Esta semana, a actualidade fica marcada pelas novas revelações no esquema de fraude envolvendo empréstimos a empresas públicas moçambicanas, realizados à revelia da Assembleia Nacional, no valor de mais de 2 mil milhões de dólares.
Depois da detenção do ex-ministro das Finanças moçambicano, no passado dia 29 de Dezembro, a Procuradoria da Justiça em Nova Iorque subiu o número de acusados. Ao nome de Manuel Chang juntam-se três antigos banqueiros que intermediaram os empréstimos - Andrew Pearse, um antigo diretor do banco Credit Suisse; Surjan Singh, diretor no Credit Suisse Global Financing Group, e Detelina Subeva, vice-presidente do grupo.
Os três funcionários foram detidos em Londres, mas saíram liberdade mediante o pagamento de fiança.
O quinto acusado é Jean Boustani, um negociador da Privinvest Group, detido pelas autoridades norte-americanas, esta semana, no aeroporto John F. Kennedy, em Nova Iorque.
A oposição reagiu à detenção do ex-ministro das Finanças Manuel Chang afirmando que mostra a "incompetência vergonhosa" da Justiça do país e a "desorganização do Estado".
Em entrevista à RFI, o economista João Mosca defendeu que "internamente não haverá qualquer responsabilização nem desenlace, porque o sistema judiciário está complemente politizado e capturado pelo governo da Frelimo, que vai enfrentar eleições gerais em 2019".
Manuel Chang vai ser ouvido na próxima semana pela justiça sul-africana que vai avaliar se o ex-ministro preenche os requisitos necessários para ser extraditado para os Estados Unidos. O antigo responsável pela pasta das Finanças incorre numa pena de 45 anos.