Prelo

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By Tiago NovaesEducationArtsBooksHow To
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Prelo episodes

  • Atire no editor

    #018 – Uma montanha-russa. O processo de escrita pode atravessar diferentes ânimos, e seria uma pena se não fosse assim. 

    A gente fala em curtir o momento, em abraçar o lado lúdico da criação. Mas como se dá isso, propriamente? E o que esta frase deixa de lado?

    Porque quando lemos algo de Borges, por exemplo, vemos que ele não simplesmente se entregou à pulsão livre leve solta do processo. E que é uma delícia, sem dúvida. Há ali algo de elementar, abrangente, elegante e suficientemente específico em sua prosa que pressupõe a maturação, algo além de um deixar-se levar. 

    Ouça o novo episódio de Prelo e entenda por que às vezes você terá de dar um tiro no editor (metaforicamente falando, é claro, num sentido semelhante ao "matar o pai" do Complexo de Édipo). Sem antes, é claro, deixar de escutar o que ele tem a dizer.

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    21 min
  • Não Imite os Antigos – Uma conversa sobre Bashô

    #017 – Na tarde da sexta-feira passada, tive um bate-papo à distância com um grande amigo, o poeta Tarso de Melo. Nas mais de duas horas de conversa, colocamos em dia tudo o que vinha se passando nos últimos nove meses conosco – os projetos pessoais de pesquisa e as dificuldades que este longo hiato social tem nos apresentado. E também falamos de Bashô.

    Foi quando liguei o botão de "gravar" para que você pudesse participar desta conversa. É que poucos meses atrás, topei nas redes com uma fotografia de uma pilha de livros sobre o hai cai e o poeta japonês que o Tarso postara, anunciando um curso de quatro encontros sobre sua vida e obra. Impressionado pela bibliografia sugestiva, tive a ideia de convidá-lo para o Prelo.

    Bashô foi um andarilho, um sujeito que se propunha a desaparecer no ato da escrita. Seu poema era um dô, um caminho de orientação zen-budista. Por meio de uma entrega a um ofício, uma arte, consigo fazer silêncio e permitir que algo se faça a despeito de mim mesmo. É o começo e o fim de algo que apenas poderei apresentar – tornar presente – mas nunca nomear. Um poema é como um golpe de caratê, que revela num instante a realização de anos de treinamento. Um poema faz-se vida quando a vida se deixa levar pela poesia.

    "Cansei da viagem
    hoje faz quantos dias?
    Vento de outono."

    O poeta dizia que não deveríamos imitar os antigos, mas buscar o que eles buscaram. Ouça o episódio e entenda o que buscava Bashô.

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    1 hr 7 min
  • Pare de esquecer o que aprendeu – Método Zettelkasten

    #016 – Existe um conto de Borges que considero particularmente angustiante. Não sei se você conhece: é A biblioteca de Babel. Começa assim:

    "O universo (que outros chamam a Biblioteca) compõe-se de um número indefinido, e talvez infinito, de galerias hexagonais, com vastos poços de ventilação no centro, cercados por balaustradas baixíssimas."

    O universo é uma biblioteca – estamos sempre perdidos em uma rede infinita de referências. Com a idade, vamos perdendo a vista e o juízo. Quando perdermos a vista, "mãos piedosas" nos jogarão pela balaustrada.

    Mais que uma distopia, ou o lembrete inquietante da nossa impossibilidade de compreender a nossa existência, o conto é um lembrete das obras esquecidas. 

    Já te aconteceu de se angustiar em ler tanto e esquecer tanto?

    Não sei se você se dedicou a uma pesquisa para um romance policial, histórico, ou para uma ficção científica, ou mesmo em sua tese, dissertação, peça de jornalismo literário ou ensaio, e neste processo, sentiu que os instrumentos que usamos como complemento aos limites de lembrança e esquecimento do cérebro também são desorganizados e insuficientes.

    Será que devemos confiar tanto assim na memória quando preparamos um texto? Ou na capacidade rememorativa/associativa de um brainstorm? 

    Esta semana, no Prelo, apresento um método que tenho utilizado há alguns meses e tem revolucionado o meu modo de ler, de escrever e de ensinar.

    É um sistema bastante simples, criado por um pensador alemão, um sujeito chamado Niklas Luhmann. O método vai te ajudar a escolher os seus temas "de baixo para cima", escrever textos vivos, dialógicos, impregnados de um debate vivo e corrente. Trata-se do Método Zettelkasten.

    E para os autores de ficção, é uma maneira de apropriar-se daquilo que lê, sem sobrecarregar a nossa atenção, criando um sistema cumulativo e processual de leitura e aprendizagem.

    Clique AQUI para assistir ao tutorial que preparamos.

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    46 min
  • A Crise da Insuficiência

    #015 – A palavra mindset está em voga. Utilizada em diversas áreas, ela já desbota, talvez um tanto banal, como um placebo para silenciar as inquietações que permeiam o capitalismo tardio.

    Apesar de seu emprego ter sido trivializado, o mindset é um conceito que pode ajudar a compreender algumas dificuldades que acompanham o processo da escrita. Por isso, essa semana Prelo volta à origem do mindset a partir do livro de Carol Dweck, pesquisadora e professora do departamento de psicologia na Universidade de Standford.

    Trata-se de um enquadre mental, um conjunto de crenças interligadas, e as atitudes que advém dessas condições. Configura também as hipóteses de edificação de uma trajetória em qualquer área que seja desafiadora, aqui para nós representada pela escrita.

    Pensar sobre o mindset implica sobretudo uma reflexão sobre os fracassos, o que é desafiador em um mundo que nos pauta pelos sucessos. Aumentar a tolerância para as frustrações pode ser decisivo na sua formação como escritor ou escritora, pois é isso que vai permitir que você se desvencilhe dos medos de não ser bom o suficiente.

    Desconstruir a estética do gênio é libertador. Já no século XIX Hegel queimava as pontes que os iluministas haviam construído, em que gênio e talento são indissolúveis. O mindset dinâmico permite o empenho na construção de um caminho que escolhe enfrentar os entraves e os contratempos. O esforço pode ser tão compensador quanto o talento quando você abraça a plasticidade das suas crenças.

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    26 min
  • Como estruturar uma obra

    #014 — Estruturar ou não: eis a questão. Conversamos hoje sobre a possibilidade de seguir por um caminho que você já riscou no chão antes de começar a percorrê-lo. 

    Afinal, você não precisa tatear pela sua obra às cegas. De muitas maneiras, levantar um alicerce para a sua narrativa significa assenhorear-se do próprio livro, trazer de volta para si o que sempre foi seu. 

    Claro, há mais de uma opinião sobre o assunto. Esse é um tema que mobiliza escritores: você pode conversar com vários deles e não encontrar duas convicções idênticas. A escrita é um ato de espontaneidade? Ou exige um método rigoroso de trabalho, como as ciências, como a dureza das tecnologias que regram o nosso tempo?

    Pode ser que você tenha se descoberto um escritor de inspiração inconstante, e esteja encarando seu último bloqueio criativo como uma expiação necessária. Mas há muitas conciliações possíveis entre a sistematização do seu fluxo de escrita e as paixões que levaram você ao projeto. No papo de hoje propomos a estruturação como liberdade para criar de forma mais tranquila, e não como limitação enrijecedora.

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    39 min
  • A revolução do analógico

    #013 – Você há de reconhecer: as redes sociais saíram do nosso controle. Seus efeitos têm extrapolado o que prevíamos como uma mera ferramenta de sociabilidade e trabalho e começaram a moldar a subjetividade contemporânea.

    Por que isso é importante para o nosso ofício como escritor?

    Venho reparando, tanto em alguns colegas quanto nos participantes de minhas oficinas, em uma tendência à irritabilidade, ao fôlego curto, a uma queixa constante em relação à própria falta de foco. Muita gente que se formou no romance russo novecentista dizendo que não estava mais com paciência para ler parágrafos longos. Ao mesmo tempo, a experiência de escrever um trechinho de qualquer coisa sem conseguir evitar o ato compulsivo, a cada cinco minutos, de interromper-se para verificar as novidades mínimas em um celular.

    A escrita demanda um exercício de concentração em uma atividade exigente, elevada, altamente sofisticada, que requer atenção a nuances e sutilezas. Ela exige uma atenção complexa ao grão e à praia, ao devaneio disponível e à forja do detalhe. 

    Mas há uma força poderosíssima no sentido contrário e que anda nos emburrecendo. Em uma sociedade de excesso de informação, a escassez é a do foco, da concentração, do trabalho vertical. Justamente a habilidade requerida para escrever um conto, uma crônica, um romance. Esta força dispersiva tem sido cada vez mais intensa, quanto maior é o investimento – estamos falando em milhões de dólares – das empresas como Google e Facebook de aperfeiçoar uma máquina acessível como o smartphone que explore nossas fragilidades e que funcione como um caça-níqueis. 

    A luta tem sido desigual. 

    Mas eu preciso das redes para divulgar o meu trabalho! Estou isolado: como faço para conversar com as pessoas?

    Quero te propor um experimento. Se você é dos que não têm conseguido ficar longe do celular por muito tempo, este experimento seguramente irá acabar com a angústia de fundo provocada pela necessidade de aprovação que as redes têm estimulado. Ele irá propor interações reais e verdadeiras no lugar da amizade superficial com milhares de contatinhos, além de um tempo de silêncio genuíno, sem os efeitos de abstinência.

    O seu romance, afinal, é mais importante do que acompanhar o churrasco de domingo daquele amigo da adolescência que você nunca mais encontrou. 

    É a proposta de voltar a fazer das redes sociais uma ferramenta como outra qualquer: como uma bicicleta ou uma máquina de escrever. De readquirir a autonomia, restringindo um pouco liberalidade descontrolada que os engenheiros deste mercado de atenções têm estimulado com eficácia avassaladora.

    Recomendo com bastante veemência que você escute este episódio de Prelo e comece, na contracorrente da revolução digital, uma revolução analógica.

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    40 min
  • Algoritmo

    #012 – Em 2017, como parte de um evento organizado pela escritora Paloma Vidal e intitulado "Escrita e Separação", Tiago Novaes criou um breve conto, feito para ser lido em voz alta, e que depois foi publicado pela editora Quelônio.

    Aproveitando o fato de que agora o canal oferece um programa em áudio – o Prelo –, o episódio de hoje propõe a você o embarque na leitura deste conto.

    Algoritmo é uma combinação de narrativa, autoficção e ensaio que investiga o dispositivo de funcionamento de um aplicativo de relacionamentos. No livro, o autor chama o aplicativo de Algoritmo.

    O texto parte de experiências pessoais nesse programa e avança como uma reflexão investigativa sobre como desejar, estar sozinho, expor-se e se relacionar na atualidade. Ao mesmo tempo, Tiago faz um reflexão bem humorada e aguda sobre as armadilhas da vida afetiva na era da câmera e dos aplicativos.

    Para adquirir o conto, clique AQUI para a obra impressa, e AQUI para o ebook.

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    29 min
  • Tudo o que a realidade pode ser – Conversa com Ingrid Tabares Fagundez

    #011 – Convenhamos: está difícil dar conta de tanta realidade. Antigamente, dizíamos: haja hoje para tanto ontem. Hoje, podemos dizer: haja amanhã para tanto hoje.

    Como dar conta de tanto presente? E como valer-se dos recursos da ficção para falar da realidade?

    Mais uma vez, conversamos no Prelo sobre a não-ficção. E como já dissemos, não apenas porque se trata de um mercado de livros que mobiliza milhões de leitores, mas porque estamos precisando de companhia para compreender as coisas que estão nos acontecendo.

    Jornalismo literário, ensaio, biografia, teses e dissertações – a não-ficção abarca um campo enorme e recria o método da escrita.

    Nesta conversa, contamos com a participação de Ingrid Tabares Fagundez. O encontro transmitido neste episódio foi realizado originalmente em um evento organizado pelo canal Escrita Criativa.

    Um pouco sobre a nossa convidada: Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina e mestre em Biografia e Gêneros de Não-Ficção pela University of East Anglia, na Inglaterra, Ingrid foi repórter da Folha de S.Paulo, onde passou pelo caderno Mercado e pela revista sãopaulo, e do serviço brasileiro da BBC, onde ainda cobre comportamento e política. Está trabalhando em seu primeiro livro de não-ficção, que reconta mitos amazônicos sob a luz da destruição da floresta.

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    1 hr
  • As palavras de Machado de Assis

    O que aprendemos sobre o ofício do escritor com o trabalho da tradução? E o que podemos aprender traduzindo um dos maiores escritores não apenas do Brasil, mas da língua portuguesa e de toda a literatura ocidental?

    Neste episódio de Prelo, Tiago conversa com Flora Thomson-Deveaux, tradutora da mais recente edição para o inglês, publicada pela Penguin, de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Foram cinco anos de trabalho, de investigação lexical, de reconstituição histórica e ambiental de um ambiente linguageiro, perfazendo o caminho da "pena da galhofa" e da "tinta da melancolia".

    Flora Thomson-Deveaux elaborou a tradução como parte de seu doutorado na Universidade de Brown. Formada em Princeton, teve contato com o nosso português traduzindo partes de uma biografia da Carmen Miranda. A leitura ofereceu um vislumbre do mundo cultural brasileiro. A partir daí, foi um pulo até que desejasse vir ao Brasil para um intercâmbio. Flora veio e ficou. Fala o português como uma carioca da gema.

    Neste bate-papo, conversamos sobre a sonoridade do português, a exploração de dicionários, a surpresa machadiana aos olhos estrangeiros, a recepção da literatura brasileira no consistente mercado editorial estado-unidense – e aventamos hipóteses do fenômeno notável de esta tradução de Machado estar vendendo como banana nos EUA (ou como diriam eles, like hotcakes)

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    57 min
  • A história por trás de um romance

    #009 – No percurso de uma escritora ou de um escritor, há sempre um livro que o funda, que o inaugura em seu lugar, a partir do qual se consegue desenvolver uma voz própria, um sentido autoral.

    Neste episódio de Prelo, Tiago conta a história de Documentário, o romance duplamente premiado pela Funarte, que o levou a revirar os segredos escondidos pelos seus familiares e a superar um bloqueio criativo ligado ao silêncio que seu pai guardava em relação ao período em que foi preso e torturado durante a ditadura militar.

    A partir de uma conversa franca e íntima, a discussão abre a possibilidade de enxergar dificuldades e obstáculos do ato de escrever em uma força galvanizadora da elaboração literária.

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    Ebook – Documentário

    38 min

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