Depois de a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, encampar uma batalha contra a expressão “buraco negro”, é a vez de a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, se insurgir contra uma combinação de palavras alegadamente racista. Foi durante audiência da CPI das ONGs na segunda-feira, 27, na qual Marina repreendeu o presidente da comissão, Plínio Valério (PSDB-AM), após ele dizer que a CPI “conseguiu abrir a caixa-preta”. “Caixa-preta não, senador. Isso é uma forma pejorativa de se dirigir às pessoas pretas”, diz Marina a Valério, acrescentando: “Preta sou eu, que estou aqui do seu lado”. O senador propõe, então, a expressão caixa de Pandora. “Nós abrimos a caixa de Pandora. Porque caixa-preta existe nos aviões, né? Só se descobre os acidentes agora…”, segue Valério, que é interrompido mais uma vez pela ministra. “Mudou, porque coisa ruim não pode ser associado a preto”, diz Marina. “Com laranja pode esculhambar”, diz o senador, em referência à cor atual dos dispositivos. “É que não existe pessoas laranjas”, diz Marina. O senador rebate: “E nem mestiços, acabaram com os mestiços. Eles não existem mais no IBGE e nem nas cotas”. A expressão caixa-preta se refere ao dispositivo que registra dados de uma viagem de avião. Ela é chamada assim porque os dispositivos originais eram pretos — hoje são laranja, para facilitar sua identificação após um acidente. Há outras explicações possíveis para a origem no nome — o “preta” pode se referir ao seu interior —, mas nenhuma delas tem relação com raça, como sugere mais uma ministra do governo Lula. Acompanhe O Antagonista no canal do WhatsApp. Boletins diários, conteúdos exclusivos em vídeo... e muito mais. Link do canal: https://whatsapp.com/channel/0029Va2SurQHLHQbI5yJN344 Assine o combo O Antagonista + Crusoé: https://assine.oantagonista.com/ Siga O Antagonista nas redes sociais e cadastre-se para receber nossa newsletter: https://bit.ly/newsletter-oa Leia mais em www.oantagonista.com.br | www.crusoe.com.br