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O cristianismo primitivo encontrou, entre as camadas mais pobres da população, um fértil terreno para sua expansão. Não simplesmente como ideologia alienante imposta pelas classes dominantes, pois era uma religião proibida, ilegal e perseguida. Era um movimento autenticamente popular e que ganhava espaço justamente por responder aos anseios por justiça e igualdade social. A estrutura comunista primitiva da igreja deixa isso muito claro, tendo sido um dos principais atrativos do cristianismo para os pobres.
A proximidade temporal entre a vida de Jesus e o surgimento das primeiras comunidades cristãs deixa pouco espaço para grandes distorções, e isso seria índice de que as posições políticas do próprio Jesus não eram muito diferentes do que essas comunidades praticavam em seu cotidiano. Além disso, as boas novas dificilmente seriam acolhidas entre os pobres apenas por causa do seu conteúdo espiritual ou intelectual, o que revela o cristianismo primitivo como essencialmente prático.
A morte é um dos principais temas da filosofia. O medo diante do fim de nossa existência e a pergunta por aquilo que viria após este evento inquietam desde sempre os seres humanos. Abordaremos neste episódio principalmente filósofos da antiguidade, mencionando algumas posições de Sócrates, Epicuro, Marco Aurélio e Epicteto. Indicaremos também um clássico da literatura para refletir sobre a questão.
O imperador romano Marco Aurélio, seguidor da filosofia estoica, afirma em suas Meditações: "Portanto, diante da morte, a atitude do homem que raciocina não é recebê-la com revolta, violência ou soberba, mas aguardá-la como uma das operações naturais. Como aguardas agora que o nascituro saia um dia do ventre de tua esposa, assim acolhe a hora em que tua alma escapará desse invólucro."
Neste episódio apresentamos alguns dos principais temas da obra História e consciência de classe, de Georg Lukács (1885-1971). Publicada em 1923, a obra celebrou seu primeiro centenário em 2023, e nos ajuda a compreender questões fundamentais não apenas do nosso cotidiano, mas também dos últimos séculos.
Por que as ciências, por exemplo, investigam fatias cada vez mais estreitas do real, perdendo a visão da totalidade? Ou qual a relação entre a burocracia – seja estatal ou corporativa – e o capitalismo? Quem nunca passou pela experiência de ser tratado como um número por um órgão do governo ou por um serviço de telemarketing? Tais aspectos podem ser explicados pela categoria de reificação, uma das principais tratadas nesta obra.
Neste episódio vamos apresentar inicialmente um breve esboço biográfico de Lukács, e em seguida abordaremos alguns dos principais temas de sua obra, a saber: marxismo ortodoxo, consciência de classe e reificação.
Neste episódio queremos mostrar por que substituir livros por televisão é algo culturalmente regressivo. Podemos dizer que a televisão vai, em certo sentido, na contramão daquele desenvolvimento civilizatório do qual surgiu a ciência. Uma cultura do texto nos trouxe lógica, educação e civilidade, por exemplo. Quanto a uma cultura da televisão, no entanto, não podemos ser tão otimistas: quais serão seus efeitos a longo prazo, em alguns séculos?
Veremos também que a televisão é parte daquilo que Guy Debord (1931-1994) chamou de espetáculo. Debord compreendeu de tal forma o mecanismo do espetáculo sob o capitalismo que, ao lermos sua irretocável obra A sociedade do espetáculo (1967), temos a impressão de que o autor já conhecia as atuais redes sociais. Mas não era isso. É que ele conseguiu capturar a essência e o núcleo daquilo que, no capitalismo, levaria ao desenvolvimento desses fenômenos.
Por que é tão difícil alcançarmos uma felicidade duradora? Qual a fonte de nossa infelicidade? Por que cada vez mais pessoas adoecem mentalmente e cresce o número de indivíduos com depressão? Estes são alguns dos temas para os quais buscamos respostas na obra O mal-estar na civilização, de Sigmund Freud.
O mal-estar na civilização é um dos mais importantes escritos teórico-culturais de Sigmund Freud. O pai da psicanálise investiga aqui a influência da civilização nos indivíduos, compreendendo a civilização como uma força que controla as pulsões dos indivíduos e os torna infelizes e neuróticos. Mesmo no século XXI, a obra não perdeu nada de sua atualidade, e soa às vezes até mesmo profética.
Será que muito conhecimento pode nos deixar mais tristes? Não me refiro àquele conhecimento como o da ciência, o qual visa apenas compreender fenômenos isolados da realidade e explicar suas causas. Nossa investigação terá como ponto de partida um livro antigo, escrito por volta do século III a.C., e contará com o aporte teórico de pensadores e filósofos como Arthur Schopenahuer, Albert Camus, Michel de Montaigne e Sigmund Freud.
O marxismo não promete o paraíso na Terra. Quem afirma o contrário revela não conhecer o mínimo necessário para fazer qualquer juízo que seja sobre a tradição iniciada por Karl Marx. É de certa maneira compreensível, no entanto, que tais indivíduos acreditem nesta caricatura, tendo em vista que o próprio trabalho de agitação e propaganda políticas, essencial para divulgar tais ideias entre as grandes massas de trabalhadores, propicia frequentemente tal desentendimento.
Sem dúvida alguma o socialismo resolverá alguns dos maiores problemas da humanidade. Fome, guerras, moradia e violência serão então parte do passado, daquele período histórico que receberá o nome de “pré-história da humanidade”. Quando todas as necessidades materiais estiverem satisfeitas, no entanto, o que faremos? Não haverá mais, em uma sociedade comunista, coisas como doença, acidentes, morte, dor, luto, melancolia ou loucura? Será que vamos parar de nos perguntar pelo sentido da vida e por nosso lugar neste imenso universo?
Os primeiros filósofos gregos são chamados de pré-socráticos, distinção que se aplica pelo fato de terem vivido antes de Sócrates (embora alguns tenham sido contemporâneos ao mestre de Platão). O projeto filosófico comum a praticamente todos eles era a busca da arkhé, isso é, da substância fundamental de que é formada toda a realidade.
Depois de já termos falado sobre o pobre de direita, vamos abordar agora o rico de esquerda. O que está em jogo aqui não é simplesmente uma inversão de sinais, tal como entre os números 2 e -2. Um pobre de direita e um rico de esquerda são completamente diferentes, não obstante compartilharem uma característica: ambos são traidores de suas classes sociais e não agem conforme os interesses delas.
A maioria das acusações aos supostos "ricos de esquerda" é de cunho moral. Vamos mostrar que todas se originam de incompreensões básicas sobre o que significa ser de esquerda.
Nietzsche é o filósofo que anunciou a morte de Deus. A pergunta por sua posição pessoal quanto à existência de divindades pareceria, portanto, relativamente simples de se responder: Nietzsche era ateu. A questão é que o filósofo alemão, assim como Platão, está entre os mais fáceis de ler e também difíceis de compreender, de modo que a questão de seu ateísmo não é tão clara assim para grande parte de seus leitores.
Em um nível básico de incompreensão, alguns chegam até mesmo a afirmar que Nietzsche não poderia ser ateu, pois exalta Dionísio e também critica os ateus em alguns de seus textos. O ateísmo de Nietzsche só pode ser compreendido, portanto, levando em conta a complexidade e a totalidade de sua obra.
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Venha aprender sobre filosofia, política e psicanálise! Podcast produzido na Alemanha por Glauber Ataide, mestre e bacharel em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com especializações em Teoria Psicanalítica e Aconselhamento Filosófico. Atualmente também discente do programa de pós-graduação em Philosophische Praxis na Universidade de Viena, na Áustria.
Para cursos, livros e outras redes sociais, acesse este link: bio.site/filosofiavermelha

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