Prelo

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By Tiago NovaesEducationArtsBooksHow To
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Prelo episodes

  • O Método Investigativo de Sherlock Holmes: Entrevista com José Artur Teixeira Gonçalves

    #058 – Qual o ponto de encontro entre literatura policial e pesquisa científica?


    O escritor argentino Ricardo Piglia dizia que só existem dois tipos de romances: o que se submete ao paradigma da viagem e o que se centra em torno de um crime. Esse foi o ponto de partida para a conversa com José Artur Teixeira Gonçalves, escritor, doutor e professor de História.


    “O que eu tinha acesso eram aqueles livros de bolso em papel-jornal, de romances da Agatha Christie, infinitas edições das histórias do Sherlock Holmes. Aquilo me encantava muito. Ter acesso a isso foi uma coisa que foi mexendo muito com meu imaginário.”


    Não só os livros, mas também a pesquisa são convites para o pensamento e a escrita, para a investigação como um jogo. 


    Além de escrever dentro do meio acadêmico, José Artur incursionou na ficção com um dos textos da antologia Da substâncias dos sonhos e outras periferias, em 2018. Estimulado pelo Prelo, decidiu se aventurar pela não ficção e escreveu Desvendando o Método: um estudo sobre a investigação científica em Sherlock Holmes,  livro que foi tema da nossa conversa neste episódio de Prelo.  


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    1 hr 22 min
  • Além das Profecias e das Distopias

    #056 – Já reparou numa coisa?

    As pessoas que você acompanha, que você admira. O que você admira nelas?

    Para mim, a resposta é simples: a paixão. O propósito. A vocação. O modo como fazem o que fazem.

    Não conheço uma autora ou autor que eu admire porque sejam boas cumpridoras de metas. Eu gosto do que fazem porque o que fazem me comovem, me instigam, falam comigo naquilo que existe de mais essencial e verdadeiro.

    Está todo mundo falando, hoje em dia, de como manter disciplina, ritual matinal, tantos minutos de meditação diários, tantas palavras escritas por dia. Estamos burocratizando o que há de mais potente em nós. Estamos tentando domar o impulso selvagem, e este é o caminho certo para a aridez do pensamento, o isolamento, o trabalho sem propósito.

    Vamos ser francos: a criatividade virou uma commodity. Mas as pessoas realmente inspiradas e inspiradoras são aquelas que derivam a criatividade de um processo espiral, ascendentes e descendente. Elas têm muitas fontes, e todas elas ressurgem numa combinação passional que alia uma urgência de dizer algo com uma necessidade visceral e vital.

    Para atuar neste mundo com consciência e integridade, é preciso não se entregar ao sabor dos caprichos, à sedução dos desânimos. É importante, sim, entender o modo como manejamos o tempo, as relações entre tempo útil e tempo livre, os sistemas para preservar um espaço criativo. É importante entender o que fazemos, para não reproduzirmos pressupostos embotados, para que não defendamos o que nunca quisemos defender.

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    50 min
  • Os 7 Passos do Percurso Autoral

    #055 – Museu Picasso, Barcelona, uma bela tarde de inverno de janeiro de 2022. A casa, localizada no bairro gótico, está cheia de turistas. Nem parece que ao ômicron fez o seu estrago poucas semanas antes, nas celebrações natalinas. Organizado por fases biográficas, o circuito do museu começa com suas primeiras obras, suas produções juvenis.

    São belos quadros pintados em estilo realista. Já se vê ali, de tela em tela, que o pintor está buscando qualquer coisa. Não sabe ainda o quê, não tem como saber. Apenas nós, em retrospecto, conhecemos o legado de uma das figuras que mais integralmente encarnam a ideia do artista genial. O jovem Picasso, enquanto trabalha, apenas prova das tendências de sua época. Faz de tudo. E trabalha muito. Ainda é jovem. Está confiante de algo que nasce dentro dele.

    ​Uma pergunta me assola: e se aquele jovem, talvez por conta de uma educação severa e repressora, de algum trauma escolar mal elaborado, tivesse se contentado em pintar um quadro apenas bonito? O que seria de seu legado se ele repousasse – a sua alma, sua inquietação – à aprovação acadêmica de seus pares, dos pequenos círculos municipais? E se ele tivesse ficado com medo da mudança, de sua própria ousadia?

    Jamais teríamos Guernica. Nem sequer estaríamos falando de Picasso.

    Todo artista percorre uma trilha secreta, destinada apenas a ele, e que cabe a ele abrir ou não (como naquele portão da anedota de Kafka). Como psicanalista e amante de histórias, sempre gostei de acompanhar os percursos pessoais dos artistas. Meus colegas, os participantes de minhas oficinas, de grande artistas e autores de tempos passados.

    Se pudesse dividir sua vida em capítulos, como se chamaria o capítulo em que você se encontra agora?

    O Prelo deste mês se dedica a analisar os sete passos do percurso autoral.

    Quais são os marcos mais importantes na trajetória artística de uma escritora ou escritor? Quais as etapas que o sujeito tem de atravessar para se achar no mundo dos livros e da criação?

    O fazer artístico pressupõe um caminho. Um caminho de descoberta do nosso lugar e de nossa voz. Para Picasso, o segundo ou terceiro salto foi abandonar a linguagem realista e passar a uma aventura própria, aquela que o identifica como gênio, e que desperta ainda fascínio e consternação.

    No mais recente episódio de Prelo, revisito a partir de uma engenharia reversa, a minha trajetória como autor ao lado da de outros colegas, e identifico sete divisores de águas – saltos, progressões – essenciais para a formação de um escritor.

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    42 min
  • Abra os olhos – crescer, pensar, agir no tempo presente

    #054 – Você está pronta para crescer? Para crescer é preciso aprender a observar. Quando estamos escrevendo, por exemplo, e alguma passagem ainda não está boa o suficiente: somos capazes de reconhecer isso? Ou ficamos tentando defender aquilo que já fizemos, ancorados na ideia de que a espontaneidade vai me dizer se sou ou não sou um bom autor? Em nome de quais forças substituímos a realidade concreta do nosso lugar, da nossa prática no instante presente por um querer ser, por uma fantasia?

    Este episódio de Prelo é uma digressão sobre o ato de crescer, de pensar e de agir com lucidez no tempo presente. Ele pressupõe que nem sempre estamos prontos para a entrega do ato criativo, que nos pede um silêncio para as perguntas que estamos fazendo em silêncio. Ele pede uma supressão dos movimentos de identidade e de formação do ego.

    36 min
  • Por Dentro e Por Fora: ritmos e arritmias do trabalho criativo

    #053 – Fala-se muito que é preciso lutar pelo que se deseja, ter a coragem de realizar o seu sonho,  de ir atrás do que quer, que o mundo vai conspirar a nosso favor. Fala-se muito em sair da zona de conforto, que para fazer é preciso pensar fora da casinha, que concha feliz não faz pérola etc etc.

    Sabe do que pouco se fala?  Do que realmente se passa quando se retira da zona familiar. De como a continência e o enraizamento são fundamentais para a constituição humana. Que todos precisamos de uma casa. E quando o sujeito precisa sair – explorar, descobrir, migrar, criar, discutimos pouco sobre o que de fato pode acontecer a você e o que vai mais cedo ou mais tarde te confundir.

    Neste episódio de Prelo, conversamos sobre a montanha russa da realização do desejo, o que você deve esperar encontrar e como preparar-se para não se perder no caminho.

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    41 min
  • Escrever com o corpo: a armadilha da produtividade

    #052 – Vampiros, androides, pactos com o demônio – a literatura está repleta deles. E eles traduzem as consequências funestas do nosso anseio pela eternidade. Este anseio prossegue, e constrói analogias que podem ser danosas aos nossos projetos autorais. 

    Sim: você pode estar querendo mais do que tudo escrever. Só que sua forma de abordar este projeto tem a consequência inversa, a de alienar você do seu desejo de criar. 

    E o primeiro passo para identificar quando, movidos pelos ventos que insuflam vida e ânimo em nossos dias, acabamos por nos perder é justamente entender aquilo que subjaz à fome de sangue do vampiro, a repetição desenfreada do androide.

    25 min
  • Escrita & Viagem

    #51 – Este episódio é uma adaptação de uma aula que fizemos em 2019. Muito aconteceu de lá para cá, ainda que sejam poucos anos de distância. Por um tempo, o tema do episódio de hoje pareceu suspender-se, quase como uma absurdidade, uma quimera que teria que ser colocada em suspensão diante da urgência que o mundo concreto nos impunha. Tempos de atenção redobrada, de estar conectado às notícias e ao mundo.
    Hoje, falamos de uma outra forma de se conectar com o mundo, menos acelerada, mais ligada aos processos de criação e construção interna. Recomeçamos, timidamente, a discutir liberdade: não aquela que se exime sem pudores da preocupação com o coletivo, mas a liberdade observativa do flâneur. De transitar por este mundo para criar e construir em cima daquilo que se registra como estrangeiro e viajante.

    25 min
  • A Estruturação da Obra

    #50 – Neste episódio, você vai aprender a transformar ideias em livros.

    Estas ideias vagas como nuvens, às vezes imprecisas, às vezes tão abundantes que você nem sabe o que fazer com elas.

    Para forjar um livro é preciso acreditar que ele vai existir um dia. É preciso confiar neste poder de materialização do que ainda não tem forma.

    Os livros, afinal, nascem destas nuvens. Houve uma vez em que Grande Sertão: veredas era apenas uma ideia. Houve uma vez em que Quarto de Despejo não tinha nome, eram apenas anotações num caderno, um modo de sobrevivência.

    Estas escritoras, estes escritores tiveram a generosidade de perceber que as ideias não bastam (a biblioteca dos livros inexistentes está cheia de boas ideias assim como o inferno está repleto de boas intenções).
    Você precisa partir desta cena imprecisa para construir o seu conto, sua crônica, o capítulo de seu romance, sua prosa poética de um livro infantojuvenil.

    Muita gente me diz que não consegue passar suas ideias para o papel.

    Bem, para começar, é preciso conseguir enxergar o que está no papel. E entender o universo da escrita como um campo próprio.



    1 hr 10 min
  • Como fazer de 2022 o seu ano literário

    #049 – Outro dia, o Facebook me lançou a lembrança de um post, um texto meu publicado em janeiro de 2014. Naquela data remota, um Tiago oito anos mais jovem dizia haver encontrado numa gaveta de casa um papelzinho desses de biscoito da sorte, em que se lia em espanhol uma frase supostamente atribuída a Albert Einstein, e que dizia: “Para que a nossa vida melhore, devemos escolher sempre como queremos viver”. E o Tiago de trinta e poucos anos se assustava, por não ter minimamente claro como gostaria de viver.

    E eu escrevia, imaginando a cena de um futuro quimérico, retirada dos livros, filmes e biografias que admirava na época. A imagem era bastante idealizada:

    Como gostaria de viver?

    Numa motocicleta, cruzando vales desertos, ravinas no rosto empoeirado. Um caderno e uma câmera, um lugar ermo o bastante para discernir os recados do zéfiro. Com crianças refugiadas na fronteira entre uma monarquia e um regime de facto. Numa festa de dois dias em uma ilha no mar de Andaman. Num mocambo a alguns quilômetros de Chiang Mai, metido em uma floresta coberta pela bruma e habitada por pios raríssimos. Em todas as imagens esta solidão de fundo e a imensidão do vazio.

    Onde estarei em seis meses? Onde estarei em cinco anos? Perder países como quem busca um lar. Indiferente ao demorado das lonjuras. Despojado da pátina dos exotismos, mas de encontro a tudo, ao maior que o visível.

    Não poderia dizer naquele 14 de janeiro de 2014, mas muito daquilo que escrevera iria se concretizar. Eu viajaria de moto pela Mae Hong Son, a estrada de 1800 curvas, na Tailândia. Entraria clandestino em um campo de refugiados na fronteira com Mianmar, para a escrita de um artigo como correspondente internacional. Passaria dez dias meditando numa floresta habitada por uma multidão inconcebível de insetos jurássicos.

    Ao fim daquele ano, com ajuda de uma bolsa de criação, eu teria publicado um romance, “Os amantes da fronteira”, semifinalista do Prêmio Oceanos no ano seguinte, a maior premiação da língua portuguesa em todo o mundo.

    O que fizemos das nossas intenções de oito anos atrás? Você saberia dizer quais eram?

    E dos sonhos de criança, de adolescente?

    Se queremos escrever, publicar, participar ativamente de um meio cultural e literário, talvez a gente deva seguir o conselho daquele biscoito da sorte, daquela piscadela de Einstein.

    O futuro não será o resultado de como queremos viver. Ele sem dúvida será maior, mais desafiador e mais complexo. Mas para isso, não basta permanecer à deriva. Há uma diferença entre deixar-se carregar pelo mar, como na canção de Paulinho da Viola, e ser arrastado pelas correntes do marasmo e do lugar comum, abrigado nos ninhos eternos da familiaridade.

    1 hr 6 min

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