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Quem nos acompanha sabe que a nossa relação com a poesia é difícil e que é um género que raramente faz parte das nossas leituras. Mas também saberá que gostamos de nos colocar à prova e de experimentar ler coisas fora da nossa zona de conforto.
Por isso, em janeiro desafiámo-nos a ler vários livros de poesia (entre eles, "A axila de Egon Schiele" de André Tecedeiro, "The wild iris" de Louise Glück, "Ramonera" de Elvis Guerra, "A angústia da azeitona antes de se transformar em luz" de José António Almeida, "Paixão" de Maria Teresa Horta e um livro do brasileiro Fabrício Carpinejar) e hoje partilhamos convosco como correu esta experiência.
Será que nos tornámos em leitores de poesia?
Não é muito comum um jovem escritor português publicar primeiro no Brasil e só depois em Portugal, mas foi precisamente o que aconteceu a João Guilhoto, cujos livros "Os Inúteis" e " O Livro das Aproximações" chegaram recentemente às livrarias portuguesas pelas mãos da Nós Editora.
E aqui não há caminhos fáceis, porque se "O Livro das Aproximações" nos propõe a leitura de fragmentos em que se pensa sobre como "escrever é uma forma de dar por garantida a loucura sem enlouquecer" ou como "cada viagem é uma forma de pensar a morte", "Os Inúteis apresenta-nos um conjunto de contos que eu encaixaria na categoria da literatura estranha. São histórias breves, incómodas e marcantes, em que conhecemos a mulher cujo objetivo de vida é não fazer nada, o homem que, perante a guerra, redescobre algum sentido na vida e o homem que decide homenagear o seu cão morto de uma forma bastante peculiar.
Conhecidas as personagens e pensamentos tão sui generis, nesta conversa é a vez de saber mais sobre quem as criou e de perceber o que move um jovem português que vive na Alemanha a escrever literatura para um nicho muito específico de leitores.
Um episódio dedicado a um livro de ficção científica? Sim, não se preocupem que não se enganaram no podcast. O objetivo era mesmo tentar algo diferente, desafiar os nossos limites enquanto leitores e ler um género que muitos colocam de lado. Por isso decidi escolher "A Mão Esquerda das Trevas" de Ursula K. Le Guin, editado em Portugal pela Relógio d'Água, como a leitura de dezembro do clube Livrólicos Anónimos.
No livro acompanhamos o percurso de Genly AI num planeta de pessoas andrógenas, que apenas assumem uma forma feminina ou masculina na fase da procriação. Há intriga política? Há, sim. Rituais religiosos bizarros? Também. Fugas épicas? Sim. Momentos ambivalentemente tórridos? Confere. E prazer na leitura? Isso vão ter de descobrir ouvindo a minha conversa com a Diana, do perfil Papéis e Letras, neste episódio.
Como bons livrólicos que somos, não passamos sem umas belas resoluções literárias para o novo ano. Mas, seguindo o mantra de Pedro Chagas Freitas, prometemos falhar, embora prognósticos só se façam no final do jogo.
Recebemos por isso 2026 com alguns planos de que vos falamos neste episódio, no qual podem ficar a saber quais são os 10 livros que queremos ler este ano.
2025 aproxima-se do seu ato final, mas não sem antes decidirmos quais foram as leituras que mais nos marcaram este ano, tanto pela positiva como pela negativa. Prometemos, como sempre, escolhas ecléticas e muitas recomendações que, se ainda não leram, vão querer colocar na vossa tbr para 2026.
Há livros que merecem que mesmo exaustos, depois de um longo dia de trabalho, nos sentemos a falar quase 2 horas sobre eles. E um desses livros é sem dúvida "Agora e na Hora da Nossa Morte" da Susana Moreira Marques, recentemente reeditado pela Companhia das Letras. Um livro publicado originalmente há mais de 10 anos e que é um marco da literatura de não ficção em Portugal.
Ao acompanhar uma equipa de cuidados paliativos em Trás-os-Montes, Susana Moreira Marques descobriu uma nova forma de escrever, que ficou cristalizada neste livro em 3 partes: um diário de viagem, que nos apresenta o espaço geográfico e emocional de quem acede à intimidade de quem se aproxima da morte; os retratos das pessoas que olham a morte nos olhos; e as notas que a viajante leva para o futuro.
Junta-se a mim neste episódio a Teresa, a quem este livro tocou tanto quanto a mim.
Os livros da Akiara cheiram sempre a Natal e, aproveitando que saíram recentemente novidades e que muitos de vocês ainda andam à procura do presente ideal para oferecerem, convidei a Inês Castel-Branco para falarmos sobre o amor e dedicação com que os livros da Akiara são criados, num processo tão próximo do artesanal quanto possível. E tudo isso se nota nos livros que chegam ao leitor: autênticos objetos de arte, que privilegiam as mensagens de respeito pela natureza, aceitação da diferença e empatia.
As 4 novidades publicadas recentemente pela editora são:
"Durmo na rua - seis testemunhos de pessoas sem-abrigo", um livro de entrevistas de Laia de Ahumada e Cinta Fosch
"Vamos ao bosque", um livro silencioso de Verónica Fabregat
"Pequena, mãe, avó", uma homenagem de Maria e Ana Sender à sua avó
"Erva daninha", um conto sobre liberdade e descoberta de Ángeles Quinteros e Karina Cocq
Mas há muitas mais recomendações nesta conversa.
Em novembro, o Clube Liivrólicos Anónimos dedicou-se à leitura de um dos mais importantes livros da literatura marroquina e árabe contemporânea, que foi publicado em Portugal pela Ântigona, com tradução do árabe de Hugo Maia.
Escolhemos esta narrativa biográfica por se enquadrar no projeto #novembrobiográfico e por sabermos de antemão que se tratava de um livro duro. E foi isso exatamente que encontrámos, a história dos muito difíceis primeiros anos de uma vida, muito marcados pela fome, pobreza, marginalidade e desejo.
Mas, terá esta leitura tido em nós o impacto que esperávamos?
Com tantos livros a serem publicados, no momento de comprar os presentes de Natal, o difícil é escolher, certo? Errado! Por um simples motivo: já fizemos esse trabalho por vocês e podem encontrar neste episódio excelentes sugestões de livros, para todos os gostos.
Livro ilustrado
Silvéria: Livros musicais da editora Cucco Kids e livros-formigueiro da editora Albana Lima
João: "Aquele natal inteiro e limpo" de José Gardeazabal e Susana Matos (Kalandraka)
Livro de autor português
Silvéria: "No Brasil não há leões" de Álvaro Curia (Manuscrito Editora)
João: "Pés de barro" de Nuno Duarte (Leya)
Banda desenhada
Silvéria: "O amor infinito que te tenho" de Paulo Monteiro (Polvo Editora)
João: "O homem de negro" de Gregory Panaccione e Giovanni Di Gregorio (ASA)
Livro biográfico
Silvéria: "Trinta segundos sem pensar no medo" de Pedro Pacifico (Cultura Editora)
João: "Agora e na hora da nossa morte" de Susana Moreira Marques (Companhia das Letras)
Livro de ficção internacional
Silvéria: "Canção doce" de Leila Slimani (Alfaguara)
João: "A Campânula de vidro" de Sylvia Plath (Relógio d'Água)
Falamos também neste episódio de algumas novidades do grupo Penguin:
"Todas as famílias felizes" de Miguel d'Alte (Suma de Letras)
"Contos completos 2" de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
"O resto é história" de Tom Holland e Dominic Sandbrook (Vogais)
"Vaim" de Jon Fosse (Cavalo de Ferro)
"A legião estrangeira" de Clarice Lispector (Companhia das Letras)
"Complexo Brasil" organizado por José Miguel Wisnik (Companhia das Letras)
Celebrou-se em outubro o centenário de um dos mais célebres escritores portugueses do século XX: José Cardoso Pires. E, para assinalar esta efeméride, o Clube Livrólicos Anónimos decidiu ler "De Profundis, Valsa Lenta", livro reeditado nos últimos anos pela Relógio d'Água, uma importante narrativa médica em que Cardoso Pires nos fala sobre a sua experiência com um AVC.
E, dada a temática, nada melhor do que contar com a perspetiva de uma médica, pelo que convidei a Teresa a voltar e a partilhar esta leitura comigo.
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