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Nesse episódio, conversamos sobre aquilo que herdamos sem perceber. As frases que repetimos sem notar, os medos que parecem vir de antes de nós, os assuntos que, em algumas famílias, nunca puderam ser ditos. A psicanálise nos mostra que nem sempre somos marcados pelo que foi falado, mas também pelo que permaneceu sem palavras e atravessou gerações.
Logo, podemos nos perguntar: até que ponto a herança é o destino? Ao longo da conversa, chegamos a uma conclusão que serve, aqui, como um convite: herdar não nos obriga a repetir. Podemos reconhecer o que recebemos e, assim, escolher o que faremos com isso.
Nesse episódio, recebemos Elisama Santos (@elisamasantosc) - psicanalista, escritora best-seller, palestrante e podcaster - para uma conversa necessária sobre um dos afetos mais presentes e menos elaborados na experiência de maternar: a culpa.
Partimos da clínica para chegar à cultura: o ideal impossível de maternidade, a herança patriarcal que transforma o cuidado em cobrança e os efeitos disso na vida psíquica das mulheres.
Com Melanie Klein, tensionamos a ideia de que tudo depende do ambiente, ao enfatizar o peso dos fatores inatos, como a inveja e a voracidade, na constituição psíquica do bebê. Nesse deslocamento, a mãe deixa de ocupar o lugar de causa absoluta.
Já com Donald Winnicott, abrimos espaço para um respiro: a mãe não precisa ser perfeita; precisa ser suficientemente boa.
A proposta do episódio é retirar a culpa materna do registro da falha individual e recolocá-la dentro de um campo mais amplo, em que o psíquico, o relacional e o cultural se entrelaçam sem reduzir a complexidade da maternidade em si.
Nesse episódio, falamos sobre a dificuldade de pedir ajuda. Partimos de Freud, em “Introdução ao narcisismo” (1914), para pensar aqueles sujeitos que não conseguem depender de ninguém devido a uma onipotência narcísica que torna o amparo quase intolerável. Num outro extremo, recorremos a Ferenczi (1933), para refletir sobre os efeitos de traumas precoces em sujeitos que foram obrigados a amadurecer antes do tempo e a carregar a vida nas costas. Vale lembrar que, quando pedir ajuda nunca pôde ser uma experiência segura, a autossuficiência se organiza como defesa. Também conversamos sobre os efeitos clínicos desse funcionamento. No fim, Filipe leu um trecho de seu artigo “A recusa do amparo: defensividade e medo da dependência”, que aborda o manejo desses pacientes na perspectiva winnicottiana.
Nesse episódio, partimos de uma descoberta da neurociência para chegar onde a psicanálise já estava há muito tempo: os nossos pensamentos não são eventos isolados, particulares, que acontecem num plano separado da vida real. Eles são atos. Atos psíquicos que têm consequências biológicas, relacionais e subjetivas. Um estudo publicado na “Biological Psychology” mostrou que pensamentos negativos ruminativos aumentam os níveis de cortisol e alfa-amilase - marcadores de estresse no corpo - mesmo em repouso. Ou seja: a mente que rumina adoece o corpo o tempo todo. Fechamos o episódio com trechos do livro “O Perigo de Estar Lúcida”, de Rosa Montero.
*Artigo científico do episódio:
Engert, V., Smallwood, J., & Singer, T. (2014). Mind your thoughts: associations between self-generated thoughts and stress-induced and baseline levels of cortisol and alpha-amylase. Biological Psychology, 103, 283–291.
🔗 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25457636/
O que faríamos se não tivéssemos medo? Partindo dessa questão, pensamos o quanto a neurose, no sentido freudiano, organiza a vida pela via da inibição, produzindo escolhas por meio do recuo, renúncias e uma criatividade cada vez mais limitada. Para tensionar essa lógica, nos aproximamos de Melanie Klein e de sua leitura da cisão como operação necessária ao ser; ou seja, um recurso organizador que diminui a rigidez do Eu e permite mobilidade psíquica. Avançamos com Wilfred Bion, que amplia essa perspectiva ao pensar as partes psicótica e não-psicótica da mente, mostrando como o contato com o desconhecido é condição para o pensamento vivo. Com D. W. Winnicott, refletimos sobre os estados de relaxamento, a fusão com o ambiente e o gesto espontâneo como núcleo da criação e da experiência de estar vivo.
Usamos também o livro “O espírito da esperança: contra a sociedade do medo”, de Byung Chul-Han (2024), para dar corpo às nossas ideias.
Vivemos cercados de imagens, opiniões e respostas imediatas, e, ainda assim, com uma dificuldade crescente de manter encontros reais. Nesse episódio, falamos sobre a fadiga de ser visto o tempo todo, a confusão entre presença e performance, e o que se perde quando tudo precisa virar uma espécie de vitrine. A partir de Byung-Chul Han, Winnicott e Hannah Arendt, pensamos como o colapso entre o público e o privado empobrece os vínculos e torna o outro cada vez menos suportável em sua inteireza. No final, recorremos à literatura e compartilhamos uma reflexão pessoal sobre a internet, a exposição e a necessidade de preservar zonas não capturáveis do ser.
Nem todo abandono é real; muitas vezes, ele é fantasiado e vivido antes mesmo de qualquer perda concreta. Nesse episódio, conversamos sobre a fantasia de abandono; ou seja, o medo persistente de perder o outro quando ele ainda está ali. Para tanto, articulamos algumas contribuições de Freud, Klein, Winnicott e Lacan para pensar como o desamparo, o objeto interno, a falha ambiental e o lugar no desejo do Outro atravessam nossos vínculos amorosos, familiares e de amizade. A partir de cenas do cotidiano, refletimos sobre por que antecipamos perdas, por que o silêncio pode ser vivido como ameaça e como a análise pode ajudar a diferenciar a ausência real de uma marca traumática.
O que chamamos de loucura, afinal? Nesse episódio, refletimos sobre como o sofrimento psíquico segue sendo tratado com medo, controle e abandono.
A partir de uma tragédia que chocou o Brasil, discutimos negligência institucional, políticas públicas e recusa em reconhecer a subjetividade do sofrimento psíquico.
Em diálogo com Foucault, Basaglia, Freud e Winnicott, propomos uma escuta ética da “loucura”. Este é um episódio a respeito daquilo que a sociedade prefere afastar - e que, por isso mesmo, insiste em retornar.
*O caso clínico lido ao final está publicado no livro “O emergir da Unicidade Analítica: no coração da psicanálise” (Blucher, 2025), de autoria de Ofra Eshel.
Todo mundo conhece o ditado: “Quando um não quer, dois não brigam”, mas será que isso funciona quando olhamos pelas lentes da psicanálise? Nesse episódio, tomamos como base as teorias de Freud, Klein e Winnicott para pensar por que, às vezes, mesmo dizendo que “não queremos brigar”, já estamos dentro do conflito.
Nesse episódio, falo sobre um pouquinho sobre o meu novo livro, “Um elogio à tristeza” (Editora Record, 2025).
Proponho uma reflexão sobre como as redes sociais e a cultura da performance moldam nossa relação com a vulnerabilidade (a nossa e a dos outros). Vivemos tempos em que ser feliz virou uma obrigação e, nesse cenário, a tristeza parece não ter mais lugar.
Comento como a busca por sucesso e aprovação nos afasta da autenticidade e do direito de simplesmente estar triste, sem culpa ou pressa para “superar” alguma coisa.
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