DrauzioCast

DrauzioCast

By Portal Drauzio VarellaMedicineHealth & Fitness
Download on the App Store

DrauzioCast episodes

  • DrauzioCast #019 | Fome e evolução
    Convivemos com dores crônicas, mas quando o assunto é aguentar a fome…
     
    É mais fácil suportar dores crônicas do que a fome. 40 anos de clínica me ensinaram que geralmente somos patifes para dores agudas de forte intensidade. Vi doentes rolar no chão e suplicar a Deus que se lembrasse deles no auge de uma cólica renal.  Em compensação, muita gente convive com dores crônicas na coluna, cólicas abdominais, episódios repetitivos de enxaqueca sem lamentar a sorte. A persistência do quadro doloroso mobiliza reações incríveis nos organismos que sofrem dele; já com a fome, não é assim.
    Quando a fome aperta, o prazer de estar vivo desaparece. A baixa resistência à fome, quando comparada a capacidade de enfrentar a dor, tem raízes evolucionistas. No melhor estilo darwiniano, num mundo de predadores, quem não consegue caçar é predado precocemente e tem menos chances de deixar descendentes.
    Como a história da humanidade é uma longa sucessão de epidemias de fome, nossos ancestrais acabaram desenvolvendo alguns recursos para fazer frente às épocas das vacas magras. Dois destes mecanismos de adaptação constituem o grande suplício dos que pretendem perder peso num mundo com oferta abundante de alimentos como o nosso.
    Veja também: Buscar prazer na comida é normal; o problema é sentir culpa depois
    O primeiro é o retardo da ativação dos circuitos de neurônios que convergem para uma área cerebral considerada o centro da saciedade. Para manter o peso, o ideal seria que esse centro fosse acionado ao ingerirmos a última caloria necessária para cobrir as necessidades energéticas diárias do organismo, e o apetite desaparecesse imediatamente até o dia seguinte — mas isso não acontece. O centro da saciedade demora para ser ativado, e aí nós conseguimos comer o terceiro prato de feijoada.
    A segunda armadilha é que a quantidade de energia gasta em repouso varia de um corpo para o outro. Há pessoas que consomem muita energia em repouso; outras, consomem pouco. As primeiras, por esbanjarem calorias, terão mais dificuldade de engordar. As outras, por serem econômicas no consumo, ganharão peso com mais facilidade.
    Além de maldizermos nossos pais pelo legado que nos deixaram, aparentemente nada pode ser feito para modificar essa característica genética do equilíbrio energético individual.
    3 min
  • DrauzioCast #019 | Fome e evolução
    Convivemos com dores crônicas, mas quando o assunto é aguentar a fome…
     
    A gente que se acostuma a dores crônicas, como uma dorzinha na coluna e aquela cólica que surge todo mês. Em contrapartida, a resistência à fome é baixíssima. E tal condição faz todo o sentido, já que fome e evolução estão intimamente ligados.
    3 min
  • DrauzioCast #018 | Confissão sobre o cigarro
    Apesar de ser muito conhecido por alertar sobre os malefícios do tabagismo, neste DrauzioCast o dr. Drauzio faz sua confissão sobre o cigarro.
     
    Vou fazer uma confissão: eu fui dependente de nicotina durante 20 anos. Comecei ainda adolescente, porque não sabia o que fazer com as mãos quando chegava às festas. Era início dos anos 60 e o cigarro estava em toda parte: televisão, cinema, outdoors e com os amigos. O jovem que não fumasse estava por fora.
    Um dia, na porta do colégio, um amigo me ensinou a tragar. Fiquei meio tonto, mas saí de lá e comprei um maço na padaria. Caí na mão de um fornecedor por duas décadas. 20 cigarros por dia — às vezes mais. Fiz o curso de medicina fumando.
    Naquela época começavam a aparecer os primeiros estudos sobre o efeito do cigarro no organismo, mas a indústria tinha equipes de médicos encarregados de contestar sistematicamente qualquer pesquisa que demonstrasse a ação prejudicial do fumo. Esses cientistas de aluguel negavam até que a nicotina provocasse dependência  química — veja só, negavam que provocasse dependência química, desqualificando o sofrimento da legião de fumantes que tenta largar e não consegue.
    Nos anos 70 eu fui trabalhar no Hospital do Câncer de São Paulo. Nesse tempo, a literatura científica já havia deixado claro a relação entre o fumo e diversos tipos de câncer. Já se sabia até que, de cada três casos de câncer, pelo menos um é provocado pelo cigarro.
    Apesar do conhecimento teórico e da convivência diária com os doentes, continuei fumando. Quando me perguntavam “mas você é cancerologista e fuma?” eu ficava sem graça e dizia que ia parar. Só que esse dia nunca chegava. A droga quebra o caráter do dependente.
    Veja também: Dicas para controlar as crises de abstinência de nicotina
    2 min
  • DrauzioCast #018 | Confissão sobre o cigarro
    Apesar de ser muito conhecido por alertar sobre os malefícios do tabagismo, neste DrauzioCast o dr. Drauzio faz sua confissão sobre o cigarro.
    Dr. Drauzio Varella conta como começou sua dependência de nicotina e como reagia quando, já médico, questionavam o vício incompatível.
    2 min
  • DrauzioCast #017 | Lavai as mãos
    Lavar as mãos é uma medida simples, ensinada desde cedo, mas que vai perdendo espaço com o tempo. Ainda assim, é uma das atitudes que mais contribui para a saúde pública.
     
    De todas as recomendações maternas, a de lavar as mãos talvez seja a mais desobedecida. Parece pirraça. É só entrar numa lanchonete da cidade, botequim de bairro ou restaurante caro e contar quantos lavam as mãos antes de atacar um hambúrguer, a batata frita, o pãozinho com manteiga. Se todos lavassem as mãos com água e sabão — qualquer sabão —, antes de manipular os alimentos, muitas doenças seriam evitadas. É o caso das gripes e resfriados.
    A pessoa chega na festa e avisa: “não me beijem, que estou gripada”, e sai apertando a mão de todos os convidados. Seria muito melhor que desse o rosto a beijar; na face, o vírus não está. Em compensação, as mãos estão repletas dele. Quem fica gripado assoa e coça o nariz o tempo todo. Como consequência, os incautos que apertaram a mão infestada, ao coçar o próprio nariz ou os olhos, semearão as partículas virais diretamente nas mucosas.
    Veja também: Como lavar as mãos corretamente
    É possível que sejamos tão remitentes em lavar as mãos porque vírus, fungos e bactérias são seres minúsculos. No fundo, acho que não acreditamos na existência deles. Mas fica um pouco chato. É chato manter essa descrença há mais de 300 anos depois da descoberta do microscópio. Uma medida tão simples — como a lavagem das mãos — tem grande importância à saúde pública.
    Por exemplo, se fosse possível convencer todos os que trabalham nos hospitais, principalmente médicos e enfermeiras, de que antes e depois de pegar numa pessoa doente as mãos precisam ser lavadas, haveria uma grande diminuição no número de infecções hospitalares. Se conseguíssemos ensinar as mães a tomarem o mesmo cuidado antes de tocarem em qualquer coisa que vá à boca do bebê, haveria redução importante na mortalidade por diarréia infantil no país.
    2 min
  • DrauzioCast #016 | Nossa insignificância
    Avanços na genética mostraram que o genoma humano e dos ratos na verdade é muito semelhante. 
     
    Mulheres e homens têm apenas 30 mil genes — o mesmo número que os camundongos que caçamos nas ratoeiras.  A divulgação desse dado pelo Projeto Genoma foi um balde de água fria no orgulho humano. Imaginávamos que tivéssemos pelo menos 100 mil genes.
    A bem da verdade, já sabíamos que cerca de 99% de nossos genes são idênticos aos do chipanzés; mas os chimpanzés são, por assim dizer, seres mais humanos: formam comunidades com cultura própria; utilizam instrumentos rudimentares. Mas, admitir que nosso genoma é formado pelo mesmo número de genes dos ratos, e que somente 300 genes são responsáveis pelas diferenças entre nós e eles, é uma humilhação inaceitável.
    Veja também: Entrevista completa sobre a história da Genética
    A visão antropocêntrica, segunda a qual a vida na Terra teria evoluído dos seres unicelulares para indivíduos cada vez mais complexos até chegar ao homem, é um mau entendimento das leis da natureza. No ranking revolucionário não existe primeira posição. A prova é que as bactérias foram os primeiros habitantes do planeta, e não só ainda estão aí, como representam mais da metade da biomassa terrestre. Quer dizer, se somarmos os pesos de todas as bactérias, obteremos mais da metade da massa de todos os demais  seres vivos somados — incluindo nós, as árvores e os elefantes.
    O Homo sapiens é simplesmente uma entre milhões de espécies. Nascemos há cinco milhões de anos — um segundo evolucionário comparado aos quatro bilhões de anos de existência das bactérias. Não fizemos nenhuma falta à vida na Terra durante praticamente toda a existência dela, e se um dia formos extintos nenhuma formiga, cigarra ou besouro chorará a nossa ausência. A evolução continuará seu caminho inexorável de competição e seleção natural, como ensinou Charles Darwin.
     
     

    3 min
  • DrauzioCast #015 | Voz
    Convivência influencia a forma como a voz se desenvolve. Ouça neste DrauzioCast.
     
    Como as impressões digitais, a voz é uma característica individual que não se repete idêntica em nenhuma outra pessoa. Há vozes parecidas, mas absolutamente iguais, nunca. Nossa voz é nossa marca e pode revelar a personalidade e o estado de espírito de quem fala.
    A voz se modifica durante a vida e certos distúrbios vocais podem ser corrigidos. Do ponto de vista físico, o processo de produção da voz é igual para todos: respiramos, o ar vai para os pulmões e na volta encontra as cordas vocais, que vibram com sua passagem e produzem um som; ao percorrer as cavidades de ressonância (que são diferentes de um indivíduo para o outro) este som adquire características peculiares da voz de cada um.
    Veja também: Leia uma entrevista completa sobre cuidados com a voz
    Outras áreas do corpo — faringe, boca, língua, dentes e o nariz — estão envolvidas no processo de emissão da voz. Elas ajudam a produzir todos os fonemas vocálicos, com os quais formamos sílabas, palavras, frases, textos para comunicar o que pensamos e sentimos.
    O tipo de educação e a convivência com outras pessoas também ajudam a moldar a voz, por isso é comum encontrar vozes parecidas dentro da mesma família. Neste caso, estão associados fatores genéticos e ambientais. Existem casos de pessoas não consanguíneas que têm vozes parecidas. É frequente o fenômeno ocorrer com pais e filhos adotivos, ou mesmo com amigos, porque a voz também vai sendo moldada com a convivência.
    Esse processo que ajuda a moldar nosso comportamento, nossos gestos e nossa voz aos do interlocutor, sempre que houver empatia entre duas pessoas, chama-se convergência.
    2 min

About DrauzioCast

From the publisher's feed

A cada episódio do DrauzioCast, o dr. Drauzio e convidados especialistas conversam sobre saúde de forma clara e acessível. Em até uma hora, você se informa sobre prevenção de doenças e hábitos do dia…

More shows like DrauzioCast

Braincast by B9

Braincast

107 Listeners

Mamilos by B9

Mamilos

303 Listeners

Autoconsciente Podcast | Vida interior by Regina Giannetti

Autoconsciente Podcast | Vida interior

70 Listeners

Escafandro by Rádio Escafandro

Escafandro

40 Listeners

O Assunto by G1

O Assunto

165 Listeners

História em Meia Hora by Agência de Podcast

História em Meia Hora

34 Listeners

Bom dia, Obvious by Marcela Ceribelli

Bom dia, Obvious

25 Listeners

Medo e Delírio em Brasília by Central 3 Podcasts

Medo e Delírio em Brasília

55 Listeners

Podcasts do Clóvis by Clóvis de Barros

Podcasts do Clóvis

32 Listeners

Ciência Suja by Ciência Suja

Ciência Suja

18 Listeners

BBC Lê by BBC Brasil

BBC Lê

15 Listeners

Rádio Novelo Apresenta by Rádio Novelo

Rádio Novelo Apresenta

100 Listeners

A Hora by UOL

A Hora

15 Listeners

Fio da Meada by Rádio Novelo

Fio da Meada

18 Listeners

Isso não é uma sessão de análise, com Vera Iaconelli by Trovão Mídia

Isso não é uma sessão de análise, com Vera Iaconelli

9 Listeners