Reportagem

Moçambique: A luta em prol do braille e da inclusão dos cegos e amblíopes


Listen Later

As pessoas com deficiência visual enfrentam desafios no processo de aprendizagem e comunicação pela linguagem braille em Moçambique. 

A constatação é do Presidente da Associação dos Cegos e Amblíopes de Moçambique, (ACAMO) Domingos Neves para quem muito ainda precisa ser feito para que o seguimento populacional nesta condição se sinta incluída e não discriminada. 

Nem sempre frequentar uma sala de aulas nestas condições em Moçambique , onde a interacção: o professor e o aluno estão em perfeita harmonia, diz em nome de muitos, Baptista Avelino de 27 anos que iniciou os estudos primários em 2009, graças ao suporte de um missionário brasileiro. 

Eu puder começar a estudar foi graças ao suporte ou ao apoio de um pastor, missionário brasileiro chamado Elias. Então, comecei a estudar, em 2009 e tive logo a chance de passar para a primeira, no mesmo ano, e em 2010 também tive mais uma passagem automática isso já de segunda para a terceira classe então, foi mesmo um período de sucesso para mim.

O desempenho e o esforço assume Baptista Avelino, factores que jogaram um papel decisivo para o alcance do sucesso escolar ao nível primário, secundário e universitário onde na frequência da licenciatura em filosofia na Universidade Eduardo mondlane recorreu aos livros electrónicos para a sua aprendizagem ainda assim , nada foi facil é que era igualmente difícil aceder a estes manuais adaptados à sua condição. 

A própria leitura. há livros que eu não podia conseguir ler e por causa do formato, há livros que para eu ler de forma independente teria que deixar o livro, ler página por página até alcançar aquela informação que eu quisesse. então são esses desafios mas mesmo assim, fiz esforço , foi um momento marcante , foi a partir daqui, da filosofia mesmo que consegui sair para estudar na Polónia, em uma mobilidade e, foi a partir desse curso que depois comecei a estagiar no WFP, PMA (PAM) nesse caso, foi interessante o estágio então, valeu a pena. O braille para mim é bastante importante, bastante interessante porque ele permite o individuo ter contacto com as letras. 

As massificação do braille para as pessoas cegas e com baixa visão é uma necessidade urgente mas muitas vezes ignorada diz o  presidente da Associacao dos cegos e amblíopes de Moçambique, Domingos Neves, por aqueles que tem o dever de prover.  

O braille não é só para as pessoas com deficiência visual. Aliós como se chama em Mocambique, o braille tem sido dado nos institutos de formação dos professores, isto é para permitir exactamente que os professores formados possam também quando forem encontrar crianças com deficiência  visual nas suas escolas possam exactamente atender para que nao haja estigma , para que nao haja discriminação. O braille é para todos, o braille não é só para as pessoas com deficiência visual.

As necessidade no campo do ensino e aprendizagem diz Domingos Neves são imensas a começar pela insuficiência de material didáctico.   

Estou a falar dos computadores em formato de aúdio NVDA, estou a falar também das pautas com sons , máquinas braille  ou Perkins , dos orbites readers entre outros. Veja que este tipo de meios , este tipo de materiais não estão disponíveis no país. Sempre que alguém de boa vontade, um doador queira nos ajudar recorremos ao mercado internacional este que é o grande problema. 

Um problema que agrava ainda mais a situação é o fim do contrato ocorrido a 31 de dezembro do ano passado entre as associações dos cegos e amblíopes de Mocambique e da Noruega. 

Esta associação ajudou a ACAMO desde 1995 data em que a ACAMO foi criada até este momento . Ajudou-nos bastante, fizemos muitas coisas , refiro-me exactamente a promoção dos direitos da pessoa com deficiência neste país e, tudo o que tem principio tem fim , e o contrato termina e, neste momento estamos sem doador, sem financiador, significa que tanta coisa que vai ficar sem a materialização, sem a concretização e, não teremos fundos para lutarmos para defendermos, para protegermos e para promovermos os direitos da pessoa com deficiência visual em Moçambique.

Dificuldades acrescidas se esperam mas, diz Rafael José - formador de 27 anos e a três anos afecto ao Instituto de formação de professores de Chibata que pretende dar o seu contributo para que as pessoas com deficiência visual transponham a barreira na comunicação escrita. 

E com muito prazer eu tenho aqui essa honra posso assim dizer de formar futuros professores com a ferramenta do braille lá inclusiva para poder servir as crianças que precisam da inclusão , as crianças com deficiência , talvez algumas que procuram por estes serviços mas também outras que se encontram talvez presas nos seus próprios destinos , presas nos seus próprios sonhos por não acreditar que podem estudar mesmo com a deficiência. E, falando do meu sonho , eu como pessoa também como formador , o meu maior sonho é ver Moçambique e o mundo mais inclusivo daquilo que ele é hoje. Estou a dizer que o acesso às oportunidades de emprego e em outras áreas da vida que seja acessível e que não olhem para a deficiência visual de forma concreta como impedimento nem para que a criança e o jovem adolescente possa sorrir e ser feliz com a vida. Então, eu auguro e almejo um Moçambique cada vez mais inclusivo. 

O espírito de entre ajuda ganha cada vez mais intervenientes na sociedade moçambicana o que move o sonho de Baptista Avelino abrir uma escola de Braille, ainda no segredo dos deuses.  

Futuramente gostaria de ajudar as pessoas com deficiência assim como sem deficiência com a escola do Braille. A escola do Braille ele é um outro sonho , esse sim , já é um projecto digamos assim, já está no papel já está a caminhar, já estou a procura de financiamentos para poder colocar esse sonho a funcionar porque eu gostaria que o braille fosse visto como uma caneta.  Todos para que possam ter a oportunidade de aprender . Eu acho que a inclusão só será possível quando todos nós, quer os indivíduos, toda a sociedade melhor dizendo tenha conhecimento da própria inclusão. Se toda ela tiver por exemplo conhecimento do braille isso vai ser muito importante para ajudar a pessoa com deficiência por exemplo que estiver nas zonas recônditas para que ele possa ter conhecimento do braille e , possa ingressar no ensino primário. Exemplo, mesmo os que perderem a visão para que não seja necessário sempre que o individuo possa ir para instituições longas, que estão a longa distancia aprender para se tornar alguma coisa. Eu acho que o estudo é bastante importante , ele possibilita ao individuo alcançar uma dignidade.

O dia mundial do Braille assinala -se a 4 de janeiro de cada ano e, em Mocambique a Associação dos cegos e ambliopes de Mocambique, Acamo, com 21 mil membros inscritos recorda que são objectivos da agremiação a defesa e proteção dos direitos da pessoa com deficiência visual no país.

...more
View all episodesView all episodes
Download on the App Store

ReportagemBy RFI Português


More shows like Reportagem

View all
Noticiários by RFI Português

Noticiários

0 Listeners

Desporto by RFI Português

Desporto

0 Listeners

Ciência by RFI Português

Ciência

0 Listeners

Artes by RFI Português

Artes

0 Listeners

Semana em África by RFI Português

Semana em África

0 Listeners

Lição de francês: Le Talisman Brisé by RFI Português

Lição de francês: Le Talisman Brisé

0 Listeners

Em linha com o correspondente by RFI Português

Em linha com o correspondente

0 Listeners

Em directo da redacção by RFI Português

Em directo da redacção

0 Listeners

Convidado by RFI Português

Convidado

0 Listeners

Moçambique 50 Anos de independência by RFI Português

Moçambique 50 Anos de independência

0 Listeners

Cabo Verde 50 Anos de Independência by RFI Português

Cabo Verde 50 Anos de Independência

0 Listeners