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#038 – Como entender um fenômeno editorial, uma virada nos rumos de um autor, o momento em que de uma prosa límpida se passa a uma necessidade incontornável entre os leitores, e o alcance da obra se expande aos limites planetários?
É possível identificar em um traço estilístico, em uma decisão específica do projeto da autora ou do autor a razão pela qual um livro, destacado de outros, alcança um patamar inédito de acontecimento social?
É a editora? São os modismos literários? Onde podemos reconhecer o traço, a marca da intensidade de uma prosa que se destaca quase que de modo unânime entre a massa das publicações?
A escritora canadense Rachel Cusk já era bastante conhecida no meio literário anglófono. Radicada no Reino Unido, já tinha publicado bastante.
Algo aconteceu. Uma recepção negativa por parte da crítica literária, e que conduziu à deliberação de encabeçar um projeto.
Nasceu a trilogia Outline, que transformou-se num abalo sísmico na literatura contemporânea?
Como foi que isso aconteceu?
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#037 – Neste episódio, refletimos sobre a presença do escritor nas redes sociais, e de como você pode criar uma base e um fundamento para a sua criação autoral, dialogando com os seus leitores antes mesmo de ter um livro publicado.
A conversa atravessa a necessidade de fazer as redes trabalharem para você, e não o contrário. E é um convite para que você possa pensar nos espaços que têm mais a ver com o seu trabalho e com o tempo que você realmente pretende dedicar a esta tarefa.
Algumas referências mencionadas no episódio:
Perfil da Patti Smith no Insta: https://www.instagram.com/thisispattismith/
Mail Chimp – Serviço de Mail Marketing: https://mailchimp.com/pt-br/
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#036 - Chegou o dia, o primeiro dia de nosso Primeiro Capítulo – A Semana da Preparação do Romance!
Vamos conversar sobre O Trabalho Criativo do Romance.
1) Em primeiro lugar, vamos discutir a razão pela qual o romance, desde suas origens, têm fascinado o leitor moderno; os elementos polêmicos e fugidios que o caracterizam, os seus atributos singulares e como compreender o impulso de tornar-se romancista e embarcar numa narrativa longa;
2) Em seguida, vou analisar o percurso autoral para compreender o que nos ajuda a crescer dentro deste percurso, quais os saltos que um autor pode dar – quais ele não deve dar – e o que você deve fazer para realizar-se neste caminho;
3) Para encontrar tempo e disciplina, vamos começar a discutir a ideia de disponibilidade e paixão, e como você pode fazer para mobilizar o seu desejo sem interrupções ou titubeios.
4) Por onde começar: se você está à procura de ideias e quer começar agora a escrever, como encontrar o caminho e o que você precisa saber para que o medo e a resistência não dominem o processo.
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#035 – Um jovem escritor relativamente famoso em seu país, ganha um prêmio literário e decide se mudar para uma ilha grega. São os anos 60, e este jovem escritor passa a viver uma vida simples e barata, mas também repleta de intensidade. Lá ele se enturma com um grupo de artistas. Lá, ele escreve uma obra que ninguém nunca conseguiu decifrar. Lá ele se apaixona por uma mulher com um filho. Passa oito anos com ela e a ama por toda a vida.
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#034 – A gente começa com uma ideia. Ou nem isso. Uma cena incompleta, como num sonho. Sem pé nem cabeça. Apenas o sistema circulatório de um corpo rarefeito.
Às vezes, não se tem nada para começar. Andarilhos sem bagagem, palmilhando o sopé de uma cordilheira escondida pelas nuvens.
Um bom romance parece, antes de escrito, uma quimera.
Depois de concluído, é como se ele sempre existisse.
Não podemos conceber um mundo sem “Perto do coração selvagem” ou “Grande Sertão: veredas”, assim como não se imagina o Rio de Janeiro sem o Pão de Açúcar ou São Paulo sem o Masp.
E no entanto, a avenida Paulista já foi despida do museu projetado por Lina Bo Bardi. Era uma avenida de casarões e carruagens. Outra avenida.
Para que um museu passe a existir, são necessários iniciativa política, circunstâncias sociais e amplos subsídios. Um livro exige outras coisas.
Estamos de volta com o Prelo. Neste episódio, conversei com duas escritoras de estilos e métodos de trabalho muito diferentes que se conheceram no meu curso online do romance, “A preparação do romance”, ficaram muito amigas, e escreveram dois grandes livros.
Andrea Berriel escreveu um thriller policial. A Andrea é uma autora de fôlego, uma criadora de tramas sofisticadas e de personagens inesquecíveis. A conjugação feliz destes elementos rende uma leitura deliciosa.
Virginia Ferreira escreveu um romance psicológico carregado de intensidade, a história de uma mulher que resolve desaparecer no mundo, que faz de sua viagem uma perseguição e uma fuga. Nos estratos do livro, uma experiência traumática do presente faz refluirem as arbitrariedades não elaboradas do passado.
Acompanhei a escrita e o processo criativo de ambas as autoras. E quando as convidei para conversar sobre o fazer do romance para o Prelo, o que pretendia era mostrar um pouco para você as inseguranças comuns no ato de elaborar uma prosa longa, as soluções que encontraram e como você pode se valer do seu próprio estilo e seu próprio jeito para construir um romance.
Estas obras não existiam e passaram a existir. O que as desatou?
Com o retorno de Prelo e esta conversa necessária sobre a criação do romance, iniciamos os trabalhos do segundo semestre de 2021. Tenho uma grande novidade, que vou anunciar em breve. Por aqui, mesmo, nestas mensagens. :)
Enquanto isso, fica o convite para você participar da conversa comigo, Virginia e Andrea.
Mais sobre elas:
Andréa Berriell é escritora e artista visual (desde que se lembra), arquiteta e urbanista (UEL, desde 1996), professora universitária (UFPR, desde 2004), doutora em Engenharia Florestal (UFPR, desde 2009). Autora do romance “Mulheres que plantam a Lua” (2018) contemplado no 1º Edital Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura (PROFICE) e publicado pela Arte Editora. Autora de um novo romance (no prelo) desenvolvido durante o curso EC – A preparação do Romance.
Virginia Ferreira é mestre em sociologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e doutora em antropologia cultural pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Fez um pós-doutorado em antropologia e direito na Universidade de Brasília (UnB). Depois de realizar etnografias e de escrever dissertação, tese e artigos, percebeu sua paixão pela escrita. Passou a escrever contos e pequenas histórias e participou de oficinas de escrita. Hoje está com seu primeiro livro pronto. Divide seu tempo entre a escrita e o trabalho de analista em ciência e tecnologia no Governo Federal.
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#033 – Você enfim digitou o ponto final de sua obra em seu editor de texto.
O arquivo está lá, numa pasta. O resultado de meses ou anos de trabalho.
E agora? Quais os primeiros passos que você deve dar para publicar o seu livro, seja no formato de autopublicação independente seja para procurar uma editora que tope lançar a sua obra?
Neste episódio de Prelo, o último da primeira temporada, você vai saber o que fazer para publicar da melhor maneira possível.
Em seguida à publicação deste episódio enviaremos um material para os seguidores do canal e que complementem as informações aqui contidas. Não esqueça de se inscrever, clicando no link abaixo. Desta forma, você seguirá recebendo todas as semanas dicas de leitura, de escrita, orientações e conversas por e-mail.
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#032 – Não resta muita dúvida hoje que, para escrever um bom livro, você precisa ser um bom leitor. E muito se diz da importância da leitura de obras clássicas para a formação autoral – Clarice, Lygia Fagundes, Cecília Meireles, Machado de Assis – são todos incontornáveis, e sabemos disso.
Pouco se fala, contudo, da importância das obras contemporâneas para a formação do escritor.
No episódio de hoje, você vai saber por que a leitura dos contemporâneos é fundamental. E por que você deve começar hoje mesmo a ler um bom livro contemporâneo.
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#031 – Durante 66 dias, o Tiago se dedicou à elaboração de um ensaio. Ao longo de pouco mais de dois meses, todos os dias da semana, de segundas às sextas-feiras, das oito da manhã ao meio-dia, o autor debruçou-se sobre o seu projeto. O resultado foram 92 páginas e algumas convicções sobre a prática deliberada.
Sessenta e seis dias é o tempo médio para que um hábito novo seja incorporado, para que a plasticidade cerebral faça a sua mágica e converta uma prática em algo corriqueiro. Este tempo foi o resultado de um estudo da psicóloga Jane Wardle, da University College de Londres, em um artigo publicado no European Journal os Social Psychology.
Mas a prática deliberada possui outros efeitos: e alguns deles são significativos para as escolhas que a escritora ou escritor fazem em sua vida, para o sentido de realização e de felicidade. É disso que o Tiago fala no episódio desta semana.
Observação: No episódio, o Tiago faz referência a um psicólogo húngaro de nome difícil de pronunciar. Trata-se de Mihaly Csikszentmihalyi, autor de Flow – The Psychology of Optimal Experience.
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#030 – À primeira vista, devo dizer que a obra de Malcolm Gladwell não me atraía. Mas também reconheço que se tratava apenas de uma impressão, daquelas que a gente tem sem saber nada do livro, e que pode produzir equívocos. Suas edições têm um design quase idêntico entre si: capas brancas, o mesmo tipo de fonte nas edições brasileiras e anglófonas. Uma chamada ampla, como que querendo abraçar coisas demais dentro de uma questão formulada de modo muito genérico.
É por isso que só fui me aventurar a ler os seus livros por conta de uma sugestão, dessas que não se ignora. "Você já leu este cara? Analise a obra dele." E como respeito demais a autora da recomendação, resolvi fazer o que ela dizia.
Analisar uma obra ultrapassa a leitura casual. É preciso buscar recorrências na leitura de mais de um de seus livros. Acompanhar as resenhas e comentários na internet, os debates nas redes sociais. Entender o fenômeno da obra, por assim dizer. Não sou jornalista, mas a curiosidade tenta suprir parte das minhas deficiências de investigador na hora de explorar os caminhos de um livro ou de um autor.
Quando estamos interessados na escrita de um gênero específico, é muito interessante ir além da curiosidade mais imediata. Precisamos esticá-la nos limites do cansaço. Empregar um esforço que se volte não apenas para o chamariz imediato da leitura, mas para as suas estratégias discursivas, o modo como o autor ou autora produziram a sucessão de seduções e provocações do texto.
Neste trigésimo episódio de Prelo, abro uma seção na conversa que iniciamos semana passada sobre a tipologia da não-ficção e me dedico a apresentar alguns dos resultados de um estudo de caso, o da obra de Malcolm Gladwell, autor de Blink – A decisão num piscar de olhos, Outliers – Fora de série e The tipping point – O ponto da virada. Apenas este último título teve cinco milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. Não foi algo espontâneo, mas exigiu um projeto pessoal do autor.
Em A biografia de uma ideia – a obra de Malcolm Gladwell como estudo de caso, apresento algumas pistas da popularidade de sua obra, além de recursos que você pode utilizar na elaboração de seu próprio livro.
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#029 – Acabo de ler numa crônica de jornal a frase de Hannah Arendt em seu, "Homens em tempos sombrios":
"A questão é: quanta realidade se deve reter mesmo num mundo que se tornou inumano, se não quisermos que a humanidade se reduza a uma palavra vazia ou a um fantasma."
As coincidências não existem de fato. Eu ia apresentar para você o episódio novo de Prelo, em que falo sobre A tipologia da não-ficção: em outras palavras palavras, quais são os dispositivos mais comuns para apresentar uma obra "baseada em fatos reais".
Na escala de bizarrices, precisamos concordar que realidade tem superado a ficção. Nós, ficcionistas, estamos à mercê da realidade, sempre um ou dez passos atrás, como um detetive perseguindo um assassino. Quando julgamos inventar alguma coisa, ela aparece nos jornais. Acabamos com o mundo na ficção, e na realidade ela consegue terminar muitas vezes seguidas, e deixar-nos sobrevivendo para contar a história.
A verdade é a agulha que se esconde num palheiro de opiniões, frases motivacionais e outras, fora de contexto. Existem muitas maneiras de procurá-la, e ela, ainda que múltipla, não pode ser confundida ao relativismo niilista, nem à roleta russa dos desiludidos.
E o que nós, ficcionistas, fazemos com esta batata quente? Bons tempos em que um hobbit pegava uma trilha, lutava com orcs com ajuda de anões, elfos e feiticeiros, e salvava o mundo jogando um anel de invisibilidade na boca de um vulcão. O que fariam estes heróis diante dos derivativos e das bolhas do mercado financeiro, da pesca predatória que navios de origem europeia empreendem nas costas africanas e que empurram os antigos pescadores das cidades para o campo, intensificando o extrativismo e o desmatamento, expondo a espécie humana a uma multidão de vírus e doenças?
Como se conta uma história destas realidades? E nas palavras de Hannah Arendt: quanta realidade se deve reter num mundo que se tornou inumano? Como fazer com que a nossa curiosidade converse com a curiosidade dos nossos leitores?
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