Curioso por Ciência - USP

Curioso por Ciência - USP

Download on the App Store

Curioso por Ciência - USP episodes

  • Curioso por Ciência #128: Síndrome das pernas inquietas pode passar despercebida em pessoas idosas com demência

    Um incômodo nas pernas que aparece durante o repouso, provoca uma necessidade de movimentá-las e melhora ao caminhar pode prejudicar o descanso. Conhecido como síndrome das pernas inquietas, o problema também afeta pessoas idosas com demência, mas as dificuldades para comunicar o que sentem podem atrapalhar sua identificação.

    Neste episódio do Curioso por Ciência, Isabelle Rodrigues apresenta uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP que investigou a frequência dessa síndrome em pessoas idosas com demência e sua relação com indicadores de ferro no organismo.
    O diagnóstico da síndrome depende, principalmente, da descrição dos sintomas pelo paciente. É preciso identificar quando o desconforto aparece, como ele se manifesta e se o movimento proporciona alívio. Em pessoas com demência, alterações de memória e dificuldades de comunicação podem limitar esse relato e fazer com que o problema passe despercebido.
    A pesquisa foi dividida em duas etapas. Na primeira, uma revisão sistemática reuniu 13 trabalhos sobre o tema. Na segunda, foram avaliadas 70 pessoas idosas com demência, considerando aspectos como cognição, comportamento, qualidade do sono e presença da síndrome das pernas inquietas. A pesquisadora também consultou resultados de exames laboratoriais nos prontuários.
    A síndrome foi identificada em 15,7% dos participantes. As pessoas com o problema apresentaram níveis mais baixos de ferritina, uma proteína que ajuda a avaliar as reservas de ferro do organismo. Também foram observadas pior qualidade do sono e maior frequência de sintomas neuropsiquiátricos, que envolvem alterações de comportamento e do estado emocional.
    Os resultados chamam a atenção para a necessidade de investigar outras possíveis causas de desconforto e agitação noturna em pessoas com demência. A síndrome das pernas inquietas é uma dessas possibilidades, e reconhecer seus sinais pode contribuir para uma avaliação mais completa das dificuldades de sono desses pacientes.
    O estudo é parte do mestrado Prevalência de síndrome das pernas inquietas e relação com anemia ferropriva em pessoas idosas com demência, de Érica Dayanne Meireles Leite, orientada pelo professor Marcos Hortes Nisihara Chagas. O trabalho foi desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Saúde Mental e defendido em 2024.
    6 min
  • Curioso por Ciência #128: Alterações no crescimento podem sinalizar diabetes em pacientes com fibrose cística
    Dificuldades para ganhar peso e um crescimento abaixo do esperado podem ser sinais de atenção em crianças e adolescentes com fibrose cística. Essas mudanças podem anteceder o diagnóstico de um tipo específico de diabetes associado à doença, mesmo quando os sintomas mais conhecidos não aparecem.
    Neste episódio do Curioso por Ciência, Isabelle Rodrigues apresenta uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP que investigou o perfil de pacientes com diabetes relacionado à fibrose cística acompanhados no Hospital das Clínicas da FMRP.
    A fibrose cística é uma doença genética e crônica que afeta principalmente os pulmões e o sistema digestivo. Entre suas complicações está uma forma de diabetes em que o organismo apresenta dificuldades para controlar a quantidade de glicose, o açúcar que circula no sangue.
    Para conhecer o perfil desses pacientes, o pesquisador revisou 230 prontuários referentes a atendimentos realizados entre 2013 e 2022. Após a aplicação dos critérios da pesquisa, 23 pacientes foram incluídos: 14 tinham diabetes relacionado à fibrose cística e nove apresentavam outras alterações nos níveis de glicose, chamadas de disglicemias.
    O estudo comparou medidas de peso e altura registradas três anos antes, um ano antes e no momento do diagnóstico. Os resultados indicaram uma tendência de redução dessas medidas em relação ao esperado para a idade à medida que o diagnóstico se aproximava.
    Entre os pacientes com diabetes relacionado à fibrose cística, o diagnóstico ocorreu, em média, por volta dos 15 anos. A maioria não apresentava os sintomas típicos de diabetes, o que reforça a importância do acompanhamento regular.
    Os achados destacam o papel da avaliação do crescimento e do ganho de peso na identificação de mudanças que merecem investigação. Essas medidas, associadas aos exames de glicose, podem ajudar os profissionais de saúde a reconhecer sinais dessa complicação.
    A pesquisa faz parte do mestrado Perfil dos pacientes com diabetes relacionado à fibrose cística acompanhados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, de Guilherme Henrique Pedrassoli, orientado pelo professor Raphael Del Roio Liberatore Junior e defendido em 2025.
    6 min
  • Curioso por Ciência #127: Fisioterapia por videochamada melhora sintomas de incontinência urinária em mulheres com obesidade

    Perder urina involuntariamente ao tossir, levantar peso ou praticar uma atividade física pode fazer parte da rotina de mulheres com incontinência urinária. O escape também pode ocorrer acompanhado de uma vontade repentina e difícil de controlar de ir ao banheiro. Mais frequente entre as mulheres, o problema pode afetar a qualidade de vida.

    Neste episódio do Curioso por Ciência, Isabelle Rodrigues apresenta uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP que avaliou o treinamento dos músculos do assoalho pélvico acompanhado a distância em mulheres com obesidade e relatos de incontinência urinária.
    Localizados na parte inferior da bacia, esses músculos ajudam a sustentar os órgãos da região e a controlar a saída da urina. Seu treinamento já é utilizado no tratamento da incontinência urinária. A pesquisa investigou a efetividade dos exercícios quando o acompanhamento da fisioterapeuta ocorre por videochamada.
    Participaram da etapa inicial do estudo 75 mulheres, divididas aleatoriamente em dois grupos. Um deles não recebeu o treinamento durante o período da pesquisa. O outro realizou um programa de exercícios durante 12 semanas, com uma sessão semanal supervisionada por videochamada e pelo menos outras três feitas de forma autônoma.
    Ao final desse período, as mulheres que realizaram o treinamento apresentaram melhora dos sintomas de perda de urina superior à observada no grupo que não recebeu a intervenção. Três participantes do grupo de treinamento deixaram de relatar incontinência urinária. O principal resultado, porém, foi a melhora dos sintomas, e não a eliminação do problema em todas as mulheres.
    A pesquisa também identificou boa adesão e alta satisfação com o atendimento a distância. A avaliação média das participantes foi de 9,7 em uma escala de até 10.
    O estudo é parte da tese de doutorado Efetividade do treinamento muscular do assoalho pélvico por meio de telefisioterapia nos relatos de incontinência urinária em mulheres com obesidade: ensaio clínico randomizado e controlado, de Pauliana Carolina de Souza Mendes, orientada pela professora Cristine Homsi Jorge. O trabalho foi desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho Funcional, na área de Fisioterapia, e defendido em 2025.
    5 min
  • Curioso por Ciência #126: Avaliação combinada melhora rastreamento da pré-eclâmpsia desde o início da gestação
    A pré-eclâmpsia é um problema que pode surgir durante a gravidez e tem como uma de suas principais características o aumento da pressão arterial. Em alguns casos, pode causar complicações para a mãe e para o bebê.
    Neste episódio do Curioso por Ciência, Isabelle Rodrigues apresenta uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP que avaliou uma forma de identificar, ainda no primeiro trimestre da gravidez, as mulheres com maior risco de desenvolver pré-eclâmpsia.
    Uma das maneiras de avaliar esse risco é analisar o histórico de saúde da gestante, considerando, por exemplo, se ela já apresentou pré-eclâmpsia em outra gravidez ou se possui determinados problemas de saúde. A pesquisa investigou uma avaliação mais completa, que reúne o histórico da gestante, a medição da pressão arterial, um exame de ultrassom e exames de sangue. Todas essas informações podem ser obtidas no começo da gravidez.
    O estudo reuniu dados de gestantes atendidas em diferentes centros de saúde do Brasil. Ao todo, 1.776 mulheres fizeram parte da análise final. Elas foram acompanhadas para que os pesquisadores verificassem quais desenvolveriam pré-eclâmpsia e comparassem o resultado com o risco calculado no início da gestação.
    Ao combinar as diferentes informações, os pesquisadores conseguiram identificar cerca de oito em cada dez casos de pré-eclâmpsia ocorridos antes do tempo esperado para o nascimento do bebê. O resultado foi melhor do que o obtido com a análise isolada do histórico de saúde da gestante.
    A identificação de um risco maior não significa que a mulher necessariamente desenvolverá pré-eclâmpsia. O resultado indica a necessidade de maior atenção durante a gestação, permitindo que os profissionais de saúde acompanhem a paciente e avaliem as medidas preventivas adequadas para cada caso. A pesquisa mostrou que essa avaliação combinada pode ser utilizada entre gestantes brasileiras e realizada ainda nos primeiros meses da gravidez.
    A pesquisa é parte do doutorado Validação prospectiva do screening de pré-eclâmpsia no primeiro trimestre na população brasileira, de Michael de Mello Constantino, orientado pelo professor Fabrício da Silva Costa no Programa de Pós-Graduação em Ginecologia e Obstetrícia da FMRP, concluído em 2026.
    5 min
  • Curioso por Ciência #125: Pesquisa avalia prática de atenção plena contra sintomas de compulsão alimentar
    Comer nem sempre está relacionado apenas à fome. Ansiedade, tristeza, preocupação e outras emoções podem influenciar a alimentação e, em alguns casos, estar associadas a episódios de compulsão alimentar.
    Neste episódio do Curioso por Ciência, Isabelle Rodrigues apresenta uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP que avaliou os efeitos de uma intervenção de comer com atenção plena entre universitários com sintomas de compulsão alimentar.
    Comer com atenção plena significa observar com mais cuidado o momento da refeição, percebendo sinais como fome e saciedade, além dos sabores e das emoções que aparecem durante a alimentação. A proposta é reduzir o comportamento automático de comer sem prestar atenção ao que está sendo sentido.
    Os universitários participantes da pesquisa foram separados em três grupos. Um deles participou de um programa de comer com atenção plena, composto de 11 encontros semanais realizados pela internet. O segundo recebeu orientações sobre alimentação saudável, enquanto o terceiro não participou dessas atividades.
    Ao final, 64 universitários completaram todas as etapas consideradas na pesquisa. Entre os participantes do programa de comer com atenção plena, houve redução dos sintomas de compulsão alimentar e melhora no comer intuitivo.
    O comer intuitivo está relacionado à capacidade de perceber os sinais do próprio corpo, como fome e saciedade, sem deixar que apenas regras ou emoções determinem quando e como comer. A pesquisa também identificou melhora na atenção plena e na apreciação corporal entre os participantes do programa. Não foram observadas mudanças no consumo de bebidas alcoólicas.
    De acordo com o estudo, o comer com atenção plena pode ser uma estratégia para melhorar a relação com a comida entre universitários com sintomas de compulsão alimentar. Os pesquisadores destacam, entretanto, que novos estudos são necessários para confirmar e aprofundar os resultados.
    A pesquisa é parte do doutorado A efetividade de uma intervenção de Mindful Eating nas atitudes alimentares e na apreciação corporal de universitários com sintomas de compulsão alimentar: ensaio clínico randomizado, de Lívia Dayane Sousa Azevedo, orientada pela professora Rosane Pilot Pessa no Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Metabolismo da FMRP, concluído em 2026.
    5 min
  • Curioso por Ciência #124: Acompanhamento do peso na gestação pode ajudar a identificar riscos para o bebê
    Ganhar peso durante a gravidez é esperado, pois o corpo da mulher passa por diversas mudanças enquanto o bebê se desenvolve. Entretanto, esse ganho precisa ser acompanhado durante o pré-natal, principalmente quando a gestante já inicia a gravidez com sobrepeso.
    Neste episódio do Curioso por Ciência, Isabelle Rodrigues apresenta uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP que comparou diferentes métodos de avaliação do ganho de peso gestacional e investigou sua associação com desfechos maternos e neonatais.
    Para realizar o estudo, os pesquisadores analisaram informações de 260 gestantes com sobrepeso que fizeram o pré-natal em unidades básicas de saúde de Ribeirão Preto entre 2018 e 2021. As recomendações brasileiras para o acompanhamento do peso foram comparadas com orientações utilizadas internacionalmente. Os resultados mostraram diferenças entre os métodos. As recomendações brasileiras identificaram melhor o ganho de peso das gestantes com sobrepeso avaliadas na pesquisa.
    O estudo também verificou que cerca de oito em cada dez gestantes apresentaram ganho de peso acima do recomendado. Os pesquisadores analisaram se esse ganho excessivo estava relacionado ao diabetes gestacional ou a características apresentadas pelos bebês ao nascer.
    Entre as participantes do estudo, o ganho excessivo de peso não apresentou relação com o diabetes gestacional. Entretanto, foi encontrada uma associação com o nascimento de bebês grandes para a idade gestacional, ou seja, com tamanho maior do que o esperado para o número de semanas de gravidez.
    Os resultados reforçam a importância de acompanhar o peso durante o pré-natal. Esse acompanhamento permite identificar quando o ganho está acima do recomendado e pode contribuir para a avaliação de possíveis riscos para o bebê.
    A pesquisa é parte do doutorado Ganho de peso gestacional em gestantes brasileiras: comparação de métodos de avaliação e associação com desfechos maternos e neonatais, de Natália Posses Carreira, orientada pela professora Lívia Castro Crivellenti e coorientada pela professora Daiane Leite da Roza, no Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da FMRP, concluído em 2026.
    5 min
  • Curioso por Ciência #123: Proteínas modificadas podem melhorar a produção de etanol de segunda geração

    Restos de plantas, como palha de cana e bagaço, podem ser utilizados na produção do etanol de segunda geração. Esse processo permite aproveitar resíduos agrícolas como matéria-prima para a fabricação de combustível.

    Neste episódio do Curioso por Ciência, Isabelle Rodrigues apresenta uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da que analisou maneiras de melhorar o aproveitamento dos açúcares encontrados nos resíduos vegetais.

    Na produção do etanol de segunda geração, leveduras transformam os açúcares presentes nas plantas em álcool. Entretanto, nem todos esses açúcares são aproveitados com a mesma eficiência, o que pode reduzir o rendimento do processo.

    A pesquisa modificou proteínas responsáveis pelo transporte dos açúcares para o interior das células. O objetivo foi desenvolver transportadores capazes de reconhecer melhor a xilose, um açúcar encontrado em grande quantidade nos resíduos vegetais, e diminuir a preferência pela glicose.

    Os resultados mostraram que os novos transportadores apresentaram maior reconhecimento da xilose e menor preferência pela glicose. Segundo o estudo, essa característica pode contribuir para ampliar o aproveitamento da matéria-prima disponível e melhorar a eficiência da produção de etanol de segunda geração.

    A pesquisa é parte do doutorado Desenvolvimento racional e caracterização funcional de novos transportadores de açúcar de Trichoderma reesei com insensibilidade para glicose, de Iasmin Cartaxo Taveira, orientada pelo professor Roberto do Nascimento Silva, no Programa de Pós-Graduação em Bioquímica da FMRP, concluído em 2025.

    4 min
  • Curioso por Ciência #122: Restrição de crescimento intrauterino está associada a maior risco de hipertensão na vida adulta

    A saúde na vida adulta pode começar a ser definida ainda durante a gravidez. Quando o bebê não recebe nutrientes e oxigênio suficientes e cresce abaixo do esperado, dentro do útero, ocorre uma condição chamada restrição de crescimento intrauterino.

    Neste episódio do Curioso por Ciência, Isabelle Rodrigues apresenta os resultados de uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP que investigou se essa condição pode aumentar o risco de hipertensão arterial décadas depois do nascimento. Os pesquisadores avaliaram quase 1.600 pessoas nascidas em Ribeirão Preto no fim da década de 1970. Os participantes tinham entre 38 e 39 anos quando foram analisados.

    Os resultados mostraram que as pessoas que nasceram com restrição de crescimento intrauterino apresentaram pressão arterial um pouco mais elevada e maior frequência de hipertensão em comparação com aquelas que tiveram crescimento adequado durante a gestação.

    A associação não significa que o desenvolvimento da hipertensão seja inevitável. Alimentação equilibrada, prática de atividade física, acompanhamento médico regular e cuidados como evitar o cigarro continuam sendo importantes para a prevenção da doença. Conhecer o risco pode contribuir para que o acompanhamento da saúde comece mais cedo.

    O estudo reforça ainda a importância do pré-natal e dos cuidados durante a gravidez, que podem trazer benefícios não apenas para o nascimento, mas também para a saúde da criança ao longo da vida.

    A pesquisa é parte do doutorado Restrição de crescimento intrauterino e risco de hipertensão arterial na vida adulta: um estudo de coorte de nascimento da cidade de Ribeirão Preto, de Paulo Cesar Lopes, orientado pelo professor Eduardo Barbosa Coelho no Programa de Pós-Graduação em Clínica Médica da FMRP, concluído em 2025.

    4 min
  • Curioso por Ciência #121: Placenta ajuda a proteger o bebê contra o coronavírus durante a gestação

    A placenta desempenha funções essenciais durante a gestação. Além de transportar oxigênio e nutrientes, o órgão atua como uma barreira natural contra infecções e ajuda a controlar a resposta do organismo materno, mantendo o equilíbrio necessário ao desenvolvimento do bebê.

    Neste episódio do Curioso por Ciência, Isabelle Rodrigues apresenta os resultados de uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP que investigou como a placenta reage à presença do coronavírus. Os pesquisadores analisaram 71 placentas de mulheres que deram à luz durante a pandemia de covid-19, incluindo mães que não tiveram a doença e outras que foram infectadas. Em parte dos casos, o vírus também foi identificado na placenta.

    As análises mostraram que as placentas nas quais o coronavírus estava presente apresentavam uma resposta inflamatória mais intensa. Também foram encontradas alterações capazes de prejudicar a circulação sanguínea no órgão e uma redução na quantidade de algumas proteínas envolvidas na manutenção do equilíbrio entre a mãe e o bebê.

    Apesar dessas alterações, a transmissão do coronavírus da gestante para o bebê permaneceu rara. Segundo os pesquisadores, a própria resposta da placenta pode criar um ambiente menos favorável à multiplicação do vírus, dificultando que ele atravesse o órgão e alcance o feto.

    Os resultados contribuem para ampliar a compreensão sobre os mecanismos utilizados pela placenta para proteger o bebê durante infecções. Esse conhecimento também pode auxiliar no desenvolvimento de novas estratégias de acompanhamento e cuidado durante a gestação.

    A pesquisa é parte do doutorado Impacto da infecção materna por sars-cov-2 nas atividades inflamatória e imunotolerogênica placentárias, de Jessica Cristina Leme, orientada pelo professor Fernando Silva Ramalho, no Programa de Pós-Graduação em Patologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, concluída em 2025.
    4 min
  • Curioso por Ciência #120: Organização integrada pode reduzir custos no atendimento de pessoas com autismo

    Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) frequentemente necessitam do acompanhamento de diferentes profissionais, como psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas. Organizar esses atendimentos de maneira integrada é um dos desafios enfrentados pelos serviços de saúde, especialmente diante da necessidade de garantir continuidade do cuidado e, ao mesmo tempo, administrar os custos envolvidos.

    Neste episódio do Curioso por Ciência, Isabelle Rodrigues apresenta os resultados de uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP que analisou como uma cooperativa médica do interior de São Paulo reorganizou o atendimento terapêutico oferecido a beneficiários com TEA. Em vez de encaminhar os pacientes para diferentes clínicas, a cooperativa passou a concentrar os serviços em um centro próprio, reunindo profissionais de diferentes áreas.

    O estudo mostrou que a mudança esteve associada à redução dos custos com os atendimentos e das ações judiciais relacionadas aos tratamentos, além de favorecer maior integração entre os profissionais. Segundo os gestores ouvidos na pesquisa, o modelo também permitiu organizar melhor os serviços e ampliar o controle sobre a qualidade do atendimento.

    Embora os resultados sejam referentes ao estudo de caso de uma única cooperativa médica, a pesquisa indica que a integração dos serviços pode contribuir para tornar o atendimento às pessoas com autismo mais eficiente. Ao reunir diferentes profissionais e facilitar o compartilhamento de informações sobre os pacientes, o modelo favorece o acompanhamento das necessidades individuais e o planejamento dos tratamentos.

    O episódio apresenta a dissertação de mestrado Análise da estrutura vertical no atendimento terapêutico de beneficiários portadores de TEA à luz da teoria dos custos de transação – estudo de caso de uma cooperativa médica, de Helena Villela Rosa, orientada pelo professor Carlos Alberto Gabrielli Barreto Campello, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Gestão de Organizações de Saúde da FMRP e defendida em 2025.

    4 min

About Curioso por Ciência - USP

From the publisher's feed

O conhecimento gerado na Universidade, a partir dos resultados dos mestrados e doutorados dos programas de pós-graduação da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, de maneira simples,…