Você, claro, já percebeu que nos últimos anos muita gente perdeu o pudor em defender ditadura, tortura, negar a ciência. Essas pessoas sempre existiram, mas a ascensão do bolsonarismo deu uma espécie de aval pra que esse tipo de manifestação fosse, digamos, naturalizado. E isso não é por acaso. Esse comportamento tem método, tem cartilha, manual e financiamentos milionários. No Brasil e no exterior. Só que nem sempre a gente consegue identificar esses movimentos com clareza, ou na velocidade necessária pra impedir que eles se propaguem. As redes sociais e os famosos grupos de WhatsApp estão aí pra provar. Nesse episódio do Roteirices, Carlos Alberto Jr. entrevista Letícia Oliveira, que nos últimos anos tem se dedicado a estudar o Tradicionalismo e a mapear a ação de grupos neofascistas no país: quem são essas pessoas, a quais grupos pertencem, como eles se relacionam entre si e quem são seus ideólogos, de Steve Bannon a Olavo de Carvalho, passando pelo russo Alexander Dugin, todos com grande influência e atuação no Brasil. Não é coincidência que nos próximos dias 3 e 4 de setembro acontecerá em Brasília a segunda edição da versão brasileira da Cpac, ou Conferência de Ação Política Conservadora. Como o próprio nome sugere, é o evento da direita conservadora mais importante dos Estados Unidos.