Em directo da redacção

Em directo da redacção

By RFI Português
Download on the App Store

Em directo da redacção episodes

  • Vlady marca nova fase da carreira com novo álbum "Lua Nobu"

    O cantor guineense Vlady lançou recentemente um novo álbum, "Lua Nobu", estando a preparar no dia 22 de junho um concerto nos arredores de Paris onde estarão outros artistas da Guiné-Bissau. Este evento serve para colocar música guineense "ao mais alto nível".

    Nascido em Pelundo, na região de Cacheu, e tendo crecido em Portugal, vivendo agora em França, a música de Vlady, cujo norme verdadeiro é Vladimir Rumpentiam, tem sido influenciada pelos ritmos guineenses, mas também de outros países lusófonos como Cabo Verde ou Angola, tocando agora outros países africanos. O sue novo álbum Lua Nobu, é um reflexo desta abertura.

    "Lua Nobu é uma nova fase da minha vida porque estou a avançar cada vez mais. Em 2022, toda a gente gostou do Nha Mundo e eu agora disse que tinha de ser outra coisa, algo que não tivesse nada a ver. Convidei então vários artistas nacionais e internacionais para participarem neste álbum, incluindo uma cantora senegalesa ou o Maican Monteiro que é cabo-verdiano", disse o cantor em entrevista à RFI.

    Neste novo álbum, a temática recorrente são as mulheres, com temas como "Rainhas" ou "Mulher perfeita". Vlady assume-se como uma "defensor das mulheres", militando por mais igualdade entre os dois géneros e maior reconhecimento das mulheres na sociedade.

    "Eu sou defensor das mulheres e já está na hora de reconhecer o que as mulheres fazem na nossa sociedade. Quase todas as minhas músicas são sobre mulheres e amor, porque é muito importante. Temos de respeitar as mulheres e dar-lhes valor. Elas sabem fazer tantas coisas que nós homens não conseguimos fazer", declarou.

    Estando instalado em França há vários anos, Vlady considera que este país é "o centro da música", tendo já uma lista de artistas com os quais pensa fazer projectos no futuro. Entre todas estas colaborações a ideia é sempre elevar a música da Guiné-Bissau.

    "Nós estamos a trabalhar para fazer chegar a música da Guiné-Bissau ao mais alto nível. Para este concerto, há artistas que vêm da Guiné-Bissau que é o Kilograma, e outros que são daqui como Lélé Bissaly, Zalyka e Drai Kala, são optimos artistas e tenho de hes agradecer por participarem neste projecto", explicou.

    Este concerto vai acontecer no dia 22 de Junho, sábado, em Courcouronnes, junto a Paris.

    Sobre a actual situação política na Guiné-Bissau, Vlady tem esperança num futuro melhor para este país que "é muito rico" e onde a juventude deve ter um papel mais preponderante a nível político.

    "Eu tenho esperança que a Guiné seja libertada. É muito triste o que se passa e só de ver o que se passa, dói. A juventude guineense tem de acordar e dizer basta. O que se passa lá deixa-me sem palavras. Somos um país muito rico, temos muito para explorar e acredito que tudo isto vai passar", concluiu.

    13 min
  • Vhils veste de azulejos estação de metro do Aeroporto parisiense de Orly

    Quando Paris se prepara para acolher os seus Jogos Olímpicos começam a sair de terra as novas estações de metro que vão alterar a fisionomia da capital francesa. Na Estação do Aeroporto de Orly, na linha 14 do metro, uma obra monumental de azulejos do artista Vhils presta homenagem a Paris e às suas gentes. A RFI participou na inauguração da estação e falou com este que é um dos maiores expoentes da arte contemporânea portuguesa.

    Paris acolhe o mundo a partir de 26 de Julho para os Jogos Olímpicos de 2024.

    Praticamente um mês antes do arranque da competição a capital francesa passa a ser ligada por metro, num trajecto de cerca de 20 minutos, até um dos seus aeroportos internacionais: o de Orly.

    A inauguração do prolongamento da linha 14 do metro parisiense, para norte e para sul, no caso até Orly, acontece a 24 de Junho.

    A estação do aeroporto, essa, foi inaugurada nesta quarta-feira, 19. 

    Como nas quase 70 novas estações que compõem a rede Paris Express, que devem alterar a fisionomia dos transportes, aqui também dois artistas deixaram uma obra perene.

    O desenhador francês de banda desenhada Edmond Baudoin e os seus "Jogos de crianças", ilustra, nas paredes da própria plataforma do metro, a forma como os mais novos olham para o mundo da aviação.

    Por seu lado o português Alexandre Farto, celebrizado mundialmente pelo nome artístico de Vhils assinou a obra "Estratos urbanos" [Strates urbaines].

    Trata-se de um mural de azulejos, azuis e brancos, de 34 metros de comprimento e 7 metros de altura representando Paris, os seus monumentos: mas também os rostos plurais dos seus habitantes que se confundem com a própria cidade.

    Do grafitti ilegal no Seixal, arredores da capital portuguesa, até muitas obras dispersas pelo mundo... aquele que era um dos maiores expoentes da chamada "street art", arte da rua lusitana, instalou-se no interior daquela que será uma das principais portas de acesso doravante para Paris: a partir deste aeroporto do sul da região da capital francesa.

    Foi entre os níveis -1 e -2 desta estação de metro do Aeroporto de Orly, junto à obra monumental do artista, que conversámos com Vhils, logo após a respectiva inauguração, abrilhantada pela presença de Luís Montenegro, primeiro-ministro português."

    Vhils admite que esta obra marca, mesmo, uma viragem no seu percurso.

    "Foi uma honra e foi, para mim, que comecei a trabalhar maioritariamente na rua, com 13 anos... Estar aqui a fazer esta obra, para mim é um novo caminho para o trabalho, mas também para toda a equipa.

    Já somos algumas pessoas e temos trabalhado bastante em vários sítios, mas nunca numa estação. E não um trabalho tão pouco efémero como este, porque é um trabalho que há-de ficar e que para nós teve muito significado.

    E acho que sim, é um marco, é um passo na carreira."

    Você fez questão de vincar de onde vinha. Falou das suas raízes alentejanas, para além de ser também um filho dos subúrbios de Lisboa, do Seixal. Porquê?

    "Primeiro porque tenho orgulho do sítio onde nasci, e que me deu muito. E depois também, numa altura em que no mundo há muitas questões a serem levantadas em relação a isso, de demonstrar também que todas estas estruturas que foram criadas depois da Segunda Guerra, maioritariamente a União Europeia...

    E o facto de haver estas interligações entre países, proporcionaram-me a mim e aos meus pais saírem do Alentejo. Hoje em dia vivem em Lisboa.

    E a mim também de chegar aqui e fazer um projecto que envolveu pessoas de França, de Portugal, mas também de outros países europeus e dos países do mundo inteiro. E que isso é importante ressalvar e preservar.

    E ter noção que foi, graças a uma série de investimentos em infra-estructuras, seja nas escolas, seja nos hospitais onde eu nasci e seja dentro desse percurso, que é um esforço colectivo que me permitiu também estar aqui.

     

     

    E acho que eu: vindo do graffiti e ter feito o meu percurso.. Tudo bem, houve muito trabalho e muita dedicação ! E não estou a falar que não há uma iniciativa própria de ter lutado por muita coisa.

    Mas houve uma série de condições que foram criadas pelo meio. E por uma Europa que me permitiu chegar a partir das ruas a trabalhar para conseguir chegar e fazer uma peça aqui.

    Todas as pessoas que fui também envolvendo no processo do atelier, tanto da fábrica de azulejos em Portugal, como a equipa que trabalhou também em França, que também tinha portugueses. E esta estação também tem portugueses a trabalhar !

    E isso demonstra também que quando nos unimos e quando temos esta integração, que existe entre os vários países da Europa, conseguimos ter mais força.

    Porque é na diversidade que também conseguimos, se calhar superar-nos. E foi por aí que também quis vincar esse lado."

     

     

     

    Pintou na ilegalidade, como o dizia, e agora é consagrado. Tem vários projectos simultâneos em Paris e este é aquele que vai ficar.

    Já está ligado a Paris: penso, por exemplo, naquela Torre de Paris 13 que acabou por ser dinamitada. Já esteve em várias galerias, agora também está em "We Are Here". Como é que de repente se criou este quase cordão umbilical tão forte com Paris?

    "Paris sempre foi uma cidade com uma força e um centro gravitacional à volta do mundo da arte muito importante ! E já desde os tempos em que pintava e que tinha muitos colegas e que pintavam em Paris, de Paris e de outros sítios.

    Desde então foi uma relação já de 15 anos. Quase que com frequência sou convidado para projectos, ou que venho pintar com colegas que também são artistas. E essa relação foi ficando e é para mim bastante importante."

    Esta matéria-prima é muito portuguesa, o azulejo. Todavia, tenho a impressão que você tem tido muitas outras matérias-primas que não necessariamente o azulejo.

    Como é que foi pegar neste património, neste DNA português? O que é que você quis, de facto, mostrar aqui com esta obra?

    "Primeiro de tudo, eu queria fazer uma obra que recebesse as pessoas e que de alguma forma humanizasse o espaço e a arquitectura.

    Toda a natureza de trabalhar no espaço público tenta trazer um bocadinho a humanidade e a relação a esta relação que as pessoas têm com a cidade e a arquitectura... Que a mim sempre me pareceu um pouco fria e de betão e cinza.

    E para mim eu queria quase partir a superfície da estação. E com ela deixar libertar o azul cobalto, que foi a cor que também escolhi aqui.

    E quase que revela uma série de monumentos, uma série de imagens, de olhares que muitas vezes vemos em estações. E queria criar uma relação com o "viewer". O azulejo, para mim; foi um caminho natural. Porque é uma coisa muito ligada a Portugal, às minhas raízes. Mas tentei-lhe dar uma outra leitura e ir mais longe.

    Ele não é pintado. São 11 658 azulejos, todos eles cravados, todos eles únicos, que envolvem o trabalho de uma fábrica que fechou a porta quase durante dois anos para produzir em Portugal.

    E que depois houve uma equipa também em França que as recebeu e que as montou e que comigo e com toda a minha equipa..."

     

    A cozedura das peças foi então numa fábrica portuguesa ?

    "Sim, foi em Portugal. E, basicamente, todo o processo que ele implica, cada um é único e é  cravado unicamente. Ele fica como o relevo e tem um género de umas paredes à volta.

    Ele é posto o pó de vidro em cima, o cobalto. E quando vai ao forno derrete. E, conforme está mais cravado de fundo fica mais escuro. Quanto mais está a superfície mais claro fica.

    E é nesse processo: ou seja, tentei trabalhar o azulejo e puxá-lo um bocadinho mais à frente. E fazer uma empresa familiar que trabalhava em azulejos há muito tempo e juntá-la com uma empresa de inovação que trabalha basicamente a gravação.

    E tentei basicamente dar um "push", não só na técnica de azulejo, mas algo também que fosse ligado ao meu trabalho, que é sempre esta ideia de destruir a superfície. E mostrar o que está por trás e revelar e deixar que ela crie a imagem."

    Voltam-se a ver os rostos como no passado. Você já desenhou muitos rostos nos prédios, nas paredes. Não há só a Torre Eiffel, que é tão simbólica de Paris. O que é que você vê mais aqui?

    "Temos vários edifícios: temos o Pompidou, temos uma série de pontos. E depois temos a planta, que vemos numa segunda "layer", que é a planta de Paris. E uma série de padrões também, de que me fui inspirando por várias partes de Paris.

    A ideia era mesmo conseguir criar quase este simbiose entre nós, o ser humano. Os rostos são anónimos, foram imagens que eu fui desenhando por Paris e aqui no aeroporto também.

     

     

     

    Mas quase que os rostos se misturam e eles misturam-se completamente com a cidade. E essa é a intenção, porque no final é aquilo que nós somos.

    No final, nós somos um reflexo do sítio de onde vimos, do sítio de onde vivemos e raramente influenciamos esses sítios. E esses sítios influenciam-nos muito mais !

    E é nesse sentido que também queria fazer aqui uma homenagem a isso.E também uma reflexão sobre a diversidade de Paris e a diversidade da riqueza cultural que existe. Não só do património, mas também das pessoas e das histórias que existem em Paris."

    Trabalhou com arquitectos, necessariamente. Foi necessário integrar a sua peça numa estação de metro: a linha 14, que é prolongada até aqui, ao aeroporto.

    Como é que foi esse trabalho, também ? Com uma grande obra de transportes, que vai mudar Paris e que vai nomeadamente, ser um cartão de visita para os Jogos Olímpicos agora de 2024?!

    "O desafio foi-me feito por um projecto que fala de "Grande Paris" e de abrir Paris também. E da relação com uma estação de transporte: em que entramos. É quase entrar e poder ter o acesso a toda uma outra parte da cidade.

    E esta relação também com o céu e com a entrada e a saída. Daí também a escolha da cor e da técnica, que tem muito a ver com esta relação, que é um novo portal que nos permite, se calhar, aceder a uma parte de Paris que antigamente não estava ligada e que nos abre a porta a outros sítios e nos aproxima também."

    Aqui também há Edmond Baudoin, portanto, um outro artista com "Jogos de crianças". Como é que foi a vossa interacção? Porque, aliás, os tons, ao nível da cor, têm muita semelhança.

    "Eu sou um grande fã do trabalho dele. Todo o trabalho que ele faz de BD [Banda desenhada], já e a influência que ele teve é gigante !

    Foi a convite também do curador do 104 [Centro de arte da região de Paris dirigido por José Manuel Gonçalves] que nos fez este convite. E fizemos. E é interessante: porque cada um de nós seguiu um caminho.

    E, depois, encontrámo-nos e percebemos que tínhamos também sido inspirados e encontrado também um ponto em comum, não só na parte cromática como até conceptual: os trabalhos tocaram-se."

    Você também fez questão de vincar o facto de que tem uma equipa: uma equipa grande. E que não é só portuguesa, que está em vários recintos. O que é que é Vhils em 2024, então: para além do artista que nós conhecemos ?

    "Sou o artista que faz estes projectos, exploro o meu trabalho e estou constantemente em procura. Mas queria ressalvar que também que é um trabalho de equipa.Que muitas vezes é invisível e que é importante ressalvar. E, mais do que isso, é um trabalho também que inclui equipas que são muito diversas e que trabalhamos, não só em Paris, como já fizemos projectos em muitas partes do mundo. E sem o atelier, sem esta diversidade e sem as pessoas. E a sorte que eu tive..."

    Cabo Verde é um deles !

    "Cabo Verde, sim. Tenho dois colegas. Temos também do Brasil, temos em muitos sítios. Mas é nessa riqueza também que a equipa se vai crescendo, amadurecendo e também evoluindo também o trabalho.

    Eu queria ressalvar isso porque acho que é importante, nos tempos em que vivemos hoje, em que muitas coisas estão a se levantar em questão a importância de entender o outro e humanizar o outro.

    E do que é que ganhamos quando conseguimos criar um diálogo e pontes com outros sítios e outras culturas."

    Paris vai ser definitivamente uma cidade diferente das demais, então, para si, a partir de hoje ?

    "Já era. Mas ainda mais é hoje ! E também pela comunidade toda portuguesa que cá existe. Tenha também muitas pessoas conhecidas que emigraram para outras forças, noutras alturas, outras que estão cá por trabalho. Mas é uma cidade sempre muito especial para mim. Acho que para qualquer português."

    E a presença do primeiro ministro português aqui teve algum significado especial para si ?

    "Não estava à espera. Não foi uma coisa planeada. Pode sempre haver mais apoio e mais estratégia, mas sem dúvida que estar aqui foi importante para mim. Mas é sempre bom quando vimos o nosso trabalho reconhecido. E e o trabalho da classe e a cultura ! Um bom reflexo também para o trabalho que fizemos, e que a equipa fez também."

    Finalmente também está, como por exemplo, o "We Are Here", com o Pantónio, também, com Add Fuel [no Petit Palais]. Como é que foi abraçar esse projecto que envolve figuras muito consagradas da arte contemporânea, para não dizer do "street art"?

    "Foi muito bom e foi super bom voltar a rever o Pantónio e o Add Fuel. São colegas de longa data, já pintámos também noutros tempos e são artistas que sempre tiveram um impacto muito grande em mim. E dá-me um gosto enorme ver o trabalho reconhecido ! E ainda para mais na exposição que é, na Mostra que é, com os artistas todos que estão incluídos."

    Para os artistas em geral que gostariam de singrar e de insistir: o que é que você lhes diria?

    "Que nada substitui o trabalho, a intensidade de trabalho e dedicação. Acho que tudo é possível de aprender ! Não acredito que seja uma coisa que nasça connosco.

    E acho que é tudo uma questão de percepção e de trabalho e dedicação. E as coisas, se acreditarmos, conseguimos dar a volta.

    Nem sempre temos tudo a nosso favor, mas também nem sempre temos tudo contra nós. Por isso acho que é uma questão de não desistir e de ter força."

     

    12 min
  • "Perante o populismo, o principal desafio é que a democracia funcione melhor"

    O Senado francês recebeu na sexta-feira a segunda reunião da Internacional Democrata do Centro África (IDC-África). 
    No evento participou o primeiro-ministro cabo-verdiano e presidente da IDC-África. Perante "os ataques à democracia, populismo e extremismo, o principal desafio é que a democracia funcione cada vez melhor", defendeu Ulisses Correia e Silva.

    RFI: Quando falamos de democracia, quais são os desafios que enfrentam os países africanos? 

    Ulisses Correia e Silva: Um dos grandes desafios é fazer com que a democracia funcione cada vez mais e melhor em África. Há desafios importantes num contexto em que o mundo também está complicado nesta matéria; com ataques à democracia, populismo, extremismos, maus exemplos que vêm também do Ocidente, que acabam por contagiar negativamente aquilo que são as perspectivas da democracia, nomeadamente que contagiam negativamente aqueles que não querem ir pela via da democracia. Nós, aqui na IDC-África, somos muito claros relativamente às questões do contexto global de que a maior melhor resposta aos ataques à democracia é haver mais e melhor democracia, boa governança, liberdade e fazer com que as instituições funcionem e que não seja apenas realizar eleições, mas que essas eleições reflictam aquilo que é a vontade popular quer dizer: tem que haver sistemas credíveis. Depois é preciso que a justiça funcione como um instrumento de recurso a eventuais conflitos, muitas vezes esses problemas de conflitos internos desembocam em conflitos mais graves e às vezes um golpe de Estado, acontecem porque não há confiança no sistema, não há confiança nas instituições. Você vai às eleições e sabe que se perder tem que aceitar, mas se tiver dúvidas, há recurso e esse recurso é por tribunal eleitoral - não pode depois criar condições para que faça depois a justiça na rua ou a Justiça através da força das armas. Há que pôr as instituições de facto a funcionar com credibilidade. Depois é a questão das próprias liberdades, o problema foi discutido aqui porque não é só fazer eleições, é garantir que todos estão em pé de igualdade, que a comunicação social seja acessível para todos, que haja pluralismo, que haja transparência no uso dos recursos públicos; relativamente a quem está no poder e quem está na oposição. Todas estas matérias conformam a necessidade de termos de facto sistemas muito mais fortes.

    Na conferência foi evocado o facto de não haver pluralismo político, nomeadamente em Moçambique e Angola. Cabo Verde foi dado como um exemplo em termos democráticos, na África lusófona?

    Em Cabo Verde,  nós tomamos uma opção desde desde 1991, quando fez a mudança substancial de ruptura do regime de partido único para democracia. A  Constituição de 1992 tem uma arquitectura muito forte. Por isso que os poderes são equilibrados em Cabo Verde, ninguém tem poder absoluto ou excesso de poder que não seja regulado. Temos o governo que governa, temos o Presidente da República com as suas competências e temos o Parlamento. Depois temos a Justiça que funciona e, mais do que isso, temos o controlo social, porque não há nenhum poder que não tenha que ser controlado, fiscalizado pela cidadania, pela comunicação social que faz o seu papel, pelos partidos políticos que fazem a oposição, isto é que torna a democracia cabo-verdiana forte. Para além disso, nós temos um outro factor também de check in balance, que é a nossa diáspora, que se interessa muito pela política nacional, que elege seis deputados no Parlamento e que tem os olhos também colocados sobre a democracia cabo-verdiana. Por isso é que nós temos um sistema que é uma opção e tem estado a funcionar bem.

    De que forma é que interpreta estas afirmações de partidos que estão no poder há quase 50 anos, como é o caso do MPLA em Angola, como é o caso da Frelimo em Moçambique?

    Cada país tem que resolver os seus os seus próprios problemas. Repare, a democracia pressupõe alternância e a alternância pressupõe criar condições para que o sistema democrático funcione mesmo se um partido ganhar várias vezes e se ganhar dentro do quadro do jogo democrático, dentro dos quadros de transparência, do quadro participação, o quadro de pluralismo pode não ser um problema. O problema é se as condições estão criadas para que isso aconteça. Por isso nós estamos em crer que este aqui é um desafio e que, como nós constatamos na conferência, não há melhor solução do que ter democracias credíveis, ter sistema de boa governança, porque os países não funcionam apenas com instituições e com políticas, funcionam com pessoas. É preciso que as pessoas estejam motivadas, se sintam parte, que não se sintam frustradas, enganadas no funcionamento do sistema democrático. Isto faz mover forças que fazem o desenvolvimento acontecer.

    Esta conferência lembra a necessidade de haver democracias sólidas e a necessidade de haver desenvolvimento pela via democrática?

    Sim, sim, é isto. As coisas estão interligadas. Democracia é desenvolvimento. Depois há um factor de segurança que foi aqui também discutido e que está cada vez mais interligado num mundo que está a pôr tudo em causa; o pós verdade, a  chamada política quântica que relativiza tudo. Às vezes mistura aquilo que é a democracia dita liberal, quando não é liberal e as coisas não podem ser tudo e o seu contrário. Por isso é que nós temos a intenção de nos focar nos princípios e valores essenciais que caracterizam a democracia, seja ela ocidental, africana, asiática. É na defesa e na protecção desses valores que nós trabalhamos.

    Foi também questão de paz e segurança aqui naconferência. De que forma observa a configuração de paz e segurança na Rússia e Ucrânia?

    Nós esperamos que se encontre uma solução. Cabo Verde posicionou-se de uma forma muito clara desde a primeira hora:  Defendemos valores de defesa, de soberania, de integridade territorial dos países, de democracia, da livre expressão da vontade dos cidadãos. A guerra não é solução para nada só provoca destruição, morte e estamos também empenhados para que de facto, pelo menos desejosos, de que se consiga a paz na Ucrânia.

    Cabo Verde participa na Conferência de paz na Suíça Cabo Verde e tem apelado, por várias vezes, a uma posição unânime no quadro da CPLP relativamente à invasão russa na Ucrânia.

    Cada país tem o seu posicionamento e o posicionamento de Cabo Verde é claro. Nós somos consistentes e coerentes no nosso posicionamento. Agora, os outros países terão e têm expressar as suas posições. A CPLP, enquanto organização da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, não tem a pretensão de uniformizar ou padronizar as posições geopolíticas que cada país está empenhado fazer. Portanto, seria o ideal, de facto, que houvesse convergência, mas não é imposto.

    Foi aqui referido também por vários intervenientes, o facto de haver muito financiamento à Ucrânia e de não acontecer o mesmo quando há outros conflitos que decorrem em simultâneo, como é o caso na RDC, no Sudão. Como é que isto se explica?

    Todos os conflitos devem ter a sua devida atenção, mas são também diferentes. É claro que há, de facto, riscos geopolíticos relativamente à invasão da Rússia a Ucrânia. O problema não só na Europa, mas contagia depois o resto do mundo. E há conflitos que precisam de ser também devidamente tomados em conta para se poder ter encontrado também as vias da paz.

    8 min
  • Cimeira da paz com Ucrânia, mas sem Rússia e China

    A Suíça acolhe este sábado e domingo a Conferência para a Paz na Ucrânia, que junta representantes de mais de 90 países e organizações internacionais. A Ucrânia quer manter uma ofensiva diplomática para que ninguém se esqueça do que está a acontecer em Kiev. "Os resultados serão sobretudo no sentido de obter uma foto de família em torno do apoio à Ucrânia", aponta a especialista em Relações internacionais da Universidade do Minho, Sandra Dias Fernandes.

    RFI: Cerca de 90 países e organizações internacionais marcam presença na cimeira para a paz na Ucrânia que decorre este fim-de-semana em Bürgenstock, na Suíça. A Rússia não foi convidada e a China decidiu não participar na cimeira. O que se pode esperar?

    Sandra Dias Fernandes: Os resultados esperados são todos muito indirectos porque primeiro estão dois grandes ausentes a Rússia e a China. A Rússia porque não foi convidada e a China porque declinou o convite. Além disso, o objectivo de ter uma representatividade muito ampla em termos daquilo que se chama sul global também não foi alcançado. Ou seja, cerca de metade destas delegações são europeias. Os resultados são indirectos e serão sobretudo no sentido de obter uma fotografia de família em torno do apoio à Ucrânia. Uma fotografia de coligação, digamos assim, ou de um certo alinhamento mais amplo do que a coligação restrita que implica a Europa, a NATO e os Estados Unidos da América. E, sobretudo, provar que existe em torno da causa ucraniana uma perspectiva de médio longo prazo.

    Zelensky acaba de fazer uma grande turnê em que encontrou os grandes dirigentes do mundo inteiro, em vários formatos, sendo o mais recente o que encerrou esta sexta-feira no G7, na Itália. Com esses encontros e a consolidação de acordos bilaterais, de empréstimos, de promessas de ajuda - e também os Estados Unidos, tendo na passada quarta-feira aprovado uma nova bateria de sancções, até bastante mais abrangentes do que as anteriores contra russos - faz com que esta Conferência para a Paz tenha sobretudo um contexto de preliminares; criar condições preliminares a uma eventual discussão mais séria, em que, obviamente, os russos têm de estar envolvidos em qualquer discussão de cessar-fogo.

    Falou da ausência de grandes protagonistas na geopolítica global como é o caso da China, que é o principal comprador de petróleo da Rússia, que ajuda a alimentar a economia de guerra de Moscovo, mas também a ausência do Presidente brasileiro Lula da Silva, que disse que não ia estar presente, uma vez que esta conferência de paz sem uma parte do conflito não faz sentido?

    Por parte do Presidente Lula da Silva há, de facto, uma relação muito fria com o presidente Zelensky. Desde o início da guerra, nas primeiras semanas depois da guerra ter começado em 2022, Lula da Silva disse que nesta guerra havia dois culpados e Zelensky era um deles. Há aqui um grande frio na relação interpessoal entre Lula da Silva e Zelensly, mas de sublinhar que o Brasil não deixa de estar representado. [Lula da Silva] Indicou que iria enviar um observador, portanto um diplomata brasileiro que iria servir de observador na conferência, mantendo, apesar de tudo, um canal aberto.

    A China é obviamente mais problemática porque o alcance das conversações que vão ter lugar este sábado e domingo só é possível se a China estiver envolvida. O alcance é sempre muito difícil de ser mais abrangente, mais real, mais substantivo sem a China, que é de facto um dos países ou a única superpotência aliada da Rússia e que consegue pressionar a Rússia. Até porque há fortes interdependências que são desvantajosas para a Rússia e que colocam a Rússia numa posição de poder menos forte face ao parceiro chinês.

    Para haver paz é preciso que a Rússia saia de todos os territórios ocupados, inclusive da Crimeia, disse Zelensky. Putin diz estar disposto a um cessar-fogo quase imediato no caso da Ucrânia sair, por sua vez, de territórios como Zaporizhia, Kherson, Donetsk e Luhansk, mas Zelensky não aceita a sugestão repetida de Putin. O impasse continua?

    Estas duas posições negociais são neste momento irreconciliáveis. O Zelensky diz, por um lado, que um dos termos da paz é a recuperação da integridade territorial completa da Ucrânia, ou seja, pré 2014. O que a Rússia diz é que uma das condições para começar a negociar é que seja aceite que as cinco regiões especiais, que é assim que os russos chamam essas regiões, sejam reconhecidas como russas. Isto é um ponto de facto irreconciliável neste momento entre os dois actores.

    Nesta Conferência para a Paz na Suíça, a Ucrâna está a tentar fazer com que saia uma declaração que mostre os pontos de consenso alargado a nível mundial, para além da Europa e dos Estados Unidos da América. Nesses pontos de consenso não está a questão territorial, mas sim a questão da segurança energética e nuclear, a questão da livre circulação no Mar Negro, para que possa haver escoamento de cereais, nós sabemos que a Rússia e a Ucrânia têm um grande monopólio na exportação de cereais, que são fundamentais, nomeadamente para países como o Egipto, que aliás, é um dos grandes ausentes também desta Conferência para a Paz. O último ponto que [Zelensky] gostaria que ficasse na declaração conjunta, é a continuidade da pressão para que as crianças ucranianas que foram deportadas para a Rússia sejam devolvidas à Ucrânia. Estima-se que cerca de 20.000 crianças tenham sido forçadas a deixar a Ucrânia para serem "acolhidas", é o termo utilizado pela Rússia, por famílias russas.

    Mas há também a questão das ameaças nucleares?

    O que está em cima da mesa não é tanto as ameaças nuclear. É a segurança nuclear, ou seja, que precisamente cesse devido aos ataques russos e a presença russa na região de Zaporizhia, que é uma das maiores centrais nucleares europeias, que cesse de pairar o espectro de uma catástrofe nuclear devido a uma bomba que exploda, a uma má manutenção da central, que este contexto de guerra de facto coloca um problema nuclear - que nem sequer vem da questão militar, mas vem da questão da energia nuclear civil. É essa dimensão de segurança nuclear que está em causa nesta cimeira.

    7 min
  • Adalberto Costa Junior: "Não há razão para se adiar as autárquicas para além de 2025"

    Adalberto Costa Junior considera que dentro de 30 dias as eleições autárquicas podem estar aprovadas em Angola e que o primeiro escrutínio deste género terá de acontecer até 2025. ano em que o país assinala 50 anos de independência. O líder da UNITA denuncia um "clima de violação das leis", em que a liberdade no país está limitada para todos, desde os partidos da oposição aos jornalistas, avisando que se aproxima o tempo da mudança em 2027.

    O líder da UNITA esteve em Paris para participar na conferência internacional sobre “Democracia em África”, realizada pela IDC-África, a componente para África da Internacional Democrata Centrista e na RFI falou sobre os desafios de Angola, nomeadamente a concretização das eleições autárquicas, mas também da falta de liberdade no país e a fome.

    RFI: Na quarta-feira, pela primeira vez, houve deputados da UNITA presentes nas celebrações do Dia da Rússia, em Luanda. Isto significa que a UNITA está a mudar a sua posição em relação a este conflito?

    Adalberto Costa Junior: Não foi a primeira vez e quem lhe fala esteve mais do que uma vez na embaixada da Rússia nos últimos anos e vários outros colegas. Penso que, neste contexto não há novidade, na medida em que nós nunca tivemos dificuldade em ter diálogo na pluralidade. De facto, nesta comemoração do aniversário da Rússia, houve uma delegação de deputados que lá esteve e também acompanhei o que foram os pronunciamentos do embaixador que dirigiu algumas palavras pomposas de reconhecimento à própria UNITA na sua presença. Mas quero lhe dizer que não, não é novidade. A UNITA tem estado presente. Portanto, vamos continuar a pretender ter um diálogo abrangente com quem intervém no âmbito das relações político-estratégicas do Mundo. E a Rússia em Angola tem um papel histórico que nós todos conhecemos.

    Portanto, a Rússia não pode ficar à parte.

    Eu penso que seria uma ilusão se nós quisermos excluir um actor com o protagonismo e a influência que tem. É um país detentor de material nuclear, atómico, tecnológico e com relações institucionais com uma boa parte membro dos BRICS. Uma realidade e, portanto, é preciso muita gente começar a saber fazer contas a esse nível e não excluir nunca ninguém.

    Falando agora do que se passa em em Angola, a UNITA e o MPLA concordaram em participar numa comissão negocial inter partidária sobre as eleições autárquicas. Estamos então mais perto de um entendimento sobre a organização destas eleições?

    Não deixa de ser importante referir que esta é provavelmente a questão mais central naquilo que é a agenda política actual. Como sabe, as autarquias locais em Angola nunca tiveram lugar e nunca tiveram lugar porque o partido que governa o país tem medo de dar ao povo soberano as condições de escolher os governantes locais. Isto vem de um vício de nomeações não democráticas. Hoje nós temos administradores em todo o país, mas que não têm legitimidade porque não foram escolhidos pelo povo e obedecem a quem os governa, ou seja. o Presidente da República. Nós temos vindo a retardar o desenvolvimento, temos vindo a retardar a proximidade, temos vindo a retardar a qualidade da própria governação como consequência deste problema. Aquilo que eu sinto é que as desculpas se esgotaram e é impossível dizer-se que é pela incapacidade dos deputados porque os deputados não têm a este nível nenhuma responsabilidade. Hoje, felizmente, temos uma comissão que está sentada com o propósito de debater os conteúdos da lei última que falta aprovar há muitos anos. Eu faço votos que, no espaço mais curto possível, nós tenhamos de facto esta lei aprovada e, de facto, a condição de termos eleições autárquicas em todo o país e em simultâneo, que é este o grande elemento que nos diferencia do partido do regime que continua a não querer fazer eleições autárquicas simultaneamente em todo o país, apesar de ter sido retirado gradualismo constitucional que lá se encontrava.

    E esse curto espaço de tempo, estamos a falar de meses, estamos a falar de anos? Qual é que é o roadmap, o plano para daqui a algum tempo os angolanos então irem às urnas nas eleições autárquicas?

    Olhe, a UNITA tem um projecto de lei bastante completo sobre a mesa. O projecto de lei do Governo é mais pequeno, Enfim, tem aspetos de facto que levantam a necessidade de debate. Mas é um debate que na especialidade, se houver vontade, não temos motivo nenhum para ser mais do que 30 dias. Não há motivo absolutamente nenhum. Agora nós entendemos que não há razão nenhuma de adiar as autarquias para além de 2025.

    Esta comissão pode ser um primeiro passo para atenuar o tal clima de intolerância política do qual a UNITA se tem vindo a queixar nesta legislatura?

    O clima de violação das leis, eu prefiro chamar-lhe assim a tal intolerância, infelizmente, está hoje dirigido a toda a gente. Aquilo que ontem era um problema da UNITA, hoje é um problema de todos os que pensam diferente, inclusive do MPLA. Os membros do MPLA que, por etapas, vêm a público dizer o que pensam, são punidos, são afastados, sofrem as consequências, são demitidos. Daí a quantidade de leis que este partido de regime vem aprovando nos últimos anos de proteccionismo exagerado do Estado e a qualidade da democracia. Todos os meses, todos os dias, naquele nosso país e, portanto, é preciso todos nós pensarmos que temos que agir e temos que agir depressa, porque Angola hoje faz face a uma crise que não é política, apenas é uma crise social da mais grave consequência, uma crise económica terrível que afecta as famílias e as empresas. A estabilidade de toda a gente. É uma crise institucional, porque as instituições estão doentes com a gravidade de que não temos independência do poder judicial, não temos independência da própria Assembleia.

    E em relação à liberdade de imprensa e o lugar dos jornalistas? Angola subiu 21 lugares no ranking da liberdade de imprensa. Mas continuamos a ouvir falar todos os dias de jornalistas ameaçados que se vêem até alguns obrigados a sair do país. O clima melhorou mesmo, ou muitos já nem sequer se manifestam e por isso, simplesmente batem com a porta?

    Eu penso que esta subida poderá ser fruto dos dólares angolanos que servem para comprar uma imagem. O regime angolano fez uma opção desde meio o ano passado para hoje, que é a compra das conferências internacionais em Angola. Paga as conferências, paga as estadias, diminui os custos a quem viaja, vende uma Angola ilusória. Mas a circunstância de vida dos angolanos piora todos os dias. Como qualquer observador isento verifica com as lutas sociais extremadas com a própria UNTA, central sindical, com vínculos de proximidade ao regime, a fazer greves sem limites e a aderir como nunca no passado.

    Sobre a crise económica e as lutas sindicais do país, é verdade que os sindicatos se têm mobilizado no último ano em múltiplas greves, como acabou a dizer, devido às condições de vida no país, nomeadamente o aumento do custo de vida que é enorme. O salário mínimo acaba de subir para 100.000 kwanzas. Será que este aumento chega para quem, por exemplo, quem vive em Luanda e que tem um nível de vida semelhante ao de Lisboa ou de alguém que vive aqui em França, por exemplo, em Estrasburgo?

    Eu vou lhe dar um exemplo muito concreto do que se passa com o valor do kwanza. Nós tivemos as eleições em Agosto de 2022 e nesta altura 1.000 euros custavam 420.000 kwanzas. Passados menos de dois anos, um ano e portanto, oito meses, hoje o Kwanza vale três vezes menos. Quando não se tem um país que produz o que consome e é tudo importado, esta consequência vai directamento para o bolso do chefe de família, vai direto em cima para as empresas e é insuportável. O que é que significa? Significa que os 100.000 kwanzas de hoje correspondem, na verdade, 33.000 kwanzas. Portanto, este salário não é o salário que as pessoas possam imaginar e corresponde 100 euros mais ou menos. 100 euros para uma família que tipicamente é grande, que tem filhos a estudar, que tem que apanhar transportes. Tudo aumentou porque dá ideia que quem está a governar está a governar ao acaso, não têm uma agenda. Há uma depreciação do kwanza e simultaneamente há o aumento dos custos dos combustíveis e o disparo da cesta básica, quer dizer, uma inflação que ultrapassou os 40%.

    Outra realidade no sul de Angola é a fome e a fome. Devido à seca, tardam cada vez mais soluções para a população que vive então esta seca extrema. Recentemente noticiamos aqui na RF que as famílias angolanas vão à Namíbia procurar comida nos contentores do lixo. O que é que a UNITA propõe para estas famílias?

    É um drama. Gostaria muito de dizer sim, tem razão. É apenas um problema do Sul de Angola. Mas não, este é um problema de todas as províncias do país. A fome hoje bateu à porta não apenas da classe mais desprotegida, mas bateu à porta da classe média. A classe média em Angola desapareceu. Nós hoje temos um fosso enorme entre a extrema pobreza e os hiper ricos, que continuam a acumular cada vez mais capital. Quem são? São os membros do Governo, que são os verdadeiros empresários que competem com os outros empresários de vocação, que estão falidos, todos eles abandonados. Porquê? Por causa do senhor presidente que só faz contratação simplificada. Quanto à fome, hoje temos que nos sentar todos e rápido, porque as consequências da pobreza não devem ultrapassar determinado limite de ruptura. Porque depois eu não sei se nós vamos ter capacidade de segurar as consequências no país.

    E enquanto tudo isto acontece em território angolano, Angola é vista a nível do continente como um país capaz de mediar conflitos a nível internacional e, por exemplo, a União Africana tem tanta confiança nas capacidades diplomáticas do Presidente João Lourenço que acabou por designa-lo como o campeão da paz. Também tem essa confiança no presidente João Lourenço?

    Quanto terá custado esta questão? Quanto terá custado em dinheiro angolano? Por exemplo, há uma rotatividade na SADC, há uma rotatividade na União Africana todos sabem que não era a vez de Angola estar a presidir. Sabem que também não será a vez de Angola no próximo ano. E todos sabem que estamos a um passo de garantir que poderá ter a presidência da União Africana. Quanto é que isto custa ao bolso dos angolanos? Quantos pobres vamos crescer perante esta venda de ilusões? Porque depois isto não leva nada. O tempo continua a rodar, amanhã já não está na governação. As verdades vêm ao de cima. Não tenho dúvidas nenhumas que isso não tem valor nenhum, porque isso não corresponde à verdade. Nós fomos obrigados a mover um processo de impeachment ao Presidente da República por violações à Constituição, por violações às leis, por violações, aos direitos humanos, por corrupção ativa. Portanto, como é que é possível juntar as duas circunstâncias, ter o campeão da paz e, simultaneamente, o violador das leis? Isto é incompatível. O tempo de mudança está aí. Só não vê quem não quer. Ele vai nos chegar também, seguramente, a Angola. As autarquias são o intermédio que nos pode ajudar a diminuir as exposições. Mas nós estamos atentos para que 2027 traga efectivamente a mudança que nós esperamos. Muito obrigado.

    29 min
  • Antigo PM apresenta queixa-crime contra Presidente da Guiné-Bissau

    O antigo primeiro-ministro guineense, Martinho Ndafa Cabi, apresentou na quinta-feira, 6 Junho, no Ministério Público uma queixa-crime contra o Presidente Umaro Sissoco Embaló por atentado contra a Constituição, coerção dos órgãos constitucionais e abuso de poder das funções, enquanto chefe de Estado. O presidente do movimento Cidadãos "Patriotas para a Salvação da Constituição e da Democracia". denuncia ainda um clima de intimidação e acusa o poder guineense de ter destruído os principais partidos do país.

    Qual é a missão do movimento Cidadãos "Patriotas para a Salvação da Constituição e da Democracia" da Guiné-Bissau?

    Nós criamos o grupo Cidadãos Patriotas para salvar a Constituição e a democracia. Neste país, ao longo destes últimos quatro anos, podemos dizer que já não há democracia. Aqui não há liberdade de expressão, não há liberdade de manifestação, não há liberdade de nada. Os partidos políticos já não podem fazer nada, estão completamente destruídos pelo poder. Nenhum partido funciona. Os partidos estão completamente divididos, porque alguém quer dividir para poder reinar.

    Este movimento pretende ser a alternância política no país?

    Apresentamo-nos como alternativa a estes partidos que já não reagem, já não conseguem fazer nada. Estes partidos foram neutralizados pelo poder e ninguém consegue fazer nada aqui. Por isso é que nós criámos este grupo de homens e mulheres que querem mudar a situação, o status quo que reina no país.

    Foi essa motivação que vos levou a apresentar uma queixa-crime junto do Ministério Público da Guiné-Bissau?

    O nosso modus operandi é denunciar todos os actos que atentem contra a Constituição [da Guiné-Bissau]. Apresentamos as queixas-crime, mesmo sabendo que há o risco de se eternizar no tribunal, mas algum dia haverá julgamento.

    Apresentámos duas queixas, uma queixa contra o vice-presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Lima André, por usurpação de poder. Ele sabe que a forma de chegar ao cargo de presidente do Supremo Tribunal de Justiça é através de eleições com os pares. Ele não esperou por isso, porque o seu colega, o presidente cessante, pediu demissão e ele nem sequer esperou que ele saísse, foi arrombar a porta dele e começou a funcionar como se fosse o Presidente do Supremo Tribunal.

    A outra queixa crime diz respeito ao Presidente da República que acusam, nomeadamente, de ter atentado contra a Constituição…

    Exactamente. O Presidente guineense dissolveu o Parlamento, quando a lei diz que quando os partidos políticos saem das eleições o limite para a dissolução das instituições são 12 meses.

    Acusam ainda o Presidente de tentativa de silenciar os adversários políticos para satisfazer os compromissos dos apoiantes…

    Acusamos o chefe de Estado de atentar contra a Constituição da República e de coagir os órgãos constitucionais. É abuso de poderes. Tudo isto consubstancia, no quadro legal, as violações que ele fez durante este tempo. Quer silenciar os dois grandes órgãos de soberania. A Assembleia Nacional Popular e o Supremo Tribunal de Justiça.

    Já tiveram alguma reação da parte do Presidente da República Umaro Sissoco Embaló?

    Não, não tivemos nada. Apresentamos as queixas-crime junto dos órgãos competentes do Estado. Como não foi entregue nenhuma cópia, ainda não há reacção da parte dele.

    O que esperam da justiça guineense?

    Apresentámos a queixa junto do Ministério Público. Agora vamos aguardar durante 30 dias e se não houver reacção dos tribunais, vamos seguir em frente. Vamos solicitar os tribunais de Comunidade Económica dos Estado da África Ocidental-CEDEAO. Estamos determinados.

    Consideram que a Comunidade Económica dos Estado da África Ocidental é uma instituição credível para se pronunciar sobre a Guiné-Bissau?

    Primeiro, confiamos na nossa justiça interna. Porém, se não houver uma tomada de decisão da parte dos nossos tribunais, vamos para os tribunais da CEDEAO.

    E se não tiverem resposta da CEDEAO?

    Nesse caso vamos avançar para a União Africana.

    Afirmou que os partidos políticos na Guiné-Bissau estão a ser silenciados. Não receia que possa acontecer o mesmo com o movimento - Cidadãos Patriotas?

    Somos homens adultos, maioria combatentes da liberdade da pátria- quadros que viveram a abertura política- que foram promotores da democracia e que não querem assistir a um retrocesso no processo democrático.

    Já lá vão 34 anos que nós estamos a viver em democracia e hoje, já no século XXI, estamos a assistir a um retrocesso total. Não há liberdade de expressão, não há liberdade para os nossos cidadãos fazerem uma simples marcha, por exemplo. Não há liberdade para nada e os policiais prenderem todos os jovens, levam-nos para a prisão onde são chicoteados. É impossível, no século XXI, conviver com essa realidade.

    Não receia pela sua segurança?

    Deveria recear pela minha segurança? Eu sou um quadro político. Neste caso, tenho duas opções. Ou vivo bem, tenho um futuro bom, ou espero por aquilo que pode acontecer e sem problemas.

    Foi isso que os nossos mais velhos fizeram, optando por lutar contra o colonialismo até à independência. Quando iam para a mata, sabiam que ou morriam ou vinham com a liberdade. E é isso que nós estamos aqui a fazer.

    6 min
  • Palco do Pompidou acolhe espectros e rituais de Catarina Miranda
    ΛƬSUMOЯI é um espectáculo que cruza dança, teatro, instalação sonora e instalação visual e que se afirma como “uma construção de arte contemporânea”. A obra de Catarina Miranda é apresentada, a 17 e 18 de Maio, no centro de arte contemporânea Pompidou, em Paris. A história parte de uma peça japonesa de teatro Noh, do século XV, em que o fantasma de uma criança-guerreira deambula pelo campo de batalha. A peça fala de espectros e rituais e mostra como a dança pode tornar visível o invisível.
    16 min
  • Cimeira EUA-África: Estados africanos vão de “mão estendida” à procura de financiamento

    Arranca esta segunda-feira, 06 de Maio, na cidade de Dallas, a 16ª Cimeira Empresarial EUA-África, organizada pelo Conselho Corporativo para África. O evento vai decorrer até dia 09 de Maio e tem como tema central "EUA - Negócios em África: Parcerias para o sucesso sustentável". Serra Bango sublinha que os estados africanos vão de “mão estendida” a estas cimeiras, à procura de financiamento que depois não concretizam no terreno. Angola não foge à regra. 

    De acordo com a organização, são esperados no norte do Texas, nos quatro dias de trabalho, mais de 1.500 executivos dos sectores públicos e privado dos Estados Unidos e de África, incluindo Chefes de Estado, centenas empresários norte-americanos e africanos de diferentes sectores, como o agro-negócio, energia, finanças, saúde, tecnologias de informação e comunicação, infra-estruturas, segurança, turismo, entre outros. 

    O Presidente angolano, João Lourenço, vai participar na 16ª Cimeira Empresarial Estados Unidos - África, com destaque para dois onde abordará: "Investimento em Infra-estruturas Estratégicas, Crescimento Sustentável” e "Navegar o Futuro Energético de África”.

    Serra Bango, presidente da Associação angolana Justiça, Paz e Democracia, sublinha que os estados africanos vão de “mão estendida” a estas cimeiras, à procura de financiamento que depois não concretizam no terreno. Angola não foge à regra, com um chefe de Estado “agora de viagem em viagem à procura supostamente de investimentos para o desenvolvimento”. 

    RFI: O que é que se pode esperar desta 16ª Cimeira Empresarial EUA-África?

    Serra Bango, presidente da Associação angolana Justiça, Paz e Democracia: Nestas cimeiras que congregam vários presidentes de muitos estados africanos, o que fazem ali não é outra coisa senão estender a mão para pedir financiamento para os seus Estados e que depois não investem devidamente em infra-estruturas, em processos de desenvolvimento para os seus Estados. Ao que me parece, Angola é provável que também esteja numa situação semelhante a esta. 

    O Presidente João Lourenço vive agora de viagens em viagens à procura supostamente de investimentos para o desenvolvimento de Angola. Quando nós temos matéria suficiente e recursos suficientes para guindarmos a nossa economia e o desenvolvimento de Angola.

    A cimeira também surge numa altura em que os Estados Unidos da América, por causa do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, procuram a todo custo afastar vários países que são parceiros da Rússia. Esta cimeira não deixa de ser uma dessas ferramentas ou instrumentos que os Estados Unidos usam exactamente para aliciar determinados Estados a afastarem-se da Rússia. Angola é um desses países. 

    O namoro dos Estados Unidos com Angola intensificou-se nos últimos dois anos e há um investimento muito forte dos Estados Unidos no corredor do Lobito. Havendo esse interesse dos Estados Unidos no corredor do Lobito, onde investe milhões de dólares por causa dos recursos que vêm da Zâmbia e do Congo Democrático, aproveitando o facto do porto do Lobito não ser congestionado e uma linha directa entre a costa angolana e Estados Unidos. Portanto, esta Cimeira da América-África, para Angola, não sei se teria o mesmo impacto que tem para os outros países, porque há aqui uma relação muito directa entre os Estados Unidos e Angola. Por outro lado, não sabemos se esta cimeira irá produzir os efeitos económicos que supostamente Angola precisa.

    Que efeitos económicos é que são esses que supostamente Angola precisa? A diversificação da economia?

    Investimento, a diversificação da economia para a criação de infraestruturas, desenvolvimento da indústria, da agricultura, urbanização das cidades, estabilidade da própria economia angolana e a disponibilidade também de verbas, de dólares. A nossa economia, são petrodólares, é muito dependente do petróleo. E há um forte interesse - sempre foi manifestado politicamente este interesse - em diversificar a nossa economia, não depender excessivamente do petróleo. Mas a relação dos Estados Unidos com Angola é uma relação dependente do petróleo.

    Mas essa era a grande bandeira de João Lourenço quando chegou à cadeira da Presidência. O que é certo é que a economia angolana continua a ser dependente do petróleo.

    Exactamente, continua a ser dependente. Quase que não se fez nada para nos livrarmos da dependência do petróleo, apesar de existir uma diversidade de recursos vários, desde os recursos hídricos, florestais e recursos minerais que poderiam muito bem facilitar para irmos criando as condições para nos livrarmos do petróleo. 

    O facto é que isso não acontece, mas não acontece por uma razão muito simples: é que os dividendos do petróleo, o retorno do investimento do petróleo, é milionário e imediato, ao passo que dos outros recursos como agricultura, pescas, florestas, águas, o retorno é lento e longo. 

    Portanto, nós dependemos do petróleo para vários fins, quer para alimentar a defesa nacional, quer sobretudo para alimentar a manutenção do poder e por causa do petróleo, quer o antigo regime, que era governado por José Eduardo Santos, quer o actual de João Lourenço, serve-se do petróleo na relação com os Estados Unidos e com o Ocidente, quer para manter o seu poder, como também manter as suas relações.

    Não me parece que esta conferência, essa Cimeira Estados Unidos - África em relação a Angola, para a diversificação da economia, venha a ter resultados positivos, imediatos para supostamente diversificar a economia. Pessoalmente não acredito.

    O Presidente João Lourenço vai participar em duas mesas redondas. Uma delas tem a ver com investimento em infraestruturas estratégicas e crescimento sustentável e, outra, tem a ver com o futuro energético de África. O que é que Angola pode dar como exemplo nestas duas temáticas ao resto da África e também aos Estados Unidos?

    Vamos começar pela questão energética. Angola tem recursos hídricos suficientes, temos energias novas, limpas e, portanto, quando assistimos a Angola a ir buscar aos Estados Unidos investimento para energias eólicas ou solares, parece-nos que aqui há uma falta de clarividência na definição do que precisa. 

    Por outro lado, eu não sei o que é que Angola poderá mostrar aos outros Estados, como África do Sul, Namíbia, Botswana, Gana, Cabo Verde, que exemplos é que Angola tem de sucesso para mostrar essa cimeira. É provável que tenha e que não seja do nosso conhecimento! De qualquer maneira, como dizia, esta é uma cimeira, mais uma em que Angola vai participar com o pretexto sempre de buscar financiamento. Recentemente [o Presidente João Lourenço] esteve na Coreia, esteve na China há menos de três meses...

    Há um encadeamento de viagens por parte do Presidente João Lourenço?

     

    Excessiva. Eu gostaria de chamar a atenção para o seguinte: na Coreia do Sul, por exemplo, o Presidente apelou aos coreanos para investirem na indústria automóvel em Angola. Nós não temos condições para termos cá uma indústria automóvel. Não temos população consumidora para uma indústria automóvel, não temos infra-estruturas quer de energia, distribuição de água ou rede viária para termos uma indústria automóvel que alimenta milhões e precisa de milhões de consumidores. Parece que estamos num mundo de alguma ilusão, a tal megalomania que nós temos. 

    Nós não conseguimos desenvolver a agricultura, que é algo básico. Nós não conseguimos ter uma rede de distribuição de energia para fornecer energia eléctrica para as cidades. Não conseguimos ter uma rede de distribuição de água potável para a cidade, portanto, queremos ter algo superior a isso que demanda uma instalação, condições superiores às que nós temos. 

    Parece-me que é mais uma cimeira em que vamos participar para marcar presença, quando na verdade quem poderá ter o benefício de aproveitar desta cimeira são os Estados Unidos, em função do interesse que têm.

    Mais do que uma cimeira empresarial e mais do que uma cimeira económica, há aqui o chapéu geopolítico norte-americano, esta mão norte-americana que quer manter debaixo dela os países africanos e isto em detrimento da Rússia e em detrimento também da China, que é um grande player em África?

    Exactamente. Não se esqueça que o investimento da China em Angola é muito elevado. É um chapéu. Veja que os Estados Unidos em África vai perdendo algumas posições para a Rússia, sobretudo no Sahel, e não quer perder também aqui, a nível a sul do Saara, no Congo, Angola, o maior beneficiário e o vencedor virá a ser os Estados Unidos, de certeza. 

    Agora, percebe-se, há um namoro muito claro, evidente, dos Estados Unidos, em colocar sempre Angola como uma grande pérola. Há um grande investimento, há uma boa gestão, é um país em crescimento, quando na verdade, os próprios Estados Unidos depois dizem que, em termos de direitos humanos - veja aqui o paradoxo - é um país que é ditador, rotulado como ditador, violador dos direitos humanos.

    Há dois pesos e duas medidas mediante o assunto em questão?

    Sim, o interesse nacional é claramente político e daí esse peso de duas medidas. 

    Outro elemento que os Estados Unidos não falam, porque não querem mexer as águas, é a questão do tráfico de drogas aqui em Angola, o problema da droga não se discute, mas os Estados Unidos sabem muito bem que o problema da droga em Angola é grave. 

    Como é que os Estados Unidos têm uma posição, por exemplo, em relação à Guiné-Bissau muito clara em relação a isso, e em relação a Angola, quase que não diz nada? Faz uma tábua rasa.

    Esta cimeira Estados Unidos - África tem um fim muito claro: aproximar, isolar Angola e outros países da Rússia e depois o resto logo se vê. Além das milionárias viagens que o Presidente faz, esta é mais uma milionária viagem que ele fez.

    11 min
  • “Peniche foi uma grande escola” contra a ditadura
    “As cadeias eram centros de organização política” durante o Estado Novo e “Peniche foi uma grande escola”. Quem o diz é o historiador Fernando Rosas que conheceu as prisões do regime ditatorial português e contou à RFI os tempos de luta política contra o regime que tentava calar, prendia e torturava os opositores políticos. A repressão intensificou ainda mais a revolta dos presos que, atrás das grades, se prepararam “para continuar a luta”.
    27 min
  • BD em francês conta “Revolução dos Cravos” às crianças
    A banda desenhada “La Révolution des Oeillets - 25 Avril 1974 - Le Jour de la Liberté” [“A Revolução dos Cravos - 25 de Abril de 1974 – O Dia da Liberdade”] conta a história da ditadura portuguesa e do golpe militar que a derrubou a 25 de Abril de 1974. A obra, da autoria de Sandra Canivet da Costa e com ilustrações de Jay Ruivo, está escrita em francês, é destinada a leitores a partir dos seis anos e sai a 24 de Abril em França e na Suíça.
    14 min

About Em directo da redacção

From the publisher's feed

Ouça aqui, em directo, os grandes temas do momento que fazem o pulsar da actualidade nos vários países.

More shows like Em directo da redacção

Semana em África by RFI Português

Semana em África

0 Listeners

Em linha com o correspondente by RFI Português

Em linha com o correspondente

0 Listeners

Artes by RFI Português

Artes

0 Listeners

Ciência by RFI Português

Ciência

0 Listeners

Convidado by RFI Português

Convidado

0 Listeners

Revista de Imprensa by RFI Português

Revista de Imprensa

0 Listeners

Em linha com o ouvinte / internauta by RFI Português

Em linha com o ouvinte / internauta

0 Listeners

16h00 - 16h10 GMT by RFI Português

16h00 - 16h10 GMT

0 Listeners

Vida em França by RFI Português

Vida em França

0 Listeners