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Como serão os meios de transportes no futuro? Os veículos serão ultratecnológicos e inteligentes como no filme “Minority Report”? Ou, quem sabe, serão voadores como em “De volta para o futuro”? Os carros particulares darão lugar aos transportes coletivos e compartilhados? E quais combustíveis usaremos para abastecer esses veículos? Ou será que todos funcionarão à base de energia elétrica? Essas são algumas das questões que fizeram parte de nosso programa temático #45.
Para falar sobre esse assunto tão amplo, contamos com a colaboração de dois especialistas: Flávia Consoni, professora do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT) do Instituto de Geociências da Unicamp, onde é líder do grupo de pesquisa LEVE – Laboratório de Estudos do Veículo Elétrico; e Danilo Alves de Lima, professor do Departamento de Engenharia (DEG) da Universidade Federal de Lavras (UFLA), atuando nas áreas de Robótica, Visão Computacional e Automação Industrial.
A apresentação do programa foi de Maria Letícia Bonatelli, Bruno Moraes e Beatriz Guimarães, com trabalhos técnicos de Douglas Vasquez e Octávio Augusto Fonseca.
Depois de ouvir o #45, mande para a gente seus comentários e sugestões. Estamos no Twitter (@oxigenio_news), Instagram (@oxigeniopodcast) e Facebook (/oxigenionoticias). Se preferir, mande um e-mail para [email protected].
O programa 44 do Oxigênio traz em seu Giro de Notícias temas como Lixo eletrônico, motos com motor flex, asteroide invasor, terapia para fibrose humana, além de uma entrevista com Rodrigo Guerra, micropaleontólogo, que está realizando pesquisas a bordo do programa Expedição 369 – Australia Cretaceous Climate and Tectonics.
Estudo realizado pela ONU revelou que a quantidade de lixo eletrônico gerada no mundo alcançou o recorde de quase 45 milhões de toneladas. Isso é resultado do descarte de TVs, celulares, tablets e outros produtos.
Além do desperdício dos aparelhos, esse lixo contém metais como ouro e cobre, e outros que podem ser prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana, como mercúrio, cádmio, fósforo. O estudo mostra que o volume aumentou 8% em relação a 2014. A reportagem do Oxigênio traz dicas de como reduzir o desperdício, seja reciclando ou simplesmente ampliando o tempo de vida dos aparelhos.
Outra notícia é sobre o asteroide interestelar Oumuamua (“primeiro mensageiro”, em havaiano), o primeiro objeto interestelar a entrar no nosso Sistema Solar, que veio de outro sistema solar e gerou perguntas se está vindo alguma coisa, algum alienígena junto com ele. Será? Os cientistas dizem que é uma chance muito pequena, mas não deixa de ser interessante brincar com essa possibilidade.
Uma pesquisa sobre fibrose realizado por cientistas sob a coordenação de David Lagares, do Hospital de Massachussets, e publicado na revista Science, propõe uma alternativa para doenças com envolvimento de fibrose, que pode ocorrer em órgãos. Os jornalistas do Oxigênio alertam para o fato de a nova droga estar ainda em estágio de ensaio clínico e que pode demorar para chegar ao mercado para uso humano.
Outro estudo, publicado na Revista Brasileira de Inovação de dezembro, mostra o avanço dos estudos com o motor flex para motos. Essa inovação ajudou a Honda a incrementar suas vendas e recuperar a liderança no mercado. Vale a pena lembrar que em cada quatro veículos um é motocicleta, e o impacto das emissões desses veículos não pode ser ignorado.
O programa traz também uma entrevista com o micropaleontólogo Rodrigo Guerra, embarcado no navio Joides Resolucion. Ele fala sobre a sua pesquisa que está sendo feita durante a expedição 369, pela costa da Austrália, e também sobre a sua trajetória como cientista, desde como surgiu o interesse pela área de geologia e de paleontologia.
Provavelmente você já precisou utilizar um celular para se locomover em uma cidade desconhecida. Se não tem carro, pode ser que tenha pedido, via algum aplicativo, um veículo que o levasse a uma reunião do outro lado da cidade enquanto, no caminho, lia as principais notícias do dia e, revezando as janelas no navegador, curtia as fotos de seus amigos na festa do final de semana postadas em uma rede social. Quando voltou, à noite e com fome, utilizou outro aplicativo para pedir o jantar que não teve tempo de preparar, e o saboreou ouvindo uma playlist de indie rock fornecida por um outro app, sugerido por uma amiga em uma mensagem instantânea que há pouco recebera. Apesar de você, talvez, não ter se dado conta, esse processo todo só foi possível por causa de um grande número de algoritmos.
Podendo ser, simplificadamente, definidos como um conjunto de regras ou etapas que um computador vai seguir para desempenhar uma determinada função, os algoritmos são, como vimos no dia hipotético acima, indissociáveis de grande parte de nossas atividades cotidianas. Apesar das inegáveis vantagens, seu uso suscita preocupações de igual magnitude.
Sobre esse tema, o Oxigênio realizou, dentro do projeto Matemática no Ar, da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2017, uma entrevista, mediada por Gustavo Almeida, com o Engenheiro da Computação Alan Godoy, do CPqD e o Cientista Social Rafael Evangelista, do Labjor/Unicamp.
Os algoritmos estão presentes em “tudo que é computação hoje em dia”, afirma Godoy, explicando que foi nas primeiras décadas do século XX que matemáticos como Alan Turing e Alonzo Church começaram a estabelecer as bases para torná-los o que são atualmente.
No século XXI seu uso tem se expandido cada vez mais, e, além das aplicações mais corriqueiras, têm sido usados até mesmo para influenciar cenários políticos, intensificar a vigilância sobre as pessoas e guiar seus hábitos de consumo. “Há menos de exagero e mais de um temor fundamentado sobre usos complicados que os algoritmos podem ter”, adverte Evangelista, para quem os algoritmos correm o risco de caírem sob domínio de grupos a serviço de um modelo econômico injusto e centralizador de poder.
A discussão ganha relevância, na visão dos entrevistados, a partir do momento que somos nós, enquanto usuários, que fornecemos as informações para alimentar os algoritmos, a cada clique, “like” na rede social, ou aplicativo acionado. Godoy diz que quando se está numa rede social, por exemplo, ela capta uma quantidade imensa de informações, para fornecer ao usuário uma experiência mais individualizada, em virtude do que você tende a achar mais interessante – o chamado engajamento. “Você recebe sugestões que são personalizadas para o seu gosto”. Evangelista complementa que “todos os usos que fazemos geram rastros, e estes rastros alimentam bancos de dados que não são só utilizados para aquele aplicativo que a gente os está fornecendo”.
Essa quantidade enorme de dados, levou à criação do conceito de Big Data (grandes dados, em tradução livre), que serve como “alimento” para os algoritmos, que visam, como diz Godoy, “olhar pro histórico pra tentar prever o futuro” e, assim, lhe oferecer produtos, notícias, canais de entretenimento, para receber seu dinheiro ou, quem sabe?, tentar mudar suas opiniões políticas.
Oxigênio na SNCT 2017
Esta entrevista fez parte do projeto “Matemática no Ar”, que integrou a programação da 14ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT 2017). Foi uma realização do programa de rádio e podcast Oxigênio por meio do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp em parceria com a Rádio Unicamp. O projeto ainda contou com a colaboração do PHALA (Grupo de Pesquisa em Educação, Linguagem e Práticas Culturais), da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp, além do apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e do Governo Federal.
“De que matemática estamos falando?” é o tema desta conversa com Denise Vilela, docente pelo Departamento de Metodologia de Ensino da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e Antonio Miguel, docente pela Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ambos são integrantes do Grupo Interinstitucional de Pesquisa PHALA (Educação, Linguagem e Práticas Culturais), também da Faculdade de Educação da Unicamp, que se preocupa com a problematização da relação entre linguagem e as atividades humanas e as práticas culturais.
A conversa gira em torno da reflexão sobre as possibilidades para se pensar a matemática. O debate gerado contrapõe o discurso de uma matemática única e edificada à ideia de “matemáticas”, no plural, produzidas dentro do campo da atividade humana. Críticas ao atual cenário educacional brasileiro também permeiam a entrevista.
Antonio Miguel traça um panorama histórico para discutir a construção, recorrente e habitual, de uma noção da matemática enquanto disciplina curricular, ou enquanto atividade profissional do matemático, acadêmico, que desenvolve pesquisas em matemática pura e aplicada. Ao fazer um recuo histórico na educação brasileira, localiza quando a matemática passa a incorporar os currículos escolares nacionais com o nome “Matemática”, na década de 1930. Ele pontua que até então a matemática não era tida como um campo unificado, mas sim campos como Trigonometria, Álgebra, entre outros.
Denise destaca que a concepção de uma matemática central e instituída pode ser vista como uma formação discursiva da contemporaneidade, que visa justificar e valorizar a importância da matemática como área de conhecimento e/ou de ensino. Decorrente do eurocentrismo, foi enquadrada em um perfil tradicional e conservador, socialmente constituído, que passou a ser considerado academicamente válido, verdadeiro e único. Sem espaço para questionamentos.
Durante a conversa, a matemática é desconstruída, passa a ser pensada como prática, como um conhecimento produzido na e durante a atuação humana. Miguel e Denise alertam que a matemática vista como prática, de maneira plural, não viria a substituir ou se sobrepor à matemática como um domínio do conhecimento, internamente organizado e estruturado, que tem sua tradição vinda da origem grega. A ideia é de distinção e descolamento das formas de pensar a matemática.
A conversa também trata da matemática no âmbito escolar, o espaço que muitas vezes é tido como culpado pelo suposto desinteresse da sociedade pelo o que venha a ser considerado como matemática. Fala-se ainda sobre as reformas na Base Curricular e propostas como a Escola Sem Partido, pontos muito preocupantes no cenário educacional brasileiro e que precisam ser revistos, debatidos e desconstruídos em prol de uma educação igualitária e inclusiva. Ouça a entrevista!
Oxigênio na SNCT 2017
Esta entrevista fez parte do projeto “Matemática no Ar”, que integrou a programação da 14ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT 2017). Foi uma realização do programa de rádio e podcast Oxigênio por meio do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp em parceria com a Rádio Unicamp. O projeto ainda contou com a colaboração do PHALA (Grupo de Pesquisa em Educação, Linguagem e Práticas Culturais), da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp, além do apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e do Governo Federal.
Algumas áreas das ciências atraem mais mulheres do que homens, mas a matemática, a estatística ou a física não estão entre elas. E quais seriam as razões que limitam a participação das mulheres nas ciências exatas, da terra e engenharias? Como fazer com que as novas gerações sejam estimuladas a atuar nessas áreas? Como ampliar a representação da mulher e a inclusão no mercado de trabalho tecnológico? Essas foram algumas perguntas da entrevista realizada com Sandra Augusta dos Santos, professora do Departamento de Matemática Aplicada, do Instituto de Matemática Estatística e Ciência da Computação da Unicamp e com a Flavia Roberta Silva, gerente de projetos de uma das maiores empresas de tecnologia de informação do mundo, a IBM.
Apesar de um aumento na submissão de projetos de mulheres para as agências de fomento, menor na área de ciências exatas e da terra, e nas engenharias, as duas entrevistadas concordam que ainda é incipiente a presença das mulheres nessas áreas. As duas contam um pouco de como foram as suas trajetórias, marcadas por um grande apoio dos pais para que seguissem a vocação para a matemática e interesse pela ciência da computação. Mas ambas reconhecem que eram exceções. Mesmo assim seguiram adiante e são hoje referências positivas na participação da mulher nas exatas.
Sandra e Flavia falam também sobre os movimentos que têm atraído mais mulheres, tanto para as matemáticas quanto para as tecnologias. Movimentos de mulheres, brancas e negras, de diferentes faixas etárias, que procuram mostrar sua força, competência, e também que as exatas não são só para os homens. As entrevistadas ressaltam que as mulheres nessa área se mostram mais empoderadas e engajadas, dando mais visibilidade para a exclusão e como elas têm rompido os padrões.
A entrevista trata também de representatividade nos diferentes ambientes, seja na academia, na escola, no cinema, lembrando de personagens que têm feito diferença ao mostrar sucesso nas carreiras, e o quanto podem contribuir nessas áreas. Exemplos como as cientistas negras que tiveram um papel fundamental no programa espacial americano, retratadas no filme Hidden Figures, e cientistas premiadas como a matemática iraniana Maryam Mirzakhani, única mulher a receber a Medalha Fields. Na entrevista são lembradas também várias mulheres que se destacam em suas áreas, como a física Sônia Guimarães, do Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA), ou as mulheres negras empreendedoras, líderes de startups, como a Patricia Santos de Jesus, do Empregueafro ou a Maitê Lourenço, da Black Rocks, consultoria para aceleração de startups. Sandra e Flavia ressaltam como devem ser mostrados esses exemplos, principalmente em relação às mulheres negras, criando outros referenciais sobre mulheres na ciência e nas ciências exatas. Ouça a entrevista!
Oxigênio na SNCT 2017
Esta entrevista fez parte do projeto “Matemática no Ar”, que integrou a programação da 14ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT 2017). Foi uma realização do programa de rádio e podcast Oxigênio por meio do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp em parceria com a Rádio Unicamp. O projeto ainda contou com a colaboração do PHALA (Grupo de Pesquisa em Educação, Linguagem e Práticas Culturais), da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp, além do apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e do Governo Federal.
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