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O Centro para Democracia e Direitos Humanos publicou nesta segunda-feira, 5 de Agosto, um relatório onde se refere à situação dos direitos humanos em Moçambique como “sombria e crítica”, denunciando a morte de mais de 20 pessoas devido à violência pós-eleitoral em 2023. Em entrevista à RFI, o director executivo da organização não-governamental, Adriano Nuvunga, acusa o Estado de ser o principal violador dos direitos humanos em Moçambique.
RFI: Quais são as principais conclusões deste relatório?
Adriano Nuvunga, director executivo do Centro para Democracia e Direitos Humanos de Moçambique: as principais conclusões deste relatório revelam que o Estado, através da polícia em Moçambique, continua a ser o principal violador e abusador de direitos humanos, incluindo assassinatos. A polícia assassinou nas esquadras de Nampula, na metrópole em particular, e algumas esquadras da cidade de Maputo. A polícia impediu a realização de direitos fundamentais, como o direito à manifestação, respondendo sempre de forma muito bruta. [A repressão policial] culminou na morte de 21 pessoas, 1050 ficaram feridas e cerca de 250 foram arbitrariamente detidas.
Estas violências foram cometidas, na sua maioria, no período pós-eleitoral?
Antes, durante e no período pós-eleitoral. Por exemplo, nas manifestações pacíficas de celebração à vida e obra do Azagaia, que decorreram em Abril, a polícia respondeu com muita violência. No período anterior ao período eleitoral, durante as eleições e depois a seguir às eleições. Todavia, foi sobretudo depois das eleições onde a polícia respondeu com brutalidade e disposição para matar.
No relatório, acusam os órgãos de Estado de ameaçarem os cidadãos. Como é que justificam estas acusações?
Há aqui uma primeira dimensão, a do custo da corrupção, que é exactamente a deterioração das condições de vida dos moçambicanos. Os moçambicanos que estão na miséria, por causa da corrupção dos dirigentes, estão mais disponíveis para manifestarem e votarem contra o Governo da Frelimo. E o que faz o Governo, através da polícia? Responde violentamente, com brutalidade e predisposição para matar, negando o exercício dos direitos fundamentais, que são um instrumento de expressão da insatisfação causada pela corrupção.
O Centro para Democracia e Direitos Humanos indica, no relatório, que a polícia “evidenciou-se como os maiores violadores dos direitos humanos e dizem que o Estado não garante um efetivo acesso à justiça, às vítimas de violações e abusos de direitos humanos”…
Claramente. Aqui a Procuradoria-Geral da República de Moçambique, que tem o mandato de agir, aparece como aquela instituição que impede o acesso à justiça. Um exemplo muito terrível, que chocou a sociedade moçambicana, foi aquele em que a polícia da 3ª esquadra, na cidade de Maputo, matou nas celas um jovem chamado “Cebolinha” e a digníssima procuradora reconheceu o episódio na Assembleia da República – que o cidadão foi assassinado pela polícia nas celas da esquadra, mas não moveu nenhuma acção.
Como é que se explica esta desresponsabilização das autoridades?
A Procuradoria faz parte dos órgãos que impedem o acesso à justiça, promovendo uma justiça selectiva. [Procuradoria] está apenas disposta a mover acções contra activistas, os defensores dos direitos humanos, protegendo aqueles que promovem a impunidade.
Não estão a ser feitas investigações para apurar esses crimes que o relatório coloca em evidência?
Nada está a ser feito. Por exemplo, no caso de Nampula, onde a polícia matou indiscriminadamente cidadãos indefesos, o CDD apresentou uma acção criminal à Procuradoria Provincial de Nampula, em Fevereiro deste ano. Foi submetida uma petição e, até ao dia de hoje a Procuradoria-Geral da República está a engavetar um processo que procura justiça para as vítimas da acção da polícia. Há cerca de 21 pessoas que foram assassinadas pela polícia.
Qual é que é o objectivo desta inacção das autoridades?
O objetivo dessa inacção é a proteção do status quo. A polícia e a Procuradoria vêem-se como agentes de protecção o poder fraudulento que a Frelimo exerce, ao invés de atender os ditames da Constituição da República de proteger a cidadania, as liberdades e os direitos dos moçambicanos. Só através da promoção destes direitos poderemos ter uma democracia plena em Moçambique, colocar um fim nesta situação de tirania. E falo de situação de tirania porque não são aqueles que venceram as eleições que nos estão a governar. É essa tirania que enfurece os cidadãos que vão para a rua manifestar e, em resposta, a polícia atira para matar.
No relatório lê-se que “a polícia usou de forma excessiva a força, abusou da autoridade, praticou detenções ilegais, resultando grande parte dessas ações em mortes e lesões corporais e mentais graves”. São acusações muito fortes…
É a nossa realidade. Na cidade de Nampula, a polícia disparou indiscriminadamente, balas de guerra, contra jovens que estavam a manifestar-se. O relatório enumera as vítimas mortais da acção da polícia e essas pessoas não foram vitimadas de balas perdidas. Foram balas disparadas à queima roupa contra jovens que participavam na manifestação.
Este relatório, que começou a ser preparado em Dezembro, é tornado público numa altura em que Moçambique se prepara para viver um período eleitoral, com as eleições gerais em Outubro. Trata-se de uma coincidência?
O timing da publicação do relatório é espectacular. O actual chefe de Estado, Filipe Nyusi, vai amanhã pela última vez à Assembleia da República e queremos ver o que ele vai dizer sobre esses casos onde a polícia matou cidadãos moçambicanos. Isto porque o Presidente da República é a pessoa que tem a responsabilidade de garantir a vida, um direito plasmado na Constituição da República, por um lado.
Por outro lado, é o timing da realização das eleições. Como dissemos, foi o período eleitoral que mais criou condições para a violação de direitos humanos, no período anterior, durante pós-eleitoral. Pretendemos obter justiça para as vítimas.
Trata-se de prevenir que situações semelhantes voltem a acontecer?
Precisamente, para que situações como estas não voltem a acontecer. As eleições não podem ser um momento para que Moçambique fique de luto. As eleições devem ser o momento para o exercício dos direitos fundamentais plasmados na Constituição da República.
O cessar-fogo no Leste da República Democrática do Congo está a ser vivido, no terreno, com cepticismo, uma vez que o M23 tomou uma cidade estratégica na noite de sábado. "O Ruanda tem mostrado vontade política, apesar de saber que o M23 não vai cessar as hostilidades", sublinha o especialista em Relações Internacionais da Universidade Técnica de Angola, Osvaldo Mboco.
O novo cessar-fogo no Leste da República Democrática do Congo entrou em vigor à meia-noite de domingo, 4 de Agosto. O acordo alcançado sob mediação angolana visa silenciar as armas no conflito entre o exército congolês e o grupo rebelde do M23, apoiado pelo Ruanda.
RF: Este não é o primeiro cessar-fogo negociado desde o início do conflito, em 2021, o que muda desta vez?
Osvaldo Mboco: Este acordo cessar-fogo foi assinado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros e houve a concordância por parte dos Chefes de Estado quando o Presidente João Lourenço os contactou, por via telefónica. Ainda assim, penso que o Ruanda pode estar a jogar com algumas peças do xadrez, mostrando que há vontade política por parte do Ruanda, mas quando na verdade sabe que o M23 não irá cessar as hostilidades no teatro das operações.
O grupo rebelde M23 não se sentou na mesa das negociações. Mas o que também acontece é que até agora o Ruanda nunca assumiu estar por detrás deste conflito. Este é um dado importante?
Claramente que é um dado importante e a importância desse dado é que é de domínio público que o acordo de cessar-fogo não foi assinado pelos beligerantes ou então os contendores e o M23 não está presente. Se existir cumprimento no terreno de acordo de cessar-fogo, vamos chegar à conclusão de forma tácita, que tem sido, de facto, Ruanda que tem patrocinado e tem armado o M23. Se o M23 não faz parte das negociações e o M23 não se vincula a este acordo de cessar-fogo. O Ruanda assina, hipoteticamente, assumindo isto, então fica claro a nível mundial que tem sido Ruanda, que de facto tem estado a movimentar o M23 a desestabilizar o Leste da República Democrática do Congo.
Agora também podemos trazer de cima um outro elemento que o acordo de cessar-fogo, se de facto tiver pernas para andar, vai abrir o caminho para que a diplomacia ao mais alto nível dos chefes de Estado possa acontecer. E o outro passo seria uma cimeira onde o presidente Paul Kagame e o Presidente Félix Tshisekedi estivessem presentes na mesma mesa de negociações, encurtar as diferença e de facto assumirem ou reassumir os compromissos que é do Roteiro de Paz de Luanda, quer do comunicado final de Nairobi. Temos uma estratégia de defesa colectiva ao longo da fronteira. Isso sim seria um passo extremamente importante para aquilo que é o acordo de cessar-fogo ou então para aquilo que a instabilidade no Leste da República Democrática.
Angola foi escolhida pela União Africana para ser mediadora deste conflito. Não cabe às partes escolherem livremente quem é que pode mediar o conflito na RDC?
Não porque o que tem que acontecer é o seguinte: o interlocutor deve ser o interlocutor ou mediador válido para as duas partes e, até agora, pelos contactos mantidos pelas vias diplomáticas é notável que existe uma aceitação política por parte das partes, que é o Ruanda e que é a República Democrática do Congo. Apesar de há algum tempo a esta parte o Presidente Kagame deixou de vir para Luanda sobre esta matéria. Ele esteve cá, recentemente, depois de um ano e meio, quase dois anos, e voltou a estar em Luanda, mas de forma separada, não no formato da cimeira. Ele tinha manifestado vontade de se sentar à mesa das negociações com o Presidente Félix Tshisekedi, numa data que deveria ser escolhida. Há aqui um elemento que também não podemos descurar, as intervenções feitas pelo presidente Kagame e Tshisekedi, do ponto de vista das acusações, tem estado a minar o processo de paz porque se vão digladiando de forma verbal e com acusações.
Chegou uma altura que nós ficamos com a percepção que Luanda já não era o interlocutor válido para o Ruanda. À medida que o presidente Kagame se fazia representar e algumas pessoas alegavam que Luanda nunca poderia conduzir um processo de acantonamento, mostrava imparcialidade neste processo. Penso que Luanda poderia ter levado esse processo de acantonamento e o que eu percebo é que o presidente Kagame tem estado com algumas aspas a fintar aquilo que têm sido as acções do Estado angolano porque não se faz representar normalmente nas cimeiras, dificilmente consegue um calendário para se sentar à mesma mesa de negociação com o Presidente Tshisekedi e agora esta assinatura, pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, pode ser vista como mais uma estratégia do presidente Kagame em dizer que aceita, quando na verdade sabe que no terreno não vai existir nenhum cessar-fogo por parte do M23.
A ideia que passa é a de que 'nós Ruanda estamos preocupados com isso, aceitamos o cessar-fogo, mas não controlamos o M23, logo não temos capacidade de influenciar as acções do M23'. Penso que o Presidente Kagame tem estado a jogar com algumas peças de xadrez, que vai ganhando, vai dilatando o tempo e as manobras e vai tendo os seus interesses salvaguardados. A não ser que a parte mediadora do conflito não tenha percebido que os interesses e os desejos e as aspirações do Ruanda são diferentes do que estavam previstos ao nível do Roteiro de Paz de Luanda e era fundamental se compreender, na essência, o que é que Ruanda pretende com tudo isso e trazer uma proposta que se ajuste àquilo que é o interesse também do Ruanda quanto a esta matéria.
Qual é que é o interesse do Ruanda?
Bem, essa é uma pergunta de 1 milhão de dólares e fica difícil chegar a esta conclusão: Qual é o interesse do Ruanda? Há várias teorias levantadas, uma delas é a de que o Ruanda, por ser um território pequeno e necessariamente tem uma densidade populacional que vai crescendo de forma muito rápida, quer anexar espaços ao território da República Democrática do Congo. São algumas teorias que vamos discutir e a outra também é muito em função do acesso aos mineiros ao longo da fronteira. Fica muito difícil compreender quais são as reais intenções do Ruanda, quando Ruanda vem se posicionando desta forma, mostra à comunidade internacional que tem vontade política de resolver um determinado problema, mas na prática age de forma contrária e diferente. É de domínio público que o Presidente de Ruanda só veio parar a para Angola este ano porque houve pressões internacionais sobre esta matéria. Estamos perante a um acordo de cessar-fogo bastante frágil porque não integra o M23. O M23 pode não se vincular e se não se vincular a este acordo de cessar-fogo, não vai respeitar o mesmo no interesse das operações.
Os sete atletas olímpicos que representam Moçambique nos Jogos Olímpicos de Paris ganharam "presença, experiência e reconhecimento", sublinhou o Secretário-geral do Comité Olímpico de Moçambique, Penalva Cézar.
RFI: Como é que têm corrido as provas dos atletas moçambicanos nestes Jogos Olímpicos de Paris?
Penalva Cézar: As provas estão a correr satisfatoriamente naquilo que são as nossas previsões. Os atletas portaram-se de uma maneira razoável. Todos os atletas que competiram até agora superaram aquilo que são as suas marcas, principalmente na natação, os atletas superaram as suas melhores marcas pessoais. No judo foi uma prova que não correu tão bem como desejávamos. Já no boxe, as coisas apresentaram-se de uma outra maneira, uma vez que os nossos dois atletas, tiveram um comportamento muito positivo na primeira eliminatória e foram vencedores inequívocos. A segunda eliminatória não correu tão bem para os nossos atletas, principalmente para o atleta masculino, que na opinião geral terá ganho combate, mas há coisas esquisitas que só os especialistas podem explicar. Particularmente em relação à disciplina de boxe.
Está a falar de Tiago Muchanga que foi afastado por 2-3 pelo mexicano Marco Verde. Nos oitavos, Tiago Muchanga venceu dois dos três assaltos e o mexicano marcou apenas um, mas três dos cinco juízes deram como vencedor o seu adversário, Marco Verde.
Pois é... é a tal coisa subjectiva. Daí que as outras modalidades de combate, a esgrima e outras assim têm outro tipo de pontuação electrónica que é para sairmos desta coisa de ter dúvida. Uma coisa é nós, o público, nós, os apoiantes, acharmos que os nossos atletas estão a pontuar. Provavelmente não estão e penso que será altura do boxe pensar numa outra forma de pontuação porque se levantam sempre essas dúvidas e dá a impressão de que os países mais pequenos são sempre penalizados.
Quanto à Alcinda, eu direi que foi um combate dividido e aqui pode se compreender que tenha corrido mal. Mas é assim, alguém tem que vencer. Acho que foi uma experiência positiva. Para a Alcinda estas são as suas segundas Olimpíadas e por isso penso que a lição aqui foi bem aprendida. Temos mais quatro anos pela frente, são mais quatro anos de trabalho.
Moçambique ainda pode conquistar a segunda medalha para o país e a primeira aqui nos Jogos de Paris, nas provas de vela ou atletismo?
Medalhas não vamos conquistar de certeza absoluta. É preciso notar que o tempo em que qualificou o Sabino para Paris não é exactamente um tempo de qualificação, porque ele é um atleta que veio aqui a Paris no âmbito da universalidade, o que me deixa mais tranquilo é que é um atleta muito novo. Ele é júnior, tem mínimos para o campeonato mundial de júnior e se as coisas correrem normalmente, pensamos que ele se vai qualificar para Los Angeles. É um atleta sobre o qual nós não colocamos absolutamente nenhuma pressão porque é o andar do processo de crescimento e amadurecimento, e penso que ele está bem. Se ele conseguir passar à primeira fase vai ser um bom donativo, mas se não está tudo bem, ele tem todo o tempo.
Quanto à Daisy, ela não é candidata à medalha, sabemos disso. Existem muitas nuances na vela e uma delas é provavelmente o peso da própria atleta. Tem que fazer um esforço suplementar para fazer as manobras e isso é um processo que vai também levar muito tempo. Ela participa pela segunda vez e penso cada vez que ela participa, vai acumulando experiência. Vamos ver o que acontece até o fim e só podemos desejar-lhe o melhor. Depois a velha tem essas coisas, depende da sorte; se o vento ajudar. Se na altura de virar o vento estiver lá e a vela virar é mais fácil. Neste momento não é para medalhas, mas para ela fazer o melhor.
Em Paris já se pensa em Los Angeles?
Exactamente até as nossas conversas já são viradas para Los Angeles. São conversas que se baseiam naquilo que estamos a ver todos os dias e nas coisas que estão menos bem feitas para começarmos a trabalhar no processo de preparação. Para que 2028 Moçambique tenha mais atletas qualificados. Há que reparar, nós baixámos o número de atletas qualificados de Tóquio para aqui e provavelmente achava que nós estávamos com todas as condições para pelo menos atingirmos um número igual ao de Tóquio, mas houve muitos atletas no limiar da qualificação e as coisas, infelizmente, não correram como nós queríamos. É mesmo um processo que começa para que 2028 Los Angeles corra melhor.
Como é que se constrói esse processo para 2028?
É um trabalho que envolve muita gente. Nós, no Comité Olímpico, fazemos aquilo que é a nossa parte. Em Novembro vamos reunir com as federações olímpicas para planificar o quadriénio e depois verificar quais são os atletas que têm potencial. Olhando para aquilo que são os seus resultados nos últimos dois anos e a partir daí vamos criar um plano com um cronograma que é para a participação dos atletas nas provas de qualificação. Em Moçambique, as coisas correm um pouco ao contrário; não são as federações que qualificam os atletas, quer dizer, são, mas o Comité Olímpico é quem tem que suportar as despesas todas na sua preparação e na sua participação em provas de qualificação.
São encargos importantes?
São, são quase insuportáveis. Temos que fazer tudo possível e impossível para podermos suportar isso. Por vezes, temos de facto muitas dificuldades em colocar os nossos atletas nas competições em que eles gostariam de participar. Quando você tem uma manta pequena, está frio e quer cobrir os pés, a cabeça fica descoberta e quando você quer puxar a manta para a cabeça, os pés ficam. de fora. E aí temos que fazer o tal exercício de ver quais são as prioridades, qual é a prova mais importante e provavelmente é um handicap para nós, o facto de os atletas não conseguirem participar em todas as provas porque não há recursos financeiros. Vamos continuar a conversar com o governo porque o governo tem um papel importantíssimo para desempenhar e também o sector privado, o empresariado, para ver se conseguimos aumentar o nosso leque de patrocinadores para aí, de facto, desenvolvermos um trabalho que possa garantir que os atletas não andem preocupados sem saber se vão ou não vão, porque isso passar a ser o nosso trabalho.
O que é que Moçambique ganha na participação destes jogos daqui em Paris?
Nós ganhamos presença, nós ganhamos a experiência que os atletas precisam e, acima de tudo, o reconhecimento do trabalho que é feito, principalmente relacionado com aquilo que são as actividades que temos com o Comité Olímpico Internacional, através da solidariedade olímpica, do qual os nossos atletas são bolseiros. É necessário que a gente demonstre que as bolsas que atribuem aos atletas têm algum resultado. Infelizmente, os atletas não atingiram as finais nem atingiram as medalhas, mas os resultados demonstram que, com o tratamento mais profícuo daqui para a frente, um bocadinho mais pensado, mais programado, poderemos atingir aquilo que é para além da visibilidade do nosso país, o reconhecimento que temos que ter em relação àquilo que são os nossos adversários mundiais e, quiçá mais cedo do quanto nós pensamos atingirmos aquilo que é o nosso sonho e sonho de toda a gente atingir as medalhas.
Marina Correia é a embaixadora da equipa olímpica de Cabo Verde em França. Campeã mundial de longboard dancing e figura de destaque entre os jovens atletas em França, Marina disse em entrevista à RFI que se sente uma ponte entre os dois países.
Marina Correia é uma figura incontornável do desporto em França Em 2020, esta cabo-verdiana de 26 anos instalada em Nice, no Sul do país, desde os 14, foi consagrada campeã mundial de long board dancing freestyle. Poucos anos depois, Marina é actualmente embaixadora da equipa olímpica de Cabo Verde em França, um grande motivo de orgulho e uma forma especial de viver estes Jogos Olímpicos de Paris como explicou em entrevista à RFI.
"É uma honra para mim ser embaixadora da equipa de Cabo Verde em França. Quando soube, fiquei muito contente porque nasci em Cabo Verde, mas vivo cá em França, por isso tenho uma dupla cultura e penso que foi uma escolha natural da parte deles. Estou muito contente"
Marina acompanhou os atletas olímpicos num estágio em Parthenay, no Oeste de França, antes dos Jogos Olímpicos. Foram momentos emotivos, de tranquilidade e de paz antes da confusão de Paris.
"Vivemos muitas emoções. Estivemos juntos realmente como uma pequena família, brincávamos uns com os outros e era muito descontraído. Não havia muita pressão, ao contrário do que se poderia esperar. Estávamos muito relaxados, brincávamos uns com os outros e, ao mesmo tempo, continuámos a treinar muito. Acordávamos cedo e tínhamos uma rotina de treino. Portanto, a preparação física é muito importante. Depois disso, havia os treinos e muito descanso. Eles têm cuidado com o que comem, mas na verdade é mais o importante era passar tempo juntos. Mais com a família, mais descontração do que pressão. Porque acho que a pressão está, de facto, nos próprios Jogos. E entre nós, vamos dar-nos a força. Dissemos a nós próprios que tudo ia correr bem e que, apesar de sermos um país pequeno que o mundo não conhece, somos um grande país porque somos muito pequenos no mundo, mas brilhamos e essa é a beleza de Cabo Verde"
Para Marina Correia viver estes Jogos Olímpicos ao lado da equipa cabo-verdiana tem sido um privilégio.
"Sou actualmente a ponte entre os dois países, através da minha forma de comunicar com a diáspora, com os cabo-verdianos que vivem no país. Sinto que é diferente de alguém que nasceu aqui. Eu nasci em Cabo Verde, por isso sei como é a vida lá. Cresci lá até aos catorze anos. E depois cresci aqui em França, desde os catorze anos até aos 26. Por isso, de facto, sou metade-metade dos dois países e sinto-me tanto francesa como cabo-verdiana. Com a minha idade, 26 anos não é algo que acontece a todos serem escolhidos como embaixadores num evento como os Jogos Olímpicos. Para mim é um privilégio. Portanto, há muito trabalho por detrás disto. É também um privilégio conviver com grandes desportistas, ter várias oportunidades. São experiências que levarei para o resto da minha vida, e só tenho boas recordações"
Chegada a França aos 14 anos, foi no desporto, nomeadamente no longboard, um skate mais comprido que permite outro tipo de movimentos, que Marina encontrou um ponto de contacto com os outros jovens da sua idade, já que para além da mudança de país teve também de se adaptar a uma nova língua.
"Cheguei a França, a Nice, com a minha mãe, a minha irmã mais nova e o meu padrasto, que é francês já cá estava. Eles casaram-se, viemos para cá por razões familiares, e, quando cheguei, tentei integrar-me um pouco. Eu jogava futebol, mas tive de me adaptar a esta nova cultura, a este novo país, e fazer novos amigos. Havia também a questão da língua. Tinha de aprender francês. No início foi um pouco difícil, especialmente na escola. Mas com o tempo, através do desporto, do longboard, consegui encontrar a minha identidade, afirmar-me, gostar de mim tal como sou e, gradualmente, construir uma carreira através da dança no longboard. Tudo aconteceu por acaso. Tinha uns amigos na escola quejá praticava, o que despertou a minha curiosidade e faço-o desde 2016, ou seja, há quase dez anos"
O longboard pode ser considerado com um primo do skate, sendo menos praticado e não sendo ainda modalidade olímpica.
"Não é a mesma modalidade do skate, somos da mesma família, mas é muito diferente. Ainda não está nos Jogos Olímpicos. O longboard é uma prancha mais longa que se pratica em terrenos planos O skate, por outro lado, é mais praticado em skateparks, embora também se possa fazer em terreno plano. Mas não é de todo a mesma disciplina, mesmo que sejam parecidos. Gostaria que o longboard se tornasse uma disciplina olímpica. Penso que o longboard tem um lugar nos Jogos Olímpicos, tal como o skate, o breakdance e o BMX. Mas, neste momento, acho que ainda não estamos em condições de estar nos Jogos Olímpicos, porque ainda há problemas com o júri. Ou seja, ainda não está pronto para os Jogos Olímpicos. Penso que ainda vai demorar algum tempo até estarmos realmente prontos"
Quanto ai seu futuro, Marina gostava de vir a representar a França ou Cabo Verde nos Jogos Olímpicos quando o longboard integrar as modalidades olímpicas, mas também quer dedicar-se à sua carreira de modelo e continuar a contar a sua história em livro ou documentário.
"Espero que evoluir no bom sentido e espero que um dia o longboard esteja nos Jogos Olímpicos e que eu passa representar Cabo Verde ou a França. Vai ser um dos dois países, a gente vai ver. E eu gostaria muito de escrever um livro também e fazer um filme, participar em algum filme ou mesmo realizar o meu próprio filme da minha carreira. Eu vivo o dia a dia evejo como as coisas correm, porque também tenho uma carreira como modelo e estou, a brincar com estas duas carreiras", concluiu.
A luta é a grande esperança da Guiné-Bissau para uma medalha nos Jogos Olímpicos de Paris, numa altura que o país está a formar campeões africanos e está a promover um programa de recrutamento de novos lutadores. Na capital francesa, o comité guineense procura agora apoios para continuar a formar atletas não só na luta, mas noutros desportos olímpicos.
Com mais atletas do que em Tóquio, a equipa da Guiné-Bissau é composta por seis elementos que vão actuar em cinco modalidades diferentes chegou a Paris com a possbilidade de, pela primeira vez, ter uma medalha olímpica. A grande esperança é na modalidade de luta.
Esta é uma ambição que o Sérgio Mané, presidente do Comité Olímpico da Guiné-Bissau não escondeu em entrevista à RFI, dizendo mesmo que tudo é possível para os guineenses na capital francesa.
A Guiné-Bissau sonha com uma medalha nestes Jogos Olímpicos?
Não temos a tradição da medalha olímpica, mas tudo indica que nestes Jogos poderá acontecer algo extraordinário. Temos dois atletas de luta que fizeram uma preparação extraordinária, foram campeões africanos e revalidaram o título que dá direito a participar nos Jogos. Quer dizer que se qualificaram para os jogos através de duas provas seguidas e conseguiram revelar grandes qualidades nesta base. Podemos ter esperança porque tanto um como outro, em termos de ranking, estão bem posicionados. O Diamantino Fafé, por exemplo, é um atleta bolseiro olímpico que já esteve nos Jogos de Tóquio e desta vez voltou a qualificar-se. Está bem posicionado em termos de ranking e está no 16.º lugar. Sabemos que é uma é uma tarefa difícil, mas tudo está em aberto. O Bacar Ndum, na categoria de 74 kg está no sexto lugar do ranking e é um o atleta que ao longo da sua participação em diferentes competições, sempre trouxe medalhas para o país. E nesta base temos esperança. Sabemos que não é uma tarefa fácil, mas também não é impossível. Daí que continuamos a acreditar que poderá acontecer algo extraordinário.
E, neste caso, no caso da luta, ao contrário de outras modalidades, realmente é possível, porque basta que, por exemplo, do outro lado, o outro atleta tenha alguma desconcentração e os vossos atletas encontram uma maneira de conseguir penetrar na cabeça do adversário e podem ganhar.
Perfeitamente perfeitamente, porque no desporto de combate ali existe precisamente aquelas fragilidades. Se falhar na aplicação de uma técnica, o adversário pode aproveitar e fazer pontos que lhe dá a oportunidade de ganhar a competição.
Os atletas já estão aqui há alguns dias. O que é que eles estão a achar das condições de treino, das condições de alojamento na Aldeia Olímpica?
Até aqui está tudo tranquilo. Não há queixa. Estão bem e estamos a gostar.
Quando é que os atletas guineenses vão entrar em acção?
A partir do dia 01 de Agosto teremos natação, depois no dia 02 teremos judo, com o nosso atleta Bubacar Mané. Vamos ter o Seco Camará no atletismo no dia 03. Já o Diamantino Fafé começa na luta dia no dia oito e o Baca também na luta no dia 10. O Paicou no Taekwondo começa no dia 10.
E tendo em conta esta possibilidade de se chegar a medalhas, como é que os guineenses na Guiné-Bissau estão a acompanhar este jogos?
Há muita expectativa à volta dos atletas porque na verdade fizeram uma boa campanha. Nós sabemos que eles costumam brindar-nos com os títulos africanos. O desejo de todos os guineenses é ver o nosso atleta no pódio. Então, à volta disto, toda a gente está com esperança e vamos lá ver se conseguimos desta vez.
E esta expetativa é também uma possibilidade de desenvolver e trazer mais pessoas para o desporto, mais financiamento, por exemplo, mais financiamento internacional, mais ajuda ao desenvolvimento para o desporto na Guiné-Bissau?
Com certeza. Nos jogos anteriores tínhamos um menor número de atletas e nesses jogos aumentámos, o que significa que isso vai-nos permitir angariar meios e mobilizar recursos para pôr à disposição dos nossos atletas para poderem subir mais em termos de qualidade, em termos de performance.
Na equipa da Guiné-Bissau temos seis atletas e são todos homens. O que é que aconteceu na parte das mulheres? É uma preocupação sua trazer mais mulheres e mais meninas para o desporto na Guiné-Bissau?
Exactamente. Nós temos praticantes femininas, só que, lamentavelmente, ainda não estão este nível. Tivemos um caso de uma menina que esteve em Marrocos, uma bolsa financiada pelo Comité Olímpico e ela conseguiu medalha a nível do continente. Só que não progrediu mais. Isto também tem a ver com a parte familiar, não é? Já tinha um filho menor e certamente deve ser a causa que acabou por contribuir negativamente. Tinha que juntar-se ao filho e acabou por desistir. Estou a falar da luta, mas já tivemos casos da nossa atleta campeã africana de judo, a Taciana, que também deixou e desta vez só tivemos rapazes, mas nos Jogos anteriores ainda tivemos menina.
Há também uma questão então de formação civica e informação para as famílias da importância de as mulheres participarem no mundo do desporto?
É também uma questão de oportunidade. Eu considero isso a oportunidade, porque nem sempre todos têm a mesma oportunidade e nós trabalhamos nessa visão. Procurar sempre ter o equilíbrio de género para fazer com que as meninas possam também aproveitar as oportunidades que nós oferecemos para poderem desenvolver os seus talentos.
Está aqui então, também não só para acompanhar a equipa olímpica, claro, mas também para ter vários encontros, para encontrar-se imagino aos mais altos níveis, incluindo com o Comité Olímpico Internacional. Que tipo de encontros é que vai ter e o que é que espera levar depois para a Guiné-Bissau?
Nos Jogos Olímpicos acabamos por fazer diplomacia desportiva, já que estão aqui 206 países e dentro desses seis países, independentemente da rotina que acabamos por ter, vamos tendo já alguns encontros. Mas também já trazemos alguma agenda. Temos a reunião, por exemplo, a nível do continente, temos a reunião com a Sociedade Olímpica, temos a reunião com a francofonia, portanto, temos uma agenda super apertada. Mas tudo isto é para tirar proveito da nossa participação, da nossa presença e tentar levar esses ganhos para o país.
E o que é que vi nos próximos anos para os atletas olímpicos e os atletas em geral na Guiné-Bissau? Que modalidades e que se vê a desenvolver? Parece que a luta realmente está a atrair muita gente. Mas que outras modalidades? Por exemplo, modalidades náuticas, já que a própria Guiné-Bissau tem condições extraordinárias para este tipo de modalidades? Quais é que são as vossas apostas?
Já temos um atleta que está a progredir na natação. Esse jovem já beneficiou de uma bolsa. Devia ir para Hungria, mas já por causa do número de candidatos, vai para Singapura. Portanto, isto certamente vai criar uma grande expectativa e eu tenho plena certeza estando ali em termos de resultados, certamente vai surpreender porque é um jovem com qualidades, com uma progressão que encoraja tudo. Então também há outras modalidades, como o caso de luta. Estamos a fazer um investimento porque ali temos um potencial. Temos já um projecto de captação de talentos que está em curso e provavelmente vamos ter mais número de atletas a representar o país e certamente o número de medalhas vão aumentar, não é? Está tudo em aberto.
Pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos, o número de participantes homens e mulheres é igual, ou seja, 5.250 de cada género estão a competir em Paris. Uma realização para Elisabeth Moreno, antiga ministra da igualdade, que disse que estes Jogos eram o que a França precisava para unir o país, dizendo em entrevista à RFI estar contente por poder torcer por atletas cabo-verdianos e franceses nos próximos dias.
A Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Paris continua a dar o que falar em França e no resto do Mundo. A cerimónia foi pensada pelo actor e encenador Thomas Jolly e falou de vários valores que representam a França, não só os tradicionais liberdade, a igualdade e a fraternidade, mas também a paridade, a inclusão ou a paz.
Com quadros onde houve homenagens a mulheres importantes na história recente da França ou o papel das drag queens no imaginário dos cabarets parisienses e a plena existência do amor livre, esta cerimónia tem recebido elogios, mas também muitas críticas. Especialmente por ter acontecido menos de um mês depois do resultado das eleições legislativas ter revelado que uma grande parte do país vota na extrema-direita.
Para a ex-ministra francesa da Igualdade com origens cabo-verdianas, Elisabeth Moreno, que trabalhou neste espectaculo durante o seu mandato entre 2020 e 2022, esta foi a cerimónia que a França precisava para unir todos os franceses.
E agora que a competição já está em marcha, esta líder da comunidade cabo-verdiana em França diz-se entusiasmada em apoiar os atletas franceses e cabo-verdianos.
RFI: Como é acolher em França os Jogos Olímpicos e como é apoiar a equipa cabo-verdiana que participa neste evento?
Elisabeth Moreno: A França tinha necessidade de organizar este evento. Aqui passámos momentos muito difíceis, muito complicados. E o facto que os Jogos Olímpicos, com os valores do Desportoo de solidariedade, de amizade, de inclusão, de humanidade, de fraternidade, era uma coisa muito, muito importante para unir os franceses de todas as origens. E acho que o espetáculo da Cerimónia de Abertura foi absolutamente fenomenal. E isso tenho muita felicidade e muito orgulho. E para mim é uma coisa extraordinária de estar aqui para falar da equipa olímpica cabo-verdiana e de falar também da França, porque eu tenho no meu coração os dois e temos uma delegação cabo verdiana muito rica que atletas olímpicos e paralímpicos pela primeira vez. E eu acho que este também é um progresso muito importante. E acho que os atletas cabo-verdianos desde a CAN, têm uma dinâmica, uma reputação muito interessante e tenho muito entusiasmo de estar aqui com eles.
Tendo em conta as suas funções passadas imagino que a cerimónia de abertura foi particularmente tocante no que diz respeito à representatividade, no que diz respeito à multiculturalidade, mas sobretudo no que diz respeito à igualdade. Para si foi importante?
Eu senti muito, muita, muita emoção de ver pessoas de todas as idades, de todas as origens, de todas as, cor de pele, de todas as regiões de França, de ver os territórios ultramarinos representada desta maneira por ter e reunir. E a Marie-José Perec e o Teddy Riner. Os símbolos que foram representados são muito importantes, porque os Jogos Olímpicos deveriam ser ou carregar as valores de igualdade. Mas já sabemos que a igualdade é um ideal. Não existe, mas nós podemos fazer de maneira que ele exista. Essa igualdade que todos os seres humanos merecem, deve ter um corpo. E acho que os jogos são um bom lugar para fazer viver esta igualdade e a fraternidade também na França. E temos este princípios de vida que é liberdade, igualdade, fraternidade. Mas já sabemos que os três valores hoje estão em perigo. Então, para mim, ver homens e mulheres carregar a chama olímpica, ver homens e mulheres participar com completa em todas categorias de desportos é muito importante.
Sente que de alguma forma teve o seu dedo nisso, ou seja, as suas funções como ministra da Igualdade. Sente que ajudou também a criar, exactamente como acabou de dizer este exemplo, que é Paris 2024?
A ambição dos Jogos Olímpicos de Paris 2024 era de fazer de maneira que sejam os jogos mais inclusivos da história e de uma forma prática, concreta e visível. Vamos viver os jogos mais inclusivos da história dos Jogos Olímpicos e eu tenho o orgulho de ter participado na criação desses jogos, porque trabalhei muito com o Tony Estanguet; presidente dos Jogos Olímpicos de 2024, quando eu estava no governo, não só para fazer de maneira que os atletas estejam em paridade, mas também as equipas técnicas e fazer de maneira que a herança do futuro destes jogos, que toda a gente pode beneficiar depois do jogo, do que que vai ficar. Estes são uns Jogos Olímpicos onde alguém que tenha as suas especificidades, singularidades será respeitado e terá a sorte de mostrar o que é capaz de fazer, independentemente de onde nasceu, do seu género ou de onde a que vem.
Em entrevista à RFI em Paris, Rui Falcão, ministro do Desporto e da Juventude de Angola, disse que o país vai lançar em 2025 um programa para desenvolver desportos náuticos como vela ou remo e que, com empenho, os 24 atletas angolanos presentes nos Jogos Olímpicos podem obter bons resultados.
RFI: Como foi assistir à Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Paris?
Rui Falcão: Foi de facto uma abertura espetacular, principalmente pelo nível tecnológico que foi usado, mas foi sem dúvida um marco. Não só por ser a primeira vez que se faz fora do Estádio Olímpico, mas pela qualidade do espetáculo que foi.
Emocionou-o em alguns momentos?
Sim, em alguns momentos, sim. Houve inovação. Houve momentos de facto que nos tocam, principalmente quem é amante do desporto.
Quais são expectativas em relação aos aletas angolanos que participam nestes Jogos Olímpicos? Temos uma equipa de 24 atletas aqui em competição.
Regresso a Angola com um sentimento de que podíamos ter ganho o primeiro jogo contra a Holanda no andebol. Mas pronto, são as coisas do desporto. Eu espero que o engajamento seja seja maior e que possamos ultrapassar o Brasil e a Espanha, porque são equipas que estão ao nosso nível. Aliás, estas três equipas estão ao nosso nível. Se nós tivéssemos entrado com o ritmo que eu penso que podíamos ter entrado, seguramente o resultado teria sido diferente. Nas outras modalidades, modalidades individuais, a nossa expectativa é que todos que aqui estão batam os seus recordes individuais. Ora, se o conseguirem, é muito bom para nós. Pódio será muito mais difícil, como é lógico.
E como é que estas Olimpíadas estão a ser vividas em Angola? As pessoas estão a acompanhar, sabe se acompanharam a cerimónia de abertura, o Governo fez um esforço para tentar envolver os cidadãos nesta festa do desporto?
Eu fui recebendo mensagens de muita gente. Julgo que todos os amantes do desporto estiveram sentados à frente do televisor a ver a abertura. É de facto um momento marcante nas Olimpíadas e eu espero que agora continuem a ver o desenrolar das várias competições. Como sabe, são muitas modalidades. Têm a oportunidade de ver aqui os melhores atletas do mundo. Portanto, é um orgulho para uma geração que pode acompanhar este este nível de desenvolvimento.
É também uma motivação para os angolanos verem modalidades como o andebol, o remo, mas também natação, atletismo, judo, canoagem representadas aqui em Paris? É uma forma também de as divulgar?
Nós estamos a estabelecer agora um programa especial, particularmente para os desportos náuticos, que é o que menos se vê, embora haja alguns praticantes. São modalidades com pouca visibilidade e nós temos um programa especial agora para relançar mormente o remo à vela em 2025, no sentido de aumentar a base de praticantes e, com isso, naturalmente, melhorar no médio longo prazo a nossa prestação ao nível da competição internacional. Nas outras, não. As outras toda a gente vivencia, mormente o andebol, sabe que nós somos 12 vezes campeões africanos. Portanto, toda a gente sabe que as nossas pérolas são, são, são nosso garante ao nível do continente. Aqui, como lhe digo, se nós entrarmos com com garra, entrarmos com empenho nesta primeira fase, podemos fazer bons resultados.
Angola está a ser um bom aluno na questão da paridade. Isso é algo que era importante para si, ou seja, vir uma equipa olímpica equilibrada, tanto homens como mulheres, para também envolver cada vez mais meninas e mulheres no mundo do desporto?
Angola, nesse aspecto, é cada vez mais equilibrada. Sabe que mesmo ao nível dos órgãos de soberania há um equilíbrio muito grande. Para ter uma ideia, nós temos 46% de mulheres no Parlamento. Temos uma vice-Presidente da República, temos uma ministra de Estado, portanto estamos. Estamos bem. Nesse sentido, há sempre que melhorar. Aqui e ali. Não é tudo igual, mas a esse nível estamos bem e o desporto começa a reflectir. De facto esta organização ao nível do país e é muito bom.
Houve aqui em Paris uma conferência organizada sobre a questão do desenvolvimento e o desporto. Para si, pensa que o desporto pode ser um factor motriz do desenvolvimento e um desenvolvimento sustentável?
Naturalmente. Mas também tem outras facetas. Tem a faceta da empregabilidade, por exemplo. Nós temos é que saber aproveitar o potencial do desporto. O desporto é um manancial de áreas que podem ser exploradas, desde a medicina ao treino desportivo enquanto ciência. Há muito por onde andar. E isso nós estamos a tentar fazer.
Recentemente houve um escândalo de corrupção no futebol em Angola. Como é que o senhor ministro olhou para esta situação? Ainda não era ministro nessa altura, mas imagino tenha acompanhado, já que foi algo que esteve muito nas notícias. E como é que se consegue prevenir da melhor maneira a corrupção no desporto?
Eu tenho dito isso publicamente várias vezes que os próprios associados têm que escolher os dirigentes que querem e banir do desporto aqueles que são nefastos. Portanto, nós não temos contemplações. Aqueles que não servem o desporto devem ser irradiados. Ponto final. Essa é a nossa posição.
O senhor é ministro da Juventude e do Desporto. Portanto, quando falamos aqui de juventude, falamos de um país que é muito, muito jovem. Angola tem muitos jovens, muita potencialidade, mas que infelizmente, se calhar muitos desses jovens vêem as suas expectativas frustradas. A questão da empregabilidade, a questão da economia. Angola é um país com um nível de vida muito elevado face aos salários, especialmente para quem começa a trabalhar. Como é que o senhor ministro consegue ligar a estas duas coisas o desporto e os jovens? Mas também, por outro lado, dar aos jovens as condições de vida para que eles sejam satisfeitos e terem uma vida o mais tranquila e o mais serena possível.
Sabe que nós estamos agora na fase final do tratamento de dois programas concretos. Temos o Plano Nacional de Desenvolvimento do Desporto, que vai agora ao Conselho de Ministros para ser aprovado, que já mereceu discussão pública de todos os actores, incluindo jornalistas desportivos ou a indústria desportiva toda a gente participou e temos também em discussão pública o Plano Estratégico de Desenvolvimento Integral da Juventude. Portanto, sabe que os assuntos da juventude são assuntos transversais. O Ministério da Juventude e Desportos não trata tudo. Temos outros ministérios que têm responsabilidades imensas no domínio do emprego, por exemplo, no domínio da habitação. Nós temos que fazer é a coordenação das políticas juvenis do país. E aí estamos a tentar fazer no sentido de melhorar a prestação de serviço público que fazemos.
Teve aqui várias reuniões com altas entidades FIFA, o COI, o próprio encontro, provavelmente também o próprio presidente Emmanuel Macron. O que é que leva na mala para Angola e para desenvolver nos próximos tempos?
Não estive, infelizmente, com o Presidente Macron, mas estive com outros dirigentes. Tivemos aqui um encontro com a ministra francesa dos Desportos. São momentos particulares da vida de quem dirige o desporto. Foi bom, Partilhámos muito com muito óleo. Tive agora um almoço com com, digamos, o bureau do Comité Africano dos Comités Olímpicos e foi muito, muito profícuo. Trocamos muitas, muitas, muitas opiniões e acho que são convergentes no sentido de melhorarmos a relação que temos com o consórcio. Tivemos outros encontros privados com outras pessoas, com outras instituições, no sentido de discutirmos desporto. E foi muito bom. Foram momentos muito bons.
O Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, está em Paris para acompanhar o início dos Jogos Olímpicos e em entrevista à RFI disse esperar que esta seja uma oportunidade para promover a paz no Mundo. Dos atletas cabo-verdianos, espera o melhor desempenho possível e ter uma medalha "seria muito bom".
RFI: É a primeira vez que um chefe de Estado cabo-verdianos vem acompanhar a Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos. Porque decidiu vir?
José Maria Neves: Os Jogos Olímpicos são um momento raro e nesses tempos de conflitos, de guerras geoestratégicas e de algum caos a nível das relações entre Estados e entre as pessoas, é importante estar num espaço que promove a paz e promove a solidariedade, a amizade entre os povos e as pessoas, para além de constituir também o momento importante de de encontro e de busca de possibilidades para o crescimento inclusivo dos países e para a busca de novas avenidas em termos de investimento nas pessoas. Mais educação, mais desporto, mais saúde, etc. Então, é bom estar nesses momentos, nesses bons momentos, para apresentar ao mundo que há sempre oportunidades para a amizade e para a paz.
Pela primeira vez, a equipa olímpica completa reuniu-se na Praia antes dos Jogos e depois vieram para França fazer um estágio. A sua vinda é também um apoio ainda mais pronunciado ao desenvolvimento do desporto e esta equipa olímpica cabo-verdiana?
Cabo Verde está a crescer e esse apoio do Comité Olímpico e das Empresas em Cabo Verde Corresponde efectivamente a esse crescimento do país em todos os domínios. Mas a minha presença demonstra a necessidade de estarmos presentes de Cabo Verde, continuar a apoiar e mas também a possibilidade de abrirmos novas avenidas para o desenvolvimento das indústrias desportivas e de entretenimento. Em Cabo Verde.
Há sete atletas de Cabo Verde. Quais é que são as suas expectativas?
As minhas expectativas é que representem condignamente Cabo Verde. Se vier uma medalha, será muito bom. Mas neste momento é importante essa participação e fazer tudo para ser uma representação condigna de Cabo Verde.
Os últimos Jogos Olímpicos foram em Tóquio. Claro que há a questão do fuso horário, a questão da própria diferença cultural. França é muito mais próxima de Cabo Verde. Como é que em Cabo Verde se estão a viver estes jogos?
Com muita expectativa. Desde logo porque há uma representação mais elevada de Cabo Verde. Há uma maior sensibilização e a proximidade permite também que os cabo-verdianos acompanhem directamente, quase que ao vivo, todas essas manifestações culturais que vão ter lugar e espero que os cabo-verdianos acompanhem mais de perto essas jornadas desportivas olímpicas aqui em Paris.
E a diáspora? França tem uma das maiores comunidades cabo-verdianas no Mundo. A diáspora está também muito entusiasmada?
Sim, pela primeira vez, também é uma experiência para Cabo Verde, que é a abertura da Casa de Cabo Verde nos arredores de Paris e aqui vai permitir o encontro não só de outras nacionalidades, mas também dos cabo verdianos que vivem aqui em França. E eu pude perceber na preparação da minha visita que há também um grande entusiasmo não só em relação aos jogos em si, mas também em relação à participação de Cabo Verde. Os atletas cabo verdianos chegaram antes aqui à França e há já um bom intercâmbio com a comunidade cabo verdiana, que participa ativamente em tudo o que acontece em Cabo Verde do ponto de vista político, económico, social, cultural e desportivo, e constitui uma grande riqueza para Cabo Verde.
Esteve aqui em Paris numa conferência sobre o desporto como factor de desenvolvimento sustentável, como desenvolvimento das populações. O que vemos nos Jogos Olímpicos, infelizmente, é que realmente há uma grande discrepância entre equipas. Não é, Por exemplo, se falarmos de uma equipa dos Estados Unidos, uma equipa do Japão com equipas de países com menos meios, a preparação é muito diferente, as capacidades de treino são diferentes. Como é que se luta contra esta desigualdade?
Em África temos que fazer o nosso trabalho de casa desde logo, investir mais na educação, na saúde e na qualidade nutricional dos nossos cidadãos. Depois, conseguir, através do desenvolvimento da educação, uma forte infraestruturação desportiva e massificar as actividades desportivas e de educação física. Ligar a Educação ao desporto. Imagine se em cada liceu, em cada escola, todos os dias houver actividades desportivas, se houver competições e, portanto, as nossas escolas, os nossos liceus, as universidades poderão transformar-se em laboratórios de formação de atletas de preparação para a alta competição. E também temos de criar as condições para que os atletas, as diferentes equipas, as diferentes modalidades, possam preparar-se. Termos equipamentos para além das instalações, para que as coisas aconteçam e mobilizar parcerias para o financiamento dessas infraestruturas e é criarmos as condições efectivamente para a criação das indústrias desportivas nos nossos países. Isso é fundamental. E essa cimeira apontou nesse sentido. Temos capacidades humanas. As diferentes equipas do mundo demonstram isso e então temos agora que fazer o nosso trabalho de casa e fazer os investimentos que são necessários.
Sai daqui de Paris com algumas pistas sobre como isso pode fazer. O presidente Macron apresentou um documento, mas imagino que toda a gente também tenha tido outras. Partilhar experiências, mas também apresentar outras soluções. Vai daqui com algumas ideias.
Antes da cimeira, todos os chefes de Estado foram convidados a refletir sobre esta matéria. E nós falamos um pouco sobre isso em Cabo Verde. As coisas estão a acontecer. Há as federações, os investimentos que o Governo está a fazer, que os municípios estão a fazer. Mas nós precisamos acelerar o passo, sobretudo na infraestruturação desportiva e na criação de condições para obtermos equipamentos e podermos desenvolver muito mais rapidamente as indústrias desportivas no nosso país. Estamos a investir fortemente na educação, na saúde, na segurança alimentar e são dados que poderão contribuir para um desenvolvimento muito mais produtivo do sector do desporto e da Educação Física em Cabo Verde.
Falou da associação óbvia entre o desporto e a educação, mas desporto e jovens e educação é quase uma tríade indissociável. Sabe-se que muitas vezes o desporto serve também como ferramenta de integração. Sabemos que há graves problemas, por exemplo, na Praia, em relação à criminalidade juvenil ou em relação ao abandono escolar. O desporto como ferramenta é uma saída para os jovens em Cabo Verde?
Nós em Cabo Verde, precisamos de desenvolver mais a criatividade nos bairros. Eu acho que o desporto e a cultura poderão ser dois pilares importantes para termos uma sociedade com amizade social. E é importante pensarmos nisso. Veja, há algumas actividades que podem ser desenvolvidas com infraestruturas e equipamentos mínimos, como os desportos náuticos e aquáticos e temos enormes potencialidades para desenvolvermos desportos náuticos e aquáticos. E então é preciso pensarmos nisso, desenvolver uma visão e catalisar o desenvolvimento deste sector. Mas podemos desenvolver bairros criativos em que as crianças, os jovens e os adolescentes participam em actividades nos seus bairros para terem entretenimento, ocuparem de forma útil os seus tempos livres. O desporto e a cultura e o entretenimento podem servir para combatermos a violência, para reforçarmos o espírito de equipa, para reconhecer o outro, ter a possibilidade de desenvolver boa vizinhança e relações de amizade nas nossas comunidades.
O Senhor Presidente vai estar com a comunidade cabo verdiana aqui. Uma das maiores queixas da comunidade cabo-verdiana, não só em França, mas um pouco em todo o mundo, é a questão dos transportes, a dificuldade de chegar e a dificuldade de cheganfo à Praia, ir até à sua ilha de origem. Eu sei que também é uma dor de cabeça para si, porque já disse isso publicamente. O que é que se pode fazer em relação aos transportes em Cabo Verde neste momento?
Bom, os transportes têm sido um grande calcanhar de Aquiles em Cabo Verde, mas é estratégico para o país. O Governo está neste momento a discutir várias soluções e para os transportes inter-ilhas o Governo está a criar uma empresa para garantir que haja uma maior conectividade entre as ilhas. Tenho dito que esta é uma questão que tem a ver com a competitividade da nossa economia, com a coesão territorial e com a própria segurança nacional. E espero que até ao final deste ano possamos ter já equacionada e resolvida essa questão dos transportes inter-ilhas. Quanto aos transportes aéreos internacionais, também há a busca de um conjunto de soluções e, designadamente, a possibilidade de companhias low cost poderem fazer voos para Cabo Verde. A Easyjet vai começar agora e a ideia é levar também para outras capitais, para além do Sal e da Boavista e podermos assim reduzir os custos. Portanto, a busca de soluções não tem sido fácil, mas eu espero que no horizonte deste ano tenhamos essas questões já resolvidas em termos bilaterais.
Cabo Verde e França mantêm uma relação muito forte. Como é que vê os próximos anos da relação bilateral?
Eu tive um encontro há duas ou três semanas com o senhor director geral da Agência Francesa de Desenvolvimento e estávamos a falar precisamente nisso. É importante dinamizar-mos as coisas. França e Cabo Verde podem ter relações muito mais fortes e a ideia é, nos próximos tempos, fazer tudo para reforçar essas relações bilaterais entre Cabo Verde e França. E é nessa linha que combinamos trabalhar, sensibilizar as autoridades, levar mais autoridades francesas a todos os níveis a Cabo Verde e haver trocas e possibilidades de realização de investimentos. E vamos continuar a trabalhar nessa linha.
A comitiva de Timor-Leste que participa nos Jogos Olímpicos de Paris é composta por quatro atletas: Jolanio Guterres e Imelda Belo na Natação, Ana da Costa no Taekwondo e Manuel Ataide em Atletismo. O chefe de missão da delegação olímpica de Timor Leste, Mateus da Cruz, espera Timor-Leste conquiste a primeira medalha olímpica.
A delegação timorense chegou a Paris no domingo, 21 de Julho, é composta por 11 pessoas. O chefe de missão da delegação olímpica de Timor-Leste, Mateus da Cruz, espera que os atletas conquistem a primeira medalha olímpica para Timor-Leste.
RFI: O que espera da participação de Timor-Leste nestes Jogos Olímpicos?
Mateus da Cruz: O Presidente da República timorense pediu aos atletas dedicação e disciplina. Os atletas presentes dos Jogos Olímpicos não estão aqui para passear. Estamos preparados para a competição.
Quem são os atletas que representam Timor-Leste?
Há três atletas com bolsa estudo do Comité Internacional do Desenvolvimento Olímpico, eles têm bolsas de estudo durante quatro anos. Há cinco atletas com bolsas de estudo, dois deles não se conseguiram qualificar, apenas três conseguiram a qualificação para estar aqui.
Chegaram à Aldeia Olímpica no domingo foram bem recebidos. Como é que são as condições?
São normais, em todos os lugares é a mesma coisa. Estivemos muito tempo à espera no aeroporto e tivemos de esperar 4 horas aqui pela validação do crachá. A viagem de Timor-Leste a Paris demora 18 horas foi cansativo.
Depois de superada essa fase logística mais complicada, entrando dentro da Aldeia Olímpica, as condições são boas?
As condições são normais, ainda nos estamos a organizar. Precisamos mais de mesas, cadeiras para criar um espaço de escritório do Comité Olímpico. Não há espaço para que todos os elementos das delegações participem na cerimónia de abertura. Somos 11 pessoas, mas só seis pessoas podem para participar na cerimónia de abertura. Quem não participar não tem televisão para acompanhar a transmissão em directo na Aldeia Olímpica.
Quem é que vai participar na cerimónia de abertura?
Eu como chefe da missão timorense com outro responsável e os quatro atletas.
O que é que se pode esperar da cerimónia de abertura?
Eu não sei o que vai acontecer na cerimónia de abertura porque nada foi revelado. Temos uma reunião entretanto para obter informação sobre o que acontece na cerimónia de abertura.
Já participou noutros Jogos Olímpicos?
Já fui chefe de missão da delegação timorense nos Jogos Olímpicos em Sydney, na Grécia, no Rio de Janeiro, em Londres e no Japão também.
Depois de uma viagem cheia de turbulências, os atletas devem estar descansar. Quando é que são os primeiros treinos?
Na segunda-feira decidi que não haveria treino, foi um dia para descansar. Os treinos começaram na terça-feira. Temos horários fixos da comissão organizadora. A natação tem o próprio estádio para treinar, existem também horários de treinos e depois transporte. Estamos preparados para a competição, mas sabem que as condições em Timor-Leste são diferentes, por exemplo não existe nenhuma piscina olímpica no nosso país. Os atletas estão na Austrália, na Indonésia, na Malásia. Um deles passou seis meses em França.
O objectivo de Timor-Leste é conquistar a sua primeira medalha?
Esperamos que Taekwondo tenha a primeira medalha de Timor-Leste. Vamos ver porque a atleta taekwondo já participou em várias competições internacionais e tem projecção nos Jogos asiáticos.
Para os atletas timorenses esta é a primeira vez que estão a participar no maior evento desportivo mundial?
Sim, são os quatro novos atletas que se estreiam nos Jogos Olímpicos. É também a primeira vez que estão em França.
Os atletas de Cabo Verde já estão instalados na Aldeia Olímpica e os Jogos de Paris marcam a história do desporto no país já que não só houve um número recorde de atletas apurados para a competição, mas também um grande investimento na preparação deste evento. Factores que contribuem para um grande apoio dos cabo-verdianos - incluindo a diáspora em todo o Mundo - nestes Jogos Olímpicos como explicou Léo Moreau, chefe da missão olímpica de Cabo Verde, à RFI.
Se nos Jogos Olímpicos, as arenas desportivas são o centro das atenções onde num milissegundo se ganha ou se perde uma medalha, a Aldeia Olímpica é o coração deste evento. A RFI foi até à Aldeia Olímpica dos Jogos de Paris 2024, nos arredores da capital francesa, para entrevistar Léo Moreau, chefe da missão olímpica de Cabo Verde.
Para este francês radicado há quase uma década em Cabo Verde, os sete atletas do país estão preparados para fazer a sua melhor perfomance. Integram a equipa olímpica: Samuel Freire (atletismo), Jayla Pina (natação), José Tati (natação), Nancy Moreira (boxe), David Pina (boxe), Victor Alvares d'Oliveira (esgrima) e Djamila Correia e Silva (judo).
Para Moreau, o objectivo é que os atletas atinjam ou ultrapassem os seus objectivos pessoais e se houver uma medalha, será um bónus.
"Eu acredito que temos atletas que têm chance de competir ao mais alto nível. É muito difícil fazer prognósticos ou colocar qualquer expectativa formal, porque não depende só de nós. O desporto de alto nível é assim, é feito de surpresas boas ou más. Eu acredito que os atletas estão preparados para fazer excelentes resultados. O boxe, de facto é provavelmente a nossa modalidade mais forte este ano, mas não quero depreciar os outros e todos vão competir ao mais alto nível. A medalha não é o único objetivo. Os atletas são os primeiros a colocarem os seus objectivos com os treinadores no nosso trabalho. A nossa missão é colocá-los nas melhores condições para atingirem os objectivos deles. Eles vão tentar fazer o melhor tempo da carreira deles. E daí, se isto significar uma medalha no fim, perfeito", declarou o chefe da missão cabo-verdiana.
Pela primeira vez, a equipa olímpica reuniu-se alguns dias antes dos Jogos na Praia e depois teve um estágio em Parthenay, no Oeste da França. Uma prepração que permitiu dar mais "tranquilidade" aos atletas antes de chegarem a Paris.
"Só o facto de juntar a delegação na Praia é uma primeira vez. Para o Rio já tínhamos juntado alguns atletas, mas não toda a delegação. Agora para França, de facto, é também a primeira vez que Cabo Verde faz um estágio de aclimatação e de preparação ao país de acolhimento dos jogos. Fomos para uma cidade pequena que se chama Parthenay, no Oeste de França, onde fomos buscar, obviamente, condições favoráveis de treino e de preparação e também uma certa tranquilidade e também para nos preservar e proteger os atletas para que possam treinar e aclimatar-se com muita tranquilidade e sem stress antes da ansiedade da Aldeia Olímpica, onde já há muita gente e muitos cabo verdianos a solicitar a atenção dos atletas", explicou Leo Moreau.
Este investimento na preparação da equipa é para o chefe de missão uma prova da maturidade do Comité Olímpico e contribui também para o entusiasmo dos cabo-verdianos em relação aos Jogos Olímpicos de Paris, incluindo a grande comunidade em França e no resto do Mundo.
"Acho que o Comité Olímpico cabo-verdiano chegou a este ciclo olímpico com uma certa maturidade que permite fazer o que não tínhamos feito no passado, tanto a nível financeiro como a nível institucional mesmo. Temos patrocínios de empresas nacionais que ajudaram muito a fazer tudo isto. Obviamente, isto é o primeiro ponto. Depois nós tínhamos ambições particulares devido a esta maturidade, porque Paris é relativamente perto de Cabo Verde. Tudo relativo, mas há pouca diferença horária. Estamos a sair de uma Olimpíada em Tóquio, com a pandemia e muita diferença horária. Acho que a população em Cabo Verde não sentiu tanto o espírito olímpico. Daqui a quatro anos vai ser em Los Angeles, do outro lado do mundo. Daqui a oito anos vai ser em Brisbane, na Austrália. Portanto, tínhamos aí uma oportunidade muito, muito grande. A diáspora também tem muitos cabo verdianos aqui em Paris, em França, na Europa. Estamos a receber muitas mensagens de apoio. Estamos a sentir mesmo um apoio e um interesse pelos jogos. Desta vez e para a delegação cabo verdiana muito maior que anteriormente", concluiu.
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De segunda a sexta-feira (ou, quando a actualidade o justifica, mesmo ao fim de semana), sob forma de entrevista, analisamos um dos temas em destaque na actualidade.

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