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O novo normal é um termo ardiloso: conseguiu que seu significado fosse travestido de resiliência, se tornar sinônimo de ressignificação e é usado até como se fosse uma oportunidade para sei lá o quê. Só quem aproveita desse atual normal é quem já aproveitava do normal de antes. Na verdade, certo mesmo seria acabar com o velho normal também.
Chegamos ao momento de flexibilização da quarentena que nunca ocorreu; em breve, teremos uma nova eleição com candidatos que antes eram considerados bizarros e agora se tornaram modelos. Os profissionais do boteco reclamam o espaço e só nos resta o grito com eco falso, pedindo socorro, mas sem admitir.
Não abrimos mão de um palavrão na hora certa ou a qualquer hora, para comemorar ou para expressar raiva. Uma mesma palavra, diversos significados. O xingamento sempre fez parte da rotina do brasileiro. Mas ninguém suspeitava que como parte da “boiada” que passaria com o afrouxamento de leis e sei lá mais o que, estava o projeto de oficialização do palavrão no linguajar público do atual “PR”. E os gringos que lutem para traduzir!
Sem creche, sem escola, mas com trabalho para fazer, além das tarefas de casa, os pais estão enlouquecendo, sobrecarregados. Alguns, aceitam as funções extras e respiram fundo. Outros, se pudessem, terceirizavam tudo e serviriam só pipoca de micro-ondas. Adivinha quem cuida? E quem quer passar o trabalho para frente?
Para alguns, a situação é essa: presente comprado pela internet, abraço via WhatsApp e flores, compradas no supermercado, deixadas na portaria ou no portão de casa. E tem mais: com o lockdown se aproximando, uma ameaça aos Enzos, Benícios e até às Valentinas se concretiza -- afinal, Loquedau é mesmo um nome muito bonito! Não é o dia das mães que a gente sonhava, mas é o que tem. E a gente se vira.
No Dia do Boi, esse dia especial para boa parte dos brasileiros, o país passou por reviravoltas políticas. O síndico revelou que desligava o aquecimento da piscina, que tem uma máquina sexual como filho e muito mais. Por causa disso, jovens realizaram o sonho de jogar na cara dos pais que estavam certos e senhoras choraram por seus heróis. E isso é Brasil.
Confinados em casa, os brasileiros reinventam a rotina para suportar o tédio. Mas há momentos em que não dá para segurar a frustração: e vem a briga no condomínio, as brigas nas onipresentes lives e a briga até mesmo em uma mensagem singela para os avós. Mas aqui é Brasil. A gente vai dar um jeito. O show tem que continuar.
Os motoristas e entregadores que trabalham por aplicativos estão mantendo parte da sociedade funcionando. É a galera da correria, que trabalha muito, ganha pouco e aguenta gente chata para caramba — e às vezes precisa desabafar no WhatsApp. Porque não tem outro jeito: não dá para desistir.
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