Prelo

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By Tiago NovaesEducationArtsBooksHow To
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Prelo episodes

  • É sobre o quê? Temas literários e a leitura do mundo

    #048 – A leitura nos salva da banalidade do pensamento único, da estreiteza da visão imediatista.

    A leitura nos salva das ideologias, cheias de furos e incoerências.

    A leitura nos salva de nossos próprios preconceitos, de nossas inevitáveis ignorâncias.

    E como autores, a leitura nos salva porque é nela que nasceu o impulso primeiro de expressar-se pela escrita.

    A leitura é a geografia que queremos habitar, é o relevo por onde correrão os rios de nossas palavras.

    Quando escrevemos, afinal, nossa escrita é tão boa quanto a nossa habilidade de leitura do que estamos escrevendo. Somos o primeiro leitor dos nossos originais. E teremos de ser bons leitores de textos ruins para que estes textos - crônicas, roteiros, contos, novelas, romances – tornem-se muito bons.

    Neste episódio, vamos falar sobre isso: de como a leitura pode orientar a matéria narrativa que queremos explorar em nossos escritos, e de como podemos nos valer da leitura para aprofundar a compreensão de um mundo complexo.

    Porque já é tempo de perceber que a esperança não basta. E não basta subestimar o poder do obscurantismo.

    Porque o que te trouxe até aqui não é o suficiente para te levar até lá. E para isso, precisaremos valer-nos de nossa plasticidade cerebral. Da capacidade incrível que temos de fazer as coisas conversarem dentro de nós.

    Precisamos dos livros porque foi graças a eles que entendemos as recorrências da história e da barbárie. Precisamos do livro se quisermos começar a articular tudo o que sabemos em uma prática, um pensamento, um discurso integrados.

    1 hr 2 min
  • Um ano de escrita: as sete fases da escrita cotidiana

    #047 – Foram cerca de quinhentas de horas de escrita ao longo de um ano. Nos doze meses de 2021, as manhãs de oito deles, de segundas às sextas-feiras, foram dedicados à escrita de um único livro.

    Em dias de chuva e de sol, não importando o estado de espírito, depois de boas e más noites de sono, a rotina era a mesma: acordar às sete; tomar um café com leite, comer uma fruta, fazer apontamentos num diário (um caderno preto, A5, pautado, de 80 páginas). Das oito da manhã ao meio dia, permanecer sentado diante da tela de um MacBook Air, modelo 2019. Com os pequenos intervalos para um segundo café, um alongamento e uma ducha matinal, as quatro horas passavam a três. Não importa: a cabeça não saía do livro.

    E então, ao meio-dia, um pouco depois, esquecer do livro até o dia seguinte. E repetir, e repetir.

    O resultado: uma obra de 65.109 palavras, dividida em três partes. Para o autor, todo livro novo é a sua mais nova obra-prima. O efeito é curioso. Por um lado, um certo cansaço, a vontade de não olhar mais para aquilo. Por outro, o sentimento de que o livro é uma explosão, uma tremenda novidade, e pode comover muitas sensibilidades.

    Parte de meu ano de 2021 foi assim. E neste ano que começa, quero dividir com você o processo.

    O que podemos aprender após um ano de escrita cotidiana?

    Quais são as fases do processo? O que você deve esperar e como conseguir se manter alinhado no projeto?

    1 hr 12 min
  • De Volta Para o Futuro

    #046 – O ano novo está aí e não sabemos muito bem o que esperar dele. O tempo que vivemos talvez peça de nós mais que promessas de ano novo ou metas a alcançar.

    Ele pede um ato de leitura: porque o que aprendemos na escola não é mais suficiente para compreendermos a complexidade do mundo em que vivemos.

    Ele pede um ato de escrita. Porque sim, escrever é uma ação. De apropriação, de entendimento, de desenvolvimento não-egóico de uma voz própria.

    Para que você possa abrir o ano com lucidez e fazer de 2022 o seu ano literário, você não pode deixar de participar da Semana da Criação Literária – um evento de debate, comunidade e criação para que você possa construir a sua obra no ano que começa.





    26 min
  • Melhores Leituras de 2021

    #045 – Chegou o momento! Uma das grandes alegrias deste canal. Conversar sobre livros!

    Nós, escritores, adoramos falar dos livros. E estamos sempre buscando referências e dicas da próxima leitura, histórias sobre a criação dos livros, o que atrai, o que não atrai, o percurso autoral de uma autora ou de outro. 

    Sim: falamos de leituras, discutimos leituras, pensamos nos desdobramentos de leituras. Vivemos dentro dos livros, somos perseguidores de bons livros, de excelentes descobertas. 

    Como reza o que hoje é já uma tradição deste canal, o episódio de hoje de Prelo apresenta as melhores leituras que fiz neste ano de 2021.

    Ficção e não-ficção, prosadores brasileiros e estrangeiros são comentados por mim, depois da árdua tarefa de selecionar cinco livros dentre tantas boas leituras ao longo deste ano.

    Clique nos títulos dos livros para adquiri-los:

    Rachel Cusk – Mérito

    Carlo Ginzburg – O Queijo e os Vermes

    José Falero – Os supridores

    Alberto Manguel – Encaixotando a Minha Biblioteca

    Eula Biss – Imunidade

    P.S. Falta pouco mais de um mês para a nossa Semana da Criação Literária, e para a abertura das inscrições do curso, que lanço apenas uma vez a cada ano, Introdução à Escrita Criativa, por onde passaram o que já estamos entendendo como uma geração de autores que têm se consagrado por seus livros, suas iniciativas, seus prêmios e nomeações. Se você quer fazer valer o seu desejo de escrever e publicar, anote já os periódo entre os dias 25 a 31 de janeiro de 2022 na sua agenda!

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    25 min
  • Ser Tempo: 5 perguntas que você precisa se fazer

    #044 – Somos tempo. 

    Isso mesmo: aquilo de que queremos nos apropriar, o objeto dos estudos todos sobre gestão de tempo e produtividade, os truques que inventamos para atenuar o que em inglês foi convencionado sob a sigla FOMO – Fear of Missing Out – ou o medo de estar perdendo alguma coisa – o tempo, enfim, que queremos possuir: surpresa. Nós somos este tempo. 

    Pode parecer bobo, mas esta consciência muda tudo. Em primeiro lugar: você nunca vai dar conta de ser tudo o que deseja ser. Há um elemento masoquista em querer ser o pai perfeito, o atleta, o profissional do ano, o artista multimeios etc etc. E talvez a frustração diante desta realidade possa ter produzido ao longo dos anos o efeito inverso: a postura abandonada, muito divertida quando a encontramos nos memes das redes sociais, mas que na sua realidade concreta não tem nada de bonito. “Desisti. Sou blasé. Niilista. Li todos os livros sobre ‘ligar o f@d#-se’ empilhadas nas mesinhas de best-sellers, e desenvolvi a ‘saudável’ apatia da sociedade do consumo.” Por inércia, integra-se comunidade que tem como ponto de identificação apenas o ato de queixar-se e de banalizar o presente.

    Predomina, muitas vezes, um curioso sentimento de que a vida ainda não começou. De que você pode estar ocupado com isso e com aquilo, apenas aguardando que isto e aquilo termine (um relacionamento, um trabalho) para começar a viver “pra valer”. Pode ser a perda de alguns quilos. Pode ser uma graduação. Mudar-se de um lugar a para um lugar b. O curioso é que este sentimento de ainda não estar vivendo já dura muito tempo, e a mudança das condições da vida não o dissipou.

    No episódio de Prelo desta semana, quero te propor cinco perguntas sobre o seu uso do tempo e sua ética de trabalho. Estas perguntas são essenciais para que você viva integralmente as consequências do sentimento de finitude e de aceitação do presente, para desenvolver a melhor versão de si mesma ou de si mesmo. 


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    27 min
  • A era das distopias: Margaret Atwood e O Conto da Aia

    #043 – Se você acompanha o canal há mais tempo, já deve ter percebido que não sou muito de falar de best-sellers. Em meu papel de difusor de obras e de professor de criação literária, prefiro dar destaque ao que ainda não foi encontrado pelo grande poder midiático. Pessoalmente, não costumo me pautar pelo que o pessoal tem lido no momento. Neste quesito, sou introspectivo. Acho que a escolha da leitura de um próximo livro deve ser absolutamente autônoma. Isso não quer dizer que eu não leia livros populares. Só não me comovo muito com o apelo da maioria.

    Se a lista dos mais vendidos fosse uma festa badalada numa mansão, você teria de procurar alguém realmente interessante na cozinha, bebericando um vinho encostado ao balcão e um pouco deslocado do agito. E é claro que tem sempre alguém interessante numa festa com muita gente. Nos últimos anos, já estiveram na lista a Clarice Lispector, na onda do "Todos os contos". Também já contou com a participação ilustre de Paulo Leminksi, estimulado pela campanha da Cia. das Letras e pela própria popularidade do querido poeta. Lewis Carroll teve o seu momento e também o querido Chico, Fernanda Torres e Veríssimo.

    Há algum tempo, encontrei o O conto da aia, de Margaret Atwood. Me rendi ao apelo e fiz uma maratona das três temporadas de Handmaid's Tale. E fui ler o romance.

    Se formos analisar essa lista, você verá que Admirável Mundo Novo e 1984 estão quase sempre por lá. O que está acontecendo? Ray Bradbury é popular entre nós. Neuromancer e Philip K. Dick.

    Neste episódio, quero conversar um pouco sobre algo que chamo de "A era das distopias" analisando particularmente o sucesso do livro de Atwood, as raízes históricas da criação de seu universo; faço comparações entre a versão literária e a audiovisual e discuto por que estamos vendo, nas séries, um retorno dos shows de tempo histórico e não mais de tempo cíclico.

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    23 min
  • Escrita & Corrida

    #042 – Faz pouco tempo que corro. Em fevereiro de 2022, vai fazer quatro anos. Levou esse tempo todo para que eu ficasse tranquilo em correr dez quilômetros sem sofrer ou ter medo de lesionar alguma parte do corpo. Antes disso, dez quilômetros parecia impossível para mim, uma distância de atletas.
     
    Correndo, descobrimos o mundo. Estamos da altura humana das coisas, ao contrário de um ônibus ou um carro, quando tudo passa por nós numa velocidade excessiva, e mal conseguimos processar uma imagem antes que sobrevenha uma segunda, e mais outra.
    O caminho dos pés é muitas vezes diferente dos caminhos dos olhos, e por isso, as paisagens que furam as linhas de fuga me parecem tão interessantes. Ao correr, alcançamos um estado de consciência muito parecido com o da escrita. O ritmo dos pés, a taquicardia, a dilatação dos poros, o devaneio solar do movimento levam a cabeça para longe. Em certo sentido, desaparecemos.
     
    Quando as coisas todas fecharam durante a pandemia, eu despertava antes do amanhecer e saía para correr. As ruas estavam desertas. Era a minha subversão, meu momento de intimidade com a cidade. E percorrendo o bairro da Santa Cecília, onde morava até há pouco tempo, eu me lembrava de outros cenários: a manhã em que corri em Lisboa e dei a volta no que parecia um pequeno coliseu. O percurso úmido no condomínio de meu irmão em Florianópolis, as ruazinhas no bairro de Ueno, em Tóquio. Ou em Kyoto, quando eu subia e descia o rio que corta a cidade do norte ao sul. Lembro de correr em Xangai enquanto via homens escrevendo no chão com pincéis gigantes, e no meu fone de ouvido escutava as notícias alarmantes do nosso país. E ontem, quando acordei cedo, venci a preguiça e o frio no Parque Natural da Serra de Collserola, nos arredores de Barcelona, quando saí para correr, pensei em como a coisa se parecia com escrever: enfrentamos a resistência, a inércia, para alcançar um lugar incomum, inusitado, maravilhoso, às vezes terrível e lúcido.

    Neste episódio, falo sobre os paralelos das atividades da escrita e da corrida. E gravei uma playlist com algumas das músicas que eu amo escutar enquanto corro. São quase todas em língua estrangeira, porque assim consigo pensar em outras coisas além da letra da música. São, é claro, do meu gosto pessoal. São músicas animadas, para dizer o mínimo, não tem nada da seleção refinada de clássicos do jazz, rock, nada erudito, evidentemente.
     
    Para escutar, acesse:
    https://open.spotify.com/playlist/4lyqc8FFX4GaAYtEehQfrz?si=f9314f84fb0541a3

    Segue a bibliografia mencionada no episódio:

    "Correr", Drauzio Varella
    "Do que eu falo quando falo de corrida", Haruki Murakami
    "Nascido para correr", Christopher Mcdougall
    "Healing backpain", John E. Sarno

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    33 min
  • Armadilhas da ficção histórica – uma conversa com Isadora Martins

    #041 –Você se lembra d’O nome da rosa? Já leu o livro?

    Neste romance, Umberto Eco conduz o leitor para dentro dos monastérios da Idade Média. O autor constrói ali uma trama de mistério, envolvendo enigmas e assassinatos que lhe são contumazes.

    O romance levou o então professor de semiótica da Universidade de Bolonha a ser conhecido mundialmente na literatura contemporânea. A adaptação cinematográfica de 1986 traz um sisudo Sean Connery no papel de William de Baskerville, polindo o personagem com um verniz de virilidade necessário a Hollywood. A força do romance, no entanto, está justamente em rejeitar estereótipos do passado para construir personagens com questões pessoais verdadeiras.

    Como Umberto Eco fez isso? Como escrever ficção histórica e soar genuíno, sem temer que na próxima página o leitor vá pescar discrepâncias?

    Umberto Eco é um consagrado pesquisador. Foi às fontes primárias, vestígios do passado que o historiador torna acessível ao romancista. Olhou para além dos sonhos febris de um tempo frequentemente romantizado, e que às vezes reproduzimos inconscientemente. É nas fontes que conseguimos aferir que um viking, fantasia favorita de supremacistas brancos nos EUA, é uma palavra utilizada na Idade Média para descrever atos de pirataria, e não uma categoria étnico-racial.

    O passado, este território político, está cheio de armadilhas. Na discussão de romances em formação no meu curso A preparação do romance, surgiu na turma o tema bastante recorrente e pertinente de como escrever um bom romance histórico.

    Como escolher bons nomes para a minha ficção? Ambientar o meu livro num universo tão distante do meu, com inspiração europeia, pode produzir distorções? De que tipo? Qual a diferença entre romancista histórico e historiador, e que liberdades o romancista não apenas pode, mas deve cometer?

    Afinal, um romance histórico pode oferecer ao leitor o seu quinhão de catarse e entretenimento. Mas não existe uma literatura “inocente”, imparcial, despojada de concepções de mundo.

    No Prelo desta semana, Tiago convidou Isadora Martins para uma conversa. Além de colaboradora do canal, Isadora é historiadora e medievalista formada pela USP. Escrevendo a sua primeira ficção especulativa, Isadora apresentou um olhar singular sobre as possibilidades e perigos de ficcionalizar o passado.

    Obras mencionadas no episódio:

    Visão do Paraíso, Sérgio Buarque de Hollanda
    A Letra e a Voz, Paul Zumthor
    O Diabo e a Terra de Santa Cruz, Laura de Mello e Souza
    O Queijo e os Vermes, Carlo Ginzburg

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    51 min
  • Viagens políticas, viagens poéticas

    #040 – Escritores sempre foram inquietos, irrequietos. Até por isso, e porque perturbavam e tinham dificuldade de se adequar, era comum que migrassem.

    Penso em James Joyce, na Itália. Em Bolaño no México. Em Hannah Arendt nos Estados Unidos. Cortázar em Paris.

    Algumas dessas migrações eram políticas. Outras, poéticas.

    Escritores viajaram para buscar um estado de consciência alterado, uma inspiração, como os pintores que buscavam as cores singulares das ilhas do pacífico. Outros migraram para sobreviver à perseguição.

    Alguns escritores fugiram da modorra social, da mesmice, da violência cotidiana. Outros, da fome.

    Cantores, pintores, poetas, circularam o mundo, exercendo o direito universal de migrar. Um direito que é marca singular da civilização humana.

    Benjamin em seu clássico O narrador falava dos dois tipos de contadores de histórias. Aquele que canta a sua aldeia. E o outro que narra as aventuras, as peripécias, o encontro com o sítio do estrangeiro.


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    21 min
  • As pessoas do livro – Como encontrar o foco narrativo de sua história

    #039 – Durante muito tempo, convencionou-se ensinar que a primeira pessoa, ao narrar uma história, era a mais incerta, a duvidosa, porque implicava numa voz parcial, um recorte específico, que derivava muitas vezes numa perspectiva enviesada da realidade.

    Como confiar num narrador assim?, diziam. Ele tem muito a perder ao contar a verdade.

    Ora, os tempos mudaram. A verdade, se passa longe dos movimentos delirantes de massas submetidas aos torpedos de zap, nunca deixou de ser uma construção frágil, social, sujeita a questionamentos incessantes. A verdade é histórica e está muito mais perto da dúvida filosófica e científica que das convicções da audiência midiatizada.

    Hoje, queremos crer que já não somos ingênuos, que sabemos que não existe narrativa sem recorte ou perspectiva. Sob essa luz, a terceira pessoa tornou-se a menos confiável, justamente por ser aquela que oculta o seu sujeito, pretende-se universal, detentora do bom senso de uma classe, de uma neutralidade, um ponto zero do olhar. A loucura do narrador de Memórias do Subsolo passa a ser mais confiável, em sua parcialidade, que a requintada mot juste de Flaubert. 

    Mas quando pensamos no foco narrativo de nossa história, serão estas as únicas implicações? O que mais devemos levar em consideração? 

    E por que o foco narrativo é tão determinante em desatar o seu processo de escrita, dando-lhe impulso, asas, voo? 

    E serão estas as únicas pessoas que existem, as únicas maneiras de narrar uma história?

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    35 min

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