Minuto Saúde Mental - USP

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  • Minuto Saúde Mental #30: Vivência religiosa espontânea e equilibrada pode ser fator relevante para o bem-estar psíquico
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana o professor João Paulo Machado de Sousa apresenta a resposta do professor Ildebrando Moraes de Souza à pergunta de um ouvinte sobre a importância da vivência religiosa para a saúde mental de uma pessoa.
    Segundo o professor Ildebrando, a resposta não é muito simples e certamente não cabe apenas no binômio importante/não importante. Há, já de início, um aspecto significativo a ser considerado antes de responder à questão proposta: “A diferença entre espiritualidade e vivência religiosa”.
    A espiritualidade pode ser entendida como uma dimensão humana voltada a questões transcendentes, como a busca do sentido e do significado da vida, assim como de sentimentos como fé (na concepção mais ampla do termo), esperança e compaixão que podem ou não incluir uma ideia de divindade associada. A religião, por sua vez, se guia pela ideia da existência de entidades ou manifestações divinas e, embora possa se inserir no amplo espectro da espiritualidade, está mais relacionada ao compartilhamento de um conjunto de crenças e práticas e representa uma das faces da espiritualidade.
    Ao longo da história, sobretudo da história pós-Idade Média, ciência e ideias religiosas foram antagônicas e a adesão a um dos lados significava a abdicação do outro. Ainda que em nossos tempos permaneçam traços desse “divórcio ideológico” aparentemente a maior parte das religiões têm aceitado as descobertas científicas como avanços importantes para a humanidade, assim como parte da comunidade científica tem olhado para a espiritualidade e até para as religiões de forma menos aversiva, como características humanas que não podem ser desconsideradas para que se chegue a algum avanço. 
    Como a pergunta do ouvinte foi específica quanto à vivência religiosa, o professor Ildebrando Souza levou em conta esse aspecto. “A vivência religiosa não é uma experiência uniforme entre as pessoas. Há pessoas que não se vinculam a nenhuma religião e não sentem falta disso e há pessoas para as quais a religião é pilar fundamental da existência.”
    E finaliza, “a vivência religiosa espontânea e equilibrada pode, sim, ser um fator relevante para o bem-estar psíquico, embora não seja garantia de saúde mental em si”.
    Ouça o podcast na íntegra no player acima.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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    5 min
  • Minuto Saúde Mental #29: A maconha é uma planta com várias substâncias químicas e efeitos muito diferentes no cérebro
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa responde dúvida de ouvinte sobre o uso de maconha medicinal que tem sido muito falado na mídia. Como funcionam esses tratamentos? Eles são seguros para os pacientes?
    Segundo o professor, essa pergunta é oportuna porque, de fato, houve um ressurgimento no interesse do uso medicinal de derivados da maconha nas últimas duas décadas e algumas descobertas importantes têm potencial para mudar o tratamento de algumas doenças que desafiam a medicina há bastante tempo.
    Antes de falarmos desses resultados, no entanto, é importante saber que a maconha é uma planta com várias substâncias químicas diferentes que também podem ter efeitos muito diferentes no cérebro. A mais conhecida delas tem o nome complicado de delta-9-tetra-hidrocanabinol, ou delta 9 THC. Essa é a substância que tem a maior concentração na maconha e que causa os efeitos mais conhecidos quando se fuma a planta, como as alterações de percepção e os olhos vermelhos, por exemplo. É por causa dela que muitas pessoas no mundo usam a maconha de forma recreativa.
    Além do THC, outro composto abundante na maconha, pelo menos naquela disponível no Brasil, é o canabidiol, conhecido como CBD. Muito diferente do THC, o CBD não causa os efeitos típicos da droga e é provavelmente a substância mais estudada nos dias de hoje, principalmente por seus efeitos na redução da ansiedade, na estabilização de problemas do sono e na epilepsia infantil. Hoje, o CBD é utilizado sob a forma de extrato vegetal, de óleo purificado e em pó, produzido por laboratórios especializados.
    É importante destacar aqui que vários fornecedores oferecem estes extratos na internet com promessas de efeitos não comprovados e em formulações com graus de pureza variável, e que o uso de produtos de fornecedores não autorizados pode representar risco para a saúde, já que essas formulações podem conter concentrações desconhecidas de outras substâncias que podem ter efeitos indesejados, como o próprio THC de que falamos antes. De acordo com estudos recentes, o CBD disponível comercialmente a partir de laboratórios especializados é seguro quando receitado por um médico experiente para propósitos específicos, sendo inclusive utilizado por crianças.
    O uso da maconha in natura para tratar condições psiquiátricas ou neurológicas não é recomendado e, mais que isso, é proibido no Brasil, ainda que existam pessoas que defendam este uso e publiquem, por conta própria, materiais que mostram seus supostos benefícios. Se você acredita que algum derivado da maconha pode ajudar você ou algum conhecido que sofre de uma condição médica de difícil tratamento e deseja testar essa possibilidade, pesquise e entre em contato com um médico experiente para orientá-lo adequadamente.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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    4 min
  • Minuto Saúde Mental #28: Você sabe responder o que é saúde mental?
    Nunca se falou tanto sobre saúde mental como hoje em dia, e isso acontece por diferentes razões. Muitas pessoas acreditam que os problemas de saúde mental são muito mais frequentes agora do que no passado. Embora isso seja uma possibilidade, é importante lembrar que esse é um campo do conhecimento humano que foi negligenciado durante muito tempo, seja pelas dificuldades que impõe ou pelo preconceito e distanciamento que o transtorno mental gera.
    Durante muito tempo, também, as ciências da saúde e os esforços de desenvolvimento humano foram direcionados para reduzir o impacto das doenças chamadas “físicas” sobre a humanidade. Nos dias de hoje, em que uma parcela relativamente grande da humanidade vive bastante e com muito mais saúde física, faz sentido pensar em melhorar a qualidade da vida conquistada, e é aí que entra o aumento da atenção à saúde mental que temos visto atualmente.
    Na definição da OMS, “saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doenças ou enfermidades”. Esta definição recebe algumas críticas, já que “completo bem-estar” nas categorias mencionadas pode ser um termo distante demais do cotidiano da maioria das pessoas. Antes de criticar, no entanto, pense por um momento e você verá como pode ser difícil criar uma definição de saúde. 
    No caso da saúde mental especificamente, a definição fica ainda mais complicada. Também nos termos da Organização Mundial da Saúde (OMS), “saúde mental é um estado de bem-estar no qual a pessoa é capaz de pôr em prática suas habilidades, de lidar com as pressões normais da vida, de trabalhar de forma produtiva e de contribuir para sua comunidade”.
    Como dá pra imaginar, essa definição recebeu e recebe inúmeras críticas e foi reformulada por diferentes autores para contemplar este ou aquele aspecto que julga mais importante. Este é um debate importante para a comunidade científica porque precisamos de um conceito bem formulado para orientar as ações que devem ser realizadas para melhorar a saúde mental das pessoas em geral.
    O que vale a pena guardar desta conversa é que saúde mental é mais do que a ausência de transtornos mentais e que, quando pensamos em melhorar a nossa saúde mental e a das pessoas que nos cercam, devemos dar espaço importante para a ideia de realização em diferentes áreas da vida.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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    4 min
  • Minuto Saúde Mental #27: No mutismo seletivo a pessoa tende a permanecer calada diante outras fora de seu círculo social
    Se você tem um filho que conversa normalmente em casa, mas, quando está com outras pessoas, ele fica completamente mudo, é possível que seu filho esteja sofrendo de um transtorno chamado mutismo seletivo. Neste podcast Minuto Saúde Mental, o professor João Paulo Machado de Sousa traz informações sobre o mutismo seletivo. 
    “Hoje em dia, é comum dizermos que uma pessoa está sofrendo de ansiedade; no entanto, esta é uma afirmação vaga do ponto de vista dos profissionais de saúde mental, já que a ansiedade é um sentimento humano normal e o problema mesmo está nos transtornos de ansiedade; ou seja, aqueles casos em que a ansiedade ultrapassa níveis inofensivos e até benéficos e começa a prejudicar a saúde.”
    Segundo Sousa, um dado curioso que vem dos estudos animais sobre ansiedade é que os comportamentos mais comuns diante de uma ameaça são de luta ou fuga, mas aqui há uma virada interessante: em certas condições (que têm a ver com a intensidade e a proximidade da ameaça), o indivíduo, seja ele um camundongo ou um ser humano, pode entrar em um estado de não reação, como se “travasse” diante do estímulo. “Esse estado é conhecido como freezing ou congelamento, na versão traduzida, e parece ser exatamente o que acontece no caso do mutismo seletivo.”
    Pessoas com mutismo seletivo, que são principalmente as crianças e os adolescentes, tendem a permanecer completamente caladas diante de pessoas fora de seu círculo social mais próximo, gerando situações desagradáveis e até constrangedoras. É importante saber aqui – e este recado vai principalmente para profissionais que lidam cotidianamente com crianças e jovens em idade escolar – que a pessoa não tem qualquer controle sobre essa reação e não podem, de fato, escolher outra forma para interagir melhor com o mundo. Por causa disso, também, é comum que quem sofre de mutismo seletivo se mostre excessivamente apegado a uma determinada pessoa, que pareça irritável ou sem senso de humor e, por fim, que tenha mau desempenho escolar e social.
    “Como alguns ouvintes atentos podem ter notado com base no que dissemos, alguns destes sintomas são vistos em transtornos do espectro autista, o que pode levar à confusão no diagnóstico.”
    O professor orienta que, se seu filho ou outra criança ou adolescente que você conhece parece ficar anormalmente atordoado em situações nas quais precisa interagir com outras pessoas, busque ajuda de um psicólogo ou psiquiatra o quanto antes para tentar reduzir os sintomas e, talvez mais importante, o impacto que eles podem ter sobre o desenvolvimento do paciente jovem.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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    4 min
  • Minuto Saúde Mental #26: Fibromialgia tem como principal sintoma a ocorrência de dores espalhadas pelo corpo
    A fibromialgia é uma condição crônica, ou seja, que dura bastante tempo ou até a vida inteira e tem como principal sintoma a ocorrência de dores espalhadas pelo corpo que não são explicadas por outro diagnóstico. O professor João Paulo Machado de Sousa, no podcast Minuto Saúde Mental desta semana, dá mais informações sobre a condição. Usamos a palavra “condição” ao invés de doença ou transtorno porque a fibromialgia continua causando debates acalorados dentro das diferentes áreas da saúde. Resumidamente, uma doença propriamente dita deve ter causa (ou etiologia) e apresentação (patofisiologia) definidas, enquanto um transtorno – como a depressão, por exemplo – não tem esses itens claramente definidos, embora possa ser diagnosticado por um conjunto de sintomas bastante conhecido.
    Indo um pouco mais fundo, a fibromialgia tem como sintomas, além das dores de que falamos antes, a sensibilidade aumentada para diferentes tipos de dor, rigidez muscular, exaustão física, alterações de sono e humor e problemas de memória ou concentração, chamados de sintomas cognitivos. Apesar de ter esses sintomas definidos, reumatologistas, psicólogos, psiquiatras e neurologistas continuam se perguntando e pesquisando o que é exatamente a fibromialgia e qual a melhor forma de tratá-la.
    Como curiosidade, um artigo de 2018, que descreve fatos e mitos sobre a fibromialgia, apresenta logo no início a pergunta sobre se essa condição realmente existe, já que vários pesquisadores sugerem que os sintomas descritos pelos pacientes podem, na verdade, resultar de outros quadros conhecidos e que a presença da fibromialgia não pode ser confirmada por testes laboratoriais ou exames de imagem.
    O fato é que, neste momento, ela é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e tem código próprio na última versão da Classificação Internacional de Doenças, a CID-10. Além disso, o site da Escola de Medicina de Harvard descreve alterações no funcionamento cerebral de pessoas com fibromialgia e uma provável influência genética em sua ocorrência.
    As pesquisas mostram que a fibromialgia afeta aproximadamente uma em cada 20 pessoas, que atinge muito mais as mulheres, uma proporção de sete para um homem, e que costuma aparecer a partir dos 30 anos de idade. 
    Mesmo que o debate entre os cientistas continue, é importante que você procure um profissional de sua confiança caso sinta dores difusas pelo corpo ou quaisquer dos outros sintomas que descrevemos para que eles possam receber tratamento adequado.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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