
Sign up to save your podcasts
Or


A musicalidade preta brasileira tem história. É uma enorme galeria, onde destacam-se nomes como Cartola, Tim Maia, Elza Soares, Jorge Ben, Clara Nunes, Nelson Sargento, Itamar Assumpção, Naná Vasconcelos, Clementina de Jesus, Luiz Gonzaga, Cassiano, Pixinguinha, Dom Salvador, e tantos outros que uniram experiência de vida ao lirismo mais puro de sua criatividade. Os nomes desses imortais transcendem o tempo e demarcam na cultura a importância das obras que criaram, como definidores identitários para aqueles que as admiram.
"Sobrevivendo no Inferno" disco lançado em 1997 pelos Racionais MC's se inscreve nessa galeria. É um disco que estabelece importantes marcas também: de vendagem, de produção, de linguagem e repercussão. Que emite uma mensagem que nos agarra pelo coração e pelo cérebro. Uma obra cheia de personagens que se não fossem feitos de letras e histórias, seriam de carne e osso, pois partes deles estão dentro de todos nós. Estão lá o moleque sonhador, o marginal reflexivo, o presidiário revoltado e o poeta bandido que mira as mazelas sociais. Que não nos deixa esquecer que a música é dor, denúncia e queixo erguido.
Obra fundamental, reconhecida academicamente, fonte de estudo e agora material escolar. Marco de transformação cultural, que levantou a autoestima de milhares de jovens nas periferias espalhadas pelo Brasil e obrigou a academia a entender o poder da rima e do beat. É obra onde o homem preto tem temporalidade e espaço, onde este não é coadjuvante e sim o âmago das histórias. É onde a periferia é feita centro do debate, o lugar em que a ruptura se transforma na construção de uma nova linhagem.
Nesse programa o convidado é Vinicius Rodrigues, produtor cultural, sociólogo e doutorando em Antropologia pela Universidade de São Paulo. Cria da Casa Verde, Viny tem pensado e discutido as variadas questões ligadas a negritude na cidade de São Paulo.
Aumente o som e boa audição!
Marcelo Fonseca
02/abril/2021
Angola está na porção sul ocidental da África e ao mesmo tempo, compõe parte fundamental da identidade brasileira. Talvez, o cidadão médio do Brasil, não perceba isso, mas Angola vibra em nós. Quando esboçamos nossos sorrisos, quando expressamos nossa hospitalidade, está no espírito de nossas festas, quando nos mostramos felizes e esperançosos.
Em Mayombe, Pepetela (persona literária de Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos) fala da Guerra de Independência. Quais as expectativas de um povo que ficou boa parte de sua história sob o jugo estrangeiro? A selva fechada ao norte do país transforma-se em cenário de reflexões. Através das ações narradas, dos pensamentos dos homens engajados na luta, constrói-se um sentimento de um país a se criar.
Nesse programa o convidado é meu amigo Adriano Liziero. Geógrafo e professor, engajado na divulgação crítica do conhecimento geográfico, Adriano viveu uma parte de sua vida em Angola e foi testemunha ocular de um momento muito específico da história do país.
Espero que apreciem, tanto quanto gostei de fazer esse programa.
Boa audição!
Marcelo Fonseca
26/março/2021
Através dos séculos o Cristianismo passou de seita herética do Judaísmo, a um corpo espiritual dividido nas mais diversas interpretações. Uma delas, o puritanismo, foi o entendimento de mundo que guiou os peregrinos que fundaram as treze colônias da América do Norte e estão no mito, na história e na fundação dos Estados Unidos.
Em "A Bruxa" ou "The VVitch - a New England Folktale", longa metragem de estreia do diretor Robert Eggers, lançado em 2015, temos uma pequena dimensão do horror e do medo que se dá na ausência do divino. Como é viver e sobreviver, sob o jugo da providência? Como é sentir o demônio a espreita durante as tarefas mais banais do cotidiano? Como é enfrentar a solidão do 'deserto', mesmo que ele não seja árido como pensamos de primeira e sim úmido e frio, como as florestas de uma virgem e jovem Nova Inglaterra?
Tanto por história, como por narrativa, o filme apresenta diferentes pontos de discussão e de interpretação. Para esse episódio o convidado é meu amigo Gabriel Castanho, professor do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Com uma considerável trajetória acadêmica, Gabriel tem se dedicado a compreensão de temas como a solidão, a religião medieval, o monasticismo e as diferentes reflexões relacionadas à vida social do velho mundo e que resvalam em nossa contemporaneidade.
Boa audição!
Marcelo Fonseca
19/março/2021
Olá mais uma vez!
Existiu um tempo onde o Brasil era reconhecido como uma nação de terceiro mundo. Os grandes símbolos do país reconhecidos fora dele, eram Pelé, a bossa-nova, a caipirinha e o Carnaval. Com a chegada da década de 1990, outros atores que já existiam e se mobilizavam desde meados da década anterior, chegam a cena. Com o acontecimento que foi o Rock in Rio, o rock torna-se a música de uma parte da juventude do país. Além da explosão do chamado "rock brasileiro" outras linhagens subterrâneas como o hardcore, o punk e principalmente o metal, começam a receber uma audiência cada vez maior.
A jovem democracia brasileira buscava seu caminho, mesmo mantendo os vícios violentos advindos de uma história de ditadura, de escravidão e desigualdade. O Brasil ainda que de maneira difusa, imaginava um horizonte possível era o momento de gestação de um novo país. Com a chegada da internet, de mais acesso a informação, conhecer música ficou mais fácil. O horizonte das industrias culturais da música se transformava rapidamente, apresentando novos artistas, possibilidades de gravação, novos recursos e tecnologias.
Estando em constante movimento, o Sepultura captou como ninguém as tendências e transformações. Conseguiu circular e observar de posição privilegiada o que acontecia na música extrema e conseguiu deixar de ser "mais uma" banda de metal para ser protagonista desse momento. Assim, "Chaos A.D." sintetiza um momento do Brasil, da música pesada, uma parte da história da juventude brasileira.
O convidado desse programa é o meu amigo e parceiro de Basalt, Luiz Mazetto. Jornalista e autor dos livros "Nós somos a tempestade" volumes 1 e 2, Luiz tem se dedicado entrevistar, ouvir e documentar os artistas que têm buscado de forma inventiva criar a música do novo milênio. De olho atento aos lançamentos, as produções não deixa de estar atento também as transformações da indústria musical.
Boa audição!
Marcelo Fonseca
12/março/2021
Olá sejam bem vindos e bem vindas!
Não é demais dizer, mesmo aceitando que possa soar repetitivo, que Tolstói ultrapassou os limites da Rússia e é considerado um dos grandes nomes da literatura universal. Muito conhecido por obras de grande envergadura como "Anna Karênina" e "Guerra e Paz", no relativamente pequeno "A morte de Ivan Ilitch" o autor talhou o que Vladmir Nabokov considerou "uma das mais perfeitas obras artísticas da literatura". Escrito já numa fase pós conversão religiosa, a história fala sobre convenções sociais e familiares, a angústia, o medo, a morte e o desencanto, abrindo espaço para inúmeras outras discussões. Tendo uma vida que transita entre dois pontos distintos, a juventude boêmia e beletrista em contraposição à maturidade de busca religiosa, o autor fecha em si mesmo, as contradições de suas escolhas e que podem ser levemente sentidas na leitura de suas obras.
Nesse episódio, o convidado é Lucas Simone, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo, tradutor, editor e professor de língua e cultura russa. O episódio foi gravado numa tarde de janeiro de 2021, como forma de tirar o Lucas de acompanhar (com sofrimento) um dos jogos do São Paulo Futebol Clube. No bate papo falamos, do autor, seu contexto e a obra. Além de ter uma instigante conversa sobre a história da tradução de obras russas no Brasil e do papel do tradutor.
Boa audição!
Marcelo Fonseca
05/março/2021
Olá este é o Obra Fechada!
Um podcast sobre obras clássicas e contemporâneas, autores e pessoas que gostam dessas obras e autores.
Ouça aí o nosso primeiro teaser!
From the publisher's feed