Malhete Podcast

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By Luiz Sérgio F. CastroHistory
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  • 2 DE JUNHO DE 1882 - MORRE GIUSEPPE GARIBALDI, O "HERÓI DE DOIS MUNDOS"
    O revolucionário nacionalista italiano Giuseppe Garibaldi morreu em Caprera, na Itália, em 2 de Junho de 1882. Ele se notabilizou pela luta a favor da independência de Itália. Ficou conhecido como "herói de dois mundos" devido a sua participação em conflitos na Europa e na América do Sul.
    Garibaldi nasceu em 4 de julho de 1807, em Nice, que na época era parte do departamento francês dos Alpes Marítimos. Ele passou dez anos de sua vida a bordo de navios mercantes e com o tempo chegou a obter licença de capitão.
    Em 1833, enquanto comandava a escuna Clorinda, entrou em contato com a sociedade secreta Jovem Itália, que esperava alcançar a unidade italiana por meio de um levante popular. Garibaldi se uniu à causa, jurando dedicar sua vida à libertação da sua terra natal do jugo estrangeiro.
    Em fevereiro de 1834 tomou parte da fracassada insurreição de Gênova, sendo condenado à morte por uma corte genovesa. Refugiou-se em Marselha e, em 1835, fugiu para a Tunísia, chegando depois ao Brasil.
    No Rio de Janeiro, Garibaldi conheceu Bento Gonçalves, que estava preso por liderar a Revolução Farroupilha. Foi quando obteve dele uma carta de corso para aprisionar embarcações imperiais. Em 1º de setembro de 1838, ele foi nomeado capitão-tenente, comandante da marinha farroupilha.
    Com a chegada da marinha farroupilha a Santa Catarina, unindo-se às tropas do exército, sob o comando geral de David Canabarro, foi possível preparar o ataque a Laguna por terra e pela água. A marinha farroupilha entrou através da lagoa de Garopaba do Sul, passando pelo rio Tubarão e atacou Laguna por trás, surpreendendo os imperiais que esperavam um ataque de Garibaldi pela barra de Laguna e não pela lagoa.
    Pouco tempo depois, o império reagiu com força total, com mais de três mil homens atacando por terra. Enquanto isto, por mar, uma frota de 13 navios, melhor equipados e experientes, iniciou a batalha naval de Laguna. Garibaldi fundeou seus cinco navios, que se bateram contra os imperiais valentemente, mas sem chances de vitória. Nos navios farroupilhas nenhum comandante ou oficial escapou com vida. O próprio Garibaldi, vendo a derrota iminente, queimou seu navio, a escuna Libertadora, e se juntou à tropa de Canabarro, que preparou a retirada de Laguna. Era o fim da marinha farroupilha.
    Em Laguna, Garibaldi ainda conheceu Ana Maria de Jesus Ribeiro, conhecida depois como Anita Garibaldi, com quem se casaria e que se tornaria sua companheira de lutas na América do Sul e depois na Itália. Depois das queda de Laguna, as tropas farroupilhas tomaram o caminho de Lages para retornar ao Rio Grande do Sul. A pedido, o Bento Gonçalves dispensou Garibaldi de suas funções e ele então mudou-se para Montevidéu, no Uruguai, com Anita e seu filho Menotti Garibaldi.
    Depois de retornar à Itália em 1848, ele se tornou uma figura de destaque no "Risorgimento", um movimento para expulsar as potências estrangeiras da Itália e unificar seus vários estados em uma nação independente. Garibaldi e suas tropas de “Camisas-Vermelhas” acabaram batalhando contra forças da Áustria, França e do papa. No ano seguinte, Anita, grávida e fragilizada, morreu em Ravena, após o casal ter que fugir de da invasão franco-austríaca a Roma.
    A maior conquista de Garibaldi veio em 1860, quando liderou um grupo de voluntários conhecido como “Os Mil” em uma campanha contra o governo dos Bourbon da Sicília. Embora em menor número e desarmado, seu exército esfarrapado saiu vitorioso depois de apenas alguns meses, abrindo caminho para a criação do Reino da Itália, sob o governante Victor Emmanuel II.
    Em 2 de junho de 1882, aos 74 anos, Giuseppe Garibaldi morreu em sua casinha na ilha de Caprera. Embora tenha deixado instruções detalhadas para sua cremação, seu corpo foi enterrado na ilha, onde repousa com sua última esposa e alguns de seus filhos.
    6 min
  • NOTAS SOBRE O ATÉISMO EM GERAL E NA GRÉCIA ANTIGA
    Por Prof. Antonio Binni
    Um estudo sobre o ateísmo, mesmo que mínimo como este, não pode de forma alguma prescindir de um esclarecimento preliminar, também para refutar de imediato o julgamento radicalmente negativo que o investe, tão infundado quanto generalizado.
    De fato, ao contrário do que se poderia conjeturar em termos completamente superficiais, tanto o ateísmo quanto os ateus devem ser firmemente defendidos.
    Para este fim, antes de tudo, deve-se notar que o ateísmo não leva necessariamente à corrupção da moral. Pelo contrário, é verdade que, ao não o expor ao risco de se tornar fanatismo, está mais de acordo com os ideais éticos universalistas.
    Então, pelo menos de um ponto de vista abstrato, não se deve negar que uma sociedade de ateus poderia funcionar perfeitamente como qualquer outra sociedade.
    Tanto civil como moralmente. Até porque o ateu, não tendo a possibilidade de perdão de ninguém, é particularmente severo com o seu próprio trabalho. O que prova - e mostra - a existência de atos irrepreensíveis nas suas ações, caridosas para com os pobres, solidárias com os necessitados. Em poucas palavras, certo.
    Os riscos de uma sociedade sem Deus, como se sabe, levaram Maquiavel (nos Discursos acima da primeira deca de Tito Lívio I, 12) a defender a ideia de que a religião deveria ser, em última análise, indispensável como um instrumentum regni. No entanto, para o escritor, humildemente, esses riscos não parecem fundados. E, em todo caso, parecem superáveis à luz da inviolabilidade absoluta da liberdade de consciência.
    Esta, permite-se o esclarecimento, é a visão de um crente que acredita que a consciência deve ser sempre respeitada. Mesmo quando (se não acima de tudo) alguém está materialmente errado. Obrigá-la a fazer diferente do que ela acredita que deveria ser feito é, de fato, o "pecado" mais grave que se possa imaginar.
    Qualquer tentativa de se opor às crenças do indivíduo em questões de fé deve, portanto, ser contestada - e rejeitada - com a máxima determinação e firmeza. Finalmente, porém, reconhecemos, com satisfação, que o problema do ateísmo nas democracias modernas de uma questão de tolerância está, pelo contrário, já expirado e confinado, à zona da indiferença: um exílio onde, no quotidiano concreto vida, é relegado - infelizmente! - a religião, ainda que a liberdade religiosa tenha inclusive proteção constitucional, conforme vigora em nosso ordenamento jurídico.
    Dito isto, para abordar o ponto essencial do ateísmo, devemos abordar claramente o cerne da questão, ou seja, nos perguntar sobre sua justificação causal. Ou, dizendo ainda de outra forma, em que bases sólidas se assenta racionalmente uma visão tão apaixonante, visto que uma decisão tão séria, como a de negar a existência de um Ser superior, criador do universo em todas as suas inúmeras articulações, pode, claramente, ser o impensado, muito menos temporário, fruto de uma mente tagarela.
    Esta formulação do problema, tão delicada, só pode, portanto, remontar à motivação mais radical, isto é, ao pensamento lúcido de Feuerbach, o primeiro verdadeiro filósofo moderno que destruiu a existência da alteridade da divindade. Segundo esse pensador, certamente proeminente e talvez o mais conhecido da chamada esquerda hegeliana, a divindade nada mais seria do que uma produção do homem, produto de sua própria imaginação, enfim, sua projeção externa, resultado da vergonha que o ser O ser humano experimenta e adverte de sua própria finitude individual e de seus consequentes limites intransponíveis: uma criação à qual o homem se submeteria apenas porque esta criatura infinita responde às necessidades reais e concretas, e sobretudo profundas, do ser humano.
    De acordo com Feurbach, apenas aqueles que são muito covardes, ou muito tacanhos, poderiam então negar o que o sentimento afirma silenciosamente, pois é precisamente do sentimento - e não da razão! - surgiria a necessidade de imaginar um Deus diferente do homem. A dinâmica da personificação da divindade, nessa perspectiva, acaba sendo, portanto, uma necessidade, uma necessidade absoluta por parte do homem, filho, por sua vez, de uma ilusão, que o filósofo deve desmascarar.
    Em palavras simples e lapidárias, segundo Feuerbach Deus não seria mais do que uma projeção substancial das melhores qualidades antropológicas, portanto um fato totalmente humano. Deus de fato nasceria do homem, e não vice-versa.
    Este ponto de vista, ainda que não tão argutamente argumentado, nas suas linhas essenciais, não é, contudo, completamente desconhecido do património cultural - em particular, da produção teatral - e da filosofia da Grécia antiga. Um ponto de referência a que estamos habituados a referir, não por uma escolha pessoal ocasional e imotivada, mas sim porque, como todos devem saber, é precisamente neste terreno que se guardam as raízes da nossa civilização. É, pois, neste mundo, tão cheio de sugestões, que pretendemos recorrer para descobrir a existência de antigos precedentes.
    Sabe-se que os gregos, desde a época arcaica, reconheciam existir uma pluralidade de divindades caracterizadas por uma bem-aventurança autárquica, com consequente total indiferença para com o ser humano, para depois neles interferirem por vontade ou capricho, fruto por sua vez de lutas internas, sabendo que as divindades reconheciam os mesmos impulsos negativos (raiva; vingança; partidarismo; etc.) típicos dos homens.
    Uma concepção da divindade - como é evidente - totalmente ingênua que, evidentemente, não poderia deixar de ser objeto de cuidadosa revisão pelos novos conhecimentos científicos e, sobretudo, pelos ensinamentos originais da sofística, que acabaram tornando as imagens dos deuses transmitidas por Homero e Hesíodo. Com realismo lógico, acabamos assim reconhecendo que as forças da natureza haviam sido elevadas ao grau de divindade e, em particular, todos os elementos e recursos essenciais para a sobrevivência. Daí a reconhecida importância preeminente da Grande Mãe Terra por ser, na época, a agricultura central e decisiva. Deste ponto de vista, no entanto, desembocamos com certeza em uma criação primorosamente humana, embora não baseada no sentimento, como defende o filósofo alemão, mas ainda como resultado das limitações do homem, fonte indiscutível da personificação da divindade.
    O fragmento de Prodico di Ceo (84 B5 Diels-Kranz) é um testemunho significativo desta visão, onde lemos textualmente que «homens de épocas mais remotas tinham considerado os elementos e recursos essenciais para a sua vida como divindades», terminando assim por chamam "a colheita Demeter e o vinho Dionísio, fazendo", desta forma, "surgir as crenças correspondentes". Fica assim bastante evidente que o nascimento da divindade é uma projeção totalmente humana. Por fim, gostamos de conjeturar que aquele significativo “precedente” acabou, pelo menos, por inspirar o filósofo alemão que provavelmente não desconhecia aquele texto. Essa origem - reconhecida como primorosamente humana - da divindade tem então uma inevitável recaída na relação entre os habitantes da polis e a Divindade e, como será esclarecido ainda mais especificamente em breve, sobre a própria finalidade do fenômeno religioso.
    Fruto da projeção humana, em sua própria autocontemplação, a divindade vive num Olimpo tão distante do mundo dos homens que o torna surdo às orações dirigidas ao céu, como todo homem e mulher quando o peso do infortúnio esmaga e oprime vida. Como, para recordar um exemplo significativo, bem vivido por Medéia, que depois de ter invocado os deuses como testemunhas de seu sofrimento, os teve - em vão! - implorou que lhe fizesse justiça em reparação do mal sofrido pelo perjúrio Jasão, forte (?) apenas na lógica própria da ordem masculina! Mas Anaxágoras já havia alertado sobre esse silêncio ensurdecedor quando escreveu: “Não há providência para os homens e todas as coisas estão sujeitas ao acaso” (Anasságoras, 59, A6 Diels-Kranz).
    Mesmo de acordo com Critias, os deuses não se importam com os homens. A visão oposta, segundo esse sofista e refinado político, teria sido na verdade nada mais do que uma invenção predestinada a criar medo e, conseqüentemente, respeito às leis promulgadas pela polis que, além de serem dotadas de sanção humana, assim acabou por receber também - para não dizer sobretudo - um castigo divino particularmente dissuasor precisamente porque vem do céu. Em termos modernos: além da punição, o inferno também!
    A passagem que cristaliza essa visão em sua lúcida audácia é tão importante que merece sua transcrição:
    «Um homem inteligente e sábio inventou o medo dos deuses para que os ímpios tivessem medo (…) Portanto, ele introduziu o divino como um ser imortal (…) E disse que os deuses habitam onde causaria mais impressão nos mortais (…) De tais medos cercou os homens e com isso fundou, por meio da palavra, o Divino». (Critias 88 B 25 Diels-Kranz).
    Como já mencionado, trata-se de questões relativas a divindades inexistentes, projeções inteiramente humanas, fruto da finitude, fonte única e exclusiva de um ateísmo motivado a ponto de vislumbrar a finalidade da religião no instrumentum regni.
    Por fim, não é de estranhar que esses debates sejam pontualmente refratados na cena teatral, pois a tragédia é também espelho de transições culturais e de difusão de novos saberes, de contrastes ideológicos, mesmo que estreitos, e não apenas de violência e o conflito entre heróis destinados ao abismo, em última instância uma oferta aos espectadores atentos de uma autêntica sabedoria fruto de um espírito problemático respeitoso com o novo. Riqueza autêntica de uma polis aberta a um progresso constante, pelo que é legítimo afirmar com absoluta certeza que o teatro grego é verdadeiramente o espelho fiel da comunidade.
    Sem pretensão de completude, o que é impossível dada a localização, apenas quisemos dar conta de um problema tão antigo quanto o homem porque, enquanto o ser humano continuar a pisar a terra, não poderá deixar de se questionar se existe - ou menos - seu Criador. Talvez a razão não seja suficiente para dar uma resposta definitiva à pergunta, mesmo que às vezes seja subjetivamente satisfatória. Mas justamente quando a razão pára, é precisamente aí que brota aquela fé, como um milagre, que oferece ao homem um sentido para a sua própria existência, assim como uma válida razão de viver, senão um labirinto intolerável, o reino da injustiça, porque a fortuna humana sorri sobretudo para os injustos, enquanto muitas vezes traz miséria até para o homem justo e piedoso.
    O Prof. Antonio Binni é Grão-Mestre Emérito do Grande Loja D’Itália.
    13 min
  • A POSIÇÃO DO FARAÓ
    por Salvatore L. D'Ascia
    No Templo Maçónico uma posição meditativa não pode ser constante, a concentração deve, portanto, ser obtida rapidamente e mantida por diferentes fases, uma vez que o Maçom ritualiza coletivamente e, portanto, submetido a estímulos externos, nem sempre está parado, nem sempre está sozinho e ao mesmo tempo executa movimentos que mudam de acordo com o grau em que a Loja funciona. Além disso, esses comportamentos são integrados pelo olhar para o Oriente, pela repetição de sinais e toques, bem como por baterias e cadeias de união.
    A posição estática que lembra os Mistérios clássicos é uma reminiscência de sentar-se imóvel em um trono. No entanto, essa posição é mais antiga que o mundo clássico e remonta ao mundo egípcio e é a posição do faraó, que concebe as pernas juntas com as costas retas e as mãos apoiadas nos joelhos. Serve para obter um relaxamento muscular do diafragma e deve ser tomado sempre que não se movimentar no Templo, ou substituir a posição sentada. Isso acontece antes de tudo para favorecer a respiração e a concentração, mas não só, pois operacionalmente é uma posição de poder que alguns chamam de imagem-força e que lembra a beleza do rei. Essa é a imagem da cobra imóvel: um homem meditativo, sempre jovem e radiante, mas cujo olhar está fixo no centro e cujo trono é uma pedra cúbica perfeitamente lisa.
    Também deve ser adicionado:
    1) No antigo Egito, como nas doutrinas posteriores, o culto ao centro é fundamental.
    2) No antigo Egito, o divino tinha quatro representações e uma delas era na verdade uma estátua de deus sentada em um bloco quadrado.
    3) A evocação de imagens, ou entidades, era uma prática comum do antigo esoterismo, indicada por alguns como evocação, ou magia de imagens.
    4) A posição do faraó via dois cetros cruzados em seu peito: o gancho e o chicote. O cetro em forma de gancho era o bastão do pastor que reunia seu rebanho (o bom pastor dos cristãos) e o chicote, ou flaggellum, era o análogo do pastor e, portanto, representam as energias que permitiram a Ísis trazer Osíris de volta à vida, aquele isto é, eles são instrumentos de retificação.
    5) A pedra cúbica da posição do faraó, como se sabe, é parte importante do trabalho de um Mestre Maçom e mais especificamente do início do caminho, ou melhor, de sua consagração.
    (Extraído de: Magia e Maçonaria).
    4 min
  • A QUESTÃO DA PROIBIÇÃO DE DISCUSSÃO OU CONTROVÉRSIA SOBRE MATÉRIA POLÍTICO-PARTIDÁRIA OU RELIGIOSA NA MAÇONARIA
    Por Carlos Magno Monteiro Freitas
    Muito em decorrência da intensa polarização política vivida nos últimos anos no Brasil e no mundo, observamos alguns Irmãos questionando a proibição constante no inciso VII do Art. 2º da Constituição do Grande Oriente do Brasil: “a proibição de discussão ou controvérsia sobre matéria político-partidária, religiosa e racial, dentro dos templos ou fora deles, em seu nome”. Já ouvimos Irmão sugerindo apresentar emenda constitucional alterando o citado dispositivo. Vamos aqui explicar a origem da proibição e o motivo pelo qual não pode ser revogada.
    A Constituição de Anderson é o documento básico da maçonaria. Compilada pelo Pastor James Anderson em 1717 e revista em 1723, traz no seu capítulo VI – Da conduta do maçom, a seguinte regra: “Devem, também, se abster de dizer ou fazer alguma coisa que possa ferir ou romper a boa harmonia que sempre deve reinar entre todos; por isso, não devem ser levados, a essas reuniões, os ódios particulares, nem motivo algum de discórdia, evitando-se, sobretudo, discussões sobre religião, política e nacionalidade, pois os maçons, (...), não professam outra religião que não a universal e pertencem a todos os povos, a todas as línguas e são inimigos de toda empresa contra o governo constituído.”
    Os Landmarks são pontos de referência, marcos que não podem ser ultrapassados. Estão ligados ao direito consuetudinário inglês, aos usos e costumes. Há várias classificações, sendo as mais conhecidas as de Mackey, Findel, Pike, Pound e Berthelon.
    J. G. Findel, em sua compilação dos Landmarks, incluiu o de número 7 – “A necessidade de manter a concórdia, o amor fraternal e a tolerância; e a proibição de levar, para a Fraternidade, questões sobre assuntos de religião e política;”
    Em 04/09/1929 a Grande Loja Unida da Inglaterra publicava os Princípios Fundamentais para o Reconhecimento de Grandes Lojas, num total de oito. O princípio de número 7 assim dispõe: “As discussões de ordem religiosa e política são interditadas, nas Lojas.” Destarte ressaltar que qualquer potência maçônica que não respeitar estes princípios não será reconhecida pela GLUI. Clarificando, se aprovarmos uma emenda constitucional retirando a proibição em questão, perderemos o reconhecimento da Grande Loja Unida da Inglaterra e, por tabela, de várias outras Potências Maçônicas.
    O parágrafo Único do Art. 4º da Constituição do GOB assim dispõe: “Serão respeitados os LANDMARKS, os postulados universais e os princípios da Instituição Maçônica.” Interessante, também, observar o Ritual de Mestre Maçom do GOB em sua Parte V – Instrução, item 5.3 – Landmarks X Constituição do GOB, mais especificamente na pág. 183, primeiro item da tabela ali constante. No Ritual de Aprendiz Maçom do GOB, o último parágrafo da página 103 e o primeiro parágrafo da página 118, são bem esclarecedores.
    Como se vê, trata-se de dispositivo oriundo do direito maçônico inglês e não uma invenção da maçonaria brasileira.
    Mas o ser humano é um animal político, como ensinou Aristóteles. Estaria a maçonaria privando os maçons de participarem da política? De modo algum! O que se veda é apenas a discussão dentro dos seus templos, “Em Loja”! E fora de Loja, usando seu nome! Ou seja, fora de Loja, e desde que não afirme ou insinue estar falando em nome da maçonaria, o maçom pode expressar livremente suas opiniões políticas ou religiosas. Pode se filiar a partidos políticos, participar de manifestações pacíficas, mas sem usar paramentos maçônicos ou qualquer objeto ou vestimenta que insinue estar ali enquanto maçom. O maçom é livre para participar da vida política do seu país. Enquanto candidato em eleições no mundo profano, pode comparecer em Loja para apresentar seu nome e explanar seu programa de governo sem, no entanto, atacar outros candidatos, maçons ou não. O que está vedado é a manifestação político-partidária. A Loja não pode, em hipótese nenhuma, tomar partido do candidato “A”, “B” ou “C”. Já o maçom, na condição de cidadão, pode apoiar os candidatos que escolher mas, jamais, em nome da maçonaria.
    Castellani assim disciplina ao comentar o artigo 7º dos Princípios Fundamentais para o Reconhecimento de Grandes Lojas da GLUI:
    Como o texto é lacônico e parece até incompleto, pois se refere à discussão e não a simples abordagem intelectual e ética dos fatos políticos-sociais e religiosos, de maneira ampla e não específica, muitas Obediências e grande parte dos maçons prefere entendê-lo como proibição do exercício de coação político-partidária e de proselitismo religioso, já que isso pode exaltar os ânimos e levar a um estado de hostilidade entre Maçons. Assim, evitadas as discussões em torno de crenças religiosas e de credos políticos, seria permitida a análise da Política, em seu amplo sentido sociológico, e das religiões, em sua história, filosofia e doutrina.(Castellani, 1995, p. 81).
    Concordamos plenamente com o autor. A análise da Política, enquanto ciência, e da história, filosofia e doutrina das religiões é permitida em Loja.
    Para ser bastante claro, seriam temas pertinentes à Ciência Política os seguintes: 1 – Análise política: estudo das categorias, dos conceitos e problemas básicos da Ciência Política; 2 – Sistema Político Clássico e contemporâneo e suas influências em políticas empresariais; 3 – Planejamento e tomada de decisões; e 4 – Participação e Informação. Qualquer tema além desses, corremos sérios riscos de entrar no campo da proibição.
    Mas qual seria o motivo da maçonaria inglesa, berço e farol da maçonaria mundial, manter até hoje esta proibição? A resposta é a seguinte: Por volta de 1717, o momento histórico colocava em oposição os jacobitas católicos e os protestantes que ocupavam o trono. Portanto, não era prudente tomar partido ao lado de uma das facções político-religiosas rivais (Castellani, 1995, p. 81). O tempo passou, e hoje vivemos uma rivalidade, no âmbito mundial, entre a extrema direita e a extrema esquerda, além dos que possuem uma posição ao centro e se sentem incomodados com os extremistas. Não tenho dúvidas de que a proibição continua necessária e atual, a bem da fraternidade.
    Finalizando, insta observar o Código Disciplinar Maçônico em seu Art. 49, inciso XV, o qual pune com suspensão dos direitos maçônicos quem descumprir esta proibição.
    Bibliografia:
    CASTELLANI, José; RODRIGUES, Raimundo. Análise da Constituição de Anderson. 1. ed. Londrina: Editora Maçônica A Trolha, 1995.
    Grande Oriente do Brasil. Constituição. Brasília: Editora Grande Oriente do Brasil, 2007.
    Grande Oriente do Brasil. Ritual 3º Grau – Mestre Maçom. Brasília: Editora Grande Oriente do Brasil, 2009.
    Grande Oriente do Brasil. Ritual 1º Grau – Aprendiz Maçom. Brasília: Editora Grande Oriente do Brasil, 2009.
    Vamos a todo custo e nunca a qualquer custo !!!
    Carlos Magno Monteiro Freitas
    9 min
  • A MAÇONARIA DE ONTEM E A DOS DIAS ATUAIS - PERDEMOS A ESSÊNCIA?
    Por Irmão Dário Angelo Baggieri
    Amados irmãos, vemos na atualidade, situações esdrúxulas e de uma sordidez inimaginável campeando os horizontes da Liberdade dos Povos.
    O Maçom por excelência deve se preparar para combater sem trégua, a ignorância, a superstição e a tirania.
    A Nação hoje livre, amanhã poderá estar escravizada por um Estado opressor, que prive o ser humano de sua liberdade, da rígida aplicação das Leis, dos direitos fundamentais e do acesso aos bens públicos, como saúde, educação, segurança, trabalho, alimentação, moradia, etc....
    Aprendemos desde sempre que não devemos ser inimigos dos governos ou autoridades, se são justos. Contudo, infeliz do Maçom que consentir tornar-se instrumento da tirania, apoio da usurpação e apologista da injustiça e do desprezo às leis que contêm as eternas garantias de Liberdade.
    Mais infelizes ainda são os mandatários detentores do poder da lídima aplicação das Leis que ousam desonrá-las em nome de ideologias nefastas. Como inimigos e conspiradores contra a Pátria, um tenebroso futuro lhes é reservado.
    A atuação da maçonaria ao longo da história tem sido encarada, tradicionalmente, sob duas perspectivas excludentes: a condenatória e a apologética. Nessa última perspectiva constata-se, num olhar mais apurado, que a produção historiográfica maçônica tem tido como foco o século XIX, especialmente os chamados grandes fatos históricos da nacionalidade e as disputas referentes a questão religiosa com a Igreja Católica, na crise do Império. Essa produção é marcada por uma luta simbólica pela legitimação da atuação dos pedreiros-livres como precursores, mentores e fundadores da nova nação independente, em contraposição ao tradicionalismo clerical católico que reclamava para si o lugar de fundadores espirituais da nação, nos primórdios do colonialismo e que, no contexto do ultramontanismo, entre o final do Império e o início da República, elegia a Maçonaria como inimiga número um da igreja.
    Passaram-se os anos, e foi ocorrendo paulatinamente uma acomodação, não da Doutrina, mas sim dos Irmãos que estão deixando de ser protagonistas, para serem meros Assistentes e Expectadores, Comodistas dos fatos gravíssimos que estão ocorrendo no Brasil e no Mundo.
    A Independência dos Poderes da República Brasileira nunca esteve tão ameaçada, como se encontra hoje, com um Poder passando por cima de tudo e de todos, interpretando as Leis ao seu bel prazer, aplicando-as de maneira corporativa e totalitária, não permitindo o menor contraditório.
    A Maçonaria situa-se além do visível; sobram-lhe grandezas invisíveis. Cada parte dela, é também um pouco de alguém. Uma soma de suores, coragem, inteligência, competências, sonhos e predestinação de tantos, nos diz o Irmão Armando Righetto, em seu Livro a Maçonaria Ontem e Hoje. Quão profundas essas colocações e ao mesmo tempo praticamente não encontram eco em nossas colunas atuais. Viramos realmente um clube de serviços com todos os seus perdulários de vaidades pessoais e ostracismo de ideologia.
    Todo estudo comparativo necessita de ser balizado entre dois extremos, ou seja, uma análise crítica e exegética temporal da ocorrência de cada um dos fatos e suas conotações à luz da razão, da ciência e do comportamento social, organizacional e político em cada estágio. Vivenciamos nos primórdios de nossa Sublime Instituição, ações organizadas e protagonizadas pela Maçonaria em todas as áreas, sejam elas Sócio-Político e Cultural, no Brasil e no Mundo tais como a Revolução Francesa, a Independência de praticamente todos os Países Americanos, a Libertação dos Escravos, etc...etc onde o engajamento dos irmãos era voluntário e todos trabalhavam em prol de um projeto de atuação, com Dedicação, Zelo , Engajamento e Compromisso com a Instituição e seus Princípios.
    Mas o que é a maçonaria, afinal, nos dias de hoje? Como sociedade filosófica e filantrópica, a maçonaria foi fundada em 24 de junho de 1717, na Inglaterra. Hoje conta com cerca de 170 mil membros no Brasil, tr
    9 min
  • EM 30 DE MAIO DE 1431, JOANA D'ARC FOI EXECUTADA SOB ACUSAÇÕES DE HERESIA E FEITIÇARIA.
    Na época, em uma tentativa de se distanciar de um herege acusada de bruxaria, o rei francês Charles VII – que devia sua coroa a Joana e suas vitorias – não fez nenhuma tentativa de negociar a libertação dela.
    Depois ser entregue nas mãos do inimigo, Joana d'Arc foi julgada na fortaleza inglesa de Rouen por um tribunal eclesiástico composto por bispos ingleses. As 70 acusações contra ela variavam de feitiçaria a roubo de cavalos, mas em maio de 1431 haviam sido reduzidas a apenas 12, a maioria relacionada ao uso de roupas masculinas. Foi oferecido a ela prisão perpétua em troca de uma admissão de culpa, e Joana assinou um documento confessando seus supostos pecados, negando que alguma vez tivesse recebido orientação divina e prometendo mudar seus hábitos de vestimenta. Tem sido especulado que como Joana era analfabeta, ela nunca soube o que assinou. Vários dias depois, devido a ameaças de violência ou estupro de seus guardas, ela colocou seu traje masculino de volta e disse aos seus juízes que as vozes que falavam com ela reapareceram. Isso foi o suficiente para seus inimigos conseguirem finalmente destruí-la e os bispos a entregaram aos ingleses para ser queimada.
    Em 29 de maio de 1431, o tribunal anunciou que Joana d'Arc era culpada de heresia. Quando soube que seria queimada, ela ficou perturbada, mas ninguém lhe deu ouvidos. Na manhã de 30 de maio, Joana foi levada em uma carroça pelas ruas lotadas até chegar a praça do mercado em Rouen para queimada na fogueira, diante de uma multidão estimada em 10.000 pessoas. Ainda no castelo, haviam colocado nela um capuz com as palavras “herege recaída, apóstata, idólatra” e era assim que as pessoas a sua volta a viam naquele momento. Antes de sua morte, sua guarda de soldados ingleses riu dela enquanto ela fazia suas orações de última hora. Só um deles teve pena e lhe entregou uma cruz de madeira apressadamente momentos antes de ser amarrada à estaca.
    Ela beijou e colocou em seu peito. Enquanto ela queimava, um frade dominicano a consolou segurando um crucifixo para ela contemplar enquanto morria. Mesmo enquanto o fogo a consumia, Joana não se retratou. Até o final, ela continuou a afirmar que as vozes que ela tinha ouvido toda a sua vida eram de natureza divina. Ela morreu clamando por ajuda aos seus três santos favoritos enquanto queimava, suas últimas palavras foram um coro: “Jesus, Jesus, Jesus...”. Quando silêncio reinou, os espectadores souberam que a Donzela de Orleans estava morta. Ela tinha apenas dezenove anos de idade.
    Depois da execução, várias missivas foram enviadas para diversos lugares a fim de relatar as “heresias da mulher a quem o povo se referia como a Donzela”. Essas cartas descreviam os acontecimentos do julgamento, afirmando que o mesmo havia “sido conduzido pela Santa Madre Igreja com grande solenidade e dignidade confiável, para a honra de Deus e a sadia edificação do povo”. Havia necessidade disso porque, dado o fato que os relatos sobre as façanhas de Joana se espalharam “quase pelo o mundo inteiro”, era necessário que seu “justo castigo” fosse publicado da mesma maneira, para “alertar os fiéis dos perigos dos falsos profetas”.
    Mas todos seus esforços para validar a execução dela foram em vão. Após sua morte, a lenda em torno de Joana crescia. O carrasco afirmava que o coração dela resistira às chamas e fora encontrado intacto entre as cinzas. Dizem que o mesmo carrasco confessou a seus amigos e familiares que temia ser condenado eternamente por queimar uma mulher santa. Todos os anos eram realizadas celebrações na cidade de Orleans para comemorar a libertação da mesma pela Donzela. Em Paris, por outro lado, o nome de Joana permanecia como um espectro rondando a figura do rei. Ela havia surgido como uma salvadora, vencendo batalhas, coroando-o rei e morrido como uma herege. Isso era um problema para Charles VII, afinal, se veredito de heresia permanecesse, então ele devia sua coroa a forças demoníacas e não as bençãos dos céus, algo que seria inaceitável para a França, cujos reis sempre foram denominados de “os mais cristãos”. Assim, em 1450, Charles VII finalmente decidiu começar o trabalho de restaurar a imagem de Joana. Ele declarou que: “Há muito tempo atrás, Joana, a Donzela, foi levada e aprisionada por nossos velhos inimigos e adversários, os ingleses, e trazida para a cidade de Rouen. Ela foi julgada por pessoas que haviam sido escolhidas por eles e recebido deles essa tarefa, e durante o julgamento vários erros e abusos foram cometidos, de tal modo que, por meio desse julgamento e pelo grande ódio que nosso inimigo tinha contra ela, fizeram-na morrer muito cruelmente, iniquamente e contra a razão”. Dessa forma, um novo processo começou e o mesmo duraria cinco anos, com alegações de que sua condenação havia sido feita unicamente pelos ingleses e visto que eles tinham interesses óbvios em destruí-la, deveria ser retificado de forma “justa”. Por fim, 25 anos depois da execução, em uma esplêndida cerimônia na principal Catedral de Paris, todas as acusações contra Joana d'Arc foram retiradas.
    A França do século XVI fez de Joana uma heroína nacional. Os homens dos séculos subsequentes levaram sua história para suas peças e poemas e sua imagem para suas estátuas. Ela acabaria por se tornar o espírito da França, a donzela, a guerreira sagrada, o símbolo republicano e napoleônico de resistência contra a oposição inglesa e para todos aqueles que protegeriam a França da dominação estrangeira. Séculos mais tarde, em 1920, a menina queimada viva foi feita santa e ainda mais: tornou-se padroeira da França.
    A vida de Joana d'Arc é uma das mais bem documentadas de sua era. Isto é especialmente notável quando se considera que ela não era uma aristocrata, e sim, uma jovem camponesa. Isso é, de fato, uma das maiores ironias da história, pois esses documentos são oriundos em grande parte dos registros mantidos pelos mesmos indivíduos que tentaram a todo custo apagar seu nome da História.
    8 min
  • APRENDIZ MAÇOM CONDENADO À MORTE ESCAPA DA SENTENÇA.
    Há um relato de um incidente ocorrido no século 19 em algum lugar da Inglaterra.
    Uma criança foi encontrada morta. Logo eles acusaram um camponês aprendiz maçom de ser o assassino, pois um item pessoal dele foi encontrado próximo ao corpo e alegando que a vítima havia sido usada para realizar rituais horríveis.
    O aprendiz foi preso e ficou desesperado. Ele sabia que era um bode expiatório e não teria chance em seu julgamento, principalmente conhecendo o juiz local, famoso por aplicar rigorosamente a pena de morte por enforcamento e contrário aos princípios maçónicos desta região, por não conhecê-los e por considerá-los incompatíveis com a fé que professava.
    O Aprendiz então solicitou que trouxessem um Mestre Maçom de sua Loja com quem ele pudesse falar. E foi feito.
    Inconsolável, o Aprendiz reclama com o irmão Mestre sobre a pena de morte por enforcamento que o espera, convencido de que farão de tudo para executá-lo. O mestre pedreiro o acalmou dizendo:
    – Nunca pense que não há solução. Um verdadeiro maçom não teme a morte, tem uma fé inabalável e acredita na verdade e na justiça e nunca cede à ideia de que não há saída.
    “Mas o que devo fazer, meu irmão? perguntou o aprendiz angustiado.
    Não desista, e GADU vai te mostrar um caminho inimaginável.
    Quando chegou o dia do julgamento, o juiz, alinhado com a conspiração para condenar o pobre Aprendiz à forca, ainda quis alegar que lhe daria um julgamento justo, dando-lhe a oportunidade de provar sua inocência. Ele ligou para ela e disse:
    “Já que vocês, maçons, são homens livres de bom caráter e acreditam em tal GADU, deixarei que sua fé cuide desse assunto. Em uma folha de papel, escreverei a palavra “inocente”; no outro, "culpado". Você escolherá um dos dois, e o GADU decidirá seu destino.
    O aprendiz suava frio. Ele tinha certeza de que era tudo uma encenação e que eles o condenariam de qualquer maneira.
    Conforme havia planejado, ao preparar os papéis, o juiz escreveu em cada um deles a palavra "culpado". Normalmente, parece que as chances de nosso réu em questão passaram de 50% para estritamente 0%. Não havia possibilidade estatística de retirar o papel com a inscrição "inocente", porque não existia.
    Recordando as palavras de seu irmão Mestre, o acusado meditou por alguns instantes e, com o brilho nos olhos que já mencionamos, atirou-se sobre os papéis, escolheu um e imediatamente o engoliu. Todos os presentes protestam: “O que você fez? Como sabemos agora qual foi seu destino? Rapidamente, ele respondeu: “É simples! Basta olhar o que diz o outro papel, e saberá que escolhi o contrário”.
    Descobrimos então que a chance que era 0% era verdadeira apenas para os limites impostos por uma determinada situação. Com um pouco de sagacidade, por necessidade, foi possível recriar um contexto em que as chances de o réu vencer a adversidade saltasse de 0% para 100%. Ou seja, a simples recontextualização da mesma situação permitiu a inversão da realidade.
    Por isso, um dos ensinamentos maçónicos é a observação cuidadosa da realidade das coisas, quebrando suas estruturas cristalizadas de ignorância que não reconhecem os diferentes componentes da realidade.
    A impossibilidade pode ser uma condição momentânea e o verdadeiro Maçom que entende isso não desiste facilmente e sua força se expressa na possibilidade de sobrevivência diante das diversidades e sua fé inabalável no Arquiteto Supremo do Universo.
    5 min
  • MAÇONARIA ESPECULATIVA EM SEUS PRIMÓRDIOS: INFLUÊNCIAS JUDAICAS (II)
    MAÇONARIA ESPECULATIVA EM SEUS PRIMÓRDIOS: INFLUÊNCIAS JUDAICAS (II)
    RESUMO DA PARTE I E COMENTÁRIOS
    Antes de darmos prosseguimento ao trabalho que iniciamos no número anterior do jornal “O Malhete”, vamos relembrar alguns dos pontos mais significativos da Parte 1, de forma bastante resumida, assim como, acrescentarmos algumas informações a título de complementações.
    É fundamental a releitura do trecho aquele citado logo após o título, extraído do livro “O Templo de Salomão nos Mistérios da Maçonaria”, do Ir.’. Mario Name, pois, ao retermos seu conteúdo na memória estaremos em consonância todo o tempo com os verdadeiros propósitos deste trabalho: mostrar aspectos ligados à história do Templo de Salomão na Maçonaria, mostrar algumas das prováveis influências que a Maçonaria teria recebido durante o período da consolidação dessa lenda, algo do caminho que foi percorrido até a sua transformação definitiva nesse que é um dos seus símbolos mais importantes.
    Conforme o Ir.’. Mario Name, naquele trecho específico, nossas lendas e nossas tradições bíblicas sobre o Templo já existiam muito tempo antes dos especulativos ingressarem na Ordem, além do fato, de que no período anterior à formação da Grande Loja de Londres já tinham havido várias exposições em Londres onde eram exibidas maquetes muito bem montadas, contendo detalhes arquitetônicos relativos ao Templo de Salomão, sendo que, comprovadamente, nada disso teria acontecido por iniciativa maçônica, mas, de alguma forma, pode muito bem haver despertado um interesse bem maior dos Maçons pelo Templo de Salomão. E mais tarde, os utensílios desse Templo, que também eram exibidos nas exposições essas, muito provavelmente tenham servido de inspiração para quando da elaboração dos Rituais maçônicos. Na capital inglesa, nos séculos XVII e XVIII, havia um fascínio indescritível pelo Templo e pela sua história, sendo uma prova disso, a maneira como a sociedade londrina prestigiava os eventos desse tipo.
    O Ir.’. Alex Horne, fonte da qual o Ir.’. Mario Name muito se utilizou bebeu para o seu livro, comentou sobre aquela “febre”, quando assim escreveu:
    “Tem sido amiúde despertada a atenção para o grande interesse público pelo Templo do Rei Salomão, assim na Inglaterra como no Continente, no início do século XVIII, mais ou menos na ocasião em que a instituição da Maçonaria Especulativa começava a tomar forma.”. (Horne, 1995, pág. 29)
    19 min
  • O Estranho Gênio de Nikola Tesla
    POR MPSWRITERJOE
    Visionário. Gênio. Charlatão. Nikola Tesla é uma das figuras científicas mais célebres (e controversas) do século XX. Durante sua vida, o inventor, engenheiro e futurista dominou oito idiomas, promoveu a corrente alternada moderna, criou cerca de 300 patentes e ainda tinha memória fotográfica.
    Ainda hoje, seu gênio é reverenciado. Não é de admirar que a empresa de carros elétricos de Elon Musk - outro controverso magnata da tecnologia - tenha o nome do gênio excêntrico. Mas Tesla continua sendo uma figura obscura na ciência: suas ideias fantásticas e sua rivalidade com Thomas Edison são um rico terreno fértil para conspirações. Inúmeros teóricos e futuristas veneraram Tesla como um homem à frente de seu tempo, imaginando o mundo que poderia ter existido se os financiadores “conspiratórios” não tivessem desligado a tomada.
    Mas quem era o verdadeiro Nikola Tesla? E suas invenções poderiam realmente ter inaugurado um mundo melhor e mais ousado para a humanidade?
    Um raio atinge uma pequena vila nas fronteiras distantes do império austríaco em 1856 – em meio a essa tempestade, Tesla nasce. Mesmo nesses recessos escuros da Europa, a tecnologia avançava. O jovem sérvio experimentou a eletricidade pela primeira vez na escola em Karlovac; despertou um interesse eterno “para saber mais dessa força maravilhosa”.
    Já havia sinais iniciais de genialidade. Tesla poderia realizar cálculo integral em sua cabeça. Depois de abrir caminho no Imperial-Royal Technical College, ele embarcou em uma carreira na Budapest Telephone Exchange. Ele rapidamente percebeu que o sistema em construção não era funcional, redesenhando-o completamente, ganhando o cargo de eletricista-chefe.
    Em 1884, enquanto trabalhava em Paris, o gerente de Edison, Charles Batchelor, convidou Tesla para os Estados Unidos para gerenciar a Edison Machine Works. Durante seu mandato, Tesla trabalhou em um sistema de iluminação de arco que nunca entrou em produção. Alguns relatórios sugerem que este Tesla descontente, que saiu logo depois. Outras versões afirmam que Tesla saiu depois de projetar vinte e quatro tipos diferentes de máquinas padrão para um prêmio em dinheiro, o que acabou sendo uma piada.
    De qualquer maneira, ele se viu um homem livre. No entanto, seu tempo com Edison lhe ensinou uma lição importante: o carisma é rei. De fato, durante uma palestra no Instituto Americano de Engenharia Elétrica em 1888, Tesla impressionou o público ao mostrar seus motores de corrente alternada – o espetáculo deslumbrante levou a inúmeras ofertas para comprar suas patentes.
    O que realmente capturou a imaginação popular foram seus displays de iluminação sem fio. Uma série de palestras em Nova York, Londres e Paris chocou o público quando ele revelou sua bobina de Tesla - um transformador oscilante recém-inventado. Andando pelo palco com tubos brilhantes – não presos a nada – Tesla apareceu como um mágico: um Merlin moderno.
    A década de 1890 foi o auge da fama de Tesla. Tesla era o homem do futuro. Quase todas as histórias envolvendo poder estavam ligadas à genialidade de Tesla. As autoridades locais elaboram um plano ambicioso para gerar energia hidrelétrica nas Cataratas do Niágara – a Tesla está trabalhando. A Westinghouse ganhou um contrato para fornecer eletricidade para a Exposição Colombiana em Chicago – a Tesla agradece.
    A mera presença de Tesla era eletrizante. Quando Marconi anunciou a invenção do rádio, Tesla, ficando um pouco grande para suas botas, proclamou que era uma loucura. Não só não funcionaría, mas a Tesla poderia fazer melhor.
    Na verdade, ele tinha seus próprios planos para a transmissão sem fio de toda a energia elétrica. Em 1896, Tesla construiu um oscilador de energia a vapor capaz de criar várias frequências variáveis. Se a frequência corresponder à frequência de ressonância do dispositivo receptor, as oscilações mecânicas produziriam uma corrente elétrica.
    Dois anos depois, ele conseguiu oscilar seu laboratório de Nova York com tanta intensidade que os moradores temeram um terremoto. Mas aquele era só o começo. Tesla imaginou que seus dispositivos poderiam transmitir energia através da Terra usando vibrações. Para atingir seus objetivos, Tesla precisava de fundos. O titã industrial JP Morgan comprou a ideia de transmissão sem fio – principalmente rádio – ideológica e literalmente. Ele investiu na Tesla, levando à construção da fábrica de Wardenclyffe em Long Island.
    A história diz que Tesla, preferindo trabalhar com eletricidade sem fio, lutou para obter mais fundos de Morgan. O projeto acabou fracassando - apesar de Tesla continuar pedindo fundos até a morte de Morgan - e a torre de 57 metros em Wardenclyffe foi desconstruída.
    As teorias da conspiração abundam sobre este acordo. Morgan, por sua vez, voltou-se para Edison e outros. Alguns especulam que o sonho de Tesla de tecnologia sem fio colocaria Morgan fora do negócio: afinal, ele estava entrincheirado em tudo, desde borracha até mineração de cobre e fiação - tudo supérfluo se Tesla conseguisse o que queria.
    É fácil zombar dessas teorias. Tesla, sempre o showman, havia exagerado. No entanto, quando o renomado inventor morreu em 1943, o Escritório de Propriedade Estrangeira do governo dos EUA apreendeu vários documentos. Em 1952, o herdeiro legítimo de Tesla fez uma petição ao tribunal dos Estados Unidos para devolver os arquivos. No entanto, dos 80 baús meticulosamente embalados entre os pertences de Tesla, apenas 60 chegaram.
    Raios da morte, os segredos do poder ilimitado e outras invenções milagrosas estão nos vinte baús perdidos. Seja qual for a verdade, o legado de Nikola Tesla é eletrizante como sempre.
    8 min
  • Maçonaria Memphis-Misraim
    Os Ritos Memphis-Misraim da Maçonaria, muitas vezes referidos como o Rito Antigo e Primitivo de Memphis-Misraim, é um ramo único e esotérico dentro da paisagem mais ampla da Maçonaria. Este artigo investiga a história dos Ritos de Memphis-Misraim, destaca alguns de seus membros famosos, examina sua relação com a Maçonaria regular, discute o processo de adesão e explora artigos de notícias recentes relacionados a esta intrigante ordem maçônica.
    As origens dos Ritos de Memphis-Misraim remontam ao final do século 18, quando a Maçonaria estava passando por mudanças significativas. Em 1774, o Rito de Misraim foi estabelecido na França, inspirando-se no simbolismo egípcio e incorporando elementos de antigas escolas de mistério. Posteriormente, o Rito de Memphis surgiu em 1815 sob a liderança de Jacques-Etienne Marconis de Nègre. Esses dois ritos eventualmente se fundiram em meados do século 19 para formar o Rito Antigo e Primitivo de Memphis-Misraim.
    Ao longo de sua história, os Ritos de Memphis-Misraim atraíram indivíduos notáveis de várias esferas da vida. Um membro proeminente foi o famoso ocultista e autor, Aleister Crowley. Crowley, conhecido por sua associação com numerosas ordens esotéricas, juntou-se aos Ritos de Memphis-Misraim e desempenhou um papel significativo em sua promoção durante o início do século XX. Outra figura influente associada a esta ordem maçônica foi John Yarker, um ocultista e autor britânico que serviu como o Grande Mestre Soberano do Rito Antigo e Primitivo de Memphis-Misraim.
    Os Ritos de Memphis-Misraim têm uma relação complexa com a Maçonaria regular. Enquanto a Maçonaria regular adere a um conjunto de rituais e tradições estabelecidos, os Ritos de Memphis-Misraim incorporam graus adicionais e ensinamentos esotéricos que não fazem parte do sistema maçônico reconhecido. Isso levou a várias perspectivas dentro da comunidade maçônica, com alguns considerando os Ritos de Memphis-Misraim como um ramo irregular ou clandestino, enquanto outros o veem como um caminho alternativo de exploração maçônica.
    Tornar-se um membro dos Ritos Memphis-Misraim envolve um processo semelhante ao da Maçonaria regular. Os membros em potencial geralmente precisam expressar seu interesse a uma loja ou a um órgão reconhecido que pratíca os Ritos de Memphis-Misraim. Como a Maçonaria regular, um candidato deve atender a certos critérios de elegibilidade, como ser um homem de idade legal, de bom caráter e acreditar em um Ser Supremo. As cerimônias de iniciação e os graus dentro dos Ritos Memphis-Misraim são conhecidos por seu rico simbolismo e ensinamentos esotéricos, proporcionando aos membros uma experiência maçônica única e profunda.
    Houve artigos de notícias limitados abordando especificamente os desenvolvimentos recentes nos Ritos de Memphis-Misraim. Isso provavelmente se deve à natureza secreta da ordem e seu tamanho relativamente menor em comparação com a Maçonaria regular. No entanto, vale a pena notar que o cenário mais amplo da Maçonaria tem visto aumento de interesse e exposição pública nos últimos anos, com várias organizações e lojas se esforçando para se adaptar ao cenário social em mudança, preservando seus valores e tradições centrais.
    Os Ritos da Maçonaria de Memphis-Misraim oferecem um caminho distinto e esotérico dentro do mundo maçônico. Enraizado no simbolismo do antigo Egito, este ramo atraiu indivíduos notáveis e contribuiu para o desenvolvimento do ocultismo e das tradições esotéricas. Enquanto sua relação com a Maçonaria regular é debatida, os Ritos de Memphis-Misraim continuam a intrigar e cativar aqueles que buscam uma compreensão mais profunda.
    5 min

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