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Por Irmão José Ronaldo Viega Alves
POR QUE AS RELIGIÕES CONTEMPORÂNEAS NÃO APOSTAM MUITO MAIS NA SOLIDARIEDADE ENTRE SI? UMA RESPOSTA SOB A ÓTICA DA FILOSOFIA ROSACRUZ E DA FILOSOFIA MAÇÔNICA.
“Ofereça seu apoio moral ou material a alguma igreja de sua comunidade, a fim de que ela conte com o seu auxílio para a realização da Grande Obra, a sua Luz. (Capítulo XXI do “Código Rosacruz de Vida”)
“A Maçonaria não é um credo ou seita religiosa, o maçom busca a sabedoria contida em todos os Grandes Livros Sagrados reconhecidos pela Fé universal, da Bíblia ao Alcorão. Crendo que neles encontra e, sempre encontra os meios para buscar e promover a felicidade neste mundo e aguardar a sua recompensa no próximo. Portanto, a Maçonaria estará sempre com as suas portas abertas, para receber todos os homens livres e de bons costumes, sejam eles, cristãos, judeus, muçulmanos, budistas, etc., bons homens de todas as religiões que verdadeiramente aspirem viver segundo a vontade de seu Criador.” (Vade-Mécum Maçônico, pág. 535)
INTRODUÇÃO
Existem atitudes que estão ligadas à nossa vida em sociedade, que, definitivamente, deveriam estar entre as mais exercitadas, podendo tomarmos aqui, como exemplo, a solidariedade. Por extensão, isso promoveria a união e a cooperação geral, independente da religião de cada um em particular, além de ir incorporando ao natural o exercício da caridade, da tolerância e do perdão.
Os trechos escolhidos logo acima e inseridos após o título do presente trabalho, deixam antever num primeiro momento que a Ordem Rosacruz e a Ordem Maçônica possuem pontos que são comuns e convergentes. Além disso, estes mesmos textos ora apresentados, pelos seus conteúdos, não permitem que se dê espaço para a confusão, tão fácil de ocorrer, que diz respeito à ideia comum e corrente que fazem com que essas escolas filosóficas sejam associadas, tanto uma como a outra, Rosa-cruz e Maçonaria, com cultos de natureza secreta, religiões diabólicas ou demais coisas do gênero. Pelo contrário, ficam caracterizados e explícitos nelas, os desejos de comunhão, congraçamento e de aceitação que perpassam suas filosofias e que podem dar a noção clara do que essas sociedades visam verdadeiramente promover o bem entre os seres humanos, sendo que, mesmo que entre os seus membros haja indivíduos que são pertencentes às mais variadas religiões, a religião de cada em particular nunca foi um motivo para se barrasse a sua admissão. Pelo contrário, a Maçonaria, tem como exigência sim que o candidato possua a crença em Deus. Todos são iguais perante Deus. A Maçonaria tem como filosofia também a preocupação com que todos aqueles que nela foram iniciados comunguem em torno do ideal do amor fraterno, o amor entre os Irmãos, e novamente podemos dizer, independente da religião de cada um.
Peremptoriamente, sempre é bom ratificar, tanto a Ordem Maçônica como a Ordem Rosacruz não são religiões, mas tem em paralelo com as religiões verdadeiras o propósito maior de darem um sentido para a vida, uma orientação moral e a certeza de que a espiritualidade conduzirá o homem por um caminho melhor.
Do livro do qual foi extraído o primeiro trecho, o qual se intitula “Código Rosacruz de Vida”, o autor Laurence Gardner, logo na sequência deste trecho, tece alguns comentários pertinentes e aproveita para, utilizando-se do mesmo, estabelecer uma prova de que a Rosa-cruz não é religião, pois, “Como, de fato, uma determinada religião poderia solicitar a seus adeptos que apoiassem alguma igreja de outra religião?”
Por Irmão Enrique Alan Hernandez Salazar
A história do minotauro começa quando o rei de Minos pede a Poseidon (deus do mar) que o ajude a ocupar o trono de Creta. O deus do mar o favoreceu em seu pedido, enviando um grande touro branco. Em agradecimento, Minos prometeu sacrificar o touro a Poseidon, mas o touro era tão magnífico que ele mudou de ideia, levando o touro para usar como garanhão em seus estábulos e usando um touro comum para o sacrifício... não saberia, notaria a mudança. Observe como, em vez de trabalhar para alcançar o reino, Minos, cego por sua ganância, vai para o lado fácil, mágico e sobrenatural, uma questão que um iniciado deve evitar a todo custo.
Poseidon pune Minos, tornando o animal indomável e com a ajuda da Deusa Afrodite, que Pasifae esposa de Minos se apaixona pelo touro, tornando-a vítima de um desejo antinatural e obsessivo pelo touro. É importante observar que se pode enganar os outros, mas não a si mesmo, se o mito for estudado à luz dos conceitos da psicanálise, pode-se observar que todos os males que Minos obteve foram causados por auto-sabotagem, derivada da culpa que se arrependia do descumprimento de sua promessa. Por esta razão, todo iniciado deve trabalhar livre de culpas e preocupações.
Pasifae convence o inventor Dédalo a construir para ela uma vaca de madeira e couro, na qual ela poderia se esconder para consumar sua união com a fera... o resultado dessa união abominável, nasceu uma criança que era meio homem e meio touro. O desejo incomum de Pasífae é o fonte da perversidade de Minos, simboliza um amor culpado, injusto e um domínio indevido, onde no final ela cede a um desejo antinatural.
A rainha criou seu filho enquanto ele era criança enquanto o Minotauro crescia, sua natureza bestial e violenta não podia mais ser contida. O minotauro se desenvolve e seus instintos despertam, assumindo o controle de ser meio homem e meio animal, por isso é transcendente que o iniciado cuide de sua emoção, de seu desejo, que evite tomar decisões em momentos de alteração hormonal.
O monstro não poderia ser ferido sem ofender Poseidon. Minos fez Dédalo construir um labirinto como prisão para o Minotauro. Minos ordenou que escravos e prisioneiros fossem jogados regularmente no labirinto para que o Minotauro pudesse caçá-los, matá-los e comê-los... as falhas reprimidas e escondidas dentro do nosso inconsciente (o labirinto). Diz-se que no centro do labirinto está a verdade. O labirinto representa a jornada das trevas para a luz, ou a sabedoria secreta descoberta após passar por um teste, somente os sábios podem encontrar o caminho através dele.
Minos teve um filho a quem chamou de Androgeo, viajou para Atenas onde morreu. Em retaliação pela morte de seu filho, Minos atacou Atenas destruindo seus arredores. Ele exigiu como homenagem que a cada nove anos os atenienses lhe enviassem 7 rapazes e 7 moças para o labirinto do Minotauro. Ser alimentado com esses números simboliza os 7 planetas antigos e sua influência nos homens todos os dias. Desenvolvemos vícios dia a dia, 7 são os grandes vícios; mas da mesma forma 3 são as virtudes teologais e 4 são as cardeais para combatê-las.
Quando os jovens foram convocados e foi deliberado quem seria enviado. Teseu - que acabara de chegar a Atenas - que estava isento da obrigação, vendo o choro das mães, se ofereceu. Egeu (pai de Teseu e rei de Atenas), tenta dissuadir o filho, mas ele não tinha intenção de desistir. O navio que eles pegam em direção a Creta tem um conjunto de velas pretas. Aegeus dá a Teseu um conjunto de velas brancas para usar se ele conseguir escapar do Minotauro. Teseu, sendo o herói, personifica a encarnação da coragem e da ação moral, seu gesto representa o caminho para a verdade que só pode ser encontrada com uma batalha espiritual.
Barbara Empler
Um dos grandes sonhos da humanidade ao longo dos tempos sempre foi transformar chumbo em ouro. A outra é a imortalidade. Assim, a humanidade passou os séculos alimentando a ambição de viver para sempre, superficialmente e sem o esforço do trabalho diário, achando que um pedaço de metal de má qualidade no caldeirão fervente era suficiente para transformá-lo no bem mais antigo e precioso de que o mercado tem notícias
Castelos luxuosos, mesas suntuosas, prazeres para sempre.
Os alquimistas deixaram muita literatura medieval criptografada, para que apenas aqueles iniciados em assuntos esotéricos pudessem entendê-la. Para alguns, o motivo do sigilo estaria na intenção de proteger a fórmula que garantiria a transformação e a sorte, pois se o metal precioso estivesse disponível para todos, perderia seu valor nobre. Outros têm certeza de que é apenas um disparate.
O homem vive os séculos de acordo com seu nível de consciência para trazer para si as experiências exatas essenciais ao seu aprendizado. Diferentes culturas se misturam propositalmente para que algumas aprendam com outras e sejam capazes, por sua vez, de ensinar. Em uma corrente invisível, a humanidade cria elos de liberdade e unidade.
A vida nos mostra que a evolução é filha da transformação. O mundo se renova e avança com as mudanças feitas em seu eixo. Uma sociedade só melhora sua compreensão das coisas quando cada um de seus membros muda verdadeiramente seu modo de ser e age sobre algo. Qualquer mudança imposta além dos limites da consciência é frágil e passageira.
Sempre entendemos o valor das transformações e da essência alquímica.
Resta decifrar a pedra filosofal e o elixir da vida.
Os alquimistas sempre tiveram a reputação de serem estranhos, inteligentes ou loucos. Por que chamaram o segredo que transforma chumbo em ouro de “pedra filosofal”?
Por que usar o termo "filosofia" em uma questão puramente financeira ou científica?
Desde o início dos tempos, o ouro tem sido o maior símbolo de riqueza e poder.
Contém dois conceitos importantes: seu valor é inabalável independente de crises políticas; é imperecível, não enferruja nem se deteriora. Em teoria, seria um porto seguro para nos proteger de preocupações e inseguranças. No entanto, filosofia significa, mais ou menos, a capacidade de pensar a realidade de forma crítica e independente, de observar e analisar todas as coisas de todos os ângulos e possibilidades.
Mas estávamos falando de ouro e temos que conceituar o ouro a que aqueles estranhos magos de outrora se referiam.
A referência foi literal ou figurativa? Encontramos a resposta em outra pergunta: os textos sagrados e as parábolas devem ser interpretados literalmente?
O sagrado estará sempre escondido do profano até que cada um o revele a si mesmo.
Nossa riqueza mais preciosa é nosso espírito, que é absolutamente imaterial. Estamos todos, sem exceção, em uma jornada interminável e maravilhosa da estação das trevas ao porto da luz, com muitos obstáculos. O tempo de viagem é relativo, pois depende da capacidade do indivíduo de se transformar, de compreender as sombras e transmutá-las em luz. Sombra em luz, chumbo em ouro, esta é a pedra filosofal.
O espírito forte e livre enfrenta as tempestades deste mundo tridimensional com serenidade, ciente de que sua verdadeira riqueza não pode ser tirada dele. Incêndios destroem lares, guerras arruínam riquezas e impérios, ladrões nos roubam.
Por Lucas Rocha
Fonte: CNN Brasil
OMS faz um apelo por ação acelerada dos líderes mundiais na proteção à saúde humana com foco na redução dos impactos da crise climática
Em uma Loja Maçônica todas as pessoas se tratam fraternalmente, independentemente de suas ideologias, crenças religiosas, condições econômicas, país de nascimento, cor da pele, estratificação social ou posição que tenham dentro e fora da Loja.
Há respeito absoluto pela palavra de cada membro da Loja. De fato, quando um maçom fala, todos os outros ouvem com atenção e respeito. O falante nunca é interrompido, nem para objetar nem para apoiar suas ideias. Sempre que uma pessoa termina de apresentar suas idéias, ela usa a expressão "eu disse" para significar que as idéias expressas refletem apenas suas próprias crenças às quais ela chegou através de um esforço sincero para buscar a verdade, sua verdade sobre o tópico em discussão. Além disso, essa expressão significa que sendo "sua palavra", nenhum outro maçom é obrigado a aceitá-la como válida ou a assiná-la. Se o fazem, é porque o querem livre e independentemente, mas também podem não o fazer. Desentendimentos não geram divisão ou raiva.
Os maçons falam para aprender, entender, ser pessoas melhores, concordar e colaborar, na medida do possível, na construção de uma sociedade mais livre, mais justa, mais solidária, mais empática, mais transparente e mais tolerante, em que os direitos de todos são exercidos com a mesma intensidade com que se cumprem as obrigações que cada um tem.
Em uma Loja Maçônica, a ordem é deliberadamente buscada e o caos é considerado um espaço de forças intensas, criativas e destrutivas que requer ordem para ser benéfica ao ser humano. É por isso que a liberdade não é caótica, mas é produto da ordem construída e expressa pela própria autonomia individual, bem como pelo esforço coletivo para alcançar uma convivência social pacífica e civil.
Em tempos de intolerância e de discursos radicais que contribuem para acirrar a polarização, nosso dever, como Maçons, é praticar a igualdade, diversidade e tolerância dentro de fora da Maçonaria, dando a nossa contribuição para um mundo melhor para todos.
Recebi um artigo, de autoria do Irmão Rui Bandeira M.'.M.'., e fiz uma adaptação para que possamos refletir acerca da temática. Unidos, podemos fazer a diferença na nossa sociedade.
Os maçons prezam a Igualdade e essa condição está na matriz genética do que é a Maçonaria.
Na Loja, todos são essencialmente iguais, mesmo que alguém dirija, alguém assista quem dirige, alguém ensine e alguém aprenda. Isso porque todos foram e potencialmente serão tudo, todos fizeram e potencialmente farão tudo em Loja.
A dignidade da condição humana é exatamente igual em todos e cada um, quaisquer que sejam as suas habilitações, as suas aptidões, as suas realizações.
Assim, cada Maçom está entre iguais quando está entre Irmãos. Além disso, cada Maçom reconhece e preza a essencial Igualdade entre todos os membros da espécie humana, independentemente de cores de pele, nacionalidades, crenças, lugares ou estilos de vida.
Os maçons prezam, também, e em igual medida, a Diversidade e a diferença. Em Loja, é patente a riqueza advinda do confronto e da cooperação de diferentes experiências, capacidades, opiniões e formações.
Cada um contribui com as suas valências, saberes, gostos, experiências, em suma, com a sua individualidade, para enriquecer o grupo e os demais. E cada um aprende e enriquece-se com o que depara de diferente e com diversos pontos de vista que lhe aguçam e estimulam o intelecto e o espírito crítico.
Entender que os nossos iguais não deixam de o ser porque pensam diferente de nós, aceitar que as diferenças não afetam a essencial Igualdade da natureza humana, expressa na individualidade de cada um, é a natural postura que permite efetivamente rentabilizar a Diversidade existente na Igualdade.
Por isso, a Tolerância não emerge de qualquer sentimento de pretensa superioridade do que tolera em relação ao tolerado. Pelo contrário, a Tolerância pressupõe, enraíza-se e cresce a partir da noção de que o outro é essencialmente igual a mim e apresenta diferenças em relação a mim.
Compreender que todos somos iguais, valorizar as diferenças inerentes à nossa individualidade e articular o que é comum com o que é diverso com a harmonia da Tolerância são caraterísticas imanentes da Maçonaria, presentes desde sempre na sua matriz formadora. Para os Maçons, reconhecer a Igualdade e Tolerar, ou seja, aceitar, valorizar e aproveitar a Diferença, é pura rotina, algo tão natural como respirar, e que deve ser praticado sempre!
Saudações Fraternais!!!
Valdir Massucatti.
Past Grão-Mestre Adjunto da Muito Respeitável Grande Loja Maçônica do Estado do Espírito Santo.
Por Irmão José Ronaldo Viega Alves
“Quando é Meio-Dia, teoricamente nenhum corpo projeta nenhuma sombra e o Maçom, por sua vez, começa a trabalhar sem fazer sombra a ninguém, ou seja, despojado de qualquer vaidade. Além disso, ao Meio-Dia – hora de maior esplendor do Sol, toda edificação, como a própria construção dos integrantes da Instituição, pode ser amplamente verificada com a devida precisão.” (D’Elia Junior, 2010, pág. 93)
COMENTÁRIOS INICIAIS
O horário que figura no título acima, é o de funcionamento da Loja de Aprendizes e, evidentemente, um horário simbólico.
Na literatura maçônica podem ser encontradas várias interpretações com referência à sua utilização.
A adoção dessa simbologia parece ter suas raízes fincadas numa antiga religião, o Zoroastrismo, fundada por Zoroastro, o qual instruía seus discípulos a começarem os trabalhos iniciáticos ao meio-dia, pois, com o sol no zênite, quando a sua luz chega ao máximo e, conforme a estação, há menos sombras ou mesmo nenhuma.
Por outro lado, o nadir que é o ponto oposto ao zênite é o que empresta seu significado ao término dos trabalhos maçônicos, ou seja, à meia-noite simbólica, hora de fechar a Loja, pagar os obreiros e despedi-los contentes e satisfeitos.
O Zoroastrismo acabou por dar origem a vários cultos, sendo que, o Mitraísmo foi o que mais se destacou entre eles, tanto que acabou ganhando a preferência dos soldados romanos, e consequentemente virar o maior concorrente do Cristianismo. O fato é que o Cristianismo venceu, e no final da história também acabou adotando alguns pontos do Mitraísmo, depois de adaptá-los.
Identificar resquícios, diretamente ou indiretamente provindos dessas antigas religiões presentes no simbolismo e na ritualística maçônica, as quais envolviam a prática do culto solar, não é o mesmo que sustentar que a Maçonaria cultua o sol, no entanto, é bastante notória uma influência que foi herdada por conta dessas crenças e que tem sua utilização do ponto de vista simbólico em determinadas passagens de alguns Rituais maçônicos.
ZOROASTRISMO E MITRAÍSMO
Falemos sucintamente no que consistia o Zoroastrismo e o Mitraísmo em primeiro lugar: o Zoroastrismo era uma religião muito antiga cujo nome era derivado do seu fundador, o grande legislador persa chamado Zoroastro. Os criadores do Zoroastrismo foram bastante habilidosos no que se refere à sua teologia, sendo que é considerada no seu todo como uma das primeiras religiões monoteístas, conceito que os egípcios haviam desenvolvido anteriormente. Além disso, foi uma das religiões menos belicosas e sangrentas, considerando-se as que lhe eram suas contemporâneas naquele mesmo período.
Mas, o Zoroastrismo não permaneceu em seu estado original por muito tempo e entre os cultos derivados do mesmo, sobressaiu o Mitraísmo, o qual guardava uma semelhança nos seus dogmas básicos, ainda que, concedesse a esses últimos, valores diferentes.
O Mitraísmo tem o seu nome relacionado diretamente a uma das divindades menores do Zoroastrismo chamada Mitra, a qual lutava lado a lado de Aura-Mazda (deus supremo e criador do mundo) contra as forças do mal. Mitra era o deus do dia e o deus do sol. O culto solar praticado no Mitraísmo tinha como a noite mais comprida do ano a de 24 para 25 de dezembro, que significava o início do solstício de inverno naquele hemisfério. Nesta data era celebrada a festa do natalis invicti solis (nascimento do sol vitorioso).
O Mitraísmo se afirmou com o tempo e mais adiante foi trazido para o Ocidente pelos romanos. Consequentemente, acabou se espalhando por todo o império romano.
Por Kennyo Ismail
O primeiro cuidado que se toma ao traduzir um termo é quanto à semântica, ou seja, o significado e uso das palavras e termos. Um exemplo clássico é o termo “kick the bucket”. Se traduzirmos ao pé da letra, seria “chutar o balde”. Contudo, a expressão “kick the bucket” é usada nos EUA quando alguém morre, enquanto o mesmo termo em português é usado quando alguém perde o controle ou desiste de algo. Assim, traduzir ao pé da letra pode muitas vezes passar uma ideia errada. Uma boa tradução para “kick the bucket” seria “bater as botas”, pois usa uma gíria similar para o mesmo uso e significado, que é o que realmente importa.
Esse cuidado básico de tradução não tem sido tomado em algumas traduções de rituais maçônicos que temos visto no Brasil. E duas palavras que têm ferido os ouvidos são Leste e Oeste, opção de tradutores brasileiros para East e West, em vez do usual Oriente e Ocidente.
Qual a diferença? Leste e Oeste são direções. Oriente e Ocidente são localizações. Na língua inglesa, East e West podem ser usados nos dois sentidos, mas na língua portuguesa, não. Como exemplo, tem-se o Oriente Médio, que em inglês escreve-se Middle East, não Middle Orient. E não o chamamos de Leste Médio, mas de Oriente Médio, por ser uma localização.
A exceção a essa regra é quando os termos Leste e Oeste estão acompanhados de uma localização ou região, seja na forma substantiva ou adjetiva. Exemplo: Leste Europeu. E mesmo assim, é comum o uso de termos como Europa Oriental. Entretanto, esse não é o caso do uso nos rituais maçônicos, não se aplicando tal exceção.
Em Loja, quando se pergunta de ONDE viemos e para ONDE vamos, está claro que se trata de localização, e não de direção. O mesmo quando se pergunta o LUGAR do Primeiro Vigilante ou do Venerável Mestre. O Primeiro Vigilante não se está no Oeste, porque Oeste é uma direção. Ele está no Ocidente. Além disso, os termos Oriente e Ocidente são de uso mais que bicentenário na Maçonaria brasileira, consolidados no vocabulário maçônico nacional.
Parece que a vontade de ser “diferente” dos demais pode ter falado mais alto. Mas a que preço? O ditado em latim “ex oriente lux” é traduzido para o inglês como “light from the east”. Mas, partindo do termo em inglês, ao seguir a regra de tradução desses irmãos inovadores, tem-se “a luz vem do leste”. Assim, o ditado perde todo seu significado filosófico. E o mesmo ocorre na Maçonaria.
A origem de “Cristo”
De onde “Cristo” vem na Bíblia?
A palavra hebraica no Antigo Testamento era ‘mashiyach’ que o dicionário hebraico define como uma pessoa ‘ungida ou consagrada’. Reis hebreus eram ungidos (cerimonialmente esfregados com óleo) antes que se tornassem reis, consequentemente, eles eram os ungidos ou mashiyach. O Antigo Testamento também profetizou acerca de um mashiyach especifico. Para a Septuaginta, seus tradutores escolheram uma palavra em grego com um significado semelhante – Χριστός (cujo som se parece como Christos), que vinha de chrio, que significa esfregar cerimonialmente com óleo.
Portanto, Christos foi traduzido por significado (e não transliterado por som) a partir do termo hebraico original ‘mashiyach’ na Septuaginta grega. Os escritores neotestamentários continuaram a utilizar a palavra Christos em seus escritos para identificar Jesus como o mashiyach.
Na Bíblia em português, o termo hebraico Mashiyach do Antigo Testamento é comumente traduzido como “o ungido” e às vezes transliterado como o “‘Messias”. O termo Christos do Novo Testamento é transliterado como “Cristo”. A palavra ”Cristo” é muito especifica, derivada por tradução a partir do hebraico para o grego, e então transliteração do grego para o português.
Porque não vemos prontamente a palavra ”Cristo” no Antigo Testamento mesmo reproduzido hoje? Mas a partir desta analise nós sabemos que na Bíblia o termo “Cristo” = “Messias” = “O Ungido” e que este termo era um titulo específico.
O Cristo antecipado no primeiro século
Abaixo está à reação do Rei Herodes quando os sábios do Oriente vieram procurando pelo “rei dos judeus”, uma parte bastante conhecida há história do natal. Observe, o artigo ‘o’ precede Cristo, ainda que ele não esteja se referindo especificamente a Jesus.
Quando o rei Herodes ouviu isto, ele ficou perturbado, e toda Jerusalém com ele. Quando ele convocou todos os líderes dos sacerdotes e professores da lei, ele lhes perguntou onde o Cristo haveria de nascer. (Mateus 2:3-4)
A ideia de “o Cristo” era conhecimento comum entre Herodes e seus conselheiros religiosos – mesmo antes de Jesus ter nascido – e o termo é utilizado aqui sem se referir especificamente a Jesus. Isto porque ”Cristo” vem do Antigo Testamento grego, que era comumente lido por judeus do primeiro século. ”Cristo” era (e ainda é) um título e não um nome. O título estava em existência centenas de anos antes do cristianismo.
Profecias veterotestamentárias (do antigo testamento) de “o Cristo”
Na verdade, “Cristo” é um titulo profético já nos Salmos, escritos por Davi cerca de 1000 a.C. – bem antes do nascimento de Jesus.
Os reis da terra tomam posição (…) contra o Senhor e contra o seu ungido (…) o Senhor põe-se a rir e caçoa deles (…) dizendo: “Eu mesmo estabeleci o meu rei em Sião, no meu santo monte”. Proclamarei o decreto do Senhor: Ele me disse: “Tu és meu filho; eu hoje te gerei”. (Salmos 2:2-7)
O Salmo 2 na Septuaginta (designação por que é conhecida a mais antiga tradução em grego do texto hebreu do Antigo Testamento) seria lido da seguinte maneira ...
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