Vários são os assuntos que dominam os jornais franceses, desde trabalhadores europeus, na União europeia, passando pela extrema-direita, no Parlamento alemão, até à situação na República centro-africana.
LE MONDE, titula, Emmanuel Macron, arranca a ferros um acordo sobre trabalhadores europeus que exercem suas profissões em diferentes países da Europa.
A França conseguiu ontem, que fossem endurecidas regras de destacamento de trabalhadores no seio da União europeia. A duração dos contratos será limitada a 12 meses, os salários alinhados pelos ordenados do país de acolhimento.
Esta revisão era uma promessa de campanha do presidente francês, que terá conseguido vencer a hostilidade de diversos países da Europa de leste, acrescenta, LE MONDE.
Merkel face ao choque da extrema-direita, pertence ao jornal, LE FIGARO. Um mês depois das eleições federais na Alemanha, 92 deputados do partido da extrema-direita entram no Parlamento alemão, quebrando assim um tabú e colocando a chanceler alemã sob pressão.
No seu editorial, os fantasmas do Reichstag, LE FIGARO, nota que Merkel tem a sua parte de responsabilidade na entrada no Parlamento dos deputados da Alternativa para a Alemanha, pela primeira vez desde o pós-guerra.
Os alemães vêem chegar ao Bundestag, Parlamento alemão, eleitos de um partido cujo chefe afirma sentir-se orgulhoso da acção do Wehrmacht, o exército alemão de Hitler, durante a segunda guerra mundial, para além de certos dos seus membros relativizarem a Shoá ou holocausto nazi, sublinha o editorial do FIGARO.
Mudando de assunto, sobre a França, o jornal L'HUMANITÉ, titula, Austeridade de envergadura para a saúde no projecto do orçamento 2018. O governo quer eliminar até 2020 o défice do conjunto dos 4 ramos de previdência social, a saber, doença, velhice, família e acidente de trabalho/doença profissional.
O governo entende, pois, reduzir 3 mil milhões de euros de défice, já no próximo, situando-o nos 2 mil e 200 milhões de euros, o nível mais baixo desde 2001.
Só que o contexto económico actual é radicalmente diferente daquele de 2001, quando a economia francesa tinha criado empregos em larga escala com a implementação da carga horária semanal de trabalho de 35 horas, tendo ainda beneficiado de um crescimento de 3,5%, em média, entre 1998 e 2000, sublinha o jornal, L'HUMANITÉ.
LA CROIX, por sua vez, titula Calais quer virar a página. Um ano depois do desmantelamento do acampamento de imigrantes, o jornal faz uma reportagem junto de habitantes e associações da cidade portuária. Há um ano, o estado transferia, em poucos dias, 7,400 imigrantes do acampamento, a chamada selva de Calais, para centros de acolhimento em várias regiões.
40% são afegãos, 35% eritreus e 7% sudaneses, dos quais muitos deles, ainda dormem ao relento, sublinha, LA CROIX.
Enfim, LIBÉRATION, dedica a sua primeira página, à República centro-africana, país esquecido pelo mundo. É a nação menos desenvolvida do planeta. Um ano após a retirada das tropas francesas, a RCA, está de novo entregue às milícias e a afundar-se no caos.
Esta longa reportagem do LIBÉRATION, coincide com a chegada, esta terça-feira, àquele país, do secretário-geral da ONU, António Guterres, para alertar sobre, como diz, uma "crise dramática, mas uma crise esquecida”, com apenas 30% por cento dos fundos previstos para responder ao desastre humanitário, a ser desboqueados, acrescenta, LIBÉRATION.