Minuto Saúde Mental - USP

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Minuto Saúde Mental - USP episodes

  • Minuto Saúde Mental #49: Causas do distúrbio do sono não estão associadas apenas a problemas mentais
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa responde a uma ouvinte que relata ter dificuldade para dormir há mais de um mês e questiona se a causa pode ser ansiedade.
    Segundo o professor, o palpite pode estar certo, mas ressalta que há vários motivos que podem atrapalhar o sono. “Além dos transtornos de ansiedade, perturbações do sono podem ter sintomas de diferentes condições, incluindo a depressão, a mania, a psicose, o abuso de álcool e substâncias, mas também podem estar relacionadas com outras causas que têm pouco ou nada a ver com transtornos mentais.”
    Para Souza, a causa frequente das dificuldades relacionadas ao sono, seja insônia, sono exagerado durante o dia ou até ataques noturnos à cozinha, estão associadas, frequentemente, à higiene do sono, conjunto de práticas que ajudam o organismo a se preparar para o período de sono. Por isso, evitar estímulos nocivos como atividades, substâncias estimulantes e uso de telas contribui para a qualidade da noite de sono. 
    Souza enfatiza que em casos de alterações no sono é importante procurar um profissional, mas destaca que observar os próprios hábitos e alterar aqueles que podem atrapalhar a noite de sono é essencial antes de pensar que está sofrendo de um problema de saúde. 
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #48: O que são alucinações?
    Essa semana, o professor João Paulo Machado de Sousa explica o que são alucinações, comumente confundidas com os delírios, tema do último episódio do Minuto Saúde Mental. De acordo com o professor, as alucinações são experiências em que um ou mais dos nossos sentidos detecta um estímulo que não é real. “Em termos mais simples, é quando uma pessoa vê, sente ou ouve alguma coisa ou percebe um cheiro ou gosto que ninguém mais percebe”, esclarece. 
    Sousa faz a distinção entre alucinações e delírios. “Embora apareçam junto com as alucinações em muitos casos, os delírios são ideias e crenças resistentes à razão que não devem ser confundidos com alterações dos nossos sentidos”. Mas, assim como no caso dos delírios, é importante ressaltar que as experiências sensoriais que acontecem exclusivamente dentro de um contexto místico ou religioso, “onde estão previstas e são compartilhadas por outros membros, não são consideradas alucinações”.
    As alucinações podem ter diferentes causas, sendo as mais comuns os quadros psicóticos, ou seja, de desconexão com a realidade, como em casos de intoxicação por álcool e outras drogas lícitas ou ilícitas, além de determinados quadros neurológicos, como as demências, por exemplo. Ao contrário do senso comum, diz o professor, as alucinações complexas são bastante raras, citando como exemplo aquelas retratadas em filmes em que os personagens veem e interagem com pessoas. 
    As alucinações mais comuns, continua Sousa, tendem a ser bem menos claras, como a percepção de luzes ou vultos, de sussurros e de sensações como a de um inseto caminhando sobre a pele. “A pessoa ainda pode ouvir passos, janelas ou portas batendo ou sentir um cheiro ou gosto que outras pessoas não sentem”, exemplifica. 
    Nos quadros de esquizofrenia e transtorno bipolar, as alucinações mais comuns são as auditivas, que costumam causar grande sofrimento porque “tendem a ter conteúdos negativos, com vozes que xingam, criticam e ameaçam a pessoa”. Enfatiza que merecem atenção especial  quadros em que “as vozes ordenam que ela faça algo contra si mesma ou contra os outros”. 
    Segundo o professor, fora de contextos específicos, não é comum ter alucinações e a pessoa deve sempre procurar um profissional caso tenha percepções como as descritas neste episódio. Para o tratamento, as medicações antipsicóticas disponíveis atualmente costumam ter bons níveis de sucesso no controle das alucinações, mas “são remédios que podem ter efeitos colaterais importantes e que nunca devem ser usados sem acompanhamento médico adequado”, adverte. 
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #47: O que é delírio?
    Essa semana, o professor João Paulo Machado de Sousa explica o que é delírio, uma expressão  já mencionada no  Minuto Saúde Mental e que pode não ter ficado clara para muitos.  O professor lembra que não é incomum ouvir por aí que alguém sofre de um “delírio de grandeza”, que fulano tem “ciúmes delirantes” ou que tal pessoa estava “delirando de febre”. “São usos correntes do termo e que não estão incorretos, mas que não querem dizer a mesma coisa que queremos dizer quando falamos de delírios no contexto da saúde mental.
    O professor faz a distinção entre ilusão e delírio. “Em termos simples, uma ilusão é um engano dos nossos sentidos. É o que os mágicos utilizam nos seus truques e que rendeu a eles o nome de ilusionistas. Podemos ter a ilusão de que um objeto está perto quando na verdade está distante, ou de que uma pessoa está segurando a torre Eiffel na palma da mão em uma fotografia, por exemplo.”
    Diferentes das ilusões, diz o professor, os delírios são ideias ou crenças rígidas sustentadas por uma pessoa ou um grupo de pessoas e que vão nitidamente contra a realidade. Essas crenças podem ser bastante complexas e são sempre resistentes à argumentação racional. Por exemplo, alguém pode ter o delírio de que determinada pessoa famosa o conhece, compartilha momentos e relações de seu círculo e está fazendo manobras para prejudicá-la. Este seria um tipo bastante conhecido de delírio, conhecido como paranoia.
    E segue explicando que os delírios podem estar presentes em diferentes transtornos psiquiátricos e são parte daquilo que os profissionais conhecem como quadros psicóticos, ou seja, onde existe perda do contato com a realidade normalmente compartilhada. É um sintoma que pode aparecer em casos de intoxicação por substâncias lícitas ou ilícitas, de depressão grave, de mania ou de esquizofrenia, para citar alguns. Além disso, existe um diagnóstico específico com o nome de transtorno delirante.
    “Como é fácil imaginar, as pessoas que sofrem de delírios podem apresentar comportamentos problemáticos que acabam causando reações negativas nas outras pessoas e isolamento social. Por isso, são sintomas que devem ser considerados com a devida gravidade e que sempre merecem a atenção de profissionais especializados, ainda que a pessoa afetada negue essa necessidade.”
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #46: Hábito de cutucar a pele constantemente pode ser transtorno de escoriação
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa responde a uma ouvinte que relata fazer algumas semanas que tem cutucado a pele constantemente e que tem muita dificuldade em parar, chegando até a se ferir. Com isso pergunta se é preciso procurar tratamento.
    Segundo o professor, pela descrição, é um quadro conhecido como transtorno de escoriação. Este transtorno foi incluído mais recentemente nas classificações diagnósticas da psiquiatria e faz parte do grupo dos chamados Transtornos Obsessivo-Compulsivos. Eles recebem este nome porque englobam quadros onde a pessoa tem muita dificuldade em interromper a ocorrência de determinados pensamentos e comportamentos, o que acaba causando problemas e sofrimento.
    Para saber se o hábito de cutucar a pele está ultrapassando a barreira do que é saudável, diz o professor, veja se você enfrenta os seguintes sintomas:
    – Cutucar a pele constantemente até causar lesões;
    – Fazer tentativas repetidas (e frustradas) de interromper o comportamento;
    – Experimentar sofrimento ou prejuízos significativos por causa do comportamento (ex.: vergonha).
    Além disso, é fundamental saber se os sintomas não estão sendo causados por alguma substância (como um remédio, por exemplo) ou por outro quadro médico ou dermatológico. A pessoa que sofre de transtorno de escoriação pode ainda ter sintomas não relacionados à pele, como arrancar cabelos, roer unhas ou outros comportamentos compulsivos. 
    É importante não negligenciar os sintomas descritos porque o quadro tende a ser crônico, ou seja, a desaparecer e voltar de tempos em tempos e porque o comportamento compulsivo de cutucar a pele pode acabar causando lesões graves e infecções.
    O tratamento para o transtorno de escoriação inclui, como na maior parte dos transtornos mentais, uma parte psicológica e outra médica. Na parte psicológica, a terapia cognitivo comportamental parece ser a mais promissora no controle dos sintomas. Na parte médica, o psiquiatra deverá optar entre diferentes medicações de acordo com o perfil e a história de cada paciente. Por último, pode ser necessária a consulta a um dermatologista para acompanhar adequadamente os possíveis danos causados à pele.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #45: Tristeza ou depressão?
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa fala sobre a confusão entre depressão e tristeza. Com informações do psicólogo Ildebrando Moraes de Souza, o professor diz que não é raro ouvirmos alguém falar que “fulana está deprimida porque alguém querido morreu” ou “sicrano está deprimido porque perdeu o emprego”. Segundo informações do psicólogo, diz Sousa, embora seja possível que a depressão seja percebida a partir de um acontecimento ruim na vida das pessoas, o mais provável é que quem está descrevendo tais situações esteja falando que a fulana e o sicrano estão tristes como resultado das experiências que tiveram, e não deprimidos de fato. 
    “Ouça e guarde a seguinte informação: tristeza é uma emoção perfeitamente normal para todas as pessoas, inclusive as crianças, e é uma resposta à vivência de perdas ou frustrações. Como todas as demais emoções, por mais intensa que seja ela tende a perder força conforme nos afastamos do evento que nos entristeceu. Mesmo desagradável, a tristeza é parte natural da nossa vida.”
    Já a depressão, diz, é um transtorno que nem todos vivenciarão e que, mesmo podendo incluir a tristeza como um dos elementos de seu conjunto diagnóstico, se diferencia dela pela sua duração, gravidade e necessidade de acompanhamento profissional. A depressão pode ou não contar com uma situação disparadora, costuma alterar por um período prolongado os padrões de sono, alimentação e os interesses individuais (inclusive os afetivos), afeta o funcionamento do organismo e, por isso mesmo, às vezes precisa contar com os recursos de medicamentos e psicoterapia. 
    “Diferenciar tristeza e depressão é importante tanto para não tratar como doença uma situação normal quanto para não subvalorizar uma situação que pode ser grave e trazer sérios prejuízos a quem de fato sofre do transtorno.”
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #44: As festas de final de ano exigem atenção especial com a nossa saúde mental
    O Natal e as festas de ano novo são um período que mexe muito com os sentimentos das pessoas, e não é de hoje que os profissionais e pesquisadores em saúde mental reconhecem que essa é uma época que exige atenção especial. Esse é o tema do podcast Minuto Saúde Mental desta semana, com o professor João Paulo Machado de Sousa.
    Embora as festas de fim de ano sejam tipicamente retratadas como um período de alegria e conexão com momentos e pessoas que fazem a vida valer a pena, parece cada vez mais comum nos sentirmos estranhos e ouvirmos de pessoas próximas que elas na verdade experimentam muitos sentimentos negativos nessa época. De fato, um levantamento da Aliança Nacional para Transtornos Mentais dos Estados Unidos, feito em 2014, mostrou que 64% das pessoas avaliadas que sofriam de algum problema de saúde mental descreveram que o período das festas de fim de ano fazia com que sentissem piora em sua condição.
    Os pesquisadores descobriram que a tristeza ou insatisfação relacionadas às festas de fim de ano estavam ligadas à sensação de solidão ou pressões financeiras em cerca de 65% dos casos. Além disso, mais da metade dos entrevistados, ou cerca de 55%, contaram que se sentiam insatisfeitos por julgarem que viveram momentos mais felizes no passado ou que mantinham expectativas altas demais sobre esta época do ano.
    Outras razões descritas pelas pessoas avaliadas neste e em outros levantamentos semelhantes foram a pressão para comparecer a muitos compromissos, a dificuldade (financeira ou mental) de encontrar presentes para as pessoas queridas, o frio e a falta de luz do sol (que não contam por aqui) e a necessidade de parecer feliz ou se encaixar em padrões determinados de sentimentos e comportamento.
    Talvez o dado mais importante seja aquele relacionado com as expectativas, já que é principalmente aqui que podemos ter algum controle. Pode ser bastante útil refletir e compreender que aquilo que esperamos das festas de fim de ano foi moldado por experiências passadas que se estendem até os primeiros anos de vida, quando tínhamos uma percepção muito diferente das coisas. Além disso, também é verdade que temos a tendência de superestimar boas sensações vividas no passado e compará-las com as atuais, o que faz com que o resultado seja sempre negativo para o que vivemos hoje, embora as coisas não sejam de fato assim.
    Para terminar, vamos lembrar que também existem boas notícias relacionadas a este tema. O fim do ano é, para muitos, um período de descanso, experiências significativas e convivência com pessoas próximas, três elementos que contribuem para a promoção da saúde física e mental. 
    Esperamos que você tenha curtido e se desenvolvido com o nosso programa ao longo deste ano e que possa ajustar as suas expectativas e viver boas e novas experiências nas festas que se aproximam, sejam elas do jeito que puderem ser.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #43: Autoestigma faz com que muitas pessoas demorem ou não consigam buscar ajuda para tratar problemas de saúde mental
    Com a sociedade de maneira geral falando cada vez mais sobre saúde mental, talvez você já tenha se deparado ou irá se deparar em breve com o termo estigma. É sobre esse termo que o professor João Paulo Machado de Sousa fala no Minuto Saúde Mental desta semana.  
    Em seu significado mais concreto, estigma quer dizer “marca”, assim como aquelas que alguns povos utilizavam em seus escravos para deixar clara sua posição social, ou as marcas nas mãos e pés de Jesus resultantes da crucificação. No sentido mais amplo em que é utilizado hoje em dia, o termo estigma serve para se referir a alguma característica pessoal que traria desvantagem em relação a outras pessoas, uma marca de inferioridade. É por isso que a palavra ganhou importância na saúde mental.
    A pessoa com um problema de saúde mental é frequentemente vista por outras como alguém incapaz de responder integralmente às demandas típicas de sua faixa etária e contexto cultural. Além disso, como a diferença é associada à inferioridade, o estigma pode frequentemente resultar em discriminação. É importante guardar a informação de que o estigma afeta a empatia, que é a capacidade que a gente tem de se identificar com a condição do outro e que é crucial para a vida social. 
    O estigma pode, ainda, surgir de dentro da própria pessoa. Por exemplo, quando alguém percebe que está tendo dificuldades para lidar com as questões da vida e com os próprios sentimentos e faz um julgamento negativo desta percepção, que acaba dificultando a busca por ajuda. Muitos pesquisadores acreditam que o estigma contra si mesmo (ou autoestigma) faz com que muitas pessoas demorem ou não consigam buscar ajuda para tratar problemas de saúde mental.
    O principal meio para se combater o estigma de forma geral, e não só na saúde mental, é a informação. Isso acontece porque o conhecimento sobre qualquer condição de saúde faz com que entendamos melhor as causas e a extensão do problema e não nos apoiemos em crenças ao lidar com ele. No caso da saúde mental, por exemplo, muita gente ainda associa a ocorrência de dificuldades e transtornos com características pessoais como fraqueza e falta de iniciativa. Quando essas pessoas entendem que problemas de saúde mental ocorrem por causa de uma cadeia de causas que estão além da vontade ou da capacidade de ação da pessoa atingida, fica mais fácil ultrapassar o estigma, sentir empatia e até oferecer ajuda.
    Portanto, ao lidar com pessoas que estão em sofrimento mental ou ao sentir que as coisas não vão bem com você mesmo, o melhor a fazer é buscar informação e ajuda competente.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #42: A realidade dos hospitais psiquiátricos no Brasil mudou, mas ainda há um longo caminho para o atendimento ideal
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa conta brevemente sobre o funcionamento dos hospitais psiquiátricos no Brasil. Durante alguns séculos, os hospitais psiquiátricos, ou manicômios como eram chamados, funcionaram mais como depósitos de pessoas em sofrimento mental (não necessariamente doentes) do que como locais de tratamento propriamente dito, e muitos ainda devem se lembrar de reportagens em revistas e na TV sobre as condições degradantes dos hospícios brasileiros nas últimas décadas do século XX.
    Em um livro de 2013 que deve virar filme no ano que vem, a jornalista Daniela Arbex descreve o que chamou de “holocausto brasileiro”, referindo-se à morte e ao sofrimento imposto aos pacientes daquele que foi o maior hospício do país: o Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais.
    Felizmente, a realidade dos hospitais psiquiátricos mudou muito de lá pra cá e, embora eles ainda sejam alvo de críticas, não recebem mais pessoas sem diagnósticos estabelecidos ou que deverão ficar lá para sempre. Em 2001, foi iniciada oficialmente no País a reforma psiquiátrica, um movimento determinado legalmente que tinha como objetivo acabar com os manicômios e estabelecer serviços ao mesmo tempo mais humanos e profissionais sem privar o indivíduo do contato com a comunidade.
    Certamente ainda existe um longo caminho a ser percorrido até que as pessoas que necessitam de internação psiquiátrica tenham o atendimento ideal, mas muitos progressos foram feitos e a realidade destes hospitais no Brasil é hoje muito diferente da rotina de negligência, maus tratos e isolamento de poucas décadas atrás.
     
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  • Minuto Saúde Mental #41: Taxas de ansiedade e depressão entre jovens aumentaram 70% nos últimos 25 anos
    O que se sabe de fato sobre os efeitos das redes sociais na saúde mental é o tema do podcast Minuto Saúde Mental desta semana. Segundo o professor João Paulo Machado de Sousa, questões relacionadas ao impacto da transformação digital sobre a saúde mental, principalmente de crianças e adolescentes, vêm chamando cada vez mais a atenção de pais, professores, pesquisadores e outros profissionais, conforme nos damos conta do aumento gigantesco na frequência do uso de telas e do acesso à internet no dia a dia.
    A primeira dimensão dessa preocupação diz respeito às mudanças nos hábitos de vida e organização da rotina. “O aumento do tempo que passamos diante das telas tem como reflexo óbvio a diminuição do tempo que investimos em interações sociais concretas e em atividades ao ar livre, por exemplo. Como resultado, muitas pessoas têm tido menor exposição à luz do sol e a outros estímulos do ambiente externo e interpessoal, além de mudanças nos hábitos alimentares e na rotina do sono.”
    No entanto, além do tempo on-line e das mudanças de hábitos, a maior preocupação atual parece estar relacionada ao conteúdo consumido nas redes sociais e ao possível impacto deste conteúdo sobre a saúde mental. A preocupação que antes era direcionada à pornografia e à atuação de criminosos sexuais foi hoje estendida para temas como dietas extremas, preocupação patológica com a imagem, bullying e atitudes intolerantes e comportamentos de risco para a saúde e até a vida.
    Um levantamento feito em 2017 pela Sociedade Real de Saúde Pública e o Movimento pela Saúde dos Jovens, ambos do Reino Unido, afirma que as taxas de ansiedade e depressão entre os jovens aumentaram 70% nos últimos 25 anos e verificou que quatro das cinco redes sociais mais utilizadas tinham efeitos negativos sobre a saúde mental dos jovens, e isso na própria avaliação deles. Neste levantamento, o Instagram foi apontado como a rede mais nociva, seguida por Snapchat, Facebook e Twitter. Por outro lado, o YouTube foi apontado como tendo um impacto positivo sobre a saúde e o bem-estar.
    Como é sempre importante levar em consideração os diferentes lados de cada história, o relatório também aponta que os jovens parecem cientes do problema e que grande maioria apoia fortemente medidas para minimizar os possíveis riscos das redes, como a inclusão de informações sobre uso seguro no currículo escolar e a identificação de pessoas em possível risco pelos próprios provedores dos serviços.
    Sem dúvida esse é um assunto muito amplo para ser coberto com a devida profundidade em um único episódio e estamos esperando mais questões dos ouvintes para abordarmos em programas futuros.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #40: A duração de um tratamento psiquiátrico depende de muitos fatores
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Macho de Sousa fala sobre o uso prolongado de medicamentos psiquiátricos e a possibilidade de dependência desses fármacos. “Para muitas pessoas, já é difícil procurar ajuda quando acreditam que estão sofrendo de algum problema de saúde mental e, depois que conseguem buscar um profissional, é comum que surjam dúvidas como essa.”
    O fato é, diz o professor, que não há uma resposta definitiva para essa pergunta e o tempo que cada pessoa vai precisar usar uma medicação psiquiátrica depende de muitos fatores. Para começarmos sem ilusões, é importante saber que o mais provável é que seu tratamento seja mesmo longo, indo de vários meses a alguns anos, pelo menos.
    Os transtornos mentais que demandam tratamento com medicamentos variam em termos de gravidade e do quanto eles afetam a vida cotidiana da pessoa. Existem transtornos que exigem tratamento contínuo pela vida toda e, embora isso não seja uma perspectiva agradável, é semelhante ao que acontece em certos casos de diabete ou hipertensão, por exemplo.
    A duração do tratamento também vai depender da resposta individual de cada paciente. Algumas pessoas se dão muito bem com a medicação e ficam surpresas com a melhora na qualidade de vida que ela pode trazer; outras, porém, não têm uma boa resposta e não sentem grandes benefícios. Além da melhora ou ausência de melhora nos sintomas, também é importante avaliar o impacto dos efeitos colaterais da medicação, que podem acabar impedindo a continuidade do tratamento mesmo que a pessoa sinta benefícios. Essa variação na resposta de cada pessoa às medicações psiquiátricas tem a ver com diferenças genéticas, fisiológicas e psicológicas entre as pessoas.
    Nunca é demais destacar que os tratamentos com medicações psiquiátricas devem ser sempre supervisionados por um médico e que existem riscos sérios quando usamos estes remédios por conta própria. Além disso, nunca se deve aumentar ou diminuir doses ou, principalmente, interromper o tratamento por decisão própria porque os sintomas diminuíram ou a medicação não parece estar ajudando. Estes remédios provocam mudanças no funcionamento do cérebro e sua interrupção repentina pode causar efeitos graves como vertigens ou convulsões, por exemplo.
    Resumindo, a resposta para sua pergunta sobre a duração do tratamento vai depender do quadro que precisa ser tratado e de sua resposta individual às medicações receitadas, mas não há dúvidas de que as medicações psiquiátricas ajudam muita gente a levar uma vida melhor e com menos sofrimento.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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