Minuto Saúde Mental - USP

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  • Minuto Saúde Mental # 39: Por que os idosos esquecem com mais facilidade coisas do cotidiano, mesmo sem demência?
    O processo de envelhecer está ligado a alterações em várias funções normais do organismo. O avanço da idade provoca, por exemplo, perda de massa e tônus muscular e alterações hormonais que modificam a saúde de vários tecidos, dos órgãos e do comportamento sexual. O cérebro, que é um órgão formado por tecidos neurais, está sujeito a esses mesmos processos e é a sede da nossa memória, junto com todas as outras funções cognitivas. No Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa fala sobre a memória no processo de envelhecimento.
    “Em termos fisiológicos, o envelhecimento parece estar bastante relacionado a um processo chamado estresse oxidativo”, diz o professor.  A oxidação, que é o mesmo processo que faz com que o ferro enferruje, ocorre por causa do que os pesquisadores conhecem como espécies reativas de oxigênio e nitrogênio. São moléculas químicas que, no organismo jovem, são adequadamente neutralizadas pelas substâncias antioxidantes. Os antioxidantes estão presentes, por exemplo, no chocolate, no café, em frutas e verduras de cor avermelhada e no vinho tinto, entre vários outros alimentos.
    Com o avanço da idade, o equilíbrio entre as moléculas oxidantes e antioxidantes é progressivamente alterado e o estresse oxidativo acaba atuando sobre o DNA e, consequentemente, sobre os tecidos orgânicos. “O estresse oxidativo está ligado a doenças que aparecem com frequência cada vez maior conforme envelhecemos, como as doenças cardiovasculares e renais e  afeta os neurônios, que são as células cerebrais.”
    Nos idosos, o cérebro perde tecido e conexões com a progressão da idade, e isso acaba por afetar a memória, a atenção, o raciocínio e a capacidade de tomada de decisões, mesmo na ausência de demência ou, como os profissionais de saúde mental chamam hoje, de diagnósticos de comprometimento cognitivo.
    A diferença principal entre os lapsos de memória e de outros processos cognitivos no envelhecimento normal e nas demências está no comprometimento funcional, ou seja, embora a pessoa possa ter maior dificuldade de lembrar de certas coisas com o avanço da idade e perca a chave do carro ou o celular com maior frequência, estas dificuldades não impedem que a pessoa leve uma vida normal e produtiva dentro do contexto da idade que tem. “Quando os lapsos passam a prejudicar o andamento da vida cotidiana e afetam as várias funções que precisamos desempenhar a cada dia para cuidar de nossos afazeres, então é hora de procurar ajuda.”
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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    4 min
  • Minuto Saúde Mental #38: É realmente possível que uma pessoa tenha múltiplas personalidades?
    Em termos bem objetivos, não existem hoje diagnósticos de dupla personalidade ou de múltiplas personalidades, como vemos às vezes no cinema e na TV, relata o professor João Paulo Machado de Sousa, no podcast Minuto Saúde Mental desta semana. O que existe, sim, é uma classe de quadros relacionados que foram agrupados sob o nome de transtornos dissociativos. Em primeiro lugar, portanto, precisamos entender o que significa dissociação dentro dos conceitos de saúde mental.
    Experiências dissociativas são aquelas onde há uma desconexão entre os fatos que ocorrem com uma pessoa e a percepção que essa pessoa tem sobre eles. Um exemplo é a sensação de se estar fora do próprio corpo observando o que acontece consigo mesmo de uma certa distância ou, ainda, a sensação de que determinados acontecimentos fazem parte da história de outra pessoa, enquanto simultaneamente se sabe que eles aconteceram consigo. “Todos temos experiências dissociativas menores, como quando nos “desligamos” no meio de uma conversa ou “damos uma viajada” enquanto estamos dirigindo. Essas experiências tendem a ser leves e passageiras e não têm maiores consequências.” 
    Os chamados transtornos dissociativos incluem três diagnósticos diferentes: amnésia dissociativa, transtorno de despersonalização ou desrealização e transtorno dissociativo de identidade. Na amnésia dissociativa, a pessoa sofre uma perda de memória sobre um determinado período da própria vida, que pode ir de instantes a semanas ou até anos. No transtorno de despersonalização, a principal manifestação é a impressão de se estar desconectado do ambiente, com as coisas e pessoas parecendo diferentes como se estivessem em um sonho, por exemplo. Por fim, o transtorno dissociativo de identidade é aquele que várias pessoas conhecem como transtorno de múltiplas personalidades. Nestes casos, a pessoa pode sentir que há mais de uma personalidade dentro de si mesma, como se estivesse possuída ou houvesse mais de uma pessoa morando dentro de uma mesma cabeça.
    “É importante destacar que o ponto em comum entre estes transtornos é a experiência de alguma situação com impacto emocional muito forte ou, como se costuma chamar, um trauma. A carga emocional do trauma é tão forte que leva a mente a criar uma realidade paralela para que ela seja suportada, gerando a sensação de que determinados eventos terríveis não aconteceram exatamente com a pessoa, mas com outras pessoas ou em “dimensões” diferentes.”
    Por último, diz o professor, “vale lembrar que qualquer experiência só pode ser definida como dissociativa caso seja muito diferente de outras experiências culturalmente aceitas ou que acontecem dentro de contextos definidos, como com os médiuns nas religiões espíritas ou os transes observados em rituais de diferentes povos”.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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    5 min
  • Minuto Saúde Mental #37: Esquizofrenia afeta aproximadamente 1% da população mundial
    No episódio desta semana do Minuto Saúde Mental, o professor João Paulo Machado de Sousa traz informações sobre a Esquizofrenia. O professor lembra que no episódio 22 do podcast foi descrita a diferença entre esse transtorno e os quadros de demência. Para falar com mais profundidade sobre o tema, Sousa apresenta as considerações do psiquiatra e professor Jaime Hallak, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, sobre o tema. 
    Segundo o especialista, a esquizofrenia é provavelmente o mais grave dos transtornos psiquiátricos e afeta aproximadamente 1% da população mundial. A pessoa com esquizofrenia pode apresentar delírios (crenças ou ideias muito particulares que desafiam a argumentação lógica), alucinações (percepção sensorial de estímulos que não estão presentes), desorganização da fala e do comportamento, apatia e deterioração do funcionamento social. Além disso, cerca de 10% dos pacientes com esquizofrenia cometem suicídio. O típico aparecimento da esquizofrenia é observado em adultos jovens e seu curso é frequentemente crônico, ou seja, ela se estende ao longo do tempo e não tem cura conhecida. O impacto social e econômico do transtorno é enorme e os efeitos para portadores e seus familiares podem ser devastadores.
    Os sintomas da esquizofrenia geralmente são divididos em cinco grupos: sintomas positivos, sintomas negativos, sintomas de desorganização, disfunção cognitiva e sintomas afetivos. Os sintomas positivos incluem os delírios e alucinações e estão presentes em períodos críticos, ou, como chamam os médicos, de exacerbação psicótica. Apesar da melhora com os remédios, os sintomas positivos frequentemente persistem na esquizofrenia crônica, embora tendam a não ser predominantes. Os sintomas negativos mais comuns são embotamento afetivo (pouca expressividade emocional), anedonia (falta de prazer), retraimento social e diminuição da motivação, iniciativa e atividade. Mais de 50% dos pacientes com esquizofrenia apresentarão algum grau significativo de sintomas negativos. Os sintomas afetivos incluem afeto inapropriado, humor rebaixado e pensamentos suicidas, enquanto os sintomas de desorganização incluem a desorganização do pensamento e do comportamento. Por último, a disfunção cognitiva abarca alterações da memória, da atenção e de funções executivas como, por exemplo, o planejamento e o autocontrole.
    O psiquiatra lembra que cerca de 90% dos pacientes em primeiro episódio de psicose apresentam remissão dos sintomas após um ano de tratamento, mas que apenas um em cada três pacientes terão um bom resultado funcional.
    A pesquisa em neurociências vem trazendo grande avanço na compreensão das alterações cerebrais e físicas da esquizofrenia, com progressos importantes na busca por tratamentos mais eficientes. Esses avanços, associados a técnicas psicológicas, psicossociais, educação individual e familiar e da sociedade e treinamentos voltados para a capacitação acadêmica e profissional têm melhorado muito o prognóstico e aumentado a esperança de um dia conseguirmos atingir o objetivo de completa recuperação dos pacientes. 
    Se você ainda ficou com alguma dúvida sobre esta e outras questões de saúde mental, mande uma mensagem pra gente e teremos prazer em respondê-la aqui.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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    5 min
  • Minuto Saúde Mental #35: O conhecimento sobre transtorno mental aumentou, mas muitos ainda demoram para serem diagnosticados
    Embora se fale bastante sobre transtorno mental hoje em dia, muita gente ainda tem dúvidas sobre o que é e, principalmente, sobre quando deve se preocupar e procurar ajuda. Por isso, no podcast Minuto Saúde Mental desta semana o professor João Paulo Machado de Sousa fala mais sobre o tema. 
    “Como já sabemos o que significa transtorno, vamos pensar na definição de mente.” Definir exatamente o que é a mente, diz o professor,  vem sendo um desafio há séculos para a ciência. “Para não mergulhar nesse debate interminável, vamos definir aqui a mente como o resultado do funcionamento do cérebro, ou seja, nossas ações no mundo (ou comportamento), nossa disposição física e emocional (ou humor), e a atividade interna que exercemos ao interagir com o mundo (o pensamento). Portanto, um transtorno mental é um problema de saúde que afeta humor, comportamento e pensamento.” Além disso, comenta, para ser reconhecido como transtorno mental propriamente dito, “este problema precisa ser grave o suficiente para atrapalhar o funcionamento da pessoa no seu dia a dia”.
    Segundo Sousa, hoje, o conhecimento e atenção para estes quadros estão aumentados, mas muitos transtornos ainda demoram tempo demais para serem diagnosticados, e esse tempo pode ser precioso para o tratamento e a prevenção de prejuízos maiores. Para reconhecer que alguma coisa realmente errada está acontecendo, devemos prestar atenção em sinais como: fadiga constante e que não passa mesmo depois de períodos de descanso, irritação excessiva ou atos repentinos de violência, abuso de álcool e drogas, mudanças bruscas de humor, alterações notáveis de peso e apetite, isolamento crescente de familiares e amigos, dificuldades para pensar ou se concentrar ou perda de contato com a realidade, como nos casos de paranoia, por exemplo. 
    “Apesar da importância de estarmos atentos a esses sinais, é igualmente importante lembrarmos que a vida humana é feita de momentos diferentes que provocam reações diferentes e perfeitamente normais nas pessoas, ainda que sejam desconfortáveis. Ou seja, a atenção aos problemas de saúde mental é justificada e deve ser estimulada, mas não pode substituir nossa noção do que é estar vivo e interagir com o mundo e as pessoas de forma compatível com cada período da vida, seja ele leve e feliz ou triste e difícil.”
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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    4 min
  • Minuto Saúde Mental # 34: Pessoas com fobia social tendem a ter perdas pessoais, sociais e profissionais
    O podcast Minuto Saúde Mental desta semana fala sobre o medo de falar em público, por qual razão isso acontece e o que pode ser feito nesses casos, respondendo a uma ouvinte. Segundo o professor João Paulo Machado de Sousa, uma coisa que podemos afirmar com segurança é que nossa ouvinte não está sozinha e que muita gente entende bem o que ela sente quando tem que falar em público, já que este parece ser o medo mais frequente no mundo. “Mas vamos compreender alguns fatos que merecem mais atenção. Talvez você que acompanha o nosso programa se lembre que a ansiedade é um sentimento humano normal que ocorre em todas as pessoas e serve para nos preparar para diversas situações da vida, como uma prova ou entrevista de emprego, por exemplo. Além disso, também já falamos que o que separa a ansiedade e o medo normais de um transtorno mental são os prejuízos causados.”
    Voltando ao medo de falar em público, o professor explica que ele pode ser isolado e contornável (apesar de causar incômodo) ou pode acabar impedindo que a pessoa que sofre desse medo participe de uma série de situações e tenha, por causa disso, perdas pessoais, sociais e profissionais. Neste segundo caso, o medo de falar em público provavelmente
    faz parte de um quadro conhecido como Transtorno de Ansiedade Social (TAS) ou Fobia Social.
    Embora as pessoas que sofrem deste transtorno possam ter medo apenas da situação de falar em público, são comuns as dificuldades em outras atividades sociais, como comer com outras pessoas, assinar documentos na frente de outros e conversar com pessoas do sexo oposto ou figuras de autoridade. Como o TAS causa sofrimento constante e perdas às vezes consideráveis para a pessoa, ele gera queda significativa de qualidade de vida e pode estar associado a outros diagnósticos como a depressão ou o transtorno de ansiedade generalizada.
    As pessoas que sofrem de TAS tendem a ter maior dificuldade com os estudos, cargos e salários menores e a se casarem com menor frequência do que pessoas em condições semelhantes que não sofrem do transtorno. A boa notícia é que o TAS costuma responder bem ao tratamento com medicações e psicoterapia; portanto, se você está percebendo que sua dificuldade de falar em público ou de realizar outras atividades sociais pode estar trazendo prejuízos para sua vida, procure um profissional de saúde mental o quanto antes para que o quadro seja controlado e os possíveis danos evitados ou minimizados.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #33: O eletrochoque ainda é utilizado?
    Eletrochoque é o nome mais popular de um tratamento conhecido como eletroconvulsoterapia (ou ECT) no meio médico. Essa modalidade de tratamento surgiu entre as décadas de 1930 e 1940 e passou muito tempo no baú obscuro das práticas antigas e questionáveis que já foram usadas para tentar tratar pessoas em sofrimento mental. Esse é o tema do Minuto Saúde Mental desta semana.
    Segundo o professor João Paulo Machado de Sousa, a história conta que a ECT surgiu depois de funcionários de clínicas psiquiátricas relatarem que pacientes em surto psicótico que também sofriam de epilepsia pareciam ter melhora nos sintomas psicóticos após as convulsões causadas pela epilepsia.
    Com isso, diz o professor, alguns médicos começaram a investigar métodos para causar convulsões controladas com medicamentos e, finalmente, com correntes elétricas aplicadas na cabeça. É claro que no início, com equipamentos ainda primitivos, o procedimento todo carecia de controle adequado e gerava convulsões com intensidades imprevistas que podiam fazer com que o paciente se machucasse durante o procedimento, causando até fraturas. “Além disso, os choques causavam confusão mental e desorientação por um certo tempo. Junto com o aspecto grotesco do procedimento, estes efeitos fizeram com que a técnica fosse vista como desumana e quase desaparecesse entre as décadas de 1960 e 1970.”
    A partir dos anos 1980, no entanto, levando em conta os efeitos positivos observados no controle de sintomas, os pesquisadores começaram a buscar métodos seguros de fazer a ECT que causassem o mínimo de desconforto e efeitos colaterais para os pacientes. Assim, hoje a ECT é realizada em muitos serviços públicos e particulares ao redor do mundo, utilizando baixas correntes elétricas que podem ser aplicadas apenas de um ou dos dois lados da cabeça e sempre com o paciente anestesiado e acompanhado por uma equipe multidisciplinar.
    A ECT é indicada para pacientes com depressão grave, transtorno bipolar e esquizofrenia, principalmente em quadros de catatonia que, em linguagem simples, são aqueles em que o paciente entra em um estado em que perde a interação com o mundo exterior de maneira que pode até ameaçar sua  vida. Uma crítica importante feita contra a ECT é que seu mecanismo de ação continua desconhecido. Isso é verdade e muitos estudos continuam se dedicando a compreender como ela exerce seus efeitos no cérebro. Embora a medicina não tenha conseguido eliminar todos os efeitos colaterais
    do tratamento e apesar da aversão que causa a muitas pessoas, a ECT é amplamente utilizada hoje em dia e tem o apoio de muitos pacientes que tiveram melhoras importantes em sua qualidade de vida graças a ela.
    4 min
  • Minuto Saúde Mental #32: O terapeuta ocupacional atua na rede de suporte ao paciente com problemas de saúde mental
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa fala sobre a relação entre as atividades do terapeuta ocupacional e a saúde mental. Quem dá as informações, segundo Sousa, é a terapeuta ocupacional Mariana Carolina Lima de Souza, da Apae de Sorocaba, no interior de SP. Segundo Mariana, a terapia ocupacional tem como foco o indivíduo e tudo aquilo que faz parte de sua rotina diária, ou seja, o trabalho ou estudo e também atividades como sono e descanso, lazer, brincadeiras e participação social. Uma parte importante do trabalho do terapeuta ocupacional tem relação com as atividades do cotidiano chamadas de instrumentais, que incluem, por exemplo, ir ao banco ou ao supermercado, resolver problemas práticos e lidar com a burocracia exigida em certas situações. A atuação do terapeuta ocupacional será sempre centrada nos interesses, habilidades e tudo aquilo que é significativo para aquele indivíduo em particular e as demandas de sua vida específica.
    No caso da saúde mental, o terapeuta ocupacional trabalha com pessoas em sofrimento psíquico e que frequentemente apresentam limitações ou desequilíbrios no desempenho das tarefas que mencionamos. Essas limitações podem agravar o quadro do paciente porque têm o potencial de afastá-lo progressivamente de suas atividades diárias e de prejudicar sua plena inserção no universo social. Por exemplo, o terapeuta ocupacional é de grande ajuda para pacientes que tenham um histórico de afastamento social como aquele causado por internações em hospitais psiquiátricos. Esses pacientes podem ter dificuldades em reconhecer a própria identidade e seu lugar de ser no mundo, além de enfrentar estigma e exclusão social.
    Em casos assim, o terapeuta ocupacional irá trabalhar junto com o paciente para resgatar atividades prazerosas e significativas, para desenvolver habilidades e para estabelecer desejos e metas. Além disso, ele servirá como apoio e buscará adaptações e gradações das atividades que deixaram de ser realizadas para que a pessoa volte a ter seu equilíbrio ocupacional, promovendo autonomia e independência em conjunto com as demais pessoas que fazem parte do cotidiano do paciente.
    O terapeuta ocupacional pode atuar de forma grupal ou individual e seu trabalho é complementar ao do psicólogo, do médico e de outros profissionais que podem estar envolvidos na rede de suporte ao paciente com problemas de saúde mental. Concluindo, o objetivo do terapeuta ocupacional é promover um olhar integral para a retomada da identidade social, dos vínculos e da reinserção social do indivíduo.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #31: O que é autismo e como uma pessoa se torna autista?
    O autismo é um problema do desenvolvimento cerebral e psicológico que faz com que a pessoa tenha dificuldades em domínios diferentes da vida, mas principalmente na comunicação e na interação social. Como esses problemas podem variar muito em termos de gravidade e, consequentemente, do prejuízo que trazem para a pessoa, o nome utilizado hoje para se referir a esta condição é Transtorno do Espectro Autista, ou TEA. Esse é o tema do podcast Minuto Saúde Mental desta semana, com o professor João Paulo Machado de Sousa.
    Sempre que falamos de espectro, quando nos referimos a problemas de saúde mental, estamos falando de quadros que compartilham algumas características comuns, mas que variam bastante no prejuízo que causam ao paciente. Assim, o diagnóstico de TEA englobou diagnósticos anteriores como o próprio autismo e a síndrome de Asperger, por exemplo, que servia para se referir a casos com prejuízos menores.
    A pessoa com autismo costuma apresentar sintomas logo na primeira infância. Esses sintomas incluem dificuldades no aprendizado ou no uso da linguagem, aparente indiferença aos cuidadores, agitação sem explicação clara e comportamentos repetitivos ou estranhos, como balançar-se para a frente e para trás ou criar rotinas específicas para momentos triviais como as refeições, por exemplo. Quando essas rotinas são quebradas, a pessoa pode apresentar reações que parecem incompreensíveis ou desproporcionais para quem está acompanhando.
    A causa do autismo ainda não é conhecida de fato. O transtorno afeta uma em cada 50-60 crianças com idade de até 8 anos e é mais comum em meninos do que meninas. As pesquisas mostram que vários genes podem aumentar a vulnerabilidade para o desenvolvimento do transtorno, mas, sozinhos, não explicam o aparecimento do problema. Outras linhas de pesquisa estão investigando se infecções ou problemas durante a gestação podem explicar a ocorrência do TEA, mas não existem resultados definitivos. É muito importante lembrar aqui que nenhum estudo confiável mostrou relação entre vacinação e autismo, embora muitas fontes aleguem essa conexão sem base científica concreta.
    Caso esteja preocupado com o desenvolvimento de seu filho ou de outra criança com quem tem contato, você deve primeiro se lembrar que cada uma tem seu ritmo específico de desenvolvimento e não precisa atingir marcos do desenvolvimento como caminhar ou aprender a falar no mesmo momento que outras crianças. No entanto, se perceber que a criança não responde à interação com as pessoas à sua volta ou tem padrões de comportamento que parecem muito diferentes e persistentes ao longo do tempo, você deve consultar um profissional.
    Embora o autismo ainda não tenha cura, o trabalho conjunto entre profissionais da saúde e da educação pode melhorar muito a maneira como o paciente interage com o mundo e sua qualidade de vida geral. 
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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