Deixar o Mundo Melhor

Deixar o Mundo Melhor

By Francisco Pinto BalsemãoSociety & Culture
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Deixar o Mundo Melhor episodes

  • Graça Freitas

    Nasceu no Huambo a 26 de agosto de 1957 e foi uma presença constante em casa dos portugueses nos tempos duros da pandemia, quando (quase) todos temíamos a propagação do coronavírus. A médica Maria da Graça Gregório de Freitas gosta de ser tratada por Graça -  "quando muito Dra. Graça" - não tem planos para o futuro e só gosta de "olhar para o passado colhendo o melhor" que lhe aconteceu, mas sem se demorar muito "porque o passado é passado". O curso de Medicina foi a sua terceira escolha, embora nunca tenha tentado concretizar nenhuma das duas primeiras opções em que pensou. Terminado o liceu matriculou-se na Faculdade de Medicina de Luanda, onde frequentou o primeiro ano. O curso dos acontecimentos ditou a vinda da família para Lisboa e foi nesta cidade que concluiu a licenciatura e fez a especialidade em Saúde Pública. Define-se como uma servidora pública, diz que se deu bem com o Almirante Gouveia e Melo na gestão da pandemia, porque ele coordenava a logística e ela (ou os seus serviços) decidiam o que a ciência deve decidir: "Portugal está bastante bem servido nas suas instituições públicas e privadas. Temos capacidade instalada para fazer face a crises como a que aconteceu". Apesar do balanço do passado recente ser positivo, a Dra. Graça deixa um alerta: "A grande prioridade é prepararmo-nos para as grandes mudanças que iremos enfrentar. Temos pela frente um enorme desafio demográfico com a questão do envelhecimento. É preciso perceber como se comportam as pessoas perante mudanças tão rápidas, tentar perceber o que a sociedade quer, até onde está disposta a ir para defender a saúde pública. Devíamos ter tempo para parar e pensar, para aprender lições com esta pandemia de forma a podermos estar mais preparados para a próxima".

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    42 min
  • José Milhazes

    Nasceu na Póvoa de Varzim a 2 de outubro de 1958, quando era criança queria ser padre missionário, frequentou o Seminário dos Combonianos durante três anos, mas um dia teve um sonho com Deus e Deus mandou-o sair do seminário: "Obedeci ao que Deus mandou., no dia seguinte fiz as malas e fui-me embora". O 25 de Abril de 1974 já tinha acontecido quando José Manuel Milhazes Pinto se matriculou no Liceu Eça de Queirós e aderiu à União dos Estudantes Comunistas. A militante do PCP, Helena Medina - mãe do ministro Fernando Medina - abriu-lhe a porta de um novo sonho, quando lhe perguntou se queria ir estudar para um país socialista. O rapaz aceitou sem hesitar e sem saber qual seria o destino. Fez a mala e partiu para Moscovo "no dia 10 de setembro de 1977, com a ideia de que seria possível construir uma sociedade melhor". Não encontrou o paraíso em Moscovo, mas conheceu a mulher com quem casou numa festa na residência de estudantes: "Só por isso valeu a pena ter ido para a União Soviética". Licenciou-se em História, estudou marxismo científico, assistiu ao colapso da União Soviética e, por causa do jornalismo, viveu na Rússia até 2015, ano em que regressou a Portugal. Passou uns maus bocados porque o trabalho escasseava e "tinha de dar de comer à família", mas a sorte bafejou-o no difícil ano de 2022, dez dias antes de começar a guerra da Ucrânia: "Publiquei "A Mais Breve História da Rússia", que deveria ter saído mais cedo, mas atrasou por causa da pandemia. Acabou por sair no momento certo, e fiquei muito surpreendido quando vi o livro no top durante muitas semanas". Ao sucesso do livro sucedeu-se o do programa que faz na SIC com Nuno Rogeiro e, aos 64 anos, o jornalista das barbas espessas e voz tonitruante começou uma nova etapa do seu caminho.

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    52 min
  • Ramos-Horta (2ª parte)

    Nasceu em Díli a 26 de dezembro de 1949, mas era bebé quando o levaram para a remota aldeia de Laclubar onde ninguém comunicava em português. Filho de uma timorense e de um filho de um sargento português que foi deportado para Timor pelo regime de Salazar, em 1936, na sequência da Revolta dos Marinheiros (Lisboa) contra o Estado Novo e a Guerra Civil de Espanha. O atual Presidente de Timor-Leste diz que "Xanana é o pai da pátria" timorense e sem ele "não teríamos um Timor independente". José Manuel Ramos-Horta aprendeu a falar português aos sete anos na Missão Católica de Soibada, fez o Liceu em Díli e quis ser jornalista. A história trocou-lhe as voltas e, aos 25 anos, já era ministro dos Negócios Estrangeiros do autoproclamado governo da Fretilin após uma declaração unilateral de independência de Timor-Leste, em 1975. No início de dezembro desse mesmo ano, a poucos dias da invasão indonésia, deixou Timor para um longo período de exílio, que repartiu entre Portugal, a Austrália e os Estados Unidos. Foi porta-voz da resistência entre 1975 e 1999, Prémio Nobel da Paz, em 1996 - com o bispo Dom Xímenes Belo -, ministro dos Negócios Estrangeiros depois da independência em 2002, primeiro-ministro, Presidente da República entre 2007 e 2012, eleito em 2022 para um novo mandato.  

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    30 min
  • Ramos-Horta (1ª parte)

    Nasceu em Díli a 26 de dezembro de 1949, mas era bebé quando o levaram para a remota aldeia de Laclubar onde ninguém comunicava em português. Filho de uma timorense e de um filho de um sargento português que foi deportado para Timor pelo regime de Salazar, em 1936, na sequência da Revolta dos Marinheiros (Lisboa) contra o Estado Novo e a Guerra Civil de Espanha. O atual Presidente de Timor-Leste diz que "Xanana é o pai da pátria" timorense e sem ele "não teríamos um Timor independente". José Manuel Ramos-Horta aprendeu a falar português aos sete anos na Missão Católica de Soibada, fez o Liceu em Díli e quis ser jornalista. A história trocou-lhe as voltas e, aos 25 anos, já era ministro dos Negócios Estrangeiros do autoproclamado governo da Fretilin após uma declaração unilateral de independência de Timor-Leste, em 1975. No início de dezembro desse mesmo ano, a poucos dias da invasão indonésia, deixou Timor para um longo período de exílio, que repartiu entre Portugal, a Austrália e os Estados Unidos. Foi porta-voz da resistência entre 1975 e 1999, Prémio Nobel da Paz, em 1996 - com o bispo Dom Xímenes Belo -, ministro dos Negócios Estrangeiros depois da independência em 2002, primeiro-ministro, Presidente da República entre 2007 e 2012, eleito em 2022 para um novo mandato.  

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    45 min
  • Henrique Gouveia e Melo

    Nasceu em Quelimane, no Norte de Moçambique, a 21 de novembro de 1960, e nunca sonhou ser outra coisa que não um militar no ativo. A pandemia da Covid-19 trocou-lhe as voltas e Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo enfrentou o imenso desafio de organizar e vacinar cidadãos para lutarem contra um vírus invisível que amedontrou novos e velhos e (quase) paralisou o mundo. É possível que o homem que escolheu tripular submarinos por serem o maior desafio que a Marinha lhe poderia colocar encare a política como uma viagem nestas embarcações, em que "o espaço é estreito e há sempre muita gente". O ponderado Almirante sabe que o sucesso granjeado pelo sucesso da campanha de vacinação corresponde a um momento da sua história pessoal e da história do país, e é perentório a afirmar: "Nunca desejei nenhum cargo político. Mas houve uma altura que pensei que a minha vida militar poderia terminar e, entre as hipóteses, poderiam estar hipóteses políticas. Não se materializaram, continuei a ser militar, e estou contente. Quanto às sondagens, acho que manifestam a memória que a população tem do processo de vacinação. Confundir isso com uma ação política alargada parece-me perigoso".

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    41 min
  • D. Manuel Clemente

    Nasceu em Torres Vedras a 16 de julho de 1948, frequentou boas escolas, matriculou-se na Faculdade de Direito de Lisboa mas rapidamente percebeu que preferia o curso de História, mudou para a Faculdade de Letras, licenciou-se em História um ano depois de ingressar no Seminário dos Olivais (1973), numa época em que a procura destas instituições de ensino estava em franco declínio. Manuel José Macário do Nascimento Clemente fez escutismo, trabalhou nas paróquias, foi padre, doutorou-se em Teologia, colaborou com a Rádio Renascença, presidiu à Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais (2005 - 2011), o Papa Bento XVI confirmou-o como Bispo do Porto, e agora é o 17º Cardeal Patriarca de Lisboa. O homem que (quase) todos conhecem por D. Manuel Clemente, procura consensos e fintar as polémicas. Tem fé na "solidariedade", porque "isto tem de chegar para todos", e alerta que as Jornadas da Juventude em 2023 poderão criar problemas de alojamento, porque "em termos logísticos não temos capacidade de alojamento, alimentação e transporte para muito mais" do que um milhão de pessoas.

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    41 min
  • Fernando Santos

    Nasceu em Lisboa a 10 de outubro de 1954, cresceu na Penha de França e começou a jogar futebol muito cedo, aos 15 anos "já tinha carteira de montador eletricista", inscreveu-se no Instituto Industrial, o 25 de Abril criou condições para acabar com o ensino médio e, Fernando Manuel Fernandes da Costa Santos, acabou licenciado em Eletrónica e Telecomunicações no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. O treinador da Seleção Nacional que em 2016 deu uma alegria coletiva aos portugueses -  quando Portugal venceu  o Campeonato Europeu de Futebol - está totalmente concentrado no Mundial de 2022, onde a Seleção portuguesa é uma das 32 equipas que participam na competição, e se realiza entre 20 de novembro e 18 de dezembro no Catar. O seguro morreu de velho e o treinador avisa que como "o Mundial este ano é em dezembro, as dificuldades são muitas".

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    45 min
  • Vhils

    Nasceu no Hospital de Santa Maria em Lisboa, em 1987, e começou a desenhar na Margem Sul: "Eu era um bocado introspetivo, desenhava muito, divertia-me imenso a fazer aquilo, sem nunca pensar que, uns anos mais tarde, iria começar a pintar nessas paredes. Comecei por desenhar no papel desde pequeno. O graffiti só apareceu pelos meus 12 ou 13 anos, com os meus colegas". Os pais de Alexandre Farto eram trotskistas, o que o fez ouvir muitas conversas que lhe trouxeram "consciência social. Os meus pais são de uma geração que migrou do Alentejo – de Marvão – para a periferia de Lisboa, e a Margem Sul era o sítio mais barato para viver na zona de Lisboa. Foram para o Seixal, Pinhal de Frades, onde ainda havia estradas de terra batida. Ainda me lembro de encontrar uma massa e fazer uma mistura e tentar desenhar numa parede". O acaso brindou-o com as professoras certas no momento certo, "foi com elas que percebi que poderia dar um salto, que comecei a experimentar novas técnicas e processos. Havia artistas muito ligados ao graffiti em Portugal e fora, e essas pessoas também foram importantes. O movimento de graffiti era um grupo de pessoas com interesses comuns que falavam, desenhavam, e se influenciavam umas às outras, e isso fez-me querer ir mais além. Um dia cheguei a um sítio onde estávamos todos a pintar, eu tinha um martelo, e decidi que queria tirar da parede, em vez de adicionar. Foi aí que comecei", e foi aí que esboçou o nome VHILS, o homem que faz arte em paredes em muitas partes do mundo. A tarefa exige 54 colaboradores: "São 18 pessoas no ateliê, oito na galeria, três no Festival Iminente que criei, como também criei a plataforma Underdogs".

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    37 min
  • Ricardo Araújo Pereira

    Nasceu três dias depois do 25 de Abril de 1974, estudou em colégios de freiras vicentinas, frades franciscanos e padres jesuítas, é ateu, foi militante do Partido Comunista Português, e ainda hoje acha que a sua "performance não é grande coisa". Ricardo Araújo Pereira, um português que todos conhecem - e de quase todos gostam - desconcertantemente sério nesta entrevista, em que nem sequer tentou fazer rir o entrevistador. Lisboeta, benfiquista e pai de família, licenciou-se na Universidade Católica Portuguesa, porque "era um percurso natural para quem saía do Colégio São João de Brito. Quanto ao curso de Comunicação Social, escolhi-o por não haver um curso para o que queria fazer. Uma pessoa que quer escrever textos humorísticos, tem de fazer o seu próprio curso, e foi isso que fiz. Tinha uma obsessão por ver o que acontece ao rosto de uma outra pessoa quando se ri". Não esqueceu o estágio feito no Jornal de Letras quando tinha 23 anos, a entrevista a Sophia em que a poetisa lhe ofereceu "chá com bolinhos", mas foi no humor que se encontrou profissionalmente. Gosta do riso "porque faz o tal barulho que me pagam para produzir, e porque é uma espécie de válvula da panela de pressão". Do Gato Fedorento ao Isto é Gozar com quem Trabalha, o humorista tornou-se a oposição alternativa ao estado da governação em Portugal. "Rir e chorar podem ser emoções vizinhas que representam um alívio de tensão", e é isto.

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    48 min
  • Rita Blanco

    Nasceu em Lisboa a 11 de janeiro de 1963 e é uma das atrizes mais completas da sua geração. Estreou-se no teatro, fez cinema, dobragens de filmes animados, programas de humor, séries televisivas e telenovelas. O seu domínio (quase) perfeito da língua francesa abriu-lhe as portas para a cinematografia de outros países e, embora nunca tinha sido tentada por uma carreira feita fora do país onde nasceu, Rita Blanco é uma das raras atrizes portuguesas que participou num filme galardoado com o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro da Academia de Hollywood (2013) e a Palma de Ouro do Festival de Cannes (2012): "Amour", do realizador austríaco Michael Haneke, é um poema dramático sobre as relações familiares numa casa invadida pela doença de Alzheimer. Humorada, crítica, alegre e profunda, confessa que precisa que gostem dela: "As pessoas têm necessidade de ser gostadas e amadas.  Eu tenho, mas não é isso que me faz andar".

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    35 min

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