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Sidarta Ribeiro volta ao podcast e explica por que considera que sonhar, no sentido de imaginar futuros possíveis, se tornou indispensável para a sobrevivência da humanidade.
No livro "Sonho Manifesto", o neurocientista discute sintomas do nosso mal-estar contemporâneo e aposta no potencial de mudança de rumos a partir de uma expansão da consciência planetária.
Promover uma síntese de dicotomias antigas, como ciência e conhecimento tradicional, corpo e mente, humanos e não humanos, e criar novos pactos baseados na cooperação e no cuidado estão entre as suas principais recomendações.
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O Brasil não está diante de uma eleição polarizada como outras, dizem a historiadora Heloisa Starling e o cientista político Miguel Lago, mas tem à frente uma disputa inédita que vai definir o futuro da democracia no país.
Em "Linguagem da Destruição", livro em coautoria com Newton Bignotto, os pesquisadores convergem na interpretação do bolsonarismo como uma nova linguagem e como uma força que corrói a democracia de dentro para fora, com o potencial de permitir a emergência de formas totalitárias.
Na conversa com Eduardo Sombini, os autores discutiram as características da língua que Bolsonaro fala —talhada para virar memes e desacreditar o conhecimento— e a dificuldade das instituições responderem ao que ele diz.
Lago diz que a maior força do discurso do presidente é a ideia de eliminar as construções coletivas que limitam o poder dos mais fortes. Starling, por sua vez, sustenta que Bolsonaro está ligado a uma utopia reacionária com raízes na linha dura do regime militar, anticomunista e ainda mais autoritária que os generais, e na herança do nazismo e do integralismo no Brasil.
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Em razão dos feriados prolongados, o novo episódio do Ilustríssima Conversa vai ao ar em 23 de abril.
Até lá, sugerimos revisitar a conversa com o professor de filosofia Newton Bignotto, de setembro de 2020, que dialoga muito com o próximo episódio.
Na entrevista, Bignotto falou sobre a história das ideias sobre a democracia no Brasil e a degradação das nossas instituições nos últimos anos, dando bastante destaque às disputas ferrenhas entre diferentes grupos por suas demandas, que enfraquecem a construção de uma esfera pública democrática no país.
Ouça aqui: 'Guerra de facções' ameaça a República no Brasil, avalia professor
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Fábio Ulhoa Coelho, professor titular de direito da PUC São Paulo, discute neste episódio a aparente contradição entre liberdade e igualdade e quais balizas podem ser usadas para conciliar os dois valores.
Em "Os Livres Podem Ser Iguais?", o autor defende que o pensamento liberal foi se reduzindo a uma doutrina econômica ao longo do século 20, a ponto de a ideia de liberdade se tornar um valor absoluto e descolado das implicações das desigualdades sociais.
Na conversa com Eduardo Sombini, Ulhoa Coelho explica por que considera que o pensamento liberal de hoje se apoia em uma espécie de misticismo e afirma que o colapso econômico da União Soviética não significa que o liberalismo funciona —muito pelo contrário, ele sustenta que ficou nítido, desde a crise de 2008, que a receita neoliberal está fadada ao fracasso.
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A antropóloga Debora Diniz, professora da UnB (Universidade de Brasília) e atualmente pesquisadora visitante da Universidade Brown, nos EUA, defende que o feminismo deve transformar as perguntas que cercam o aborto e outros temas.
Em vez de questionar quando a vida humana começa, ela diz, é preciso, em uma democracia laica, se perguntar por que mulheres podem ser presas por abortar.
Na conversa com Eduardo Sombini, a antropóloga afirma que o aborto desperta a fúria em uma sociedade patriarcal porque controlar a reprodução das mulheres permite controlar a reprodução social como um todo e aponta que é preciso desafiar o vocabulário político que separa pautas identitárias de lutas por justiça social.
Diniz acaba de lançar, em coautoria com Ivone Gebara, o livro "Esperança Feminista". Na obra, as autoras apresentam 12 verbos que, para elas, revelam caminhos para uma política feminista.
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Para discutir a obra de Frantz Fanon, Eduardo Sombini recebe Deivison Faustino, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), em Santos, e autor do livro “Frantz Fanon e as Encruzilhadas”.
Fanon, psiquiatra martinicano morto em 1961, se tornou célebre por suas análises do sofrimento psíquico causado pelo racismo e foi um dos mais importantes intelectuais das lutas de independência dos países africanos nos anos 1950.
Na conversa, o autor explica os fundamentos da crítica de Fanon ao racismo e à racialização. O psiquiatra defende que o branco cria o negro e, para sustentar o projeto de exploração colonial, nega a ele o reconhecimento como sujeito.
Faustino também aborda a atualidade de Fanon nos debates atuais sobre branquitude e privilégio branco e discorre sobre como o autor pode ajudar a pensar a questão do identitarismo, a afirmação de grupos marginalizados que acaba resvalando para a exclusão de quem é diferente.
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O jornalista e escritor Fernando Morais, que lançou em novembro de 2021 o primeiro volume da biografia do ex-presidente Lula, é o convidado do episódio desta semana.
O livro narra os bastidores da prisão do petista em abril de 2018 e os seus 580 dias encarcerado na sede da Polícia Federal em Curitiba e, em seguida, volta à juventude do ex-presidente.
Na conversa com Eduardo Sombini, o escritor falou sobre a recepção da obra e disse que o segundo volume, cuja publicação está prevista para 2023, vai tratar do mensalão, da Operação Lava Jato e de outros escândalos de corrupção.
Ele defende que Lula saiu muito melhor da prisão, com um espírito mais combativo, e que as articulações políticas em curso, como a negociação para Geraldo Alckmin ser seu vice na próxima eleição, fazem sentido para fortalecer a candidatura e ampliar as chances de derrotar Jair Bolsonaro.
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Às vésperas do centenário da Semana de 1922, que tem motivado uma onda de novos títulos sobre o modernismo, o Ilustríssima Conversa recebe o professor titular da USP Sergio Miceli, que acaba de publicar "Lira Mensageira".
O livro se debruça sobre a primeira geração de modernistas mineiros, cujo expoente literário foi Carlos Drummond de Andrade.
Na conversa com Eduardo Sombini, o autor fez um balanço do que pensa sobre as críticas ao "paulistocentrismo" da Semana de Arte Moderna, uma suposta exaltação desmedida da importância do festival na cultura nacional.
Para Miceli, o modernismo floresceu em São Paulo em razão de condições que só existiam na cidade, como um mercado cultural mais desenvolvido e um mecenato mais robusto da elite.
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Na próxima terça-feira (25), o desastre em Brumadinho completa três anos. Em 2019, o rompimento de uma barragem na mina do Córrego do Feijão, operada pela Vale, deixou 270 pessoas mortas —sete vítimas ainda não foram encontradas.
Em seu novo livro, "Arrastados", a jornalista e escritora Daniela Arbex reconstitui a tragédia minuto a minuto, com base em depoimentos de quem estava lá, e narra os esforços empreendidos na operação de resgate e os impactos do desastre na vida de centenas de pessoas.
Na conversa com Eduardo Sombini, Arbex conta os detalhes da apuração que deu origem ao livro e aponta por que o rompimento da barragem foi, em sua avaliação, uma tragédia anunciada.
A autora diz que a Vale sabia dos riscos e não tomou as medidas necessárias em Brumadinho e sustenta que, enquanto o modelo de negócio da mineração continuar priorizando o lucro em vez da vida humana, ninguém estará seguro.
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A matemática Tatiana Roque, professora de história e filosofia da ciência da UFRJ, é a convidada do primeiro episódio de 2022.
Na conversa com o repórter Eduardo Sombini, a autora discute seu livro "O Dia em que Voltamos de Marte" e explica por que as mudanças climáticas rompem o próprio sentido do tempo. Para ela, o futuro, visto como promessa de melhoria das condições de vida e desenvolvimento tecnológico, hoje é símbolo de uma catástrofe iminente, o que vira pelo avesso a experiência da história.
Roque, no entanto, diz que isso não é necessariamente ruim e defende que é preciso parar de pensar sobre o que nós podemos fazer pelo planeta e começar a se perguntar o que as mudanças climáticas podem fazer por nós. Desse ponto de vista, a crise do clima pode ser uma oportunidade de refundar a sociedade.
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