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Esta semana assinala-se o Dia Internacional da Higiene Menstrual. A pobreza menstrual continua a afectar milhões de mulheres e raparigas em todo o mundo. Em Moçambique, a dimensão real do problema é difícil de medir. “Nós não temos dados. A questão da pobreza menstrual está relacionada com a própria visão da mulher, do corpo da mulher”, afirma Nair Teles, directora executiva do Centro de Estudos em Direitos Humanos, Saúde e Sociedade de Moçambique. Para a investigadora, o silêncio em torno do tema impede até a sua quantificação. “Aquilo que não se fala não existe”.
A pobreza menstrual continua a afectar milhões de mulheres e raparigas em todo o mundo. Segundo dados das Nações Unidas, cerca de 1,8 mil milhões de pessoas menstruam todos os meses, mas mais de 500 milhões não têm acesso a produtos menstruais, água potável ou saneamento adequado para gerir a menstruação de forma digna e segura. Em África, a situação é agravada pela pobreza, pela falta de infra-estruturas e pelo estigma social em torno do corpo da mulher e da menstruação. Esta semana assinala-se o Dia Internacional da Higiene Menstrual.
Em Moçambique, a dimensão real do problema é difícil de medir. “Nós não temos dados. A questão da pobreza menstrual está relacionada com a própria visão da mulher, do corpo da mulher”, afirma Nair Teles, directora executiva do Centro de Estudos em Direitos Humanos, Saúde e Sociedade de Moçambique. Para a investigadora, o silêncio em torno do tema impede até a sua quantificação. “Aquilo que não se fala não existe”, sublinha.
Segundo Nair Teles, a pobreza menstrual não se resume à falta de pensos higiénicos. Está ligada à ausência de informação, à dificuldade de acesso aos serviços de saúde e à forma como o corpo feminino continua a ser encarado socialmente. “Uma jovem ou uma mulher em situação de pobreza extrema muitas vezes nem sabe porque está a menstruar. Ela só sabe que menstrua”, explica. A directora executiva do Centro de Estudos em Direitos Humanos, Saúde e Sociedade de Moçambique aponta ainda falhas na comunicação dentro das famílias, nas escolas e nas próprias instituições públicas: “Um pai não fala sobre isso com a filha. A mãe também passou pelo mesmo silêncio. Há uma naturalização desse silêncio.”
A situação tende a ser ainda mais invisível nas zonas rurais: “A mulher rural não existe, embora seja ela que nutre, seja ela o esteio”. Em muitos casos, o custo dos produtos menstruais torna-se incomportável face às necessidades básicas de sobrevivência.
A investigadora defende que distribuir produtos menstruais é importante, mas insuficiente sem educação e debate público: “É preciso quebrar o silêncio. Explicar o corpo da mulher, a menstruação, a tensão pré-menstrual, a menopausa. O corpo da mulher não pode continuar a ser tratado como tabu.”
Nair Teles considera que a pobreza menstrual é apenas uma das manifestações de um problema mais profundo relacionado com a condição feminina no país: “Tudo isto tem relação directa com a visão da mulher. O que é isto que a gente chama de mulher? Ela é só para uso? Para procriar? Para cuidar da casa e dos filhos? O que nós somos?”, questiona.
By RFI PortuguêsEsta semana assinala-se o Dia Internacional da Higiene Menstrual. A pobreza menstrual continua a afectar milhões de mulheres e raparigas em todo o mundo. Em Moçambique, a dimensão real do problema é difícil de medir. “Nós não temos dados. A questão da pobreza menstrual está relacionada com a própria visão da mulher, do corpo da mulher”, afirma Nair Teles, directora executiva do Centro de Estudos em Direitos Humanos, Saúde e Sociedade de Moçambique. Para a investigadora, o silêncio em torno do tema impede até a sua quantificação. “Aquilo que não se fala não existe”.
A pobreza menstrual continua a afectar milhões de mulheres e raparigas em todo o mundo. Segundo dados das Nações Unidas, cerca de 1,8 mil milhões de pessoas menstruam todos os meses, mas mais de 500 milhões não têm acesso a produtos menstruais, água potável ou saneamento adequado para gerir a menstruação de forma digna e segura. Em África, a situação é agravada pela pobreza, pela falta de infra-estruturas e pelo estigma social em torno do corpo da mulher e da menstruação. Esta semana assinala-se o Dia Internacional da Higiene Menstrual.
Em Moçambique, a dimensão real do problema é difícil de medir. “Nós não temos dados. A questão da pobreza menstrual está relacionada com a própria visão da mulher, do corpo da mulher”, afirma Nair Teles, directora executiva do Centro de Estudos em Direitos Humanos, Saúde e Sociedade de Moçambique. Para a investigadora, o silêncio em torno do tema impede até a sua quantificação. “Aquilo que não se fala não existe”, sublinha.
Segundo Nair Teles, a pobreza menstrual não se resume à falta de pensos higiénicos. Está ligada à ausência de informação, à dificuldade de acesso aos serviços de saúde e à forma como o corpo feminino continua a ser encarado socialmente. “Uma jovem ou uma mulher em situação de pobreza extrema muitas vezes nem sabe porque está a menstruar. Ela só sabe que menstrua”, explica. A directora executiva do Centro de Estudos em Direitos Humanos, Saúde e Sociedade de Moçambique aponta ainda falhas na comunicação dentro das famílias, nas escolas e nas próprias instituições públicas: “Um pai não fala sobre isso com a filha. A mãe também passou pelo mesmo silêncio. Há uma naturalização desse silêncio.”
A situação tende a ser ainda mais invisível nas zonas rurais: “A mulher rural não existe, embora seja ela que nutre, seja ela o esteio”. Em muitos casos, o custo dos produtos menstruais torna-se incomportável face às necessidades básicas de sobrevivência.
A investigadora defende que distribuir produtos menstruais é importante, mas insuficiente sem educação e debate público: “É preciso quebrar o silêncio. Explicar o corpo da mulher, a menstruação, a tensão pré-menstrual, a menopausa. O corpo da mulher não pode continuar a ser tratado como tabu.”
Nair Teles considera que a pobreza menstrual é apenas uma das manifestações de um problema mais profundo relacionado com a condição feminina no país: “Tudo isto tem relação directa com a visão da mulher. O que é isto que a gente chama de mulher? Ela é só para uso? Para procriar? Para cuidar da casa e dos filhos? O que nós somos?”, questiona.

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