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O Back2Black estreou-se em Paris, no Théâtre du Châtelet, como um manifesto afro-brasileiro que cruza música, memória e identidade. Com artistas como Gilberto Gil e a DJ guineense Sandra Baldé, o movimento propôs uma leitura contemporânea das ligações históricas entre África e Brasil. “Todos os gestos culturais também são políticos”, afirma Connie Lopes, responsável pela organização.
O Back2Black chegou a Paris com um posicionamento: mais do que um festival musical, pretende afirmar-se como um espaço de reflexão cultural e política sobre as ligações entre África e o Brasil. Criado em 2009 no Rio de Janeiro, o projecto tem vindo a consolidar-se como uma plataforma de circulação de artistas e de diálogo afro-diaspórico.
Para Connie Lopes, responsável pela organização, esta edição parisiense foi pensada como um “manifesto afro-brasileiro”, centrado na valorização de uma herança histórica comum. “África é o primeiro grande país de onde o homem partiu e continua a influenciar a cultura contemporânea do mundo inteiro”, afirma.
A produtora sublinha ainda o impacto da história da escravatura na formação cultural brasileira: “Recebemos quatro milhões de africanos, embora escravizados, e isso enraizou-se de forma muito forte no Brasil”. Essa herança, acrescenta, manifesta-se hoje numa “cultura negra muito pulsante”, particularmente visível em cidades como Salvador ou o Rio de Janeiro.
A escolha de Paris como palco desta edição prende-se, segundo Connie Lopes, com a receptividade do público local. “O público francês já absorve há muito tempo a cultura africana e as culturas do mundo”, observa, considerando que essa abertura facilita a apresentação de propostas artísticas híbridas.
O programa inclui encontros entre artistas de diferentes geografias, como Agnes Nunes e Blick Bassy, bem como a presença de Gilberto Gil, cuja participação é descrita como “uma dádiva”. “Ele representa tudo o que estamos a trazer aqui”, afirma a organizadora, destacando o simbolismo de contar com um dos nomes maiores da música brasileira, numa fase final da sua carreira.
Entre os nomes em destaque esteve também Sandra Baldé, DJ guineense conhecida como Umafricana, cujo trabalho cruza géneros como afrobeat, funk e amapiano.
A artista explica que a construção dos seus sets assenta nas ligações naturais entre estas sonoridades: “Apesar de serem continentes diferentes, há sempre elementos dentro desses géneros que acabam por se conectar”. Essa continuidade permite-lhe criar “transições de forma muito natural”.
A escolha musical, acrescenta, é inseparável da sua identidade: “Faz parte daquilo que eu sou, do que escuto diariamente e dos artistas que me inspiram”. Para Sandra Baldé, tocar no Back2Black representa também uma oportunidade de representação: “Sinto-me muito grata por estar aqui a representar a cultura africana e trazer sonoridades que muitas pessoas não conhecem”.
Actuar no Théâtre du Châtelet, um espaço emblemático da vida cultural parisiense, reforça essa dimensão. “É gratificante, porque sinto que estou a abrir portas para que mais disto aconteça”, afirma. A DJ sublinha ainda a importância de levar estas músicas a contextos menos habituais: “É uma honra e uma responsabilidade trazer estas sonoridades para espaços pouco vulgares”.
Essa abertura a novos públicos é encarada como um processo de descoberta: “Na maior parte das vezes, as pessoas estão abertas a ouvir coisas diferentes”.
Para além da dimensão artística, Sandra Baldé reconhece um papel político no seu trabalho. “O facto de eu existir nestes espaços e promover estas sonoridades já é político e reivindicador”, afirma.
Num contexto internacional marcado por tensões sociais e identitárias, a música surge, na sua perspectiva, como ferramenta de resistência: “A música vai sempre salvar. É uma forma de expor problemas, injustiças e manter-nos motivados”.
Referindo-se à actualidade na Guiné-Bissau, num momento em que o país está de luto pela morte do activista Vigário Luís Balanta, Umafricana considera que episódios de violência e silenciamento devem ser transformados em motivação: “São situações desmotivantes, mas também um incentivo para continuarmos a exigir aquilo a que temos direito”.
By RFI PortuguêsO Back2Black estreou-se em Paris, no Théâtre du Châtelet, como um manifesto afro-brasileiro que cruza música, memória e identidade. Com artistas como Gilberto Gil e a DJ guineense Sandra Baldé, o movimento propôs uma leitura contemporânea das ligações históricas entre África e Brasil. “Todos os gestos culturais também são políticos”, afirma Connie Lopes, responsável pela organização.
O Back2Black chegou a Paris com um posicionamento: mais do que um festival musical, pretende afirmar-se como um espaço de reflexão cultural e política sobre as ligações entre África e o Brasil. Criado em 2009 no Rio de Janeiro, o projecto tem vindo a consolidar-se como uma plataforma de circulação de artistas e de diálogo afro-diaspórico.
Para Connie Lopes, responsável pela organização, esta edição parisiense foi pensada como um “manifesto afro-brasileiro”, centrado na valorização de uma herança histórica comum. “África é o primeiro grande país de onde o homem partiu e continua a influenciar a cultura contemporânea do mundo inteiro”, afirma.
A produtora sublinha ainda o impacto da história da escravatura na formação cultural brasileira: “Recebemos quatro milhões de africanos, embora escravizados, e isso enraizou-se de forma muito forte no Brasil”. Essa herança, acrescenta, manifesta-se hoje numa “cultura negra muito pulsante”, particularmente visível em cidades como Salvador ou o Rio de Janeiro.
A escolha de Paris como palco desta edição prende-se, segundo Connie Lopes, com a receptividade do público local. “O público francês já absorve há muito tempo a cultura africana e as culturas do mundo”, observa, considerando que essa abertura facilita a apresentação de propostas artísticas híbridas.
O programa inclui encontros entre artistas de diferentes geografias, como Agnes Nunes e Blick Bassy, bem como a presença de Gilberto Gil, cuja participação é descrita como “uma dádiva”. “Ele representa tudo o que estamos a trazer aqui”, afirma a organizadora, destacando o simbolismo de contar com um dos nomes maiores da música brasileira, numa fase final da sua carreira.
Entre os nomes em destaque esteve também Sandra Baldé, DJ guineense conhecida como Umafricana, cujo trabalho cruza géneros como afrobeat, funk e amapiano.
A artista explica que a construção dos seus sets assenta nas ligações naturais entre estas sonoridades: “Apesar de serem continentes diferentes, há sempre elementos dentro desses géneros que acabam por se conectar”. Essa continuidade permite-lhe criar “transições de forma muito natural”.
A escolha musical, acrescenta, é inseparável da sua identidade: “Faz parte daquilo que eu sou, do que escuto diariamente e dos artistas que me inspiram”. Para Sandra Baldé, tocar no Back2Black representa também uma oportunidade de representação: “Sinto-me muito grata por estar aqui a representar a cultura africana e trazer sonoridades que muitas pessoas não conhecem”.
Actuar no Théâtre du Châtelet, um espaço emblemático da vida cultural parisiense, reforça essa dimensão. “É gratificante, porque sinto que estou a abrir portas para que mais disto aconteça”, afirma. A DJ sublinha ainda a importância de levar estas músicas a contextos menos habituais: “É uma honra e uma responsabilidade trazer estas sonoridades para espaços pouco vulgares”.
Essa abertura a novos públicos é encarada como um processo de descoberta: “Na maior parte das vezes, as pessoas estão abertas a ouvir coisas diferentes”.
Para além da dimensão artística, Sandra Baldé reconhece um papel político no seu trabalho. “O facto de eu existir nestes espaços e promover estas sonoridades já é político e reivindicador”, afirma.
Num contexto internacional marcado por tensões sociais e identitárias, a música surge, na sua perspectiva, como ferramenta de resistência: “A música vai sempre salvar. É uma forma de expor problemas, injustiças e manter-nos motivados”.
Referindo-se à actualidade na Guiné-Bissau, num momento em que o país está de luto pela morte do activista Vigário Luís Balanta, Umafricana considera que episódios de violência e silenciamento devem ser transformados em motivação: “São situações desmotivantes, mas também um incentivo para continuarmos a exigir aquilo a que temos direito”.

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