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Arquicast episodes

  • Arquicast 076 – Os 25 anos do Programa Favela-Bairro

    Participam: Adilson Amaral (@adilsonamaral), Rapha Rodrigues (@_rapha), Aline Cruz (@alinecruzarquicast), Jacira Saavedra (facebook) e João Huguenin (facebook).

    Este ano o Programa Favela-Bairro completou 25 anos desde sua criação e vários eventos e artigos repercutiram o assunto, fazendo um balanço dos impactos do programa na questão habitacional urbana nas cidades por ele contempladas. (link) Nós do Arquicast também abordamos o assunto no cast 76, já disponível em nossas plataformas.

    E para tratar do tema chamamos, como de costume, dois colegas especialistas em diferentes enfoques dentro do campo de habitação social no Brasil. São eles: Jacira Saavedra, arquiteta e doutora em Urbanismo, com larga experiência na área de projetos e concurso de projetos, além de coordenadora da equipe vencedora com louvor do concurso Morar Carioca, organizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil. E João Paulo Huguenin, arquiteto, mestre em Urbanismo (PROURB/UFRJ) e doutorando pelo mesmo programa, onde pesquisa sobre projetos colaborativos em habitação de interesse social na América Latina. Em seu currículo constam ainda participações e premiações em concursos de projeto e trabalhos em ensino, pesquisa e extensão sobre assessoria técnica para movimentos sociais de moradia.

    Entender o programa Favela-Bairro e o contexto em que foi criado envolve trazer a tona o conceito de favela e os adventos históricos que contribuíram para o seu surgimento e expansão. O processo de favelização é parte ativa do crescimento urbano carioca há mais de 100 anos e durante este tempo foi objeto de diferentes iniciativas de políticas públicas com diferentes ideologias. No princípio do século XX alguns paradigmas do urbanismo higienista nortearam as políticas públicas para uma visão negativista da favela, tendo o processo de remoção de comunidades inteiras como resultante física desta visão.

    Em contraposição à visão da remoção como solução para o crescimento e adensamento urbano, surgiu, entre as décadas de 60 e 70, a proposta de urbanização de favelas não como uma erradicação de um problema, mas como uma alternativa para a questão de acesso à moradia para a população de baixa renda,  provocando uma polarização no debate nacional sobre o tema.

    O programa Favela-Bairro surge como alternativa desta visão mais recente, que entende a urbanização de áreas já consolidadas como premissa democrática pertinente às políticas públicas voltadas para a coletividade. O foco é na adequação da infraestrutura urbana que garante o direito à cidade como direito de todo o cidadão e, assim sendo, as propostas não contemplavam necessariamente a construção da moradia em si, mas de toda a rede urbana indispensável à função plena do habitar.

    A distância temporal desses 25 anos de construção de conhecimento sobre intervenção em favelas permite o olhar crítico e as ponderações sobre erros e acertos do programa. E foi esta oportunidade que nos possibilitou conversar sobre o tema e sobre os rumos da política habitacional no Brasil a partir destas experiências. Ouça o cast para saber mais! Até a próxima!

    Link para matéria no ArchDaily

    Comentados no episódio:

    • Canal Youtube | Não vai cair no ENEN
    • Filme: “5x favela, agorapor nós mesmos” | Globofilmes
    • Provocações 61: Moradores de Rua | YouTube
    • Profissão Repórter: Crescimento das Milícias
    • Livro: A Estética da Ginga. A arquitetura da Favela | Amazon
    • Podcast: Foro de Teresina | Revista Piauí

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      1 hr 3 min
    • Arquicast 075 – Escalas e Lugares

      Participam: Adilson Amaral (@adilsonamaral), Rapha Rodrigues (@_rapha), Aline Cruz (@alinecruzarquicast) e Fred Halfeld.

      Aproveitando da oportunidade de participar da 9º Semana de Arquitetura e Urbanismo do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF), nós do Arquicast gravamos o programa da quinzena a partir do tema que deu nome ao evento: Escalas e Lugares. Ocorrida em maio, a semana foi organizada pelos alunos do curso e contou com uma série de palestras e atividades, dentre as quais este programa especial, abordando algumas relações sobre a importância da escala e do lugar no processo de ensino e de prática de projeto, em suas diferentes dimensões. O convidado foi o arquiteto e professor Frederico Halfeld que compartilhou com a gente um pouco da sua experiência como docente, além de outras percepções sobre o tema.

      Falar de escala de projeto é abordar diferentes oportunidades de intervenção na cidade, com diferentes possibilidades de aquisição de conhecimento. Na conversa que tivemos encaramos a escala não apenas como o tamanho do projeto, mas também a intensidade de seu impacto em determinado contexto, sua influência sobre os usuários, a complexidade de suas atividades e correspondências espaciais. Quais desafios são observados em cada uma das modalidades de projeto que as diferentes escalas oferecem ao arquiteto? Abordamos um pouco dessas questões a partir das experiências de ensino em projeto arquitetônico e projeto urbano.

      Seguindo semelhante compreensão, ao abordarmos a questão do lugar procuramos demonstrar a complexidade inerente ao tema, que transcende a materialidade física do construído. Abordar o lugar enquanto uma condicionante do projeto envolve dimensões simbólicas e temporais pertinentes a outros campos do conhecimento, mais sensíveis aos fenômenos culturais, econômicos e sociais que configuram a realidade urbana.

      Quando essas questões tangenciam a problemática da formação do arquiteto, ou seja, vistas pelo prisma do ensino de projeto, escalas e lugares ganham ainda maior relevância porque ajudam a estruturar a sequência e a interdisciplinaridade dos saberes necessários à prática arquitetônica e urbana. Por exemplo, os temas de cada disciplina de projeto e seu faseamento na grade curricular de cada período/ano do curso têm impactos na definição do instrumental necessário ao respectivo processo projetual e impactam também as demais disciplinas correlatas na grade.

      Outro aspecto levantado no bate-papo foi a influência de problemas da sociedade urbana, local e global, na definição dos objetivos do ensino e, por consequência, nas escalas e lugares oportunizadas na experiência projetual. Temáticas como mudanças climáticas, desigualdade social, instabilidade política, crescimento urbano, para citar algumas, são parte do debate contemporâneo sobre a cidade e sobre a qualidade de vida na cidade, sendo, portanto, objetos de interesse da formação do arquiteto e do projeto.

      Link para matéria no ArchDaily

      Comentados no episódio:

      • Livro: Acupuntura Urbana. Jaime Lerner | Estante Virtual
      • Podcast “O Aluno do Futuro” | Braincast 299
      • Livro: SMLXL. Koolhaas e Bruce Mau | Amazon
      • Vampire Weekend | site | Album Father of the Bride | Spotify
      • Corredor Cultural JF | site
      • Pint of Science | site

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        52 min
      • Arquicast 074 – Série: “A cidade no Brasil”

        Participam: Adilson Amaral (@adilsonamaral), Rapha Rodrigues (@_rapha), Aline Cruz (@alinecruzarquicast) e Isa Grinspum Ferraz (instagram), Alvaro Giannini (site)

        O cast da quinzena aborda a série do SESCTV chamada “A cidade no Brasil”, inspirada na publicação de mesmo nome do antropólogo, historiador, poeta e ensaísta Antônio Risério. Quem dirige a série e é uma das nossas convidadas para o cast é a socióloga e cineasta Isa Grinspum Ferraz, que tem entre seus trabalhos a série documental “O povo brasileiro”, baseada na obra de Darcy Ribeiro, e o documentário “Marighella”, de 2012. Completando o time de convidados, o arquiteto e urbanista Álvaro Gianninni traz sua visão de expectador entusiasmado com com a proposta do canal.

        O SescTV é o canal cultural do Sesc São Paulo e oferece gratuitamente pela internet – e em alguns canais por assinatura – conteúdos idealizados e produzidos por eles, a fim de valorizar as diversas formas de arte e informação cultural. Com uma programação variada, dentro da grade ou ondemand, possibilita o acesso à espetáculos musicais, teatrais, artes visuais, cultura regional e, no que tange ao nosso campo de interesse, arquitetura.

        É neste nicho que se encontra a série “A cidade no Brasil”, um retrato multidimensional da formação das cidades no Brasil em diferentes tempos e enfoques. São ao todo 10 programas que buscam explorar as diferentes realidades sociais e urbanas no Brasil a partir de uma livre elaboração histórica, permeada pelo olhar poético de Risério e materializada sob as lentes cuidadosas e sensíveis de Isa Grinspum. Uma verdadeira aula sobre formas de olhar e compreender o fenômeno urbano brasileiro em sua heterogeneidade.

        Os currículos de Risério e Grinspum falam por si só, mas a dupla ainda trouxe para os programas uma série de depoimentos e contribuições de especialistas e personalidades de diferentes áreas, ilustrando o caráter multifacetado com que o urbano pode ser apreciado. Caráter este também reconstituído através de imagens fílmicas de grandes cineastas, que em suas películas também fazem uma análise crítica da nossa sociedade e sua relação com o espaço que habita e modifica.

        Falamos sobre a ideia por trás da série, sobre a figura de Risério e sua contribuição para a historiografia das cidades brasileiras, sobre a importância da visão poética, não especializada, como ferramenta complementar de leitura da cidade, entre outros assuntos que permeiam o universo onde arquitetura, literatura e cinema dialogam.

        Link para matéria no ArchDaily

        Comentados no episódio:

        • Livro: “Grande Sertão: Veredas” | Amazon
        • Casacadabra | Pistache Editorial
        • Livro: “Brasil: uma biografia” | Amazon
        • Livro: “O processo de urbanização no Brasil” | Amazon
        • Livro: “Formação do Brasil colonial” | Estante Virtual

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          51 min
        • Arquicast 073 – 11 maneiras de se tornar um(a) arquiteto(a) melhor

          Participam: Adilson Amaral (@adilsonamaral), Rapha Rodrigues (@_rapha), Aline Cruz (@alinecruzarquicast) e Ana Paula Capellano (facebook)

          O cast da quinzena traz um papo leve sobre um assunto de total interesse do arquiteto. Inspirados na matéria publicada no Archdaily “11 maneiras de se tornar um arquiteto melhor (sem fazer arquitetura)”, convidamos a jornalista Ana Paula Capellano para divagarmos sobre formas não convencionais de adquirirmos habilidades gerais que podem ser aplicadas ao universo da arquitetura e urbanismo. Discorremos sobre os 11 tópicos propostos pelo texto compartilhando nossas experiências pessoais e, naturalmente, algumas divertidas discordâncias.

          Entre as sugestões no campo do audiovisual, a reportagem de Ariana Zilliacus sugere jogar videogame e assistir TEDTalks como formas de lazer que repercutem positivamente no aprimoramento do arquiteto. Os games fazem parte da vida cotidiana de toda uma geração de jovens e requerem habilidades monitoras e cognitivas no engajamento com o usuário. Seja na concepção de espaços irreais/imaginários, seja na exigência corporal que demanda reflexos rápidos e capacidade de tomada de decisão. Os talks também vem se tornando uma ferramenta de aprendizagem bem-vinda para o arquiteto. Também pelo conteúdo específico que venha a abordar, mas, mais ainda, pela capacidade de síntese que demanda do orador, que tem poucos minutos para introduzir, desenvolver e concluir sua temática, e precisa, ainda, cativar a plateia exigente que o assiste. Portanto carisma, síntese e retórica são qualidades apreendidas também por quem assiste.

          Os tópicos 5 (Desmontar coisas), 6 (Pintar e Fotografar) e 11 (Tocar algum instrumento musical) poderiam ser reunidos aqui pelo fato de representarem possíveis hobbies que vão muito além de simplesmente ajudar a passar o tempo. São atividades que demandam concentração multifocada – para desempenhar mais de uma ação ao mesmo tempo – persistência e sensibilidade. 3 características fundamentais ao bom desempenho do arquiteto e urbanista.

          Já os itens 7 (Oferecer jantares) e 8 (Viver na Natureza) abordam oportunidades de aprendizagem quase opostas, porém complementares, e ambas podem fazer parte do cotidiano das pessoas sem requerer grandes adaptações. Ou seja, podem ser colocadas em prática hoje mesmo! Os espaços de intimidade que as oportunidades que alguns encontros sociais oferecem servem tanto às habilidades de comunicação e engajamento, quanto às que envolvem domínio técnico da pequena escala, como iluminação adequada, composição da mesa e do cenário, entre outros investimentos que se possa fazer para receber com qualidade e diferencial. Viver na natureza, por sua vez, faz lembrar à consciência da importância da vida equilibrada, do bem-estar relativo ao contato com o meio ambiente natural e de sua eminente fragilidade.

          “Viajar com pouco dinheiro” (9) e “Ser voluntário em projeto social” (10) trazem para o debate a importância de uma consciência social do papel do arquiteto e da necessidade de se estar próximo da realidade das pessoas para melhor compreender suas culturas e demandas. São formas de sair de nossa “bolha social” e exercitar a empatia para com o outro e seu contexto. Habilidade mais do que necessária à contemporaneidade.

          E claro, o tópico (2) “Ler literatura de ficção” naturalmente faz referência ao hábito da leitura não especializada como forma de ampliar os horizontes culturais e criativos do arquiteto. Dentre essas formas, foram mencionadas a capacidade de entender os diferentes perfis psicológicos e culturais das pessoas, a partir da criação de personagens; a capacidade de recriar imageticamente cenários e lugares descritos verbalmente nas histórias; e a capacidade narrativa de engajamento com o leitor. Quer saber mais sobre nosso ponto de vista a respeitos desses temas? Não deixe de ouvir! Até a próxima!

          Link para matéria no ArchDaily

          Comentados no episódio:

          • TED 2014 | Mark Ronson
          • TEDx Rio 2011 | Marcelo Camelo
          •  Livro: “Paris no século XX” Julio Verne | Livraria Cultura
          • Biografia Olga Krell | Matéria Casa.com.br
          • Artigo sobre 6 casas de Alberto Campos Baeza | Artigo Anparq

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            1 hr 21 min
          • Arquicast 072 – Os 100 anos da Bauhaus

            Participam: Adilson Amaral (@adilsonamaral), Rapha Rodrigues (@_rapha), Caio Smoralek Dias (@caiosmoralekdias) e Romullo Baratto (autor@ArchDaily)

            Aproveitando as comemorações pelos 100 anos de sua fundação, o Arquicast #72 fala sobre a Escola Bauhaus e a influência que teve na formação de uma geração de arquitetos, além da influência na própria estruturação do ensino de arquitetura e urbanismo nos diversos cursos espalhados por diferentes continentes. Convidamos o arquiteto Caio Dias, do Portal Projetar, e o arquiteto e editor do Archdaily Rômullo Barato para este bate-papo que, de maneira informal e informativa, percorreu um pouco da história da escola, de seus fundadores e de todo o contexto que sempre influenciou os diferentes momentos vividos pela instituição.

            Inicialmente sediada em Weimar e conhecida por priorizar a relação entre teoria e prática na formação profissional, a ideia da Escola nasce dos movimentos vanguardistas da virada do século XIX para o XX, especialmente o movimento Arts&Crafts na Inglaterra e o DeutscherWerkbund na Alemanha, ambos envolvidos em compreender e explorar a relação entre a nascente industrialização e os modos de produção social e urbana que impactaram o mercado de trabalho e a vida em sociedade. Será dentro do contexto sindicalizado dos trabalhadores artesãos e dos arquitetos que se destacará a figura de Walter Gropius, primeiro diretor e fundador da escola, para a qual empresta toda a sua ideologia sobre o que é arquitetura e sobre a importância utilitária do fazer artístico pertinente à disciplina de design nas suas diferentes manifestações.

            Apesar de reconhecerem ao menos três diferentes etapas que marcam o percurso histórico da escola a partir de sua fundação, nossos convidados destacam a premissa de ruptura e inovação que permeou todas elas, na qual o pensamento social esteve presente na busca por uma ampliação do alcance do bom design para o cotidiano das pessoas, na valorização do saber-fazer tradicional dos mestres artesãos e na reflexão sobre o melhor emprego da tecnologia disponível, em diferentes escalas. Tal quebra de paradigma no ensino resultou num corpo docente bastante heterodoxo, com professores como JohhanesItten e sua visão individualizada do processo de ensino e aprendizagem; e também se encontra refletido na estrutura curricular e no próprio espaço físico da escola, como foi possível perceber com a construção da segunda sede, em Dessau.

            O projeto do edifício de Dessau, de autoria de Walter Gropius, reflete a ideologia da escola e seu compromisso com o geniu loci de seu tempo, explicitado nos materiais e processos construtivos que caracterizam a obra. Toda a lógica de implantação, a escolha do terreno e o programa, que incluía a residência de professores e alunos, reforçam a visão de seus fundadores que muitas vezes foi de encontro aos costumes da população e até mesmo às políticas dominantes, trazendo conflitos ideológicos para o interior da escola e interferindo em sua proferida autonomia, como comentam os convidados. O período entre guerras e a ascensão do partido nazista na Alemanha são exemplos de como o contexto influiu na estrutura original da escola, física e administrativamente.

            Ouça aqui para saber mais sobre as diversas nuances de uma mesma história, além de curiosidades que certamente irão enriquecer o legado de uma das mais importantes matrizes de ensino de arquitetura e urbanismo, sendo referência ainda nos dias atuais, a ver pelas centenas de celebrações mundo afora dedicadas ao tema.

            Link para matéria no ArchDaily

            Comentados no episódio:

            • Podcast 99% invisible | episódio Froebel’s Gifts
            • Livro:”Bauhaus” Magdalena Droste | Amazon
            • Palestra: “O lugar da mulher na arquitetura moderna” | Silvana Rubino | Youtube
            • Matéria Archdaily: “As mulheres esquecidas da Bauhuas” | link
            • Documentário Camarote21 | DW | link
            • Matéria especial Jornal Nexo | link
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              1 hr 18 min
            • Arquicast 071 – Pritzker 2019: Arata Isozaki

              Participam: Adilson Amaral (@adilsonamaral), Aline Cruz (@alinecruzarquicast), Rapha (@_rapha) e Bruno Sarmento (facebook)

              Este ano, o Prêmio Pritzker anunciou o japonês ArataIsozaki como laureado de 2019. O arquiteto, desde a década de 1960, é considerado como um visionário pelos seus pares e tem seu trabalho vinculado a uma articulação entre as culturas ocidental e oriental, reinterpretando influências globais em sua arquitetura. Neste episódio #71, nossa conversa abrange tanto o campo multicultural pelo qual passou Isozaki em mais de 100 obras construídas, quanto pela peculiaridade do conceito de “Ma”, interpretação dos espaços intersticiais de uma obra arquitetônica.

              No Arquicast desta quinzena, revisamos os dois anos de premiação do Pritzker desde nosso episódio #20, que além de discutir o prêmio em si, procurou observar a tendência do júri na premiação do escritório hispânico RCR Architectes (Rafael Aranda, Carme Pigem e Ramon Vilalta) e do indiano Balkrishna Doshi. O Pritzker de 2019 pode parecer, num primeiro momento, um retorno à tradicional linha de premiar o “conjunto da obra”. Mas, se observarmos de forma mais aprofundada, percebemos que o trabalho de Isozaki vai além. Segundo o próprio Júri, “sua arquitetura repousa na compreensão profunda, não apenas da arquitetura, mas também da filosofia, história, teoria e cultura.”

              Arata Isozaki é discípulo de Kenzo Tange, ganhador do Pritzker de 1987, com quem trabalhou por 9 anos depois de sua graduação. Fez parte, junto com Tange, do Movimento Metabolista, fundado em 1959, onde desenvolveu-se a ideia de cidade do futuro, através de megaestruturas e crescimento biológico urbano. O Plano para a Baía de Tóquio (1960) de Kenzo Tange foi o mais conhecido do grupo dos Metabolistas. A contribuição de Isozaki foi a Cidade no Ar, feita em 1962: pensada em formato de árvore, o plano procurava dar “uma resposta à rápida taxa de urbanização”.

              O arquiteto foi também o primeiro de seu país a trabalhar em projetos fora do Japão.Edifícios como o Museu de Arte Contemporânea em Los Angeles (1986) e o Team Disney na Flórida (1991) são suas obras mais famosas nos EUA. Na Europa, foi responsável pelo Estádio Sant Jordi para as Olimpíadas de 1992 e pelo Tribunal de Entrada da Fórum La Caixa (1992), ambos em Barcelona. Além disso, levou sua arquitetura para países como a China, Qatar, Itália e Grécia, atendendo a diferentes programas e escalas.

              O trabalho de Isozaki foi interdisciplinar, trabalhando com cenografia, design de moda, além de crítico e escritor. Curiosamente, o arquiteto fez parte da primeira geração de jurados do Prêmio Pritzker, entre os anos 1979 a 1984. Curiosamente, Isozaki é o oitavo japonês a ganhar o prêmio, sendo o Japão o país mais laureado na premiação.

              Entre o início de sua carreira, influenciado pelos efeitos das bombas atômicas de Hiroshima e Nagazaki até os dias atuais, Arata Isozaki é um arquiteto que sempre demonstrou qualidade projetual e a reflexão sobre sua própria arquitetura. Neste episódio, procuramos discutir seu trabalho, sua maneira de compreender o espaço arquitetônico e as peculiaridades presentes na cultura oriental. Apesar desta cultura ser o fio condutor de seu pensamento, Arata Isozaki não se nega a reinterpretar suas formas, na busca por uma constante atualização.

              Comentados no episódio:

               

              • Livro:”Espaço, Tempo e Arquitetura” S. Giedion | Estante Virtual
              • Livro: “A disputa que mudou a Renascença” Paul Robert Walker | Estante Virtual
              • Livro: “Kenzo Tange Estudio Paperback” | Estante Virtual
              • Dissertação Walkyria Tsutsumi Ferreira Coutinho: “O conceito Ma: o conceito Ma na conformação de espaços em Tadao Ando” | UFPE
              • Arata Isozaki – TIME, SPACE, EXISTENCE | YouTube
              • Filmes Japoneses | Lista Filmow

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                1 hr 5 min
              • Arquicast 070 – Urbanismo Tático

                Participam: Adilson Amaral (@adilsonamaral), Aline Cruz (@alinecruzarquicast), Adriana Sansão (LabIT)

                Você já deve ter ouvido falar no termo “urbanismo tático”. Apesar de recente, essa abordagem sobre o espaço público ganhou visibilidade nos últimos 10 anos e hoje há diversos exemplos sobre como intervir no urbano a partir de uma visão de curto prazo, baixo custo e alto engajamento social. Neste episódio, batemos um papo com a arquiteta carioca e doutora em Urbanismo Adriana Sansão, que tem um trabalho prático extenso e acumula pesquisas sobre o tema.

                Entender quando surgiu o termo urbanismo tático e a abordagem metodológica que ele implica nos ajuda a compreender o porquê deste perfil de projeto urbano ter se tornado uma opção real e bem-sucedida de intervir na cidade. Como resposta alternativa e complementar à visão estratégica mais ampla sobre o território, pensar o urbanismo taticamente significa colocar “os pés no chão” e a mão na massa! Ao contrário do Planejamento Urbano e Regional, que trata da escala metropolitana e de seu desenvolvimento num horizonte de tempo maior, o projeto urbano cuida da escala aproximada do usuário e das dinâmicas que influenciam sua relação com a cidade no plano cotidiano. Tal redução da escala e aproximação com o cidadão possibilita respostas projetuais de intervenção mais imediatas e conectadas com a necessidade eminente da comunidade envolvida.

                Visto por alguns autores como uma forma subversiva de se apropriar dos espaços públicos, o urbanismo tático pressupõe a participação efetiva da população na construção das soluções de projeto. O poder público muitas vezes é um parceiro da sociedade civil na construção desse processo, mas não é preponderante, uma vez que o movimento nasce de ações cidadãs, orientadas pelo profissional arquiteto e urbanista, que por sua vez atua como um mediador entre os diferentes atores sociais envolvidos. Através de uma visão “bottom-up” dos processos, a colaboração entre os atores e agentes do espaço é a tônica desta prática e o que garante seu caráter democrático.

                Outra característica apontada pela convidada e que define a abordagem tática é o baixo custo de implementação das soluções projetuais. Buscando muitas vezes na própria comunidade e no seu entorno imediato os meios financeiros e sociais para realizar a intervenção, o urbanismo tático aposta em uma visão experimental do projeto, entendendo e assumindo sua transitoriedade mais do que seu caráter de permanência, como é comum ao objeto arquitetônico. Não que toda intervenção tática seja temporária, mas trabalha com o fator tempo de forma dinâmica e compreende que o desenho precisa ser apropriado e alterado pela população para que seja efetivamente adotado por ela.

                Num momento em que a participação popular nas tomadas de decisão sobre a cidade parece consolidar-se culturalmente, são muito bem-vindos os exemplos de engajamento capazes de promover mudanças efetivas na qualidade de vida dos cidadãos. Ouça o cast para saber um pouco mais sobre esta e outras ferramentas de transformação da cidade!

                Link para matéria no ArchDaily

                Comentados no episódio:

                • Curta Metragem “Recife Frio” | Youtube
                • Venda seu carro!!!!
                • Textos Adriana Sansão | Portal Vitruvius | Intervenções Temporárias no Rio de Janeiro Contemporâneo
                • Matérias especiais sobre Espaço Público no ArchDaily
                • Texto ArchDaily Mariana Wandarti
                • Livro: “Smart Cities: Big Data, Civic Hackers, and the Quest for a New Utopia…” | Amazon
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                  51 min
                • Arquicast 069 – Arquitetura e Cinema: A Origem (Inception)

                  Participam: Adilson Amaral (@adilsonamaral), Aline Cruz (@alinecruzarquicast), Rapha Rodrigues (@_rapha), Janaina Pereira (facebook), Laura Carone (facebook)

                  No novo episódio da série Arquitetura e Cinema, conversamos com Janaina Pereira, jornalista especializada em cinema, e Laura Carone, arquiteta, cenógrafa e diretora de arte, sobre o filme Inception – A origem, do diretor, roteirista e produtor britânico Christopher Nolan. Lançado em 2010, o filme conta com grande elenco incluindo Leonardo DiCaprio, Ellen Page e Michael Caine, tendo recebido diversos prêmios, entre eles o Oscar de Melhor Fotografia, Melhor Mixagem e Melhor Edição de Som.

                  A história trata sobre espionagem industrial através da manipulação dos sonhos das pessoas. E tal manipulação envolve a criação de cenários afetivos, elaborados por arquitetos, que usam o poder psicológico e imagético dos espaços memoriais para obter informações sigilosas escondidas na mente dos indivíduos. Ou seja, a arquitetura desempenha papel fundamental na construção e na manipulação da memória individual e o arquiteto é figura central nesse processo.

                  Dentre várias curiosidades sobre o filme, sua relação com o universo da cenografia, o uso da tecnologia que permite traduzir para as cenas a possibilidade de controle material do universo construído, o papel do arquiteto e sua atribuição como um “criador de realidades” é ponto central na conversa entre os convidados e conduz, de certa forma, a narrativa do filme como um todo. Perceber se se está no ambiente sonhado ou no ambiente vivido faz parte do jogo psicológico proposto pelo diretor, que usa das artimanhas do espaço cenográfico para criar metáforas sobre o quanto somos influenciados pelos lugares que frequentamos. E como constantemente, mesmo que de forma inconsciente, reagimos a estes lugares e às suas características compositivas.

                  O universo onírico é uma constante na história do cinema e por vezes é tratado com maior ou menor desapego da realidade. Win Wenders, David Lynch, Spielberg, dentre outros, são cineastas reconhecidos pelo apreço pela temática devaneante e delirante dos espaços sonhados. Ambientes fantasiosos, labirínticos, com profusão de imagens sobrepostas são parte de estratégias cênicas para criar a atmosfera lírica do lugar sonhado e impossível. No filme em questão, tal estratégia é subvertida e está justamente na responsabilidade do arquiteto, criador de atmosferas, tornar o sonho o mais parecido possível com a realidade, operando nas mentes também do espectador a constante dúvida sobre em qual plano projetado se está. O arquiteto tanto pode ser um facilitador do reconhecimento das pessoas com os lugares, quanto pode atuar como um agente de desorientação, criando estranhamento e insegurança na relação entre homem e espaço construído e vivenciado.

                  Nossos convidados não chegaram a um consenso sobre a questão essencial que o filme coloca: foi sonho ou realidade? Mas o papel da arquitetura como protagonista da narrativa e na criação de imagens cinematográficas já icônicas na historiografia do cinema parece ter sido ponto pacífico no animado bate-papo que pode ser acessado por aqui.

                  Link para matéria no ArchDaily

                  Comentados no episódio:

                  • Link para nossa pesquisa | via MediaKit
                  • Teatro: “Fim” Felipe Hirsch | VejaSP
                  • Filme: Insolação (2009) Felipe Hirsch | IMDB
                  • Dissertação: “Cenários Verídicos” Laura Carone | Biblioteca Virtual USP
                  • Filme: “O tradutor” (2018) Direção: Rodrigo Barriuso, Sebastián Barriuso | IMDB
                  • Livro: “Planejamento Urbano e Ideologia” | Vera Rezende | Estante Virtual
                  • Filme: “O cangaceiro trapalhão” | IMDB | Didi Nolan! – veja!
                  • Tese Claudia Veloso | https://poeticidadesurbanas.wordpress.com/ | (In Memorian)
                  • Documentário: “A Terra é Plana!” | Netflix
                  • Comentários, críticas, sugestões ou só um alô mamãe para [email protected]

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                    1 hr 15 min
                  • Arquicast 068 – Entrevista ArchDaily Brasil

                    Participam: Adilson Amaral (@adilsonamaral), Aline Cruz (@alinecruzarquicast), Rapha Rodrigues (@_rapha)

                    Link para matéria

                    Estreando oficialmente a parceria entre as plataformas Archdaily e Arquicast, está no ar o episódio #68 Entrevista: ArchDaily Brasil, no qual três dos editores do site brasileiro – Pedro Vada (@pedro_vada), Eduardo Souza (@eduardoleitesouza) e Matheus Pereira (@mths_prr) – contam um pouco dos bastidores do que é fazer parte do site de arquitetura e urbanismo mais visitado do mundo. Os desafios para se adaptar a um novo tipo de trabalho na área de arquitetura, a velocidade das transformações, a importância da tecnologia e da colaboração estão entre os assuntos tratados nesse bate-papo informal e informativo!

                    Pensado e estruturado por arquitetos e para arquitetos, e tendo passado por outros formatos anteriores ao atual, o Archdaily impressiona na escalada exponencial em termos de números de acessos e influência no cotidiano profissional dos arquitetos para seu relativo pouco tempo de existência. O crescimento acelerado que os números confirmam evidencia a percepção de uma carência na variedade e velocidade de divulgação da informação sobre arquitetura e urbanismo. Nicho que foi devidamente preenchido pela plataforma que continua a se transformar, ampliando seu alcance e os tipos de serviços oferecidos.

                    A natureza colaborativa e a velocidade de transformação deste veículo de comunicação colocam desafios ao trabalho dos arquitetos e editores, os quais constantemente alternam suas funções dentro da empresa, transitando por diferentes setores e tornando a experiência de construir o maior site de arquitetura e urbanismo do mundo em um contínuo recomeço. Não havia referências de sites que oferecessem informação de qualidade com rapidez e atualidade, o que exigiu de toda a equipe – formada por pessoas de diferentes culturas, países e línguas – proatividade na solução de problemas e na proposição de ideias. É um negócio que se transforma a cada dia e aponta, de fato, para novas possibilidades de inserção profissional para o arquiteto.

                    Além de contar um pouco sobre a estrutura de funcionamento do site e a interação entre as diferentes franquias – atualmente há as versões Mundo, Hispanoamérica, México e China – , os editores compartilharam ainda “causos” e curiosidades ocorridas ao longo dos 11 anos de história do Archdaily, e também dificuldades encontradas na veiculação de informação para públicos tão diversos, no universo de 13.6 milhões de arquitetos que visitam a página todos os meses. E não pára por aí! Várias novidades estão sendo gestadas, ampliando ainda mais as formas de interação da empresa com seu público-alvo, caracterizado por profissionais com interesses bastante diversos, como é tradicional à profissão de arquiteto e urbanista.

                    A parceria do Archdaily com o Arquicast, o podcast de Arquitetura e Urbanismo, é um exemplo da busca constante por atualização e por diversificação das formas de comunicar informação de qualidade para os profissionais da área. O podcast reforçará assuntos de interesse do usuário do site e poderá aprofundar matérias que, pela natureza do formato do veículo original, são naturalmente abordadas de forma mais geral, sendo um ponto de partida para a pesquisa e a produção de conhecimento sobre determinado tema. Ouça para saber mais!

                    Comentados no episódio:

                    • My ArchDaily, a rede social do portal | My ArchDaily
                    • Tiros em Columbine (2002) Michael Moore | IMDB
                    • Livro: “Diários de Bicicleta” David Byrne | Saraiva
                    • XI BIAU – Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo | Matéria ArchDaily | Site Oficial
                    • XII Bienal Internacional de São Paulo | Site IAB-SP | Site do Evento | Matéria ArchDaily
                    • Comentários, críticas, sugestões ou só um alô mamãe para [email protected]

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                      1 hr 3 min
                    • Arquicast 067 – Série: “As Casas Mais Extraordinárias Do Mundo” – 2º temporada

                      Neste episódio, conversamos sobre a segunda temporada da série “As Casas Mais Extraordinárias do Mundo” da BBC2  e que está disponível na Netflix. Agora, Piers e Caroline visitam as casas em oito países: Portugal, Espanha, Noruega, Israel, Índia, Suíça, Japão e EUA. Participam Adilson (@adilsonlamaral), Rapha (@_rapha), e novamente Caio Smolarek (@caiosmolarekdias). Taca-lhe o play!

                      Importante: Não deixe de participar da nossa pesquisa!

                      Comentados no episódio:

                      • Arquicast 046 – Série: “As casas mais extraordinárias do mundo” – 1º temporada
                      • Veja no Netflix 
                      • Dica do Caio: Viaje na viagem!
                      • Livro: “Intervenções temporárias, marcas permanentes: Apropriações, arte e festa na cidade contemporânea” Adriana Sansão | para Kindle
                      • Site: https://unsplash.com/
                      • Comentários, críticas, sugestões ou só um alô mamãe para [email protected]

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                        58 min

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