva de poder nas mãos de um único órgão ou indivíduo, o que pode levar ao despotismo, ao poder exercido de forma isolada, arbitrária e absoluta.
    De modo mais ou menos evoluído, nas principais nações livres dos dias atuais, é assim que se sustenta a democracia, sistema de governo no qual o poder político é exercido pelo povo ou por seus representantes eleitos. O poder executivo, para fazer cumprir as leis de forma eficaz, tomar decisões rápidas e lidar com a administração diária do Estado; o Legislativo, com a autoridade para fazer as leis sendo exercida por representantes eleitos democraticamente, para garantir a participação popular na criação das normas que regem a sociedade. E por fim o Judiciário, que deve ser uma instituição imparcial (ou seja, sem partido), independente (não vinculada nem a Executivo nem a Legislativo), e que possa aplicar as leis de maneira justa e equitativa, protegendo os direitos dos cidadãos.
    Este mecanismo de "freios e contrapesos”, ou “checks and balances”, visa garantir um sistema de governo equilibrado, com a divisão de poderes e mecanismos de controle mútuo. Cada poder deve exercer algum controle sobre os outros, justamente a fim de evitar abusos. O Legislativo pode fiscalizar o Executivo por meio do poder de investigação e impeachment. O Executivo pode vetar leis aprovadas pelo Legislativo e indicar juízes para o Judiciário. O Judiciário pode revisar a constitucionalidade das leis aprovadas pelo Legislativo e a legalidade das ações do Executivo.
    Note-se porém que, se o objetivo é sustentar a democracia e evitar a concentração excessiva de poder, protegendo os direitos e liberdades individuais, o “controle mútuo” deve ser realizado em conformidade com a vontade popular. Quando um poder é exercido somente para calar o outro, submetendo-o a sua vontade parcial e/ou ilegal, de forma isolada, arbitrária e absoluta, o que está em risco é a própria democracia.
    Os valores fundamentais que sustentam a tripartição de poderes e o sistema democrático estão em consonância com os princípios éticos e filosóficos enfatizados pela Maçonaria, como a busca pela verdade, a fraternidade, a igualdade, a liberdade individual, a liberdade de pensamento e de expressão, e a tolerância. Qualquer forma de censura ou agressão entre os poderes constituídos não deve encontrar guarida, mas sim merecer o repúdio daqueles que defendem, como princípio, o ideal democrático de participação popular na governança e a responsabilidade dos cidadãos no processo democrático.
    5 min
  • O QUE É... SER LIVRE E DE BOA MORAL NA MAÇONARIA
    O QUE É... SER LIVRE E DE BOA MORAL NA MAÇONARIA
    Por Antônio Marcus de Melo Ferreira
    A partir do momento em que alguém se torna um Maçom, ele terá que estar ciente de que haverá um longo caminho a percorrer. Podemos dizer que é um caminho sem fim. Ao longo desta jornada, há momentos bons e momentos ruins. Os bons devem ser usados como incentivo, e os ruins não podem ser motivo para desanimar e abandonar a jornada iniciada. A linguagem, ainda usada nas Lojas Maçônicas, diz que o Aprendiz Maçom é uma pedra bruta que deve ser cortada para se tornar uma pedra cúbica. Este é o início de sua jornada maçônica.
    Os instrumentos básicos de viagem são conhecidos do maçom desde sua primeira instrução: a régua de 24 polegadas, o macete e o cinzel. Com o progresso, nós maçons recebemos outros objetos.
    As ferramentas de trabalho, claro, são simbólicas. Todos os símbolos nos abrem portas, desde que não nos atemos apenas a definições morais. É na nossa 4ª instrução, que começamos a compreender os significados da nossa jornada maçônica, do espírito maçônico, que nos ensina, um comportamento original que não se encontra em nenhum outro grupo de homens. Se isso não for assumido, não se será um bom pedreiro, livre e de bom caráter.
    O que significa "ser livre e de boa moral" na concepção maçônica?
    Livre e de bons costumes implica que, embora todo homem seja livre no verdadeiro sentido da palavra, pode ser aprisionado por obstáculos sociais que o privam de parte de sua liberdade e o tornam escravo de suas próprias paixões e preconceitos. Assim, é desse jugo que ele deve se libertar, mas só o fará se tiver bons hábitos, ou seja, se já tiver, em sua personalidade, preceitos éticos (virtudes) bem fundamentados.
    O ideal de homens livres e de bons costumes, ensinado por nossa sublime Ordem, mostra que a Maçonaria visa, desde os tempos mais remotos, o aperfeiçoamento espiritual e moral da Humanidade, lutando pelos direitos dos homens e, pela Justiça, pregando o amor fraterno, procurando unir esforços para um maior e mais perfeito entendimento entre os homens, para que se estabeleçam os laços indissolúveis da verdadeira fraternidade, sem distinção de raça nem de crenças, condição indispensável para que haja verdadeira paz e entendimento entre os povos.
    Livre, palavra derivada do latim, designa em sentido amplo tudo aquilo que está livre de qualquer condição, constrangimento, subordinação, dependência, encargo ou restrição.
    A qualidade ou condição de ser livre, assim atribuída a uma coisa, significa a liberdade de ação em relação a ela, sem qualquer oposição, que não se baseie em restrição legal e, sobretudo, moral. A consequência da liberdade é a liberdade, que é a capacidade de fazer ou não fazer o que se quer, de pensar como se quer, de ir e vir a qualquer lugar, quando e como se quer, de realizar qualquer atividade, qualquer coisa de acordo com o livre arbítrio, determinação da pessoa, quando não houver regra de proibição para o exercício do ato ou quando não houver princípio restritivo ao exercício da atividade.
    É verdade que a Maçonaria é uma escola de aperfeiçoamento moral, onde nós, homens, nos aperfeiçoamos para benefício de nossos semelhantes, desenvolvendo qualidades que nos permitem ser cada vez mais úteis à comunidade. Não esqueçamos, porém, que de uma pedra impura nunca poderemos fazer uma brilhante, por maiores que sejam nossos esforços.
    O conceito maçônico de homem livre é diferente, é muito superior ao conceito legal. Para ser um homem livre, não basta ter liberdade de movimentos, ir para cá ou para lá. A liberdade pertence ao homem que não é escravo de suas paixões, que não se deixa dominar pelas torpezas de seus instintos animais humanos. Não é um homem livre, não goza da verdadeira liberdade, é escravo dos vícios. Ele não é um homem livre dominado pelo jogo, que não consegue se livrar de suas tentações. Não é um homem livre que se afunda no vício, se degrada e se condena, sacrificando voluntariamente sua liberdade, porque seus instintos básicos prevaleceram sobre suas qualidades, anulando-as.
    Um maçom é aquele que tem a força moral necessária para evitar todos os vícios que infamam, que desonram, que degradam. O ideal supremo da liberdade é livrar-se de todas as más propensões, livrar-se de todas as tendências condenáveis, deixar o caminho das trevas e seguir o caminho que conduz à prática do bem, que traz ao homem a perfeição intangível.
    Sendo livre e, portanto, gozando da liberdade, o homem deve sempre pautar sua vida pelos preceitos da boa moral, expressão também derivada do latim e utilizada para designar o conjunto de regras e princípios impostos pela moral, que delineiam o padrão de conduta dos indivíduos em suas relações domésticas e sociais, de modo que estas se articulem de acordo com os nobres objetivos da própria vida humana.
    Os bons costumes referem-se mais especificamente à honestidade das famílias, à modéstia dos indivíduos e à dignidade ou decoro social.
    A ideia e o sentido dos bons costumes não se desviam da ideia ou do sentido da moralidade, pois os princípios que os regem nele se baseiam inequivocamente.
    O bom pedreiro, livre e de bons costumes, não confunde a liberdade, que é um direito sagrado, com o abuso, que é um defeito; acredita em Deus, o ser supremo que nos guia para o bem e nos afasta do mal. O bom Maçom, livre e de bons costumes, é leal. Quem não é fiel aos outros é desleal consigo mesmo e trai seus compromissos mais sagrados; cultiva a fraternidade, porque é a base fundamental da Maçonaria, porque só pelo culto da fraternidade podemos alcançar uma humanidade menos sofrida; recusa reconhecimentos porque se satisfaz com o prazer de ter contribuído para fazer viver um semelhante.
    O bom Maçom, livre e de bons costumes, não desanima, nunca desmorona, não se revolta com as derrotas, porque ganhar ou perder são contingências da vida humana, é nobre na vitória e sereno na derrota, porque sabe como triunfar sobre seus impulsos, para dominá-los, ele faz bem porque sabe que é apoiando os outros, sentindo suas dores, que nós melhoramos.
    O bom pedreiro, livre e de bons costumes, tem horror ao vício, porque é o oposto da virtude, que ele deve cultivar; é amigo da família, porque é a base fundamental da humanidade; tem qualidades morais para ser maçom, não humilha os fracos, os inferiores, porque isso é covardia, e a Maçonaria não é refúgio de covardes; ele trata os outros fraternalmente para não trair seus juramentos de fraternidade; não se desvia do caminho da moralidade, pois quem dele se desvia é incompatível com os objetivos da Maçonaria.
    O bom maçom, o verdadeiro maçom, não se envaidece, não ostenta as suas qualidades, não vê na ajuda ao próximo um gesto excepcional, porque é um dever de solidariedade humana cuja prática é divertida. Ele só promete o que pode cumprir. Uma promessa quebrada pode causar inimizade. Ele não odeia, o ódio destrói, apenas a amizade é construída.
    Finalmente, o verdadeiro Maçom, não investe contra a reputação dos outros, porque fazê-lo é trair os sentimentos de fraternidade. O maçom, o verdadeiro maçom, não tem apego ao ofício, pois é para cultivar a vaidade, sentimento mesquinho, incompatível com a elevação de sentimentos que o bom maçom deve cultivar.
    Os vaidosos buscam posições em que se destaquem; Os verdadeiros maçons buscam um trabalho que traga a Maçonaria à tona.
    O valor da existência de um maçom é julgado por suas ações, pelo exercício do bem.
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  • ARQUIVO DO TEMPO: PEGADAS DE HOJE NA HISTÓRIA - 18 DE MAIO
    18 DE MAIO DE 1096
    CERCA DE 800 JUDEUS SÃO MASSACRADOS EM WORMS, NA ALEMANHA
    No dia 18 de maio de 1096, cerca de 800 judeus foram massacrados por cruzados em Worms, na Alemanha. Esse foi um dos muitos ataques que a comunidade judaica sofreu durante a Primeira Cruzada (1096-1099), campanha convocada pelo Papa Urbano II para resgatar a Terra Prometida.
    A carnificina foi comandada pelo Conde Emicho, um conhecido antissemita. Logo após a chegada do nobre e sua tropa de cruzados a Worms, começaram a circular rumores dizendo que judeus afogaram um cristão e contaminaram a água da cidade. Pouco depois, a população local se juntou aos cruzados seguidores de Emicho para atacar os judeus da cidade.
    Todos os judeus capturados foram mortos. O bispo da cidade interveio e abrigou sobreviventes em seu castelo. Mas, oito dias depois, uma turba enfurecida invadiu o local e assassinou os judeus que haviam se refugiado lá.
    Massacres parecidos aconteceram em outras cidades alemãs no período. Estima-se que cerca de cinco mil judeus tenham sido assassinados na região durante a passagem da Primeira Cruzada.
    18 DE MAIO DE 1781
    O LÍDER DA REVOLTA INDÍGENA NO PERU E BOLÍVIA, TUPAC AMARU SEGUNDO É EXECUTADO.
    Após derrotar os espanhóis na batalha de Sangarara, Tupac Amaru Segundo foi traído por um dos seus oficiais que o entregou aos europeus, enquanto o líder revolucionário rumava às montanhas para reunir suas tropas. Amaru foi submetido a torturas para delatar onde estava seus oficiais, mas ele se negou a passar as informações. No dia 18 de maio de 1781, o líder rebelde presenciou a morte de sua esposa, dois filhos e de aproximadamente 50 rebeldes na praça central de Cusco. Depois, foi amarrado a quatro cavalos, que deslocaram os seus membros. Depois, um carrasco espanhol decapitou e mutilou o corpo do primeiro líder revolucionário que lutou pela independência de seu povo na América do Sul.
    18 de MAIO de 1804
    NAPOLEÃO É NOMEADO IMPERADOR FRANCÊS
    Um verdadeiro mito da história, Napoleão Bonaparte tornou-se imperador dos franceses no dia 18 de maio de 1804, adotando o nome de Napoleão I.
    Sua nomeação como imperador ocorreu em um momento de ascensão na carreira militar, após uma série de campanhas vitoriosas. Como recompensa, Napoleão, que já era Primeiro Cônsul francês, foi proclamado Imperador pelo Senado. Ele controlou pessoalmente o exército com mão de ferro.
    A cerimônia de coroação de Napoleão ocorreu no mesmo ano, no dia 2 de dezembro, na catedral de Notre Dame de Paris. A cerimônia foi um espetáculo que entrou para a história, começando pelo fato de que Napoleão não foi a Roma para ser ungido pelo papa, como os imperadores costumavam fazer. Ele obrigou Pio VII a ir a Paris para a cerimônia. O momento mais emblemático ocorreu na hora da coroação. Napoleão tomou a coroa das mão do Papa e coroou a si mesmo, de frente para o público e de costas para o pontífice. Depois, colocou a coroa na imperatriz Josefina. Com esse gesto, Napoleão passou a mensagem de que devia seu título a si mesmo e a mais ninguém.
    18 / MAIO / 1883
    NASCE EURICO GASPAR DUTRA, EX-PRESIDENTE DO BRASIL
    No dia 18 de maio de 1883 nascia, em Cuiabá, no Mato Grosso, Eurico Gaspar Dutra, militar brasileiro e ex-presidente do Brasil. Desde cedo na carreira militar, Gaspar Dutra reprimiu a Intentona Comunista (1935) no Rio de Janeiro, Natal e Recife. No ano seguinte, foi nomeado ministro da Guerra por Getúlio Vargas, sendo um dos colaboradores para a implementação do Estado Novo, em 1937. Após a Segunda Guerra Mundial, defendeu a redemocratização do país e foi demitido do ministério, em 1945. Neste ano, Dutra venceu a eleição presidencial, concorrendo pelo Partido Social Democrático (PSD). Ele ficou no poder até 1951 e uma das suas medidas mais polêmicas foi a proibição de jogos de azar no Brasil. Além disso, inaugurou a TV Tupi e também recebeu a Copa do Mundo de 1950. Após o golpe militar de 1964, ele tentou voltar à presidência, mas o escolhido para o cargo foi Castelo Branco. Dutra morreu no dia 11 de junho de 1974, no Rio de Janeiro, aos 91 anos.
    18 / MAIO / 1920 NASCE O PAPA JOÃO PAULO II
    No dia 18 de maio de 1920 nascia em Wadowice, na Polônia, Karol Józef Wojtyla, que seria mundialmente conhecido mais tarde como o Papa João Paulo II. Seu papado foi um dos mais longos da história, com início em 1978 e término com a sua morte em 2005. Entre suas principais características estava a capacidade de falar vários idiomas como português, polonês, esperanto, espanhol, grego, latim, italiano, francês, inglês e alemão. Também tinha conhecimentos de checo, lituano, russo e húngaro, como outras línguas como japonês e idiomas africanos. Foi o primeiro papa a fazer grande uso dos meios de comunicação, em particular a internet. Outra característica era a busca por laços mais estreitos com os líderes de outras religiões como judeus, muçulmanos, ortodoxos e tibetanos (por meio de Dalai Lama). João Paulo II morreu no dia 2 de abril de 2005, no Vaticano. Aos 85 anos, ele foi vítima de uma septicemia e colapso cardiopulmonar irreversível, agravada pela sua doença de Parkinson.
    18 / MAIO / 1944 FIM DA BATALHA DE MONTE CASSINO, TRAVADA NA ITÁLIA ENTRE ALIADOS E A ALEMANHA NAZISTA
    Em 18 de maio de 1944, chegava ao fim a Batalha de Monte Cassino. O conflito foi uma série de quatro batalhas dos Aliados contra a Linha de Inverno na Itália, mantida pelas Potências do Eixo durante a Segunda Guerra Mundial. O objetivo era um avanço em direção a Roma.
    Monte Cassino, uma abadia histórica fundada em 529 por Bento de Núrsia, dominava a cidade vizinha de Cassino e as entradas para o rio Liri e vales do rio Rapido. Conhecendo o valor estratégico do monte, a Alemanha nazista tomou o local durante a Segunda Guerra Mundial e ali aquartelou três divisões de infantaria e duas blindadas da Wehrmacht. Os Aliados pretendiam atingir Roma com seu avanço a partir do Sul da Itália em 1943. Porém, "tropeçam" em Monte Cassino.
    A tomada de Monte Cassino resultou em 55 mil baixas entre os Aliados e 20 mil baixas entre os nazistas. Cerca de dois mil civis também morreram durante o confronto.
    18 / MAIO / 1980
    SENDERO LUMINOSO INICIA LUTA ARMADA NO PERU
    Sendero Luminoso é uma organização terrorista peruana de tendência maoísta que iniciou sua luta armada em 18 de maio de 1980. A meta do Sendero Luminoso era substituir as instituições burguesas peruanas com um regime revolucionário camponês comunista, iniciando-se presumivelmente através do conceito maoísta da Nova Democracia. Desde a captura de seu líder, Abimael Guzmán Reynoso, em 1992, só teve atuações esporádicas. A ideologia e as táticas do Sendero Luminoso tiveram influência sobre outros grupos insurgentes de caráter maoísta, como o Partido Comunista do Nepal e outras organizações afiliadas ao Movimento Revolucionário Internacional. Amplamente condenado por sua brutalidade, que inclui violência aplicada contra os camponeses, dirigentes sindicais, autoridades eleitas popularmente e a população civil em geral, é considerada uma organização terrorista pelo governo do Peru, além da União Europeia e Canadá, os quais proíbem fornecer-lhe fundos ou outro apoio financeiro. Além disso, o Sendero Luminoso está na lista de organizações terroristas estrangeiras do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
    18 / MAIO / 1994
    TROPAS ISRAELENSES SE RETIRAM DA FAIXA DE GAZA
    Em 18 de maio de 1994, tropas israelenses se retiraram da maior parte da Faixa de Gaza, no Oriente Médio. A partir de então, o território passou a ser governado pela Autoridade Nacional Palestina. A retirada foi o resultado de uma longa negociação.
    No início de maio de 1994, Yitzhak Rabin, primeiro-ministro israelense, e Arafat, presidente da OLP, assinaram o Acordo do Cairo, prosseguimento das discussões de Oslo. Segundo o acordo, Israel se comprometeu a se retirar parcialmente da região de Jericó, na Cisjordânia, e da Faixa de Gaza, dentro de três semanas após a assinatura do documento. Outra consequência do acordo foi a criação da Autoridade Palestina, tendo Yasser Arafat como seu primeiro presidente.
    No mesmo ano, Yitzhak Rabin, Yasser Arafat e o ministro israelense de relações exteriores Shimon Peres receberam o Prêmio Nobel da Paz após a assinatura dos acordos.
    18 / MAIO / 2001 SHREK É LANÇADO NOS CINEMAS
    Em 18 de maio de 2001, o incipiente estúdio de animação DreamWorks SKG, fundado pelos pesos-pesados de Hollywood Steven Spielberg, Jeffrey Katzenberg e David Geffen, lança o que será seu filme de maior sucesso até o momento: o longa-metragem animado “Shrek”. Baseado no livro infantil de William Steig, de 1990, “Shrek” foi vividamente re-imaginado pelos animadores da DreamWorks como uma versão subversiva da história clássica “A Bela e a Fera”. Originalmente, o estúdio contratou o comediante Chris Farley para fazer a voz do ogro verde, mas sua morte, em dezembro de 1997, suspendeu o projeto, uma vez que o personagem Shrek tinha sido criado e moldado de acordo com sua voz e personalidade. Depois que Mike Myers topou entrar no projeto, ele deu seu toque ao personagem, incluindo um forte sotaque escocês com o tempero da sua terra nativa, o Canadá.
    18 / MAIO / 2017
    MORRE CHRIS CORNELL, QUE SE DESTACOU COMO VOCALISTA DO SOUNDGARDEN E AUDIOSLAVE
    O artista lutou durante anos contra a depressão e a dependência química.
    O cantor Chris Cornell morreu em 18 de maio de 2017, aos 52 anos, em Detroit, nos Estados Unidos. Segundo o laudo médico, a causa da morte foi suicídio por enforcamento. O artista, que se destacou como vocalista das bandas Soundgarden e Audioslave, lutou durante anos contra a depressão e a dependência química.
    Lenda do rock
    Nascido em Seattle, Cornell passou a se interessar pela música quando ainda era criança. Após encontrar uma coleção de discos dos Beatles aos nove anos, ele ficou obcecado pela banda. A partir da infância ele teve aulas de piano e violão, além de aprender a tocar bateria.
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  • QUEM FOI O PRIMEIRO CÍNICO DA HISTÓRIA (E POR QUE ELE FOI CHAMADO ASSIM)
    Alexandre, o Grande (356 a.C. - 323 a.C), tinha ouvido falar dele.
    Platão (428/427 a.C. - 348/347 a.C.) o descreveu como um "Sócrates delirante".
    Não faltam histórias sobre as excentricidades desse filósofo que vivia como um vagabundo pelas ruas das cidades gregas, muitas vezes expressando seus pensamentos com piadas e ironias.
    Ele dizia ser mais feliz, mais justo e mais corajoso do que qualquer rei, e Alexandre, que já era rei, o procurou e o encontrou deitado ao sol.
    Quando perguntou: "Há algo que eu possa conceder a você?", o filósofo respondeu: "Você pode se afastar e parar de bloquear a luz do sol".
    Segundo a versão de Plutarco (46 d.C. – 120 d.C) desta anedota, "Alexandre ficou tão impressionado e tão admirado com a arrogância e grandeza do homem que não sentiu nada além de desprezo por ele, que disse a seus seguidores, que riram do filósofo enquanto se afastavam: 'Se Eu não fosse Alexandre, quem me dera ser Diógenes'".
    Quem foi Diógenes?
    Diógenes de Sinope (400 a.C. - 325 a.C.) era um cínico. Na verdade, ele foi o primeiro cínico, embora o fundador da escola cínica tenha sido seu professor, o filósofo ateniense Antístenes (440 a.C. - 365 a.C), discípulo de Sócrates (470 a.C. - 399 a.C.)
    Mas foi Diógenes quem ganhou o apelido, às vezes mencionado como um insulto, mas que recebeu como um elogio.
    Em tempo: na Grécia Antiga, "cínico" tinha outro significado.
    Hoje, a palavra descreve um indivíduo "hipócrita, sem escrúpulos", "que se opõe enfaticamente aos padrões morais e sociais", "que tem procedimento imoral, sarcástico ou debochado" ou “que tem atitude de descaso".
    A origem desse adjetivo pode surpreendê-lo: é derivado de kynes, que significa "cachorro".
    Mas o que o cinismo tem a ver com cães?
    É aí que entra em jogo o comportamento incomum de Diógenes.
    Ele nasceu no final do século 5 a.C. e foi banido de sua terra natal, Sinope (atual Turquia), uma colônia jônica no Mar Negro, por causa de um assunto um tanto obscuro envolvendo a falsificação de moedas.
    Despojado de todos os seus bens e até mesmo da cidadania, ele se declarou cosmopolita e vagou pelas cidades gregas, vivendo de sua crença de que as convenções sociais impediam a liberdade pessoal e dificultavam o caminho para a boa vida.
    Vivendo em um barril
    Para ele, riqueza, privilégio e poder, convencionalmente sinais de uma vida bem-sucedida, deveriam ser mais desprezados do que admirados.
    Uma vida bem-sucedida era uma vida virtuosa, vivida conforme a natureza, e esse tipo de vida exigia apenas as necessidades mais básicas.
    Então, em vez de buscar fama e fortuna, ou pelo menos uma maneira de ganhar a vida para pagar por comida e abrigo, Diógenes fez sua casa nas ruas, dormindo ao ar livre, às vezes em um barril.
    Ele constantemente se esforçou por uma maior simplicidade.
    Quando viu um menino usando um pedaço de pão para comer lentilhas e as mãos para beber água, disse: "Este menino me ensinou que ainda tenho coisas supérfluas" e se livrou de sua tigela e colher, a única coisa que tinha, e o manto com que se cobria.
    Ele comia o que a natureza (ou boas almas) lhe dava e fazia todas as suas necessidades em público sem um pingo de vergonha.
    Quando foi repreendido um dia por se masturbar na Ágora, Diógenes respondeu: "Gostaria que a fome pudesse ser aliviada tão facilmente apenas esfregando a barriga!" .
    Foi por causa desse estilo de vida que passaram a chamá-lo de "Diógenes, o Kynikós", que significa "como um cachorro" ou "canino", ou, em português, "Diógenes, o Cínico".
    Mas ele não gostou do apelido.
    Os cachorros eram um bom símbolo de sua filosofia: viviam felizes com pouco, comiam de tudo e dormiam onde podiam.
    Como eles, Diógenes dizia: "Eu abano o rabo para quem me dá alguma coisa, lato para quem não me dá nada e mordo os malandros".
    Além disso, ele "latiu verdades", sem medo ou favoritismo.
    Não viveu apenas de acordo com suas convicções em silêncio para dar o exemplo.
    Ao contrário, quando não estava pregando, passava o tempo insultando os transeuntes e os poderosos, usando o humor para criticar aqueles que aderiam ao que ele considerava ordens sociais antinaturais.
    'Do contra'
    Embora tenha deixado pouco ou nada escrito, convencido de que a virtude se revelava pela ação e não pela teoria, suas ideias filosóficas sobreviveram graças ao que foi relatado por autores que as retomaram posteriormente, em obras como "Vidas, opiniões e frases dos mais ilustres filósofos" de Diógenes Laércio (século 3 d.C.).
    Muitas são evidenciadas graças a anedotas, algumas talvez apócrifas, que mostram um estilo muito pessoal.
    Diógenes costumava, por exemplo, entrar no teatro, caminhando contra o fluxo de pessoas que saíam. Quando questionado sobre o motivo, respondia: "É o curso de ação que segui durante toda a minha vida".
    A quem perguntava quando se devia almoçar, dizia: "Se for rico, quando quiser; se for pobre, quando puder."
    Para explicar por que as pessoas davam esmolas a mendigos, mas não a filósofos, assinalava: "Porque as pessoas esperam que se tornem coxos ou cegos, mas nunca que se tornem filósofos."
    Uma de suas ações mais memoráveis foi questionar a definição dada por Platão do ser humano pela qual ganhou elogios: um animal, bípede e sem penas.
    Diógenes, que era muito crítico de Platão, arrancou um pássaro e levou-o à Academia e anunciou: "Aqui está o ser humano de Platão."
    Platão respondeu com humor: "Não se preocupe, vou acrescentar algo à definição: é um bípede sem penas com unhas largas."
    Com essa mesma atitude, expôs a insignificância da vida civilizada tanto com atos quanto com palavras, rejeitando desde ideias até práticas, como trazer iguarias de outras terras, argumentando que o que era produzido localmente deveria ser consumido, para evitar o gasto de recursos e o custo humano da importação.
    E embora vivesse na pobreza, insistia que nem todos deveriam viver como ele, mas queria mostrar que a felicidade e a independência eram possíveis mesmo em circunstâncias reduzidas.
    Seus 4 pilares eram...
    • autossuficiência, ou a capacidade de possuir dentro de si tudo o que é necessário para a felicidade;
    • falta de vergonha ou desprezo pelas convenções que proíbem ações inofensivas;
    • franqueza, ou um zelo intransigente para expor o vício e a presunção e incitar os homens a se reformarem;
    • Excelência moral, obtida por meio de treinamento metódico ou ascetismo.
    Diógenes ganhou seguidores que se tornaram conhecidos como os Filósofos Cínicos, ou Cachorrinhos, e continuaram a ser chamados assim por cerca de 900 anos após sua morte.
    Mas nem todos foram tão fiéis à sua doutrina.
    Segundo o escritor do século 2, Luciano de Samósata (125 a.C.-180 a.C.), os cínicos de sua época eram hipócritas e materialistas sem princípios que apenas pregavam o que Diógenes havia praticado.
    Séculos depois, os renascentistas leram os textos de Luciano e começaram a usar a palavra "cínico" para descrever pessoas que criticavam outras sem ter nada de valor para contribuir, explicou William Desmond, filósofo irlandês e autor de vários livros sobre cínicos.
    Esse uso começou a aproximar a palavra de seu significado atual.
    Fonte: https://www.bbc.com
    9 min
  • SER OU NÃO SER... MAÇOM
    Por Mário dos Santos Gomes
    A conhecida e dramática frase "ser ou não ser, eis a questão" reflete a angústia existencial e a dúvida antológica do príncipe na obra "A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca", escrita por William Shakespeare (1564-1616) na virada do século XVII, onde o famoso personagem medita sobre o dilema de vingar ou não a morte do pai. Essa situação decorre de Hamlet se ver diante de uma realidade que não era a que imaginava, sendo subitamente colocado diante de revelações do fantasma de seu pai, demonstrando que seu mundo perfeito era uma farsa, diante da complacência da corte. O momento dessa descoberta da verdade dos fatos também está registrado na célebre frase “há algo de podre no reino da Dinamarca”.
    A situação de dúvida relatada acima é uma constante que assombra o ser humano em sua trajetória terrena, presente em momentos decisivos e imbuída de dualidades, envolvendo o que queremos ser ou o que podemos ser. Enfim, como viver a vida. Alguns chegam a dizer que felizes são aqueles que, vivendo permanentemente alienados e não se confrontando com embates de verdades, não percebem as realidades do mundo e fazem o seu caminho de forma intransigente ou por vezes também construída ou fruto de uma mito onde cada um o percebe de uma forma diferente, assim representado na famosa "Alegoria da Caverna" ou "Mito da Caverna", uma passagem de "A República", do filósofo grego Platão (400 aC).
    É sabido que ao longo da história muitas pessoas buscam se estruturar em clubes de serviço, grupos, associações, fraternidades, entidades com os mais variados objetivos, materiais, sociais, culturais, religiosos, civis, etc., onde a cooperação, a partilha, a ajuda mútua e a solidariedade prevalecem. Cabe aos membros e administradores dessas entidades, entre outras ações, encontrar pessoas com as qualificações necessárias e ideais para dar continuidade ao trabalho, que estejam plenamente empenhadas e envolvidas na garantia do alcance dos objetivos definidos.
    A Ordem Maçónica não foge a esta receita, pelo que condiciona a seleção dos seus futuros membros a valores estritos como a probidade, a honra imaculada e a boa cidadania, pois neste aspecto reside a sua força. Aceite a proposta de admissão e passada a fase de investigação e iniciação ritual, inculcam-se outros valores em estudos e discussões regulares, para que o iniciado melhore a tolerância, a compreensão do verdadeiro amor ao próximo e à pátria, despertar o interesse e exaltar a necessidade de trabalhar pela felicidade do gênero humano e a consagração da solidariedade como primeira das virtudes e o combate aos vícios inerentes ao ser humano, objetivo a perseguir constantemente.
    Se fossem respeitados os critérios e regras estabelecidos para a seleção e exame dos candidatos, observando-se cautela no processo de avaliação do grau de qualificação e dos valores apresentados pelos potenciais candidatos, não haveria lugar para frustrações e recuos ao longo o caminho maçônico. Apesar disso, por vezes existem procedimentos sumários de seleção e convite, com vista à manutenção ou substituição do quadro de pessoal de determinadas Lojas por um número reduzido de trabalhadores, que conduzem a prejuízos irreversíveis, resultantes do empenho dos valores tão caros a Ordem, permitindo a entrada de pessoas despreparadas, em busca de benefícios, ou com o simples propósito de serem chamados de “irmãos” e dar tapinhas nas costas para demonstrar camaradagem e proximidade.
    Por outro lado, mesmo após as medidas cautelares, o próprio iniciado se frustra, pois se vê frustrado em suas expectativas, principalmente pelas falhas dos dirigentes das Lojas em envolvê-lo em atividades que prendam sua atenção ou instruí-lo competentemente nos Princípios da Ordem.
    A princípio, o trabalhador começa a dar alguns sinais de insatisfação, como faltar às consultas, às vezes sem uma justificativa coerente, chegar atrasado, cumprimentar um ou outro, e não se interessar pelos assuntos tratados. Muitos ficam mal-humorados, não gostam de reuniões festivas, negligenciam os deveres do cargo, se houver, ou recusam-no, quando convidados a atuar. Assistir aos seminários e reuniões das Lojas de Pesquisa da Escola Maçônica, ou mesmo visitar outras Lojas, está fora de questão. A esse respeito, não é incomum ouvir no “jornal do quartel” que esses irmãos voluntários da escola maçônica inventam ou modificam os rituais ou não sabem do que estão falando, esquecendo que esse fórum é de discussão e atualização.
    Quando se trata de patrocinar um candidato, é recorrente o argumento de não conhecer alguém com o perfil adequado. Nas reuniões, quem não está interessado lembra-se sempre de “adiantar o relógio” para que o trabalho não demore mais e não comprometa a visualização do jogo de futebol do dia, da habitual taça, etc. Tudo isso, sem entrar em situações de formação de panelinhas e articulações políticas para o processo de sucessão nas Lojas e sem provocar dissensões entre irmãos, comportamento típico dos discípulos de Bakunin.
    Nesse contexto, são necessárias reflexões por parte das Lojas e dos palestrantes que se identificam em uma dessas situações. Quanto às Lojas, várias perguntas podem ser feitas, como:
    • O que podemos fazer para envolver os trabalhadores?
    • Onde estamos falhando?
    • Nossas reuniões são dinâmicas ou são apenas formalidades?
    • Temos apresentações de trabalhos que provocam discussão e crescimento intelectual?
    • Envolvemos a família em atividades festivas e fraternas?
    • Estamos cuidando de nossos aprendizes e colegas, fornecendo suporte de orientação?
    No caso do trabalhador, temos questões como:
    • O que eu fiz pela Loja?
    • Tenho sido regular nas reuniões?
    • Estou interessado nos tópicos abordados?
    • Eu participo de atividades extra loja?
    • Devo recusar cargos ou substituir irmãos ausentes por motivo de força maior?
    • Eu visito outras lojas?
    • Estou acompanhando o desenvolvimento do(s) meu(s) afilhado(s)?
    • Indico novos nomes para compor a Loja?
    • Convido irmãos de outras Lojas a nos visitar?
    Se nada disso for feito, a Loja poderá seguir um caminho tortuoso que inevitavelmente a levará à extinção. Quanto ao trabalhador, se ele se sente responsável por esta situação, chegou a hora de se colocar como o melancólico Hamlet, onde o "ser" se tornou uma opção e ele agora deve refletir e escolher, sabendo que se não sente não preparado o suficiente para fazer a escolha conscientemente e de acordo com os postulados da Ordem, e chegar à conclusão de que tudo foi apenas uma escolha de segunda mão, seu prazo de validade expirou. Portanto, o próximo passo é tentar descobrir como ficar quieto, confiante de que, se você correr, o bug não pegará.
    8 min

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