Filho de um militar do Exército que trabalhou no DOI-CODI com o então major Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador responsável pela unidade do aparelho repressor da ditadura militar em São Paulo na década de 1970, o jornalista Silvio Queiroz revisita a história do próprio pai, Leomar Vasconcelos de Queiroz, na tentativa de esclarecer o grau de envolvimento dele nas torturas praticadas contra os opositores do regime.
Produção e apresentação: Carlos Alberto Jr.
Contato: [email protected]
Poema de Silvio Queiroz para o pai, Leomar Vasconcelos de Queiroz.
engolida à força de um caldo
Braços fortes, ombros largos
de conforto no meu quarto:
encravados no rosto moreno
onde estás que só te escuto
Uma noite, olhar tristonho
o perfume da loção de barba
gravado em meu olfato semimorto
como quando, ainda criança,
Amor traçado em linhas tortas,
obscuras, fantasmagóricas
História riscada a a bico de pena
de uma alma ainda pequena
num coração pra sempre inquieto,
que pulsa aos sobressaltos
tomam as noites de assalto
— mas dançam de mãos dadas,