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Dois recintos da África lusófona passaram neste domingo a constar da lista do Património Mundial Natural da humanidade.
E isto segundo decisões da UNESCO, aqui em Paris.
Foi o caso do Parque Nacional de Maputo, em Moçambique, após um longo processo de 14 anos.
Também o arquipélago dos Bijagós, já Reserva da Biosfera desde 1996, passou a ser desde este domingo Património natural segundo decisão da Organização das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura.
Com uma área de 1 718 quilómetros quadrados, o Parque Nacional de Maputo é povoado, nomeadamente, por girafas e elefantes, está também ligado ao Parque das Zonas Húmidas iSimangaliso na África do Sul, que também já foi classificado como património mundial.
Miguel Gonçalves, administrador deste Parque moçambicano, admitiu estar-se perante um momento deveras gratificante por a UNESCO ter neste domingo atribuído o estatuto de Património mundial a este recinto.
14 anos a trabalhar neste processo e eu ainda estou para perceber o que é que estou a sentir. É uma emoção muito grande e um orgulho muito grande. É um orgulho na equipa toda do Parque Nacional. É um orgulho e um agradecimento a uma série de pessoas que trabalharam connosco neste processo. É o primeiro sítio Património Mundial Natural em Moçambique, no nosso país. É um sentimento de orgulho grande. Vamos ver. Temos expectativas grandes. Acreditamos que a exposição que estatuto vai trazer o parque vai beneficiar grandemente o Parque e, obviamente, todas as comunidades que circundam o Parque. É todo um desenvolvimento. A volta do parque muito focado na conservação. Basicamente, é isto: é a exposição que traz é trabalhar, agora, trabalhar.
Acho que há um motivo para ter alguma preocupação para o facto de, se calhar, haver uma pressão demográfico de visitantes que possa vir a ameaçar, a colocar em risco estes habitats ?
Nesta altura é um bocado prematuro. É sempre alguma coisa que temos que considerar. Não é a partir do momento também que obtemos este estatuto, tornámo-nos mais atractivos. Isto foi tudo acautelado, foi tudo pensado durante estes 14 anos. E agora, obviamente, vamos voltar para Moçambique, para casa e vamos ter que sentar com os vários sectores do governo para definir estratégias, porque acabámos de dizer ao mundo que temos um local especial que pertence à humanidade. E agora há uma responsabilidade acrescida a nossa com Moçambique, de o proteger.
Como é que viveu este momento aqui? Havia muito nervosismo antes de se ter a certeza de que isto iria para a frente: muito stress ?
Ui ! Olha, como disse, são 14 anos. A noite passada não dormi. Houve muitas noites nos últimos dois meses não dormidas, mas sim muito, muito mesmo. Ansioso para voltar para casa, para estar com os meus e festejarmos !
Também o arquipélago dos Bijagós, já Reserva da Biosfera desde 1996, passou a ser desde este domingo Património natural segundo decisão da Organização das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura.
Um arquipélago de 88 ilhas, incluindo 21 habitadas.
E com três parques naturais, nas ilhas de Orango, em João Vieira e Poilão e nas ilhas Urok.
Uma área natural onde nidificam tartarugas, vivem hipópotamos e se alimentam aves migratórias, provenientes do norte da Europa.
Viriato Cassamá, ministro guineense do ambiente, recorda que tinha havido um chumbo à primeira candidatura há mais de 10 anos, pelo que agora todas as providências tinham sido acauteladas para se obter o êxito pretendido.
Houve várias recomendações por parte do Comité do Património Mundial e nós, ao longo desses últimos anos, trabalhámos arduamente a fim de podermos cumprir com todos os pressupostos elencados na altura pelo Comité e, felizmente, conseguimos cumprir com todos esses pressupostos. A razão pela qual reapresentámos a candidatura do arquipélago dos Bijagós ao sítio de Património Natural da UNESCO.
Estamos a celebrar porque é um acontecimento que todo o povo e amigos da Guiné-Bissau tem acompanhado nestes últimos meses e, felizmente hoje, pela reacção de todo o pessoal, nota-se que todo o mundo está contente porque trata-se de um desígnio nacional, um património mundial natural no nosso país é muito importante. De mais a mais, é o primeiro que nós temos ao nível da Guiné-Bissau. Está todo o mundo contente. Estamos a festejar não só aqui em Paris, como também em Bissau, na sede do Instituto da Biodiversidade e Áreas Protegidas. Hoje, às 19h de Bissau, iremos celebrar, mas quando regressarmos vamos ter que celebrar em força esta acontecimento.
Mas qual será, de facto, a grande diferença entre a Reserva da Biosfera que já era? Este arquipélago guineense agora chegar a este patamar. Prevêem-se grandes mudanças ?
A Reserva da Biosfera é uma classificação que não chega ao patamar do Património natural mundial. Com certeza... nós estamos muito contentes porque a partir de agora, a Guiné-Bissau irá figurar no mapa do mundo no que toca à conservação da biodiversidade e do ambiente no seu todo, não é?
Mas não é uma faca de dois gumes ? Ou seja, mais visibilidade, maior notoriedade, talvez mais turismo, mais visitantes, maior pressão demográfica. E, de facto, o ambiente destas 88 ilhas é extremamente frágil, vulnerável, há muitas insuficiências a nível de infra-estruturas sanitárias e tantas outras.
Como é que vai ser gerir isto? E em que medida é que, de facto, o que é o "Tesouro" da Guiné-Bissau, em relação a esta área natural, pode ser mesmo preservada sem um afluxo que possa vir a colocar em causa este "tesouro"?
Sem sombra de dúvida. Por isso é que há o princípio do desenvolvimento sustentável nós temos que saber equilibrar o desenvolvimento económico, cultural e ambiental, não é?
E é nesta base que se propôs a candidatura. Nós temos a plena consciência dos possíveis perigos, mas vamos trabalhar nisso porque agora a classificação passou, não é?
Mas vamos ter que trabalhar nisso. Vamos ter que ter um plano de acção. Como é que vamos gerir isto tudo? Porque nós temos uma política da sustentabilidade no país e vamos promover muito mais o turismo sustentável, porque esta passagem para o Património Mundial natural da UNESCO tem uma importância não só estratégica como também ecológica, cultural e socio-económica. Não é pelas seguintes razões que eu posso elencar aqui. O reconhecimento internacional do valor excepcional do património natural da Guiné-Bissau vai, com certeza, em termos de biodiversidade e conservação ambiental, como eu disse, colocar a Guiné-Bissau no mapa global da excelência Ambiental.
Também representa o reconhecimento oficial da comunidade internacional do valor universal que o arquipélago tem, particularmente pelas suas zonas húmidas, ecossistemas costeiros, florestas, mangais, praias onde se edificam as tartarugas marinhas e as zonas de alimentação de muitas aves migratórias que saem mesmo dos países nórdicos da Europa.
E como segundo ponto, nós apontámos muito o reforço da protecção e da conservação ambiental que irá permitir, com certeza, fortalecer os mecanismos de gestão e de conservação dos ecossistemas sensíveis através de parcerias técnicas e financeiras com algumas instituições internacionais.
Também iremos atrair muitos investimentos para protecção da biodiversidade. Neste caso, a protecção das espécies emblemáticas como o manatim africano, que estão em vias de extinção, as tartarugas marinhas, os hipopótamos e algumas aves migratórias.
Também temos que promover o "saber fazer" tradicional, porque o que temos nos Bijagós é graças ao "saber fazer" tradicional das comunidades ancestrais e tem posto em prática e passar este conhecimento para as novas gerações, não é? Por isso é que temos todo esse manancial de biodiversidade no arquipélago dos Bijagós. E temos que continuar e valorizar o saber fazer tradicional, preservar a identidade cultural única dos Bijagós. Nós pensamos que essa nossa política irá continuar. Irá ser o apanágio de toda a nossa acção. A sua inscrição também trará, com certeza, as oportunidades do desenvolvimento sustentável.
E o isolamento relativo em termos de acesso às comunicações aleatórias não podem ser um calcanhar de Aquiles para implementar muitas destas políticas ?
Sem sombra de dúvida. Por isso é que existe um fundo do Comité do Património Mundial. É este fundo. Ainda tive reuniões paralelas antes de ontem. Fundo do Comité do Património Mundial está disposto para acompanhar a Guiné-Bissau. O arquipélago existe. Já há turismo na zona, independentemente de ser o Património natural mundial da UNESCO. Como disse e bem, já era Reserva da Biosfera. E, mas nós temos estado a equilibrar o turismo com a preservação da biodiversidade.
Portanto, não será só Bubaque. João Vieira Outras ilhas poderão vir a ser apostas deste turismo tão ligado para o meio ambiente ?
Sem sombra de dúvidas, sim, sim.
By RFI PortuguêsDois recintos da África lusófona passaram neste domingo a constar da lista do Património Mundial Natural da humanidade.
E isto segundo decisões da UNESCO, aqui em Paris.
Foi o caso do Parque Nacional de Maputo, em Moçambique, após um longo processo de 14 anos.
Também o arquipélago dos Bijagós, já Reserva da Biosfera desde 1996, passou a ser desde este domingo Património natural segundo decisão da Organização das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura.
Com uma área de 1 718 quilómetros quadrados, o Parque Nacional de Maputo é povoado, nomeadamente, por girafas e elefantes, está também ligado ao Parque das Zonas Húmidas iSimangaliso na África do Sul, que também já foi classificado como património mundial.
Miguel Gonçalves, administrador deste Parque moçambicano, admitiu estar-se perante um momento deveras gratificante por a UNESCO ter neste domingo atribuído o estatuto de Património mundial a este recinto.
14 anos a trabalhar neste processo e eu ainda estou para perceber o que é que estou a sentir. É uma emoção muito grande e um orgulho muito grande. É um orgulho na equipa toda do Parque Nacional. É um orgulho e um agradecimento a uma série de pessoas que trabalharam connosco neste processo. É o primeiro sítio Património Mundial Natural em Moçambique, no nosso país. É um sentimento de orgulho grande. Vamos ver. Temos expectativas grandes. Acreditamos que a exposição que estatuto vai trazer o parque vai beneficiar grandemente o Parque e, obviamente, todas as comunidades que circundam o Parque. É todo um desenvolvimento. A volta do parque muito focado na conservação. Basicamente, é isto: é a exposição que traz é trabalhar, agora, trabalhar.
Acho que há um motivo para ter alguma preocupação para o facto de, se calhar, haver uma pressão demográfico de visitantes que possa vir a ameaçar, a colocar em risco estes habitats ?
Nesta altura é um bocado prematuro. É sempre alguma coisa que temos que considerar. Não é a partir do momento também que obtemos este estatuto, tornámo-nos mais atractivos. Isto foi tudo acautelado, foi tudo pensado durante estes 14 anos. E agora, obviamente, vamos voltar para Moçambique, para casa e vamos ter que sentar com os vários sectores do governo para definir estratégias, porque acabámos de dizer ao mundo que temos um local especial que pertence à humanidade. E agora há uma responsabilidade acrescida a nossa com Moçambique, de o proteger.
Como é que viveu este momento aqui? Havia muito nervosismo antes de se ter a certeza de que isto iria para a frente: muito stress ?
Ui ! Olha, como disse, são 14 anos. A noite passada não dormi. Houve muitas noites nos últimos dois meses não dormidas, mas sim muito, muito mesmo. Ansioso para voltar para casa, para estar com os meus e festejarmos !
Também o arquipélago dos Bijagós, já Reserva da Biosfera desde 1996, passou a ser desde este domingo Património natural segundo decisão da Organização das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura.
Um arquipélago de 88 ilhas, incluindo 21 habitadas.
E com três parques naturais, nas ilhas de Orango, em João Vieira e Poilão e nas ilhas Urok.
Uma área natural onde nidificam tartarugas, vivem hipópotamos e se alimentam aves migratórias, provenientes do norte da Europa.
Viriato Cassamá, ministro guineense do ambiente, recorda que tinha havido um chumbo à primeira candidatura há mais de 10 anos, pelo que agora todas as providências tinham sido acauteladas para se obter o êxito pretendido.
Houve várias recomendações por parte do Comité do Património Mundial e nós, ao longo desses últimos anos, trabalhámos arduamente a fim de podermos cumprir com todos os pressupostos elencados na altura pelo Comité e, felizmente, conseguimos cumprir com todos esses pressupostos. A razão pela qual reapresentámos a candidatura do arquipélago dos Bijagós ao sítio de Património Natural da UNESCO.
Estamos a celebrar porque é um acontecimento que todo o povo e amigos da Guiné-Bissau tem acompanhado nestes últimos meses e, felizmente hoje, pela reacção de todo o pessoal, nota-se que todo o mundo está contente porque trata-se de um desígnio nacional, um património mundial natural no nosso país é muito importante. De mais a mais, é o primeiro que nós temos ao nível da Guiné-Bissau. Está todo o mundo contente. Estamos a festejar não só aqui em Paris, como também em Bissau, na sede do Instituto da Biodiversidade e Áreas Protegidas. Hoje, às 19h de Bissau, iremos celebrar, mas quando regressarmos vamos ter que celebrar em força esta acontecimento.
Mas qual será, de facto, a grande diferença entre a Reserva da Biosfera que já era? Este arquipélago guineense agora chegar a este patamar. Prevêem-se grandes mudanças ?
A Reserva da Biosfera é uma classificação que não chega ao patamar do Património natural mundial. Com certeza... nós estamos muito contentes porque a partir de agora, a Guiné-Bissau irá figurar no mapa do mundo no que toca à conservação da biodiversidade e do ambiente no seu todo, não é?
Mas não é uma faca de dois gumes ? Ou seja, mais visibilidade, maior notoriedade, talvez mais turismo, mais visitantes, maior pressão demográfica. E, de facto, o ambiente destas 88 ilhas é extremamente frágil, vulnerável, há muitas insuficiências a nível de infra-estruturas sanitárias e tantas outras.
Como é que vai ser gerir isto? E em que medida é que, de facto, o que é o "Tesouro" da Guiné-Bissau, em relação a esta área natural, pode ser mesmo preservada sem um afluxo que possa vir a colocar em causa este "tesouro"?
Sem sombra de dúvida. Por isso é que há o princípio do desenvolvimento sustentável nós temos que saber equilibrar o desenvolvimento económico, cultural e ambiental, não é?
E é nesta base que se propôs a candidatura. Nós temos a plena consciência dos possíveis perigos, mas vamos trabalhar nisso porque agora a classificação passou, não é?
Mas vamos ter que trabalhar nisso. Vamos ter que ter um plano de acção. Como é que vamos gerir isto tudo? Porque nós temos uma política da sustentabilidade no país e vamos promover muito mais o turismo sustentável, porque esta passagem para o Património Mundial natural da UNESCO tem uma importância não só estratégica como também ecológica, cultural e socio-económica. Não é pelas seguintes razões que eu posso elencar aqui. O reconhecimento internacional do valor excepcional do património natural da Guiné-Bissau vai, com certeza, em termos de biodiversidade e conservação ambiental, como eu disse, colocar a Guiné-Bissau no mapa global da excelência Ambiental.
Também representa o reconhecimento oficial da comunidade internacional do valor universal que o arquipélago tem, particularmente pelas suas zonas húmidas, ecossistemas costeiros, florestas, mangais, praias onde se edificam as tartarugas marinhas e as zonas de alimentação de muitas aves migratórias que saem mesmo dos países nórdicos da Europa.
E como segundo ponto, nós apontámos muito o reforço da protecção e da conservação ambiental que irá permitir, com certeza, fortalecer os mecanismos de gestão e de conservação dos ecossistemas sensíveis através de parcerias técnicas e financeiras com algumas instituições internacionais.
Também iremos atrair muitos investimentos para protecção da biodiversidade. Neste caso, a protecção das espécies emblemáticas como o manatim africano, que estão em vias de extinção, as tartarugas marinhas, os hipopótamos e algumas aves migratórias.
Também temos que promover o "saber fazer" tradicional, porque o que temos nos Bijagós é graças ao "saber fazer" tradicional das comunidades ancestrais e tem posto em prática e passar este conhecimento para as novas gerações, não é? Por isso é que temos todo esse manancial de biodiversidade no arquipélago dos Bijagós. E temos que continuar e valorizar o saber fazer tradicional, preservar a identidade cultural única dos Bijagós. Nós pensamos que essa nossa política irá continuar. Irá ser o apanágio de toda a nossa acção. A sua inscrição também trará, com certeza, as oportunidades do desenvolvimento sustentável.
E o isolamento relativo em termos de acesso às comunicações aleatórias não podem ser um calcanhar de Aquiles para implementar muitas destas políticas ?
Sem sombra de dúvida. Por isso é que existe um fundo do Comité do Património Mundial. É este fundo. Ainda tive reuniões paralelas antes de ontem. Fundo do Comité do Património Mundial está disposto para acompanhar a Guiné-Bissau. O arquipélago existe. Já há turismo na zona, independentemente de ser o Património natural mundial da UNESCO. Como disse e bem, já era Reserva da Biosfera. E, mas nós temos estado a equilibrar o turismo com a preservação da biodiversidade.
Portanto, não será só Bubaque. João Vieira Outras ilhas poderão vir a ser apostas deste turismo tão ligado para o meio ambiente ?
Sem sombra de dúvidas, sim, sim.

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