Minuto Saúde Mental - USP

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Minuto Saúde Mental - USP episodes

  • Minuto Saúde Mental #69: Qual o seu nível de felicidade em uma escala de 0 a 10?
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa fala sobre o mapa da felicidade do estado de São Paulo. O levantamento feito pelo Instituto Ideia foi realizado em 2004 pela primeira vez e repetido agora, em 2023. Os resultados foram divulgados pelo jornal O Estado de São Paulo para celebrar o Dia Internacional da Felicidade, comemorado em 20 de março.
    O professor conta que o levantamento foi feito a partir da pergunta: “como anda seu nível de felicidade em uma escala de 0 a 10?” e feita para quase seis mil pessoas. “Os resultados encontrados foram interessantes e podem nos ajudar a pensar melhor em como distribuímos nossas prioridades e o que mais contribui para a nossa felicidade”.
    O estudo listou 11 pilares e os entrevistados deveriam avaliar uma nota que descrevesse o quanto aquele pilar contribui para a sua felicidade. Na ordem de maior para menor importância, os pilares avaliados foram: espiritualidade, satisfação com a vida, família, comunidade, saúde, lazer, relacionamentos, trabalho, segurança, finanças e governo.
    Os resultados mostraram que os níveis gerais de felicidade caíram em quase todas as 11 regiões do estado, consideradas na avaliação. “A nota mais baixa foi observada no litoral, onde a queda foi de 21%. Na capital, a queda foi de 7%, enquanto na região de Ribeirão Preto, o nível de felicidade caiu 5% de 2004 pra cá”, comenta Sousa.
    Por fim, o professor destaca que o estudo mostrou que dinheiro e juventude não foram associados a maiores níveis de felicidade e que as mulheres se sentem, hoje, mais felizes que os homens. O estudo completo pode ser acessado aqui.
    5 min
  • Minuto Saúde Mental #68: Transtorno Opositivo Desafiador traz mudanças comportamentais e de humor
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa fala sobre o Transtorno Opositivo Desafiador, conhecido pela sigla TOD. Comum em crianças e adolescentes, o transtorno pode gerar um excesso de comportamentos críticos, o que acaba atrapalhando o ambiente familiar e escolar do indivíduo.
    O professor conta que os sintomas do TOD são divididos em três grupos: humor raivoso e/ou irritável, comportamento argumentativo desafiador e comportamento vingativo. “Para receber o diagnóstico, a pessoa tem que apresentar um padrão frequente de pelo menos quatro sintomas que se encaixam nesses grupos e que durem pelo menos seis meses contínuos”, esclarece Sousa.
    A classificação desses sintomas pode ser difícil de ser realizada o que gera diagnósticos errados, problema que vem sendo criticado por profissionais e pesquisadores da área. “A classificação de comportamentos como esses citados como parte de um transtorno, ou seja, de um problema importante de saúde mental, acaba ‘medicalizando’ comportamentos normais para certos períodos de desenvolvimento”, diz o professor. Ou seja, não é qualquer comportamento de raiva, insistência ou agressividade que justifica o diagnóstico.
    O diagnóstico correto pode trazer mais qualidade de vida dentro da família e melhores experiências com as outras pessoas, já que o indivíduo, mesmo que não perceba com clareza, está sofrendo. Sousa conta que o tratamento do transtorno consiste principalmente em psicoterapia e aprendizado de habilidades interpessoais.
    5 min
  • Minuto Saúde Mental #67: Os Smurfs não têm depressão - psicodélicos na linha de frente da pesquisa por novas medicações psiquiátricas
    Nesta edição do podcast Minuto Saúde Mental, o professor João Paulo Machado de Sousa fala sobre o atual aumento das pesquisas com as drogas alucinógenas. Para ilustrar, Sousa lembra da vida dos Smurfs, “criaturinhas azuis que vivem felizes em uma vila escondida na floresta e moram em casas-cogumelo” de um desenho animado dos anos 80. Com o investimento, “a ciência pode estar mais próxima de explicar porque o astral é tão alto entre esses seres mágicos”, diz o professor.
    É que essas drogas, depois de muito tempo longe dos laboratórios, têm sido objeto de estudo de vários grupos de pesquisadores sérios em diferentes países. São drogas também conhecidas como psicodélicas e incluem o ácido lisérgico (ou LSD), a ayahuasca (tema de outro episódio do Minuto Saúde Mental), e a psilocibina, que é a substância contida nos cogumelos alucinógenos.
    Sousa conta que desde 2016 um grupo da Escola de Medicina Johns Hopkins, nos Estados Unidos, tem encontrado efeitos positivos da psilocibina no tratamento de sintomas depressivos. Em um estudo recente, esses pesquisadores trataram 24 pacientes com uma combinação de psilocibina e psicoterapia e tiveram resultados surpreendentes: o tratamento reduziu os sintomas depressivos em 71% dos participantes depois de quatro semanas. No final do período do estudo, que durou 24 semanas no total, mais da metade dos pacientes foi considerada em remissão, o que significa que a intensidade dos sintomas já não os caracterizava mais como deprimidos.
    Conta ainda que o surgimento de uma série de resultados semelhantes levou o órgão responsável pela regulamentação de medicações da Austrália a incluir, no início de fevereiro deste ano, a psilocibina e o MDMA, que é a substância contida no ecstasy, entre os remédios que podem ser prescritos por psiquiatras no tratamento de transtornos mentais.
    Notícias como essa, adianta o professor, são muito bem-vindas, mas sempre acabam levando uma multidão de pessoas insatisfeitas com seu tratamento atual a buscar essas substâncias como curas milagrosas. “É nessa hora que precisamos lembrar que estamos falando de substâncias potentes com efeitos realmente fortes sobre o nível de consciência e que podem levar a situações perigosas se usadas de forma indiscriminada”, alerta.
    Segundo Sousa, agora é hora de deixar a ciência fazer o seu trabalho e “torcer para que, em breve, tenhamos novas medicações para reduzir o sofrimento causado pelos transtornos mentais”.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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    5 min
  • Minuto Saúde Mental #66: Fenômeno pouco conhecido, a misofonia é a aversão a determinados sons
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa fala sobre o fenômeno chamado de misofonia. Conhecido por causar incômodo e até mesmo aversão a determinados sons, como de pessoas respirando e mastigando, a misofonia pode trazer problemas psicológicos para o indivíduo, como estresse, isolamento e conflitos interpessoais.
    O professor conta que a misofonia ainda é pouco conhecida e estudada e por isso não é possível identificar a parcela da população que sofre com esse problema. A vergonha de compartilhar o incômodo com sons tão comuns também contribui para a falta de dados sobre o fenômeno.
    Apesar de pouco estudada, a ciência sugere que a misofonia apresenta os primeiros sintomas aos 12 anos de idade e que surge acompanhada de sinais fisiológicos de estresse, como aumento da produção de suor e do ritmo cardíaco. “O incômodo não está apenas no nível psicológico, naquilo que a pessoa percebe, mas também tem correspondentes biológicos”, esclarece Souza.
    Por ainda ser um problema pouco conhecido, não há muitos profissionais que trabalham com o assunto ou tratamentos já bem desenvolvidos. O professor conta, no entanto, que já existem clínicas especializadas em alguns lugares do mundo e que a terapia cognitiva comportamental parece trazer bons resultados para quem sofre com a misofonia.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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    4 min
  • Minuto Saúde Mental #65: Pensamentos e sentimentos ligados a política podem afetar a saúde mental dos indivíduos
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa conta como os pensamentos e sentimentos relacionados à política podem impactar a saúde mental dos indivíduos, gerando sintomas como o estresse e até mesmo pensamentos suicidas.
    O professor comenta sobre um estudo norte-americano, da Universidade de Nebraska, publicado este ano, que comparou entrevistas realizadas com as mesmas 700 pessoas, em 2017 e em 2020, após as eleições presidenciais nos Estados Unidos. O estudo mostrou que os sentimentos relacionados a política apresentam impactos sobre a saúde. Problemas de sono e instabilidade nos relacionamentos, além do estresse e pensamentos suicidas, foram identificados nesses indivíduos.
    Em 2019, outro estudo sobre o tema também foi publicado pela Universidade Weill Cornell, dos Estados Unidos. Os resultados mostraram que 87% dos terapeutas entrevistados relataram ter discussões políticas com seus pacientes. “E o mais importante, eles relataram que a aliança terapêutica era mais forte com aqueles pacientes que compartilhavam da mesma opinião”, diz Souza.
    Por fim, o professor ressalta a importância destas pesquisas para entender o alcance das posições políticas atualmente e como podem afetar o resultado de um tratamento psicológico, que deve sempre buscar uma melhora na qualidade de vida do paciente.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #64: Interromper uso de antidepressivos em finais de semana pode prejudicar eficácia do tratamento
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa esclarece algumas dúvidas sobre a interação do álcool com medicamentos antidepressivos e faz um alerta para os indivíduos que interrompem o tratamento aos finais de semana para ingerir bebidas alcoólicas.
    Sousa afirma que, para que seja eficaz, o tratamento com antidepressivos deve ser contínuo, já que não têm efeito agudo como remédios para dor de cabeça, por exemplo. Para o correto funcionamento no organismo é necessário manter um nível constante da substância no sangue e assim regular as funções que não estão normais.
    Além disso, o professor lembra que o álcool tem um efeito depressivo no sistema nervoso, podendo causar ou piorar sintomas de ansiedade e depressão. A combinação de certos medicamentos com a bebida alcoólica pode também causar sedação ou sonolência. “Como o álcool também causa esses efeitos, eles podem ser potencializados de forma desagradável”, complementa Sousa.
    Por fim, o professor enfatiza que os antidepressivos devem ser tomados na dosagem, frequência e horário determinados pelo médico responsável, que deve sempre ser consultado antes de qualquer mudança.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #63: Existe algum jeito de prevenir problemas psicológicos?
    No Minuto Saúde Mental o professor João Paulo Machado de Sousa traz informações do psicólogo judiciário Ildebrando Moraes de Souza, que fala sobre ferramentas para a manutenção da saúde mental. 
    Segundo Ildebrando Souza, todo ser humano, em algum momento da vida, se sentiu cansado, sobrecarregado, descontrolado, angustiado, perdido em um mar de demandas do dia a dia que parece não ter fim ou não apresentar saída, ou teve a sensação de que não conseguiria superar os desafios ou que não teria energia nem mesmo para tentar. “Uma vez que os problemas fazem parte inevitável da vida, teria algum jeito de estarmos mais preparados para sofrer menos quando eles aparecem?”
    Para o psicólogo, alcançar uma boa condição de saúde mental é possível, embora isso não signifique impedir o surgimento de problemas ou simplesmente ignorá-los quando aparecem, mas sim conhecer as ferramentas internas que podemos ter para enfrentar ou tolerar o que quer que se apresente. E sugere que para se alcançar alguma segurança em termos de saúde mental é necessário começar a investir pessoalmente ou de forma coletiva em duas estratégias importantes: promoção e prevenção em saúde mental que, de modo geral, significam respectivamente investir em fatores de proteção e tentar diminuir fatores que colocam em risco nosso equilíbrio mental.  “As pesquisas no campo da promoção e prevenção em saúde mental dão ênfase à saúde coletiva, mas também podemos adaptar o que se sabe para o uso no nível individual. Somos seres complexos e cheios de peculiaridades, mas algumas formas de funcionar podem ser comuns à maioria de nós e o que reconhecidamente faz bem ao coletivo pode, da mesma forma, beneficiar o indivíduo.”
    Na prática, diz, buscar uma vida saudável do ponto de vista físico pode ser uma boa estratégia para proteger a saúde mental. “Existem protocolos internacionais de tratamento para depressão, por exemplo, que incluem a prática de atividades físicas como uma grande ferramenta, e isso pode valer também para a prevenção da depressão e de outros transtornos mentais.”
    Para o especialista, o cultivo das amizades e de laços sociais e familiares significativos onde podemos compartilhar nossas alegrias e tristezas é reconhecidamente outro instrumento que contribui para uma boa saúde mental.  “Junto com isso, a manutenção da curiosidade e do interesse pela vida e pelas muitas possibilidades que ela traz é outro elemento que pode atuar como material para uma base mais sólida para nossa estrutura mental.”
    A psicoterapia é outra sugestão do especialista, antes mesmo que a pessoa tenha alguma queixa específica e enfatiza que o autoconhecimento pode ser alcançado em um bom processo terapêutico e funcionar como um “manual de instrução de nós mesmos e nos mostrar caminhos para que se viva a vida da melhor forma possível”.  
    Ildebrando Souza conclui que é possível fazer com que nossa estrutura psicológica seja menos frágil ou absorva melhor os impactos que situações difíceis da vida possam trazer. “Identificar o que são fatores de proteção e de risco e usar isso como um instrumento a nosso favor são maneiras de tornar nossa existência mais saudável e talvez até mais prazerosa.” 
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #62: Automutilação é cada vez mais frequente entre adolescentes e adultos mais jovens, aponta especialista
    A automutilação é o tema do podcast Minuto Saúde Mental desta semana. O professor João Paulo Machado de Sousa comenta que o termo faz referência ao ato de ferir a si mesmo, e que este comportamento está cada vez mais frequente na última década, principalmente entre adolescentes e adultos mais jovens.
    Sousa esclarece que arranhões e cortes feitos com objetos pontiagudos são os mais frequentes, mas que algumas pessoas também provocam queimaduras no próprio corpo, seja com cigarro ou outros instrumentos. “Os lugares mais frequentes dos ferimentos são os braços, pernas e a parte da frente do tronco”, alerta o professor.
    Os profissionais de saúde mental e pesquisadores da área entendem que indivíduos que passam por um sofrimento mental e uma angústia muito forte acabam se ferindo por não achar outra forma de aliviar essa dor. “O ato de ferir a si mesmo é visto, assim, como uma tentativa de controlar uma dor mental que parece insuportável”, completa Sousa. Este comportamento traz, além do sofrimento físico, um sentimento de culpa e vergonha para o indivíduo. 
    É preciso um olhar atento para alguns sinais. O uso de roupas de frio, mesmo em dias com a temperatura alta, para esconder os ferimentos, é um indício importante. Além disso, o isolamento social e ferimentos que são descritos como acidentais, mas ocorrem com certa frequência, fora do padrão, precisam ser observados. Procurar um profissional nesses casos é essencial; por trás desse comportamento o indivíduo pode estar sofrendo com depressão, ansiedade ou algum transtorno de personalidade.
    Por fim, Sousa conta que estudos mostram que “a convivência com pessoas que praticam a automutilação pode aumentar o risco para que isso aconteça”. Na era da internet é preciso ficar atento aos perfis que jovens e adolescentes seguem, qualquer interesse significativo em pessoas que causam ferimento no próprio corpo precisa ser investigado.
    5 min
  • Minuto Saúde Mental #61: Sofrer de um transtorno mental e não receber um diagnóstico é realidade em vários locais do mundo
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa comenta sobre indivíduos que sofrem de algum transtorno mental e não são diagnosticados. O professor conta que, ao olhar os dados disponíveis atualmente, esta é a realidade da maioria das pessoas que sofrem de algum transtorno mental em vários países pelo mundo.
    Muitas dúvidas surgem sobre como é possível identificar esse problema se os casos não foram diagnosticados. Sousa esclarece que, ao fazer levantamentos sobre saúde mental em lugares como prisões e universidades, os resultados mostram que vários indivíduos apresentam sintomas em números e frequência suficientes para preencher um diagnóstico psiquiátrico, “mas simplesmente nunca receberam tratamento”.
    Isto acontece por diversas razões, aponta o professor. A primeira explicação é que os sistemas de saúde, em muitos lugares do mundo, não têm a estrutura adequada para tratar pacientes com problemas de saúde mental, ou seja, “faltam serviços de saúde e profissionais para cuidar dessas pessoas”, diz Sousa. Outra razão é a falta de informação. Muitos pacientes apresentam sintomas que podem ser reconhecidos facilmente por um profissional da área, mas que são confundidos com traços da personalidade ou simplesmente ignorados, afirma o professor. 
    Além disso, o olhar negativo sobre as dificuldades na saúde mental é uma grande barreira para que as pessoas procurem um tratamento. O estigma pode vir tanto da pessoa que está sofrendo como das pessoas com quem convive, e “isso faz com que muitas pessoas optem por manter suas dificuldades em segredo, ao invés de buscar ajuda”, conta o professor.
    Encontrar caminhos para que esses casos sejam identificados é importante não apenas para o indivíduo, mas para toda a sociedade.  Fornecer informação de qualidade e reduzir os estigmas da sociedade, além de aumentar o acesso das pessoas a serviços de saúde mental, pode certamente “diminuir o impacto dos transtornos mentais na economia e na esfera individual e comunitária”, completa Sousa.
    4 min
  • Minuto Saúde Mental #60: Pandemia causou agravamento dos problemas de saúde mental e fez surgir novos quadros de sofrimento
    Os impactos da pandemia na saúde mental só terá uma resposta satisfatória e completa daqui a alguns anos, mas o professor João Paulo Machado de Sousa já adianta e comenta que alguns já são claramente visíveis no Minuto Saúde Mental desta semana. 
    Em primeiro lugar, diz o professor, a pandemia de covid-19 afetou o acesso concreto aos serviços de saúde mental disponíveis. As pessoas passaram a ter muito mais dificuldade para conseguir consultas e avaliações e para manter seu acompanhamento em instituições. “Essa dificuldade foi potencializada ainda pelas restrições de circulação e uso do transporte público.”
    Outro fator que foi agravado pela pandemia foi a dificuldade pessoal de buscar ajuda. “Com a pandemia, o medo de contágio se somou ao estigma e atrapalhou ainda mais a busca por tratamento.” Ao olhar a questão ainda de outra perspectiva, a pandemia causou sérios problemas econômicos, inclusive com interrupção da geração de renda para algumas famílias, o que, segundo Sousa, “tornou inviável para um grande número de pessoas iniciar ou continuar tratamentos particulares de que elas precisavam, causando abandono de terapias e interrupções indesejáveis no acompanhamento psiquiátrico e até mesmo no uso de medicações”.
    Por fim, o professor lembra que a pandemia causou um agravamento de problemas de saúde mental em pessoas que já estavam em remissão e o surgimento de quadros ligados ao estresse e à ansiedade em uma grande parcela da população, especialmente as crianças e adolescentes que sofreram mudanças dramáticas em atividades cotidianas muito importantes, como a escola e a convivência com seus grupos sociais. “Não há dúvida, portanto, de que o impacto da pandemia sobre a saúde mental é enorme e atinge várias frentes diferentes. Agora é hora de a sociedade trabalhar de forma conjunta para minimizar esse impacto e melhorar nossa qualidade de vida.”
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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