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  • Portugal com prata no ciclismo e decepção na canoagem

    Portugal teve ontem uma medalha muito esperada para o ciclismo, com prata para Iuri Leitão na prova de ciclismo de pista. Foi uma prova emocionante até ao final e Maroc Martins esteve presente no Velodrome de Saint Quentin d’Yvelines. Já hoje, na canoagem, João Ribeiro e Messias Baptista, na categoria de K2 500 de canoagem, tiveram uma decepção chegando em sexto lugar. Toda a actualidade dos Jogos Olímpicos com Marco Martins.

    4 min
  • Canoagem e triplo salto marcam jornada olímpica dos lusófonos em Paris

    Nos jogos Olímpicos de Paris, as provas sucedem-se. Na canoagem, três atletas lusofonos estiveram hoje na competição. Dois apuraram-se para as meias-finais, a portuguesa Teresa Portela e o português Fernando Pimenta, enquanto o angolano Benilson Sanda caiu para a final B. Já o triplo salto, com o atleta português Pedro Pichardo, está a causar polémica entre atletas cubanos. Oiça o resumo do dia olímpico com Marco Martins.

    4 min
  • David de Pina aspira chegar à final para lutar pela medalha de ouro

    Neste nono dia de competição dos Jogos Olímpicos de Paris, o pugilista cabo-verdiano, David de Pina, está nas meias-finais e procura a primeira medalhar para Cabo Verde.

    O pugilista cabo-verdiano, David de Pina, está nas meias-finais e procura a primeira medalhar para Cabo Verde?

    Marco: Cabo Verde já garantiu pelo menos uma medalha de bronze com David de Pina, mas o pugilista cabo-verdiano quer mais e tem pela frente o segundo cabeça de série, o atleta do Uzbequistão, Hasanboy Dusmatov. O encontro vai decorrer na Arena Norte, em Villepinte, no norte de Paris.

    Nesta meia-final tudo é possível e resta saber em que metal vai ser a medalha, será bronze em caso de derrota, ou então prata ou ouro se David de Pina conseguir vencer o atleta do Uzbequistão.

    Este domingo, 4 de Agosto, decorre a prova dos 158 quilómetros de bicicleta, feminino, em Paris, com muitas ruas cortadas na capital francesa. Temia-se o caos durante este Jogos olímpicos, mas esta primeira semana de provas olímpicas provou o contrário e em Paris "reina" uma calma pouco habitual.

    Marco: Sim, muitos parisienses decidiram ir de férias, visto que foram as indicações dadas pelas autoridades francesas. O Estado francês pediu para que os parisienses fossem de férias se não quisessem viver no caos dos Jogos Olímpicos. Muitos optaram por ficar e aperceberam-se que depois da cerimónia de abertura, durante a qual houve muitas restrições, sobretudo perto do rio Sena, foram levantadas as restrições. Desde então, há zonas com mais controlo são as que se situam perto dos estádios, das arenas, onde decorrem competições. Mas à parte isso, a vida está mais ou menos tranquila para os parisienses. Eu até diria que por um lado há coisas melhores: os transportes estão melhores do que ao longo do ano. Por exemplo, ao sábado e o domingo, em que podia se esperar mais de dez minutos, desta vez não é o caso, visto que há competições em várias partes de Paris e basta esperar três, quatro ou cinco minutos no máximo para ter um transporte público. Algo inacreditável para uma cidade como Paris.

    4 min
  • David de Pina faz história em Paris e garante primeira medalha para Cabo Verde

    Ao sétimo dia de competição dos Jogos Olímpicos de Paris, Cabo Verde conquistou a primeira medalha olímpica. No boxe, os semi-finalistas asseguram uma medalha de bronze e David de Pina conquista a primeira medalha da história de Cabo Verde em Jogos Olímpicos.

    Esta Sexta-feira, 2 de Agosto, foi um dia histórico para Cabo Verde que garantiu a primeira medalha olímpica?

    Marco Martins: Ontem foi um dia histórico para Cabo Verde que se vai juntar a Moçambique como um dos únicos países da África lusófona a conseguir alcançar uma medalha. Por enquanto, Cabo Verde alcança no mínimo uma medalha de bronze, uma vez que na modalidade de boxe quando se alcançam as meias-finais garante-se uma medalha de bronze, um terceiro lugar.

    David de Pina vai amanhã, 4 de Agosto, defrontar o seu adversário do Uzbequistão, Hasanboy Dumatov, nas meias-finais, se conseguir passar à final lutará pelo ouro ou prata e se perder para o atleta do Uzbequistão será então, no mínimo, a medalha de bronze. De qualquer modo, o que está a acontecer é histórico porque Cabo Verde nunca conseguiu alcançar uma medalha nos Jogos Olímpicos. A medalha será conquistada por David de Pina na categoria de -51 quilos.

    A França também viveu um dia histórico, os franceses conquistaram nove medalhas num só dia. Léon Marchand na natação, Teddy Riner no Judo e Joris Daudet no BMX. Os três atletas conquistaram medalhas de ouro?

    Sim, é verdade, foi também um dia histórico para a França. Léon Marchand conquistou a quarta medalha de ouro, algo que nunca nenhum atleta francês tinha alcançado; vencer vários títulos nos mesmos Jogos Olímpicos. Os franceses quase não conheciam o nome de Léon Marchand, hoje toda a gente fala dele porque é um atleta que está a pisar os calcanhares do norte-americano Michael Phelps, que conseguiu várias medalhas de ouro, 23 no total, veremos se Léon Marchand, 22 anos, se vai conseguir aproximar deste feito. O que é certo é que já tem quatro medalhas de ouro em quatro provas de natação nas quais participou.

    Para o judoca Teddy Riner foi também um dia histórico, uma vez que soma três medalhas de ouro, uma de prata e outra de bronze, em cinco participações nos Jogos Olímpicos. O judoca francês vai competir este sábado na categoria equipas mistas para tentar arrecadar mais uma medalha com a selecção francesa, igual para Léon Marchand na natação, que ainda tem duas provas pela frente.

    No BMX, para além do título alcançado pelo ciclista é sobretudo, o facto de a França ter conseguido algo inédito: primeiro, segundo e terceiro lugar na mesma prova. Algo que raramente foi visto nos Jogos Olímpicos e já há mais de 100 anos que não se via um tal facto. Pela primeira vez no BMX isso aconteceu com a França que viu quando houve a cerimónia protocolar se viu erguer três bandeiras francesas.

    5 min
  • Patrícia Sampaio conquista medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Paris

    A judoca portuguesa Patrícia Sampaio conquistou esta quinta-feira, 1 de Agosto, a medalha de bronze em -78 kg frente à japonesa Rika Takayama, na Arena Champ-de-Mars. Esta é a primeira medalha para Portugal nestes Jogos Olímpicos de Paris 2024 e a 29.ª medalha olímpica do desporto português.

    RFI: Portugal soma uma primeira medalha destes Jogos Olímpicos de Paris e este dia passa a ser inesquecível para Patrícia Sampaio?

    Marco Martins: Um dia incrível com a primeira medalha nestes Jogos Olímpicos em Paris para Patrícia Sampaio, que teve um percurso complicadíssimo, começou desde logo de manhã, pelas 10h00 frente a uma atleta queniana, conseguiu passar. Depois tinha a francesa Madeleine Malonga e em casa, a francesa acabou por perder frente à portuguesa.

    Depois veio uma atleta chinesa, sempre fortíssimas, estas atletas asiáticas e também se conseguiu apurar se só apenas nas meias-finais e que foi parada pela italiana antes de vencer mais um encontro frente a japonesa para conseguir arrecadar esta primeira medalha de bronze. É a terceira medalha de bronze na modalidade para Portugal, mas a primeira nestes Jogos Olímpicos de 2024.

    No andebol marca França venceu Angola por 38-24. A França jogou em casa e por isso foi um encontro mais difícil para as angolanas?

    A França é a campeã olímpica em título. É claro que era um jogo complicado, mas a Angola ainda tem uma hipótese de passar esta primeira fase. Está no quarto lugar e frente ao Brasil, na última jornada, terá que vencer ou até pode empatar, mas sabemos que é complicado empatar no andebol, mas pelo menos uma vitória garante um lugar nos quartos-de-final para Angola, se conseguirem vencer a selecção brasileira, será um duelo 100% lusófono para um lugar nos quartos-de-final.

    2 min
  • E no quinto dia dos Jogos Olímpicos... os atletas nadaram no Sena

    Tiro, triatlo e natação marcam este quinto dia dos Jogos Olímpicos que fica para a história com mergulhos para o Sena e a possibilidade de um atleta, o nadador francês Léon Marchand, ganhar duas medalhas de ouro na mesma noite. Uma conversa com o enviado especial da RFI, Marco Martins, ao coração dos Jogos Olímpicos de Paris.

    6 min
  • Saiba o que se passou no quarto dia dos Jogos Olímpicos de Paris

    A judoca Clarisse Agbégnénou, bicampeã olímpica francesa e a estrela da ginástica norte-americana Simone Biles marcam o calendário desta terça-feira, 30 de Julho, mas também as angolanas no andebol feminino.

    O repórter Marco Martins está a acompanhar as provas deste 4º dia dos Jogos Olímpicos de Paris. Quais são as provas em destaque desta terça-feira?

    As atenções estiveram todas centradas na equipa de andebol feminino. Angola perdeu o primeiro jogo frente aos Países Baixos por apenas três golos, mas conseguiu vencer a Espanha por 26 a 21. Hoje à frente a Hungria e uma vitória poderia aproximar cada vez mais as angolanas do sonho de seguir em frente. Nesta prova é preciso terminar nos primeiros quarto lugares para seguir em frente e tentar chegar aos quartos-de-final dos Jogos Olímpicos. As atenções estiveram viradas para Angola, mas também para Portugal para dupla Nuno Borges Francisco Cabral, que no ténis de pares tentaram derrotar a dupla germânica para tentar chegar à terceira ronda do ténis. De referir que já houve más notícias para Portugal no Judo; Bárbara Timo e João Fernando foram eliminados na primeira ronda, enquanto no ténis de mesa Fu Yu foi eliminada na segunda ronda da vertente feminina. Diogo Ribeiro na natação também não foi além das séries do lado igualmente de Portugal.

    Até esta terça-feira tinham sido atribuídas 137 medalhas olímpicas. Nos países lusófonos apenas o Brasil soma três medalhas: uma em skateboard e duas em Judo. O que está a acontecer aos nossos atletas da lusofonia?

    Acho que neste momento há uma certa decepção, porque, por exemplo, no skateboard a Raissa Leal tinha boas hipóteses de conseguir ainda melhor, visto que há três anos atrás tinha alcançado a medalha de prata. Desta vez ficaram pela medalha de bronze. Até no Judo, as expectativas estavam mais altas. Por enquanto não se tem traduzido em medalhas de ouro.

    Do lado de Portugal havia hipóteses com Catarina Costa no judo e Gustavo Ribeiro no Skateboard e os dois acabaram por falhar, por não conseguir chegar às finais e alcançar medalhas. Talvez seja a pressão, talvez seja o facto de este evento ser planetário e estarem apenas aqui os melhores de todas estas modalidades. O que é certo é que ainda há alguns dias para que a lusofonia, tanto o Brasil, Portugal e porque não os nossos países da África lusófona também alcancem alguma medalha? Como disseste o andebol será complicado, mas já vimos outras surpresas nestes jogos Olímpicos.

    Até domingo, 11 de Agosto vão ser atribuídas 1 041 medalhas nos Jogos Olímpicos de Paris.

    5 min
  • O que esperar dos Jogos Olímpicos de Paris 2024?

    Pela primeira vez na História, a cerimónia de abertura não vai decorrer dentro de um estádio, a parada das 206 delegações vai atravessar 6 quilómetros do rio Sena. Nas próximas duas semanas, a RFI em português vai acompanhar o maior evento desportivo do Mundo, que decorre em Paris até dia 11 de Agosto.

    A Cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos 2024 começa pelas 19h30 e prolonga-se até às 23h15, com uma duração total de mais de 3 horas e meia. Um momento acompanhado por mil milhões de telespectadores no mundo.

    Ouça o que os nossos jornalistas sabem até ao momento sobre este evento.

    23 min
  • França e Europa sustêm respiração com segunda volta das eleições legislativas

    A França vota este domingo para a segunda volta das eleições legislativas. E isto após uma campanha renhida com muitas desistências, da esquerda, ao centro e à direita, visando bloquear a chegada ao poder da União Nacional [Rassemblement National, RN].

    A expectativa é grande, neste novo xadrez político, parece inverosímil que se obtenha uma maioria absoluta.

    Um cenário de tensão ao qual começar por se referir o historiador Victor Pereira.

    Como olha para a campanha que antecedeu esta segunda volta, mais de 50 pessoas teriam sido agredidas !

    Houve vários relatos de violência contra candidatos e sempre aconteceu, há momentos mais violentos entre militantes de partidos opostos. Mas parece que o número aumentou e também a sua visibilidade.

    Para muitos, [é de temer] um eventual surto de violência depois dos resultados. Obviamente que a esquerda teme mais uma violência vinda de extrema direita. Nos últimos meses ou anos há grupos de extrema direita que fazem manifestações que, por vezes, atacam pessoas na rua, obviamente pessoas racializadas, como se diz.

    E o facto de a extrema direita poder ganhar pode tornar mais importante e talvez mais impune essa violência. E obviamente que o Ministério do Interior, ele, vai temendo é uma violência que viria da rua, de grupos de extrema esquerda ou de jovens que contestariam o resultado, se manifestariam depois de uma vitória da extrema direita.

    Então, esses momentos são importantes. Obviamente, eles são talvez instrumentalizados pelo governo. O próprio Macron falou de guerra civil, mas o campo político francês tornou-se muito mais bipolarizado. Os médias também. Então, esse clima de violência sempre parece pairar um pouco.

    O primeiro ministro Gabriel Attal dizia nesta sexta feira que estava disposto a manter-se no poder enquanto não houvesse, de facto, novo governo. O que pode deixar a entender que provavelmente poderá haver dificuldades em viabilizar rapidamente o novo governo.

    As últimas sondagens, de facto, não apontam para nenhuma maioria absoluta, seja com a extrema direita, seja com a esquerda, seja com a maioria presidencial. Acha que, de facto, avançamos aqui para um cenário de uma maioria muito relativa da extrema direita?

    Sim, estamos numa situação nova para a Quinta República, Quinta República, que foi feita para assegurar maiorias no Parlamento. Charles de Gaulle, quando instituiu a Quinta República, tinha como contra exemplo a Terceira e a Quarta República, que eram regimes parlamentares...

    E que não é um sistema proporcional !

    Não é de todo proporcional e foi feito para ter uma maioria clara e absoluta. E mesmo quando houve períodos de coabitação havia maiorias absolutas.

    Então, neste caso, muito provavelmente o Rassemblement National não vai ter uma maioria absoluta, ou vai estar longe de uma maioria absoluta, mesmo contando com alguns deputados republicanos que poderiam apoiá-lo.

    Uma vitória, uma maioria absoluta da esquerda unida parece difícil e uma maioria absoluta do Macron/Ensemble parece complicado.

    Então, o que pareceu aventado é, como disse com Gabriel Attal, tentar encontrar uma frente republicana que iria, mais ou menos, dos republicanos à direita até aos comunistas.

    Excluiria a França Insubmissa e a União Nacional.

    Sim, isso mesmo. É esse discurso que se ouve bastante, que é de luta contra os extremismos, colocando em quase equivalência o Rassemblement National e LFI [La France Insoumise, A França insubmissa, extrema esquerda].

    É o que participa dessa desdiabolização do Rassemblement National que existe há alguns meses. Mas isso parece pouco provável.

    A França não é a Alemanha. A França não tem de todo, a cultura do consenso. Tanto os deputados LR [Les Républicains, os republicanos, direita moderada], como os deputados do PS têm muito pouca confiança em Emmanuel Macron porque vêem Emmanuel Macron como alguém que tentou acabar com os partidos tradicionais e buscar deputados, ministros.

    Portanto, a esquerda e a direita, eles vão ter muitas reservas em participar numa frente dessas. Cujo perigo é o perigo, que já é uma das causas da subida do Rassemblement National ! Isto é, o Emmanuel Macron diz que não é nem de esquerda nem de direita, e vai buscar pessoas à esquerda e à direita. Disse que a melhor forma de governar, é governar com pessoas que vinham da direita e da esquerda.

    O que fica em caso de fracasso? A única alternância era as pessoas votarem no Rassemblement National, ou com essa ideia que se ouve, muitos. "Nós nunca tentámos. Temos que tentar. São os únicos que nunca tentámos!"

    Fazer essa nova grande frente republicana para muitas pessoas de esquerda ou de direita... E se não funcionar, o é que é muito provável, porque vai ser complicado governar com o apoio de deputados da LR ou do Partido Comunista, ou dos Verdes, ou de Horizons [Horizonte, partido de direita moderada]. Parece muito difícil.

    A França Insubmissa vai sentir-se atraiçoada porque viabilizou aqui uma coligação de esquerda: a Nova Frente Popular.

    Sim, sim. Nesse caso, se essa grande frente falhar... o que não é de todo impossível. De facto, para muitos eleitores, a única alternativa que ficará será o Rassemblement National.

    Então será que ela é uma solução viável que pode permitir governar a França de forma mais ou menos eficiente e fazer recuar o perigo que constitui o Rassemblement National parece pouco provável?

    Há muita perplexidade por parte dos eleitores, não é? Como é que se pode agora votar na extrema esquerda quando há pouco tempo ela era diabolizado !

    É o que eles dizem, por exemplo, em relação ao partido do governo, que tinha até muito recentemente um discurso extremamente crítico em relação à França insubmissa. E que agora que diz caso haja duelo com a União Nacional e a França insubmissa há que não apoiar a União Nacional, logo votar, mesmo que seja na França insubmissa.

    Isso nota-se também em relação ao voto judaico. E a França continua a ter a maior comunidade judaica da Europa. Ainda nesta sexta-feira se ouvia rabinos a dizer que "Nem um, nem outro". Mas também já se ouviu algumas pessoas do sector judaico a dizer entre um e o outro... talvez a União Nacional, mas nunca França Insubmissa ! Portanto, esta questão do anti-semitismo ficou a pairar sempre sobre estas eleições também !

    A questão do anti-semitismo teve um papel importante nessas eleições porque foi usada como uma forma de deslegitimar a França Insubmissa.

    Que eu saiba, não houve nenhum homem político da França insubmissa a assumir que foi condenado por anti-semitismo, o que não é o caso de pessoas mais ligados à extrema direita.

    Mas uma posição da função assumida de apoio à causa palestiniana. O facto de a France insoumise [França insubmissa, extrema esquerda] terem como candidata as eleições europeias Rima Hassan, que é uma franco-palestiniana que tem um papel forte na defesa da causa palestiniana...

    E Jean-Luc Mélenchon disse que o anti-semitismo era residual em França.

    Sim, ele disse que o anti-semitismo é residual em França e tudo isso participou na construção de uma imagem da França insubmissa como anti-semita, o que obviamente eles a recusam.

    E o Mélenchon e outras figuras políticas da França insubmissa sempre contestaram essa acusação, que é muito grave, obviamente. E dizendo que ser contra a política de Israel no quadro da guerra contra o Hamas não é ser anti-semita. Houve também casos horríveis, como o caso de uma jovem que foi violada em Courbevoie, perto de Paris, porque seria de origem judaica e os adolescentes que a violaram eram as motivações para esse crime horrível...

    Então é o próprio Serge Klarsfeld que é um militante importante, que foi um caçador de nazis, que encontrou, por exemplo, o Klaus Barbie, que foi um dos que participaram na repressão da resistência em Lyon.

    Também apoiou o Rassemblement National, dizendo que seria uma defesa para os judeus em França. Essa questão do anti-semitismo foi muito importante. Participou na polarização muito forte desta campanha, onde se multiplicaram insultos à volta desta questão.

    A Europa sustém a respiração. Como é que explica este tão grande interesse, pelo menos na Europa, em relação a estas eleições francesas?

    A França é uma das potências europeias, é membro do Conselho de Segurança da ONU. É uma potência nuclear e, obviamente, é um dos países com mais população europeia dentro da União Europeia.

    E, obviamente, se a extrema direita ganhar, isso provoca muitos problemas diplomáticos nesse sentido que.. Qual será a política ucraniana de um governo Rassemblement National, partido que foi apoiado financeiramente e tem ligações com a Rússia do Vladimir Putin?

    Será que vai continuar o apoio à Ucrânia ou vai reduzi-la? Também se coloca perguntas de defesa da soberania. Será que documentos confidenciais não chegarão até Moscovo?

    E, obviamente, numa Europa onde a extrema direita tem uma influência em crescendo, estando no poder em alguns países, como na Itália...Será que se na França passar a extrema direita, os países, os partidos da extrema direita vão ganhar força, mostrando que se a França já é de extrema direita, nós vamos sê-lo em breve. Ultrapassar, o limite que até agora não foi ultrapassado.

    10 min

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